
Aula do Comércio (1759-1844): Primeiro Estabelecimento Governamental de Ensino de Contabilidade
Apresentação da professora Lúcia Lima Rodrigues, disponível aqui →


«Em anos recentes os consumidores foram-se habituando a beneficiar de "borlas" online, dos mais variados tipos: notícias, música, e-mail e até acesso rápido à internet. Actualmente, contudo, as dotcoms não estão a ser notícia por causa de novas "borlas", mas por despedimentos e anúncios de que passarão a cobrar pelos seus serviços.
»Estas palavras apareceram no The Economist de Abril de 2001 mas aplicam-se à actualidade. Durante a explosão das dotcoms espalhou-se a ideia de que, afinal, poderia haver almoços grátis, ou, pelo menos, serviços da Internet gratuitos. Foram então surgindo empresas que ofereciam conteúdos e serviços em linha, na esperança de que poderiam, eventualmente, "monetarizar" os milhões de visitas com promoção publicitária. Mas as coisas não seguiram esse caminho e o resultado foi o crash das dotcoms. As empresas tentaram então outros modelos de negócio, tal como o de cobrar pelos acessos, mas poucas tiveram sucesso nessa via.
«Voltou então tudo ao princípio a partir de 2004, com a entrada do Google na bolsa, empolando uma nova bolha "Web 2.0". A capacidade do Google em colocar pequenos textos publicitários junto dos resultados das buscas na Internet, bem como em outros sites, significava que muitos dos modelos de negócio que tinha sucumbido à crise dotcom, afinal podiam regressar das tumbas — parecia que se podia ganhar mesmo dinheiro com publicitade na net desde que se lidasse convenientemente com o problema, fazendo o outsource para o Google. A razão pela qual não tinha funcionado inicialmente, concluiu-se, tinha sido a insuficiência das ligações em banda larga. A busca recomeçou e emergiu uma então série de novas empresas: MySpace, YouTube, Facebook e agora o Twitter. Cada um delas fornecia serviços gratuitos para atrair largas audiências que poderiam, a dada altura — indefinidada no tempo — atrair grandes montantes de retorno publicitário. A verdade é que tinha funcionado com o Google. Os almoços grátis estavam de volta.
«Mas agora a fria realidade volta a atacar. O número de empresas que pode ser sustentada com rendimentos provenientes de publicidade na Internet parece ser muito menor do que se pensava e tudo indica que Silicon Valley está a entrar de novo num "inverno nuclear". (...)Artigo no The Economist →
Em tempos a Religião propugnava a salvação pela abstinência. Com a recente crise parece que a salvação poderá estar no pólo oposto: consumo, consumo, consumo! Se assim for, será uma grande ironia, pois continuamos a ouvir que a nossa economia anda a ser — erradamente — sustentada por um consumo suportado em endividamento externo (... volta Keynes, que estás perdoado...)
"Na América, onde os consumidores femininos representam mais de 80% das compras de uso geral [discretionary], as empresas começaram a dotar os seus produtos e mensagens com apelos ao sector feminino, num esforço para ampliar as vendas. A Frito-Lay, uma companhia de snack-food detida pela PepsiCo, lançou uma campanha designada "Only In A Woman’s World", para convencer as mulheres de que as batatas fritas e as pipocas não são apenas para adeptos de futebol masculinos. A OfficeMax, segundo maior fornecedor de artigos de escritório nos EUA, redesenhou os seus bloco-notas e suportes de ficheiros para atrair as mulheres e desenvolveu anúncios encorajando-as a tornar os seus cubículos mais coloridos. Pela primeira vez, a McDonald’s patrocinou a New York Fashion Week, em Fevereiro último, promovendo uma nova linha de bebidas para mulheres." »»»
| Diga: a crise começou em: | 1991 〈 2001 〈 2008 〈 |

«A Ciência progride por tentativa e erro. Porém, enquanto os sucessos são amplamente apregoados, os erros são frequentemente encarados com embaraço pelas gerações subsequentes e relegados para os sótãos da memória, tal como os familiares loucos de uma novela vitoriana. Normalmente ficam esquecidos por lá, como fantasmas. A craniologia, a frenologia e a eugenia, que em tempos foram respeitáveis áreas de estudo e passaram depois a ser encaradas com sobressalto, reaparecem de tempos a tempos, mas poucas pessoas sãs lhes prestam atenção. Um desses fantasmas, contudo, reapareceu mais uma vez, e tenta a sua reabilitação. Durante anos, a fisiognomia — a ideia de que o rosto de uma pessoa reflecte o seu carácter — tem sido encarada com desprezo. Mas ressurgiu uma vez mais.Pergunta: será que a capacidade ilusionista dos banqueiros/bancários também se revela nos seus rostos?
«Certamente que as aparências contam. As mulheres, por exemplo, avaliam os homens pelos seus rostos. Os níveis de testosterona são reflectidos no rosto, e ser visto como uma companhia apenas para uma noite ou como um potencial marido, depende em parte do aspecto físico. Do mesmo modo, o rosto de um macho revela a agressividade subjacente do dono e até mesmo a sua perspicácia para o negócio. A beleza facial, em ambos os sexos, é também associada a rendimentos elevados. A investigação mais recente, contudo, vai direita ao aspecto moral. Jefferson Duarte, da Rice University (Houston), e os seus colegas sugerem que uma das características morais mais reveladoras, a capacidade creditícia [creditworthiness], também é revelada pelos rostos.»artigo — The Economist

«Ken Carroll está a por em causa uma das crenças da economia global: a de que todos nós precisamos de aprender Chinês (Mandarim) para conquistar o maior mercado mundial — mas que aprender Chinês é muito aborrecido. Ken Carroll, um professor de línguas em Shangai que se transformou num empreendedor da Internet, diz que não tem de ser necessariamente assim: foi pioneiro na criação de um método que recorre ao podcast para aprender Mandarim, e quase um quarto de milhão de pessoas recorre agora ao Chinesepod.com, que envia diariamente lições de Mandarim para iPods e Google phones.»artigo no Financial Times
Você está sentado numa sala com mais 10 pessoas que parecem concordar num dado assunto, mas você tem uma opinião contrária. Você manifesta-se? Ou simplesmente segue os outros?
As técnicas de imagiologia ajudam os cientistas a olhar na base para os princípios da psicologia social no cérebro. Décadas de investigação mostram que as pessoas tendem a seguir o ponto de vista da maioria, mesmo se esse ponto de vista estiver objectivamente errado. Agora os cientistas complementam essas teorias com imagens do cérebro.
Um novo estudo publicado na revista Neuron mostra que quando uma pessoa tem uma opinião diferente dos outros, num dado grupo, o seu cérebro produz um sinal de erro. Uma zona do cérebro popularmente apelidada como "oops area" torna-se extra-activa, enquanto que a actividade duma "zona de recompensa" abranda, fazendo-nos pensar que estamos a ser demasiadamente diferentes.
«Podemos provar que um desvio relativamente à opinião do grupo é reconhecida pelo cérebro como um 'castigo'», afirma Vasily Klucharev, estudante de pós-doutoramento no F. C. Donders Centre for Cognitive Neuroimaging na Radboud University Nijmegen, na Holanda, principal responsável pelo estudo.artigo no CNN.com/Health

Estamos actualmente a sofrer devido a problemas económicos que são piores do que aqueles que nos atormentavam há 35 anos, quando se formou a Eastern Economic Association. Desde então, não fizemos grandes progressos no sentido de desenvolver métodos de observação e de análise que fariam da Economia uma verdadeira ciência empírica, proporcionando meios para melhores políticas. Muita, se não a maioria, da actividade da profissão está ainda focada nas vias tradicionais de fazer micro (sentados numa cadeira e inventando) e macro (pretendendo que a economia é uma só pessoa, ainda que grande). O facciosismo ainda abunda na profissão, apoiado em tendências políticas. Os economistas comportamentalistas e experimentalistas partem do princípio de que podemos aprender o que necessitamos saber acerca de negócios através da observação de estudantes envolvidos em jogos concebidos pelos seus professores. A Neuroeconomia não passa de uma questionável diversão relativamente ao que deveriamos estar a fazer. Muito poucos economistas estão ocupados na observação directa dos negócios, tal como efectivamente se realizam. É necessário fazer mais deste trabalho.Barbara Bergmann
The Economy and the Economics Profession: Both Need Work
Midbrain Mutiny: The Picoeconomics and Neuroeconomics of Disordered Gambling
«O sector financeiro encontrava-se num processo de adaptação ao risco (...) É um processo insidioso, e não se tem consciência dele. Ser dependente dos resultados [returns], ser dependente do risco, ser dependente da cocaína — é tudo o mesmo, no que respeita ao cérebro.»
Em 1970 o Ginásio Clube do Sul comemorou o seu cinquentenário. No âmbito das comemorações foram organizados uns Jogos Florais Juvenis, sob o lema: "Tem a Palavra a Juventude". Os vencedores receberam os prémios numa sessão cultural referida na edição do Jornal de Almada de 6 de Junho, e nesta mesma edição foram publicados os trabalhos premiados, entre os quais se conta um pequeno ensaio (na altura dir-se-ia "redacção") de um menino de 13 anos, José Manuel Durão Barroso, actual presidente da Comissão Europeia.
Tendo como título "A Escola como Meio de Promoção Social", o artigo começa por referir que "Grandes homens idealizaram e continuam a idealizar a chamada «sociedade ideal». Mas, por muito geniais que sejam os homens que pensam numa sociedade melhor, a verdade é que não passam de homens e os planos por eles tão genialmente concebidos são muito dificilmente postos em prática".
Derivando depois para o papel da Escola, que o menino Durão Barroso enaltece, apresenta exemplos sobre a importância informativa e formativa de certas disciplinas, tais como a Geometria, a qual "educa o espírito, modera-o, torna as pessoas mais sensatas e fá-las fazer afirmações unicamente quando as podem provar." (*)
O menino José Manuel talvez não tivesse ainda estudado para o exame de Geometria, porque logo a seguir faz uma afirmação difícil de provar: "É na escola, como se sabe, que surge a verdadeira camaradagem e convívio e é assim que meninos pequeninos, que dantes viviam presos ao amor maternal, são agora mais sociáveis."
Será que a escola faz os meninos mais sociáveis do que o ambiente familiar? Quase que se fica na dúvida, depois de ler o apelo com que o menino Durão Barroso finaliza o seu ensaio: "termino pedindo a todos, rapazes e raparigas, que se compenetrem da missão que a sua geração tem a realizar e que enfrentem a escola com uma cara menos enfadonha e aterrorizada."
Digam lá se não era já um discurso de líder? Uma coisa é certa: para um menino de 13 anos, em 1970, era uma bela prosa.
| PIB - taxas de variação homóloga - 2008 | ||||
| I | II | III | IV | |
| Alemanha | 2,8 | 2,0 | 0,8 | -1,6 |
| Áustria | 2,5 | 2,1 | 1,4 | 0,5 |
| Bélgica | 1,9 | 1,9 | 1,2 | -0,5 |
| Espanha | 2,7 | 1,8 | 0,9 | -0,7 |
| EUA | 2,5 | 2,1 | 0,7 | -0,2 |
| Finlândia | 2,6 | 2,2 | 1,4 | : |
| França | 2,1 | 1,2 | 0,6 | -1,0 |
| Grécia | 3,1 | 3,5 | 2,9 | 2,6 |
| Irlanda | -1,2 | -0,7 | 0,1 | : |
| Itália | 0,3 | -0,4 | -1,1 | -2,6 |
| Japão | 1,4 | 0,6 | -0,2 | -4,6 |
| Luxemburgo | 0,9 | 2,4 | 0,0 | : |
| Países Baixos | 3,6 | 3,3 | 1,9 | -0,6 |
| Portugal | 0,9 | 0,6 | 0,5 | -2,1 |
| Reino Unido | 2,6 | 1,7 | 0,3 | -1,8 |
| Fonte: INE | ||||
«Os textos que aqui apresentei servem para demonstrar dois pontos de vista quase antagónicos: um mais catastrófico, de Adelino Fortunato, prevendo a explosão de uma bolha financeira sustentada na especulação imobiliária; e outro, de João Aldeia, que tenta desmontar a opinião do primeiro acusando-a de fazer política da terra queimada e como sendo um resíduo do esquerdismo revolucionário, chegando a considerar o diagnóstico de Adelino Fortunato completamente errado.Talvez valha a pena ler, aqui »»
«Passados 4 anos, o texto de Adelino Fortunato assume um carácter premonitório, enquanto a argumentação contrária é praticamente esvaziada pela forma avassaladora como a crise financeira se instalou.»
( Carlos Macedo no blog Varam'ess'aiola )

É evidente que a culpa é dos alemães: para começar, não foram eles que cá colocaram a Qimonda? É só fazer contas.«Relativamente à Qimonda [...] eu fiz tudo, mas rigorosamente tudo o que era possível e estava convencido que a situação iria resolver-se, mas, para tal, era necessário que o governo central alemão também tivesse feito a sua parte»
Manuel Pinho, ministro da Economia

| O caderno de Economia do jornal Público de hoje inclui um excelente artigo da jornalista Ana Rute Siva sobre a participação de Paul Krugman no estudo sobre a economia portuguesa, realizado pelo MIT em 1976, e a que fiz referência no post anterior. Devido à publicação aqui feita de parte do relatório elaborado por Krugman, Miguel Beleza e outros, o Público faz uma referência ao blog Pura Economia, que muito agradeço. |
Paul Krugman, o economista a quem foi (finalmente) atribuído o prémio Nobel, esteve em Portugal em 1976, juntamente com outros alunos de doutoramento do MIT (Andrew Abel, Luís Beleza, Jeffrey Frankel, Raymond Hill) sob a orientação de Dornbush, Eckaus, Solow e outros. Este grupo elaborou para o Banco de Portugal o relatório "A economia portuguesa: evolução recente e situação actual", de 6 de Agosto de 1976. Apesar de não se depreender do título, o relatório sugere algumas medidas de política económica "destinadas a reduzir o défice [externo] em 1977" e a tornar a economia portuguesa "mais capaz de concretizar as esperanças da revolução de 25 de Abril de 1974".
Apresentam-se a seguir cópias da página de agradecimentos (entre outros, a Amílcar Theias, mais tarde meteórico ministro do Ambiente) e do Prefácio subscrito por E. Cary Brown, Rudiger Dornbusch, Richard C. Eckaus, Robert M. Solow e Lance J. Taylor.
Ao contrário do que já ouvi dizer a J. Braga de Macedo — que nessa altura o "pessoal de Economicas" [actual ISEG] desprezou o Krugman — o relatório foi estudado e utilizado para reprodução dos modelos económicos, na cadeira de Economia Pública, de Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite. Krugman era apenas um investigador desconhecido, e a economistas como Dornbush e Solow era reconhecido muito mérito.
Agradecimentos | Prefácio (1) | Prefácio (2) |
Prefácio (3) | Prefácio (4) |
A Ciência terá limites ? Gulbenkian, 25 e 26 de Outubro | |
| 25 Out. | 26 Out. |
![]() 10:30 (Conferência de abertura) 15h00 A teoria das cordas e o paradoxo da não-verificabilidade 17h00 Que progressos nas ciências da vida? | 09h30 Incompletude e inconsistência e os limites da Ciência" 12h00 15h00 O nosso entendimento sobre o lugar do homem no universo 17h00 Diálogo de encerramento |
Página da conferência | |
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