
"History of Twentieth-Century Philosophy of Science"
Thomas J. Hickey
Destaca-se o Capítulo VIII: "Herbert Simon, Paul Thagard and Others on Discovery Sistems" [pdf] [zip]

"Altruism is associated with an increased neural response to agency" Dharol Tankersley, C Jill Stowe e Scott A. Huettel Nature Neuroscience nº 10, 150-151 (2007) «Embora os mecanismos neurais subjacentes ao altruísmo permaneçam desconhecidos, a empatia e as suas componentes, tais como a percepção das acções e intenções de outros, têm sido propostas como contribuidores-chave. Tarefas que exigem a percepção da agência activam o cortex temporal posterior superior (pSTC), particularmente no hemisfério direito. Aqui, demonstramos que a activação diferencial do pSTC humano durante a percepção da acção versus a "perfomance" da acção, prediz o altruísmo auto-assinalado.» |

O enquadramento histórico do keynesianismo é usualmente feito pela referência à depressão económica mundial dos anos 1930: a persistência da crise e do desemprego teria sido o móbil de Lord Keynes, bem como a prova, para os seus seguidores, de que a “mão invisível”, só por si, não conduziria automaticamente à recuperação da crise. Mas o keynesianismo estava bem acompanhado e foi apenas mais uma das muitas ilusões do século XX, tais como a “Revolução Verde”, ou a convicção de que mais tarde ou mais cedo se acabaria por descobrir a cura de todas as doenças, ou de que os problemas da vida urbana desapareceriam com as novas “cidades jardim”, ou ainda de que a tecnologia nuclear proporcionaria energia barata e ilimitada.

Para a auto-estima dos economistas o keynesianismo também fazia maravilhas: quem é que se podia contentar com uma profissão cuja principal receita fosse a de aconselhar que, perante os problemas, não se fizesse nada, deixando os mercados corrigir tudo automaticamente? Pelo contrário, a possibilidade de se codificar os segredos mais profundos do universo económico em pequenas fórmulas matemáticas – como fizera Einstein na Física – prometia elevar a Economia e os economistas ao pedestal da glória.
Não se trataram de ilusões sem fundamento: houve de facto grandes avanços na compreensão de muitos fenómenos pelas ciências naturais e humanas e a vida social progrediu com base nesses novos conhecimentos. O erro dos humanos parece ter estado na arrogância com que encararam as suas capacidades. Uma vez que a “ciência” parecia ter sido a responsável pela “morte” de Deus (que deixara de “governar” o dia-a-dia) fazia sentido que a tribo dos cientistas se encarregasse de ocupar o trono vago. A “Economia” bíblica e a “Economia Científica” pareciam estar a fundir-se numa verdadeira “síntese” ecuménica.
No caso português esse ecumenismo estendia-se ao ensino universitário da Economia, operando um pequeno milagre: a convergência entre o paternalismo económico salazarista e a defesa do planeamento estatal marxista. Quem entrasse no Instituto Superior de Economia no final dos anos 60 estranharia que pudessem ali leccionar tantos professores reconhecidamente marxistas, tal como estranharia o zelo com ensinavam a cartilha keynesiana.
Em 1976, recém chegado do doutoramento em Inglaterra, o professor Aníbal Cavaco Silva ingressou na escola onde se licenciara para dirigir a cadeira de Economia Pública. Para tal publicou o manual “Política Orçamental e Estabilização Económica”, um livro essencialmente keynesiano, basicamente instrumental, com desenvolvimento matemático dos diversos multiplicadores para formulação de políticas orçamentais de estabilização: a denominada “sintonia fina”.
Cavaco Silva passou depois para a Universidade Nova e o livro, com desenvolvimentos importantes, conheceu novas edições em 1982 e em 1992, agora com o novo título de “Finanças Públicas e Política Macroeconómica” e com uma importante inovação: a adição de um novo capítulo da autoria do professor João César das Neves.
Aqui teremos de fazer um compasso de espera para respirar fundo: o professor João César das Neves co-autor de um livro keynesiano? E o Céu não trovejou? E a Terra não tremeu?
Na realidade, o que o capítulo cesariano faz é um pequeno milagre ecuménico, “estender a validade” do condenado keynesianismo, salvando assim a honra do convento. A solução é engenhosa e recorre a uma parábola heliocêntrica, que se pode resumir no seguinte: quando surgiu a teoria de Copérnico, apesar de ser mais avançada do que a de Ptolomeu, o certo é que em termos práticos e para cálculo da posição dos planetas dava resultados inferiores. Por isso, durante algum tempo ainda se usaram as velhas tabelas heliocêntricas. Moral da história: os keynesianos podem ter, ainda, um instrumental que para cálculo prático é mais eficaz, mas o modelo neoclássico é que acabará por prevalecer. É caso para perguntar: trata-se de dupla personalidade ou ecumenismo na Economia?
"Environmental and economic tools to support sustainable golf tourism: The Algarve experience, Portugal" [pdf]Nuno Videira, Antónia Correia, Inês Alves, Catarina Ramires, Rui Subtil e Victor Martins Tourism and Hospitality Research (2006) 6, 204–217 «A qualidade ambiental constitui uma força motriz do desenvolvimento sustentável do turismo no século XX. Contudo, as pressões crescentes exercidas sobre os stocks de capital natural exigem abordagens integradas para equlibrar os impactos das actividades turísticas. As recentes tendências de crescimento da indústria do golfe estão a reforçar o seu potencial para se tornarem um veículo para um turismo competitivo e sustentável. Por outro lado, os campos de golfe exercem indiscutíveis impactos ambientais, que requerem um efectivo controlo de gestão. Este paper apresenta um quadro de avaliação de sustentabilidade [sustainability assessment framework] e os resultados da sua aplicação aos campos de golfe do Algarve.» |
«A narrativa clássica do desenvolvimento económico - os países pobres encontram-se aprisionados em armadilhas da pobreza, para sair das quais necessitam de um Big Push envolvendo investimento crescente, que conduza a uma "descolagem" [ take-off] no rendimento per capita - foi muito influente nos debates da ajuda externa a partir dos anos 1950. Constituiu mesmo a justificação original para a ajuda externa. A narrativa perdeu credibilidade durante algum tempo mas retornou "em grande" no novo milénio. Uma vez mais está a ser invocada como base racional para grandes programas de ajuda externa. Este paper aplica testes muitos simples aos vários elementos da narrativa. A evidência a apoiar a narrativa é escassa. Armadilhas da pobreza, no sentido de crescimento zero para países de baixo rendimento, são refutadas pelos dados no período global de 1950-2001 e para a maioria dos sub-períodos. O quintil mais pobre também não apresenta crescimento negativo significativo do rácio do rendimento em relação aos países mais ricos no período 1950-2001, nem o crescimento relativo para o quintil mais baixo é significativamente diferente dos outros quintis. A alegação de que "as bem governadas naçõ;es pobres" são apanhadas em armadilhas da pobreza é rejeitada por simples regressões que controlam o rendimento inicial e a qualidade do governo. A ideia da "descolagem" também não recolhe muito apoio nos dados. As "descolagens" são raras nos dados, muito plausivelmente limitadas às histórias de sucesso na Ásia. Mesmo aí, as "descolagens" não estão associadas a ajudas, investimento ou despesas de educação, com defende a narrativa.»
![]() A "NeuroQuantology" é uma revista que se publica desde 2003, e que se apresenta como "uma publicação interdisciplinar da Neurociência e da Física Quântica". A última edição apresenta alguns artigos sobre a hipótese do "cérebro quântico", com a curiosidade da revelar algumas experiências que "provam" a existência de um efeito não local de uma substância química sobre a actividade cerebral, através do "entrelaçamento quântico". Embora o entrelaçamento quântico seja aceite em termos de partículas, a hipótese de que a passagem de impulsos magnéticos através de um analgésico, na direcção dum cérebro humano, pode "transportar" para lá os efeitos analgésicos, parece-se muito com charlatanismo. No entanto, aqui fica a referência.
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| Cientistas espreitam para o cérebro de quem faz compras «O que se passa no nosso cérebro, quando decidimos comprar algo? É uma luta entre áreas relacionadas com o prazer das recompensas e com a dor, por termos de pagar pelo objecto do nosso desejo, concluíram cientistas que espreitaram para dentro do cérebro de voluntários que participaram numa simulação de compras. |
| Ministério pimba da Educação «As desastrosas doutrinas pedagógicas que imperam em Portugal, algo pós-modernaças e “construtivistas”, são elitistas - apesar de fingirem o contrário - e têm por denominador comum um ódio visceral as Ciências, à Historia, à Gramática, à Literatura, à Filosofia; enfim, a tudo o que se pareça com verdadeiros conteúdos escolares. Em vez de conteúdos fala-se de competências - como se pudesse haver competências sem conteúdos. E em vez de se distinguir cuidadosamente o que são verdadeiros conteúdos escolares do resto, procura-se transformar a escola numa espécie de entretenimento com ademanes de educação para a cidadania - tudo menos ensinar seriamente Matemática ou Geografia ou Filosofia ou História ou Música. A origem destas ideias remonta a Rousseau e à fantasia do bom selvagem, e o que visa é acabar Com a Ciência, as Artes e as Letras.» Desidério Murcho, jornal Público de 4.Jan.2006 |
«Enquanto o seu fundador escocês, Adam Smith, analisou a sociedade dando especial atenção à natureza humana - e particularmente aos sentimentos morais - a Economia virou as costas (em parte para facilitar a utilização de modelos) aos seres humanos reais, e considerou um universo de 'agentes' abstractos, racionais, egoístas e maximizadores. O Homo Sapiens deu lugar ao Homo Economicus. in AlphaPsy |

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Um dos argumentos cábulas mais usados pelos alunos é o de que é uma perda de tempo aprender a maior parte da matemática dos programas escolares, porque depois não tem aplicação prática. Todos os anos, no início do ano lectivo, faço uma prelecção sobre a importância da aprendizagem da matemática para a resolução de todo o tipo de problemas complexos que viremos a encontrar ao longo da vida, ainda que tal não envolva "fazer contas" — mas fico sempre com a sensação de que é tempo perdido.
«Este artigo propõe que as pessoas derivam a sua utilidade, não apenas dos bens e respectivos atributos — com acontece nos modelos padrão — mas também da sua auto-imagem influenciada pela sua percepção das suas preferências. Num inquérito representativo, a maioria dos inquiridos considerou a sua própria preocupação com o status como sendo menor, em comparação com as preocupações de terceiros com o status. Similarmente, a maioria dos indivíduos considerou que eles próprios se preocupam mais com o ambiente do que outras pessoas. Os resultados são consistentes com uma extensão da teoria convencional onde a auto-imagem do indivíduo é acrescentada como argumento da função de utilidade.» "Honestly, Why Are You Driving a BMW?" [pdf] |
«Para aqueles que entram no mundo da finança vindos de disciplinas mais tangíveis, deve ser agradável encontrar um conceito familiar entre todas aquelas estranhas e aparentemente arbitrárias novidades. Esse conceito surge sob a forma de uma variável representada pela letra t (ou T) e é vulgarmente conhecido como tempo. |
![]() «Crescimento e riqueza são duas versões do mesmo Santo Graaal. Este Graal económico é tão difícil de alcançar como o da gesta arturiana. A sua busca mobilizou talentos de economistas, historiadores, sociólogos, antropólogos. Mas a incandescente questão colocada por David S. Landes: «Porque somos nós tão ricos e porque são eles tão pobres?» continua sem resposta convincente. As desigualdades de riqueza no planeta continuam a ser gritantes. O economista peruano Hernando De Soto sugeriu recentemente que o verdadeiro problema não é a falta de capital nos países mais pobres, mas antes a ausência de direitos de propriedade sobre esse capital, minimamente definidos e aplicáveis. Nos países pobres o capital, qualquer que ele seja, está morto e arrefece.» Eric Briys, comentando o seu texto |
«Deixem-me dizer uma pequena palavra em favor da sociedade actual. Eu sei que não é grande coisa. [...] Os seus críticos são muitos e todos têm muita razão em muito do que dizem. Os jovens ridicularizam e odeiam a sociedade. A esquerda despreza-a por trair os ideais da revolução, a direita detesta-a por ela abandonar os princípios da tradição. Os cristãos consideram-na pagã, os ateus condenam-na como cristã, outros dizem que é coisa nenhuma. Os ecologistas chamam-lhe suja, os intelectuais tomam- -na por estúpida e os empresários apelidam--na de paralisante. O Governo sabe como reformá-la e a oposição opõem-se a tudo menos à necessidade de reforma. João César das Neves |
| Adam Smith Onde mete você a moral, meu caro amigo, repetiam ao professor escocês, que sob a saia ocultava segredos que já sabia resolver. Teólogo e natural, como o Adão, ele cria nos homens, pobrezinho, e tudo viria por acréscimo, derramado dos dedos do boneco, de um boneco no mundo. Perto do fim da vida, pelos sessenta e sete, ficou talvez sabendo que buscar o secreto é que demais importa, ah, muito mais que saber resolvê-lo. E que no mundo não há boneco, cuco de relógio que diga a hora onde não há hora certa. Pedro Tamen |
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