«Ora é ponto assente, hoje em dia, que apenas uma política de desenvolvimento económico fundamentada num plano terá possibilidades de êxito, vencendo as múltiplas dificuldades que se deparam aos países atrasados. Francisco Pereira de Moura |
sábado, outubro 07, 2006
Planeamento
sexta-feira, outubro 06, 2006
IgNobel
O Prémio IgNobel destaca investigações e descobertas "científicas" caracterizadas pela sua patetice ou inutilidade. Ao que consta, este ano não foi atribuído o IgNobel da Economia: quererá isto dizer que os economistas estão a ficar um bocadinho menos patetas e menos inúteis? Ora aqui está um bom tema de investigação para uma candidatura para o próximo ano. Tenhamos esperança. |
quarta-feira, outubro 04, 2006
Liberdade
- «Que é potencialmente livre não tenho dúvidas (já li cada uma!). Mas um mortal cidadão como eu não fica mais livre. Sente-se oprimido pelo peso da sua ignorância e pelo sentimento de incapacidade de ler blogues suficientes de modo a poder destrinçar A de B. Por isso cada vez me valho mais dos jornais para evitar um blogueio mental.» Onésimo Almeida, respondendo a |
Solidariedade ou desorçamentação?
«O Governo quer que o Orçamento do Estado deixe de financiar directamente a construção e manutenção das auto-estradas através de transferências correntes para a Estradas de Portugal (EP) e passe antes a entregar, ao longo dos anos, uma compensação à empresa rodoviária a título de pagamento de um serviço. Para financiar os novos investimentos será a empresa pública a recorrer ao crédito, não se agravando, deste modo, a dívida pública.» Diário de Notícias, 4.Set.2006 Acho que não ouvi bem... Mas então a dívida pública (a real, não um mero indicador estatístico) não se agrava em igual montante, quer o défice seja inscrito no OE ou numa empresa pública? E não é por isso mesmo que, na proposta para uma nova Lei de Finanças Locais, o governo considera que a dívida de empresas municipais deve contar para o endividamento municipal? (*) A ler, de Vítor Bento: A Desorçamentação das Despesas Públicas (ficheiro Word) . (*) - tal como considera que, para o endividamento das autarquias, devem ser contabilizadas coisas como factorings, leasings e venda de créditos - apesar de o governo (na encarnação Durão/Ferreira Leite) ter vendido créditos fiscais para aliviar cosmeticamente o défice orçamental. |
Saudades de casa

| Don't follow leaders Watch the parkin' meters... |
terça-feira, outubro 03, 2006
Perguntas sem resposta

Adam Smith
Num programa recente da RTP e RTPN, Nuno Crato entrevistou dois professores de Economia acerca da natureza científica da Economia. Assunto interessante que teve ali o desenvolvimento adequado para um programa dirigido a um público genérico: tanto Nuno Crato como os convidados conduziram bem as perguntas e respostas.
No entanto, a certa altura, depois de os entrevistados terem falado do mecanismo da "mão invisível" e da escola Marginalista, Nuno Crato fez uma pergunta interessantíssima: será que essas descobertas, feitas entre os séculos XVII e XVIII, poderiam ter ocorrido antes? A isto nenhum dos economistas convidados conseguiu responder, provavelmente porque não perceberam a pergunta - e limitaram-se a repetir a explicação do que era o equilíbrio automático e da ordem espontânea, etc. Parafraseando a lapaliceana noção de que "Economia é o que os economistas fazem", poderiam ter respondido que a coisa não poderia ter sido descoberta antes, porque antes disso não havia Economistas!
Para mim teria sido a parte mais interessante do programa, dado que as outras questões não representavam grande novidade para mim. A questão de Nuno Crato é realmente curiosa, e pode colocar-se em dois planos, pelo menos:
a) Será que a própria natureza da actividade económica é mutável, e só naquela altura é que o mecanismo da mão invisível se poderia ter revelado aos olhos do observador? É verdade que já nas primeiras cidades, há uns 8 mil anos, se verificavam trocas comerciais importantes, mas é após as Descobertas e a expansão europeia que o comércio monetarizado se intensifica poderosamente. Em que altura teria sido possível então detectar a formação da "ordem espontânea", o equilíbrio entre oferta e procura, ou o egoísmo do cervejeiro a contribuir para o bem-estar comum?
b) Admitindo que já existia há muito o mecanismo da "mão invisível", haveria capacidade analítica para o detectar muito antes de Adam Smith? É certo que não se trata de um conceito muito complexo ou sofisticado, mas também é verdade que a noção de "lei natural" é algo que só surge nos alvores do método científico. E havia ainda o "pequeno problema" das "leis naturais" desvalorizarem a cotação das "leis divinas" o que era, em geral, muito mal visto pelos guardiães destas últimas.
Creio que a metáfora da "organização espontânea" surge na biologia animal, com a observação das formigas, por exemplo. Até mesmo a teoria darwiniana da evolução assenta numa ideia base de "ordem espontânea": as mutações genéticas não visam nenhum objectivo particular, o processo de selecção natural é que determina quais as que se reproduzem.
A Economia, apesar da sua capacidade de gerar metáforas (ou talvez por isso mesmo) avançou muito pela "adaptação" das metáforas de outras ciências. E as leis científicas, ao fim e ao cabo, não são elas próprias (apenas) metáforas da realidade?
"Guerras" da Ciência
Artigo de Vitor Tomé que faz uma descrição da polémica travada nos últimos anos entre António Manuel Baptista e Boaventura Sousa Santos.
Percentis

Através de 4 estudos, os autores descobriram que "os participantes com pontuações no quartil inferior em testes de humor, gramática e lógica, sobrestimaram grosseiramente as suas capacidades". De acordo com as conclusões, os incompetentes são vítimas de uma dupla deficiência: "Não só estas pessoas chegam a conclusões erradas e fazem escolhas infelizes, como a sua incompetência rouba-lhes a capacidade metacognitiva para ter consciência do facto". Topam? Eles são incompetentes, mas não sabem que são incompetentes, precisamente porque são incompetentes. Portanto, são apenas vítimas.
Abrindo seu o artigo com uma citação de outro autor (W. I. Miller, "Humiliation", 1993), dir-se-ia que já nada mais haveria a investigar: "Uma das características essenciais dessa incompetência é que a pessoa é tão limitada que é incapaz de saber que é incompetente. Se tivesse esse conhecimento já seria uma grande ajuda para curar a deficiência". Mas aqui é que está o grande lampejo, quiçá mesmo o génio, dos investigadores da Universidade de Cornell: se a ciência conseguir que estas pessoas atinjam a compreensão da sua própria incompetência, ficariam praticamente curadas, ou seja: competentes. Portanto, já não é preciso perder tempo a formar pessoas ou a castigá-las com incentivos negativos: basta pôr-lhes um espelho à frente. Porque é que não nos lembrámos disto antes? Estaremos nós no percentil inferior?
Maravilhas da Ciência
Em vez de andar para aí a fechar urgências, o sr. ministro talvez conseguisse melhores resultados se pusesse os olhos nesse Grande Perigo que são os animais de estimação.
O estudo de Susan Kurrle, Robert Day and Ian Cameron, "The perils of pet ownership: a new fall-injury risk factor", publicado no Medical Journal of Austrália, não deixa margem para dúvidas: os investigadores, tendo analisado, durante 18 meses, no serviço de urgência de um hospital australiano, os doentes com mais de 75 anos com fracturas associadas aos seus animais de estimação, detectaram os 16 casos apresentados no quadro de baixo. O estudo prova inequívocamente que "ferimentos graves associados a quedas em pessoas idosas podem ser causados por animais de estimação, mais frequentemente cães e gatos".
Como estão prestes a ser atribuídos os Prémios IgNobel, é caso para estar atento a esta descoberta australiana.
| Idade (anos) | Sexo | Fractura | Animal | Circunstâncias |
| 78 | F | Fémur | Cabra | Queda quando tentava alimentar umas cabras empoleirando-se sobre uma cerca. |
| 83 | F | Pélvis | Gato | Tropeçou no gato, caindo sobre o animal (que faleceu). |
| 84 | M | Úmero | Cão | Enquanto passeava o cão com uma trela extensível, o cão deu várias voltas, enrolando-se as pernas e provocando a queda. |
| 81 | F | Pélvis | Burro | Queda para trás ao ser empurrada por um burro a quem dava de beber por um balde. |
| 79 | M | Pulso | Pássaro | Queda do cimo de uma cadeira enquanto tentava apanhar o pássaro que fugira para o varão de um cortinado. |
| 78 | F | Costelas | Cão | Escorregou numa poça de urina de um cachorro Labrador, caindo sobre uma cadeira. |
| 88 | F | 3ª vértebra cervical | Gato | Queda para trás, ao tropeçar num gato. |
| 76 | F | Ossos do nariz | Cão | Queda enquanto tentava impedir que um cachorro saltasse para dentro de um aquário. |
| 81 | F | Anca | Pássaro | Tropeçou em degraus enquanto transportava uma gaiola com um canário. |
| 75 | M | Costelas | Cão | Ao passear na rua dois galgos pela trela, os cães puxaram-no e caiu contra a vedação. |
| 80 | F | Úmero | Gato | Ao baixar-se para apanhar a malga do gato, este enrolou-se nas pernas e a senhora caiu. |
| 83 | F | Pulso | Gato | Queda no jardim quando tentava impedir um gato de caçar um lagarto. |
| 82 | F | Fémur | Gato | Tropeçou num gato preto num corredor escuro e caiu. |
| 86 | F | Pélvis | Cão | Ao transportar o cesto do lixo enquanto segurava um golden retriever pela trela, ficou presa entre o cão e o cesto e caiu. |
| 83 | F | Úmero | Cão | Carregando um pequeno cão na varanda, tropeçou e caiu nas escadas. |
| 80 | F | Pélvis | Gato | Queda ao tentar fugir pelas traseiras, enquanto o gato entrava pela outra porta com uma cobra viva. |
sábado, setembro 09, 2006
Downsizing

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O certo é que a "febre" da multiplicação dos bancos e das agências bancárias acabou por arrefecer, devido à concentração empresarial e desaparecimento dos pequenos bancos, bem como aos processos de "downsizing" e desmaterialização das oprações bancárias.
No espaço retratado pela fotografia, na Rua Alexandre herculano, em Setúbal, já funcionou uma agência bancária, mas actualmente encontra-se lá uma loja de comércio diversificado, vulgo "loja de chineses". Lá dentro as mercadorias amontoam-se sem grande cuidado e algumas das montras chegam a parecer arrecadações. Os "buracos" das antigas máquinas de atendimento automático "ATM" encontram-se muito mal disfarçados (veja-se a imagem); num dos casos apenas foi colocado tijolo sem reboco.
Haverá algum significado nestas alterações? Se dantes era a substituição do convívio pelo dinheiro fácil, agora será o quê - a "terceiro-mundialização" da nossa economia? O "downsizing" das nossas expectativas? E será que ainda vamos ter saudades do tempo em que os cafés eram substituídos por agências bancárias?
quinta-feira, setembro 07, 2006
Dopagem
«Fazer o teste a drogas é um tema de segurança. Várias federações desportivas no mundo fazem o possível para detectar a dopagem ilegal, e os jogadores fazem o possível para iludir os testes. É uma clássica "corrida às armas": melhorias nas tecnologias de detecção conduzem a melhorias na evasão a essa detecção, o que por sua vez conduz ao aumento das capacidades de detecção. Neste momento parece que as drogas estão a ganhar; há quem descreva estes testes como "testes de inteligência" [intelligence tests]: se não os consegues iludir, então não mereces participar no jogo. «Porém, ao contrário de muitas "corridas às armas", nesta os detectores têm a possibilidade de olhar para o passado. No ano passado, um laboratório efectuou um teste à urina de Lance Armstrong e encontrou vestígios da substância EPO. O interessante é que a amostra de urina não era de 2005: era de 1999. Na altura ainda não existiam teste fiáveis para a EPO na urina. Hoje existem, e o laboratório pegou numa amostra congelada da urina (quem é que sabia que os laboratórios guardavam as amostras de urina dos atletas?) e testou-a. Armstrong foi mais tarde ilibado - os procedimentos do laboratório foram descuidados - mas eu não creio que as possíveis ramificações do episódio tenham sido compreendidas. Os testes podem recuar no tempo. «Isto tem duas consequências importantes. Uma é a de que os médicos que desenvolvem novas drogas de melhoria de desempenho sabem exactamente quais os testes que os laboratórios anti-dopagem vão realizar, podendo eles próprios testar previamente a capacidade dessas substâncias para iludir os testes oficiais. Mas não podem saber que tipo de testes virão a ser realizados no futuro, e os atletas não podem assumir que lá porque uma droga não é detectada hoje, o mesmo não ocorra nos anos seguintes. «Outra consequência é a de que os atletas acusados de dopagem com base em amostras de urina já antigas não têm possibilidade de se defender. Não podem voltar a submeter-se ao teste; já é tarde. Se eu fosse um atleta preocupado com estas acusações, eu depositaria a minha urina regularmente para criar algumas condições para contestar eventuais acusações. «A "corrida às armas" na dopagem irá continuar por causa dos incentivos. É um clássico "dilema do prisioneiro". [...]» Bruce Schneier |
quarta-feira, setembro 06, 2006
Os alpendres da Arrábida

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O movimento de contestação à abertura daquela estrada, no início do século XX, acabaria por dar origem à primeira organização ecologista portuguesa: a Liga para a Protecção da Natureza. João Bénard da Costa, nos artigos que tem vindo a publicar sobre as suas férias na Arrábida, lamenta que a instabilidade daquela zona, agravada com os incêndios dos últimos anos, não tivesse sido aproveitado para o encerramento da estrada - uma ideia interessante.
Mas para onde iriam os veraneantes tomar banho? Uma solução possível seria a reconstituição das praias ribeirinhas de Setúbal, frente à cidade, no âmbito do Setubal-Polis. No entanto, o mais provável é que vença ali a tendência - já verificada no Parque das Nações - para se construirem ainda mais edifícios, "viabilizando" o financiamento de um pouco mais de espaço público betonizado.
[Originalmente publicado no blogue 'Setúbal'.]
quarta-feira, agosto 30, 2006
Nova Sociologia Económica
| "Entre Deus e o diabo: mercados e interação humana nas ciências sociais" Artigo de Ricardo Abramovay - "Tempo Social", revista de sociologia da Universidade de S. Paulo (Nov. 2004, vol.16, no.2, p.35-64) «A principal característica da Nova Sociologia Económica, que ganha prestígio crescente nos Estados Unidos e na Europa, é estudar os mercados não como mecanismos abstractos de equilíbrio, mas como construções sociais. Esta orientação, longe, entretanto de opor-se aos procedimentos da ciência económica é também partilhada por alguns dos seus mais importantes expoentes. É bem verdade que a economia contemporânea faz jus à reputação tão difundida de ciência cinzenta, mecânica e incapaz de incorporar preceitos éticos nos seus pressupostos. Mas parte importante e cada vez mais significativa da disciplina volta-se justamente para o estudo de formas concretas de interacção social e coloca em dúvida as motivações puramente egoístas e maximizadoras postuladas axiomaticamente pela tradição neoclássica. Entre estas correntes destaca-se a Nova Economia Institucional, cujos temas são objecto também da Nova Sociologia Económica. Apesar das suas diferenças de abordagem, ambas contribuem para evitar que os mercados sejam encarados como soluções mágicas para todos os problemas sociais ou como formas diabolizadas de interação que a emancipação humana acabará um dia por suprimir. |
quinta-feira, agosto 24, 2006
Teoria económica
«Ao longo do passado meio século os economistas responderam ao desafio que Allais [1], Ellsberg [2] e outros levantaram ao neoclassissismo, quer estabelecendo fronteiras à teoria económica, quer optando por abordagens descritivas. Embora ambas estas estratégias se tenham revelado muito frutíferas, nenhuma forneceu uma clara abordagem programática que aspire a uma completa compreensão do processo de decisão humana, tal como fez o neoclassissismo. Existe, contudo, crescente evidência de que os economistas e os neurobiólogos estão agora a revelar os mecanismos físicos pelos quais a neuro-arquitectura realiza a tomada de decisão. Embora ainda na sua infância, estes estudos sugerem quer uma moldura unificada para compreender a tomada de decisão pelos humanos, quer quer uma metodologia para contenção do âmbito e da da estrutura da teoria económica. De facto, existe já evidência de que estes estudos colocam constrangimentos matemáticos aos modelos económicos existentes. Este artigo faz a revisão de alguns desses constrangimentos e sugere o âmbito de uma teoria neuroeconómica da decisão.» "Physiological utility theory and the neuroeconomics of choice" [2] Ellsberg D., "Risk, ambiguity, and the savage axioms". Quart J Econ. 1961;75:643–669 |
quarta-feira, agosto 16, 2006
Paul Krugman
| Paul Krugman (2002) |
Audio:
Url dos ficheiros:
http://www-cepr.stanford.edu/news/krugman.wmv
http://www-cepr.stanford.edu/news/krugman.wma
terça-feira, agosto 15, 2006
Aranhas, formigas e cérebro
«[...] As aranhas e as formigas estão longe de ser mestres da matemática ou magos das probabilidades (e eu temo que aconteça o mesmo com muitos membros da Confraria dos humanos, mas não vou agora desenvolver esse ponto.) No entanto, elas comportam-se tal como os modelos económicos da satisfação [satisficing] tipicamente predizem. Elas fazem-no na procura de comida, de acasalamento, de segurança do lugar para descansar, e por aí fora. Resumidamente, a modelação económica mostra que criaturas muito estúpidas podem fazer coisas muito espertas, não pensando nelas coisas tal como faria um teórico da decisão, mas precisamente como resultado de milhões de anos de estratégias ao acaso que levaram algumas espécies a adquirir uma boa probabilidade de ficar por cá, pelo menos durante mais uma geração - supondo que o mundo se mantém mais ou menos estável durante a existência dessa geração.
«Os neurónios do cérebro também são, cada um deles, bastante estúpidos. Mas séculos de evolução conduziram-nos a respostas probabilísticas para que, em conjunto, criem estratégias para manter todo o organismo intacto durante mais uma geração (continuando a supor que o mundo se mantém mais ou menos estável durante a esse tempo). Para Glimcher, os modelos econométricos são tão precisos como qualquer coisa que se possa imaginar para mostrar que biliões de neurónios estúpidos podem agir em conjunto para aumentar a probabilidade de que o sistema - o animal - utilize avisadamente os seus recursos para garantir a sua permanência no mundo durante mais algum tempo.»Recensão de Paul A. Wagner ao livro
"Decisions, Uncertainty, and the Brain:
The Science of Neuroeconomics"
de Paul W. Glimcher
MIT Press, 2003.
Um dilema
Proceedings of the National Academy of Sciences
Originalidades
«Como solução [a Sesibal] propõe um "preço mínimo estipulado por lei na ordem dos cinco por cento em cima de cada quilo de pescado". Este aumento de cinco por cento seria "diluído no intermediário e não no consumidor final". Outra solução que poderia melhorar as condições na actividade piscatória seria a "isenção do IRS, IRC e outras taxas", uma vez que a carga fiscal à pesca "é altíssima" e é descontada "directamente sobre as vendas".»Trata-se de uma ilusão: a primeira venda do peixe é feita em leilão. Se fosse aplicado o sistema sugerido pela Sesibal, os compradores limitar-se-iam a exercer a sua licitação em valores mais baixos, de tal forma que, com a aplicação dos tais 5%, se encontrasse o preço de equilíbrio de mercado. Também não se percebe como é que esse ónus de 5% poderia ser "diluído no intermediário e não no consumidor final". Enfim: originalidades. |
domingo, agosto 06, 2006
O valor de estar vivo
![]() The Economic Value of Life [ 6m:57s - mp3 ] Robert H. Topel [ Univ. Chicago ] http://research.uchicago.edu/highlights/resources/media/topel_128k.mp3 |
Ganhos e perdas

Os resultados deverão ser publicados na edição de Agosto da revista Neuron. Notícia no MSN Health & Fitness.
segunda-feira, julho 10, 2006
Aquela máquina... publicitária
| «Em termos de eficiência, a indústria da publicidade começa apenas agora a libertar-se da sua infância longa de um século, a qual pode ser designada como a "era Wanamaker". Foi John Wanamaker, um devotado comerciante Cristão de Filadélfia, quem, em 1870, não só inventou os departamentos de lojas e as etiquetas de preços (para eliminar a negociação de preços, pois todos deviam ser iguais perante Deus e o preço), mas também foi o primeiro publicitário moderno, ao comprar espaço nos jornais para promover as suas lojas. Trilhou um caminho cristão, nunca anunciando aos Domingos nem mentindo (e, desse modo, cunhando o conceito de "verdade na publicidade"). E, com a sua apurada mente negocial, expôs uma sabedoria que sempre pareceu uma lei económica: "Metade do dinheiro que gasto em publicidade é desperdiçado. O problema é que não sei qual das metades é." «O que Wanamaker não podia ter adivinhado foi o advento da Internet. Um punhado de empresas empreendedoras, desde o Google (a mais valiosa agência mundial de publicidade disfarçada de motor de busca da web) até novatas de Silicon Valley, muitas delas apenas com meses de vida, estão a vender aos anunciantes novas ferramentas para reduzir o desperdício. Isto assume várias formas exóticas, mas há algo em comum: o desejo de substituir a antiga abordagem publicitária, na qual os anunciantes pagam pelo privilégio da "exposição" de uma audiência hipotética à sua mensagem, por uma outra na qual os anunciantes pagam apenas por acções reais e mensuráveis da parte dos consumidores, tais como clicar num web link, partilhar um video, fazer uma chamada, imprimir um impresso ou comprar alguma coisa.» The Economist, "The ultimate marketing machine" |
Não digas 'porquê', diz 'obrigado'
João César das Nevesin Diário de Notícias |
Zero absoluto
Octávio Teixeira in Diário de Notícias |
Desinvestimento
| Notícia do "Público": 29 % dos seus dirigentes» Faz todo o sentido. Se a agricultura está a desaparecer, e se o ministério acha que os agricultores existentes andam a desviar os financiamentos públicos para outros fins, só não se percebe é porque é que a percentagem não é substancialmente maior. |
segunda-feira, junho 26, 2006
sexta-feira, junho 16, 2006
Se não os podes vencer, junta-te a eles!
![]() «Os americanos não estão para invejas. O fosso entre ricos e pobres é maior ali do que em qualquer outro país avançado, mas a maioria das pessoas não está preocupada com isso. Enquanto os europeus sofrem por causa do modo como o bolo económico é dividido, os americanos querem é juntar-se aos ricos, e não espremê-los. Oito em cada dez americanos - mais do que em qualquer outro lado - acreditam que, embora se possa partir de uma situação de pobreza, se se trabalhar bastante, pode-se amealhar imenso dinheiro. É um ponto central do sonho americano.» The Economist, Inequality in America |
quinta-feira, junho 15, 2006
Crise iraniana e petróleo
| Irão e aumento das tensões |
Crédito: Economist. Url dos ficheiros:
Irão e aumento das tensões:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-1.asx
Cenário mais provável:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-2.asx
Preços do petróleo:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-3.asx
Efeitos no PNB e mercados:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-4.asx
Crise energética
Entrevista com Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia, acerca da crise energética [10 minutos].
Se não tiverem paciência para estes 10 minutos de inglês macarrónico, poderão saltar para os últimos segundos da entrevista, onde Birol apresenta a sua panaceia - a curto, médio e longo prazo - para a crise: «Investimento, investimento, investimento! Encontrar dinheiro, pessoas e infraestruturas para investimento que permita aumentar a capacidade produtiva, tanto nos paises produtores de petróleo como no sector de refinação.»
Giorgio Primiceri
| Giorgio Primiceri, Professor da Northwestern University, estará na próxima segunda-feira (19 de Junho) em Lisboa, para uma conferência sobre a variabilidade temporal das flutuações macroeconómicas ("The Time Varying Volatility of Macroeconomic Fluctuations"). O evento é organizado pelo Banco de Portugal e tem lugar às 17 horas, no Edifício Portugal, na Rua Francisco Ribeiro nº 2. A intervenção deste conferencista deverá acompanhar de perto o paper com o mesmo nome, escrito em co-autoria com Alejandro Justiniano, e que se encontra disponível aqui (pdf): "The Time Varying Volatility of Macroeconomic Fluctuations". Outros trabalhos deste economista: |
segunda-feira, junho 05, 2006
O Tal Professor
É claro que não fomos nós quem colocou esta pergunta ao professor LSP, pelo que ele, economista encartado, não pode ser responsabilizado pelas respostas,mas sim o "tal economista" a quem nós, eventualmente, colocaríamos a questão. E claro que ele próprio também não arrisca um centímetro na resposta, porque, cautelosamente, não nos diz que aquelas seriam as respostas, mas sim que "poderiam sr"... Capisce?
Deve, pois, o professor LSP estar convencido de que joga pelo seguro. Mas, inadvertidamente, dá logo de seguida uns arriscados saltos epistimológicos em que se candidata a estatelar no chão da sabedoria. É que o divertido intróito serve para, logo a seguir, munido ele daquela sapiência com que o "tal economista" poderia, eventualmente, ter-nos agraciado, afirmar que são precisamente aquelas normas as que são aplicadas na gestão dos funcionários públicos portugueses. E é por isso, diz ele, que o "sistema" é tão ineficiente.
Vamospor partes. Damos de barato que, ao falar de "bons" e "maus" trabalhadores, o professor LSP se refere a trabalhadores "mais" e "menos eficientes" -um pouco de ética religiosa aplicada à produção não faz mal a ninguém. Mas logo a seguir tropeçamos no primeiro problema epistimológico: a função pública é uma empresa? Os conselhos do "tal economista" não eram para as empresas? E aplicam-se ipsis-verbis num e noutro "sistema"? E nesse caso, porquê não ter pedido ao "tal economista" sugestões para explicar a ineficiência do sistema da função púbica?
Ocorreu-me, por outro lado, que se o "tal economista" poderia ter dado aquelas sugestões, também poderia ter dado outras: (1) mudar as chefias, os objectivos e orientações cada vez que muda o governo; (2) não criar nos trabalhadores qualificados qualquer expectativa de promoção aos lugares superiores da administração pública fora do circuito partidário (3) sugerir publicamente que para desempenharem bem as suas funções os trabalhadores da função pública terão de sentir a ameaça do desemprego. (Eu aqui, tal como o professor Cavaco Silva no debate com Soares, tive de me controlar, porque só me ocorriam coisas disparatadas, tal como "colocar os trabalhadores numa sala, durante uma manhã por mês, a ouvir professores de economia palestrar sobre o seu desempenho profissional, etc.)
Ou seja: havendo mais factores de desmotivação (chamemos-lhe assim) do que aqueles três que o professor LSP ouviu ao "tal economista", como pode ele assentar a sua palestra apenas naqueles? Foi o "tal economista" que lhe disse? Foi ele próprio que investigou?
Mas o pior - muito pior- decorre de uma outra afirmação do professor LSP: a de que "a questão que hoje nos devemos colocar não é porque é que os serviços públicos são de tão baixa qualidade mas sim como é que não são piores".
Exacto, meu caro LSP! Essa é que é a questão milionária!
Não sei se sabe que há um pressuposto, nestas coisas do pensamento, que é a racionalidade? Bem, deve saber, porque é evidente que o seu texto tem todo o ar de procurar a racionalidade: começando logo pelo recurso ao tal sábio economista. Então, caro professor, onde é que está a racionalidade dum sistema que deveria gerar mais desperdício, mas não o faz? E isto, ao ponto do caro professor LSP se espantar com a discrepância?
Coloquemos de novo a questão: o nosso "sistema" da função pública (1) paga o mesmo salário aos melhores e aos piores (2) nunca despede ninguém (3) nunca promove ninguém para uma função hierarquicamente superior (é isto, não é?). Porque diabo, então, não é totalmente ineficiente? Só pode haver uma resposta: há outras variáveis que o "tal economista" não levou em consideração. Claro que a culpa não é sua, mas sim dele. O "tal economista" esqueceu-se, talvez (também aqui tenho de ser cuidadoso...) de que as pessoas se realizam no trabalho de várias maneiras: desempenhando bem as suas funções, procurando responder ao esforço que lhes é solicitado (seja pelas chefias directas, seja - em termos culturais - pela sociedade). Ou simplesmente movidos pela sua própria auto-estima. Ou então, e em sentido oposto, podem ter receio de ficar mal vistos pelos seus colegas, ou de prejudicar alguém que com eles depois se zangue, ou ainda que lhe levantem um processo disciplinar.
Enfim: pode haver mais variáveis para além desse Trio Odemira com que o "tal economista" o presenteou. Havendo mais variáveis, levanta-se novo problema: qual o peso de cada variável? Teria esse "tal economista" investigado o problema? Terá algum "paperzito" publicado sobre o assunto?
Sabe qual é o nosso mal, professor LSP? É sermos muito ingénuos. Vai a gente a acreditar num economista, e depois sai-nos na rifa um superficial qualquer. Já viu o problema: o tal economista erra no diagnóstico, e depois é o caro professor LSP que, involuntariamente, erra na prescrição.
Por exemplo: prescreve bónus aos professores pelos diferenciais de avaliação dos respectivos alunos face a alunos do mesmo extracto-social... E como é que mede o sr. professor LSP o extracto-social dos alunos? A coisa vai por classes (estatísticas, é claro)? E os alunos são informados das classes a que pertencem? E o extracto-social dos professores não conta? (sejamos sérios: tem de contar, francamente!). E a comparação "alunos-do-professor vs. alunos-do-mesmo-extracto-social" seria feita no interior da mesma universidade? Do mesmo curso? De universidades diferentes? De Portugal? Da União Europeia?
Há uma outra coisa que me incomoda na argumentação do sr. professor LSP: é que faculta aos doentes que avaliem os médicos para efeitos de medição do desempenho destes últimos, mas já não concede essa benesse aos alunos relativamente aos professores. A que se deve tal diferença de tratamento? Acaso as curas (positivas e negativas, ou seja, não-curas) não teriam de ter em conta, também, o extracto social dos doentes, e bem assim, dos médicos?
Nos juízes o sr, professor LSP ainda nos confunde mais, porque, depois de ter conseguido avaliar quais os juizes mais e menos competentes (saltamos por cima do método), o sr.professor resolve castigar os mais competentes atribuindo-lhes, precisamente, os processos "mais complexos" - algo muito contraditório com o sistema "pau-e-cenoura" com que pretende disciplinar as outras profissões, incluindo a sua! Provavelmente, o sr. professor LSP, sendo altamente competente, não quererá ficar com as turmas "mais complexas", será isso?
Zack Lynch
No suplemento de Economia do Expresso de 3 de Junho passado, um artigo de Jorge Nascimento Rodrigues chama a atenção para as oportunidades de mercado das neuro-tecnologias aplicadas à prevenção e tratamento de doenças neurológicas. O artigo baseia-se no trabalho de Zack Lynch e da sua empresa Neuroinsights.Aqui no 'Pura Economia' já tinhamos referido o trabalho de Zack Lynch, em Maio do ano pasado, na entrada de Nano-bio-info-cogno-tecnologias: «A neurotecnologia nascente "está a ser acelerada pelo desenvolvimento de nanobiochips e imageologia cerebral que tornarão as análises neurológicas precisas e baratas" - exactamente o que o microprocessador fez para o tratamento de dados. Entre as aplicações previsíveis estarão "a melhoria intencional da estabilidade emotiva, das actividades cognitivas e a extensão das experiências sensoriais". Poder-se-ão prever igualmente combinações com tecnologias complementares em novos sectores como a neuro-finança.»
No artigo do Expresso, Lynch destaca «dois nichos com perspectivas de mercado com taxas de crescimento 2 vezes superiores à media do sector: a implantação de dispositivos internos (denominados invasivos>, em que "cada nova geração de 3 em 3 anos tem uma diensão cada vez mais micro e acarretando menos efeitos colaterais"; e a neuroestimulação externa, baseada em dispositivos não invasivos, considerada muito promissora».
segunda-feira, maio 08, 2006
"Labor Adjustment Costs in a Panel of Establishments"
(Fevereiro de 2006)
quarta-feira, maio 03, 2006
Orelhas de burro
Ainda não há muito tempo Portugal era apontado como o "bom aluno" na aplicação dos fundos comunitários e, de uma forma geral, na sua integração na economia europeia.
Agora, segundo o jornal Público de hoje (pag. 33), reportando-se a um relatório da Comissão Europeia com um primeiro balanço do último alargamento, «Portugal é apontado aos novos membros da UE como o exemplo a não seguir no processo de aproximação aos níveis de rendimento médio da UE. À luz da experiência dos quatro antigos países "pobres" - Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda -, a Comissão considera que uma convergência bem sucedida pressupõe taxas de investimento elevadas, condições macro-económicas e laborais sólidas e uma boa gestão pública conjugada com um bom ambiente institucional. Enquanto a Irlanda preenche todos os requisitos com distinção, Portugal teve a evolução inversa, devido à "importante" perda de competitividade provocada pelo "crescimento "significativo" dos custos unitários do trabalho num contexto de mercado laboral rígido, a par dos desequilíbrios externos "que começaram a deteriorar-se de forma notável no fim dos anos 1990" e de uma política orçamental expansionista, que se tornou pro-cíclica durante a recessão de 2003."»
E aqui está, a Nação Valente e Imortal, com orelhas de burro, virada para a parede, apontada aos novos Estados membros como aluno cábula e exemplo a não seguir.
Sem comentários, a não ser um recadinho para o nosso bem amado líder Durão Barroso: "Também tu, grande bruto!?"
terça-feira, maio 02, 2006
Passa para cá o gás, companheiro...

Evo Morales
Evo Morales anunciou a intenção de nacionalizar rapidamente as reservas de petróleo e gás da Bolívia, o que afecta a empresa brasileira Petrobras, a qual contribui para 20 % do PIB daquele país. Não são boas notícias para o Brasil, embora Morales, já durante a campanha eleitoral, tivesse afirmado: «Vamos recuperar as refinarias que o Estado brasileiro controla. Se vamos ganhar as eleições, o companheiro Lula tem que nos devolver as refinarias que nos correspondem.» (ver notícia).
O responsável da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já reagiu afirmando que «a Bolívia também tem muito a perder com eventuais decisões que afectem os negócios da empresa... Se para o Brasil o mercado de gás boliviano é importante como fornecedor do produto, para a Bolívia, o Brasil também é muito importante como um comprador do produto boliviano, como pagador de imposto na Bolívia, como gerador de emprego na Bolívia, como viabilizador da expansão de outros negócios». Gabrielli foi mais longe e quantificou as potenciais perdas da Bolívia: "Eles perderiam dois terços das exportações e no mínimo um terço da receita tributária do país." (notícia aqui).
Para já, existe apenas uma declaração oficial de Evo Morales, a que se seguirá um processo negocial cujas conclusões poderão ser mais ou menos favoráveis às multinacionais afectadas.
A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul. Sessenta por cento dos bolívianos vivem abaixo do nível de pobreza, definido pela ONU em 2 dólares por dia. No Índice do Desenvolvimento Humano encontra-se em 113º lugar [Relatórios IDH) em inglês e Sumário em português-pdf].
Sobre os possíveis impactos deste assunto vale a pena ler o relatório escrito por Giuseppe Bacoccoli em Maio de 2005: "Bolívia: Lições a Serem Aprendidas". (ficheiro word). Bacoccoli, geólogo que se deslocava com frequência à Bolívia, relembra um incidente de há 20 anos atrás: «Num churrasco de fim de semana, fomos acusados de atitude “imperialista”. Nós éramos os brasileiros que pretendiam levar o gás boliviano, assim como havíamos levado o actual Estado do Acre. Rebatemos a acusação dizendo que o Brasil havia comprado o Acre, pagando a quantia acordada com a Bolívia. A isto os bolivianos rebateram que o Brasil pagara à elite boliviana e que o povo acabou ficando sem o dinheiro e sem o Acre. No entender deles, isto acabaria acontecendo com o gás. Menciono estes factos, aparentemente irrelevantes, porque ainda hoje, mais de vinte anos transcorridos, continuam se alegando os mesmos problemas. Dado o elevado nível de discriminação entre uma elite dominante e um povo dominado e dada ainda a corrupção reinante entre a elite, afirma-se até hoje que o Brasil compra o gás da elite sem praticamente benefícios para o povo. Obviamente esta é uma questão interna, mas que está no cerne da actual crise do petróleo boliviano.»
segunda-feira, maio 01, 2006
John Kenneth Galbraith (1908-2006)

John Kenneth Galbraith
«John Kenneth Galbraith, economista liberal(*) influente, autor de livros de sucesso e ex-consultor presidencial, faleceu no sábado, aos 97 anos.
Professor emeritus de Harvard e conselheiro dos presidentes Bill Clinton, John F. Kennedy e Lyndon Johnson, Galbraith faleceu no Mount Auburn Hospital em Cambridge, Massachusetts, onde tinha dado entrada duas semanas antes, segundo o seu biógrafo oficial: "ele tinha uma saúde física frágil desde há vários anos, mas a sua mente manteve-se incrivelmente alerta até aos últimos meses", disse Richard Parker, economista de Harvard e biógrafo, que estava com Galbraith na altura da sua morte.
«O economista nascido no Canadá, um dos maiores pensadores económicos do século, esteve muitas vezes contra a corrente principal do pensamento, mas impressionava pela sua firme defesa dos princípios.
«Democrata(*) de toda a vida, Galbraith via o crescente fosso entre os mais ricos e os mais pobres como uma ameaça para a estabilidade económica e um "crime moral", disse Parker, autor do livro "John Kenneth Galbraith : His Life, His Politics, His Economics."
«A obra mais vendida de Galbraith, "The Affluent Society", publicada em 1958, advogava grandes investimentos públicos em parques, transporte, educação e outros bens públicos para diminuir as disparidades entre ricos e pobres.
«Um dos primeiros oponentes à Guerra do Vietename e crítico aberto da "economia do lado da oferta" que dominou os anos 80, Galbraith ensinou durante mais de meio século na Harvard University onde poucos colegas - com a excepção de Henry Kissinger - tiveram tanta influência na política americana.
«Foi muito influenciado pelo economista inglês John Maynard Keynes, que advogava a despesa pública para reduzir o desemprego. Galbraith, que se descrevia a si próprio como um "keynesiano evangélico", defendeu a redução da semana de trabalho, o movimento de libertação das mulheres e um conselho internacional para ajudar as vítimas de catástrofes com origem humana.
[...] Galbraith possuía a rara capacidade para reduzir a complexidade económica a um nível compreensível pelo homem da rua. Depois do índice industrial Dow Jones subir até atingir a marca dos 6.500 pontos, em Novembro de 1996, Galbraith comentou à agência Reuters: "É demasiado dinheiro à caça de muito pouca inteligência para o gerir. Não pode durar".
Galbraith manteve-se um defensor dos ideais Democratas(*) tradicionais, mesmo quando pareciam desajustados e fora de tempo. "Condenar os menos afortunados do nosso povo à negligência e desespero que uma sociedade puramente individualista receita... não é, creio eu, uma estratégia conservadora sólida", disse no seu livro de 1986 "A View from the Stands."
John Kenneth Galbraith nasceu em 15 de Outubro de 1908, numa quinta rural de Ontário, no Canadá. Obteve uma graduação em ciência da Universidade de Toronto em 1931 e três anos depois doutorou-se em Economia na Universidade da Califórnia.
A sua vida em Harvard começou como tutor, em 1934, mas três anos depois mudou-se para a Universidade de Cambridge, em Inglaterra, com uma bolsa. Galbraith casou com Catherine Atwater em 1937 - no mesmo ano em que adquiriu a nacionalidade americana.
Ensinou Economia na Universidade de Princeton em 1939 e 1940, e em 1941 entrou para o Gabinete de Controlo de Preços. Galbraith disse mais tarde que quando começou não havia controle de preços, mas em 1943 quase todos os preços estavam a ser controlados.
Em 1949 Galbraith foi nomeado Professor de Economia em Harvard. Era amigo próximo e apoiante do Presidente Kennedy, que o nomeou embaixador na Índia entre 1961 e 1963, os únicos anos que não esteve em Harvard.»
Algumas citações de J.K.Galbraith:
«A Economia é extremamente útil como forma de obter emprego para economistas.»
«Se tudo o resto falhar, a imortalidade pode ser assegurada por um erro espectacular.»
«É muito, muito melhor, estar ancorado no disparate do que aventurar-se no alterado mar do pensamento.»
«Não há nada mais admirável na política do que uma memória curta.»
«Em toda a vida devemos confortar os aflitos, mas também devemos afligir os confortáveis, e especialmente quando eles estão confortavelmente, alegremente, ou mesmo felicissimamente errados.» (Guardian, Londres, 28.Julho.1989)
«No que respeita ao humor, não existem padrões - ninguém pode dizer o que é bom ou o que é mau, embora possamos estar certos de que toda a gente o diz.»
«Hão-de concluir que o Estado é o tipo de organização que, embora faça mal as grandes coisas, também faz mal as pequenas.»
«As pessoas constituem o denominador comum do progresso. Portanto... nenhuma melhoria é possível com pessoas que não melhoraram, e os avanços são certos quando as pessoas são livres e educadas. Seria errado desvalorizar a importância das estradas, dos caminhos-de-ferro, das fábricas e outros equipamentos familiares do desenvolvimento económico... Mas estamos a compreender... que existe uma certa esterilidade em monumentos económicos que resistem isolados no mar da iliteracia. A conquista da literacia vem em primeiro lugar.» (The Affluent Society - 1958)
«O conservador moderno está envolvido num dos mais antigos exercícios da filosofia moral; ou seja, a busca de uma justificação moral superior para o egoismo.»
(*) Notas:
liberal, na notícia traduzida acima, está no sentido americano do termo, diferentemente do liberalismo dito clássico surgido na Europa (agradeço a nota de R.C.Drumond);
Democrata tem o significado de partidário da corrente política associada ao Partido Democrata dos EUA.
segunda-feira, abril 24, 2006
terça-feira, abril 18, 2006
Venha o Diabo e escolha...
"Entre Deus e o diabo: mercados e interação humana nas ciências sociais"Artigo de Ricardo Abramovay - Tempo Social, vol.16 nº2 (Nov. 2004) Disponível em html e pdf. «A principal característica da nova sociologia económica, que ganha prestígio crescente nos Estados Unidos e na Europa, é estudar os mercados não como mecanismos abstractos de equilíbrio, mas como construções sociais. Essa orientação, entretanto, longe de opor-se aos procedimentos da ciência económica, é também partilhada por alguns dos seus mais importantes expoentes. É bem verdade que a economia contemporânea faz jus à reputação tão difundida de ciência cinzenta, mecânica e incapaz de incorporar preceitos éticos nos seus pressupostos. Mas parte importante e cada vez mais significativa da disciplina volta-se justamente para o estudo de formas concretas de interacção social e questiona as motivações puramente egoístas e maximizadoras postuladas axiomaticamente pela tradição neoclássica. Entre essas correntes destaca-se a nova economia institucional, cujos temas são objecto também da nova sociologia económica. Apesar das suas diferenças de abordagem, ambas contribuem para evitar que mercados sejam encarados como soluções mágicas para todos os problemas sociais ou como formas diabolizadas de interacção que a emancipação humana acabará um dia por suprimir.» |
domingo, abril 16, 2006
As melhores empresas
| O jornal "Público" publica hoje (Domingo) o ranking das "25 melhores empresas para trabalhar em Portugal". O estudo, realizado pela empresa Great Place to Work® Institute Portugal, será divulgado extensivamente, amanhã, na revista DiaD, que acompanha a edição daquele jornal. Entre os elementos considerados para elaboração do ranking contam-se: |
| Nº | Empresa | Sector |
| 1 | Amgen | biofarmacêutica |
| 2 | Microsoft | tecnologia |
| 3 | Mapfre | seguros |
| 4 | Huf | automóvel |
| 5 | Real Seguros | seguros |
| 6 | Roche | farmacêutica |
| 7 | General Electric | serviços |
| 8 | Liberty | seguros |
| 9 | Martifer | metalomecânica |
| 10 | Janssen-Cilag | farmacêutica |
| 11 | Unicer | bebidas |
| 12 | Somague | construção e obras públicas |
| 13 | PriceWaterhouseCoopers | serviços às empresas |
| 14 | Auto-Sueco | comércio automóvel |
| 15 | Axa | seguros |
| 16 | Lusitânia | seguros |
| 17 | Medtronic | medicina |
| 18 | Diagero | bens de consumo |
| 19 | Unisys | consultoria de TI |
| 20 | Deloitte | serviços às empresas |
| 21 | Mahle | automóvel |
| 22 | José Júlio Jordão | sistemas de refrigeração |
| 23 | Compal | bebidas |
| 24 | Schenker | serviços |
| 25 | Man | automóvel |
MP3 e direitos de autor
artigo de Benjamin Klein, Andres V. Lerner, Kevin M. Murphy
publicado na American Economic Review, Vol. 92, (2002)
domingo, abril 09, 2006
Torturar não compensa
O estudo, com o título "Epistemic Systems", foi publicado em 2005 na revista Episteme: Journal of Social Epistemology, e encontra-se disponível em linha, em ficheiro Word, aqui. Eis o resumo: |
«Sistemas epistémicos são processos sociais que geram considerações [judgments] acerca da verdade e falsidade. Apresento uma teoria matemática dos sistemas epistémicos que tem larga aplicação. Nas áreas de aplicação incluem-se a ciência pura, a tortura, a investigação policial [forensic] a espionagem, a auditoria, os testes clínicos, os processos democráticos e a economia de mercado. Eu examino a tortura e a investigação policial com algum detalhe. Este paper é um exercício de epistémica institucional comparativa, que considera o modo como as instituições de um dado sistema epistémico influenciam o seu desempenho, medindo coisas como as taxas de erro e o volume de conclusões [judgments] geradas.»
quarta-feira, abril 05, 2006
Direito e neurociência
«Avanços na biologia evolucionista, na economia experimental e na neurociência, estão a lançar uma nova luz sobre questões antigas acerca do bem e do mal, da justiça, da liberdade, da "rule of law" e da relação entre o indivíduo e o Estado. Começa a acumular-se evidência sugerindo que os humanos desenvolveram certas predisposições comportamentais fundamentais, assentes na nossa intensa natureza social, que essas predisposições se encontram codificadas no nosso cérebro como distribuição de prováveis comportamentos e que, portanto, pode haver um núcleo de direito universal humano.»Alguns dos temas abordados (primeiros 6 textos disponíveis em linha): |
Reinventando a internet

"Redesigning the internet" - entrevista com Tom Standage
10:01 min - 4,21 MB - The Economist
«“A internet tem sido um ninho de inovação porque é "estúpida". Os que a conceberam não adivinharam como ela viria a ser utilizada e isso tornou-a extremamente flexível. Mas agora caminhamos para uma montanha de problemas de escala e de segurança, e algumas pessoas perguntam: se estivessemos a concebê-la desde o início, qual seria a configuração ideal?"»Página de Tom Standage
http://economist.com/media/audio/redesigning_the_internet.mp3
Mais uma barreira "3%" que é vencida (depois do défice orçamental).
Quando é que chegará a vez do PIB ?
quinta-feira, março 30, 2006
Desempenho económico e evolução
José Borghans, Lex Borghans e Bas ter Weel
«Esta investigação desenvolve uma teoria e apresenta evidência empírica de uma ligação entre desempenho económico e a evolução genética. Importantes propriedades para a análise de tal ligação encontram-se no sistema imunitário adaptativo e, particularmente, no complexo principal de compatibilidade histológica [major histocompatibility complex - MHC], um complexo geneticamente codificado associado à defesa contra infecções.
A teoria incorpora propriedades do MHC num modelo de dependência mútua e exibe uma alternativa [trade-off] na qual qualquer agente que está melhor por possuir uma resposta imunitária diferente dos ouros, é também parte da cintura protectora dos outros numa dada população, na qual atingir respostas imunitárias semelhantes representa a situação óptima. Os dados estão baseados em grande número de amostras de sangue de 63 diferentes populações. A análise inter-regional mostra uma robusta asscociação negativa entre o desempenho económico e de saúde e a diversidade de MHC, e entre as ofertas médias em jogos de ultimato e confiança e diversidade de MHC.
A análise sugere que as sociedades que incorporam externalidades da dependência mútua atingem maior sucesso económico, e que a incorporação de externalidades é evidente ao nível genético.»

















