quinta-feira, março 31, 2005

Atlântico: banhada na esquerda


Com o jornal Público é distribuído hoje o 1º número de uma nova revista: a "Atlântico", tendo Helena Matos como directora e Hugo Gonçalves como editor.

A "Atlântico" identifica-se como uma "revista de crítica e debate", e o editorial acrescenta-lhe "uma identidade forte, polémica e única". E também uma determinação: "fazer uma revista que rompa com o unanimismo reinante".

O certo é que a revista inclui artigos bem interessantes. Por exemplo, um de Vitor Bento sobre "A necessidade de consolidação orçamental" e outro de Joaquim Aguiar sobre "A sociedade e o inimigo".

Paulo Tunhas dá na cabeça dos políticos e intelectuais ocidentais que simpatizam com os terrotistas islâmicos, num libelo cujo título chega para assustar a freguesia: "Omnipotência do pensamento e narcisismo intelectual". Para explicar a coisa Tunhas recorre à hipótese freudiana da "existência, nos seres humanos, de uma necessidade prática de dominar o mundo". Ou seja: Freud contra Marx. Interessante. Fico a aguardar a réplica do "povo de esquerda" ( o desenho do punho com uma rosa, a escorrer sangue, é mesmo mauzinho...)

Uma espécie de artigo de fundo malha no nosso primeiro: "José Socrates na Ilha da Páscoa". Quem é que disse que (ainda) não é possível fazer humor com este primeiro-ministro? Calem-se as desculpas de "bloqueio humorístico" do Gato Fedorento, que este Rui Ramos tem mesmo graça.

Luciano Amaral escreve sobre o Vietname: "A guerra que a América não quiz ganhar". Hugo Gançalves escalpeliza a Oriana Fallaci, "Femme Fatale". Há ainda textos de René Char traduzidos por Manuel de Lucena, recensões de livros e discos, uma crónica humorística de Alice Mendes (que goza a valer com o José Gil) e um conto de João Tordo.

Há lá mais coisas, mas só com isto já valia que se dessem 2 euros pela revista. O facto de ser distribuída de borla com o Público é um grande achado, mas cheira-me que a graça ocorrerá só com o primeiro número - é o velho truque da fidelização.

E, de facto, agora que leio com mais atenção, a coisa confirma-se: "neste primeiro número chegaremos às suas mãos acompanhando o jornal "Público". A partir daí, na última 5ª feira de cada mês, estaremos nas bancas". Só não diz o preço. Pudores de intelectuais.

A propriedade da revista é do Forum para a Competitividade (vejam bem no que dão as ideias do Porter; razão tem o Mintzberg...)

Um suma: uma revista culta, divertida, acutilante e, ao que parece, de direita. Coitado do Sócrates. Coitado do Louçã. A mim, tudo o que me faça rir é bom para a saúde - já lá diziam os médicos. Felicidades pois para a Atlântico.

quarta-feira, março 30, 2005

Storytelling



( clique )

Storytelling, a arte de contar histórias, relaciona-se de dois modos com a Economia.

Designa-se por storytelling a "capacidade" para explicar um qualquer facto de natureza económica, após a sua ocorrência, recorrendo a relações lógicas, de acordo com uma teoria previamente aceite, embora sem qualquer prova da verificação das relações subentendidas. É o que acontece com aquelas meninas expeditas e aqueles ilumidados mancebos que diariamente nos "explicam" porque é que as bolsas "abriram em queda", ou "em linha", ou "acompanhando a subida" de outra coisa qualquer, ou a iminente revelação de um relatório, etç. Nesta asserção storytelling bem podia ser traduzido como "histórias da Carochina".

Mas existe outro destino, eventualmente mais nobre, para o storytelling em Economia: facilitando (humanizando ?) a transmissão de conhecimentos em contexto de gestão. É reconhecido que a nossa maquinaria genética se encontra programada para um estilo de vida ancestral, muito diferente da moderna vida urbana e, sobretudo, muito diferente do paradigma racional: "eu explico-te uma teoria, lógica e coerente, e logo tu acreditas e vais a correr aplicá-la". Afinal parece que não funciona bem assim.

É então que entra em cena o storytelling, à boa maneira da transmissão de conhecimentos anterior à escrita: os enredos, as metáforas, as analogias, as alusões, as ironias, enfim, essas maravilhosas estruturas mágicas tão contrárias ao racionalismo mas tão caras ao coração e às emoções, e que tanta importãncia têm na nossa aprendizagem desde miúdos.

Sobre o uso de histórias num contexto de transmissão de conhecimentos em ambiente organizacional, Betsy A. Arnette escreveu a dissertação: Story as an Approach for Facilitating a Knowledge management Innovation.

terça-feira, março 29, 2005

Mudar algo


Ao que parece, o Governo Sócrates prepara-se para repôr a regra do concurso público para cargos dirigentes da Administração Pública, uma norma que fora criada pelo Governo Guterres e logo depois revogada pelo governo Barroso. Eis um bom exemplo da "dança das cadeiras", neste caso, o "vira legislativo", segundo o perene princípio de "vira o disco e toca o mesmo" ou (para introduzir uma citação mais culta) "é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma" (in "O Leopardo", de G. Lampedusa).

Acho que a nossa democracia anda a pedir uma lei-travão, do género: "sempre que uma política de um governo seja revertida por outro, em legislaturas consecutivas, uma terceira reversão necessitará de maioria qualificada de 2/3 no Parlamento". Ou seria melhor 5/4 ?

Bem canta o Jorge Palma: o mundo nunca parou de mudar mas, lá no fundo, é sempre igual.

Lá no fundo

Ao que parece, o Governo Sócrates prepara-se para repôr a regra do concurso público para cargos dirigentes da Administração Pública, uma norma que fora criada pelo Governo Guterres e logo depois revogada pelo governo Barroso. Eis um bom exemplo da "dança das cadeiras", neste caso, o "vira legislativo", segundo o perene princípio de "vira o disco e toca o mesmo" ou (para introduzir uma citação mais culta) "é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma" (in "O Leopardo", de G. Lampedusa).

Acho que a nossa democracia anda a pedir uma lei travão, do género: "sempre que uma política de um governo seja revertida por outro, em legislaturas consecutivas, uma terceira reversão necessitará de maioria qualificada de 2/3 no Parlamento". Ou seria melhor 5/4 ?

Bem canta o Jorge Palma: o mundo nunca parou de mudar, mas lá no fundo é sempre igual.

Vira o disco


Ao que parece, o Governo Sócrates prepara-se para repôr a regra do concurso público para cargos dirigentes da Administração Pública, uma norma que fora criada pelo Governo Guterres e logo depois revogada pelo governo Barroso. Eis um bom exemplo da "dança das cadeiras", neste caso, o "vira legislativo", segundo o perene princípio de "vira o disco e toca o mesmo" ou (para introduzir uma citação mais culta) "é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma" (in "O Leopardo", de G. Lampedusa).

Acho que a nossa democracia anda a pedir uma lei travão, do género: "sempre que uma política de um governo seja revertida por outro, em legislaturas consecutivas, uma terceira reversão necessitará de maioria qualificada de 2/3 no Parlamento". Ou seria melhor 5/4 ?

Bem canta o Jorge Palma: o mundo nunca parou de mudar, mas lá no fundo é sempre igual.

A marca "Elias"


«A marca "Elias", gravada a ferros quentes, é visível em cada pipa e barril que Elias Silva constrói. O seu trabalho, que iniciou na década de 50, em Pombal, percorreu todo o país desde tabernas a produtores de vinho, sendo aos milhares as pipas e barris que ostentam o nome do seu criador. A trabalhar dia e noite, Elias Silva fez crescer o negócio».

Helena Silva - Jornal de Notícias

Maravilhoso mercado


O mercado é uma coisa maravilhosa, não sei se já repararam... Por exemplo: em Maio vão subir os preços dos transportes públicos, qualquer coisa entre 3 e 4 %. É a crise! (ou será a inflação ?). Pois bem, o mercado, justo e equitativo como só ele pode ser, promete que a TAP, a Potugália e a Air Luxor não vão, para já, subir os seus preços. Conclusão: basta trocarmos o sujos autocarros, os atafulhados metros ou os atrasados combóios por aviões - e a vida pode continuar como dantes.

Não é maravilhoso, o mercado?

segunda-feira, março 28, 2005



Fui ver um bom filme francês neste fim-de-semana, o policial "36 Anti-Corrupção", com excelentes desempenhos de Daniel Auteuil e Gérard Depardieu. Entre os actores secundários destaca-se uma senhora idosa, dona de um bar, que leva uma valente tareia logo no início da fita; o rosto pareceu-me familiar, mas escondido muito lá no fundo obscuro da memória. O genérico do filme esclareceu o caso: é Mylène Demongeot, a bela "Hélène" que eu não via desde os anos 60, dos filmes do Fantômas.

Pela sua participação em "36 Anti-Corrupção", Demongeot foi nomeada para o César de melhor actriz secundária em 2005. Entretanto encontrei na net uma página com esta fotografia de Sylva Koscina, João Gilberto, Tom Jobim e Mylène Demongeot na praia de Copacabana, provavelmente do filme "Copacabana Palace", de 1962 (clique para ampliar).

 imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | + fotos | Biografia |

Mylène Demongeot é autora do livro "Tiroirs Secrets", que é assim apresentado pelo editor (Pocket):
«Após a sua participação no filme "As bruxas de Salem", em 1956, Mylène Demongeot torna-se numa star, tanto em França como no estrangeiro. Trabalhando com os maiores realizadores ela marca então, com a sua beleza despreocupada, filmes como "Bom-Dia Tristeza", "Faibles femmes", "Os três mosqueteiros" ou os "Fantômas", até ao encontro e 'coup de foudre' com Marc Simenon, o filho de Georges, em 1966. Muda então radicalmente de vida e torna-se realizadora, por amor. Vedeta emblemática dos anos 60, insolente e atrevida, ela encarna uma certa alegria de viver. Evocando com bastante humor as suas paixões e as suas filmagens, Mylène Demongeot fala do dia-a-dia da sua vida de actriz, dos seus colegas, dos seus entusiasmos de principiante e da vida acelerada de uma estrela da época, sem ocultar a sua parte de desilusões.»
Se viu o Fantômas talvez se recorde do tema 'Ma Chère Hélène':      

Contas externas em perigo


O Jornal de Notícias refere que "A entrada em vigor, em Julho, da directiva comunitária sobre a poupança pode afastar os emigrantes dos bancos portugueses. Em causa poderão estar 9,3 mil milhões de euros, o equivalente a 11% do total dos depósitos de poupança existentes no país, de acordo com dados do Banco de Portugal." A medida visa controlar as movimentações financeiras que são feitas com o objectivo de aproveitar a diferenciação de regimes fiscais e bancários, não só na União mas igualmente em qualquer parte do mundo.

Ninguém parece saber exactamente como irão reagir os depositantes - triste imagem da nossa prospectiva económica. A hipótese de desvio dos depósitos para outras paragens pode igualmente ter consequências macroeconómicas para Portugal já que as remessas de emigrantes, embora já sem a importância que tiveram no passado, constituem ainda uma boa ajuda para as contas externas.

Se a esta hipótese juntarmos a previsíveldiminuição dos fundos comunitários, as contas externas portuguesas poderão enfrentar tempos difíceis nos próximos anos (e quem diz "as contas externas portuguesas", diz "os portugueses").

O fluxo de transferências oriundas do estrangeiro tem tido um papel importante na nossa economia, financiando o investimento e o desenvolvimento e mascarando (ou consolidando...) a nossa incapacidade para gerar internamente as poupanças necessárias.

(Noticia de Isabel Forte e Pedro Araújo no Jornal de Notícias)

domingo, março 27, 2005

Alice Lee





Love is a thief


Esta gravação é um demo (versão primitiva de uma canção, gravada apenas para demonstração). Para uma uma gravação mais profissional oiça: Could this be love ?

Alice Lee mantém uma espécie de blogue aqui; fotografias: aqui; biografia: aqui

imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |

sábado, março 26, 2005

5 anos de moeda europeia


Enquanto alguma rapaziada se vai convencendo de que "o euro acabou", recordemos estes textos disponibilizados na página do Banco da Reserva Federal de Dallas, da conferência de Maio passado sobre os "5 anos do euro":

  • On Prosperity and Posterity: The Need for Fiscal Discipline in a Monetary Union de Vitor Gaspar e outros;
  • Managing an economy under EMU: The case of Ireland de John Fitz Gerald:
  • The Euro Five Years On: Achievements and New Challenges de Christian Noyer (do Banco de França);
  • Why Is Sweden Not in EMU de Nils Gottfries;
  • Monetary Unions Without Fiscal Unions de Michele Fratianni (slides em formato pdf);
  • Productivity and the Dollar–Euro Exchange Rate de Giancarlo Corsetti (slides em formato pdf);

    Nesta conferência também foi feita a apresentação do estudo já referido de Luís Campos e Cunha e Patrícia Silva, Portugal and the EMU: 1996-2001, the crucial years.
  • Livros


    Na edição de Março do Journal of Macroeconomics encontrei, entre os livros recenseados, estas referências:

    European Monetary Integration, edição de 2004 do MIT, sobre as incertezas e desafios devidos às assimetrias do espaço euro. São abordadas as imperfeições dos mercados de produtos e de trabalho, o "peso" do voto dos pequenos países e a descentralização e as políticas fiscais.

    Perspectives of the Economics of Aging, de David E. Wise, da Universidade de Chicago, 2004; pensões, saúde, mortalidade e cuidados médicos da população idosa, com análise da situação de vários países.

    Monetary Strategies for Joining the Euro, de 2004; abordagem das estratégias fiscais e monetárias para os novos aderentes da União; ajustamento macroeconómico à mudança estrutural; importância do "efeito Balassa-Samuelson" de produtividade diferenciada entre sectores associada a salários não-diferenciados; o livro inclui ainda Portugal como case study. Entre os autores encontram-se Vítor Gaspar, Jorge Braga de Macedo, Luís Campos e Cunha e Patrícia Silva; estes dois últimos autores escreveram o capítulo: "Portugal and the EMU: 1996-2001, the crucial years" que se encontra disponível, em pdf, aqui.

    sexta-feira, março 25, 2005





    Big Road Blues

    Cryin', ain't goin' down this big road by myself
    Now don't you hear me talkin', pretty mama?
    Lord, ain't goin' down this big road by myself
    If I don't carry you, gon' carry somebody else

    Cryin', sun gonna shine in my back door someday
    Now, don't you hear me talkin', pretty mama?
    Lord, sun gon' shine in my back door someday
    And the wind gon' change, gon' blow my blues away

    Tommy Johnson nasceu em 1896, numa plantação, no Mississippi, onde aprendeu a tocar guitarra com familiares. A sua voz era capaz de uma ampla escala de sons, que ia desde os tons graves e cavernosos até um falseto bastante alto. Embora não fosse um virtuoso da guitarra tinha um estilo original; o seu desempenho como bluesman caracterizava-se por uma forte teatralidade que agarrava as audiências. Johnson era também o típico bad boy, mulherengo, conflituoso e beberrão; a dependência do álcool serviu-lhe de inspiração para "Canned Heat Blues"; esta popular designação do álcool ("calor enlatado") viria a ser adoptada por uma conhecida rock/blues band dos anos 60, os Canned Heat.

    Tommy Johnson surge retratado no filme dos irmãos Coen, Irmão, onde estás? ("O Brother, Where Art Thou?" ), representado pelo actor e músico Chris Thomas King (imagem do filme aqui).

    A canção "Big Road Blues" foi posteriormente gravada por Bonnie Raitt e pelos Canned Heat, entre outros.

    Marx e Amaral


    O Diário Económico publicou uma entrevista com João Ferreira do Amaral onde o ilustre Professor nos chaga mais uma vez com o anúncio da morte do Euro. Sim, este é o mesmo João Ferreira do Amaral que tem vindo a anunciar a morte do Euro ainda desde antes o seu nascimento. O facto da moedita europeia ter singrado não o demove: se a realidade não confirma as doutas previsões, mude-se a realidade!

    JFA não foi o único a prever o colapso: até o nobelizado Samuelson garantiu que assim tinha que ser, e que assim seria. Mas como pode uma pessoa tão bem formada e informada manter-se tão firme perante a evidência do contrário?

    Creio que solução pode estar em Marx. Como é sabido, Marx previu o fim inelutável do capitalismo, não só pela revolução, mas também por uma contradição interna no sistema que se traduzia através da queda tendencial da taxa de lucro; era uma bela Lei, com demonstração matemática e tudo - ainda por cima, uma demonstração matemática simples, acessível ao operariado, sem derivadas nem integrais.

    Marx, porém, não era parvo; sabendo que a questão «que até aqui ocupou os economistas ("como explicar a baixa da taxa de lucro") cede lugar à questão: como explicar que essa baixa não tenha sido mais importante ou mais rápida», enunciou uma lista de 6 causas que contrariavam a Lei. Ou seja: que retardavam a sua aplicação embora, em última análise, a Lei acabasse por prevalecer.

    Assim raciocina JFA: o euro há-de estoirar mas, por enquanto, a «revisão do Pacto é apenas um adiamento da morte do euro».

    quinta-feira, março 24, 2005

    Omega-3


    A mais recente edição do Journal of Neuroscience inclui um artigo de investigadores da Califórnia que mostra que dietas ricas em ácido gordo Omega-3 (docosahexaenoico) reduzem o risco da desenvolvimento da doença de Alzheimer; o resumo do artigo encontra-se aqui.

    Cientistas portugueses do Ipimar já tinham divulgado resultados semelhantes, relacionando o Omega-3 com a redução do risco de doenças coronárias (artigo em htm e pdf).

    As melhores fontes de Omega-3 são o peixe gordo de água fria (salmão, cavala, sardinha, atum e arenque), o óleo das sementes de linhaça e as nozes.

    Efeito Berlusconi


    O Professor João de Sousa Andrade escreveu em 1997 o texto "Definição de moeda e efeito Berlusconi", que explora a dicotomia criada entre os objectivos de política monetária, tal como são definidos pelos responsáveis por essa política e os 'objectivos' que são apresentados aos eleitores (na linguagem do académico, «que são apresentados a quem compete julgar da eficácia e da correcção daquela política»). A linguagem do texto é um tanto hermética, mas o 'efeito Berlusconi' do título ajuda a perceber o intento - se é que o entendi bem.

    Designemos então os primeiros objectivos como "técnicos" e os segundos como "populistas" (designações minhas). A dúvida de J.S.Andrade é a de que, no caso dos dois objectivos não serem coincidentes, os 'Berlusconis', de tanto apregoar os "objectivos populistas", percam de vista os "objectivos técnicos". Mas vejamos as palavra de J.S.Andrade, a ver se entendi bem:
    «Este trabalho destina-se a explorar ao ní­vel da definição do agregado massa monetária a ideia que passamos a desenvolver. Os objectivos de polí­tica, entendida no sentido mais vasto possível, podem ser divididos em dois tipos. Em primeiro lugar temos os objectivos que são prosseguidos pelos responsáveis pela sua execução não têm que ser confundidos com os "objectivos"; que são apresentados a quem compete julgar da eficácia e da correccão daquela polí­tica. Haverá¡ razões objectivas que levam à  escolha de uns e outros objectivos. Eventualmente aqueles objectivos são coincidentes. Suponhamos que o não são. Então neste último caso pode surgir uma situação à Berlusconi. De tanto apresentar os segundos que levarão a maximizar uma função de popularidade, os responsáveis governam mesmo para esses objectivos esquecendo os primeiros. Naturalmente que o resultado terá de ser destabilizador. Procuramos ver se podemos encontrar condições para um tal efeito no âmbito da política monetária portuguesa.»
    O trabalho tem natureza econométrica (saltamos essa parte...) e usa as variáveis monetárias M1 e M3 para representar os objectivos em análise. A conclusão do autor é a de que «As oscilações de M1 (...) não têm efeitos sobre a despesa real (...) mas não deixam de ser um elemento perturbador das informações que circulam pelas variações nominais na economia.» E, finalmente: «Se porventura esquecermos que a instablidade de M1 pode afectar a economia e apenas nos preocuparmos com uma variável M3 porque ela é a que apresenta menores oscilações estaremos a fazer uma política monetária à Berlusconi, esquecendo que o objectivo da política monetária não é o julgamento que possam fazer dessa política mas atingirmos objectivos tais como a estabilização dos preços ou da procura nominal global. E o resultado será a criação de instabilidade económica ainda que a nossa popularidade esteja de momento bastante bem.» (sublinhado meu)

    Tudo isto, visto "do lado da Economia", parece razoável. Mas há aqui uma consequência política, na frase que sublinhei, que me custa a aceitar: creio que, em última análise, é aos eleitores que cabe fazer o julgamento da política monetária e não aos técnicos. Não porque os eleitores sejam economistas qualificados, mas sim porque, por maior qualificação que exista nos técnicos ou cientistas, a nenhum pode ser atribuída a posse da verdade. Além disso as escolhas de política (mesmo que da esotérica política monetária) envolvem opções sociais que aconselham processos de concertação que só podem ser regulados por via eleitoral.

    Vejamos um exemplo, pelo absurdo: e se os eleitores decidissem escolher conscientemente a "instabilidade económica"? Ainda assim, não continuaria o poder de decisão a caber-lhes por inteiro ?

    Água vai !


    Sérgio Hora Lopes, no Público de hoje, analisa o problema da escassez de água e da utilidade do sistema de preços para esse efeito. Admite que «a introdução de um preço da água que cubra a totalidade do seu custo económico, é imprescindível para introduzir racionalidade económica e ambiental nas opções dos agentes económicos» mas reconhece que «o preço não será seguramente o instrumento decisivo para ultrapassarmos a crise de escassez de água».

    Para além dos factos referidos no texto, há ainda um elemento a dificultar o papel do sistema de preços na gestão da água: em muitos municípios a factura da água é utilizada para cobrar taxas e impostos, normalmente associados ao tratamento de lixos e esgotos, que "obscurecem" o real preço da água.

    Interessante a informação sobre a repartição do uso e custos da água em Portugal, por sectores:
    sectorusocusto
    agricultura87 %28 %
    abastecimento urbano8 %46 %
    indústria5 %26 %

    Em termos de perdas a distribuição percentual é quase idêntica à do uso.

    [ "Água vai !" - expressão popular que acompanhava a ejecção de águas sujas e outros fluidos para as ruas, nos tempos em que não havia esgotos nas cidades; segundo as posturas da época, a expressão teria de ser repetida três vezes antes da ejecção; equivalente a "lá vai água". ]

    quarta-feira, março 23, 2005

    bicarbonato de "Sodia"


    Como referi no post anterior, a Sodia foi uma empresa inventada por um dos governos Guterres, o dos independentes - e foi o independente Augusto Mateus que inventou a coisa. Tratou-se de um problema parecido com o da Bombardier: uma empresa que se instalou em Portugal beneficiando de fortes apoios públicos, que esmifra o que há para esmifrar e depois pira-se. No caso da Renault, para além de financiamentos públicos, beneficiou do sistema de quotas na importação de veiculos ligeiros familiares, que penalizava os Corsas e equivalentes em benefício dos Clios.

    A Sódia, durante anos, lá foi queimando dinheiro público, processo devidamente camuflado por detrás das máscara empresarial e dos processos de desorçamentação. Caiu no esquecimento e agora que podia servir de lição para o caso Bombardier, já ninguém se lembra - nem os neo-liberais de plantão.

    Em 17 de Março de 2003 Durão Barroso rubricou a Resolução do Conselho de Ministros nº 39/2003, iniciando o "processo conducente à dissolução da Gestnave" (outra história por contar), onde se pode ler esta pérola:
    «Alguns dos pressupostos inicialmente estabelecidos, nomeadamente quanto ao número de trabalhadores [que deviam estar] ao serviço da GESTNAVE, sofreram importantes alterações durante o tempo entretanto decorrido, sobretudo através da transferência dos trabalhadores da ex-Sodia Renault para empresas que se encontram no perímetro de consolidação integral da GESTNAVE.»
    Eis para que serviu a Sodia: para "salvar empregos" que depois foram injectados na Gestnave e a ajudaram a levar à falência. Imagino que alguns empregos foram mantidos durante mais uns anitos - mas a que preço?

    Bombardeamento


    Parece que a "solução Sócrates" para a Bombardier vai ser: comprar. Não sei se será um bom caminho. Já o governo Guterres, pela mão do então ministro Augusto Mateus, arranjara uma solução semelhante para a fábrica Renault de Setúbal, comprando-a através de uma nova empresa, a Sodia: não deu em nada (sobre este caso escreverei novo post).

    Percebe-se a lógica da coisa: como vamos ter de constuir carruagens no futuro, a CP compra as máquinas e fica tudo em casa. Pode ser uma ilusão: a CP é uma empresa de transporte ferroviário, não de fabricação. É claro que poderá ser encontrada uma solução de consórcio, mas a CP partirá sempre de uma posição de fragilidade, pois os eventuais consortes sabem que a CP terá de arranjar ocupação para as máquinas, seja a que preço for, o que anula as vantagens da concorrência.

    Também o governo, ao anunciar a "compra das máquinas pela CP" antes de formado o negócio, está a agir precipitadamente: agora a Bombardier pode fazer subir o preço pois sabe que tem o governo nas mãos. Porque não negociou antes, em condições mais favoráveis, para depois anunciar com garantias?

    E mesmo que o negócio corra bem, há um grande risco envolvido nesta operação: risco político, mas também comercial: quem garante que a obolescência tecnológica não vai deitar as máquinas para o lixo antes da sua futura rentabilização?

    O mal disto é a "conotação" política das soluções aparentes: deixar a Bombardier levar os robôs (que são de sua propriedade, goste-se ou não) parece "de direita", "neo-liberal", etç. Manter cá as maquinetas, ainda que compradas com dinheiro do Orçamento, parece "de esquerda" e "social". Puro engano. Vejam bem para que serve agora o Orçamento: para comprar robôs industriais... ainda se oudessem substituir ministros!...

    Os tipos da Bombardier são suspeitos, porque são parte interessada, mas não devemos colocar de lado a hipótese de terem razão quando afirmam que "o equipamento em causa não serve os interesses da CP, por ser equipamento preparado para produzir mil caixas/ano" [um ritmo que a CP nunca atingirá]. (Diário de Notícias)

    [ Nem comento a "solução" encontrada para a fábrica da Bombardier pelo anterior ministro da Defesa e o seu desavergonhado silêncio actual; nunca acreditei em semelhante patranha, por isso não vou fingir agora que estou surpreendido. ]

    terça-feira, março 22, 2005

    Bessie Brown original





    Song From A Cotton Field


    Supõe-se que Bessie Brown tenha nascido em Cleveland em 1895; como muitas outras cantoras de Blues dos anos 20, trabalhou no teatro musical e vaudeville ; ao longo dessa década participou em musicais como "Moonshine Revue", "The Whirl Of Joy" e "Dark-Town Frolics". Gravou entre os anos de 1925 a 1928, por vezes sob o pseudónimo de Sadie Green, Caroline Lee, Mandy Lee ou Liza Brown, com acompanhamento de excelentes músicos como Bennie Moten (clarinete), Clarence Williams (piano), Charlie Irvis (trombone), Fletcher Henderson (piano), Coleman Hawkins (saxofone) e Buster Bailey (clarinete). É por vezes designada como a "Bessie Brown original" para a distinguir da cantora homónima que gravou blues em dueto com George Williams. Abandonou os espectáculos em 1932 e constituiu família, tendo tido três filhos. Faleceu em 1955.

    "Song From a Cotton Field" (cuja letra não foi possivel encontrar online...) apresenta uma crítica aberta à escravatura e à desigualdade racial, ao mesmo tempo que exprime uma exuberante confiança no futuro ["I know I'll get my pay"], acentuada pelo balanço da brass band.

    Busca de pessoas e poda de líderes


    Existe um novo motor na Web, o ZoomInfo, vocacionado para a busca de informações sobre determinadas pessoas. Faz a procura e indexa a informação tal como os outros motores, mas procura organizar as páginas seleccionadas relativamente a cada um dos nomes encontrados.

    Ou seja: procura agregar a informação que diz respeito a um mesmo indivíduo, separando diferentes pessoas que partilham o mesmo nome (o que nem sempre é conseguido).

    Depois de algumas tentativas, obtive uma boa identificação e um bom conjunto de respostas para "António Damásio". "Cavaco Silva" é adequadamente identificado, mas limita-se a aparecer numa página da AIESEC. "José Sócrates" não existe. "Santana Lopes", porém, aparece com várias entradas, e foi precisanente numa delas que descobri esta "reveladora" notícia:
    «De acordo como Portugal News, Pinto Balsemão convidou Santana Lopes and José Socrates, no início de Junho, para a sua villa italiana para um encontro do elitista e secreto grupo Bilderberg, a cuja direcção pertence. Até o Expresso admite que os futuros líderes mundiais são frequentemente "podados" [pruned] nos encontros Bilderberg, mencionando nomes como o de Sampaio e António Guterres»
    A página é esta, do World Socialist Web Site. O referido Portugal News reporta um encontro do grupo em Sintra, para o qual, e "segundo fontes em Washington", iria pagar ao governo português milhares de dólares para forças "militares que assegurem a privacidade e helicópteros para procurar intrusos". Ainda sobre o grupo Bilderberg leia esta notícia da BBC News: a "teoria da conspiração" no seu melhor.

    Agenda de Lisboa



    A propósito da cimeira europeia, a estratégia de Lisboa aparece hoje em destaque no jornal Público, com um extenso dossiê, uma entrevista com Maria João Rodrigues e um artigo de Durão Barroso:
    «Temos novas ideias para assegurar que atingiremos a meta de 3 por cento para as despesas de investigação. Também serão propostas novas revisões do enquadramento dos auxílios estatais para incentivar o investimento na investigação e inovação. "Pólos de inovação" reunirão pequenas e médias empresas tecnológicas, universidades e o necessário apoio empresarial e financeiro. »
    Igualmente em destaque o relatório do Centre for European Reform sobre a execução da Agenda de Lisboa.

    Investir nos tijolos


    No Público, entrevista com Simon Thurley, presidente do English Heritage - o equivalente inglês do nosso IPPAR:
    «Há dois erros comuns no que diz respeito ao património. O primeiro é pensar que é sobre edifícios - é sobre as pessoas e o que elas investem nos tijolos. O segundo é pensar que é sobre o passado - é sobre o futuro, o que ficará depois de nós desaparecermos.»

    e

    «A conservação tinha a ver com preservação - impedir que as coisas acontecessem. O que queremos agora é mudar a forma como as pessoas pensam a conservação - ela tem sobretudo a ver com a gestão da mudança. É ela que cria a história e, por isso, o "ambiente histórico". Temos de ajudar as pessoas, que se interessam cada vez mais pelo património, a aceitar a mudança.»

    Post-autistic economic review


    Nova edição da Post-autistic economic review, retomando o tema da reforma económica:
    «Nas últimas décadas a aliança da teoria económica neoclássica e o neoliberalismo encurralou o termo "reforma económica". Ao apresentar as escolhas polítics como necessidades de mercado, subverteram o debate público acerca de quais as mudanças de política que são possíveis e que são ou não desejáveis.»
    Matthew McCartney escreve sobre Teoria dos Jogos: refinamento ou alternativa à teoria económica neoclássica ?

    domingo, março 20, 2005

    Blind Willie McTell





    Statesboro Blues


    Wake up mama, turn your lamp down low
    Wake up mama, turn your lamp down low
    Have you got the nerve to drive
    papa McTell from your door ?

    My mother died and left me reckless,
    my daddy died and left me wild, wild, wild
    Mother died and left me reckless,
    daddy died and left me wild, wild, wild
    No, I'm not good lookin',
    I'm some sweet woman's angel child

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    William Samuel McTell nasceu em 1901. Perdeu a visão durante a sua infância mas conseguiu aprender a ler e a escrever música em Braille, tornando-se num dos mais completos guitarristas e storytellers da história dos Blues e teve enorme influência na música popular moderna. Artistas como os Allman Brothers, Taj Mahal e outros, gravaram canções suas: Statesboro Blues, Broke Down Engine Blues, etc... Por volta de 1957 abandonou os blues e dedicou-se à pregação, cantando apenas espirituais; faleceu em 1959.

    Bob Dylan compôs uma canção de homenagem a Blind Willie McTell, gravada durante as sessões de "Infidels", mas que só veio a ser editada nas Bootleg Series, onde podemos ouvir que:
    Nobody can sing the blues
    Like Blind Willie McTell
    Curiosamente, a música de Dylan parece ter sido inspirada num outro blues clássico, "Saint James Infirmary", de que pode ouvir o excerto de uma versão de Roger McGuinn aqui.

    Economia e Literatura


    Paulo Reis Mourão, docente de Economia e Finanças Públicas na Universidade do Minho, estudou a oportunidade de usar um clássico da literatura - o romance "As Vinhas da Ira", de Steinbeck - como veículo para a aprendizagem da Economia. Sobre isto escreveu o interessante texto: Talking about economics using "The Grapes of Wrath".

    Página pessoal e página profissional de Paulo Reis Mourão, que é também autor dos livros "O Senhor de Fez e outros" (Ed. Âmbar, 2002) e "Os Cachos e as Mãos" (Ed. Âmbar, 2005).

    Escolhas


    «Should I Stay or Should I Go? Educational Choices and Earnings: An Empirical Study for Portugal» - artigo da Professora Leonor Modesto, da Universidade Católica, o qual está disponível aqui.

    O artigo, de natureza empírica, publicado em 2003 no Journal of Population Economics, faz uma análise das escolhas educacionais e dos rendimentos dos indivíduos, em dois diferentes níveis do sistema educacional português, ou seja, o dilema que se coloca aos estudantes, continuar na escola ou ir trabalhar, equacionado em termos do rendimento das alternativas.

    Páginas de Leonor Modesto na Católica, no IZA e no IDEAS.

    sexta-feira, março 18, 2005

    Tristão da Silva





    Aquela janela virada para o mar...


    Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
    Daquele navio que eu vi naufragar
    Na boca da barra tentando perder-me
    E aquela janela virada para o mar

    Crédito: Música Anos 60

    Emigração de professores ?


    Isabel Leiria noticia no Público que a Inglaterra anda a fazer em Portugal ofertas públicas de emprego para professores em Inglaterra.

    É fácil compreender a causa disto: a docência anda pelas ruas da amargura naquele país; é uma profissão socialmente desqualificada e é também o Público quem dá conta que «um em cada três docentes britânicos quer abandonar a profissão». Além disso, 11 % afirmam claramente que não voltariam a escolher a mesma profissão, se voltassem atrás, enquanto outros 21 % dizem que «provavelmente não o fariam». Por outro lado, um recente estudo europeu destacava a original situação portuguesa: o «único país que passa por uma situação regular de excesso de docentes».

    E assim estamos nós, neste admirável mundo novo, prestes a perder parte do nosso capital humano, porque não conseguimos gerar emprego sustentável para pessoal qualificado, precisamente num dos sectores estratégicos para o nosso desenvolvimento. Além do que, a concretizar-se esta emigração, serão certamente seleccionados os mais qualificados dos nossos docentes desempregados. Imaginam o nossos docentes a caminho de Inglaterra ? Para que zonas ? Com que perspectivas de integração na comunidade ?

    Alguns comentários sobre docência na Inglaterra encontram-se em: Brian's Education Blog (que tem vários posts sobre o assunto), Education Forum (várias páginas de auto-apresentação de docentes) e Facts from Oliver Letwin.

    A rede Eurydice apresenta informação relevante sobre os sistemas de educação europeus, nomeadamente Inglaterra, Gales, Irlanda do Norte e Escócia. O relatório referido acerca da oferta e procura de professores encontra-se aqui.

    Nunca tantos...


    João Canavilhas, da Universidade da Beira Interior, estudou os "blogues políticos" e escreveu o artigo "Blogues políticos em Portugal: o dispositivo criou novos actores ?", que está disponível online em pdf aqui e em html aqui.

    Começando por um curto historial da blogosfera em Portugal e referindo a polémica sobre qual o "primeiro blogue português", são depois abordados aspectos como a divisão "Esquerda-Direita", blogues e jornalismo, blogues e política, etç. O estudo propriamente dito aborda 51 blogues a quem foi submetido um inquérito, e apresenta conclusões interessantes, tais como a das motivações dos bloguistas, e o facto dos blogues de Direita serem esmagadoramente individuais (72,2%) enquanto que os de Esquerda se equilibram mais entre individuais (46 %) e colectivos (54%).

    Tem piada esta citação do New York Times: "Never have so many people writen so much to be read by so few" [ "Nunca tantos escreveram tanto para ser lido por tão poucos" ].

    Já referido na blogosfera pelos Blogue de Esquerda,Hotel Sossego e Jumento, entre outros. João Canavilhas é um dos autores do Blogue dos Marretas

    Maus genes


    Segundo uma notícia do New Scientist, as pessoas comportam-se de modo mais altruísta quando sabem que estão a ser observadas, mesmo quando essa observação é "feita" por uma fotografia inóqua.

    A experiência referida, realizada por Terry Burnham, da Universidade de Harvard, investigou o comportamento de dois grupos, interagindo com monitores de computador; a única diferença entre os grupos é que um deles tinha no ecrã a fotografia de um robô que simulava estar a olhar o utilizador, embora o utilizador soubesse que se tratava apenas de uma imagem, sem qualquer possibilidade de "ver" ou captar qualquer informação.

    Mesmo assim, o grupo com o robô nos ecrãs manifestou um comportamento mais altruísta. O investigador acredita que, apesar da parte do nosso cérebro que toma as decisões saber que o robô é apenas uma imagem, os seus "olhos" desencadeiam algo mais profundo. Pode-se então manipular o comportamento altruísta com um par de olhos falsos porque partes mais antigas [ou seja, de desenvolvimento mais arcaico no processo evolutivo] do nosso cérebro não os conseguem reconhecer como falsos.

    O "altruismo" ou "egoismo" não poderiam, pois, ser considerados como características inatas e automáticas, mas como elementos de um "comportamento teatral" movido quer por mecanismos conscientes, quer por mecanismos automáticos, incorporados geneticamente ao longo do processo evolutivo.



    Terry Burnham é co-fundador da Progenics e co-autor do livro "A Culpa é da Genética" [Mean Genes], da editora Sextante, livro onde se defende a tese de que "a luta do ser humano pelo auto-aperfeiçoamento é, na realidade, feita de batalhas contra os nossos próprios genes, os quais ajudaram os nossos antepassados ancestrais, mas que se revelam egoístas e desadequados no mundo moderno. Usando a lente evolucionista, o livro examina os assuntos que mais afectam as nossas vidas: imagem corporal, dinheiro, dependências e violência, bem como os relacionamentos, amizade, amor e fidelidade."

    13 coisas que não fazem sentido


    O New Scientist apresenta a lista de "13 coisas que não fazem sentido". São 13 paradoxos que os cientistas (ainda) não conseguem explicar:

    O efeito placebo, o problema do horizonte (do universo), os raios cósmicos ultra-energéticos, a homeopatia (testada em Belfast), a matéria negra, o metano em Marte, os tetraneutrões, a anomalia das sondas Pioneer, a energia negra, a falésia de Kuiper, o sinal Wow! que veio do espaço, a inconstância da "constante alfa" e a fusão fria.

    A maioria destes mistérios reside no "muito longe" ou no "muito pequeno", mas dois deles são bem terrestres e à nossa escala: a "resposta" dada pelo nosso corpo aos medicamentos, mesmo quando estes são substituídos por substâncias usualmente inóquas, e a permanência do princípio activo (ou do seu efeito) nos medicamentos mesmo quando estes são diluídos a um ponto em que já lá não devia estar nada. Parecem coisas de bruxaria ou de ilusionismo, mas o certo é que a ciência não consegue explicar o que se passa.

    Nem "meta-governo" nem "mão invisível"


    Artigo de José Castro Caldas e Helder Coelho, publicado em 1999 no Journal of Artificial Societies and Social Simulation, sobre o tema da origem das instituições: The Origin of Institutions: socio-economic processes, choice, norms and conventions. Resumo: [tradução minha]
    «As instituições, o modo como elas se relacionam com o comportamento dos agentes e da perfomance agregada dos sistemas socio-económicos, eis o tema abordado neste ensaio. A investigação baseia-se num conceito particular de agente com racionalidade limitada vivendo em sociedade e com recurso a um modelo de simulação que descreve o processo de aprendizagem social. Desde os problemas de simples coordenação, em que as convenções emergem expontaneamente, até às situações de escolha relativamente a regras constitucionais alternativas, a simulação foi utilizada para testar a consistência e extrair as implicações dos modelos. As instituições, enquanto soluções para problemas recorrentes de interacção social, são simultanemanet resultados e pré-condições da vida social, resultados involuntários e constrangimentos de factura humana. Num contexto evolucionário, não se vislumbra suporte para as crenças arreigadas acerca dos resultados "naturalmente" benéficos resultantes de processos da "mão-invisível" ou do alternativo "meta-governo" (*) Hobbesiano.»
    (*) - "meta-agency".

    Estratégia de Lisboa a pau e cenoura


    A solução barrosista para implementar a Estratégia de Lisboa passa por fazê-la votar nos Parlamentos nacionais (através de planos tri-anuais) e instituir penalizações para os incumpridores. O que é que se pode pensar disto ? Não parece mesmo a receita do pau e da cenoura que se aplicava aos burros ? Estará Barroso a tentar recuperar os planos quinquenais da sua heróica juventude ?

    Notícia de Lurdes Ferreira no Público.

    Blogues Yahoo


    O Yahoo vai entrar no mercado dos blogues através do Yahoo! 360º. O site, embora já disponível, inclui pouca informação: uma "lista de espera" e algumas mensagem de marketing. O início do serviço está anunciado para o próximo dia 29 de Março, mas inicialmente apenas para um limitado número de utilizadores, para testes.
    [ Notícia do InfoNews ]

    Portátil de 8 kg


    A Intel realizou um concurso para "o portátil mais pesado de Portugal", que foi ganho por uma máquina de 8,195 kg, apresentado pela empresa Avelino Mendes Informática.

    O concurso tem como objectivo encontrar as empresas nacionais que mais cedo acreditaram na mobilidade, e conta com o apoio da UMIC (Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento), da APDSI (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação) e da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários).

    Veja o site do concurso e notícia do Público.

    Programa de Governo


    O Programa de Governo estã disponível (em formato pdf) aqui. Comentários para breve.

    quinta-feira, março 17, 2005

    Tom Waits





    Hold On
    They hung a sign up in out town
    "if you live it up, you won’t live it down"
    So, she left Monte Rio, son
    Just like a bullet leaves a gun
    With charcoal eyes and Monroe hips
    She went and took that California trip
    Well, the moon was gold, her hair like wind
    She said: don’t look back, just come on Jim.

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    links: | a | b | upload original: | media-01.anti.com |

    Com que então, racistas!...


    O Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas realizou o maior estudo já feito na União Europeia sobre os problemas do racismo e da xenofobia, o qual revelou que metade dos europeus é contra a entrada de mais estrangeiros - embora aceite conviver com outras etnias.

    Para Portugal a percentagem de resistentes à entrada de entrangeiros sobe para os 62 %. Pior do que isto apenas a Grécia (87,5%), a recém-chegada Hungria (86,5%) e a Áustria (64,5%). Os portugueses revelam-se ainda muito "resistentes à diversidade" (sete em cada dez), situação em que apenas a Grécia nos ultrapassa.

    Lá se vai mais um mito: o do povo português como campeão da tolerância e do diálogo com outros povos. É certo que a Grécia ganha o galardão de país mais xenófobo da Europa, mas isso pouco nos consola.

    Notícia do Público

    quarta-feira, março 16, 2005

    Constâncio e a confusão


    O governador do Banco de Portugal aproveitou o Congresso do Transporte Ferroviário para manifestar a sua opinião de que as infra-estruturas rodoviárias devem ser financiadas por impostos sobre os veículos e sobre os combustíveis, em vez de serem pagas pelas receitas das portagens. Vitor Constâncio salientou que não existem fundos suficientes para "realizar em simultâneo todos os grandes projectos anunciados para o sector dos transportes - novo aeroporto, 3.ª travessia do Tejo em Lisboa e TGV", pelo que as parcerias público/privadas surgem como uma alternativa de financiamento. (Leonor Matias - Diário de Notícias)

    Não fora o contexto político, estas declarações não suscitariam espanto de maior: trata-se da opinião de um especialista sobre um dos mais complicados problemas que a economia portuguesa enfrenta e todas as achegas são benvindas. O problema é que temos um governo recém-eleito, prestes a submeter o seu programa ao Parlamento, onde o tema das receitas fiscais assume grande acuidade. A escolha do modelo fiscal para financiamento do nosso desenvolvimento não é uma questão meramente económica ou técnica: existem certamente vários impostos que podem ser mobilizados para o efeito. Mas essa escolha tem também implicações de natureza social e política.

    A rede de transportes (a rodoviária, a ferroviária, a marítima e a aero-portuária) não pode ser financiada em lógicas fechadas, do tipo: a marinha financia os portos, os veículos financiam as estradas, etç. Trata-se de um assunto complexo, a exigir concertação social, pelo que a intervenção de Constâncio, ainda que compreensível, apenas veio trazer mais confusão a este necessário debate.

    segunda-feira, março 14, 2005

    Bukka White






    Shake 'Em On Down


    Booker T. Washington nasceu em 1906 em Houston, e aprendeu a tocar guitarra com o pai. Aos 10 anos já tinha iniciado uma vida intinerante, arranjando emprego tanto dentro como fora do universo musical. A sua primeira gravação ocorreu em 1930 (em Memphis, para a Vistor).

    Em 1963 foi "descoberto" pelos entusiastas do blues Ed Denson e John Fahey, e foi então introduzido a uma nova audiência, maioritariamente branca, em festivais folk, cafés e circuitos de concertos, continuando a trabalhar como músico e a gravar até à sua morte em 1977 - cantando e tocando guitarra, a sua "segunda voz".

    Os seus slides e acordes bem marcados eram capazes de provocar um elevado nívelde excitação, ao ponto de deixar os dançantes alegremente exaustos. Ao mesmo tempo existe uma sensibilidade e uma dinâmica na sua música, cujas letras iam desde o registo sensitivo até ao surreal. A combinação das "duas vozes" de White colocam-noimultaneamente na estrita tradição do blues e no seu próprio nicho.

    O tema aqui disponível, "Shake 'em On Down," veio mais tarde a "inspirar" canções dos Zeppelin como "Custard Pie" e "Hats Off to (Roy) Harper".

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    Loja do Velho


    A.H., no Público, relata a insólita aventura de uma pequena loja da Rua Augusta que se tornou local de culto "das adolescentes e pré-adolescentes da Grande Lisboa e de vários outros pontos do país", que chegam a formar bichas à porta.

    A pequena loja limitava-se a vender as tradicionais calças de ganga até que há 4 anos o alfaiate e proprietário, Manuel Tenreiro, "começou a encomendar modelos imaginados por si e por colaboradores seus a pequenas fábricas do Norte (...) hoje vende calças de ganga que dão pelos bizarros nomes de pata de elefante, samurai, as velhas boca-de-sino e tudo o mais que as raparigas lhe pedirem, porque, afinal, são elas as rainhas e senhoras da loja. Satisfaz-lhes os caprichos inspirando-se nos desejos delas e em revistas antigas. Chega a refazer umas calças por inteiro para as adaptar a umas ancas mais estreitas ou a um corpo mais pernilongo."

    O preço é fixo: sempre 30 euros. Quanto à designação - "Loja do Velho" - também foi criada pela clientela, inspirada nas barbas brancas de Manuel Tenreiro, actualmente com 65 anos.

    Eis um exemplo, algo involuntário, de marketing relacional (one-to-one), produção personalizada, e ainda de externalização do marketing: a clientela criando a marca e encarregando-se da divulgação através do "passa-palavra nos recreios das escolas". Fica em Lisboa, na Rua Augusta, 173. Fica assim provado que não há limite de idade para o empreendedorismo ou, como na canção do Jorge Palma, que "nunca é tarde para se ter uma infância feliz".

    Embora não seja bem a mesma coisa, não posso deixar de encontrar algumas afinidades com um outro estabelecimento lisboeta que também se desenvolveu a partir de uma tradicional loja de roupa: os Porfírios e que, nos idos de 60, se tornou na loja de referência para a juventude portuguesa.

    Blogues literários


    Isabel Coutinho, no Mil Folhas de sábado, divulga três blogues literários:

    O Textos de Contracapa, 2 de Nelson de Matos. O conhecido editor (agora na Ambar, antes na Dom Quixote) confessa que perdeu o controlo do template do seu blogue inicial, o primevo Textos de Contracapa, e resolveu o problema com este novo endereço. Literatura, política, humor, memórias: um blogue descontraído, bem informado e... cultivado.

    O Rosto de Deus, de Nuno Cruz e Lídia Pereira, dedicado à obra da escritora Ana Teresa Pereira.

    George Cassiel, do próprio. Muito interessante; destaco a entrevista com Ana Hatherly, aqui, aqui e aqui:
    «Há muitas formas de riso e de rir. Entre o rir e o sorrir, existe um espaço extremamente complexo. Não cultivo o riso, cultivo a ironia. A ironia não chega a ser riso, também não é sorriso, estando mais próxima do sorriso do que o riso. O riso, subjacente a alguns dos meus textos, é uma forma de ironia, manifestação pouco comum na tradição portuguesa. Quando se diz rir em português significa algo em que não me incluo de maneira nenhuma, embora possa rir com os amigos. Existem alguns sorrisos na minha obra, riso não.»

    domingo, março 13, 2005

    Políticas económicas e eleições


    Neste início de mandato governativo, certamente que tem actualidade a questão do estabelecimento de um contrato óptimo entre o eleitorado e o governo para garantir que este actue de acordo com os reais interesses da sociedade. Formulando a sua análise em torno da Curva de Phillips (que eu julgava já morta entre os académicos) e com base na Teoria da Agência, António Caleiro, da Universidade de Évora, elaborou o trabalho "Economic Policies and Elections: A principal-agent point of view", que pode ser lido aqui.

    Cito um pouco deste texto [tradução minha]:

    «Existem pelo menos, 3 razões pelas quais as políticas económicas induzidas eleitoralmente podem ser prejudiciais para o sistema de segurança social:
    1. O governo oportunista considera um horizonte temporal finito, usualmente o dia das eleições, enquanto que a sociedade deveria considerar um horizonte temporar infinito;

    2. Os períodos de desconto temporal são diferentes: enquanto que para a sociedade os períodos futuros deveriam ser menos importante do que os presentes, não é isto que se passa com um governo oportunista, para quem os momentos futuros, i.e., próximos do dia das eleições, são mais vitais do que os momentos presentes, por forma a explorar o decaimento da memória dos votantes;

    3. A função de votação pode não reflectir exactamente a preferências sociais (relativas).»

    sábado, março 12, 2005

    Eis o Messias




    MC Honky
    Sonnet No. 3 (Like a Duck)


    Em Maio de 2003 a revista Rolling Stone questionava se seria MC Honky verdadeiramente o Messias - não só por causa da designação do primeiro disco deste músico ("I Am The Messiah") mas também por causa do seu programa musical. O homem arroga-se de ter criado um novo género: o "self-help rock". De que se trata afinal? Bem: ritmos dançantes, samples, instrumentação ao vivo e ruídos anónimos, tudo misturado e colado com frases tais como "It's a good day to be you . . . awww yeah . . . beautiful" . Há quem lhe chame enigma pós-moderno, portanto Boaventura Sousa Santos não deixará de o reconhecer como irmão. A página oficial encontra-se aqui.

    As imagens do Messias são raras, em geral as aparições dão-se sob a forma de desenhos:
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    Crédito: mp3-4U

    Fantasma do passado


    O Economist chamou-lhe "fantasma do passado", mas também poderíamos falar do "regresso da velha senhora" (ver imagem): trata-se da inflação. Entre as causas encontram-se a subida dos preços do petróleo e de outras matérias-primas; parte do problema está no crescimento da China, mas alguns países desenvolvidos parecem estar igualmente a gerar inflação interna.

    Também o World Economic Outlook do FMI, de Setembro último, reconhece que "depois de ter descido a níveis anormalmente baixos em 2003, a inflação voltou a subir" (página 4). Veja alguns gráficos aqui.

    Recessão


    «A economia portuguesa entrou em recessão técnica nos últimos três meses de 2004, com o produto interno bruto (PIB) a cair pelo segundo trimestre consecutivo, arrastado pelo arrefecimento das exportações e um disparo das importações, reflexo este de um aumento do consumo das famílias.»

    Rudolfo Rebelo - Diário de Notícias

    sexta-feira, março 11, 2005

    Regurgitam e mastigam


    «Sob o meu teclado a secretária treme: os blogues já estão em marcha"», escreve hoje Simon Jenkins numa divertida coluna no Times online [tradução minha]:

    «Esta semana estive em Washington, num seminário sobre o futuro do jornalismo de opinião. Usualmente estes seminários servem para neófilos mal pagos se chatearem uns aos outros. Mas desta vez senti a terra tremer. As conversas foram dominadas pelos bloguistas. Estavam em todo o lado, contactando permanentemente uns com os outros online através de tele-agendas 3G. O bloguista dedicado actualiza o seu site duas ou três vezes por dia, como se nenhum boato pudesse ficar esquecido e nenhum abuso impune. É de loucos.

    «Estes tipos arrogam-se ser os legisladores oficiosos da livre opinião. Eles tremem, exaltam-se, denunciam e vociferam como puritanos do século XVII. Muitos regurgitam e mastigam o que custou milhões à mainstream media (depreciativamente designada como "MSM") para descobrir e confirmar. Muitos deles são fanáticos conservadores. Tudo o que precisam é de um gosto pelo exibicionismo e uma designação atraente: mediabistro, FishBowlDC, wonkette. Um blogueiro do Yahoo, Ted Rall, avisa a blogosfera: "Há um novo Sherife na cidade. É bêbado. É mau e está do lado dos maus." A web representa a vingança dos Bushanetes contra o jornalismo liberal. Um blogue, ou atrai ou morre.»

    O citado Ted Rall tem um artigo de conteúdo semelhante, onde compara os bloguistas puritanos a um novo McCartismo: leia-o aqui; o último parágrafo diz mais ou menos isto:

    «Os bloguistas são pessoas comuns, muitos deles com pouca formação e com nada de interessante para dizer. Estão ali sentados nas suas salas, regurgitando e mastigando o que os verdadeiros jornalistas produziram com trabalho árduo. Não têm acesso a fontes e não prestam contas a ninguém, tal como ninguém lhes pede contas quando cometem erros, ou ultra-simplificam, ou mentem. Sim, há um sherife novo na cidade. Infelizmente é bêbado, é mau e está do lado dos maus.»

    Vós que estais...


    Sim, vós que estais mortinhos por mexer nos impostos (uns para os subir, outros para os descer), atentai neste artigo de Terrence Chorvat, do Neuroeconomics, cujo título é Taxing Utility e que pode ser descarregado aqui ou aqui. O resumo [em tradução minha] é:
    «Para se avaliar a eficiência de um imposto, deve-se examinar o respectivo efeito sobre o comportamento dos indivíduos. Dum modo geral, quanto menos um imposto afectar o comportamento, mais eficiente será. O exemplo clássico de um imposto não-distorcedor é a lump-sum tax(a), que não muda com o comportamento do contribuinte. Contudo, demonstramos neste artigo que distorções no comportamento podem decorrer, e decorrem, de alterações neste imposto. O único imposto verdadeiramente não distorcedor teria de se basear na própria utilidade. A utilidade, que tem sido utilizada como norma para análises de distribuição, é também a base ideal para a análise de eficiência. De facto, qualquer tentativa razoável de descrever uma base de taxação minimamente distorciva, terá enorme afinidade com a noção de um imposto sobre a utilidade. Logo, a utilidade é a melhor base para avaliar a eficiência de um imposto»

    (a) - lump-sum tax: imposto de montante fixo, não indexado.

    Dicionários, ele há muitos.



    Pois há. Mas este é o dicionário da mobília e é uma iniciativa da nossa Uninova juntamente com os espanholitos da Aidima.

    Foi lá que eu aprendi que "costas de camelo" é um encosto de sofá curvo caracterizado por uma corcunda no meio, e assim.

    Cópias legais


    Um internauta de 22 anos, acusado pela justiça francesa de ter feito cópia de 500 filmes, na internet ou de DVD, acabou por ser ilibado por um tribunal de Montpellier. No despacho o tribunal estebelece que «depois de uma obra ter sido divulgada, o seu autor não pode impedir a realização de cópias ou reproduções estritamente reservadas para uso privado do copiador e não destinadas a uma utilização colectiva.

    Notícia no Le Monde

    Sexo


    «Más notícias. Apenas 5 por cento dos portugueses são viciados em sexo. Sempre pensei que fossemos mais. Mas não. Somos poucos. Muito poucos. E no que toca aos homens parece que os de 20 a 30 anos são os mais dependentes. O que é uma pena. Porque as mulheres - pelo menos as que já provaram um bocadinho de tudo - sabem bem que diferença faz ter um homem de 20, de 30 ou de 40 anos.»

    Ana Kotowicz - A Capital

    Empresas-fantasma


    «Moradas que consistem em caixas de correio, apartados, escritórios de advogados / contabilistas e, até, endereços inexistentes. Foi este o panorama que a Administração Fiscal e a brigada fiscal da GNR encontraram quando analisaram uma parcela das mais de 250 mil empresas registadas na base de dados do Fisco, mas que não entregam declarações de IVA e/ou de IRS e IRC há vários anos.» - Jornal de Negócios

    Pentatlo


    Guy Verhofstadt, primeiro-ministro da Bélgica, considera que os problemas da Estratégia de Lisboa residem em que «o método usado até agora, a chamada coordenação aberta, tem uma liberdade de acção demasiado ampla. Dá a impressão de que os problemas da economia europeia são completamente diferentes de um país para o outro e que é melhor serem solucionados a nível nacional». Em consequência propõe uma estratégia mais concentrada, mais centralizada, assente em cinco pilares, que ele designa como "pentatlo":
  • reforma do sistema fiscal
  • acelerar a convergência;
  • finalização do mercado interno;
  • aumento drástico dos esforços de investigação científica;
  • reforço do papel da Comissão Europeia.
  • A ler no Público.

    quinta-feira, março 10, 2005

    Manuel Castells


    No Público, entrevista com Manuel Castells, antigo sociólogo "de esquerda" que nos últimos anos tem desenvolvido, coordenado e divulgado investigação sobre a sociedade em rede; Castells foi um dos inspiradores da "Estratégia de Lisboa" e, sobre o respectivo andamento e admite que:
    «Não se evoluiu no desenvolvimento de novas formas de organização, não se mudou a saúde, a educação, a administração. Avançou-se nas redes de comunicações, o que é muito importante porque as redes são a infra-estrutura, mas é o mais fácil de fazer. É verdade também que a coesão social se manteve, mas é bom recordar que a ideia original da "agenda de Lisboa" era precisamente que, para manter a coesão social a prazo, era necessário inovar mais e produzir mais. »
    Refere, por outro lado, que o desempenho tem sido desigual em diferentes países europeus
    «A Espanha foi um desastre absoluto desde o ano 2000 - não na política económica mas na política de inovação e da sociedade de informação -, e está atrasada em todos os indicadores. A Itália foi outro desastre, em termos de inovação e de modernização da administração. Temos três países grandes que não fizeram nada. A França é diferente. Está bem em termos de produtividade nas empresas, mas não na modernização da administração - que é um dos grandes objectivos de Lisboa.»
    Quantos a um dos casos de sucesso, salienta:
    «A Irlanda criou as bases tecnológicas, científicas e de capital humano para poder atrair as multinacionais. O problema é que elas, um dia, vão-se embora para a China ou para o Leste.»
    Castells chama a ainda a tenção para um livro de Pekka Himanen e Linus Torvalds, que compara a ética hacker com a ética protestante da revolução industrial;
    «Para os inovadores o trabalho é um prazer, onde o jogo e a inovação se misturam. Ganhar dinheiro é a última das suas preocupações.»
    Sobre estes autores, ler aqui.

    Edie Carey






    Violently


    No, no I can't be trusted
    Driving out here alone
    With these thoughts
    Cause my brakes are busted
    And the engine's shot

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    (fotos 6 e 7: com Holly Figueroa)

    Com a sua elegante voz e a sua inegável habilidade para esculpir imagens do dia-a-dia, Edie Carey agarra as suas audiências e não mais as larga até abandonar o palco. Apesar de serem as suas canções o que atrai inicialmente os seus ouvintes, são as suas palavras entre as canções aquilo os faz regressar uma e outra vez. O seu humor seco e frequentemente auto-crítico, juntamente com a sua habilidade para contar uma história, faz com que as pessoas sintam que estão a ouvir uma amiga muito íntima.

    Créditos: | StarPolish | strymish.com | indie girrl | Music Matters | Bonedoc | Ithaca College |
    página de Edie Carey