quinta-feira, março 12, 2009

Empreendedorismo
«Ken Carroll está a por em causa uma das crenças da economia global: a de que todos nós precisamos de aprender Chinês (Mandarim) para conquistar o maior mercado mundial — mas que aprender Chinês é muito aborrecido. Ken Carroll, um professor de línguas em Shangai que se transformou num empreendedor da Internet, diz que não tem de ser necessariamente assim: foi pioneiro na criação de um método que recorre ao podcast para aprender Mandarim, e quase um quarto de milhão de pessoas recorre agora ao Chinesepod.com, que envia diariamente lições de Mandarim para iPods e Google phones

artigo no Financial Times

quarta-feira, março 11, 2009

Teoria do Rebanho

     Você está sentado numa sala com mais 10 pessoas que parecem concordar num dado assunto, mas você tem uma opinião contrária. Você manifesta-se? Ou simplesmente segue os outros?
     As técnicas de imagiologia ajudam os cientistas a olhar na base para os princípios da psicologia social no cérebro. Décadas de investigação mostram que as pessoas tendem a seguir o ponto de vista da maioria, mesmo se esse ponto de vista estiver objectivamente errado. Agora os cientistas complementam essas teorias com imagens do cérebro.
     Um novo estudo publicado na revista Neuron mostra que quando uma pessoa tem uma opinião diferente dos outros, num dado grupo, o seu cérebro produz um sinal de erro. Uma zona do cérebro popularmente apelidada como "oops area" torna-se extra-activa, enquanto que a actividade duma "zona de recompensa" abranda, fazendo-nos pensar que estamos a ser demasiadamente diferentes.
     «Podemos provar que um desvio relativamente à opinião do grupo é reconhecida pelo cérebro como um 'castigo'», afirma Vasily Klucharev, estudante de pós-doutoramento no F. C. Donders Centre for Cognitive Neuroimaging na Radboud University Nijmegen, na Holanda, principal responsável pelo estudo.

artigo no CNN.com/Health

Estamos actualmente a sofrer devido a problemas económicos que são piores do que aqueles que nos atormentavam há 35 anos, quando se formou a Eastern Economic Association. Desde então, não fizemos grandes progressos no sentido de desenvolver métodos de observação e de análise que fariam da Economia uma verdadeira ciência empírica, proporcionando meios para melhores políticas. Muita, se não a maioria, da actividade da profissão está ainda focada nas vias tradicionais de fazer micro (sentados numa cadeira e inventando) e macro (pretendendo que a economia é uma só pessoa, ainda que grande). O facciosismo ainda abunda na profissão, apoiado em tendências políticas. Os economistas comportamentalistas e experimentalistas partem do princípio de que podemos aprender o que necessitamos saber acerca de negócios através da observação de estudantes envolvidos em jogos concebidos pelos seus professores. A Neuroeconomia não passa de uma questionável diversão relativamente ao que deveriamos estar a fazer. Muito poucos economistas estão ocupados na observação directa dos negócios, tal como efectivamente se realizam. É necessário fazer mais deste trabalho.

Barbara Bergmann
The Economy and the Economics Profession: Both Need Work

segunda-feira, março 09, 2009

Picoeconomia

Midbrain Mutiny: The Picoeconomics and Neuroeconomics of Disordered Gambling
Don Ross, Carla Sharp, Rudy E. Vuchinich e David Spurrett


     A Picoeconomia, ou análise dos padrões de consumo, é definida pelos autores deste livro como a «modelação das escolhas intertemporais num mercado sub-pessoal [subpersonal] onde o equilíbrio entre os diferentes interesses é atingido através da negociação». Dito assim, parece a definição da economia de mercado, mas é apenas mais uma teoria que vai recuperar o famigerado homo æconomics. A investigação integra-se na corrente da Neuroeconomia, com apoio de investigação laboratorial por recurso a técnicas de imagiologia.
     Segundo uma recensão publicada pela revista JASSS (ler —>), o livro enumera os "métodos que os humanos adoptam para auto-controlo e para evitar uma gama de escolhas excessiva de soluções de curto prazo: as regras pessoais de comportamento auto-impostas são aquelas em que os autores se focam mais extensivamente, e são de facto as estratégias nas quais, ao longo do livro, se baseia o conceito de que o comportamento é um equilíbrio entre jogos de negociação entre interesses sub-pessoais".
     Segundo a recensão da MIT Press (ler —>), "o livro descreve a dependência patológica [addiction] como uma disfunção crónica do equilíbrio entre o sistema dopamínico do cérebro médio [midbrain] e o sistema serotogénico frontal e pré-frontal, e revê recente evidência de investigações sobre a eficácia de drogas anti-dependência. Os autores argumentam que a melhor maneira de compreender a dependência patológica do jogo [gambling] é utilizando um modelo um modelo híbrido picoeconómico-neuroeconómico".
Does Macroeconomics Need Microeconomic Foundations? [pdf]
Sérgio da Silva

Era uma vez uma época em que havia a ideia de que a macroeconomia se apoiava na microeconomia, e havia também quem dissesse que a macroeconomia nem sequer existia, apenas micro (cujos resultados, somados, resultavam apenas numa "economia dos grandes agregados": João César das Neves). Agora temos um investigador brasileiro a inverter a situação: é a microeconomia que necessita de fundamentos, e não a macroeconomia: as preferências necessitam de ser fundamentadas na biologia e, emparticular, na Neurociência.








Esta douta "sentença" foi divulgada por Carlos Fiolhais no seu blogue De Rerum Natura, sob o título "ignorância matemática". É de facto inacreditável que um meritíssimo Juiz não saiba que 1/5 é maior do que 1/6. Nos meus tempos do ensino secundário dizia-se que a principal vantagem da matemática era atingir a "noção de potência" (humor juvenil...) mas este magistrado parece não ter chegado sequer a atingir a "noção de fracção".

quarta-feira, março 04, 2009

Risco-dependentes

«O sector financeiro encontrava-se num processo de adaptação ao risco (...) É um processo insidioso, e não se tem consciência dele. Ser dependente dos resultados [returns], ser dependente do risco, ser dependente da cocaína — é tudo o mesmo, no que respeita ao cérebro.»

Esta é a tese de Gregory Berns, professor na Emory University de Atlanta, especialista em Neuroeconomia, que falou na cimeira de Davos — Ver despacho.

«A parte do cérebro que é rica em dopamina ocupa-se de proporcionar às pessoas euforia [buzz] quando fazem algo que valorizam. Obter dinheiro pode proporcionar esta euforia, tal como correr riscos. Mas, infelizmente, depois de se ter atingido um dado nível de riqueza necessitamos de uma dose maior para obter a mesma "pedrada" [kick], tal como nos habituamos a correr riscos que, anteriormente, seriam excitantes e poderiam levar-nos a recolher as velas.»

Gregory Berns é autor do livro  Iconoclast: A Neuroscientist Reveals How to Think Differently .

A redacção do menino Zé Manel

      Em 1970 o Ginásio Clube do Sul comemorou o seu cinquentenário. No âmbito das comemorações foram organizados uns Jogos Florais Juvenis, sob o lema: "Tem a Palavra a Juventude". Os vencedores receberam os prémios numa sessão cultural referida na edição do Jornal de Almada de 6 de Junho, e nesta mesma edição foram publicados os trabalhos premiados, entre os quais se conta um pequeno ensaio (na altura dir-se-ia "redacção") de um menino de 13 anos, José Manuel Durão Barroso, actual presidente da Comissão Europeia.
      Tendo como título "A Escola como Meio de Promoção Social", o artigo começa por referir que "Grandes homens idealizaram e continuam a idealizar a chamada «sociedade ideal». Mas, por muito geniais que sejam os homens que pensam numa sociedade melhor, a verdade é que não passam de homens e os planos por eles tão genialmente concebidos são muito dificilmente postos em prática".
      Derivando depois para o papel da Escola, que o menino Durão Barroso enaltece, apresenta exemplos sobre a importância informativa e formativa de certas disciplinas, tais como a Geometria, a qual "educa o espírito, modera-o, torna as pessoas mais sensatas e fá-las fazer afirmações unicamente quando as podem provar." (*)
      O menino José Manuel talvez não tivesse ainda estudado para o exame de Geometria, porque logo a seguir faz uma afirmação difícil de provar: "É na escola, como se sabe, que surge a verdadeira camaradagem e convívio e é assim que meninos pequeninos, que dantes viviam presos ao amor maternal, são agora mais sociáveis."
      Será que a escola faz os meninos mais sociáveis do que o ambiente familiar? Quase que se fica na dúvida, depois de ler o apelo com que o menino Durão Barroso finaliza o seu ensaio: "termino pedindo a todos, rapazes e raparigas, que se compenetrem da missão que a sua geração tem a realizar e que enfrentem a escola com uma cara menos enfadonha e aterrorizada."
      Digam lá se não era já um discurso de líder? Uma coisa é certa: para um menino de 13 anos, em 1970, era uma bela prosa.


(*) Algumas pessoas argutas não deixarão de relacionar esta afirmação com a famigerada Cimeira dos Açores, para acabar com as "armas de destruição maciça" no Iraque, mas é preciso ter em conta que a Geometria do século XXI é muito diferente daquela outra: trata-se agora da denominada "Geometria variável"... Lembram-se, decerto, do que costumam responder os feirantes quando algum jornalista lhes pergunta quanto é que auferiram: «Bem, isso é muito variável». Ora aí está.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

PIB - taxas de variação homóloga - 2008
 I    II    III    IV    
 Alemanha 2,8 2,0 0,8 -1,6
 Áustria 2,5 2,1 1,4 0,5
 Bélgica 1,9 1,9 1,2 -0,5
 Espanha 2,7 1,8 0,9 -0,7
 EUA 2,5 2,1 0,7 -0,2
 Finlândia 2,6 2,2 1,4 :
 França 2,1 1,2 0,6 -1,0
 Grécia 3,1 3,5 2,9 2,6
 Irlanda -1,2 -0,7 0,1 :
 Itália 0,3 -0,4 -1,1 -2,6
 Japão 1,4 0,6 -0,2 -4,6
 Luxemburgo 0,9 2,4 0,0 :
 Países Baixos 3,6 3,3 1,9 -0,6
 Portugal 0,9 0,6 0,5 -2,1
 Reino Unido 2,6 1,7 0,3 -1,8
 Fonte: INE

Ano eleitoral

O debate de ideias ao "serviço" da campanha eleitoral do Bloco de Esquerda
     «Os textos que aqui apresentei servem para demonstrar dois pontos de vista quase antagónicos: um mais catastrófico, de Adelino Fortunato, prevendo a explosão de uma bolha financeira sustentada na especulação imobiliária; e outro, de João Aldeia, que tenta desmontar a opinião do primeiro acusando-a de fazer política da terra queimada e como sendo um resíduo do esquerdismo revolucionário, chegando a considerar o diagnóstico de Adelino Fortunato completamente errado.
     «Passados 4 anos, o texto de Adelino Fortunato assume um carácter premonitório, enquanto a argumentação contrária é praticamente esvaziada pela forma avassaladora como a crise financeira se instalou.»
( Carlos Macedo no blog Varam'ess'aiola )
Talvez valha a pena ler, aqui »»

quarta-feira, fevereiro 18, 2009


     Há standards no Jazz e há standards para o ensino da Economia: uma clara definição de conceitos, princípios e leis básicas. Não limitam o que o docente pode ensinar, mas constituem uma espécie de "serviços mínimos" para o ensino dos princípios básicos da Disciplina. É claro que os Programas das disciplinas de introdução à Economia têm implícitos estes mesmos princípios, mas seria mais útil se estes "mínimos" ficassem claramente definidos.
     Acreditam que há alunos da matéria que, terminada a licenciatura, não sabem definir algumas destas coisas básicas, tais como a Produtividade? Não sabem ou "já não se lembram bem". O que não os impede de ter uma opinião sobre se a produtividade da economia portuguesa está boa ou má. "Está má, é evidente", adiantam, sem contudo conseguirem definir os contornos da evidência.
     Também há quem pense que aprender conceitos é uma perda de tempo. Qual a necessidade de definir o que é um Banco se não faz falta para nos sentarmos em cima de um?
«Relativamente à Qimonda [...] eu fiz tudo, mas rigorosamente tudo o que era possível e estava convencido que a situação iria resolver-se, mas, para tal, era necessário que o governo central alemão também tivesse feito a sua parte»
Manuel Pinho, ministro da Economia
É evidente que a culpa é dos alemães: para começar, não foram eles que cá colocaram a Qimonda? É só fazer contas.

sexta-feira, outubro 24, 2008

fotografia alojada em www.flickr.com
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O caderno de Economia do jornal Público de hoje inclui um excelente artigo da jornalista Ana Rute Siva sobre a participação de Paul Krugman no estudo sobre a economia portuguesa, realizado pelo MIT em 1976, e a que fiz referência no post anterior. Devido à publicação aqui feita de parte do relatório elaborado por Krugman, Miguel Beleza e outros, o Público faz uma referência ao blog Pura Economia, que muito agradeço.

terça-feira, outubro 14, 2008

A Economia ao serviço das Esperanças de Abril

     Paul Krugman, o economista a quem foi (finalmente) atribuído o prémio Nobel, esteve em Portugal em 1976, juntamente com outros alunos de doutoramento do MIT (Andrew Abel, Luís Beleza, Jeffrey Frankel, Raymond Hill) sob a orientação de Dornbush, Eckaus, Solow e outros. Este grupo elaborou para o Banco de Portugal o relatório "A economia portuguesa: evolução recente e situação actual", de 6 de Agosto de 1976. Apesar de não se depreender do título, o relatório sugere algumas medidas de política económica "destinadas a reduzir o défice [externo] em 1977" e a tornar a economia portuguesa "mais capaz de concretizar as esperanças da revolução de 25 de Abril de 1974".
     Apresentam-se a seguir cópias da página de agradecimentos (entre outros, a Amílcar Theias, mais tarde meteórico ministro do Ambiente) e do Prefácio subscrito por E. Cary Brown, Rudiger Dornbusch, Richard C. Eckaus, Robert M. Solow e Lance J. Taylor.
     Ao contrário do que já ouvi dizer a J. Braga de Macedo — que nessa altura o "pessoal de Economicas" [actual ISEG] desprezou o Krugman — o relatório foi estudado e utilizado para reprodução dos modelos económicos, na cadeira de Economia Pública, de Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite. Krugman era apenas um investigador desconhecido, e a economistas como Dornbush e Solow era reconhecido muito mérito.



Agradecimentos

Prefácio (1)

Prefácio (2)

Prefácio (3)

Prefácio (4)

terça-feira, outubro 23, 2007


A Ciência terá limites ?
Gulbenkian, 25 e 26 de Outubro
25 Out.26 Out.


10:30
  • George Steiner
    (Conferência de abertura)


    15h00 A teoria das cordas e o paradoxo da não-verificabilidade
  • Dieter Lüst: "Previsibilidade do panorama das cordas em Física das Partículas e em Cosmologia"
  • Peter Woit: "A teoria das cordas e a crise da Física das Partículas"


    17h00 Que progressos nas ciências da vida?
  • Gerald Edelman: "Da dinâmica do cérebro à consciência: nenhum limite à vista"
  • Wolf Singer: "Desafios nas Neurociências"



  • 09h30 Incompletude e inconsistência
  • Luis Alvarez-Gaumé: "Ideias e falsidades acerca da teoria das cordas
    e os limites da Ciência"
  • Lewis Wolpert: "Quanto precisamos de saber acerca das células? "


    12h00
  • Helga Nowotny: "A produção do conhecimento e as suas condicionantes: considerações epistémicas e societais


    15h00 O nosso entendimento sobre o lugar do homem no universo
  • Eörs Szathmáry: "Origens, perspectivas e limitações da Humanidade"
  • John Horgan: "O código neuronal, o último grande problema da ciência"


    17h00 Diálogo de encerramento
  • Freeman Dyson
  • Laura Bossi
  • Jean-Pierre Luminet

  • Página da conferência

    terça-feira, outubro 16, 2007



    Os EUA continuam a dar cartas na teoria económica, acumulando Nobeis com a mesma rapidez com que os coelhos se reproduzem. Ainda por cima, prémios concedidos pela "boa velha Europa" (supostamente...)

    Mas há um lado positivo nisto: quando se der o colapso (pelos mercados financeiros ou pelo esgotamento das matérias-primas) e se iniciar a caça aos economistas, sempre poderemos dizer: a culpa foi dos americanos.

    segunda-feira, outubro 15, 2007

    Nobel da Economia

    Roger Meyerson
    Nasceu em 1951, formou-se em Matemática em Harvard, trabalhou em Cambridge e desde 2007 é professor na Universidade de Chicago

    Leonid Hurwicz
    Nascido em 1917, em Moscovo, mudou-se para os Estados Unidos na década de 1940. Hurwicz é cidadão americano e professor emérito de Economia na Universidade de Minnesota
    Eric Maskin
    Nascido em 1950, em Nova Iorque, formou-se em Matemática em 1976 pela Universidade de Harvard. Trabalhou em Cambridge e desde 2000 desempenha o cargo de professor de Ciências Sociais em Princeton.

    O Prémio Nobel da Economia foi atribuído a três economistas norte-americanos: Leonid Hurwicz, Eric Maskin e Roger Myerson foram galardoados por terem «criado as bases da teoria do desenho de mecanismos».

    «Segundo o comunicado, a teoria permite aos economistas distinguir situações em que os mercados operam bem de outras em que não operam. "Hoje, a teoria do desenho dos mecanismos desempenha um papel central em muitas áreas da economia e em partes da ciência política"».

    domingo, outubro 14, 2007


    Manuela Arcanjo

    Ao mesmo tempo que no Quelhas se inicia uma sessão sobre o Nobel da Economia de 2007 (17 Outubro, 15 horas), na Ordem dos Médicos a professora Manuela Arcanjo fará uma conferência sobre o tema: «Influência dos meios de controlo electrónico de presenças sobre a produtividade – a versão do economista».

    Já antes tinhamos o "imperialismo da Economia" (o individualismo metodológico dos economistas a "explicar" tudo e mais alguma coisa). Depois veio a Lei que permite aos economistas entrar para o território da medicina, e agora vemos uma ilustre economista a ensinar os médicos a picar o ponto. Como os médicos manifestaram opinião contrária ao "ponto electrónico", fica a curiosidade de saber se a professora Manuela Arcanjo lhes irá dar razão.

    Adenda - ao reler o texto ocorreu-me o seguinte: a expressão "a versão do economista" não será demasiadamente relativista (no sentido em que haveria também a versão do médico, do jurista, do informático...)? E acaso todos os economistas pensam o mesmo sobre este assunto?
    Na senda da destreza das dúvidas também arrisco a minha aposta para o Nobel da Economia: William Baumol. Em coerência com o dogma, é uma escolha puramente egoista: como andei a ler alguma coisa do senhor, poupar-me-ia ao trabalho humilhante ir a correr ver quem é a nova estrela do passeio da fama. Ou de ir à sessão de esclarecimento de Económicas, embora seja sempre emocionante voltar ao Quelhas. (O laureado será conhecido no próximo dia 16 15, a sessão no dia 17).

    E a propósito: aqui fica uma foto do ISCEF, in illo tempore (1963):

    fotografia alojada em www.flickr.com
    [ foto de Armaldo Madureira - clique para ampliar ]

    sexta-feira, outubro 12, 2007


    Vitor Constâncio no Congresso dos Economistas: os mercados financeiros ainda se conseguem controlar, agora os computadores é que é mais difícil (nem com uma mãozinha da Ordem...)

    Do congresso retive esta frase de Hernâni Lopes: «Quando há dinheiro fácil não há desenvolvimento, há aviltamento». E também a ternura com que o economista chinês Patrick Huen se dirigiu ao seu amigo e anfitrião, tratando-o por "doctor Nabo".

    No geral:
  • excelentes sessões plenárias e mesas redondas — não tanto Manuel Pinho, que comparou o nosso percurso recente às epopeias nórdicas e se proclamou o herói da reestruturação da base produtiva ("stick to the plan", prometeu ele); foi pena Vitor Constâncio não ter tido tempo para falar sobre este domínio.
  • fracas sessões "paralelas" de apresentação de comunicações, com vários oradores a faltar à chamada: será que enviam as comunicações só para os respectivos nomes constarem do programa? Se for assim, também quero.
  • ainda não foi desta que os economistas portugueses chegaram a acordo sobre a carga fiscal: a maioria é a favor da baixa (para dar impulso às empresas e cortar a "mesada" com que o Estado alimenta os vícios), mas Vitor Constâncio é que não deixa.
  • sobre o Congresso pairou o anúncio governamental da previsão para o défice deste ano. No geral as reacções foram: "Sim, mas..." Não sei se o anúncio foi programado para coincidir com o Congresso, mas o timing foi excelente. Miguel Cadilhe falou no "fantasma do antigo Pacto": o governo a tentar cumprir a outrance a meta dos 3%, penalizando desnecessariamente a economia real e desaproveitando a flexibilidade proporcionada pelo novo PEC. Tanto Miguel Cadilhe como Rui Trindade (autor de uma comunicação sobre o produto potencial) asseguraram que Portugal poderia invocar a cláusula de "recessão grave".
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