«Este artigo propõe que as pessoas derivam a sua utilidade, não apenas dos bens e respectivos atributos — com acontece nos modelos padrão — mas também da sua auto-imagem influenciada pela sua percepção das suas preferências. Num inquérito representativo, a maioria dos inquiridos considerou a sua própria preocupação com o status como sendo menor, em comparação com as preocupações de terceiros com o status. Similarmente, a maioria dos indivíduos considerou que eles próprios se preocupam mais com o ambiente do que outras pessoas. Os resultados são consistentes com uma extensão da teoria convencional onde a auto-imagem do indivíduo é acrescentada como argumento da função de utilidade.» "Honestly, Why Are You Driving a BMW?" [pdf] |
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Oh Lord...
terça-feira, dezembro 05, 2006
Tempo financeiro
«Para aqueles que entram no mundo da finança vindos de disciplinas mais tangíveis, deve ser agradável encontrar um conceito familiar entre todas aquelas estranhas e aparentemente arbitrárias novidades. Esse conceito surge sob a forma de uma variável representada pela letra t (ou T) e é vulgarmente conhecido como tempo. |
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Santo Graal
![]() «Crescimento e riqueza são duas versões do mesmo Santo Graaal. Este Graal económico é tão difícil de alcançar como o da gesta arturiana. A sua busca mobilizou talentos de economistas, historiadores, sociólogos, antropólogos. Mas a incandescente questão colocada por David S. Landes: «Porque somos nós tão ricos e porque são eles tão pobres?» continua sem resposta convincente. As desigualdades de riqueza no planeta continuam a ser gritantes. O economista peruano Hernando De Soto sugeriu recentemente que o verdadeiro problema não é a falta de capital nos países mais pobres, mas antes a ausência de direitos de propriedade sobre esse capital, minimamente definidos e aplicáveis. Nos países pobres o capital, qualquer que ele seja, está morto e arrefece.» Eric Briys, comentando o seu texto |
Professor rende-se à evidência
«Deixem-me dizer uma pequena palavra em favor da sociedade actual. Eu sei que não é grande coisa. [...] Os seus críticos são muitos e todos têm muita razão em muito do que dizem. Os jovens ridicularizam e odeiam a sociedade. A esquerda despreza-a por trair os ideais da revolução, a direita detesta-a por ela abandonar os princípios da tradição. Os cristãos consideram-na pagã, os ateus condenam-na como cristã, outros dizem que é coisa nenhuma. Os ecologistas chamam-lhe suja, os intelectuais tomam- -na por estúpida e os empresários apelidam--na de paralisante. O Governo sabe como reformá-la e a oposição opõem-se a tudo menos à necessidade de reforma. João César das Neves |
domingo, dezembro 03, 2006
Refutação da mão invisível
| Adam Smith Onde mete você a moral, meu caro amigo, repetiam ao professor escocês, que sob a saia ocultava segredos que já sabia resolver. Teólogo e natural, como o Adão, ele cria nos homens, pobrezinho, e tudo viria por acréscimo, derramado dos dedos do boneco, de um boneco no mundo. Perto do fim da vida, pelos sessenta e sete, ficou talvez sabendo que buscar o secreto é que demais importa, ah, muito mais que saber resolvê-lo. E que no mundo não há boneco, cuco de relógio que diga a hora onde não há hora certa. Pedro Tamen |
Dilemas
"Dilemmas of an Economic Theorist" [pdf] Ariel Rubinstein «O que é os teóricos da Economia estão a tentar provar? Este paper discute quatro dilemas que um teórico da Economia deve enfrentar: |
![]() Les Parapluies de Cherbourg Olga Witte (piano), J.Nehen-Hansen (bateria), Ulrik Wigh (baixo)
[ link ao YouTube ] uma outra versão do tema musical principal, mais longa: |
Relatório do Desenvolvimento Humano
![]() | Human Development Report 2006
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quinta-feira, novembro 30, 2006
Defesa da Economia acéfala
Faruk Gul e Wolfgang Pesendorfer
Novembro de 2005
«A Neuroeconomia propõe alterações radicais nos métodos da Economia. Este ensaio discute as mudanças propostas na metodologia, juntamente com a crítica neuroeconómica da Economia padrão. A nossa definição de Neuroeconomia inclui investigações que não fazem referência específica à Neurociência e que é tradicionalmente referida como Psicologia e Economia. Identificamos a Neuroeconomia como a investigação que implícita ou explicitamente defende uma das seguintes duas propostas:
Asserção I - A evidência psicológica e fisiológica (tais como descrições de estados hedónicos e processos cerebrais) são directamente relevantes para as teorias económicas. Em particular, elas podem ser usadas para suportar ou rejeitar modelos económicos ou até mesmo a metodologia económica.
Asserção II - Aquilo que faz os indivíduos felizes ('utilidade verdadeira') é diferente daquilo que eles escolhem. A análise do bem-estar económico deve usar a utilidade verdadeira em vez das utilidades que orientam a escolha ('utilidade escolhida').
[...]
«Na secção 5 deste ensaio, argumentamos que a Asserção I da crítica neuroeconómica falha a compreensão da metodologia da Economia e subestima a flexibilidade dos modelos padrão. A Economia e a Psicologia colocam questões diferentes, utilizam diferentes abstracções, e procuram um tipo diferente de evidência empírica. A evidência obtida pela Neurociência não pode refutar os modelos económicos porque estes não fazem assumpções nem tiram conclusões acerca da psicologia do cérebro. Da mesma forma, a ciência do cérebro não pode revolucionar a Economia porque não tem capacidade para abordar as preocupações da Economia. Também argumentamos que os métodos da Economia padrão são mais flexíveis do que é assumido pela crítica neuroeconómica e apresentamos exemplos de como a Economia padrão lida com as preferências inconsistentes, erros e preconceitos.
«Os neuroeconomistas vão buscar questões e abstracções à Psicologia e reinterpretam os modelos económicos como se o seu fim fosse responder a essas questões. O modelo económico padrão da escolha é tratado como um modelo do cérebro e é considerado inadequado. A Economia, ou é tratada como ciência amadora do cérebro e rejeitada como tal, ou a evidência cerebral é tratada como evidência económica para rejeitar os modelos económicos.
«Kahneman afirmou que os estados subjectivos e a utilidade hedónica são "tópicos de estudo legítimos. Isto pode ser verdade, mas tais estados e utilidades não servem para calibrar e testar os modelos económicos padrão. As discussões acerca de experiências hedónicas não têm lugar na análise económica padrão porque a Economia não faz previsões acerca delas e não possui dados para testar tais previsões. Os economistas também não possuem meios para integrar medições da utilidade hedónica com dados económicos padrão. Por isso, consideraram apropriado confinar-se à análise destes últimos.
«O programa da Neuroeconomia para mudanças na Economia ignora o facto de que os economistas, mesmo quando lidam com questões relacionadas com as que se estudam em Psicologia, têm diferentes objectivos e abordam evidência empírica diferente. Estas diferenças fundamentais são obscurecidas pela tendência dos neuroeconomistas em descrever ambas as disciplinas em termos muito amplos.»
terça-feira, novembro 28, 2006

Inside the Economist's Mind:
Modern Economic Thought, as Explained by Those Who Produced It
Paul Samuelson, William Barnett(editores)
Referências:
Samuelson
![]() «Concluo com uma vulgar hipótese acerca das direcções passada e presente da investigação em Economia. Sherlock Holmes disse: "Cherchez la femme." Quando lhe perguntaram porque é que assaltava bancos, Willie Sutton respondeu: "É onde está o dinheiro". Nos, os economistas, trabalhamos em primeiro lugar para obter a estima dos nossos pares, a qual conta para a nossa própria auto-estima. Quando o New Deal de Roosevelt, no período pós-depressão, forneceu excelentes oportunidades de emprego, logo as universidades junior, em primeiro lugar, se moveram para a esquerda. Depois, para retomar a dianteira aos seus seguidores, as universidades senior passaram-lhes à frente. À medida que o eleitorado pós-Reagan e pós-Thatcher virou à direita, o sinal de "siga o dinheiro" passou a apontar apenas numa direcção. Por assim dizer, nós comemos o nosso próprio cozinhado. Paul Samuelson, prefácio ao livro "Inside the Economist's Mind" |
segunda-feira, novembro 27, 2006
Mínimos
![]() «Um aumento no salário mínimo tem vários efeitos negativos na economia. Embora os salários de trabalhadores menos qualificados aumentem, vai reduzir as oportunidades de emprego dos adolescentes e de outros trabalhadores menos qualificados. Eles vão ser empurrados, ou para o desemprego ou para a economia paralela. Um salário mínimo mais elevado também aumenta o preço da"comida rápida" e outros bens produzidos com recurso a muito trabalho não qualificado. Os trabalhadores que recebem formação no local de trabalho devem aceitar salários mais baixos. Um maior nível salarial mínimo evita que os salários dos trabalhadores menos qualificados sejam muito reduzidos, e portanto desencoraja as empresas de dar muita formação a estes trabalhadores. Gary Becker - The Becker-Posner Blog |
ParEcon ?
«Na Economia Participativa, em lugar da propriedade privada do capital, toda a gente é proprietária dos meios de produção. Ele é partilhado por toda a população, pelo que a propriedade é igual e não gera diferenças de rendimento, de bem-estar ou de poder. Quão bem cada pessoa está, quanto rendimento e que parcela das decisões lhe é atribuída, isso é determinado pela alocação — e o modo como a alocação é conseguida na economia participativa é muito diferente do sistema de mercado com que estamos familiarizados na nossa sociedade — e pela organização do local de trabalho. Michael Albert, entrevista ao Z Magazine |
sábado, novembro 25, 2006
Milton Friedman (1912-2006)
New Perspectives Quarterly (Primavera de 2006>: NPQ | Você já viu muita coisa na sua longa vida e tem pensado sobre os grandes temas. O que é que lhe passa pela cabeça nestes dias? |
quarta-feira, novembro 22, 2006
Humidade e humildade
![]() Já agora conto uma história passada nos anos 80, em Bruxelas. Eu estava lá de visita a uns amigos, emigrantes portugueses, malta na casa dos trinta, e resolvemos assar sardinhas no quintal da vivenda de um dos portugas. Lá arranjámos sardinhas e tintol, demos lume ao carvão (umas bolinhas pretas calibradas) e ficámos à espera. Esperámos meia hora, e nada: o carvão ardia mas não incendiava. Mais meia hora, e nada. O tempo ia passando e nós desesperávamos, humilhados com o facto de não conseguirmos assar umas simples sardinhas. |
Ai, Reverendo Smith...
A propósito de um texto do Insurgente, onde, na sequência das recentes medidas legislativas que visam a transparência do mercado bancário se escreve: "E para os patetas alegres que estão muito satisfeitos com o populismo dos governantes é muitissimo bem feito que da proxima vez que contratarem um crédito paguem bem mais do que o fariam de outra maneira.", aqui vai a resposta:A normalização de contratos é uma medida que contribui para um dos pilares da concorrência perfeita: a homogeneidade do produto. Eu sei que é um pouco duro exigir a um blogger que se atenha às regras da teoria, mas tanta desatenção já espanta.E já agora, também por causa de uma Insurgência contra a medida legislativa que obriga as operadoras de televisão a divulgar os programas com alguma antecedência:
Os defensores do mercado estão normalmente preocupados com a ineficiência das intervenções estatais, mas também com os obstáculos à concorrência em mercados oligopolistas, como é o caso da banca em Portugal. A diversidade de especificações e regras é uma fonte de obstáculos à concorrência que a nossa banca explora exaustivamente, com a capacidade técnica que a sua dimensão lhe permite.
A estratégia actual da banca contra as medidas de transparência, através do seu corifeu João Salgueiro (porque os banqueiros são gente fina, crème de la crème, não descem tão abaixo) é a da ameaça: se não pagam assim, vão pagar de outra maneira - e os coralistas da blogosfera repetem em uníssono: “ai pois é, se não pagam assim, vão pagar de outra maneira!…”
Vejamos: há lucros de oligopólio decorrentes da pouca transparência do mercado do dinheiro a retalho e do desequilíbrio da capacidade negocial das partes. Como as recentes medidas legislativas tornam mais difícil a apropriação deste lucro oligopolista, o gigante bufa: nem outra coisa seria de esperar. Acaso não estranha o autor desta pérola bloguista o facto da banca não contrapor nada de substancial aos argumentos do governo? Acha bem a ameaça como estratégia negocial?
A obrigação de divulgar a grelha de programas com alguma antecedência contribui para a transparência deste mercado oligopolista: é equivalente à obrigatoriedade de afixação dos preços em montras e nas bancas das praças, para facilitar as comparações e escolhas dos consumidores.
Reverendo Adam Smith, perdoa-lhes que não sabem o que dizem… É que esta moda de verberar toda e qualquer iniciativa do Estado, assimilada por gente que não pensa bem no que diz (o que até se pode considerar racional, porque pensar cansa…) conduz a patetices destas.
terça-feira, outubro 24, 2006
segunda-feira, outubro 16, 2006
Mistura e frescura
No debate desta noite, na RTP1, sobre a proposta de uma nova Lei de Finanças Locais, escutaram-se algumas originalidades. |
sexta-feira, outubro 13, 2006
Proposta de Lei de Finanças Locais
1) Durante muito tempo, PS e PSD andaram a dizer que estavam a preparar uma nova Lei de Finanças Locais cujo principal objectivo era fazer diminuir a dependência das Câmaras relativamente à contrução de edifícios, como fonte de receitas. A nova proposta do Governo, não só "esqueceu" essa promessa, como vai provocar o efeito contrário: as Câmaras que vão perder verbas (de transferências) ficarão ainda mais dependentes de receitas da construção. |
terça-feira, outubro 10, 2006
Memorização
| “Neurónios musculados, precisam-se!”… Texto de Salvador Massano Cardoso no blogue 4R - Quarta República «Tenho seguido com muita atenção o trabalho e a investigação de um notável cientista português, o professor Castro Caldas. O neurocientista revela-nos, graças às novas tecnologias, como funcionam os cérebros dos analfabetos e os que aprenderam a ler em criança. As diferenças são abismais, provando que a melhor aprendizagem deverá ocorrer em momentos certos acompanhando o desenvolvimento cerebral. Agora, e a propósito de um livro sobre o "Desastre no Ensino da Matemática: como recuperar o tempo perdido", foi noticiado que o professor Castro Caldas defende que "o treino da memorização não é uma actividade menor". Depreende-se que o treino da memória é indispensável ao desenvolvimento cognitivo e que se acompanha de um aumento dos neurónios e respectivas ligações. Assim, a velha técnica de “aprender de cor” a tabuada é muito positiva. A notícia não me surpreendeu pelo facto de acompanhar a obra do colega, mas desencadeou uma velha recordação. [...] |
Comentário: |
Matemática
"O Desastre no Ensino da Matemática - Recuperar o Tempo Perdido" |
Metáfora
No dia seguinte ao assalto ao banco de Setúbal os jornalistas bivacaram frente ao Tribunal daquela cidade para "recolha" de informação. Emissões televisivas em directo, entrevistas a "populares" (os tais 15 minutos de fama, amealhados segundo a segundo) e finalmente as "imagens fortes" do arguido a ser transportado para a carrinha da PSP, com a cabeça coberta de modo a não ser identificado. Soube-se, por acaso (ou porque a rival Polícia Judiciária assim o quiz?) que não se tratava do arguido mas sim de um agente da própria PSP a encenar serviço para os jornalistas. |
segunda-feira, outubro 09, 2006
Evidence-Based Economics
«Existe um movimento na Medicina nos sentido de exigir que os pedidos de autorização para venda de novos medicamentos sejam "baseados na evidência". Por contraste, economistas de formação encaram a sua disciplina como tendo já atingido este padrão científico. Afinal, eles expressam as suas ideias através da matemática e chegam a estimativas quantitativas de relações implícitas a partir de dados empíricos. Tradução de texto publicado no Project Syndicate |
Edmund S. Phelps (2)
| Curto prazo - Longo prazo «A obra de Edmund Phelps aprofundou a nossa compreensão acerca da relação entre os efeitos de curto prazo e de longo prazo das políticas económicas. Nota de imprensa do Prémio do |
Edmund S. Phelps

Edmund S. Phelps
É o Nobel da Economia de 2006, "pela sua análise dos trade-offs intertemporais na política macroeconómica".
Referências:
paper de Philippe Aghion, Roman Frydman, Joseph Stiglitz e Michael Woodford
«Edmund Phelps é conhecido pela introdução, no final dos anos 60, da microeconomia das expectativas na teoria da determinação do emprego e dinâmica dos salários. O trabalho de Keynes nos anos 30 deixara por explicar a razão pela qual o desemprego involuntário continua a existir mesmo nos melhores tempos, e porque é que uma quebra na procura agregada efectiva provoca aumento no desemprego - e não nos salários e preços. O desafio era explicar estas questões mantendo o postulado da racionalidade que que a Economia tradicionalmente atribuía aos trabalhadores,consumidores e empresas. Nos modelos micro-macro de Phelps, o atingir do equilíbrio nos mercados - significando que as expectativas dos participantes consistentes com as respectivas acções - não elimina geralmente o desemprego, nem mesmo o involuntário.»
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sábado, outubro 07, 2006
Planeamento
«Ora é ponto assente, hoje em dia, que apenas uma política de desenvolvimento económico fundamentada num plano terá possibilidades de êxito, vencendo as múltiplas dificuldades que se deparam aos países atrasados. Francisco Pereira de Moura |
sexta-feira, outubro 06, 2006
IgNobel
O Prémio IgNobel destaca investigações e descobertas "científicas" caracterizadas pela sua patetice ou inutilidade. Ao que consta, este ano não foi atribuído o IgNobel da Economia: quererá isto dizer que os economistas estão a ficar um bocadinho menos patetas e menos inúteis? Ora aqui está um bom tema de investigação para uma candidatura para o próximo ano. Tenhamos esperança. |
quarta-feira, outubro 04, 2006
Liberdade
- «Que é potencialmente livre não tenho dúvidas (já li cada uma!). Mas um mortal cidadão como eu não fica mais livre. Sente-se oprimido pelo peso da sua ignorância e pelo sentimento de incapacidade de ler blogues suficientes de modo a poder destrinçar A de B. Por isso cada vez me valho mais dos jornais para evitar um blogueio mental.» Onésimo Almeida, respondendo a |
Solidariedade ou desorçamentação?
«O Governo quer que o Orçamento do Estado deixe de financiar directamente a construção e manutenção das auto-estradas através de transferências correntes para a Estradas de Portugal (EP) e passe antes a entregar, ao longo dos anos, uma compensação à empresa rodoviária a título de pagamento de um serviço. Para financiar os novos investimentos será a empresa pública a recorrer ao crédito, não se agravando, deste modo, a dívida pública.» Diário de Notícias, 4.Set.2006 Acho que não ouvi bem... Mas então a dívida pública (a real, não um mero indicador estatístico) não se agrava em igual montante, quer o défice seja inscrito no OE ou numa empresa pública? E não é por isso mesmo que, na proposta para uma nova Lei de Finanças Locais, o governo considera que a dívida de empresas municipais deve contar para o endividamento municipal? (*) A ler, de Vítor Bento: A Desorçamentação das Despesas Públicas (ficheiro Word) . (*) - tal como considera que, para o endividamento das autarquias, devem ser contabilizadas coisas como factorings, leasings e venda de créditos - apesar de o governo (na encarnação Durão/Ferreira Leite) ter vendido créditos fiscais para aliviar cosmeticamente o défice orçamental. |
Saudades de casa

| Don't follow leaders Watch the parkin' meters... |
terça-feira, outubro 03, 2006
Perguntas sem resposta

Adam Smith
Num programa recente da RTP e RTPN, Nuno Crato entrevistou dois professores de Economia acerca da natureza científica da Economia. Assunto interessante que teve ali o desenvolvimento adequado para um programa dirigido a um público genérico: tanto Nuno Crato como os convidados conduziram bem as perguntas e respostas.
No entanto, a certa altura, depois de os entrevistados terem falado do mecanismo da "mão invisível" e da escola Marginalista, Nuno Crato fez uma pergunta interessantíssima: será que essas descobertas, feitas entre os séculos XVII e XVIII, poderiam ter ocorrido antes? A isto nenhum dos economistas convidados conseguiu responder, provavelmente porque não perceberam a pergunta - e limitaram-se a repetir a explicação do que era o equilíbrio automático e da ordem espontânea, etc. Parafraseando a lapaliceana noção de que "Economia é o que os economistas fazem", poderiam ter respondido que a coisa não poderia ter sido descoberta antes, porque antes disso não havia Economistas!
Para mim teria sido a parte mais interessante do programa, dado que as outras questões não representavam grande novidade para mim. A questão de Nuno Crato é realmente curiosa, e pode colocar-se em dois planos, pelo menos:
a) Será que a própria natureza da actividade económica é mutável, e só naquela altura é que o mecanismo da mão invisível se poderia ter revelado aos olhos do observador? É verdade que já nas primeiras cidades, há uns 8 mil anos, se verificavam trocas comerciais importantes, mas é após as Descobertas e a expansão europeia que o comércio monetarizado se intensifica poderosamente. Em que altura teria sido possível então detectar a formação da "ordem espontânea", o equilíbrio entre oferta e procura, ou o egoísmo do cervejeiro a contribuir para o bem-estar comum?
b) Admitindo que já existia há muito o mecanismo da "mão invisível", haveria capacidade analítica para o detectar muito antes de Adam Smith? É certo que não se trata de um conceito muito complexo ou sofisticado, mas também é verdade que a noção de "lei natural" é algo que só surge nos alvores do método científico. E havia ainda o "pequeno problema" das "leis naturais" desvalorizarem a cotação das "leis divinas" o que era, em geral, muito mal visto pelos guardiães destas últimas.
Creio que a metáfora da "organização espontânea" surge na biologia animal, com a observação das formigas, por exemplo. Até mesmo a teoria darwiniana da evolução assenta numa ideia base de "ordem espontânea": as mutações genéticas não visam nenhum objectivo particular, o processo de selecção natural é que determina quais as que se reproduzem.
A Economia, apesar da sua capacidade de gerar metáforas (ou talvez por isso mesmo) avançou muito pela "adaptação" das metáforas de outras ciências. E as leis científicas, ao fim e ao cabo, não são elas próprias (apenas) metáforas da realidade?
"Guerras" da Ciência
Artigo de Vitor Tomé que faz uma descrição da polémica travada nos últimos anos entre António Manuel Baptista e Boaventura Sousa Santos.
Percentis

Através de 4 estudos, os autores descobriram que "os participantes com pontuações no quartil inferior em testes de humor, gramática e lógica, sobrestimaram grosseiramente as suas capacidades". De acordo com as conclusões, os incompetentes são vítimas de uma dupla deficiência: "Não só estas pessoas chegam a conclusões erradas e fazem escolhas infelizes, como a sua incompetência rouba-lhes a capacidade metacognitiva para ter consciência do facto". Topam? Eles são incompetentes, mas não sabem que são incompetentes, precisamente porque são incompetentes. Portanto, são apenas vítimas.
Abrindo seu o artigo com uma citação de outro autor (W. I. Miller, "Humiliation", 1993), dir-se-ia que já nada mais haveria a investigar: "Uma das características essenciais dessa incompetência é que a pessoa é tão limitada que é incapaz de saber que é incompetente. Se tivesse esse conhecimento já seria uma grande ajuda para curar a deficiência". Mas aqui é que está o grande lampejo, quiçá mesmo o génio, dos investigadores da Universidade de Cornell: se a ciência conseguir que estas pessoas atinjam a compreensão da sua própria incompetência, ficariam praticamente curadas, ou seja: competentes. Portanto, já não é preciso perder tempo a formar pessoas ou a castigá-las com incentivos negativos: basta pôr-lhes um espelho à frente. Porque é que não nos lembrámos disto antes? Estaremos nós no percentil inferior?
Maravilhas da Ciência
Em vez de andar para aí a fechar urgências, o sr. ministro talvez conseguisse melhores resultados se pusesse os olhos nesse Grande Perigo que são os animais de estimação.
O estudo de Susan Kurrle, Robert Day and Ian Cameron, "The perils of pet ownership: a new fall-injury risk factor", publicado no Medical Journal of Austrália, não deixa margem para dúvidas: os investigadores, tendo analisado, durante 18 meses, no serviço de urgência de um hospital australiano, os doentes com mais de 75 anos com fracturas associadas aos seus animais de estimação, detectaram os 16 casos apresentados no quadro de baixo. O estudo prova inequívocamente que "ferimentos graves associados a quedas em pessoas idosas podem ser causados por animais de estimação, mais frequentemente cães e gatos".
Como estão prestes a ser atribuídos os Prémios IgNobel, é caso para estar atento a esta descoberta australiana.
| Idade (anos) | Sexo | Fractura | Animal | Circunstâncias |
| 78 | F | Fémur | Cabra | Queda quando tentava alimentar umas cabras empoleirando-se sobre uma cerca. |
| 83 | F | Pélvis | Gato | Tropeçou no gato, caindo sobre o animal (que faleceu). |
| 84 | M | Úmero | Cão | Enquanto passeava o cão com uma trela extensível, o cão deu várias voltas, enrolando-se as pernas e provocando a queda. |
| 81 | F | Pélvis | Burro | Queda para trás ao ser empurrada por um burro a quem dava de beber por um balde. |
| 79 | M | Pulso | Pássaro | Queda do cimo de uma cadeira enquanto tentava apanhar o pássaro que fugira para o varão de um cortinado. |
| 78 | F | Costelas | Cão | Escorregou numa poça de urina de um cachorro Labrador, caindo sobre uma cadeira. |
| 88 | F | 3ª vértebra cervical | Gato | Queda para trás, ao tropeçar num gato. |
| 76 | F | Ossos do nariz | Cão | Queda enquanto tentava impedir que um cachorro saltasse para dentro de um aquário. |
| 81 | F | Anca | Pássaro | Tropeçou em degraus enquanto transportava uma gaiola com um canário. |
| 75 | M | Costelas | Cão | Ao passear na rua dois galgos pela trela, os cães puxaram-no e caiu contra a vedação. |
| 80 | F | Úmero | Gato | Ao baixar-se para apanhar a malga do gato, este enrolou-se nas pernas e a senhora caiu. |
| 83 | F | Pulso | Gato | Queda no jardim quando tentava impedir um gato de caçar um lagarto. |
| 82 | F | Fémur | Gato | Tropeçou num gato preto num corredor escuro e caiu. |
| 86 | F | Pélvis | Cão | Ao transportar o cesto do lixo enquanto segurava um golden retriever pela trela, ficou presa entre o cão e o cesto e caiu. |
| 83 | F | Úmero | Cão | Carregando um pequeno cão na varanda, tropeçou e caiu nas escadas. |
| 80 | F | Pélvis | Gato | Queda ao tentar fugir pelas traseiras, enquanto o gato entrava pela outra porta com uma cobra viva. |
sábado, setembro 09, 2006
Downsizing

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O certo é que a "febre" da multiplicação dos bancos e das agências bancárias acabou por arrefecer, devido à concentração empresarial e desaparecimento dos pequenos bancos, bem como aos processos de "downsizing" e desmaterialização das oprações bancárias.
No espaço retratado pela fotografia, na Rua Alexandre herculano, em Setúbal, já funcionou uma agência bancária, mas actualmente encontra-se lá uma loja de comércio diversificado, vulgo "loja de chineses". Lá dentro as mercadorias amontoam-se sem grande cuidado e algumas das montras chegam a parecer arrecadações. Os "buracos" das antigas máquinas de atendimento automático "ATM" encontram-se muito mal disfarçados (veja-se a imagem); num dos casos apenas foi colocado tijolo sem reboco.
Haverá algum significado nestas alterações? Se dantes era a substituição do convívio pelo dinheiro fácil, agora será o quê - a "terceiro-mundialização" da nossa economia? O "downsizing" das nossas expectativas? E será que ainda vamos ter saudades do tempo em que os cafés eram substituídos por agências bancárias?
quinta-feira, setembro 07, 2006
Dopagem
«Fazer o teste a drogas é um tema de segurança. Várias federações desportivas no mundo fazem o possível para detectar a dopagem ilegal, e os jogadores fazem o possível para iludir os testes. É uma clássica "corrida às armas": melhorias nas tecnologias de detecção conduzem a melhorias na evasão a essa detecção, o que por sua vez conduz ao aumento das capacidades de detecção. Neste momento parece que as drogas estão a ganhar; há quem descreva estes testes como "testes de inteligência" [intelligence tests]: se não os consegues iludir, então não mereces participar no jogo. «Porém, ao contrário de muitas "corridas às armas", nesta os detectores têm a possibilidade de olhar para o passado. No ano passado, um laboratório efectuou um teste à urina de Lance Armstrong e encontrou vestígios da substância EPO. O interessante é que a amostra de urina não era de 2005: era de 1999. Na altura ainda não existiam teste fiáveis para a EPO na urina. Hoje existem, e o laboratório pegou numa amostra congelada da urina (quem é que sabia que os laboratórios guardavam as amostras de urina dos atletas?) e testou-a. Armstrong foi mais tarde ilibado - os procedimentos do laboratório foram descuidados - mas eu não creio que as possíveis ramificações do episódio tenham sido compreendidas. Os testes podem recuar no tempo. «Isto tem duas consequências importantes. Uma é a de que os médicos que desenvolvem novas drogas de melhoria de desempenho sabem exactamente quais os testes que os laboratórios anti-dopagem vão realizar, podendo eles próprios testar previamente a capacidade dessas substâncias para iludir os testes oficiais. Mas não podem saber que tipo de testes virão a ser realizados no futuro, e os atletas não podem assumir que lá porque uma droga não é detectada hoje, o mesmo não ocorra nos anos seguintes. «Outra consequência é a de que os atletas acusados de dopagem com base em amostras de urina já antigas não têm possibilidade de se defender. Não podem voltar a submeter-se ao teste; já é tarde. Se eu fosse um atleta preocupado com estas acusações, eu depositaria a minha urina regularmente para criar algumas condições para contestar eventuais acusações. «A "corrida às armas" na dopagem irá continuar por causa dos incentivos. É um clássico "dilema do prisioneiro". [...]» Bruce Schneier |

































