quarta-feira, junho 13, 2007

Mark Blaug: entrevista [2]


       Mark Blaug

P - Na actual prática dominante na Economia, a falsificabilidade é inteiramente ignorada?

MB - Não. De certo modo, seria mais fácil se assim acontecesse. A Economia da corrente principal presta-lhe tributo formal, ou seja, diz sempre: "Ah, sim, com certeza, a teoria económica deve ser confrontada com a evidência. Não há dúvida, se a evidência for contrária, se parecer refutar a teoria, oh, sim, certamente que prestaremos muita atenção a isso, e teremos de ajustar a teoria ou até mesmo considerar eventualmente uma nova teoria." Portanto, de modo algum discordam do princípio da falsicabilidade. Pregam-no mas, na realidade, não o praticam. Por outras palavras: quando confrontados com evidência contrária a uma qualquer adorada teoria, ajustam a teoria, ou minimizam a evidência. Por vezes ignoram mesmo a evidência. Não se esforçam muito para encontrar evidência contrária, preferindo mais confirmar do que procurar a refutação.

P - Não é aí que bate o ponto? O facto da teoria económica ser frequentemente tão maleável que pode ser aplicada a não importa que dados?

MB - Sim. Mas enganamo-nos se pensarmos que isso é exclusivo da Economia. Isso permeia todas as ciências sociais e, na realidade, é actualmente muito mais efectivo na Sociologia e na Ciência Política. Dado que aí não se produzem conclusões fortes [hard conclusions] as respectivas teorias são mais difíceis de refutar do que as da Economia. Mas até mesmo nas ciências naturais é difícil encontrar uma experiência crucial que conclusivamente confirme ou conclusivamente refute. Se as pessoas, numa dada disciplina, tomarem a evidência empírica a sério, ela abala-a e eventualmente acaba por a derrubar. Mas não é o tipo de coisa em que se acorde uma manhã e se diga: "Olha, Olha! Evidência refutadora! Lá vamos ter que deitar fora a teoria!"

Portanto, o que existe é um processo gradual, mesmo nas ciências naturais. E por vezes a evidência empírica encontra-se mais na natureza dos grandes eventos. Para lhe dar um exemplo trivial, a inflação e a estagflação dos anos 1970 fizeram mais para persuadir os economistas de que havia algo de errado na teoria keynesiana - de que eram necessárias políticas do lado da oferta e tudo isso - do que toda a evidência empírica dos estudos econométricos que contrariava o keynesianismo. Às vezes tem de se levar com um martelo na cabeça para aceitar o abandono de uma bem-adorada teoria.

P - Que outros exemplos pode citar em que a evidência é gritante e mesmo assim a Economia não abandonou a teoria?

MB - As expectativas racionais e a nova macroeconomia clássica [new classical macroeconomics]. A implicação de que nenhuma política pública pode influenciar o produto real, o rendimento real e o emprego numa economia, tem sido refutada vezes sem conta. E a evidência em contrário tem sido reconhecida em grande medida por aqueles que são os porta-vozes oficiais desta macroeconomia clássica. No entanto, a macroeconomia clássica é ainda ensinada em todos os manuais escolares, e existem ainda muitos macroeconomistas que acreditam ferverosamente que essa teoria está assente em fundações sólidas, e de que as pessoas, efectivamente, formulam expectativas racionalmente. Existe evidência até nas bolsas de valores. As bolsas são dos melhores locais para testar a ideia porque, entre todos os mercados, é dos que mais motiva os agentes a estarem informados. No entanto a bolsa de valores está pejada de anomalias, como bolhas especulativas, que são impossíveis de explicar na hipótese de todos os intervenientes formularem expectativas racionais.

[ continua ] - [ texto anterior ]

Entrevista da Challenge, May-June, 1998

segunda-feira, junho 11, 2007

Gary Becker

     «Durante os últimos 60 anos, em todas as nações economicamente avançadas, e também em muitos dos países em desenvolvimento, as mulheres passaram a participar muito mais na actividade económica, e atingiram também maiores níveis de escolaridade, em parte porque as taxas de nascimento também declinaram acentuadamente. Como resultado, as mulheres passaram a dispôr de mais tempo livre das responsabilidades domésticas. A economia americana, tal como outras economias avançadas, também se deslocaram das actividades de manufactura para as de serviços, onde sempre tem sido mais fácil às mulheres encontrar emprego. Também diminuiram as discriminações na admissão a escolas de Medicina, Direito, Engenharias e outras, provavelmente sob a pressão do crescente número de mulheres que pretendem entrar nesses domínios. Cerca de metade dos estudantes de Medicina e Direito, nos EUA, são mulheres, e a sua inscrição em programas de MBA e escolas de engenharia está também a aumentar rapidamente.
     «Uma fracção maior de mulheres trabalha agora a tempo inteiro, comparativamente com o que acontecia há 50 anos atrás. (...) Maiores níveis educacionais e maior participação feminina na força de trabalho contribuiram para aumentar os rendimentos anuais das mulheres, relativamente aos homens. Algumas estimativas indicam que as mulheres ganham mais do que os maridos em mais de 30% dos lares em que ambos trabalham, e a fracção das famílias em que as mulheres são o principal sustentáculo financeiro tem crescido a uma grande velocidade.
     «No entanto, as mulheres, em média, ainda ganham menos do que os homens, e estão muito menos representadas nos percentis superiores da distribuição global de rendimentos. Nas próximas duas décadas deveremos assistir à diminuição deste fosso, mas será ele eliminado? Se, como é provável, as mulheres continuarem a retirar tempo de trabalho para cuidar das crianças, e a faltar ao trabalho quando elas adoecem ou necessitam de atenção especial, isso continuará a reduzir os seus rendimentos face aos dos homens, bem como a sua representação no topo dos escalões de rendimentos.»

Gary Becker
Women's Role in the Economy

Regresso a Hirschman


    Charles I. Jones

"Intermediate Goods and Weak Links: A Theory of Economic Development" [ pdf ]

«O rendimento per capita dos países mais ricos excede o dos mais pobres por um factor superior a 50. O que explica estas enormes diferenças? Este paper regressa a duas antigas ideias da Economia do desenvolvimento e propõe que a complementaridade e as ligações estão no cerne da explicação. Em primeiro lugar, e tal como a resistência de uma cadeia é a do seu elo mais fraco, qualquer problema em qualquer ponto na cadeia de produção pode reduzir substancialmente o output, no caso de os inputs entrarem em associações complementares. Em segundo lugar, as ligações entre empresas por via de bens intermédios fornecem um multiplicador similar ao que era associado à acumulação de capital no modelo neoclássico de crescimento. Uma vez que a fatia do rendimento dos bens intermédios é cerca de 1/2, este multiplicador é importante. O paper desenvolve um modelo com inputs complementares e ligações através dos sectores e mostra que podem facilmente gerar-se diferenças substanciais no rendimento agregado.»

Grande embrulhada


A culpa é do DNA...

«Os irmãos gémeos Raymon e Richard Miller são pai e tio de uma menina de 3 anos. O problema é que não se sabe qual deles é ó quê. Ou quem é quem. Estes gémeos do Missouri (EUA) dizem ter tido sexo com a mesma mulher, com desconhecimento um do outro. E, de acordo com o testemunho da senhora, ela teve sexo com cada um deles no mesmo dia, com poucas horas de diferença.

Quando a senhora em questão, Holly Marie Adams, ficou grávida, nomeou Raymon como sendo o pai. Porém, quando foi pedido a Raymon o pagamento de uma pensão à criança, este foi para tribunal e exigiu que ele e o irmão fizessem o teste de paternidade. O resultado foi inconclusivo e o juiz Fred Copeland determinou que, mesmo com testes de DNA idênticos e prova de relações simultâneas, Raymon teria de se manter como o pai legal. Raymon continua a litigar em instância superior.

Richard, embora admita ter tido relações sexuais com Adams, acredita que é impossível provar que é ele o pai e afirma que o irmão apenas anda a fugir ao pagamento da pensão.» (Notícia)

domingo, junho 10, 2007

Mark Blaug: entrevista [1]


       Mark Blaug

P - Penso que é justo dizer-se que você é o líder dos que defendem que a fraqueza da Economia reside em grande parte da teoria não ser falsificável. Se não se pode refutar algo, como se pode demonstrar que pode ser verdadeiro? Qual é a sua definição de falsificabilidade?
MB - Ao confrontar uma teoria, deve ser possível pensar em evidência que, se encontrada, possa refutar a teoria ou leve ao seu abandono. Compreender-se-ia que estava errada. Seria refutada por alguma evidência. Se, por exemplo, alguém diz: "Acredito em tal e tal, e não há evidência que me faça alguma vez abandonar esta teoria", então, seja qual for o grau de crença, não é ciência, porque as crenças, ou teorias, ou hipóteses científicas, ou o que lhes queira chamar, devem ser refutáveis, pelo menos em princípio. Aqui é que começam os problemas.
P - Foi Karl Popper, o filósofo, quem originou esta crítica da Economia?
MB - Não, ele disse isso acerca de outras áreas. Disse muito pouco sobre Economia, e o que disse foi mais adulatório do que crítico. Não, ele nunca criticou a Economia. Popper era um filósofo da Ciência. Muitas das aplicações das suas ideias ocorreram na Física, e ele estava particularmente interessado na Teoria da Relatividade, na Mecânica Quântica, e por aí. Tanto quanto lhe interessaram as ciências sociais, era o género da "grande" ciência social. Ele escreveu "The Open Society", que tinha três grandes inimigos: Platão, Hegel e Marx. Mas ele não se interessou particularmente pela Economia e disse muito pouco acerca dela, e algumas das coisas que disse geraram mais perguntas do que respostas.
P - Quem foi então a primeira pessoa a levantar o problema da falsificabilidade na Economia?
MB - Terrence Hutchison, que ainda muito jovem escreveu "The Fundamental Postulates of Economic Theory". Neste livro ele criticou a assumpção do conhecimento perfeito em muita da teoria ecnomica e introduziu o pensamento de Popper. Hutchison, que está agora no início dos seus 90 anos, manteve-se sempre um grande discípulo de Popper e da aplicação das suas ideias à Economia. Eu segui-lhe os passos. Foi uma espécie de mentor para mim.
P - Estudou com ele?
MB - Foi um dos meus supervisores de doutoramento na Universidade de Columbia, que visitou. Eu tive dois supervisores: George Stigler e Terrence Hutchison. Faziam um contraste maravilhoso. Mas agora há muito de Popper em Stigler. Por isso, na realidade, devo bastante a ambos.

[ continua ]

Entrevista da Challenge, May-June, 1998

Notas:
  • Sobre o falsificacionismo, leia-se esta entrada de David Papineau em A Arte de Pensar.
  • Falsificabilidade: propriedade que um enunciado ou uma teoria têm de ser refutados pela experiência.
  • sábado, junho 09, 2007

    Outsourcing

    quinta-feira, junho 07, 2007

    Crime, dizem eles

  • Becker-Posner Blog:


    Richard Posner

    «A objecção económica básica ao crime é de que o crime constitui uma transacção cara mas estéril. Redistribui a riqueza, não aumenta o tamanho do bolo social; e, por isso, os custos envolvidos no crime — o tempo e outros inputs do criminoso, bem como as medidas defensivas tomadas pelas potenciais vítimas — constituem um peso morto para a sociedade.»



  • Marginal Revolution:

    Se olharmos para uma simples correlação entre o crime per capita e polícias per capita, obtemos isto:

    A polícia provoca crime! Alguns dos inspirados por Foucault podem chegar a essa conclusão, mas não é surpresa que lugares com muitos crimes têm muitos polícias. Estimar o verdadeiro efeito da polícia no crime a partir de dados observados é difícil, porque polícia e crime são conjuntamente determinados. (...) Quando é lançado um alerta relacionado com o terrorismo, a polícia de Washington DC coloca mais agentes na rua. Descobrimos que o crime diminui significativamente durante estes períodos de alerta elevado:
    "Using Terror Alert Levels to Estimate the Effect of Police on Crime" (pdf)
  • quarta-feira, junho 06, 2007

    Regionalização


    [ James Stodder ]

    Manchas solares

         «Sunspot equilibrium é um conceito da economia, criado por David Cass e Karl Shell. Um "equilíbrio das manchas solares" é um equilíbro económico onde a produção ou alocação de recursos de mercado depende de uma variável externa aleatória, ou "mancha solar", que têm influência apenas porque as pessoas pensam que ela tem influência. Aplica-se áquelas situações em que a economia pode atingir distintos equilíbrios, obtendo-se um ou outro pela mera coordenação dos agentes.
         Numa situação típica da Teoria dos Jogos, dois ou mais equilíbrios distintos podem ser igualmente alcançados. É a acção dos agentes, que actuam simultâneamente num sentido ou noutro, que determina o equilíbrio.
         Dá-se o nome de equilíbrios das manchas solares porque é uma variável externa à economia que determina o equilíbrio. Assim, por exemplo, poderiamos imaginar dois equilíbrios, um em que nada se cultiva e todos morrem de fome, e outro onde todos plantam e a sociedade avança. Ambas as coisas podem ocorrer, dependendo da coordenação dos agentes. Se estes forem supersticiosos, podem acreditar que mudanças nas manchas solares farão com que todos os demais não cultivem e morram de fome, pelo que não haverá a quem vender a produção. Assim, toda a sociedade se coordena para alcançar o equilíbrio negativo, ainda que não haja nenhuma razão intrínseca à economia para que isso ocorra.» (Wikipedia)

    Joan Robinson

    Joan Robinson«Joan Robinson dava crédito à pretensão de Keynes de ter revolucionado a teoria económica, e não partilhava o ponto de vista de Harrod de que se tratava de uma teoria essencialmente estática. Pelo contrário, Robinson escreveu que "Keynes estilhaçou a casa de vidro da teoria estática". Ela creditava que a teoria económica tradicional pouco mais era do que uma apologia do capitalismo do laissez faire e, consequentemente, boa para se deitar fora. Para Robinson, as teorias de Kalecki e Sraffa eram muito mais prometedoras na explicação de temas tais como o valor e a distribuição. O seu maior contributo foi sobre a tradição clássica de examinar a evolução do sistema económico ao longo do tempo. Uma vez que Keynes assumiu, na sua "Teoria Geral", um stock de capital fixo, deixou de fora as questões do crescimento e acumulação de capital, às quais ela tentou responder, na senda do trabalho de Harrod. A sua estratégia era a de construir modelos simplificados e depois "avançar passo a passo das assumpções mais simples para uma maior complexidade, expremendo tudo o que pudesse ser aprendido em cada passo, antes de dar o seguinte.»

    Fiona C. Maclachlan
    "Joan Robinson on Harrod’s Dynamics" [doc]

    terça-feira, junho 05, 2007

    Debate

    Jorge Gaspar
         A plateia do debate de ontem na RTP sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa parecia um ajuntamento de claques de futebol. As intervenções, embora um bocadinho mais sofisticadas, não sairam do mesmo truque de tentar piscar o olho ao zé pagante.
    Fatima Campos Ferreira     Os economistas de serviço, Augusto Mateus e Eduardo Catroga, safaram-se no cômputo geral. Porém, não acho que qualquer das intervenções possa orgulhar a classe. Weak argument, diria o outro. Quem não se safou foi o professor Jorge Gaspar, apesar de ser o único que mostrou ter feito o trabalho de casa. E talvez por isso mesmo. Hoje a substância não conta muito: o que pesa é a imagem, a convicção (ainda que seja ao serviço da dúvida, ou de nada), a falsa ingenuidade (Catroga) e a inocente presunção (Mateus). Jorge Gaspar tinha motivos para se irritar, irritou-se, e isso não o ajudou.
         Fátima Campos Ferreira foi competente, como é usual, tentando que a plateia de autarcas e assessores não fizesse figuras tristes, mas em vão. E ainda teve a paciência de dar a palavra a alguns excitados, certamente convencidos de que se não interviessem o mundo desabaria. 30 anos de poder autárquico para isto?

    Vernon Smith


    Vernon Smith e o autismo.
    "Risk, Return, and Economic Substance"
    Charlene Luke

    Luke_3«A "doutrina da substância económica" ["economic substance doctrine"] é utilizada pelos tribunais para lidar com as litigações feitas pelos contribuintes fiscais que desvendaram vias complicadas e não-intuitivas para obter benefícios fiscais — vias não previstas pelas autoridades governamentais mas que, todavia, satisfazem tecnicamente vários controlos estatutários e regulatórios. Embora os tribunais não tenham estabelecido uma moldura doutrinária uniforme, a doutrina converge em torno da questão de saber se o contribuinte auferiu (ou podia ter razoavelmente esperado auferir) um lucro-antes-de-impostos na transacção suspeita. Esta averiguação antes-de-impostos é controversa. Em primeiro lugar, não lida adequadamente com os impostos implícitos. Em segundo lugar, tal como tem sido aplicada por vários tribunais, tem sido analisada para saber se o contribuinte se sugeitou ou não a um risco de mercado, numa dada transacção. Como resultado, o teste ignora a possibilidade de rendimentos livres de risco e pode ser a causa de que os contribuintes corram riscos desnecessariamente. Finalmente, o montante do lucro-antes-de-impostos requerido (em termos absolutos ou relativos) nunca foi estabelecido. Isto faz aumentar a possibilidade dos contribuintes consiguirem iludir o escrutínio por tomarem um montante insignificante de risco de mercado ou por inserirem numa dada transacção um risco externo baixo ou nulo.»
    TaxProf Blog.

    Keynes vs Harrod

    J.M.Keynes
    J. M. Keynes
    Roy Harrod
    Roy Harrod

    «Parece-me a mim que a Economia é um ramo da Lógica, um modo de pensar; e que você não repele com suficiente firmeza as tentativas à la Schultz de a transformar numa pseudo-ciência-natural. Podem-se fazer progressos significativos meramente pelo uso dos seus axiomas e máximas. Mas não se pode chegar muito longe a não ser que se divisem modelos novos e melhorados. Isto requer, como você salienta, "uma observação atenta do actual funcionamento do nosso sistema". O progresso em Economia consiste quase exclusivamente num movimento progressivo de escolha de modelos. O grave defeito da escola clássica tardia, exemplificada por Pigou, foi o de insistir no uso de um modelo demasiadamente simples ou fora de prazo, e em ignorar que o progresso reside na melhoria do modelo; Marshall, por outro lado, baralhava frequentemente os seus modelos — na concepção dos quais manifestava grande génio — por querer que fossem realistas e tendo escusada vergonha de linhas simples e abstractas.»

    Carta de Keynes a Roy Harrod, comentando
    o artigo "Scope and Method of Economics"


    Nota: o teórico depreciativamente citado por Keynes é Henry Schultz (1893-1938), pioneiro na introdução de métodos quantitativos no desenvolvimento da teoria Económica. Na resposta a Keynes, Harrod escreve que "Embora eu concorde genericamente com o que diz de Schultz, penso que Tinbergen pode estar a fazer um trabalho de valor ao tentar traduzir esta parte da teoria em termos quantitativos, por.ex. no modelo em que a taxa de juro e a eficiência marginal do capital determinam conjuntamente a taxa de investimento".

    Metodologia

    "The Methodology of Economics and the Survival Principle Revisited and Revised"
    Morris Altman; Review of Social Economy, Vol. 57, 1999

    «Na sequência da publicação, em 1953, da obra clássica de Milton Friedman sobre a metodologia da Economia [*], poucos economistas desafiaram a asserção de que o realismo dos pressupostos tem fraca relevância analítica para a teoria económica e, consequentemente, para a formulação das políticas económicas. Este paper debruça-se sobre o potencial significado substantivo do realismo dos presuspostos no bem-estar económico e na justiça económica, através do seu efeito nas previsões analíticas dos modelos económicos, nas implicações destas previsões na política, bem como no efeito que pode ter na amplitude e profundidade da análise económica.»

    [*] - The Methodology of Positive Economics

    quinta-feira, maio 17, 2007

    Teologia


    Detalhe do quadro "O cambista e a sua mulher" (1514),
    do pintor flamengo Quintino de Metsys

    O quadro original, que se encontra no Louvre, é o seguinte
    (clique para ampliar):

    Ainda outro quadro com o mesmo tema, de Marinus Claeszon Van Reymerswaele,
    que se encontra no Museu do Prado, em Madrid
    (clique para ampliar):

         «O cambista e a sua mulher é uma pintura flamenga dos inícios do século XVI, a qual é muito utilizada para representar a actividade económica. Existem duas versões diferentes: uma por Quintino de Metsys, de 1514, e outra de Marinus van Reymerswaele, de 1539. Existem significativas diferenças entre as duas pinturas, diferenças que eu penso terem significado económico.
         «Muitos historiadores de arte vêem nas pinturas de Metsys e Reymerswaele um simbolismo satírico e moralista. O casal seria a representação da ganância. Outros pensam que as pinturas mostram a actividade económica como algo respeitável. Naquele tempo a Flandres era o centro de uma florescente actividade industrial e comercial, e era também o centro de uma actividade mercantil de obras de arte. Ambas as coisas levaram à representação, em pinturas, da actividade de cambistas, ourives e banqueiros, dum modo que mostrava essas profissões como sendo respeitáveis actividades.
         «Mas alguns académicos propuseram outras interpretações, mais subtis. Marjorie Grice-Hutchinson, a historiadora do pensamento económico que foi a primeira a chamar a atenção dos economistas para a corrente escolástica espanhola da "Escola de Salamanca", considera a pintura de Metsys como uma ilustração da intenção dos escolásticos em tornar compatível a actividade comercial com a doutrina da Igreja, que condenava a usura [empréstimo de dinheiro a juros]. De acordo com a sua interpretação, a pintura de Metsys representa o usurário a trabalhar e, ao mesmo tempo, a discutir com a sua mulher a bondade de um determinado negócio comercial, ajudados pelo livro religioso que a mulher folheia.
         «É importante notar que, 25 anos depois, na pintura de Reymerswaele, já não se trata de um livro religioso mas sim um livro de registos contabilísticos. Ainda assim os historiadores de arte defendem que há uma intenção satírica e moralizadora. Segundo eles, o simbolismo seria evidente para as pessoas da época, mas não para nós. Por exemplo: os dedos longos e curvados do casal de burgueses, alegadamente, representariam a avareza. Mas Reymerswaele, num outro quadro, pintou as mãos de São Jerónimo do mesmo modo, portanto a intenção deve ser estética e não simbólica.»

    (Adaptado de um texto de Manuel Santos Redondo. Leia o texto integral aqui   »»».)


    Pode dizer-se que esta dualidade ainda hoje é revelada pelas palavras ganância e ganho, que possuem a mesma origem. A intenção de ganhar dinheiro tanto pode ser bem vista (ganhar, palavra que também significa ser melhor do que os outros) como pode ser criticada (ganância). Em castelhano "ganancia" é o beneficio económico obtido por um capital investido.

    Derivas e paradoxos semelhantes (e significados contraditórios para a mesma palavra em português e castelhano) ocorrem com "concorrência", "competência" e "competição".

    segunda-feira, abril 16, 2007

    Um americano em Bruxelas


    "Maastricht 2042 and the Fate of Europe: Toward Convergence and Full Employment" [pdf]
    James K. Galbraith


    «Este paper apresenta uma estratégia de convergência económica para a Europa. Os princípios e ideais europeus requerem convergência, mas a política económica pan-europeia da "reforma do mercado de trabalho" impõe divergência, na esperança de que uma menor equidade nos salários europeus leve a Europa a aproximar-se do dinamismo e da perfomance do emprego nos EUA. Nós deslindámos este paradoxo europeu mostrando que, de facto, a estrutura de salários inter-regional dos EUA é substancialmente mais igualitária do que a da Europa; a convergência para os níveis de inequidade americanos necessitarão, por isso, da sistemática redução das diferenças inter-regionais dos salários europeus. Apresentamos alvos quantitativos para uma estratéria de crescimento igualitário e convergência salarial nas regiões europeias até 2042, ano em que se comemorarão os 50 anos do tratado de Maastricht. Um capítulo teórico explica porque é que esta estratégia, na senda da experiência americana do New Deal, pode contribuir para a redução da praga do desemprego na Europa.»

    terça-feira, fevereiro 06, 2007

    Filosofia da Ciência





    "History of Twentieth-Century Philosophy of Science"
    Thomas J. Hickey

    Destaca-se o Capítulo VIII: "Herbert Simon, Paul Thagard and Others on Discovery Sistems" [pdf] [zip]

    Robert Lucas











    Upload original: EconTalk, via Gustibus.

    Ainda mexe!...

    "Phillips Curve for Advanced Economies on Period 1996-2007 - United States and Euro Area Case"
    Eduardo G. Manuel

    «We concluded that the true form of Phillips curve for short and long-run will not be verified always that exist equal evolution of their variables or for others words, always that inflation and unemployment rates growing to same direction, in both regions or in any region, the Phillips curve never will have their normal form and this just happen when inflation and unemployment rates growing for different directions (in the short-run) and when inflation rate is growing and unemployment doesn't (in the long-run).»

    O que significa isto?