terça-feira, maio 17, 2005

Governo: a síndrome de "João Pinto"


Ainda estou abananado com a conferência de imprensa da hora do almoço, onde a senhora Secretária de Estado dos Transportes e o Gestor da CP explicaram, passo-a-passo, como é que foram "papados" (a expressão é minha) pela Bombardier, que os foi enrolando com faxes e e-mails, em resposta a contratos que a CP ia sucessivamente enviando para Paris com pedidos de "assinatura urgente" !

Fez-me lembrar a conferência de Santana-Bagão onde fizeram de "ponto" um ao outro e em que exibiram jornais como prova de facto. Só que nesse caso, para além do ridículo dos protagonistas, ninguém mais saíu machucado. O caso da Bombardier é bem capaz de não ser tão inofensivo.

Imaginem: uma conferência de imprensa acerca de um "não-acontecimento", para detalhada apresentação do expediente administrativo da CP. Finalmente anunciaram que o Governo irá expropriar 40 % dos terrenos da Bombardier. É difícil imaginar uma saída mais canhestra para este caso: não resolve nenhum problema, pois não salva ou cria postos de trabalho, nem a manutenção de nenhuma capacidade tecnológica (as máquinas não~podem ser abrangidas) e ainda há-de prejudicar as já débeis hipóteses de atrairmos investimento estrangeiro: estão a imaginar um investidor estrangeiro a trazer para aqui uma empresa sabendo que, numa qualquer hipótese de conflito, em vez dum tribunal que aplique as leis em vigor, pode ter de enfrentar um governo com a cabeça perdida a aplicar-lhes leis de excepção ?

Nem na excitação do pós-Revolução se ousou tocar no capital estrangeiro - e agora vemos um governo, irritado e humilhado, a reagir como o João Pinto no mundial da Coreia: um murro no estômago da Bombardier que nos pode custar bastante caro.

Notícia na TSF.

3 comentários:

Cirilo Marinho disse...

A analogia está um mimo.
Mais triste ainda, é infelizmente verdadeiríssima...

Anónimo disse...

Pena que o senhor deste blgue não "perca" tempo em opinar sobre o caso ESCOm...

Em relação à Bombardier, a SOREFAME foi vendida a um preçi simbólico. Se se pretende edificar aquela zona, e/ou retirar mais-valias brutais fruto de especulação, a expropriação é o caminho.

Não se queixa quando uma casa de família é expropriada para que se construa um centro comercialll

Anónimo disse...

Com que dinheiro vai ser pago a abombardier?
Utiliza-la para fazer o quê?
Custos das instalações mesmo paradas?
Expropriar equipamentos de uma empresa canadiana?
O Socrates, tem conhecimento da barbaridade que disse uma secretaria de estado?
Ou o Canadá, tambem pode expropriar os barcos portugueses,
que encontre por perto?
è isto que o PS, oferece como governo?