terça-feira, julho 03, 2007

História

Fazer a "History of Recent Economics", não será um bocadinho prematuro? Bem, mas lá fizeram a sua 1ª conferência anual e as comunicações estão disponíveis em linha. Entre elas "Economic drama: Leonard S. Silk at Business Week", de Tiago Mata, do ISEG, sobre o interessante tema da popularização da Economia enquanto ciência, abordando o caso da revista Business Week. De todas as ciências a Economia (em sentido lato, englobando as diversas 'Gestões') é a que parece ter mais suplementos ou secções dedicadas em jornais. Aplica-se aqui a pergunta de uma canção de Caetano Veloso: "O sol nas bancas de revista / Me enche de alegria e preguiça / Quem lê tanta notícia?"

Outras comunicações sobre temas interessantes:
  • "Why is the public sector so large in market societies?"
  • "The suspicious consistency of Milton Friedman’s science and politics"
  • "Tobin's Keynesianism"
  • "Early development of experimental economics at the interdisciplinary crossroads"
  • "Turn in and return of orthodoxy in recent economics"
  • segunda-feira, julho 02, 2007

         Deve-se tomar a decisão de entrar (ou sair) de uma guerra em função de uma análise económica de custo-benefício? Ou pode-se sequer avaliar a validade de uma guerra na base dessa contabilidade?
         No seu blog dialogal, Becker e Posner escrevem sobre o trade off entre os custos e benefícios da guerra, ou, mais especificamente, do sucesso diplomático versus o custo em mortes. Becker inicia a sua análise com a descrição de uma teoria de Francis M. Bator, um professor de Harvard que entre 1965 e 1967 foi conselheiro de segurança na Casa Branca. Recentemente foi divulgada uma sua short monograph, "No Good Choices: LBJ and the Vietnam/Great Society Connection", que defende a teoria de que ao enviar mais e mais tropas para o Vietame, o presidente L.B. Jonhson não foi vítima de inexperiência, nem foi mal avisado pelos militares, nem estava convencido de que essa era a via para ganhar a guerra, nem sequer esperava derrotar os comunistas. O que o precupava eram os seus programas públicos, designados como "Great Society" (Medicare, "Guerra à Pobreza", "Voting Rights Act", etc), e temia que fossem bloqueados pelo Congresso caso se criasse a ideia de que ele estava a "perder a guerra". Ou seja: fazia-se uma guerra lá longe mas apenas para obter determinados efeitos de política interna. Becker aborda depois a questão de como traduzir em valor monetário as mortes e feridos de guerra, bem como o tal prestígio diplomático (suponho que seja tanto "pela positiva" como "pela negativa", ou seja, que envolva tanto a admiração como o receio que o guerreiro inspira).
         Becker não garante que Bator tem razão, e Posner garante que não tem. Mas se é verdade que ostes posts falam da guerra do Vietname e de L.B.Johnson, também é verdade que podem ter sido escritos a pensar na guerra e ocupação do Iraque. Nesse caso, qual seria a política interna dos EUA que justificaria a guerra?

    O texto de Bator está disponível aqui: "No Good Choices: LBJ and the Vietnam/Great Society Connection". [pdf]

              A curva do negócio

    Note que o tempo nos foges dos dedos,
    veloz como um foguete supersónico.
    Não podemos perder os barcos gregos:
    mantenha-se em contacto telefónico.

    É de prever a curva do negócio:
    conservas para Goa no embarque.
    Sonde-me o Ministério e o Consórcio
    New Manufactur's of Lorenzo Marques.

    Prometa o que quizer, mas verbalmente.
    Sinto que está a ser ultrapassado
    e isso, meu caro, é a morte de um gerente.

    Temos de ir mais depressa, mais depressa!      
    Veja se o Union Bank envia o delegado,
    e ature-me esses tipos da Imprensa.


    Vasco Costa Marques
    in «O mundo possível» (1961)


    Nota: título acrescentado pelo 'Pura Economia'
    Do mesmo autor: "Há um grave problema"

    domingo, julho 01, 2007

    Qualidade de vida nas cidades

    Ainda que "mal acomparado", esta classificação das cidades portuguesas elaborada pela DECO (no âmbito de um estudo que abrangeu 76 cidades de vários países da Europa) parece indicar uma tendência semelhante à que é referida para cidades dos EUA numa entrada mais abaixo (EUA: novo mapa). As três cidades que em Portugal ocupavam o pódio do prestígio há algumas décadas (Lisboa, Porto e Setúbal) estão agora no fim da fila, segundo este estudo.


     Cidades    Índice de Qualidade de Vida
    1Viseu59,86
    + qualidade de vida
    2Castelo Branco57,93
    3Aveiro57,90
    |
    4Bragança57,83
    |
    5V. Castelo            57,71
    |
    6Braga56,39
    |
    7Coimbra55,13
    |
    8Évora54,41
    |
    9Beja53,57
    |
    10Vila Real53,37
    |
    11Leiria53,26
    |
    12Portalegre52,84
    |
    13Guarda51,80
    |
    14Santarém49,93
    |
    15Faro49,50
    |
    16Porto46,45
    |
    17Lisboa45,93
    18Setúbal43,79
    - qualidade de vida
    Fonte: inquérito da DECO

    sábado, junho 30, 2007

    O lado bom das desigualdades

    [ clique para ampliar ]

         Segundo este gráfico, nos EUA, as mulheres obtêm um ganho maior com a formação superior do que o homens. Trata-se de um estudo de Gary Becker e Kevin Murphy, que fala sobre o "lado positivo" da crescente desigualdade de rendimentos. Aparentemente trata-se de uma reedição da curva de "U invertido" de Kuznets. O que este senhor dizia é que o desenvolvimento económico, numa fase inicial, faz aumentar as desigualdades, e só numa segunda fase é que as coisas se ajustam. Isto deu origem ao slogan "dividir o bolo só depois do desenvolvimento" e contrariava as teses desenvolvimentistas de esquerda, que apelavam a dividir o bolo "antes" do desenvolvimento.
         Becker e Murphy dizem que é isso precisamente que está a acontecer na China e na Índia: as desigualdades estão a aumentar devido à explosão do crescimento. Quanto aos EUA, a origem vem da grande procura de pessoas qualificadas, que faz aumentar os rendimentos dos que estudam mais.
         Os autores também encontraram aqui um paradoxo: se mais estudos têm um "pay-off" tão elevado, porque é que não há mais gente a completar estudos superiores? Esta questão também é velha: porque será que as pessoas não se comportam de acordo com os belos modelos de equilíbrio da Economia neo-clássica?. Becker e Murphy respondem deste modo:

    «As respostas a esta questão, bem como a outras questões relacionadas, reside em parte no estilhaçar da famíla americana e nos consequentes baixos níveis adquiridos por muitas crianças na escolas básicas e secundárias - particularmente indivíduos de famílias separadas. As capacidades cognitivas tendem a desenvolver-se em idades muito baixas, enquanto que - tal como mostrou o nosso colega James Heckman - capacidades não cognitivas, como os hábitos de estudo, chegar a tempo aos compromissos e atitudes perante o trabalho, só se adquirem mais tarde, embora ainda enquanto jovens. Muitos dos que abandonam a escola parecem estar seriamente afectados nas capacidades não cognitivas que lhes permitiriam tirar proveito das elevadas taxas de retorno da educação e de outro capital humano.»

         Até parece storytelling, não é? Porém, a verdade é que nos EUA estuda-se muito todo este tipo de questões. Quem é que estará mais ameaçado com o virus do storytelling: aqueles que fazem muitos estudos e se perdem nos dados, ou aqueles (como nós) que não fazem estudos nenhuns e explicam o mundo à volta (e dirigem a política) de acordo com "racionalidades" ideológicas congeminadas por algum economista fora-de-prazo (parafraseando outro economista fora-de-prazo)?

  • "The Upside of Income Inequality"
         Gary S. Becker e Kevin M. Murphy.

    Nota: James J. Heckman, citado no artigo, foi Nobel da Economia em 2000. Juntamente com Alan B. Kruegman e Pedro Carneiro, Heckman é autor do livro "Inequality in America: What Role for Human Capital Policies?".
  • Optimismo

    sexta-feira, junho 29, 2007

    EUA: novo mapa

    O novo "Mapa económico da América": uma visão curiosa, onde se pode verificar que o México já não existe, engolido pelas ondinhas do mar. Em todo o caso o desenho é para aqui convocado a propósito do artigo "The New Economic Map of America", que reza o seguinte:

         «A geografia da economia americana está em constante mudança. Agora chegou a vez do interior se vingar das grandes urbes das costas Este e Oeste. Cidades como Sioux Falls, South Dakota e St. George (Utah) são as vencedoras. As perdedoras são cidades ‘hip’ tais como Boston e São Francisco, que parece ainda não se terem apercebido disso.
         «Se lhes perguntarem quais as cidades que são as grandes campeãs económicas, quase toda a gente que leia jornais ou assista aos noticiários televisivos nomeará sítios como Nova Iorque, São Francisco, Boston e Washington, onde os preços dos condomínios e vivendas escalaram e os ricos tiveram a "sorte grande" ao alavancarem os seus activos imobiliários.
         «Mas na realidade os verdadeiros pontos quentes encontram-se espalhados pela grande paisagem americana que os media baseados em Manhattan desconhecem. A escalada dos preços dos condomínios constitui um fenómeno menor e provavelmente transitório. Na nova geografia económica da América a maioria dos vencedores está no interior; e os perdedores encontram-se nas costas densamente povoadas.
         «Em 2005 havia menos pessoas empregadas em Nova Iorque do que em 1969. No mesmo período, nos EUA como um todo, criaram-se 61 milhões de empregos, um acréscimo de 87%. O verdadeiro crescimento desde os anos 1990 ocorreu em lugares como Sioux Falls, Reno, Boise. Estas cidades beneficiaram igualmente do aumento sem precedentes dos valores do imobiliário mas, ao contrário das cidades costeiras, também ganharam empregos numa grande variedade de sectores, desde a construção comercial até à alta tecnologia e serviços comerciais de topo.
         «Entre 1994 e 2005 a área de Phoenix expandiu o emprego em 52%, Orlando em 48%, Charlotte em 31%, Boise 44%, Reno 36%, Houston 25% e Las Vegas uns extraordinários 86%. Comparativamente, Nova Iorque e a grande Chicago expandiram-se na ordem de apenas um dígito, enquanto que as áreas de Cleveland, Baltimore, Detroit e Filadélfia perderam empregos. Não é pois de surpreender que muitas pessoas - particularmente jovens famílias - estejam a abandonar as cidades de crescimento lento.»
    (...)

    O artigo completo encontra-se na American.com.

    Mark Blaug [7]


         Mark Blaug

    P - Em que sentido específico é que andámos para trás?
    MB - No sentido de que a Economia, enquanto disciplina completamente formalística, desencoraja estudantes de a prosseguir. Não sei da América, mas na Europa a Economia infelizmente atrai cada vez menos estudantes, enquanto que os estudos dos negócios e gestão de negócios atraem cada vez mais. Não é só o facto da Economia se ter tornado técnica; acontece é que a Economia preza o tecnicismo acima de tudo o resto e é a isso que chamo formalismo. Formalismo é a tendência para endeusar a forma, mais do que o conteúdo do argumento. Foi nisso que ela se transformou. Apenas nos preocupamos acerca da forma em que uma teoria ou hipótese económica é apresentada, e quase não nos importamos nada acerca do conteúdo da hipótese.
    P - Quais são os principais temas em que não fizemos progressos?
    MB - Os mercados e o modo como eles efectivamente funcionam; ou seja, como é que se ajustam para articular procura e oferta. Nós na Economia sabemos imenso sobre equilíbrio, mas na realidade não sabemos como é que os mercados chegam a esse equilíbrio.
    P - Na sua opinião, o que é que pode salvar a Economia?
    MB - Sou muito pessimista sobre a possibilidade de ainda se fazer alguma coisa. Julgo que criámos uma locomotiva. Isto é a Sociologia da profissão económica. Criámos um monstro que é muito difícil de fazer parar.
    P - Poderão os factos do mundo real, ou um severo cataclismo económico, provocar mudanças?
    MB - Certamente que mudariam, mas não vejo isso ao virar da esquina. Mas talvez eu seja muito pessimista, e seja muito depressivo estar por ali. Não me parece que haja qualquer saída.

    Textos anteriores: [ 1 ]  [ 2 ]  [ 3 ]  [ 4 ]  [ 5 ]  [ 6 ]

    Correcção

    O gráfico apresentado três entradas mais abaixo refere-se ao desemprego na União Europeia e não à inflação, como estava inicialmente indicado. Agradeço a Helena Garrido a indicação do erro. Conforme ela própria referiu, até parecia uma piada à curva de Phillips.

    A propósito desta "correcção", uma citação retirada do "Guia dos Indicadores Económicos" do "The Economist":

    Quando o teu vizinho perde o emprego é uma desaceleração, quando você perde o emprego é uma recessão mas quando um economista perde o emprego é uma depressão.
    (anónimo)

    quinta-feira, junho 28, 2007

    Indicador de clima económico

    (Fonte: New Yorker)

    quarta-feira, junho 27, 2007

    Alucinações comerciais

         «Durante décadas os negócios floresceram. Ao longo dos anos operadores rivais foram descobrindo maneiras de aumentar a produção, concebendo imaginativas redes de abastecimento que chegam a toda a parte, expandindo o mercado de tal forma que abastecem os consumidores leais em praticamente todos os países. As estimativas são difíceis de confirmar, em boa medida porque as empresas são relutantes em abrir as suas contas ao escrutínio público, mas julga-se que o sector terá tido vendas anuais da ordem dos 320 mil milhões de dólares em 2005 (livres de impostos). E embora alguns dos mais conhecidos canais de comercialização (os cartéis de cocaína de Medellin e Cali, por exemplo) tenham sido obrigados a fechar a loja, essencialmente devido a uma estrita regulação estatal, o sector no seu conjunto continua de saúde.
         «Mas estarão esses dias felizes a chegar ao fim? Um relatório da ONU divulgado em 26 de Junho último sugere que as perspectivas de expansão de parte do sector são escassas. Embora se calcule que 5% dos adultos tenham consumido drogas ilícitas de qualquer tipo no ano passado, o uso de produtos mais suaves como o haxixe (canabis) e as anfetaminas aparentemente atingiu o seu máximo. Nos EUA, por exemplo, o uso de haxixe atingiu o ponto alto em 1979, quando mais de 16% da população o consumia. Em 2005 o consumo tinha caído para 10,4%.»
    (...)

    The Economist - "Is the narcotics industry in trouble?"

  • Relatório Anual de 2007 da UNODC - United Nations Office on Drugs and Crime
  •  Inflação  Desemprego na União (Abril 2007)

     Países                  Taxa de desemprego
    1Polónia11,2%
    2Eslováquia10,5%
    3Grécia8,6%
    4França8,6%
    5Espanha8,2%
    6Hungria8,2%
    7Portugal8,0%
    8Bélgica7,6%
    9Bulgária7,5%
    10Roménia7,2%
    11Alemanha6,7%
    12Finlândia6,6%
    13Itália6,5%
    14Malta6,4%
    15Suécia6,2%
    16República Checa6,1%
    17Letónia5,8%
    18Lituania5,4%
    19Reino Unido5,4%
    20Luxemburgo4,9%
    21Eslovénia4,8%
    22Estónia4,7%
    23Áustria4,5%
    24Chipre4,4%
    25Irlanda4,0%
    26Dinamarca3,4%
    27Holanda3,3%
     Zona Euro7,1%
     União Europeia (27)7,1%
    Fonte: Finfacts Ireland

    Marc Blaug [6]


         Mark Blaug

    P - A sua solução é então mais empirismo?
    MB - Mais empirismo, mais história, sujar mais o nariz nos dados, informar os pares, pedir opiniões, monitorar o comportamento - sim, tudo isso.
    P - Em todo o caso, nos EUA parece haver algum movimento no sentido de uma maior experimentação. Reparou nisso?
    MB - Penso que o movimento na direcção da Economia experimental é muito útil. O que é surpreendente é a enorme resistência que encontra.
    P - Pode exemplificar?
    MB - Uma conversa com qualquer um dos economistas experimentais que se estão a destacar. Eles falar-lhe-ão da enorme resistência que o seu trabalho enfrenta. É muito duro desenvolver a Economia experimental porque se está a chocar com esta cristalização na modelização formal. Houve algum progresso nos anos recentes, mas espanto-me com a dificuldade em interessar os economistas nisso e em quão pequena é a participação disto na Economia dominante tal como é ensinada nas universidades.
    P - Será que aprendemos algo de fundamental no último quarto de século de Economia?
    MB - Certamente que sim. Particularmente na macroeconomia, no modo de lidar com a inflação, com o desemprego. Penso que aprendemos muito, especialmente sobre a condução da actividade económica num sentido macro. Certamente que aprendemos muito com o movimento da desregulamentação e privatização. Embora haja ainda muito a aprender, quando comparo o que sabemos agora acerca destas coisas com os dias em que era estudante nos anos 50, penso que demos vigorosos passos em frente. Mas em certo sentido também andámos para trás.

    [ continua ]

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    terça-feira, junho 26, 2007

    Cannabis



    OrdemPaíses% de pessoas que consumiu cannabis
    1  Nova Zelândia:22,23%  
    2  Austrália:17,93%  
    3  EUA:12,30%  
    4  Reino Unido:9,00%  
    5  Suiça:8,50%  
    6  Irlanda:7,91%  
    7  Espanha:7,58%  
    8  Canadá:7,41%  
    9  Holanda:5,24%  
    10  Bélgica:5,01%  
    11  França:4,70%  
    12  Itália:4,60%  
    13  Grécia:4,39%  
    14  Alemanha:4,10%  
    15  Dinamarca:4,02%  
    16  Noruega:3,82%  
    17  Portugal:3,68%  
    18  República Checa:3,58%  
    19  Polónia:3,38%  
    20  Áustria:3,01%  
    21  Finlândia:2,49%  
    22  Luxemburgo:1,94%  
    23  Hungria:1,19%  
    24  México:1,13%  
    25  Suécia:0,98%  
    26  Japão:0,05%  
    Média ponderada:5,8%  
  • Definição: Percentagem de pessoas que usou cannabis, geralmente incluindo pessoas a partir dos 15 anos
  • Diferentes países consideram diferentes grupos etários: EUA e Holanda: 12 e mais anos. Grécia: Entre 12 e 64. Austrália: 14 anos e mais. Reino Unido: 16 a 59. Germany: 18 a 59. Dinamarca e França: 18 a 69.
  • Dados dos anos 1998 ou 1999 na maioria dos casos. Alemanha, Polónia e Espanha: dados de 1997. Áustria: dados de 1996. Dinamarca, França e Irlanda: dados de 1995.
  • Fonte: NationMaster
  • 1/5

    Pessoas em fila na fronteira
         Pessoas em fila na fronteira

         «Como se justifica um muro na fronteira? Qual a justificação para condenar milhões de trabalhadores mexicanos não qualificados a vidas de pobreza desesperada? Dizem-me que se deve ao facto dos americanos deverem cuidar mais dos seus compatriotas do que de um bando de forasteiros. OK, mas quanto mais? Certamente deve haver um limite; ninguém pensa, por exemplo, que os americanos devam caçar mexicanos como desporto. Portanto, exactamente em que medida é que estão dispostos a atingir um estrangeiro para ajudar um americano? Representará o bem-estar de um mexicano 3/4 do de um americano, ou metade, ou 1/4?
    (...)
         Feitas as contas conclui-se que o ganho de 7 dólares de um imigrante vale 5 vezes a perda de 3 dólares dos americanos. Por outras palavras: para justificar a barragem do emigrante, temos de dizer que ele vale menos de 1/5 do cidadão americano.
         Por contraste, houve um tempo em que a Constituição dos EUA contava um escravo negro como 3/5 de um cidadão de corpo inteiro. O Governador do Alabama, Bob Riley, pediu recentemente desculpa pelos danos da escravatura. Quanto tempo demorará até que os políticos peçam desculpa pelos danos das nossas restritivas políticas de emigração?»

    Steven E. Landsburg - Slate
    "One-Fifth of an American"

    segunda-feira, junho 25, 2007

    Um dia...

         Apresentação flash com tecnologia Gapminder e Trendalyzer (*). O autor é Hans Rosling e o tema é o desenvolvimento da Suécia nos últimos 300 anos, mas a apresentação vale também pela exemplificação das potencialidades da tecnologia digital para a pedagogia.
         Hans Rosling é professor de saúde internacional no Karolinska Institutet de Estocolmo e fundou a Gapminder, uma companhia não-lucrativa do sector IT, e que produz software que permite transformar estatísticas chatas em animações gráficas atractivas.
         No seu blog Rosling explica que esta é a sua primeira tentativa de juntar video de manipulação cromática [chroma key video] com gráficos animados.
         O chroma key video é usado há muito tempo nos noticiários da meteorologia. De repente ocorreu-me este cenário: os professores de Economia (e das outras disciplinas também) substituídos por umas meninas simpáticas e com grande poder comunicativo.


    (*) A Trendalyzer foi adquirida no início deste ano pelo Google: notícia.
    Países da UE perigosos para trabalhar (2003)

    OrdemPaísesFatalidades por país
    1    Alemanha: 465   
    2    Itália: 427   
    3    Espanha: 365   
    4    França: 318   
    5    Portugal: 285   
    6    Reino Unido: 182   
    7    Áustria: 145   
    8    Holanda: 60   
    9    Irlanda: 52   
    10    Grécia: 48   
    11    Bélgica: 41   
    12    Finlândia: 29   
    13    Suécia: 28   
    14    Dinamarca: 27   
    15    Luxemburgo: 6   
      Média ponderada: 165,2   

    Fonte: NationMaster

    domingo, junho 24, 2007

    Neuroeconomia


    Neuroeconomics - apresentação de Benoit Hardy-Vallée, da Universidade de Toronto, sobre neurociência e neuroeconomia. Benoit mantém o blog Natural Rationality.
     → → →  Law and Information: ← ← ←  
       um blog sobre 'Direito e Economia' e   
       'Neurojurisprudência', entre outras coisas   

    sábado, junho 23, 2007

    Matemática

    Manuscrito de Bakhshali

    Jorge Buescu escreveu um texto, para um suplemento do jornal Público, sobre 'Para que serve a Matemática?', texto que dedica "aos jovens que estão a fazer os exames" e que pode ser lido no blog De Rerum Natura. Está muito bem escrito mas resume-se a um argumento utilitarista. A Matemática não serve só para isso, mesmo na aprendizagem dos jovens. No entanto, é verdade que o argumento da "não utilidade prática" da Matemática é prevalecente entre os jovens estudantes, onde parece surgir naturalmente, sendo depois repetido até a Universidade. Ou seja, o argumento, muito oportunamente, dura enquanto se perfilam exames difíceis a Matemática. Donde se conclui que a escolha de Jorge Buescu é inteligente.

    (Imagem: Manuscrito de Bakhshali)