quarta-feira, setembro 21, 2005

Poupança, consumo & "crashes"


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No Economist, "Don’t blame the savers":

«Alguns economistas defendem que os desequilíbrios da economia mundial se devem, em parte, a uma torrente de poupanças oriundas dos países em desenvolvimento directamente orientada para activos norte-americanos. Mas novos relatórios do FMI e do Banco Mundial dizem que o problema reside noutro lado.

«Os conservadores americanos gostam muito de receitar a responsabilidade pessoal como cura para as doenças financeiras dos pobres. Existe por isso uma certa dose de prazer em ver as prodigalidade fiscal americana acusada de contribuir para os desequilíbrios que afectam actualmente a economia mundial. É esse precisamente o veredicto do recentemente divulgado relatório sobre poupança do World Economic Outlook do FMI. O documento salienta o perigo colocado à economia mundial pela elevada dependência dos vorazes consumidores americanos em abocanhar exportações do resto do mundo.

«As economias emergentes, particularmente na Ásia, estão a registar elevados excedentes comerciais correntes, devido a uma estável corrente de exportações, particularmente para os EUA. Do outro lado do espelho, os défices correntes americanos escalaram para além dos 5% do PNB. As poupanças domésticas encolheram até níveis mínimos, enquanto os americanos recorrem ao endividamento para manter os níveis de consumo. No entanto, se os consumidores americanos abrandarem, e tal como as coisas estão agora, o resto do mundo vai sofrer também.

«Para além disso, os economistas estão também muito preocupados com o facto da saúde da economia americana (e, por extensão, da economia mundial) se apoiar no mercado da habitação, que parece nitidamente empolado. Quando a bolha rebentar, teme-se que todo o conjunto se desmorone.»

Documentos relacionados:
  • World Economic Outlook (Capítulo II - "Global Imbalances: A Saving and Investment Perspective") (pdf)
  • World Economic Outlook (outros capítulos)
  • The Housing Bubble Fact Sheet (pdf)
  • Dangerous Trends: The Growth of Debt in the U.S. Economy (pdf)
  • ShouldAmericans Save More ? (pdf)
  • US imbalances: Goodby to the "twin deficits" - say hello to the triplets (pdf)
  • The Dot-Com Bubble, the Reagan Deficits, and the US Currente Account (pdf)

    Na blogosfera, sobre o artigo do "Economist:"
  • Economist's View
  • Rabiscos Econômicos

    Na blogosfera, sobre a "housing bubble":
  • The myth of a global savings glut
  • Are we heading for an economic meltdown?
  • Wow People are Reading - Ricardian Equivalence
  • S. Francisco Bay Area Housing Crash Continues - Why?, do blogue Patrick.net, que é todo ele dedicado à bolha do mercado habitacional e à expectativa do crash.
  • 3 comentários:

    António disse...

    Podemos pensar que as receitas neoliberais, como todas as outras, têm limites?

    J.A. disse...

    Eu creio que sim. Quando a economia neo-clássica refuta que um sistema de planeamento centralizado possa regular a vida económica em sociedade, julgo que tem razão. Mas o pólo oposto - ou seja, que o mercado só por si resolve os problemas - também está por provar.

    Para que assim fosse, os indivíduos teriam de se comportar racionalmente (no sentido em que, perante todas as opções que devem tomar, optam sempre pela que os favorece mais); acontece que o mecanismo neurológico humano, devolvido ao longo de milhões de anos de processo evolutivo, não foi concebido especificamente para a economia de mercado - algo muito recente na história da Humanidade.

    Sendo assim, alguma forma de planeamento económico (e redistribuição de rendimentos pelo Estado) tem de ter lugar.

    António disse...

    Estou perfeitamente de acordo com a sua opinião e acho que este pensamento de Fernando Pessoa vem a propósito:
    1. O homem é um animal irracional, exactamente como os outros. A única diferença é que os outros são animais irracionais simples, o homem é um animal irracional complexo. É esta a conclusão que nos leva a psicologia científica, no seu estado actual de desenvolvimento. O subconsciente, inconsciente, é que dirige e impera, no homem como no animal. A consciência, a razão, o raciocínio são meros espelhos. O homem tem apenas um espelho mais polido que os animais que lhe são inferiores.
    2. Sendo assim, toda a vida social procede de irracionalismos vários, sendo absolutamente impossível (excepto no cérebro dos loucos e dos idiotas) a ideia de uma sociedade racionalmente organizada, ou justiceiramente organizada, ou, até, bem organizada.
    http://citador.weblog.com.pt/arquivo/208858.html