
Mark Blaug
P - O computador ajudou a reforçar esta tendência? Ao fim e ao cabo, as regressões agora são muito fáceis de fazer.
MB - Sim, na medida em que criou, curiosamente, um género de econometria que já não se interessa muito pela evidência empírica mas pela teoria econométrica. A Econometria tornou-se quase num espectáculo, enquanto teoria económica, e é uma teoria de natureza estatística. Sim, os economistas fazem regressões e tudo isso. Mas não é isso que enche as revistas científicas. Elas estão cheias é de elegantes análises estatísticas, um modo muito mais elegante de análise de séries cronológicas que constituem quase um fim em si mesas.
P - Você tem feito algumas afirmações categóricas de que os economistas não dão atenção às implicações ou aplicabilidade dos seus modelos. Mas existem algumas excepções evidentes?
MB - Claro que sim. Se você quiser expressar alguma crítica que tenha impacto em dez ou vinte mil praticantes espalhados pelo mundo, terá de exagerar um pouco para se fazer notado. Se modificar muito, não sobra nada.
P - O que é que há na tese de Arrow-Debreu, referida no seu artigo na 'Challenge', que influenciou tanto a profissão?
MB - Era extraordinariamente sofisticada em termos matemáticos, e mesmo tendo sido publicada há quarenta e quatro anos, é um artigo elegante que usa a Teoria dos Jogos, que era na altura uma novidade. Usava a Teoria dos Jogos dum modo que ninguém esperaria que pudesse provar a existência do equilíbrio geral. Era elegante, era rigorosa, e parecia ser a solução de um problema. Será que o equilíbrio geral existe realmente? Em termos um pouco mais técnicos: pode o equilíbrio multi-mercados existir realmente numa economia? Parecia ser a prova disto. Afinal, Walras tinha defendido isto oitenta anos antes mas nunca o tinha conseguido provar de modo satisfatório. Por isso parecia ser um exemplo maravilhoso de uma elegante prova quase matemática, e parecia elevar a Economia instantaneamente ao nível da Matemática, e certamente da Matemática Aplicada.
[ continua ]
Textos anteriores: [ 1 ] [ 2 ] [ 3 ]




A 77ª Feira do Livro de Lisboa averbou significativos aumentos de vendas em relação ao ano anterior. Há quem fale em acréscimos de 20%, com picos de 40% (







«Sunspot equilibrium é um conceito da economia, criado por David Cass e Karl Shell. Um "equilíbrio das manchas solares" é um equilíbro económico onde a produção ou alocação de recursos de mercado depende de uma variável externa aleatória, ou "mancha solar", que têm influência apenas porque as pessoas pensam que ela tem influência. Aplica-se áquelas situações em que a economia pode atingir distintos equilíbrios, obtendo-se um ou outro pela mera coordenação dos agentes.
«Joan Robinson dava crédito à pretensão de Keynes de ter revolucionado a teoria económica, e não partilhava o ponto de vista de Harrod de que se tratava de uma teoria essencialmente estática. Pelo contrário, Robinson escreveu que "Keynes estilhaçou a casa de vidro da teoria estática". Ela creditava que a teoria económica tradicional pouco mais era do que uma apologia do capitalismo do laissez faire e, consequentemente, boa para se deitar fora. Para Robinson, as teorias de Kalecki e Sraffa eram muito mais prometedoras na explicação de temas tais como o valor e a distribuição. O seu maior contributo foi sobre a tradição clássica de examinar a evolução do sistema económico ao longo do tempo. Uma vez que Keynes assumiu, na sua "Teoria Geral", um stock de capital fixo, deixou de fora as questões do crescimento e acumulação de capital, às quais ela tentou responder, na senda do trabalho de Harrod. A sua estratégia era a de construir modelos simplificados e depois "avançar passo a passo das assumpções mais simples para uma maior complexidade, expremendo tudo o que pudesse ser aprendido em cada passo, antes de dar o seguinte.»
Os economistas de serviço, Augusto Mateus e Eduardo Catroga, safaram-se no cômputo geral. Porém, não acho que qualquer das intervenções possa orgulhar a classe. Weak argument, diria o outro. Quem não se safou foi o professor Jorge Gaspar, apesar de ser o único que mostrou ter feito o trabalho de casa. E talvez por isso mesmo. Hoje a substância não conta muito: o que pesa é a imagem, a convicção (ainda que seja ao serviço da dúvida, ou de nada), a falsa ingenuidade (Catroga) e a inocente presunção (Mateus). Jorge Gaspar tinha motivos para se irritar, irritou-se, e isso não o ajudou.