
Mark Blaug
MB - Mais empirismo, mais história, sujar mais o nariz nos dados, informar os pares, pedir opiniões, monitorar o comportamento - sim, tudo isso.
P - Em todo o caso, nos EUA parece haver algum movimento no sentido de uma maior experimentação. Reparou nisso?
MB - Penso que o movimento na direcção da Economia experimental é muito útil. O que é surpreendente é a enorme resistência que encontra.
P - Pode exemplificar?
MB - Uma conversa com qualquer um dos economistas experimentais que se estão a destacar. Eles falar-lhe-ão da enorme resistência que o seu trabalho enfrenta. É muito duro desenvolver a Economia experimental porque se está a chocar com esta cristalização na modelização formal. Houve algum progresso nos anos recentes, mas espanto-me com a dificuldade em interessar os economistas nisso e em quão pequena é a participação disto na Economia dominante tal como é ensinada nas universidades.
P - Será que aprendemos algo de fundamental no último quarto de século de Economia?
MB - Certamente que sim. Particularmente na macroeconomia, no modo de lidar com a inflação, com o desemprego. Penso que aprendemos muito, especialmente sobre a condução da actividade económica num sentido macro. Certamente que aprendemos muito com o movimento da desregulamentação e privatização. Embora haja ainda muito a aprender, quando comparo o que sabemos agora acerca destas coisas com os dias em que era estudante nos anos 50, penso que demos vigorosos passos em frente. Mas em certo sentido também andámos para trás.
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As desigualdades de rendimentos têm vindo a crescer nos países ricos, diz a OCDE. De 1995 até 2005, o acréscimo dos rendimentos dos 10% mais bem pagos ultrapassou o dos 10% pior remunerados. A desigualdade é maior nas economias algo-saxónicas, empreendedoras. A Húngria e a Polónia são casos excepcionais, onde grandes aumentos se seguiram à liberalização depois do colapso do comunismo. Os países nórdicos, com os seus grandes estados-providência e elevadas cargas fiscais, apresentam maior igualdade. As desigualdades são frequentemente atribuídas à globalização, que, segundo alguns, ajudou a deprimir os rendimentos dos menos qualificados. Contudo, os escalões de topo também têm estado a ganhar terreno face aos escalões médios. Isto sugere que os avanços nas tecnologias da informação, que recompensa os altamente qualificados e elimina muitos empregos administrativos de nível médio, pode ser um suspeito mais plausível. A OCDE disse esta semana que o comércio apenas contribuiu modestamente para o agravamento das desigualdades.»



