quarta-feira, julho 27, 2005

Finalmente um debate económico a valer


O Diário de Notícias de hoje apresenta o manifesto "O investimento público não faz milagres", um curto texto onde 13 economistas de renome (*) combatem a ideia de que crise económica do país se pode resolver pelo recurso a um programa de grandes investimentos públicos em infraestruturas:
«Primeiro, porque, numa situação de excesso de despesa, mais investimento em obras públicas irá favorecer sobretudo as economias de onde importamos, sem efeito sensível na capacidade produtiva da economia portuguesa, agravando o défice externo (pois só há financiamento parcial de fundos comunitários).

«Segundo, porque o tipo de emprego mobilizado pela construção pouco efeito terá na absorção do desemprego fabril gerado pela perda de competitividade da nossa indústria e mobilizará sobretudo a imigração.

«Terceiro, porque tais investimentos irão agravar ainda mais o desequilíbrio das contas públicas, seja pela despesa directa, seja pelos custos de exploração futura, seja, como aconteceu nas SCUTS, pelas inevitáveis garantias para assegurar a mobilização do sector privado. Pelo menos!

«Por fim, porque os portugueses não poderão compreender que lhes estejam a ser pedidos sacrifícios com impacto no seu nível de vida, quando o Estado se dispõe a gastar dinheiro em projectos sem comprovada rendibilidade económica e social.»
Alternativa proposta:
«Uma urgente e dedicada concentração de esforços visando apropriadas medidas de contenção orçamental (com uma estrita selectividade das despesas públicas), de incentivo económico a favor dos sectores produtores de bens transaccionáveis, de promoção da eficiência económica (nomeadamente através da redução das ineficiências geradas pelo próprio Estado) e de uma moderação da despesa colectiva.»
O mesmo jornal apresenta os argumentos com que o ministro Manuel Pinho respondeu, ontem, às criticas ao tal programa de grandes investimentos públicos em infraestruturas (PIIP):
Primeira crítica: o investimento público é o motor do crescimento. "Não, não é", sustenta Pinho. "Durante o período coberto pelo PEC entregue em Bruxelas, o investimento público não poderá ultrapassar os 3% do PIB. O motor do crescimento de longo prazo é o Plano Tecnológico."

Segunda crítica: o investimento público previsto nos PIIP vai aumentar o défice externo num montante de 10 % do PIB. "Não, não vai", recusa o ministro. "O investimento previsto é cerca de 30% do previsto no PEC. Como este é de de 3% do PIB, o pior que poderia acontecer seria o défice aumentar em 0,9%. Mas para tal seria necessário que todo o investimento consistisse em importações, quando o programa foi desenhado para aumentar a competitividade."

Terceira crítica: não foram ordenadas prioridades e os investimentos não são selectivos. "Pelo contrário, a filosofia dos PIIP é de, logo no início de uma legislatura, assumir compromissos relativamente às prioridades mais importantes", rebate Manuel Pinho.

Quarta crítica: o Governo escolheu obras faraónicas, porque decidiu avançar com o novo aeroporto e com o comboio de alta velocidade. "Os investimentos em transportes e em logística são aqueles que têm um efeito multiplicador mais elevado", replicou o ministro, "sobretudo em economias que, em termos geográficos, têm uma localização periférica. É esse o nosso caso".

(*) - António Carrapatoso, Nogueira Leite, Augusto Mateus, Fátima Barros, Fernando Ribeiro Mendes, Medina Carreira, José António Girão, Silva Lopes, João Ferreira do Amaral, João Salgueiro, José Almeida Serra, Miguel Beleza e Vítor Bento.

3 comentários:

LusoFin_oBlog disse...

(Legenda da foto do grupo):

...and in the middle the token female...

J.A. disse...

É o que parece: a cereja do bolo (ou, como diria um certo presidente de câmara, o raminho de salsa em cima d bife)

Itelvino Rodriguez disse...

MANIFESTO CONTRA O TGV E O AEROPORTO DA OTA

Portugal vive hoje uma das piores crises económicas dos últimos 30 anos! A economia está a recuar e a taxa de desemprego oficial (7.5%) esconde ainda, muitos mais trabalhadores no desemprego!(550mil) As fábricas, deslocalizam-se impunemente para países onde a mão de obra é mais barata e os trabalhadores portugueses, defronte das opções restantes (fome ou escravidão assalariada), emigram também eles em busca de melhores condições de vida!
Mas aqui há responsabilidades atribuídas! Os sucessivos governos PS, PSD e também CDS/PP tem culpas no cartório! As erradas opções governamentativas que se tomaram ao longo dos anos, contribuíram largamente para a precarização do trabalho e a destruição do sistema produtivo nacional! Em prol e ordem das directivas europeias, cada vez produzimos menos e cada vez mais a riqueza do nosso país decai!
Contrariando todas as expectativas, nas quais declinavam a hipótese deste conselho de ministros ser menos eficiente e produtivo que o anterior. Iniciou o mandato, abriu a desgraça! O governo de Sócrates, avançou desde logo com o aumento do IVA quebrando assim uma promessa eleitoral. Não revogou o código de trabalho (medida ansiosamente esperada) e ainda retirou inúmeros direitos à função pública. Direitos estes, conquistados com muitas lutas e que serviam de referência para futuras metas do sistema privado!
Noutro tom, mas com o mesmo objectivo, Sócrates apresentou a nova "teoria da tanga", reformulada e em diversos actos. Continuando a obsessiva fixação pelo défice, apelou ao povo português, para uma vez mais "apertar o cinto e compreender a situação”: a grave crise que o país está a atravessar!
E quando todo o discurso estava assente na máxima: "É preciso reduzir a receita e aumentar a produtividade", eis que é apresentado o plano prioritário de investimentos, onde figuram estes dois projectos megalómanos:
- TGV
- Aeroporto da OTA
Não se trata de um investimento na produção, inovação ou no combate ao desemprego! São dois projectos ligados aos transportes, de milhares de milhões de euros, completamente dispensáveis em qualquer altura, ainda mais em tempo de crise!

Protesta contra esta hipocrisia!

Apela à defesa do sistema produtivo nacional!

Luta por mais direitos sociais!

SUBSCREVE ESTE MANIFESTO!

http://contratgveota.pt.vu