
A plateia do debate de ontem na RTP sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa parecia um ajuntamento de claques de futebol. As intervenções, embora um bocadinho mais sofisticadas, não sairam do mesmo truque de tentar piscar o olho ao zé pagante.

Os economistas de serviço, Augusto Mateus e Eduardo Catroga, safaram-se no cômputo geral. Porém, não acho que qualquer das intervenções possa orgulhar a classe.
Weak argument, diria o outro. Quem não se safou foi o professor Jorge Gaspar, apesar de ser o único que mostrou ter feito o trabalho de casa. E talvez por isso mesmo. Hoje a substância não conta muito: o que pesa é a imagem, a convicção (ainda que seja ao serviço da dúvida, ou de nada), a falsa ingenuidade (Catroga) e a inocente presunção (Mateus). Jorge Gaspar tinha motivos para se irritar, irritou-se, e isso não o ajudou.
Fátima Campos Ferreira foi competente, como é usual, tentando que a plateia de autarcas e assessores não fizesse figuras tristes, mas em vão. E ainda teve a paciência de dar a palavra a alguns excitados, certamente convencidos de que se não interviessem o mundo desabaria. 30 anos de poder autárquico para isto?
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