| Concordo com esta análise quanto ao argumento de que o crescimento monetário é sustentado por um esquema do tipo "pirâmide"; mas não concordo que seja a mesma coisa que empurra o crescimento económico; nesse caso há uma "tragedy of the commons": genericamente os indivíduos encaram os recursos do planeta como recursos comuns (ou seja, pertencem ao ser humano — não aos animais, nem a Deus, nem a gerações futuras) e gratuitos (excepto quanto a uma pequena taxa para quem detém temporariamente a sua guarda). O que impulsiona o crescimento é a vontade de usufruir de mais coisas boas (sejam elas consumos supérfluos ou mais e melhores cuidados de saúde, mais bens culturais, etc.) O ser humano sempre foi impulsionado por isso, porque haveria de mudar agora? E o paradigma do crescimento não começou na era moderna: ocupar um ecosistema, crescer até esgotar os recursos e passar adiante: isso vem desde a pré-história. O que foi mudando foi a tecnologia, e o facto — subsequente — de nos aproximarmos do limite planetário em termos de exploração de recursos. Mas o sistema reequilibrar-se-á, ainda que de modo trágico. Também não concordo que a Economia não seja uma ciência: tem tanto de observação externa, medição rigorosa e método científico como qualquer outra ciência (com excepção das "ciências jurídicas" e "do jornalismo"); tem igualmente muita subjectividade e ideologia, mas disso também as restantes ciências sofrem. |
Segunda-feira, Setembro 07, 2009
Segunda-feira, Agosto 24, 2009
Embora frases como a do actual primeiro ministro façam sorrir a maior parte de nós, não nos irritam: o que nos irrita são afirmações como a de José Hermano Saraiva, dizendo que em apenas três dias (nos idos de 1506) o "bom povo" de Lisboa e arredores chacinou mais judeus do que a Inquisição portuguesa em todo o tempo da sua lúgubre existência; incluindo bebés: pode lá ser!
O "povo", por definição, é bom, e só isso é que explica, segundo Sócrates (esse que é afinal o modelo chapado do português suave, que de vez em quando grita e se irrita, mas isso não é ele, foi apenas uma coisa má que lhe passou pela cabeça), que os madeirenses continuem a eleger o sr. Alberto PSD Jardim, apenas para não somar uma humilhação insuportável à chacota que dele faz o País. É muita generosidade, essa, mas compreensível à luz da doce filosofia josé-socrática.
Não, o voto do generoso povo madeirense não é nenhuma retribuição pela generosidade orçamental cubano-continental. Não, a Matança da Páscoa de 1506 nada tem a ver com o genocídio nazi. O povo é sempre bom. O povo é quase sempre sereno. Leiam as notícias: em Portugal não se lincha ninguém a coberto da noite, só porque esse ninguém é de cor escura e ousou assaltar uma garagem às tantas da manhã. Essa notícia não existe.
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Piratas da Somália: modelo de negócio

«Os duros pescadores da denominada costa da Somália são criminosos sem remorso, sem dúvida, mas são mais do que isso: são inovadores. Enquanto os piratas de gerações anteriores se contentavam com um bote carregado com o saque, os flibusteiros do Golfo de Aden mantêm navios captivos para trocar por resgates. Esta etsratégia tem sido fabulosamente bem sucedida: o retorno típico é actualmente 100 vezes superior ao que era em 2005 e o número de ataques disparou.ler o original (em inglês) »»
«Como qualquer outro negócio, a pirataria Somali pode ser explicada em termos puramente económicos. Ela floresce ao explorar os incentivos criados pelo comércio marítimo internacional. As outras partes envolvidas — armadores, seguradoras, segurança privada, e numerosas marinhas de guerra nacionais — ganham mais (ou, pelo menos, perdem menos) a tolerá-la do que a combatê-la seriamente. Quanto aos piratas, as suas crescentes exigências são apenas um método de formação de preços, um modo de medir quanto é que o mercado suporta pagar.»
Terça-feira, Julho 07, 2009
Custos de oportunidade
Suponho que devem conhecer o argumento ricardiano a favor do comércio internacional: Portugal a produzir vinho, a Inglaterra panos, e depois toma-lá-dá-cá. Há uma versão moderna que mete uma advogada e a sua secretária: se a causídica for mais rápida a dactilografar e mais eficiente a arquivar processos do que a secretária, deve ela substituir-se à funcionária administrativa? Resposta: não! Porque o ganho/hora da advogada supera a ineficiência relativa da secretária (este exemplo, visto à lupa, revela um outro lado, sinistro, do argumento ricardiano: uns a especializarem-se em sectores com elevada incorporação tecnológica e de conhecimento, outros a marcar passo em sectores pouco qualificados). Toda esta conversa para justificar a publicação deste pequeno desenho. Imaginem quem é a Inglaterra e quem é Portugal.Sexta-feira, Julho 03, 2009
Quando o ouvia dizer que mal dormia pensava se não seria daqueles que sabia mais a dormir do que acordado. Agora pode dormir descansado, depois de ter feito passar por cordeiro o pequeno parlamentar que o provocou. Igual a si própria, a Assembleia ofendida escorraçou o ensonado trabalhador, fez suas as profundas dores do pequeno provocador e, como sempre, pesou mais a emoção do momento do que a razão do País. A Casa da Chinfrineira aplicou o velho truque de passar por ter boquinha pequena ao escancarar a bocarra, por ela mesma ampliada, dum bandarilheiro que devia ter estado calado naquela altura, porque o lema ali é: quando um da Casa fala as visitas baixam as orelhas. Já a um parlamentar tudo é permitido e perdoado (como aconteceu recentemente com José Eduardo Martins) incluindo dormir em vez de trabalhar. O Parlamento é apenas isso: a válvula de escape da manha nacional, ela a quem todo o sucesso alheio ofende.Ah, mas no tempo em que os tordos falavam ainda se podia (ouvir) cantar:
| Entram guizos chocas e capotes e mantilhas pretas entram espadas chifres e derrotes e alguns poetas entram bravos cravos e dichotes porque tudo o mais são tretas. Entram vacas depois dos forcados que não pegam nada. Soam brados e olés dos nabos que não pagam nada e só ficam os peões de brega cuja profissão não pega. |
ex-ministro Manuel Pinho
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Silogismo

Debate da Nação:
- Louçã diz que a mina não abriu.
- Sócrates diz que estão lá 100 ou 200 trabalhadores.
- Conclusão: os trabalhadores estão fechados na mina fechada.
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Os anos pesam...
«Actualmente, nos países desenvolvidos, existem em média 4 pessoas com idade para trabalhar [20-64 anos] por cada pessoa com mais de 65 anos. Porém, em 2050, a relação descerá para apenas dois trabalhadores por cada pensionista. Os EUA terão um rácio mais favorável, de dois trabalhadores e meio, porque a sua população deverá manter-se relativamente jovem. A Grã Bretanha também estará acima da média, e a França apenas ligeiramente abaixo. Mas no Japão e na Itália existirá apenas um trabalhador e meio por pensionista. O peso será insuportável. As pensões terão de ser menos generosas e a maioria das pessoas terá de trabalhar para além dos 65 anos.»
Um outro estudo [ver →] apresenta o seguinte quadro, com uma previsão, para Portugal, de duplicação até 2050 do "fardo da segurança social". Com 20,8% do PIB ficaríamos a ser o país que mais invesiria no apoio aos idosos...
sistema público no PIB - em %
[ clique para ampliar ]
(*) Não me venham dizer que na frase «O The Economist» o artigo se encontra duplicado: já vos ouvi dizer «A alfarroba», que é a mesma coisa (etimologia: do hebraico antigo al charuv, através do árabe al karrub, "a vagem"). Razão, quem a tinha, era a minha avó, algarvia de Silves, quando dizia: "vou ali apanhar umas farrobas".
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