segunda-feira, janeiro 22, 2007

Descentralização Fiscal

'Fiscal Decentralization and the Challenge of Hard Budget Constraints '

  • "Concept of Fiscal Decentralization and Worlwide Overview"
    Robert Ebel & Serdar Yilmaz [2001]

  • "Political Budget Cycles and Fiscal Decentralization"
    Paula Gonzalez, Jean Hindrinks, Bem Lockwood & Nicolas Porteiro [Jan.2006]

  • "On the Theory and Practice of Fiscal Decentralization"
    Wallace Oates [Mar. 2006]

  • "Fiscal Decentralization and Economic Growth"
    Jorge Martinez-Vasquez & Robert M. McNab [Jan.2001]

  • "Interregional protection: Implications of fiscal decentralization and trade liberalization"
    Li Jie, Larry Qiu & Sun Qunyan [2003]

  • "Descentralização fiscal e participação em experiências democráticas retardatárias"
    José R. R. Afonso & Thereza Lobo [1996]

  • "Descentralização fiscal: uma perspectiva mundial"
    Roy Bhal [1999]
  • sábado, janeiro 20, 2007


    Publicado na Revista DiaD, edição de 19 de Janeiro de 2007 do jornal Público

         O enquadramento histórico do keynesianismo é usualmente feito pela referência à depressão económica mundial dos anos 1930: a persistência da crise e do desemprego teria sido o móbil de Lord Keynes, bem como a prova, para os seus seguidores, de que a “mão invisível”, só por si, não conduziria automaticamente à recuperação da crise. Mas o keynesianismo estava bem acompanhado e foi apenas mais uma das muitas ilusões do século XX, tais como a “Revolução Verde”, ou a convicção de que mais tarde ou mais cedo se acabaria por descobrir a cura de todas as doenças, ou de que os problemas da vida urbana desapareceriam com as novas “cidades jardim”, ou ainda de que a tecnologia nuclear proporcionaria energia barata e ilimitada.

         Para a auto-estima dos economistas o keynesianismo também fazia maravilhas: quem é que se podia contentar com uma profissão cuja principal receita fosse a de aconselhar que, perante os problemas, não se fizesse nada, deixando os mercados corrigir tudo automaticamente? Pelo contrário, a possibilidade de se codificar os segredos mais profundos do universo económico em pequenas fórmulas matemáticas – como fizera Einstein na Física – prometia elevar a Economia e os economistas ao pedestal da glória.
         Não se trataram de ilusões sem fundamento: houve de facto grandes avanços na compreensão de muitos fenómenos pelas ciências naturais e humanas e a vida social progrediu com base nesses novos conhecimentos. O erro dos humanos parece ter estado na arrogância com que encararam as suas capacidades. Uma vez que a “ciência” parecia ter sido a responsável pela “morte” de Deus (que deixara de “governar” o dia-a-dia) fazia sentido que a tribo dos cientistas se encarregasse de ocupar o trono vago. A “Economia” bíblica e a “Economia Científica” pareciam estar a fundir-se numa verdadeira “síntese” ecuménica.
         No caso português esse ecumenismo estendia-se ao ensino universitário da Economia, operando um pequeno milagre: a convergência entre o paternalismo económico salazarista e a defesa do planeamento estatal marxista. Quem entrasse no Instituto Superior de Economia no final dos anos 60 estranharia que pudessem ali leccionar tantos professores reconhecidamente marxistas, tal como estranharia o zelo com ensinavam a cartilha keynesiana.
         Em 1976, recém chegado do doutoramento em Inglaterra, o professor Aníbal Cavaco Silva ingressou na escola onde se licenciara para dirigir a cadeira de Economia Pública. Para tal publicou o manual “Política Orçamental e Estabilização Económica”, um livro essencialmente keynesiano, basicamente instrumental, com desenvolvimento matemático dos diversos multiplicadores para formulação de políticas orçamentais de estabilização: a denominada “sintonia fina”.
         Cavaco Silva passou depois para a Universidade Nova e o livro, com desenvolvimentos importantes, conheceu novas edições em 1982 e em 1992, agora com o novo título de “Finanças Públicas e Política Macroeconómica” e com uma importante inovação: a adição de um novo capítulo da autoria do professor João César das Neves.
         Aqui teremos de fazer um compasso de espera para respirar fundo: o professor João César das Neves co-autor de um livro keynesiano? E o Céu não trovejou? E a Terra não tremeu?
         Na realidade, o que o capítulo cesariano faz é um pequeno milagre ecuménico, “estender a validade” do condenado keynesianismo, salvando assim a honra do convento. A solução é engenhosa e recorre a uma parábola heliocêntrica, que se pode resumir no seguinte: quando surgiu a teoria de Copérnico, apesar de ser mais avançada do que a de Ptolomeu, o certo é que em termos práticos e para cálculo da posição dos planetas dava resultados inferiores. Por isso, durante algum tempo ainda se usaram as velhas tabelas heliocêntricas. Moral da história: os keynesianos podem ter, ainda, um instrumental que para cálculo prático é mais eficaz, mas o modelo neoclássico é que acabará por prevalecer. É caso para perguntar: trata-se de dupla personalidade ou ecumenismo na Economia?

    quarta-feira, janeiro 17, 2007

    Golfeno Algarve"Environmental and economic tools to support sustainable golf tourism: The Algarve experience, Portugal" [pdf]

    Nuno Videira, Antónia Correia, Inês Alves, Catarina Ramires, Rui Subtil e Victor Martins
    Tourism and Hospitality Research (2006) 6, 204–217

    «A qualidade ambiental constitui uma força motriz do desenvolvimento sustentável do turismo no século XX. Contudo, as pressões crescentes exercidas sobre os stocks de capital natural exigem abordagens integradas para equlibrar os impactos das actividades turísticas. As recentes tendências de crescimento da indústria do golfe estão a reforçar o seu potencial para se tornarem um veículo para um turismo competitivo e sustentável. Por outro lado, os campos de golfe exercem indiscutíveis impactos ambientais, que requerem um efectivo controlo de gestão. Este paper apresenta um quadro de avaliação de sustentabilidade [sustainability assessment framework] e os resultados da sua aplicação aos campos de golfe do Algarve.»

    segunda-feira, janeiro 15, 2007

    Teorias do desenvolvimento

    "Reliving the 1950s: the big push, poverty traps, and takeoffs in economic development"
    William Easterly
    Journal of Economic Growth, 11 (4) Dezembro de 2006

    «A narrativa clássica do desenvolvimento económico - os países pobres encontram-se aprisionados em armadilhas da pobreza, para sair das quais necessitam de um Big Push envolvendo investimento crescente, que conduza a uma "descolagem" [ take-off] no rendimento per capita - foi muito influente nos debates da ajuda externa a partir dos anos 1950. Constituiu mesmo a justificação original para a ajuda externa. A narrativa perdeu credibilidade durante algum tempo mas retornou "em grande" no novo milénio. Uma vez mais está a ser invocada como base racional para grandes programas de ajuda externa. Este paper aplica testes muitos simples aos vários elementos da narrativa. A evidência a apoiar a narrativa é escassa. Armadilhas da pobreza, no sentido de crescimento zero para países de baixo rendimento, são refutadas pelos dados no período global de 1950-2001 e para a maioria dos sub-períodos. O quintil mais pobre também não apresenta crescimento negativo significativo do rácio do rendimento em relação aos países mais ricos no período 1950-2001, nem o crescimento relativo para o quintil mais baixo é significativamente diferente dos outros quintis. A alegação de que "as bem governadas naçõ;es pobres" são apanhadas em armadilhas da pobreza é rejeitada por simples regressões que controlam o rendimento inicial e a qualidade do governo. A ideia da "descolagem" também não recolhe muito apoio nos dados. As "descolagens" são raras nos dados, muito plausivelmente limitadas às histórias de sucesso na Ásia. Mesmo aí, as "descolagens" não estão associadas a ajudas, investimento ou despesas de educação, com defende a narrativa.»

    quinta-feira, janeiro 11, 2007

    Cérebro quântico

    A "NeuroQuantology" é uma revista que se publica desde 2003, e que se apresenta como "uma publicação interdisciplinar da Neurociência e da Física Quântica". A última edição apresenta alguns artigos sobre a hipótese do "cérebro quântico", com a curiosidade da revelar algumas experiências que "provam" a existência de um efeito não local de uma substância química sobre a actividade cerebral, através do "entrelaçamento quântico". Embora o entrelaçamento quântico seja aceite em termos de partículas, a hipótese de que a passagem de impulsos magnéticos através de um analgésico, na direcção dum cérebro humano, pode "transportar" para lá os efeitos analgésicos, parece-se muito com charlatanismo. No entanto, aqui fica a referência.

  • "Evidence of Non-local Physical, Chemical and Biological Effects Supports Quantum Brain" - Huping Hu, Maoxin Wu

    «Realizámos experiências [...] para testar a possibilidade de entrelaçamento quântico [quantum-entangling] das entidades quânticas no interior do cérebro com as de uma substância química externa. Descobrimos que a aplicação de impulsos magnéticos ao cérebro quando um anestésico era colocado de permeio, leva o cérebro a sentir o efeito desse anestésico, tal como se o indivíduo o tivesse inalado. Também descobrimos que a ingestão de água exposta a impulsos magnéticos, luz laser ou micro-ondas, quando um anestésico é colocado de permeio, também causa efeitos cerebrais em diversos graus. Através de experiências adicionais verificámos que o referido efeito cerebral era de facto consequência do entrelaçamento quântico. Estes resultados contrastam a crença de que o entrelaçamento quântico só por si não pode ser utilizado para transmitir informação e apoia a possibilidade de um cérebro quântico.»

  • "Dynamics and Adaptation: Consciousness, Cognitive Science, and Quantum Mechanics" - Jon R. Courtney

    «Este artigo examina o ponto de situação de algumas das explicações da consciência, comparando e avaliando os pontos de vista da Psicologia (isto é, conhecimento) e da Física (isto é, mecânica quântica). Sugere-se que as duas abordagens possuem similaridades tanto ao nível metodológico como teórico, e que devem beneficiar de consideração mútua.»

  • Joseph E. Stiglitz


    Entrevista ao blog de Beppe Grillo
    [ link ao YouTube ]

    quinta-feira, janeiro 04, 2007

    Neurologia das compras

    Cientistas espreitam para o cérebro de quem faz compras

    «O que se passa no nosso cérebro, quando decidimos comprar algo? É uma luta entre áreas relacionadas com o prazer das recompensas e com a dor, por termos de pagar pelo objecto do nosso desejo, concluíram cientistas que espreitaram para dentro do cérebro de voluntários que participaram numa simulação de compras.
    «A equipa de Brian Knutdson, da Universidade de Stanford (EUA), usou exames de ressonância magnética funcional, que permitem ver alterações no fluxo sanguíneo no cérebro, enquanto as pessoas estão a realizar determinadas acções. No caso, os voluntários tinham de tomar decisões rápidas, quando confrontados com uma série de produtos e respectivos preços, que poderiam escolher comprar ou não.
    «A equipa relata num artigo na revista Neuron que conseguia prever se um indivíduo ia comprar ou não um produto, olhando para o padrão de actividade cerebral revelado pelo exame.
    «Os cientistas concluem assim que "as decisões de comprar podem envolver distintas dimensões, relacionadas com a antecipação de ganhos e perdas". O seu trabalho, dizem, "tem implicações para compreender anomalias comportamentais, como a tendência para gastar de mais ou de menos, sobretudo se se usa o cartão de crédito. "A natureza abstracta do cartão de crédito, juntamente com o facto de só se pagar mais tarde, pode anestesiar os consumidores contra a dor de pagar", escrevem.»

    jornal Público

    Ministério pimba da Educação

    «As desastrosas doutrinas pedagógicas que imperam em Portugal, algo pós-modernaças e “construtivistas”, são elitistas - apesar de fingirem o contrário - e têm por denominador comum um ódio visceral as Ciências, à Historia, à Gramática, à Literatura, à Filosofia; enfim, a tudo o que se pareça com verdadeiros conteúdos escolares. Em vez de conteúdos fala-se de competências - como se pudesse haver competências sem conteúdos. E em vez de se distinguir cuidadosamente o que são verdadeiros conteúdos escolares do resto, procura-se transformar a escola numa espécie de entretenimento com ademanes de educação para a cidadania - tudo menos ensinar seriamente Matemática ou Geografia ou Filosofia ou História ou Música. A origem destas ideias remonta a Rousseau e à fantasia do bom selvagem, e o que visa é acabar Com a Ciência, as Artes e as Letras.»

    Desidério Murcho, jornal Público de 4.Jan.2006
    acerca do livro de Nuno Crato, "Desastre no Ensino da matemática"
    (texto não disponível em linha)

    segunda-feira, dezembro 18, 2006

    O Homem Moral

         «Enquanto o seu fundador escocês, Adam Smith, analisou a sociedade dando especial atenção à natureza humana - e particularmente aos sentimentos morais - a Economia virou as costas (em parte para facilitar a utilização de modelos) aos seres humanos reais, e considerou um universo de 'agentes' abstractos, racionais, egoístas e maximizadores. O Homo Sapiens deu lugar ao Homo Economicus.
         Mas actualmente a Teoria da Decisão está a fazer uma inflexão cognitiva, através do que tem sido designado como 'Neuroeconomia'. Estes investigadores estão a demonstrar o que a teoria evolucionista conjecturou já há algum tempo: que o homem é em parte um animal moral; a sua racionalidade não é a da modelização abstracta; é constituída por um conjunto de heurístícas limitadas, ecologicamente especializadas e, por vezes, isoladas do resto da actividade cognitiva. Muitas heurísticas deste tipo, particularmente no domínio moral, tomam a forma de intuições 'difíceis-de-justificar' e 'impossíveis-de-ignorar'. Não procuram maximizar apenas a sua própria utilidade. À medida que os fundamentos neurais dos homens económicos reais são reveladas pela Economia experimental, em colaboração estreita com a Neurociência, a Antropologia também se junta a esta investigação para completar o quadro com assumpções universalmente válidas. Juntas, estas abordagens prometem reconciliar o Homem Económico com a sua contrapartida biológica e cultural.»

    in AlphaPsy

    terça-feira, dezembro 12, 2006

    O blogue Geração Rasca procedeu a uma votação inter pares dos melhores blogues portugueses de 2006, tendo o Pura Economia obtido um assinalável 10º lugar — e em boa companhia — na votação para o 'melhor blogue temático'. Agradecimentos ao Geração Rasca e ao povo votante. E parabéns aos vencedores:



     melhor blogger  Francisco JoséViegas
    (A Origem das Espécies)
     melhor blogue   Blasfémias
     melhor blogue temático   Foram-se os anéis
     melhor blogue colectivo   Blasfémias
    melhor blogue individual masculino   Estado Civil
    melhor blogue individual feminino   Miss Pearls

    sábado, dezembro 09, 2006


    Num excelente blogue cheio de paixão pela matemática, o Nós-sela, uma suave ironia:

    «Finalmente uma aplicação prática da matemática: "The social norm of leaving the toilet seat down: A game theoretic analysis", de Hammad Siddiqi»


    Um dos argumentos cábulas mais usados pelos alunos é o de que é uma perda de tempo aprender a maior parte da matemática dos programas escolares, porque depois não tem aplicação prática. Todos os anos, no início do ano lectivo, faço uma prelecção sobre a importância da aprendizagem da matemática para a resolução de todo o tipo de problemas complexos que viremos a encontrar ao longo da vida, ainda que tal não envolva "fazer contas" — mas fico sempre com a sensação de que é tempo perdido.

    quinta-feira, dezembro 07, 2006

    Oh Lord...

    Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz ?
    My friends all drive Porsches, I must make amends.
    Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
    So Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz ?
    Janis Joplin


    «Este artigo propõe que as pessoas derivam a sua utilidade, não apenas dos bens e respectivos atributos — com acontece nos modelos padrão — mas também da sua auto-imagem influenciada pela sua percepção das suas preferências. Num inquérito representativo, a maioria dos inquiridos considerou a sua própria preocupação com o status como sendo menor, em comparação com as preocupações de terceiros com o status. Similarmente, a maioria dos indivíduos considerou que eles próprios se preocupam mais com o ambiente do que outras pessoas. Os resultados são consistentes com uma extensão da teoria convencional onde a auto-imagem do indivíduo é acrescentada como argumento da função de utilidade.»


    "Honestly, Why Are You Driving a BMW?" [pdf]
    O Johansson-Stenman, P Martinsson
    Journal of Economic Behavior and Organization, 2006

    terça-feira, dezembro 05, 2006

    Tempo financeiro

         «Para aqueles que entram no mundo da finança vindos de disciplinas mais tangíveis, deve ser agradável encontrar um conceito familiar entre todas aquelas estranhas e aparentemente arbitrárias novidades. Esse conceito surge sob a forma de uma variável representada pela letra t (ou T) e é vulgarmente conhecido como tempo.
         «Mas pode demorar algum tempo até se descobrir que este t, o tempo financeiro, não é a mesma coisa que o mais familiar t — o tempo físico onde a maioria de nós vive e que os relógios medem. Não é que esse tempo dos relógios não conte na finança; conta, mas não tanto como se possa imaginar. O tempo absoluto, tal como a data de validade de uma opção, é (a não ser que uma transacção ou a SEC decida de outra forma) usualmente absoluto. Mas a velocidade a que o tempo financeiro passa, aí é outra história.
         «O campo da Economia descobriu há muito que não é necessário que o tempo financeiro passe de modo uniforme. Na formalização da teoria do equilíbro geral de Arrow-Debreu que está subjacente a muita da moderna finança, a noção de tempo financeiro está apenas vagamente relacionada com o tempo físico. Enquanto o tempo físico parece existir para que não aconteça tudo ao mesmo tempo, o tempo financeiro é apenas necessário como janela através da qual o risco e a incerteza possam entrar na teoria económica. No mundo de Arrow-Debreu, o tempo flui enquanto quiser, desde que exista um acordo geral sobre a ocorrência de certos pontos no tempo. Por outras palavras, o tempo financeiro flui tal como uma seta [Arrow] socialmente construída.
         «Embora fosse habitualmente considerado como garantido que o tempo nos modelos financeiros e económicos era idêntico ao tempo físico, depois surgiram dúvidas. Àluz da crescente evidência empírica de que os rendimentos de activos não derivavam de distribuições noemais independentes e idênticas, como muitos modelos financeiros populares assumem, viu-se que algo estava errado e foi no tratamento do tempo que se procuraram respostas. Se o mundo financeiro obedecesse realmente às leis físicas, faria sentido ( através do teorema do limite central) que os rendimentos de activos fossem, ou distribuidos normalmente, ou derivados de um processo normal. Ao mudar a forma do tempo financeiro, de uma trajectória linear deterministíca para algo mais exótico — não necessariamente contínuo e certamente não determinístico — talvez se consigam reunir os reinos financeiro e físico.
         «Quando um mercado sofre um dos seus ocasionais episódios de volatilidade, por exemplo, pode acontecer simplesmente que o relógio tenha começado a andar mais rápido. O que os relógios medem como um simpes hora no mundo físico pode muito bem corresponder a um dia, uma semana, um mês ou até um ano de tempo financeiro.»
    [...]

    Ross M. Miller
    "The Shape of Financial Time"

    segunda-feira, dezembro 04, 2006

    Santo Graal

    «Crescimento e riqueza são duas versões do mesmo Santo Graaal. Este Graal económico é tão difícil de alcançar como o da gesta arturiana. A sua busca mobilizou talentos de economistas, historiadores, sociólogos, antropólogos. Mas a incandescente questão colocada por David S. Landes: «Porque somos nós tão ricos e porque são eles tão pobres?» continua sem resposta convincente. As desigualdades de riqueza no planeta continuam a ser gritantes. O economista peruano Hernando De Soto sugeriu recentemente que o verdadeiro problema não é a falta de capital nos países mais pobres, mas antes a ausência de direitos de propriedade sobre esse capital, minimamente definidos e aplicáveis. Nos países pobres o capital, qualquer que ele seja, está morto e arrefece.»

    Eric Briys, comentando o seu texto
    "Globalisation et Marchés Financiers:
    Vers un nouveau et indispensable partage des risques
    "
    (documento Word)

    Professor rende-se à evidência

         «Deixem-me dizer uma pequena palavra em favor da sociedade actual. Eu sei que não é grande coisa. [...] Os seus críticos são muitos e todos têm muita razão em muito do que dizem. Os jovens ridicularizam e odeiam a sociedade. A esquerda despreza-a por trair os ideais da revolução, a direita detesta-a por ela abandonar os princípios da tradição. Os cristãos consideram-na pagã, os ateus condenam-na como cristã, outros dizem que é coisa nenhuma. Os ecologistas chamam-lhe suja, os intelectuais tomam- -na por estúpida e os empresários apelidam--na de paralisante. O Governo sabe como reformá-la e a oposição opõem-se a tudo menos à necessidade de reforma.
         Nada é mais desprezado na sociedade actual do que o sistema económico. Vilipendiado por ministros e eleitores, professores e domésticas, empresários e sindicatos, o sistema económico é a raiz de todos os males. Todos o querem espartilhar por leis, processar nos tribunais, enlamear nos jornais, substituir por "comércio justo", "economia solidária", "de-senvolvimento sustentado". Poderosos e humildes, militantes e transeuntes, consumidores e cidadãos, todos o vemos como alvo, réu, vítima. E todos temos razão no que dizemos.
         Mas a sociedade e o sistema actuais têm uma enorme vantagem em relação a todos os nossos anseios e desejos, ideias e princípios, sonhos e projectos, planos, políticas e propostas. Eles existem. Eles são. Todas as alternativas parecem melhores que a sociedade, mas ela é tudo o que temos. Também é graças ao sistema económico que, apesar das críticas, todos comemos, sobrevivemos, e até prosperamos. É ele que nos dá todos os meios que usamos, até para o atacar. Sem o sistema económico como ele é, não haveria sequer críticas ao sistema económico. Mesmo que um dia consigamos gostar da sociedade e do sistema - o que até hoje nunca sucedeu -, não devemos esquecer que isso só será possível graças à potencialidade do que temos. Só melhoraremos porque a sociedade actual o permite. [...]»

    João César das Neves
    "A simples vantagem de existir"

    domingo, dezembro 03, 2006

    Refutação da mão invisível

    Adam Smith

    Onde mete você a moral, meu caro amigo,
    repetiam ao professor escocês, que sob a saia
    ocultava segredos que já sabia resolver.
    Teólogo e natural, como o Adão,
    ele cria nos homens, pobrezinho,
    e tudo viria por acréscimo, derramado dos dedos do boneco,
    de um boneco no mundo.
    Perto do fim da vida, pelos sessenta e sete,
    ficou talvez sabendo que buscar o secreto
    é que demais importa, ah, muito mais
    que saber resolvê-lo. E que no mundo
    não há boneco, cuco de relógio
    que diga a hora onde não há hora certa.

    Pedro Tamen
    Poema dedicado a Mário Murteira
    citado no blogue "Horas Mortas"

    Dilemas


         Ariel Rubinstein [site]



    "Dilemmas of an Economic Theorist" [pdf]
    Ariel Rubinstein

    «O que é os teóricos da Economia estão a tentar provar? Este paper discute quatro dilemas que um teórico da Economia deve enfrentar:

  • Dilema das conclusões absurdas: deveremos abandonar um modelo no caso de ele produzir conclusões absurdas, ou devemos encarar um modelo como um conjunto muito limitado de pressupostos que falhará inevitavelmente em alguns contextos?
  • Dilema das evidências: devem os modelos ser julgados de acordo com os resultados experimentais?
  • Dilema da modelação de regularidades: devem os modelos fornecer hipóteses para serem testadas ou não passam de exercícios de lógica que não servem para identificar regularidades?
  • Dilema da relevância: teremos nós o direito de fornecer conselhos ou prestar depoimentos com o objectivo de influenciar o mundo real?»






  • Les Parapluies de Cherbourg
    Olga Witte (piano), J.Nehen-Hansen (bateria), Ulrik Wigh (baixo)
    Filme de 1964, com diálogos inteiramente cantados, segundo música de Michel Legrand. Primeiro filme de grande sucesso de Catherine Deneuve, que já vinha a participar em filmes desde 1954, entre eles "Les Vacances Portugaises", de 1963 (Os Sorrisos do Destino). Referência : Horas Mortas.


    [ link ao YouTube ]

    uma outra versão do tema musical principal, mais longa:





    Relatório do Desenvolvimento Humano

    Human Development Report
    2006

  • Relatório [PDF 8 Mb.]
  • Portugal
  •         Posição no índice HDI 28º
            Esperança de vida à nascença 31º
            Taxa de iliteracia de adultos     48º
            PNB per capita (ppp) 33º

    quinta-feira, novembro 30, 2006


    [ clique para ampliar ]
    Milton Friedman segundo Blogzira