quarta-feira, setembro 14, 2005

Querem Estado mínimo? Depois queixem-se!...

7 comentários:

Vitor Manuel disse...

E aquele comentário do príncipe árabe. Sem papas na língua acusou as companhias petrolíferas que encarecem os combustíveis. Não era nada que já não se soubesse. Os lucros das companhias e refinarias aumentam na razão proporcional ao aumento dos combustíveis.

Anónimo disse...

Alguém me pode explicar o que é que isto tem a ver com Estado mínimo?

Anónimo disse...

Em primeiro lugar, peço desculpa da minha ignorância em relação ao mundo do petróleo.
Contudo tenho uma dúvida. Ao ser visitado neste verão por um familiar americano, no meio de uma conversa queixou-se do aumento do preço da gasolina nos USA. Mas, como eu tinha a ideia de que eles pagavam valores muito abaixo dos nossos, resolvi averiguar (com a colaboração dele) qual era a diferença na realidade.
Assim, pode-se consultar na página http://tonto.eia.doe.gov/oog/info/gdu/gasdiesel.asp informação referente ao preço da gasolina nos USA. Para se ficar surpreendido convém fazer as devidas conversões.
Temos, no referido sítio, que 1 gallon de gasolina regular custa 2,29 USD. Mais, dizem-nos que, nos USA, por 1 gallon 19% vão para impostos, 8% distribuição e marketing, 18% refinaria, 55% crude.
Sabendo que, a 1 gallon corresponde 3,785412 litros, e que a 1 USD corresponde 0,81 euros, obtemos o resultado do preço de 1 litro em euros nos USA que são 0,49 cêntimos! Isso, 0,49 cêntimos do euro, quando cá no feudo pagamos 1,299 euros o litro, isto é, mais do dobro!
Isto tudo é muito bonito, mas tudo fica muito triste uma vez que, nos USA disponibilizam toda a informação referente às componentes do preço!...
Como referi acima, tenho uma dúvida. Ela consiste basicamente em saber como é constituído o preço da nossa gasolina...
Pensando eu que o preço do crude é internacional, e partindo da referencia que este corresponde a 55% do preço da gasolina americana (isto é, dos 0,49 euros que eles pagam por litro, 0,2695 euros são para o crude) esta peso relativo altera-se drasticamente no preço português, isto é, 0,2695 euros corresponde a 55% do preço da gasolina americana (que são 0,49 euros/litro) mas é somente 20% do preço português (1,29euros/litro). Assim as restantes componentes (impostos, distribuição e marketing, refinaria) que nos USA representam 45% do preço, em Portugal representam 80%!... A minha dúvida reside pois, se as contas estão certas, qual ou quais das componentes do nosso preço nos estão a "ir ao bolso" descaradamente!... e, porque é que não há informação detalhada acerca do preço da gasolina e suas componentes como nos USA! (ou se há onde é que se encontra!) Entendo com isto que o problema não são eles, mas sim, somos nos que não sabemos nem temos elementos para monitorizar os valores da mais importante fonte de energia do nosso tempo! Pois esse preço quase tudo influencia! imaginem o que seria ter a gasolina a 0,49 euros/litro!

J.A. disse...

O que é que isto tem a ver com o Estado mínimo? bem, reconheço que é um raciocínio algo elaborado, mas resulta de várias linhas de pensamento:

a) aumento do preço dos combustíveis, e da gasolina em particular;
b) movimento de contestação de automobilistas ingleses (que não são propriamente pobres...) contra a subida do preço da gasolina;
c) movimento intelectual, em Portugal, contra o estado-providência; embora o ódio destas pessoas se materialize no funcionário público- que eles consideram um inútil - essa política acabará por eliminar muitas transferências e subsídios de que beneficia, também, as nossas classes média e alta (é verdade). Assim, acabarão também por ser afectados.

Claro que há a hipótese de se dinamizar a iniciativa privada, mas eu suspeito que o conformismo não é uma característica exclusiva do funcionalismo (ou seja, há muita mentalidade de "funcionário público" nas empresas privadas) e que, por isso, essa possível "privatização" da economia não vá resultar em nada de positivo.

Anónimo disse...

Desculpem o desabafo e a longa historia sobre o preço da gasolina (USA vs Portugal).
Obviamente, subjacente a tudo está a forma como nos organizamos política/economicamente! Se o princípio é o estado centralizado que a todos socorre independentemente de ser rico ou pobre continuaremos a queixar de pagar-mos uma gasolina cara para pôr no nosso miseravel automovel (que também nos sai caro, vide impostos que servem para manter o estado máximo) enquanto outros, certamente menos cultos e informados do que nós, seres previligiados do mundo (já houve quem concluisse que aquilo que mais bem distribuido estava no mundo era a sabedoria uma vez que toda a gente se queixa de falta de dinheiro mas nunca de falta de capacidade de entendimento!...), se queixam de ter uma gasolina cara (metade do preço da nossa) para pôr nos seus carros topo de gama! Se queremos estado maximo, nunca nos queixaremos daquilo que se queixam os que têm estado mínimo! (infelizmente, digo eu) E, notar bem que Estado mínimo não significa a auxência de estado! Significa sim uma afectação dos escassos recursos do Estado para aqueles que necessitam na realidade e não manter/sustentar um país inteiro!

J.A. disse...

Bem, trata-se apenas de um cartoon.

Eu estou convencido de que o estado-providência está condenado, tal como as pesadas administrações públicas. Mas não vejo qualquer racionalidade no caminho alternativo do "estado mínimo" (privatizações, desregulamentação, etç). Na realidade, a "mão invisível" saberá reproduzir, em contexto desregulamentado (como já faz) as perversões que se apontam às burocracias estatais.

A racionalidade do "estado mínimo" parece ser a de que ele só deve existir para "aqueles que dele efectivamente necessitam" [ sendo que com esta terminologia todos concordam - discordam é sobre quem lá cabe...]

Ou seja: apoios públicos apenas para aqueles que, no mercado, não conseguem subsistir. Mas esta formulação denuncia a falência do próprio sistema: de facto o mercado não consegue garantir a subsistência adequada de um grande número de cidadãos. Os crentes alimentam a "esperança" de que se políticas rigorosas forem aplicadas durante uma geração, a seguir todos vão agir de acordo com essa racionalidade (poupando para reformas, fazendo seguros para tudo, etç). Mas isto é uma utopia e, em todo o caso, não dá para sacrificar uma geração a experimentar tal teoria, para depois se concluir que está errada.

Crítica e reforma do Estado burocrático, de acordo. Desregulamentação "à americana" ("enroniana"), não.

Anónimo disse...

Continuem!

O nosso país precisa de esclarecimento, e este so pode vir de um confronto (que não agressividade mas sim decurso de ideias concorrentes).
Esclarecimento pressopõe também conhecimento. Conhecimento da nossa realidade mas, também, da realidade dos outros. Seus pontos fortes e pontos fracos, aos nossos olhos, aos olhos deles e de terceiros.

Efim, perceber o que, com realismo, podemos fazer por forma a ficar-mos melhor do que o que estamos. Conscientes de que o "o bom é inimigo do optimo" e também de que, para os crentes, "prefeito so Deus".