segunda-feira, fevereiro 28, 2005






When The Levee Breaks

Gravação de 1929 deste popular tema do folk blues americano, cantada por "Kansas" Joe McCoy, acompanhado na guitarra "picadinha" pela sua mulher Memphis Minnie, a Rainha do Country Blues.

If it keeps on rainin', levee's goin' to break
And the water gonna come in, have no place to stay

Well all last night I sat on the levee and moan
Thinkin' 'bout my baby and my happy home
If it keeps on rainin', levee's goin' to break
And all these people have no place to stay

Now look here mama what am I to do
I ain't got nobody to tell my troubles to
I works on the levee mama both night and day
I ain't got nobody, keep the water away

Oh cryin' won't help you, prayin' won't do no good
When the levee breaks, mama, you got to lose
I works on the levee, mama both night and day
I works so hard, to keep the water away

I had a woman, she wouldn't do for me
I'm goin' back to my used to be
I's a mean old levee, cause me to weep and moan
Gonna leave my baby, and my happy home

Um amargo lamento a propósito da ruptura iminente de uma barragem devido a chuvadas intermináveis - problema bem diferente do que atravessamos actualmente, melhor traduzido pela letra de 'American Pie': "Drove my Chevy to the levee, but the levee was dry"

Uma versão desta canção foi gravada em 1971 pelos Led Zeppelin, no seu album IV, o mesmo que incluía o clássico 'Stairway to Heaven'. A gravação fora feita numa velocidade mais rápida do que a que acabou por ser prensada, dando-lhe um som distinto, particularmente na harmónica e solos de guitarra, difícil de reproduzir em palco, pelo que a canção foi poucas vezes tocada ao vivo. Excertos deste disco dos Led Zeppelin podem ser ouvidos aqui.

Bomba !


Ora bem: e quanto não vale um destaque no Bomba Inteligente ? Agradecido. Duas coisas apreciáveis naquele blogue: a sequência de fotografias sob o mote "Eu hoje acordei assim..." e a inserção de referências musicais ou mesmo dos sons originais ("música no bomba") - para além das ideias: originais e muitas.

Tomei boa nota de que, ao citar textos de outrem, é importante deixar bem clara a origem e a vera autoria. Quando remeto para outros textos costumo colocar pequenas citações para identificar o assunto - mas passei também a citar os jornalistas, para além dos jornais linkados. Afinal, não são os jornais que escrevem as notícias: são os jornalistas.

Metáforas


O Abrupto iniciou uma reflexão sobre o comentarismo [*] que faz uso de metáforas económicas: "indústria do comentário", "fluxos entre sectores de produção", "competitividade", "competências a montante e a jusante" e até a marxista "selva". Frase a reter: " a indústria do comentário produz controvérsia, racionalidade, e às vezes, imaginação e um olhar fresco." Vale a pena ler e acompanhar a continuação.

[*] pode ser que seja um neologismo: não consta do dicionário; mas "comentarista" está lá.

Das terras do frio


O Sob a Estrela do Norte tem incluído uma série de posts muito interessantes sobre o "modelo nórdico". Vale muito a pena ler pois o autor, residente em Helsínquia, fala em primeira mão; há um post inicial, outro sobre educação, uma nota sobre partidos - e a série promete continuar.

Mercado de licenciados


Segundo um estudo do Hay Group, «a política retributiva dos recém-licenciados manteve-se inalterada em relação ao ano passado. O salário médio mensal bruto é de 1103 euros, um valor "um pouco inflacionado por a amostra conter muitas multinacionais", frisou Luís Reis [do Hay Group]. (...) Se houver mudanças a este nível é "para descer os salários e não para os subir", advertiu. A razão é simples "A oferta continua a ser inferior à procura, por isso não houve necessidade de actualizar as tabelas salariais, que nos últimos anos se têm mantido constantes".

De acordo com o mesmo estudo, «os recém-licenciados com remunerações mais elevadas são os da área de sistemas de informação, com 1194 euros, seguindo-se as engenharias (1136 euros). Em terceiro lugar estão os diplomados de gestão e economia (1090 euros), muito perto dos de marketing (1019 euros). As restantes licenciaturas não são diferenciadas e obtêm um salário médio de 1077 euros.» (Diário de Notícias).

Sobre este mesmo assunto vale a pena relembrar o estudo de Pedro Portugal [ disponível aqui e que eu comentei aqui ] sobre a rentabilidade do investimento numa licenciatura, que incluía também as medicinas nas áreas melhor remuneradas. Vale a pena ler o dossiê feito na altura pelo Guia do Estudante que, a propósito deste estudo, inclui depoimentos de João César das Neves e Pedro Lourtie, bem como os seguintes quadro estatístico e gráfico:


As dez licenciaturas mais lucrativas...Salários €*
Engenharia/telecomunicações/aeronáutica/aeroespacial2055
Medicina dentária/medicina2018
Engenharia electrotécnica/energética1972
Engenharia informática1881
Ciências matemáticas e estatísticas1707
Engenharia mecânica/electromecânica/transportes1668
Engenharia química, física e biofísica1626
Informática/tecnologias de gestão1618
Ciências farmacêuticas1603
Economia e finanças1592

... e as dez menos
Educação especial e reabilitação810
Artes decorativas e design1097
Ensino1142
Ciências sociais/humanidades1147
Artes plásticas1155
Planeamento regional/gestão hoteleira1161
Línguas/tradução1166
Relações internacionais1167
Engenharia florestal/silvicultura1170
Arquitectura e urbanismo1177

*Remunerações médias para trabalhadores por conta de outrem com horário completo e menos de 35 anos
Fonte: Valores obtidos com base nos quadros de pessoal de 1999


Empréstimos longos


Num anúncio que podemos escutar actualmente na rádio uma jovem esposa pergunta ao marido se não acha que a prestação da casa está muito elevada; responde o marido: "se pensarmos que já fomos a Cancun e agora não vamos a lado nenhum... está". O objectivo do anúncio, claro, é vender mais crédito, ainda que seja apenas pelo prolongamento do prazo de amortização. Eis o que nos diz esta notícia do Público sobre esta tendência para alongar os empréstimos:

«Os bancos estão a emprestar dinheiro para a compra de casa por períodos cada vez mais longos. E estão ainda a desafiar os clientes que já contraíram empréstimos há alguns anos atrás a reformular os contratos, alargando o prazo. Na base da estratégia de concessão de crédito por períodos mais alargados está a possibilidade de redução das prestações mensais, aliviando as famílias, muitas delas com uma taxa de esforço muito elevada, à beira da ruptura, e outras já em total insolvência. Como atractivo para estas reestruturações de crédito, os bancos estão a "oferecer" a concessão de créditos suplementares, com prazos de pagamento mais alargados, que permitem a muitas famílias pagar outras dívidas, resultantes da compra de outros bens serviços, ou mesmo fiscais. Com as novas ofertas, as famílias sentem uma alívio imediato nas prestações mensais, que em muitos casos representam 50, 60 ou mesmo 70 por cento do rendimento total do agregado familiar.»

Vale a pena ler este dossiê, que contém ainda informações sobre as propostas dos cinco maiores bancos, história de sucessos e de fracassos e uma chamada de atenção às armadilhas das cláusulas.

Emagrecimento na banca


«A banca perdeu cerca de 4000 efectivos entre 2000 e 2003. No ano passado, quando ainda não estão fechadas as contas sobre as reduções líquidas de trabalhadores no sector, sabe-se já que entre os cinco maiores grupos bancários saíram 1930 funcionários, o que poderá situar a população activa bancária em torno dos 51 mil efectivos. Entre 2000 e 2003, de acordo com os últimos dados disponibilizados pela Associação Portuguesa de Bancos, a população bancária reduziu-se em 7%, tendo saído 3988 funcionários. A estes há que acrescer, pelo menos, os 1930 que saíram no ano passado.»

Paula Cordeiro - Diário de Notícias

Economia no Parlamento


«Temas económicos vão marcar arranque da Assembleia da República - o aumento intercalar do salário mínimo nacional e a alteração de dispositivos do Código Laboral, que estão a bloquear o avanço da contratação colectiva, são alguns dos temas que prometem aquecer a Assembleia da República no recomeço dos trabalhos, após as legislativas.»

Neva Cabral - Diário de Notícias

O fruto das horas trabalhadas


«Os desequilíbrios orçamental e externo não permitem que o Estado possa assumir um papel de relevo na dinamização da procura ou na criação de empregos. A melhoria da qualificação dos portugueses deverá constituir a prioridade do novo Governo para aumentar a competitividade. (...) Avaliado em paridades de poder de compra, o que os portugueses produziram em cada hora trabalhada em 2003 representou apenas cerca de 59 por cento do que foi produzido em média em cada hora na Zona Euro.»

Francisco Melro - Público

domingo, fevereiro 27, 2005

Lisa Hannigan






Be my husband

Be my husband I'll be your wife
Loving all of you the rest of your life
If you promise me you’ll be my man
I will love you the best I can
If you want me to cook and sew
Outside of you there is no place to go

Oh daddy now love me good
Oh daddy now love me good

Please don’t treat me so doggone mean
You’re the meanest man I ever seen
Stick the promise man that you made me
That you stay away from rosalie

imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 |

Lisa Hannigan participa usualmente nos concertos de Damien Rice, nos vocais de acompanhamento. 'Be my husband' é uma composição original de Nina Simone (excerto), que teve uma conhecida versão por Jeff Buckley, e que é cantada aqui 'a capela' por Lisa Hannigan, com Damien Rice percutindo a guitarra.

Cinema


Diz-se que a luta pelo nobeis do cinema se vai decidir entre "O Aviador" e "Million Dollar Baby". Já vi os dois e não tenho dúvidas: o drama da pugilista fica muitos pontos acima, e merece ganhar. Custa-me dizer isto por causa da admiração que tenho por Scorsese e de um fraquinho por Cate Blanchet, mas é assim a vida .

É curioso que ambas as histórias, apesar das diferenças de "estratos" (quase nos extremos da sociedade capitalista) têm uma base comum: a realização de um sonho aparentemente impossível devido a uma convicção e teimosia pouco racionais, e a subsequente degradação precoce das faculdades físicas: o próprio corpo do herói/heroína derrotando o sonho.

Ambos os filmes são objectos muito bem trabalhados, mas a história de Howard Huges tem um aspecto que me desagradou: a degradação mental do multimilionário, apesar de expressa em imagens, é menorizada em termos emocionais, razão pela qual o filme, no final, se esvai sem interesse. Já "Million Dollar Baby" aceita levar a parábola até ao fim, apesar dos insistentes pedidos da plateia soluçante para que surja um final feliz de qualquer lado.

imagens: | Hilary Swank| Cate Blanchet |

Engenharia


«A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) inicia já a partir de amanhã uma Semana Aberta com o objectivo de promover as suas nove licenciaturas junto de 2500 estudantes que ainda frequentam o ensino secundário.

Fonte universitária disse à Lusa que a Semana Aberta FEUP 2005, que se prolonga até 4 de Março, pretende "aproximar os estudantes das escolas secundárias à Engenharia e apresentar as saídas profissionais proporcionadas" por este estabelecimento de ensino superior.»

Diário de Notícias

Cura de emagrecimento


«A redução dos funcionários públicos e uma aposta em cinco sectores-chave, como o ambiente e o turismo, foram duas das ideias defendidas ontem pelo economista Hernâni Lopes, num seminário sobre o Alargamento Europeu, em Lisboa, apontando para uma redução de um terço dos funcionários.- Correio da Manhã

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Opiniões


«O sempre afobado António Vitorino afirmou que o Governo «não era feito pela comunicação social nem na comunicação social». E rematou, exclamativo: «Habituem-se!» Este pronunciamento, além de arrogante, é despropositado.»

Baptista Bastos - Jornal de Negócios

«Vitorino já avisou que o Governo não seria formado «nem pela nem na comunicação social» e lançou aos jornalistas o aviso de que as regras vão mudar sob a forma de um «habituem-se» ameaçador. A verdade é que não são apenas os jornalistas que têm de se habituar. A mudança mais difícil será na cabeça dos próprios políticos.»

Luísa Bessa - Jornal de Negócios

Os malefícios da concorrência...


«Fernando Pinto, administrador-delegado da TAP, chamou a atenção para o facto de que o novo regulamento comunitário sobre indemnizações e assistência a passageiros, que entrou em vigor há uma semana, poderá ter efeitos "muito graves" nos lucros da transportadora nacional [pois] coloca as companhias aéreas europeias em desvantagem face às suas rivais norte-americanas e asiáticas»

Diário Económico

Desemprego dispara


«IEFP regista 470 novos desempregados por dia em Janeiro»- Diário Digital e Jornal de Negócios

Os Óscares do consumo


A iniciativa "Produto do ano" vai ser lançada em Portugal: um júri de especialistas independentes escolhe os produtos finalistas e depois os consumidores apontam os preferidos num grande estudo nacional: marketing e a inovação de mãos dadas, na primeira edição nacional desta iniciativa que teve o seu início em França. (Público)

Páginas sobre: Christian Le Bret, fundador da iniciativa; produtos vencedores em Inglaterra e França.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Tremei, portugueses:
vem aí o Menezes...

Não se hão-de ficar a rir



Os pensionistas, como se sabe, são uma chatice. Nunca mais morrem. Insistem em sobreviver apesar de - como muito bem mostram as televisões - viverem mal. Pesam como chumbo nas contas públicas. Tal como os reformados, insistem em beneficiar da melhoria da esperança de vida, quando qualquer economista sabe que isso é uma coisa meramente estatística, que se revela nos cálculos das médias e não serve para aplicar a casos individuais: os enviezamentos seriam horripilantes!

Como se não bastasse, os pensionistas não entregam as declarações fiscais: um abuso! É certo que eles estão muito abaixo do patamar de isenção. É certo que as pensões nem sequer devem constar das declarações. É certo que a Lei (que também tem falhas!) os isenta dessa entrega - mas não se pode admitir! É uma questão de igualdade: se os outros entregam, porque diabo não o fazem os pensionistas? Como querem que o Fisco saiba que estão isentos se não tem lá os papelinhos?

Dizem que os computadores poderiam esclarecer tudo isso, mas nós na administração fiscal não confiamos nessas máquinas frias e desumanas. Privilegiamos o tratamento personalizado e queremos ver toda a gente, cara a cara, encostadinhos aos balcões da Fazenda, admirando respeitosamente a magnificência da hierarquia fiscal.

Vai daí, desatámos a notificar milhares de pensionistas para a entrega das declarações - e não tarda, seguem as multas!

Pode pois a população portuguesa (agora que, afortunadamente, acabaram essas intimidades dos "portugueses e portuguesas") pagar os seus impostos e ficar descansada quanto aos pensionistas: eles não se hão-de ficar a rir!

Damien Rice






The Blower's Daughter

and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no love no glory
no hero in her skies
i can't take my eyes off of you

upload original:
i slide myself forward through my mind

ouvir - link alternativo:

Imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |

Oiça também um pequeno clip com Damien Rice a falar: sobre o site de fãs Eskimo Friends

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

José Gil


O Bloguítica propõe um fórum de debate em torno do livro de José Gil, "Portugal, Hoje: o Medo de Existir", já comentado aqui. Uma boa ideia.

Estudantes americanos


Muito interessante este texto d'A destreza das dúvidas sobre a formação dos alunos de economia americanos:
«Vejo os meus ex-alunos contentes. Antes de vir para os EUA, sempre pensei que os estudantes americanos tinham uma má formação académica. Hoje considero isso um disparate. Não é fácil comparar um estudante americano com um português. Um licenciado português em Economia teve cerca de 30 cadeiras semestrais de Economia. Um americano não terá tido mais do que doze ou treze. Em compensação, o americano teve cadeiras de Filosofia, Física, Biologia, Educação Física, etc. Em qualquer teste específico de Economia, ficar-se-á com a ideia de que o estudante português sabe mais.»
(...)

Rastreabilidade


A Rastreabilidade é a capacidade para identificar a origem e todo o percurso dos alimentos até chegarem ao consumidor. Portugal tem vindo a implementar este processo (que em inglês se designa Traceability) a reboque da União Europeia. Corresponde a uma fase superior à da rotulagem tradicional, que apenas nos informa sobre a composição, eventualmente também sobre a origem, mas nunca sobre o caminho percorrido pelos alimentos. Isto é importante porque o processamento dos alimentos (e componentes adicionais tais como corantes e conservantes) é um processo crescentemente complexo e repartido entre diferentes unidades produtivas.

Para o consumidor será muito interessante a possibilidade de acesso instantâneo, online, a todo o historial de um determinado alimento, que é o objectivo deste conceito. Eu até já estou a ver a cena: depois de duas mastigadelas no fricassé, que lhe deixam um travo a papéis de música, diz o pai ao filho: "vai lá ali à net ver se este frango engoliu milho transgénico".

A lei portuguesa já incorpora este conceito, conforme se pode ler nesta notícia do Expresso, mas nem todas as empresas estão equipadas para o efeito. O caso do "molho inglês" mostra como não foi possível, em poucos minutos (o "alerta rápido") rastrear a origem do problema.

Sobre o assunto leia estes artigos do Agro Portal e da Comissão Europeia. Legislação porguesa sobre rastreabilidade: Decreto-Lei n.º 134/2002, alterado pelo Decreto Lei 243/2003.

Semeadores de nuvens


A força aérea portuguesa vai lançar iodeto de prata e cloreto de potássio para as nuvens, sobre a Guarda, Castelo Branco e Évora, a ver se provoca chuva. O processo, designado em inglês como cloud seeding (sementeira de nuvens), apoia-se na hipótese da "ajuda" ao processo de aglomeração das partículas de vapor de água que normalmente resulta em chuva. Na realidade não existe qualquer "formação de nuvens", apenas o acelerar do processo da sua precipitação. É um esquema altamente falível: não há garantia de que se provoque qualquer precipitação e também pode acontecer que ela ocorra mas as gotas voltem a evaporar antes de chegar ao solo. Em zonas onde esta técnica foi utilizada com continuidade o melhor que conseguiu foi um aumento médio da precipitação de 10 a 15 por cento.

Em termos puramente económicos é um processo ineficiente e por isso tem sido aplicado essencialmente com recurso a financiamentos públicos.

Na net encontra-se informação aqui, aqui, aqui e aqui. Mas, como foi referido, a coisa levanta muitas dúvidas e mesmo oposição.

Imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 |

Um documento científico de 1999 sobre o assunto encontra-se aqui: A Review of Cloud Seeding Experiments to Enhance Precipitation.

Pólos de competitividade


Informação da Inteli sobre o programa francês de "Pólos de Competitividade": uma aposta na interacção entre o território, a inovação e a indústria:
«De acordo com o CIADT - "Comité Interministériel de l"Aménagement et du Développement du Territoire", um Pólo de Competitividade pode definir-se como a articulação, num determinado território, entre empresas, centros de formação e unidades de investigação empenhados na dinamização de uma parceria capaz de potenciar sinergias em redor de projectos comuns com carácter inovador e dispondo da massa crítica necessária à obtenção de visibilidade internacional.»
O programa francês dos Pólos de Competitividade assenta na promoção da criação de "clusters" de base territorial e com projecção internacional, orientados para o desenvolvimento de actividades industriais e para o fomento do emprego regional, quer em domínios tecnológicos emergentes (nanotecnologias, biotecnologia, microelectrónica) quer em domínios produtivos maduros (automóvel, aeronáutica).

Textos sobre o mesmo assunto em: | Público | Le Monde | Pan-Europe | competitivité.gouv.fr | CIADT |

Ecos nas regiões francesas: | Bretanha | Lille | Poitou-Charentes | Limousin | Ile de France | Aquitaine | Lorraine |

Documentos técnicos: | Boost-Industry - Vers des pôles de compétitivité | Régions et enjeux territoriaux | Les effets d'un changement de paradigmes dans l'étude des stratatégies d'alliance technologique |

[Os franceses sempre gostaram muito destas coisas dos pólos: desde os pólos de crescimento de François Perroux - que o sr. Carlos Lilaia diligentemente me ensinou - até aos "pólos de competitividade", sem esquecer os pólos Lacoste.]

Lá vamos nós outra vez...


A banca volta a lançar campanhas agressivas para concessão de crédito. Segundo o Diário de Notícias, trata-se de uma resposta ao "aumento da procura de crédito para compra de casa".

Ou seja: a curva da procura de crédito ter-se-á "deslocado para a direita", e os bancos preparam-se para a empurrar mais um bocadinho. Talvez já poucos se lembrem das campanhas publicitárias de finais dos anos 90, onde até se "ofereciam" mobílias completas e "aceleras" (motorizadas), campanhas essas que, mais do que qualquer "laxismo" estatal, foram responsáveis pelo aumento do endividamento das famílias.

Por um lado isto pode ser entendido como um saudável posicionamento concorrencial dos bancos face a um mercado que se dinamiza, mas também sabemos como as próprias campanhas publicitárias têm um efeito impulsionador da procura - neste caso, em detrimento de outras alternativas, tais como a poupança. Outra distorção destas campanhas é que favorecem a aquisição de edifícios novos, em alternativa à recuperação de casas antigas: um desperdício de recursos que tem ainda como consequência a desertificação e decadência dos centros urbanos e a deslocação das populações para bairros periféricos e dormitórios (e para as filas de trânsito).

Como o liberalismo económico reinante privilegia os mecanismos de mercado, as autoridades de controlo monetário pouco podem fazer para orientar o recurso ao crédito para segmentos mais eficientes em termos sociais, ou para o diminuir em favor da poupança. O único mecanismo de que o Estado dispõe é apenas o das campanhas publicitárias desincentivadoras do endividamento - mas também essas campanhas têm custos e, no ambiente de penúria actual, não é de esperar que os poíticos se preocupem muito com isso.

Eis pois um exemplo de como, num puro ambiente de liberalismo económico, o "interesse" e a "racionalidade" das empresas pode ser prejudicial ao interesse colectivo.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Hunter S. Thompson


Faleceu (voluntariamente) o escritor e jornalista outsider americano Hunter S. Thompson, que defendia que o autor se deveria tornar parte integrante da história que conta (se queres escrever sobre os Hell's Angels, juntas-te aos Hell's Angels, se queres escrever sobre a guerra, vais para a zona de guerra, se queres escrever sobre drogas, tomas drogas - e tudo isto ele fez). [ notícia do Público ]. É famoso o obituário que fez do ex-Presidente Richard Nixon (com quem conseguiu uma entrevista na condição de só falar de futebol):
«[Era] Um mentiroso, um desistente e um sacana. Um vigarista barato e um implacável criminoso de guerra.»
Ouça Thompson numa entrevista de 1976:

Referências na blogosfera: | Blurt | Live Journal | Fitten's Fanfaronade | Grumpy Voices | Jeff Klein | Brainwashing the prophet | outra entrevista |
Outros textos: |Beautiful Hunter S. Thompson (entrevista) | Hunter S. Thompson: The Champion of Fun | Still Gonzo After All These Years | The Doctor at the Tuareg Camp | Blogcritics.org |

Thompson compôs várias canções, incluindo "You're a whole different person when you're scared", com o seu amigo e Warren Zevon, de que pode ouvir um excerto aqui.

Maus perdedores


Eu tinha iniciado ontem uma tabela comparativa de "ganhadores" e "perdedores" das eleições, que cheguei a publicar aqui, mas da qual desisti quando comecei a listar os blogues: achei que não valia a pena comprar alguma guerra por tão pouco - embora tenha depois ficado com a sensação de que se tratava de uma espécie de auto-censura.

Por falta de tempo ainda não tinha ido muito longe nessa classificação de blogues: nos ganhadores tinha o Abrupto, o Adufe e o Causa Nossa, e nos perdedores tinha o Blasfémias.

Hoje leio no Causa Liberal o adjectivo "canalha" aplicado à "extrema-esquerda parlamentar (estalinistas, trotsquistas e maoístas)", bem como uma chamada para o Observador que, a propósito das eleições, anuncia o "caminho para a servidão".

Isto levanta-me uma dificuldade adicional relativamente à tal tabela: não seriam suficientes duas colunas ("ganhadores" e "perdedores"); teria de haver uma terceira para os "maus perdedores".

Sumantra Ghoshal


Serão as escolas de gestão "más para o negócio"? O Economist avisa que as escolas de gestão estão a ser responsabilizadas por muita da má gestão empresarial da actualidade, de acordo com um artigo póstumo de Sumantra Ghoshal que surgirá em breve na revista Learning & Education da Academy of Management. Ghoshal afirma que «os piores excessos das recentes práticas de gestão têm as suas raízes num conjunto de ideias que emergiram do meio académico das escolas de gestão nos últimos 30 anos». A causa é atribuída ao programa universitário que pretende fazer do estudo da Gestão "uma espécie de Física", com modelos simplistas sobre o comportamento humano, modelado como racional, egoísta e maximizador-de-utilidade.

Ghoshal ataca especialmente as teorias de Gestão associadas a dois conhecidos investigadores de Harvard: Michael Jensen (cuja 'teoria da agência' levou as escolas a ensinar que não se pode confiar nos gestores para a realização do seu próprio trabalho) e Michael Porter, cujo modelo das "cinco forças" sugere que as empresas devem competir não apenas com os seus concorrentes, mas também com os seus fornecedores, clientes, empregados e autoridades reguladoras.

Na blogosfera o artigo foi comentado pelo Cyberlibris, pelo BusinessPundit e pelo Farsantes.

O mesmo assunto é comentado aqui por Sean Corrigan (do Mises Institute). Mostrando logo os dentes à partida, Corrigan avisa-nos que Ghoshal é um behaviorista suspeito de ser igualmente hostil à escola austríaca, e adianta: «o ser humano é de facto egoísta e procura maximizar a utilidade, mas querer construir "teorias grandiosas" e "elegantes modelos matemáticos" baseados nisto apresenta muitos defeitos, não sendo o menor deles o facto de "utilidade" constituir um julgamento de valor que varia subjectivamente de indivíduo para indivíduo».

Comentando o mesmo artigo, o Portal Exame lembra que «no ano passado, outro grande guru da administração, Henry Mintzberg, lançou o livro "Managers Not MBAs", em que afirma que esses cursos "treinam as pessoas erradas do modo errado, gerando as consequências erradas».

Sumantra Ghoshal foi professor da London Business School e é co-autor dos livros Managing Across Borders: The Transnational Solution e The Individualized Corporation: A Fundamentally New Approach to Management, comentado aqui pela JanelaWeb, que tem uma entrevista com Ghoshal aqui. O seu falecimento e carreira académica são referidos aqui.

Sugestões para Sócrates


«Avanço algumas sugestões (de treinador de bancada, é certo): não gastar mais tempo e dinheiro com estudos. Se algo precisa de mais análises, então actue em muitas outras áreas onde são gritantemente necessárias reformas. Não invoque o "diálogo" para adiar decisões. E não enverede por atirar dinheiro aos problemas para fingir que os está a resolver, como é hábito dos socialistas nos gastos sociais. Não se refugie no "choque tecnológico", de que ninguém discorda, para evitar enfrentar interesses corporativos na defesa do interesse geral. Tenha coragem.»

Francisco Sarsfield Cabral - Diário de Notícias

Ódio às reformas...


«O mistério deste enorme êxito socialista não está em José Sócrates e nas suas vagas propostas para a grave crise que atinge este país cada vez mais mal frequentado. O êxito do líder socialista mostra, isso sim, que a maioria dos portugueses odeia reformas, detesta rupturas e tem pesadelos quando ouve falar em sacrifícios, trabalho e despedimentos, em particular nessa vaca sagrada chamada função pública.»

António Ribeiro Ferreira - Diário de Notícias

"Que los hay, los hay!"


Espanhóis aprendem português para encontrar emprego

Nove mil alunos, sobretudo ligados à área de saúde, estudam Língua Portuguesa na Extremadura espanhola. Este fenómeno é recente e propagou-se a toda a província extremenha em menos de dez anos, fazendo com que o Português já seja a segunda língua estrangeira mais falada, apenas atrás do Inglês, que é língua obrigatória. (...) O vice-reitor da Universidade da Extremadura, Segundo Piriz, alerta que se chegou a ponto quase sem retorno. "Estrategicamente, os nossos alunos têm de aprender Português, porque quem não o fizer, hoje em dia, estará em desvantagem no mercado de trabalho". Dá como exemplo os sectores da saúde, mas não esquece que em Portugal já existem três mil empresas espanholas "a precisarem de gente que fale português"»

Roberto Dores - Diário de Notícias

É a globalização, ministro!


O ministro das Actividades Económicas, Álvaro Barreto, escreveu uma carta ao comissário europeu responsável pelo comércio externo manifestando preocupação pelo acréscimo de pedidos de importação de texteis originários da China, facto que "poderá ameaçar causar uma perturbação de mercado com consequências desproporcionadas para o emprego na indústria têxtil comunitária". - Diário de Notícias

Pois é: já lá vai o tempo em que se podiam escrever cartas a dizer: «nós por cá todos bem...»

Simplificação administrativa


«O Cidadão só deverá prestar a mesma informação ao Estado uma única vez, cabendo aos diferentes organismos partilhá-la entre si.»

Diogo Vasconcelos - Diário de Notícias

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Quem tudo quer...


Concordo com Marcelo Rebelo de Sousa em que a opção pelo "acordo para um entendimento pós-eleitoral", ou seja, a não-coligação PSD-CDS (cuja responsabilidade ele atribui a Paulo Portas) contribuiu decisivamente para a maioria absoluta do PS. Escrevi na altura (ver post) que a opção escolhida desencadeava o aspecto negativo das coligações (afastar os eleitores que se irritam por ver o seu partido na companhia de gente de que não gostam) sem conseguir o aspecto positivo (e seguro) proporcionado pelo método de Hondt: um maior número de deputados para o mesmo número de votos dos partidos coligados.

Portas ajudou à missa, irritando os eleitores mais sensíveis do PSD com a sua insinuação de que ele e os ministros CDS tinham sido sistematicamente melhores do que os do PSD, tanto em aspectos de governação como na gestão dos respectivos partidos.

Se o PS não tivesse tido a maioria absoluta (coisa de poucos deputados...) o panorama seria agora bem diferente para o CDS e o PSD: poderiam atacar a opção de Sampaio pela dissolução (por ter provocado maior instabilidade) e teriam maior margem de manobra para a recuperação.

O que se pode dizer da táctica de Portas é: quem tudo quer, tudo perde.

domingo, fevereiro 20, 2005

Kondratieff vai à guerra


Decorreu na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, nos passados dias 18 e 19, um workshop sobre a guerra e os ciclos de Kondratieff. O título, mais precisamente, era “Kondratieff Waves, Warfare and World Security”, uma iniciativa integrada no Advanced Research Workshop da NATO.

O Professor Doutor (neste contexto, convém) Francisco Louçã tinha uma comunicação sobre "Invisible Tides and Waves - Contours and Detours of Misleading Methods".

Outros portugueses com comunicações previstas eram Rui N. Rosa, da Universidade de Évora ("Economic Cycles in a Closed Finite World"), João Caraça, da Universidade Técnica de Lisboa, ("Civilization and Culture: The Next 100 Years"), José Pires Manso e Tessaleno Devesas; este último, professor da UBI, recebeu em 2004 a Medalha Kondratieff, atribuída pela Academia Russa de Ciências Naturais e pela Fundação Internacional Kondratieff.

Outros temas objecto de intervenções foram:
  • Kondratieff Cycles and Wars. World Instability in Past K-Waves
  • The Kondratieff's Waves and Cyclicity of Wars: Theory and Future
  • Kuznets vs. Kitchin, Juglar & Kondratieff Revisited
  • Wars on the Frontiers of Europe and Socioeconomic Long Cycles
  • Who was right: Kuznets in 1930 or Schumpeter in 1939?
  • Self-organization of World Economy: From Local Conflicts to Global Economy
  • The Real Price of War: How You Pay for the War on Terror
  • Did the Fifth K-Wave Begin in 1990-1992? Has It Been Aborted By Globalization?
  • O programa completo encontra-se aqui.

    Na falta das comunicações, temos de nos contentar com este texto de Francisco Louçã, de 1998, sobre "Nicolai Kondratieff and the early consensus and dissensions about history and statistics".

    Mais informações sobre Kondratieff e a actualidade dos seus ciclos aqui, aqui, aqui e aqui. Uma extensão do modelo à neurociência é apresentada aqui. Em português há textos aqui, aqui e aqui

    Para que não desanimem, eis um gráfico com os ditos ciclos que nos anunciam uma grande depressão para os anos em curso; talvez Santana Lopes tenha razão e a culpa não seja dele - nem dos portugueses - mas sim do Kondratieff:

    Terra dos sonhos


    Decorreu ontem na sala do antigo cinema Roma, Lx, um concerto de Jorge Palma, a solo, com a usual participação do filho - Vicente Palma - em algumas das canções. Uma das surpresas foi verificar que o jovem está bem mais seguro, voz mais firme, e que já está mais alto do que o pai, literalmente (mas não musicalmente, claro).

    Ouvimos canções de toda a carreira de Jorge Palma, com especial incidência no disco mais recente, 'Norte':
    "Escuridão (vai por mim)"
    "Os demitidos"
    "Tama-ra" (já apresentada no concerto do CCB)
    "Valsa de um homem carente"
    "D. Quixote foi-se embora" e
    "Passeio dos prodígios"
    Nesta última canção Jorge Palma fez uma das suas brincadeiras: principiou com uns acordes ao piano que anunciavam a canção, mas começou a cantar: "I am just a poor boy, though my story's seldom told" ('The Boxer') e só depois transitou para "Vamos lá contar as armas, tu e eu, de braço dado", terminando a canção com o notável "Lie-la-lie ..." do referido 'The Boxer'. Acabada a canção explicou que tinha telefonado ao Paul Simon a confessar que lhe tinha plagiado uns acordes, mas que o Paul lhe dissera: "don't worry", pois também já tinha feito o mesmo.

    À entrada do concerto encontrava-se à venda o novíssimo livro "Na terra dos Sonhos", da editora Quasi, que inclui as letras de todas as canções da autoria de Jorge Palma, bem como uma listagem de todos os discos em que Jorge Palma participou a qualquer título, ou que simplesmente incluiram canções suas: um total de 180 discos de que são apresentadas as capas e fichas técnicas. Lá vem incluída a sua primeira composição gravada comercialmente, no single de 1971 dos Sindicato, "Smile":
    Smile, now you're looking to the sun
    Smile, 'cause your life has just begun
    Canção em co-autoria com Ricardo Levy (ex- Jets) e Vitor Mamede (ex-Chinchilas).

    No livro, organizado por João Carlos Callixto, estão igualmente incluídas letras em inglês, inéditas, como a que foi depois livremente traduzida para português na canção "D. Quixote foi-se embora". O livro acolhe também pequenos textos de Mafalda Veiga e Jorge Silva Melo.

    sábado, fevereiro 19, 2005

    Sintetizador Moog



    O hit da breakz (e o Intermitente) relembram a invenção (em 1964) e os primeiros resultados do sintetizador Moog.

    É de referir que os primeiros concertos com esta nova tecnologia ocorreram em Abril de 1965, em Roma, com "Songs for RPB" para soprano (John Eaton), piano e Synket, na Academia Americana. No Town Hall de Nova Iorque, em Setembro de 1965, o "NY Improvisation Quartet" de Herbert A. Deutsch utilizou um Moog. A primeira ligação à musica popular parece ter ocorrido no ambiente psicadélico de S.Francisco, no Trips Festival de Janeiro de 1966. A divulgação desta tecnologia na Europa deve-se a Richard Teitelbaum que utilizou o Moog em mais de 200 concertos que aqui realizou em 1966. Um Moog foi também utilizado na série "Jazz in the Garden" do MOMA, em Agosto de 1969. (informação aqui e cronologia aqui).

    Uma das primeiras bandas a utilizar extensivamente esta tecnologia, nomeadamente em palco, foram os Manfred Mann, por volta de 1968. Utilizaram-no no Festival de Vilar de Mouros de 1971, impressionando tanto José Cid que este não descansou enquanto não arranjou um e, em 1973, utilizou-o no disco "A Bruma Azul do Desejado", gravado com Frei Hermano da Câmara e o Quarteto 1111 (haverá alguma coisa que este Cid não tenha feito ?). Miguel Graça Moura, dos Pop Five Music Inc. terá sido o introdutor do sintetizador Moog em Portugal: adquiriu um em Londres e formou expressamente, em honra do aparelho, a banda "Smoog", cuja estreia ao vivo teve lugar no Coliseu dos Recreios em Lisboa, na primeira parte de um concerto de B. B. King.

    A música em que me lembro de ter ouvido pela primeira vez este novo som foi em "Lucky Man", de 1970, dos 'Emerson, Lake and Palmer', que é considerado como o primeiro solo em sintetizador moog a ser gravado comercialmente. Inesquecível é também "Close to the Edge", dos 'Yes'. Excertos desta e outras músicas que usaram o moog podem ser ouvidas aqui e aqui.

    Foto de cima (com o inventor Robert Moog) e texto aqui. Sobre a história do sistetizador Moog leia aqui, aqui, aqui (com referência ao inventor do sequenciador, Raymond Scott) e aqui. Base de dados com links diversos aqui; electrónica e catálogos aqui, aqui e aqui

    Imagens: | Jazz in the garden (1969) | Theremin (1954) | Theremin (1961) | Split Minimoog | Apollo | Constellation | Minimoog + orgão Hammond X-66 |
    (crédito: Moog Archives)

    Salamandra lusitana


    Chioglossa Lusitanica
    «J'ai dit que les raies dorsales et caudales sont d'un beau rouge de cuivre doré; mais j'ai besoin d'ajouter qu'elles semblent peintes avec du cuivre en poussière fine mélangée avec un peu de poudre d'or.»

    «Les premiers individus que j'aie vu de cette curieuse espèce m'ont été adressés de Coimbra en Mai de 1863, par mon ami M. Rosa. Ils ont été rencontrés aux environs de cette ville, dans le voisinage d’un bois de pins, et non loin d’une rivière; ils étaient cachés sous un amas de bruyères sèches. J'ai reçu cette année, en Janvier, un nouvel envoi de ces animaux; mais ceux-ci ont été pris sur la montagne du Bussaco, à cinc lieues de Coimbra.»

    J. V. B. Bocage, "Notice sur un batracien nouveau du Portugal"

    Imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |

    A chioglossa lusitanica foi revelada à ciência em 1864 por José Vicente Barbosa du Bocage. Sobre este assunto leia-se a Operação Salamandra.

    Créditos: | Triplov.com | Ittiofauna | AG Urodela | Operação Salamandra | La web de los animales | Cachoeira | Zoo-Page | Amphibians and Reptiles of Europe | A vida nos rios galegos |

    Mário de Sá Carneiro





    Quase


    Crédito: Triplov.com

    Mães e emprego


    No Asymmetrical Information: a dificuldade das mulheres-mães em encontrar empregos em part-time.

    The Tragedy of the Commons (II)


    Na enciclopédia Answers.com, "tragedy of the commons" é assim definida:
    «é uma metáfora que ilustra o que se pode designar como uso sub-óptimo, ou mesmo a destruição, de recursos públicos ou colectivamente partilhados (os "commons") por interesses privados, quando a melhor estratégia dos de cada um dos indivíduos entra em conflito com o bem comum. A metáfora é frequentemente utilizada para arguir a favor da propriedade privada e contra certas teorias tais como o socialismo libertário, que advoga a propriedade colectiva dos recursos. O termo foi popularizado por Garrett Hardin no seu artigo "The Tragedy of the Commons", publicado em 1968 na revista Science
    Há quem traduza a expressão como a tragédia dos baldios, que não parece totalmente satisfatória pois "commons", para além de 'baldios', é igualmente sinónimo de "propriedade comum" ou "bem de uso partilhado". Ver também aqui, aqui e aqui.

    O tema tem vindo a ter grande desenvolvimento na teoria económica, associado à Teoria dos Jogos e à corrente Direito e Economia, focalizando em temas como a sustentabilidade dos ecossistemas sob a pressão de actividades económicas, bem como sobre a sustentabilidade do sistema económico global.

    Nesta página da Science acede-se ao artigo original de Hardin, a uma extensão de 1998, bem como reacções de outros autores e diversos links relacionados. Salientam-se: Digital Library of the Commons e o livro The Drama of the Commons (2002). Em Dezembro de 2003 a Science publicou uma edição especial comemorativa do aniversário da publicação original de Hardin. A propósito do Protocolo de Kioto leia: Global warming: "Tragedy of the Commons" revisited.

    Garrett Hardin faleceu em 2003, com 88 anos: morte voluntária, em conjunto com a sua mulher; eram ambos membros do "End-of-Life Choices", um grupo defensor do direito ao suicídio de doentes terminais.

    sexta-feira, fevereiro 18, 2005

    The Tragedy of the Commons


    The Tragedy of the Commons, de Garrett Hardin (1968), texto comentado em A Sombra, que traduziu esta parte, um exemplo sobre Reservas Naturais:
    «(...) Que devemos fazer? Temos várias opções. podemos vender as Reservas ao sector privado. Podemos mantê-las como património do Estado, mas transferir a sua exploração para o sector privado ou mesmo atribuir o acesso a elas segundo princípios discriminatórios, que seriam, por exemplo,
    a) a riqueza de cada um, em que o direito de entrada seria leiloado,

    b) o mérito, em que este seria definido por parâmetros concensualmente aceites,

    c) a lotaria, em que se sorteariam os felizardos a entrar,

    d) a limitação da entrada aos primeiros a chegar, implicando a gestão de longas filas de espera.
    Todas estas abordagens são questionáveis, mas temos de escolher - ou condescender na destruição do bem comunitário que são as Reservas Naturais. (...)»

    Patético


    O apelo de Pedro Santana Lopes na carta que enviou pelo correio:
    Tenho defeitos como todos os seres humanos, mas conhece algum político em Portugal que eles tratem tão mal como a mim?
    Também o tratam mal a si. Já somos vários.
    Ajude-me a fazer-lhes frente.
    (Ideias em desalinho)

    Cartaz eleitoral


    Imagem do Expresso

    Cooperação


    «A única maneira que encontro para a economia portuguesa crescer é colocar a cooperação no centro da vida nacional, atraindo empresários e investimentos estrangeiros que alavanquem os nossos recursos»

    Ernâni Lopes - Expresso

    Maioria e milagres


    «Tal como Durão Barroso percebeu, por via da lição que António Guterres aprendeu na prática, não se conseguem adoptar as medidas de que o país precisa num Governo em minoria. Um governo não faz milagres. Mas, em minoria, pode inviabilizar a modernização do país.»

    Helena Garrido - Diário Económico

    O problema


    «Não é possível deixar de ver que o problema da União Europeia é a persistência num modelo social que inviabiliza a modernização e o crescimento. E cuja reforma é impedida, aliás, pelos que estão em pior situação - França, Alemanha e Itália que, com o seu peso e a resistência que fazem à mudança, são os grandes responsáveis pela situação europeia. Consequência para nós, não poderemos contar com a recuperação da economia europeia para crescer mais depressa.»

    Pedro Ferraz da Costa - Diário Económico

    A favor da maioria


    «O resultado eleitoral de domingo que maior estabilidade traz à bolsa seria a vitória, por maioria absoluta, do Partido Socialista (PS) ou a conquista de uma maioria pela actual coligação governamental PSD / PP, revelaram ao Jornal de Negócios diversos agentes do mercado. A grande incerteza e, por isso mesmo, o pior cenário para a Euronext Lisbon seria que das urnas resultasse uma maioria relativa do PS.»

    Jornal de Negócios

    Si usted lo dice...


    «Estas são as eleições de todas as surpresas. Mudou o estilo, são as mais agressivas de sempre, e aquelas em que a abstenção e os indecisos podem mudar tudo no dia 20 de Fevereiro.»

    Luís Delgado - Diário Digital

    Previsões em baixa


    O ministro das Finanças português reviu ontem em baixa a taxa de crescimento da economia portuguesa para o corrente ano, de 2,4 % para 2,0 %, uma tendência que segue a de outros países europeus. "Parece-me que a previsão que estava implícita no Orçamento de Estado de 2,4 dificilmente será alcançada, a ideia é que andará à volta dos 2,0 %".

    Público

    PEC


    A discussão sobre o novo modelo do pacto de estabilidade e crescimento para a União Europeia verificou alguns progressos nos últimos dias, mas ainda está muito por discutir pois a França e a Alemanha questionam os actuais poderes da Comissão Europeia na gestão do PEC e, sobretudo, a sua prerrogativa de abrir processos contra os Estados com défices superiores ao limite de 3 por cento do PIB (Produto Interno Bruto) para os obrigar a adoptar medidas correctivas.

    Público

    quinta-feira, fevereiro 17, 2005

    Perfis personalizados


    Santana Lopes tem de ser creditado com a criação de uma nova figura eleitoral: o perfil personalizado; começou com a indicação de Miguel Cadilhe como o exemplo de perfil que ele gostaria de ter como ministro do seu próximo governo, no caso para a área da competitividade e finanças. Hoje divulgou mais destes perfis: Cristina Cordeiro (vice reitora da Universidade de Coimbra) para as áreas sociais), Carlos Pimenta e António Mexia.

    Não sei se esta iniciativa lhe trará votos; pode dizer-se que é uma resposta desajeitada à iniciativa de Paulo Portas (que divulgou um governo completo do CDS) , ou que o faz em desespero de causa dado que ninguém verdadeiramente importante aceita comprometer-se desde já com um seu (improvável) governo.

    Pode ser. Mas José Sócrates afirmou que um partido que, com razoáveis probabilidades, aspira a ser governo, não se pode compremeter com a indicação prévia de indigitados ministros. Se isto é verdade, então Santana Lopes conseguiu remover esta dificuldade criando a figura do perfil personalizado.

    Pode dizer-se: isso acabará por ser uma limitação, no caso de o partido chegar memso a poder formar governo. Creio que não: havrá inúmeras razões plausíveis para explicar porque é que, afinal, não será aquele mas outro a ocupar o lugar.

    Por outro lado, a quantidade não é famosa e a indicação de um actual ministro cria o seguinte insólito: se indica este, porque não indica outros ? Será que só este é que presta ?

    quarta-feira, fevereiro 16, 2005

    Disponível também na Terra


    Na informação relativa ao álbum Elastic Void de Rui Gato (ver abaixo) anuncia-se: “also available on earth”. O certo é que as músicas do projecto Music2Titan também se encontram disponíveis na Terra - para além do planeta (ou lua...) Titã:


    Trata-se da composição "Lalala", uma das quatro que foram compostas pelos músicos franceses Julien Civange e Louis Haéri para a Agência Espacial Europeia e que seguiram a bordo das sondas Cassini-Huygens.

    Sobre esta iniciativa espacial-musical disse Mick Jagger: "a música a bordo da nave espacial dá um toque muito humano ao projecto e ao mesmo tempo fornece uma importante dimensão educacional à missão (...) A música tem um papel similar ao da ciência e tecnologia, ao reflectir a era em que vivemos e, de um modo genérico, ao explorar novas áreas para além das fronteiras usualmente aceites e para além da Terra" (leia artigo).


    «Compostas como uma trilha sonora, cada uma das faixas corresponde a um estádio da missão. "Lalala" ecoa a fase preparatória; a música é simples e balanceada, os acordes básicos do rock. A segunda faixa, "Bald James Deans", possui uma tensão dramática relacionada com a separação da nave Cassini da sonda Huygens. "Hot Time" é um tipo de música mais experimental e evoca a exploração do solo de Titã. A última faixa, "No Love", é um tema calmo e melancólico que ecoa a questão do êxodo espacial.»

    Veja um video de apresentação do projecto em Windows Media Player ou em Quick Time, e ouça uma entrevista com Julien Civange:

    Zero a matemática


    No debate televisivo de ontem um dos argumentos mais abstrusos saíu da mente de Santana Lopes; disse ele que, para já, propõe que a idade da reforma seja aumentada para os 65 anos, medida aplicável obrigatoriamente aos funcionários públicos com 35 anos ou menos, admitindo que, mais tarde, se suba este patamar para os 40 anos, por exemplo.

    Ora esta ultima hipótese só faria sentido num mundo estático, onde as pessoas não envelhecessem: suponhamos que esse "mais tarde" seria daqui a 5 anos; nessa altura os funcionários públicos com 40 anos seriam os mesmos que hoje têm 35... Ficaria tudo na mesma!

    Mas se admitirmos que o "mais tarde" ocorre antes desses 5 anos, então estariamos a colocar trabalhadores que agora têm mais de 35 anos - e que, por isso, "escapam" a esta medida - no lote dos atingidos; ou seja: a tirar-lhe um direito que ainda hoje lhes garantiamos...

    A hipótese de o "mais tarde" ser depois de 5 anos ainda seria mais ridícula, pois então estaríamos a desagravar trabalhadores agora abrangidos.

    Portanto, zero a matemática para Santana Lopes.

    Por outro lado (on the other hand, diria o economista maneta) Santana esboçou, sem explicar muito bem, uma hipótese que acho interessante: o acréscimo da idade da reforma seria feito de modo proporcional - semanas ou meses para os que se reformariam em breve, aumentando esse valor gradualmente para os seguintes, até se atingir o novo patamar.

    No programa eleitoral do PSD propõe-se apenas "flexibilizar a idade da reforma". Mas no site A Verdade online (página oficial da candidatura) pode ler-se: "na Segurança Social, os sociais-democratas vão mesmo avançar com o prolongamento da idade de reforma para os 65 anos. No entanto, Santana Lopes assegurou que para os funcionários públicos com mais de 35 anos esta medida é opcional."

    O programa eleitoral do PS é igualmente vago: "adoptaremos medidas que constribuam para favorecer a permanência dos trabalhadores mais idosos nos seus postos de trabalho, aproveitando as vantagens decorrentes da sua experiência, e minimizando os custos para a comunidade da antecipação da idade da reforma; neste quadro, é condição essencial que a idade de reforma vá acompanhando a evolução da esperança média de vida."

    terça-feira, fevereiro 15, 2005

    Rui Gato


    Rui Gato é um jovem compositor de música electrónica - e também estudante de arquitectura. Gravou em 2002, para a Mono¨cromatica o ábum Elastic Void, de que pode ouvir excertos aqui. Mais recentemente gravou para a Test Tube (netlabel da Mono¨cromatica) o EP Chaosmos, de que faz parte este M2 Extended:


    Sobre Rui Gato, leia o que escreveram: Victor Afonso, Adrien, Tiago Gonçalves e Quark! Quark!.

    Nota: "a Test Tube é uma netlabel dedicada ao desenvolvimento de projectos especialmente orientados para o campo electrónico e de carácter mais experimental. Editora online de carácter gratuito, pretende ser um laboratório musical para jovens músicos (ou menos jovens). O objectivo maior e quase único é divulgar, o recurso é o download gratuito." [A Trompa]

    Design português



    André Costa, estudante de Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, acaba de ganhar o concurso internacional da Peugeot para conceber um novo automóvel. O seu projecto – baptizado Moovie – foi escolhido entre 3800 propostas de 107 países, muitas delas de designers profissionais. O carro idealizado por André Costa apoia-se sobre duas rodas e duas esferas orientáveis, que lhe garantem grande agilidade em qualquer situação.

    O Moovie será agora produzido pela Peugeot, sob a forma de concept car, e apresentado ao público no Salão Automóvel de Frankfurt (Alemanha), em Setembro. Antes disso, André será consagrado no dia 1 de Março, no Salão de Genebra (Suíça), onde receberá o prémio de seis mil euros.

    Notícia do Correio da Manhã. Veja também o anúncio da Peugeot, a descrição do Moovie e os anteriores premiados.
    Imagens do Moovie: | 1 | 2 | 3 |

    I&DT


    «As empresas portuguesas investiram 16 milhões de euros na criação de núcleos de investigação e desenvolvimento tecnológico (I&DT) em 2003 e 2004, a que corresponderam apoios públicos de seis milhões, anunciou, ontem, a Agência de Inovação. "Os resultados demonstram o empenho e a importância que as empresas portuguesas estão a dedicar à constituição e formalização de equipas de pessoas com competências em I&DT", refere a agência, na sua "newsletter" de Fevereiro.»

    José Mota - Jornal de Notícias


    Candidaturas à Agência de Inovação (clique)

    Net-cábulas


    «Portugal está na cauda dos Vinte e Cinco quanto ao número de utilizadores da Internet. Piores resultados à escala europeia só mesmo os registados pelos três candidatos à adesão, Turquia, Roménia e Bulgária, revela o relatório sobre a "e-inclusão" ontem divulgado em Bruxelas, cujas informações são relativas a Junho de 2003.»

    José Mota - Jornal de Notícias

    Europa abranda


    «O crescimento económico europeu abrandou inesperadamente no quarto trimestre do ano passado uma vez que a economia alemã se contraiu pela primeira vez em mais de um ano.

    O PIB da Zona Euro cresceu 0,2% no período em análise em relação ao terceiro trimestre quando se tinha expandido 0,3%, disse o Instituto de Estatísticas Europeias (Eurostat). Este crescimento foi metade dos 0,4% esperados pelos economistas consultados pela Bloomberg e o ritmo mais lento trimestral desde que a economia se contraiu no segundo trimestre de 2003.»

    Ana Filipa Rego - Diário Económico

    segunda-feira, fevereiro 14, 2005

    A marcha dos econometristas


    A Cowles Comission (actualmente Cowles Foundation), fundada nos EUA em 1932, encontra-se intimamente associada ao desenvolvimento da Econometria, tendo tido presidentes tão notáveis como Tjalling Koopmans ou James Tobin, e membros como Debreu, Herbert Simon, Haavelmo, Fisher, Stiglitz, etç. Vale a pena ler a sua história nesta página. Como curiosidade eis uns versos de autor "desconhecido", feitos para serem cantados ao som da marcha "The American Patrol", uma brincadeira acerca da missão dos econometristas:
    We must be rigorous, we must be rigorous,
    We must fulfill our role.
    If we hesitate or equivocate,
    We won't achieve our goal.
    We must investigate our systems complicate
    To make our models whole.
    Econometrics brings about
    Statistical control!

    Our esoteric seminars
    Bring statisticians by the score.
    But try to find economists
    Who don’t think algebra's a chore.
    Oh we must urge you most emphatically
    To become inclined mathematically,
    So that all that we've developed
    May some day be applied!
    Ouça um excerto de "The American Patrol" por Glenn Miller.
    Quanto à letra, não é fácil de traduzir, mas pode-se tentar:
    Temos de ter grande rigor
    Para acertar a equação
    Se hesitamos ou erramos
    Não cumprimos a missão;
    Há que investigar, que complicar,
    Modelizar sem piedade:
    Que a econometria garanta
    O controlo da realidade!

    Nos nossos seminários esotéricos
    Estatísticos são aos molhos
    Mas à álgebra os economistas
    Franzem os seus lindos olhos
    Temos de os convencer
    A aderir à matemática
    P’ra que as nossas descobertas
    Sejam um dia levadas à prática

    domingo, fevereiro 13, 2005

    Criatividade


    A empresa têxtil Domingos Almeida, de Guimarães, fabrica tecidos aromáticos. Segundo Sofia Ferrão, directora de "marketing" da empresa, a inovação surgiu há cerca de dois anos, para fazer face às "previsíveis adversidades" que pudessem surgir com a abertura de novos mercados. A fábrica de Guimarães fez então uma parceria com a Universidade do Minho, da qual resultaram os tecidos aromáticos, oficialmente apresentados na Heimtextil, na cidade alemã de Frankfurt e que já estão a ser vendidos para os Estados Unidos.

    Depois de pronto, o tecido é impregnado com o aroma desejado, por meio de microcápsulas. As experiências levadas a cabo pelos técnicos da Universidade do Minho - através da Micropólis, a empresa que desenvolve e comercializa as microcápsulas - garantem que os aromas permanecem pelo menos até 25 lavagens. "É preciso notar que um sofá, umas cortinas ou uma colcha não são produtos que se lavam diariamente", sublinha Sofia Ferrão.

    O odor impregnado nos tecidos não se mantém permanentemente activo, dependendo do movimento e do manuseamento que for dado aos produtos. Por exemplo, um sofá forrado com um tecido aromático só liberta cheiro quando alguém se senta. Com as cortinas ou as colchas o processo é idêntico. O odor a alecrim ou a lavanda só é perceptível quando os tecidos são manuseados.

    Emília Monteiro - Público

    A empresa Micropolis, de Braga, é um "spin-off" da Universidade do Minho. Trata-se de uma empresa vocacionada para a investigação e desenvolvimento de produtos para aplicação industrial, em microcapsulamento. Um dos seus produtos são as microcápsulas aromáticas, para aplicação à indústria e vestuário e têxteis, calçado, curtumes, automóvel e construção civil, mas a empresa desenvolve outras linhas de investigação. Leia a informação do IAPMEI sobre a Micropolis.

    sábado, fevereiro 12, 2005

    Tudo poisa


    No Ideias em desalinho, e a propósito da "civilização" da Base Aérea de Monte Real, um divertido exercício de poesia de escárnio sobre o nosso querido PM:
    «Se tudo se alça no ar,
    tudo voa, tudo poisa
    e volta ao lugar, depois,
    ser avião militar
    ou civil, é a mesma coisa,
    eu até brinquei com os dois!...»

    (...)

    Absolute Friends


    No Mil Folhas escreve-se sobre o último livro de John Le Carré, "Amigos até ao fim". Eu já o li e aconselho-o, particularmente aos (como eu) órfãos das utopias esquerdistas dos idos anos 60/70, que certamente sorrirão perante a ingenuidade adolescente da dupla Ted & Sacha. Mas não criem grandes expectativas: a tentativa literária de transportar o conflito ideológico para o século XXI torna-se patética, dando aliás razão a Marx: a história repete-se, sim, mas apenas como farsa. Neste aspecto, "O Fiel Jardineiro", do mesmo autor, era bem melhor conseguido, e por isso mais aconselhável para os que querem continuar a sentir-se heróis.

    www.citador.pt


    O Mil Folhas de hoje inclui um artigo sobre o Citador:
    «O Citador está disponível na Internet desde Março de 2003. Mas no início de Fevereiro foi feita mais uma actualização de conteúdos, passando o "site" a ter 11.450 citações e 4523 provérbios na base oficial. O registo não é obrigatório, mas quem se registar como utilizador do Citador tem vantagens sobre os outros, pois passa a ter acesso à base completa de citações do "site" e pode fazer a "elaboração e gestão do seu próprio Citário.»