segunda-feira, junho 26, 2006

Economia das redes


"The Economics of Networks", de Nicholas Economides, da New York University

sexta-feira, junho 16, 2006

Se não os podes vencer, junta-te a eles!



«Os americanos não estão para invejas. O fosso entre ricos e pobres é maior ali do que em qualquer outro país avançado, mas a maioria das pessoas não está preocupada com isso. Enquanto os europeus sofrem por causa do modo como o bolo económico é dividido, os americanos querem é juntar-se aos ricos, e não espremê-los. Oito em cada dez americanos - mais do que em qualquer outro lado - acreditam que, embora se possa partir de uma situação de pobreza, se se trabalhar bastante, pode-se amealhar imenso dinheiro. É um ponto central do sonho americano.»

The Economist, Inequality in America

quinta-feira, junho 15, 2006

Crise iraniana e petróleo

Entrevista com Robin Below, economista-chefe da "Economist Intelligence Unit", gabinete de estudos da revista Economist , gravada em 24 de Maio de 2006.
 
Irão e aumento das tensões

Crédito: Economist. Url dos ficheiros:
Irão e aumento das tensões:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-1.asx
Cenário mais provável:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-2.asx
Preços do petróleo:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-3.asx
Efeitos no PNB e mercados:
http://w3.cantos.com/06/eiu-603-qkiy0/video/econ-g036-nb-v-4.asx

Crise energética





Entrevista com Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional de Energia, acerca da crise energética [10 minutos].

Se não tiverem paciência para estes 10 minutos de inglês macarrónico, poderão saltar para os últimos segundos da entrevista, onde Birol apresenta a sua panaceia - a curto, médio e longo prazo - para a crise: «Investimento, investimento, investimento! Encontrar dinheiro, pessoas e infraestruturas para investimento que permita aumentar a capacidade produtiva, tanto nos paises produtores de petróleo como no sector de refinação.»

Giorgio Primiceri

Giorgio Primiceri, Professor da Northwestern University, estará na próxima segunda-feira (19 de Junho) em Lisboa, para uma conferência sobre a variabilidade temporal das flutuações macroeconómicas ("The Time Varying Volatility of Macroeconomic Fluctuations"). O evento é organizado pelo Banco de Portugal e tem lugar às 17 horas, no Edifício Portugal, na Rua Francisco Ribeiro nº 2.

A intervenção deste conferencista deverá acompanhar de perto o paper com o mesmo nome, escrito em co-autoria com Alejandro Justiniano, e que se encontra disponível aqui (pdf): "The Time Varying Volatility of Macroeconomic Fluctuations".

Outros trabalhos deste economista:
  • "Predictable Life-Cycle Shocks, Income Risk and Consumption Inequality"
  • "Inequality over the Business Cycle: Estimating Income Risk using Micro-Data on Consumption"
  • "Intertemporal Disturbances"
  • "Time Varying Structural Vector Autoregressions and Monetary Policy"
  • "Recursive 'thick' modeling of excess returns and portfolio allocation"
  • segunda-feira, junho 05, 2006

    O Tal Professor

    O professor Luís Santos Pinto começa a sua crónica na revista DiaD (Público) de hoje com uma pequena diversão: «Se pedirem a um economista sugestões para tornar os trabalhadores de uma empresa pouco produtivos, as respostas poderão ser: (1) pagar o mesmo salário aos melhores e aos piores (2) nunca despedir ninguém (3) nunca promover ninguém para uma função hierarquicamente superior.»

    É claro que não fomos nós quem colocou esta pergunta ao professor LSP, pelo que ele, economista encartado, não pode ser responsabilizado pelas respostas,mas sim o "tal economista" a quem nós, eventualmente, colocaríamos a questão. E claro que ele próprio também não arrisca um centímetro na resposta, porque, cautelosamente, não nos diz que aquelas seriam as respostas, mas sim que "poderiam sr"... Capisce?

    Deve, pois, o professor LSP estar convencido de que joga pelo seguro. Mas, inadvertidamente, dá logo de seguida uns arriscados saltos epistimológicos em que se candidata a estatelar no chão da sabedoria. É que o divertido intróito serve para, logo a seguir, munido ele daquela sapiência com que o "tal economista" poderia, eventualmente, ter-nos agraciado, afirmar que são precisamente aquelas normas as que são aplicadas na gestão dos funcionários públicos portugueses. E é por isso, diz ele, que o "sistema" é tão ineficiente.

    Vamospor partes. Damos de barato que, ao falar de "bons" e "maus" trabalhadores, o professor LSP se refere a trabalhadores "mais" e "menos eficientes" -um pouco de ética religiosa aplicada à produção não faz mal a ninguém. Mas logo a seguir tropeçamos no primeiro problema epistimológico: a função pública é uma empresa? Os conselhos do "tal economista" não eram para as empresas? E aplicam-se ipsis-verbis num e noutro "sistema"? E nesse caso, porquê não ter pedido ao "tal economista" sugestões para explicar a ineficiência do sistema da função púbica?

    Ocorreu-me, por outro lado, que se o "tal economista" poderia ter dado aquelas sugestões, também poderia ter dado outras: (1) mudar as chefias, os objectivos e orientações cada vez que muda o governo; (2) não criar nos trabalhadores qualificados qualquer expectativa de promoção aos lugares superiores da administração pública fora do circuito partidário (3) sugerir publicamente que para desempenharem bem as suas funções os trabalhadores da função pública terão de sentir a ameaça do desemprego. (Eu aqui, tal como o professor Cavaco Silva no debate com Soares, tive de me controlar, porque só me ocorriam coisas disparatadas, tal como "colocar os trabalhadores numa sala, durante uma manhã por mês, a ouvir professores de economia palestrar sobre o seu desempenho profissional, etc.)

    Ou seja: havendo mais factores de desmotivação (chamemos-lhe assim) do que aqueles três que o professor LSP ouviu ao "tal economista", como pode ele assentar a sua palestra apenas naqueles? Foi o "tal economista" que lhe disse? Foi ele próprio que investigou?

    Mas o pior - muito pior- decorre de uma outra afirmação do professor LSP: a de que "a questão que hoje nos devemos colocar não é porque é que os serviços públicos são de tão baixa qualidade mas sim como é que não são piores".

    Exacto, meu caro LSP! Essa é que é a questão milionária!

    Não sei se sabe que há um pressuposto, nestas coisas do pensamento, que é a racionalidade? Bem, deve saber, porque é evidente que o seu texto tem todo o ar de procurar a racionalidade: começando logo pelo recurso ao tal sábio economista. Então, caro professor, onde é que está a racionalidade dum sistema que deveria gerar mais desperdício, mas não o faz? E isto, ao ponto do caro professor LSP se espantar com a discrepância?

    Coloquemos de novo a questão: o nosso "sistema" da função pública (1) paga o mesmo salário aos melhores e aos piores (2) nunca despede ninguém (3) nunca promove ninguém para uma função hierarquicamente superior (é isto, não é?). Porque diabo, então, não é totalmente ineficiente? Só pode haver uma resposta: há outras variáveis que o "tal economista" não levou em consideração. Claro que a culpa não é sua, mas sim dele. O "tal economista" esqueceu-se, talvez (também aqui tenho de ser cuidadoso...) de que as pessoas se realizam no trabalho de várias maneiras: desempenhando bem as suas funções, procurando responder ao esforço que lhes é solicitado (seja pelas chefias directas, seja - em termos culturais - pela sociedade). Ou simplesmente movidos pela sua própria auto-estima. Ou então, e em sentido oposto, podem ter receio de ficar mal vistos pelos seus colegas, ou de prejudicar alguém que com eles depois se zangue, ou ainda que lhe levantem um processo disciplinar.

    Enfim: pode haver mais variáveis para além desse Trio Odemira com que o "tal economista" o presenteou. Havendo mais variáveis, levanta-se novo problema: qual o peso de cada variável? Teria esse "tal economista" investigado o problema? Terá algum "paperzito" publicado sobre o assunto?

    Sabe qual é o nosso mal, professor LSP? É sermos muito ingénuos. Vai a gente a acreditar num economista, e depois sai-nos na rifa um superficial qualquer. Já viu o problema: o tal economista erra no diagnóstico, e depois é o caro professor LSP que, involuntariamente, erra na prescrição.

    Por exemplo: prescreve bónus aos professores pelos diferenciais de avaliação dos respectivos alunos face a alunos do mesmo extracto-social... E como é que mede o sr. professor LSP o extracto-social dos alunos? A coisa vai por classes (estatísticas, é claro)? E os alunos são informados das classes a que pertencem? E o extracto-social dos professores não conta? (sejamos sérios: tem de contar, francamente!). E a comparação "alunos-do-professor vs. alunos-do-mesmo-extracto-social" seria feita no interior da mesma universidade? Do mesmo curso? De universidades diferentes? De Portugal? Da União Europeia?

    Há uma outra coisa que me incomoda na argumentação do sr. professor LSP: é que faculta aos doentes que avaliem os médicos para efeitos de medição do desempenho destes últimos, mas já não concede essa benesse aos alunos relativamente aos professores. A que se deve tal diferença de tratamento? Acaso as curas (positivas e negativas, ou seja, não-curas) não teriam de ter em conta, também, o extracto social dos doentes, e bem assim, dos médicos?

    Nos juízes o sr, professor LSP ainda nos confunde mais, porque, depois de ter conseguido avaliar quais os juizes mais e menos competentes (saltamos por cima do método), o sr.professor resolve castigar os mais competentes atribuindo-lhes, precisamente, os processos "mais complexos" - algo muito contraditório com o sistema "pau-e-cenoura" com que pretende disciplinar as outras profissões, incluindo a sua! Provavelmente, o sr. professor LSP, sendo altamente competente, não quererá ficar com as turmas "mais complexas", será isso?

    Zack Lynch


    No suplemento de Economia do Expresso de 3 de Junho passado, um artigo de Jorge Nascimento Rodrigues chama a atenção para as oportunidades de mercado das neuro-tecnologias aplicadas à prevenção e tratamento de doenças neurológicas. O artigo baseia-se no trabalho de Zack Lynch e da sua empresa Neuroinsights.

    Aqui no 'Pura Economia' já tinhamos referido o trabalho de Zack Lynch, em Maio do ano pasado, na entrada de Nano-bio-info-cogno-tecnologias: «A neurotecnologia nascente "está a ser acelerada pelo desenvolvimento de nanobiochips e imageologia cerebral que tornarão as análises neurológicas precisas e baratas" - exactamente o que o microprocessador fez para o tratamento de dados. Entre as aplicações previsíveis estarão "a melhoria intencional da estabilidade emotiva, das actividades cognitivas e a extensão das experiências sensoriais". Poder-se-ão prever igualmente combinações com tecnologias complementares em novos sectores como a neuro-finança

    No artigo do Expresso, Lynch destaca «dois nichos com perspectivas de mercado com taxas de crescimento 2 vezes superiores à media do sector: a implantação de dispositivos internos (denominados invasivos>, em que "cada nova geração de 3 em 3 anos tem uma diensão cada vez mais micro e acarretando menos efeitos colaterais"; e a neuroestimulação externa, baseada em dispositivos não invasivos, considerada muito promissora».

    segunda-feira, maio 08, 2006

    Artigo de João Ejarque e Pedro Portugal:

    "Labor Adjustment Costs in a Panel of Establishments"
    (Fevereiro de 2006)

    quarta-feira, maio 03, 2006

    Orelhas de burro

    Não é só no universo do futebol que "o que hoje é verdade pode ser mentira amanhã", e vice versa.

    Ainda não há muito tempo Portugal era apontado como o "bom aluno" na aplicação dos fundos comunitários e, de uma forma geral, na sua integração na economia europeia.

    Agora, segundo o jornal Público de hoje (pag. 33), reportando-se a um relatório da Comissão Europeia com um primeiro balanço do último alargamento, «Portugal é apontado aos novos membros da UE como o exemplo a não seguir no processo de aproximação aos níveis de rendimento médio da UE. À luz da experiência dos quatro antigos países "pobres" - Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda -, a Comissão considera que uma convergência bem sucedida pressupõe taxas de investimento elevadas, condições macro-económicas e laborais sólidas e uma boa gestão pública conjugada com um bom ambiente institucional. Enquanto a Irlanda preenche todos os requisitos com distinção, Portugal teve a evolução inversa, devido à "importante" perda de competitividade provocada pelo "crescimento "significativo" dos custos unitários do trabalho num contexto de mercado laboral rígido, a par dos desequilíbrios externos "que começaram a deteriorar-se de forma notável no fim dos anos 1990" e de uma política orçamental expansionista, que se tornou pro-cíclica durante a recessão de 2003."»

    E aqui está, a Nação Valente e Imortal, com orelhas de burro, virada para a parede, apontada aos novos Estados membros como aluno cábula e exemplo a não seguir.

    Sem comentários, a não ser um recadinho para o nosso bem amado líder Durão Barroso: "Também tu, grande bruto!?"

    terça-feira, maio 02, 2006

    Passa para cá o gás, companheiro...


    Evo Morales

    Referindo-se à eleição de Evo Morales, o presidente do Brasil, Lula da Silva, comentou que «Quando se ganha umas eleições e se toma posse - eu, Kirchner, Evo Morales ou qualquer um - descobrimos que a arte de governar reside em fazer o que é possível.» (entrevista ao The Economist que referimos aqui). Lula referia-se talvez ao pragmatismo que é necessário aplicar na política efectiva, diferente das promessas eleitorais. Mas talvez Morales ainda não tenha percebido a subtileza da coisa.

    Evo Morales anunciou a intenção de nacionalizar rapidamente as reservas de petróleo e gás da Bolívia, o que afecta a empresa brasileira Petrobras, a qual contribui para 20 % do PIB daquele país. Não são boas notícias para o Brasil, embora Morales, já durante a campanha eleitoral, tivesse afirmado: «Vamos recuperar as refinarias que o Estado brasileiro controla. Se vamos ganhar as eleições, o companheiro Lula tem que nos devolver as refinarias que nos correspondem.» (ver notícia).

    O responsável da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já reagiu afirmando que «a Bolívia também tem muito a perder com eventuais decisões que afectem os negócios da empresa... Se para o Brasil o mercado de gás boliviano é importante como fornecedor do produto, para a Bolívia, o Brasil também é muito importante como um comprador do produto boliviano, como pagador de imposto na Bolívia, como gerador de emprego na Bolívia, como viabilizador da expansão de outros negócios». Gabrielli foi mais longe e quantificou as potenciais perdas da Bolívia: "Eles perderiam dois terços das exportações e no mínimo um terço da receita tributária do país." (notícia aqui).

    Para já, existe apenas uma declaração oficial de Evo Morales, a que se seguirá um processo negocial cujas conclusões poderão ser mais ou menos favoráveis às multinacionais afectadas.

    A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul. Sessenta por cento dos bolívianos vivem abaixo do nível de pobreza, definido pela ONU em 2 dólares por dia. No Índice do Desenvolvimento Humano encontra-se em 113º lugar [Relatórios IDH) em inglês e Sumário em português-pdf].

    Sobre os possíveis impactos deste assunto vale a pena ler o relatório escrito por Giuseppe Bacoccoli em Maio de 2005: "Bolívia: Lições a Serem Aprendidas". (ficheiro word). Bacoccoli, geólogo que se deslocava com frequência à Bolívia, relembra um incidente de há 20 anos atrás: «Num churrasco de fim de semana, fomos acusados de atitude “imperialista”. Nós éramos os brasileiros que pretendiam levar o gás boliviano, assim como havíamos levado o actual Estado do Acre. Rebatemos a acusação dizendo que o Brasil havia comprado o Acre, pagando a quantia acordada com a Bolívia. A isto os bolivianos rebateram que o Brasil pagara à elite boliviana e que o povo acabou ficando sem o dinheiro e sem o Acre. No entender deles, isto acabaria acontecendo com o gás. Menciono estes factos, aparentemente irrelevantes, porque ainda hoje, mais de vinte anos transcorridos, continuam se alegando os mesmos problemas. Dado o elevado nível de discriminação entre uma elite dominante e um povo dominado e dada ainda a corrupção reinante entre a elite, afirma-se até hoje que o Brasil compra o gás da elite sem praticamente benefícios para o povo. Obviamente esta é uma questão interna, mas que está no cerne da actual crise do petróleo boliviano.»

    segunda-feira, maio 01, 2006

    John Kenneth Galbraith (1908-2006)


      John Kenneth Galbraith

    John Kenneth Galbraith faleceu no passado sábado. Extracto da notícia do: New York Times:

    «John Kenneth Galbraith, economista liberal(*) influente, autor de livros de sucesso e ex-consultor presidencial, faleceu no sábado, aos 97 anos.

    Professor emeritus de Harvard e conselheiro dos presidentes Bill Clinton, John F. Kennedy e Lyndon Johnson, Galbraith faleceu no Mount Auburn Hospital em Cambridge, Massachusetts, onde tinha dado entrada duas semanas antes, segundo o seu biógrafo oficial: "ele tinha uma saúde física frágil desde há vários anos, mas a sua mente manteve-se incrivelmente alerta até aos últimos meses", disse Richard Parker, economista de Harvard e biógrafo, que estava com Galbraith na altura da sua morte.

    «O economista nascido no Canadá, um dos maiores pensadores económicos do século, esteve muitas vezes contra a corrente principal do pensamento, mas impressionava pela sua firme defesa dos princípios.

    «Democrata(*) de toda a vida, Galbraith via o crescente fosso entre os mais ricos e os mais pobres como uma ameaça para a estabilidade económica e um "crime moral", disse Parker, autor do livro "John Kenneth Galbraith : His Life, His Politics, His Economics."

    «A obra mais vendida de Galbraith, "The Affluent Society", publicada em 1958, advogava grandes investimentos públicos em parques, transporte, educação e outros bens públicos para diminuir as disparidades entre ricos e pobres.

    «Um dos primeiros oponentes à Guerra do Vietename e crítico aberto da "economia do lado da oferta" que dominou os anos 80, Galbraith ensinou durante mais de meio século na Harvard University onde poucos colegas - com a excepção de Henry Kissinger - tiveram tanta influência na política americana.

    «Foi muito influenciado pelo economista inglês John Maynard Keynes, que advogava a despesa pública para reduzir o desemprego. Galbraith, que se descrevia a si próprio como um "keynesiano evangélico", defendeu a redução da semana de trabalho, o movimento de libertação das mulheres e um conselho internacional para ajudar as vítimas de catástrofes com origem humana.

    [...] Galbraith possuía a rara capacidade para reduzir a complexidade económica a um nível compreensível pelo homem da rua. Depois do índice industrial Dow Jones subir até atingir a marca dos 6.500 pontos, em Novembro de 1996, Galbraith comentou à agência Reuters: "É demasiado dinheiro à caça de muito pouca inteligência para o gerir. Não pode durar".

    Galbraith manteve-se um defensor dos ideais Democratas(*) tradicionais, mesmo quando pareciam desajustados e fora de tempo. "Condenar os menos afortunados do nosso povo à negligência e desespero que uma sociedade puramente individualista receita... não é, creio eu, uma estratégia conservadora sólida", disse no seu livro de 1986 "A View from the Stands."

    John Kenneth Galbraith nasceu em 15 de Outubro de 1908, numa quinta rural de Ontário, no Canadá. Obteve uma graduação em ciência da Universidade de Toronto em 1931 e três anos depois doutorou-se em Economia na Universidade da Califórnia.

    A sua vida em Harvard começou como tutor, em 1934, mas três anos depois mudou-se para a Universidade de Cambridge, em Inglaterra, com uma bolsa. Galbraith casou com Catherine Atwater em 1937 - no mesmo ano em que adquiriu a nacionalidade americana.

    Ensinou Economia na Universidade de Princeton em 1939 e 1940, e em 1941 entrou para o Gabinete de Controlo de Preços. Galbraith disse mais tarde que quando começou não havia controle de preços, mas em 1943 quase todos os preços estavam a ser controlados.

    Em 1949 Galbraith foi nomeado Professor de Economia em Harvard. Era amigo próximo e apoiante do Presidente Kennedy, que o nomeou embaixador na Índia entre 1961 e 1963, os únicos anos que não esteve em Harvard.»


    Algumas citações de J.K.Galbraith:

    «A Economia é extremamente útil como forma de obter emprego para economistas.»

    «Se tudo o resto falhar, a imortalidade pode ser assegurada por um erro espectacular.»

    «É muito, muito melhor, estar ancorado no disparate do que aventurar-se no alterado mar do pensamento.»

    «Não há nada mais admirável na política do que uma memória curta.»

    «Em toda a vida devemos confortar os aflitos, mas também devemos afligir os confortáveis, e especialmente quando eles estão confortavelmente, alegremente, ou mesmo felicissimamente errados.» (Guardian, Londres, 28.Julho.1989)

    «No que respeita ao humor, não existem padrões - ninguém pode dizer o que é bom ou o que é mau, embora possamos estar certos de que toda a gente o diz.»

    «Hão-de concluir que o Estado é o tipo de organização que, embora faça mal as grandes coisas, também faz mal as pequenas.»

    «As pessoas constituem o denominador comum do progresso. Portanto... nenhuma melhoria é possível com pessoas que não melhoraram, e os avanços são certos quando as pessoas são livres e educadas. Seria errado desvalorizar a importância das estradas, dos caminhos-de-ferro, das fábricas e outros equipamentos familiares do desenvolvimento económico... Mas estamos a compreender... que existe uma certa esterilidade em monumentos económicos que resistem isolados no mar da iliteracia. A conquista da literacia vem em primeiro lugar.» (The Affluent Society - 1958)

    «O conservador moderno está envolvido num dos mais antigos exercícios da filosofia moral; ou seja, a busca de uma justificação moral superior para o egoismo.»


    (*) Notas:
    liberal, na notícia traduzida acima, está no sentido americano do termo, diferentemente do liberalismo dito clássico surgido na Europa (agradeço a nota de R.C.Drumond);
    Democrata tem o significado de partidário da corrente política associada ao Partido Democrata dos EUA.

    segunda-feira, abril 24, 2006

    teste

    terça-feira, abril 18, 2006

    Venha o Diabo e escolha...

    "Entre Deus e o diabo: mercados e interação humana nas ciências sociais"
    Artigo de Ricardo Abramovay - Tempo Social, vol.16 nº2 (Nov. 2004)
    Disponível em html e pdf.
    «A principal característica da nova sociologia económica, que ganha prestígio crescente nos Estados Unidos e na Europa, é estudar os mercados não como mecanismos abstractos de equilíbrio, mas como construções sociais. Essa orientação, entretanto, longe de opor-se aos procedimentos da ciência económica, é também partilhada por alguns dos seus mais importantes expoentes. É bem verdade que a economia contemporânea faz jus à reputação tão difundida de ciência cinzenta, mecânica e incapaz de incorporar preceitos éticos nos seus pressupostos. Mas parte importante e cada vez mais significativa da disciplina volta-se justamente para o estudo de formas concretas de interacção social e questiona as motivações puramente egoístas e maximizadoras postuladas axiomaticamente pela tradição neoclássica. Entre essas correntes destaca-se a nova economia institucional, cujos temas são objecto também da nova sociologia económica. Apesar das suas diferenças de abordagem, ambas contribuem para evitar que mercados sejam encarados como soluções mágicas para todos os problemas sociais ou como formas diabolizadas de interacção que a emancipação humana acabará um dia por suprimir.»

    domingo, abril 16, 2006

    As melhores empresas

    O jornal "Público" publica hoje (Domingo) o ranking das "25 melhores empresas para trabalhar em Portugal". O estudo, realizado pela empresa Great Place to Work® Institute Portugal, será divulgado extensivamente, amanhã, na revista DiaD, que acompanha a edição daquele jornal.

    Entre os elementos considerados para elaboração do ranking contam-se:
  • a credibilidade que os superiores suscitam nos trabalhadores
  • o respeito que têm pelos seus colaboradores
  • a imparcialidade e justiça promovida no ambiente de trabalho
  • o orgulho que cada trabalhador sente pelo que faz
  • a camaradagem.

  • EmpresaSector
     1    Amgenbiofarmacêutica
     2Microsofttecnologia
     3Mapfreseguros
     4Hufautomóvel
     5Real Segurosseguros
     6Rochefarmacêutica
     7General Electricserviços
     8Libertyseguros
     9Martifermetalomecânica
     10Janssen-Cilagfarmacêutica
     11Unicerbebidas
     12Somagueconstrução e obras públicas  
     13PriceWaterhouseCoopers  serviços às empresas
     14Auto-Suecocomércio automóvel
     15Axaseguros
     16Lusitâniaseguros
     17Medtronicmedicina
     18Diagerobens de consumo
     19Unisysconsultoria de TI
     20Deloitteserviços às empresas
     21Mahleautomóvel
     22José Júlio Jordãosistemas de refrigeração
     23Compalbebidas
     24Schenkerserviços
     25
    Man
    automóvel
    Sobre o mesmo assunto a Rádio Renascensa tem um podcast de uma reportagem do jornalista António José Soares, disponível aqui e que pode ser ouvido aqui:




























































    name="MediaPlayer1"
    pluginspage="http://www.microsoft.com/Windows/MediaPlayer/"
    src="http://www.rr.pt/noticiaAsx.asp?ID=162519"
    autostart="false"
    width="250"
    height="44"
    filename="noticiaAsx.asp?ID=162519"
    animationatstart="-1">

    MP3 e direitos de autor

  • "Effects of MP3 Technology on the Music Industry: An Examination of Market Structure and Apple iTunes", tese de K. Blanchette (Abril, 2004)

  • "Assessing the Economic Impacts of Copyright Reform on Internet Service Providers", Paul Chwelos - relatório elaborado para a "Industry Canada"; propõe a alteração do "Copyright Act" no sentido de incluir limitações explícitas do ISP (Internet Service Provider) quanto a transmissão, reprodução, linking e caching

  • "The Economics of Copyright "Fair Use" in a Networked World"
    artigo de Benjamin Klein, Andres V. Lerner, Kevin M. Murphy
    publicado na American Economic Review, Vol. 92, (2002)
  • domingo, abril 09, 2006

    Torturar não compensa


    Se a Inquisição soubesse...

    O jornal Público de hoje faz referência a um estudo do enconomista Roger Koppl, segundo o qual "a tortura não é um meio eficaz de obter informações de suspeitos".

    O estudo, com o título "Epistemic Systems", foi publicado em 2005 na revista Episteme: Journal of Social Epistemology, e encontra-se disponível em linha, em ficheiro Word, aqui. Eis o resumo:
    «Sistemas epistémicos são processos sociais que geram considerações [judgments] acerca da verdade e falsidade. Apresento uma teoria matemática dos sistemas epistémicos que tem larga aplicação. Nas áreas de aplicação incluem-se a ciência pura, a tortura, a investigação policial [forensic] a espionagem, a auditoria, os testes clínicos, os processos democráticos e a economia de mercado. Eu examino a tortura e a investigação policial com algum detalhe. Este paper é um exercício de epistémica institucional comparativa, que considera o modo como as instituições de um dado sistema epistémico influenciam o seu desempenho, medindo coisas como as taxas de erro e o volume de conclusões [judgments] geradas.»

    quarta-feira, abril 05, 2006

    Direito e neurociência

    A edição de Novembro de 2004 da revista "Philosophical Transactions of the Royal Society" (Vol. 359, Nº.1451) é dedicada ao tema do Direito e do cérebro, associando os recentes desenvolvimentos da Neurociência ao Direito.
    «Avanços na biologia evolucionista, na economia experimental e na neurociência, estão a lançar uma nova luz sobre questões antigas acerca do bem e do mal, da justiça, da liberdade, da "rule of law" e da relação entre o indivíduo e o Estado. Começa a acumular-se evidência sugerindo que os humanos desenvolveram certas predisposições comportamentais fundamentais, assentes na nossa intensa natureza social, que essas predisposições se encontram codificadas no nosso cérebro como distribuição de prováveis comportamentos e que, portanto, pode haver um núcleo de direito universal humano.»
    Alguns dos temas abordados (primeiros 6 textos disponíveis em linha):
  • "Law and the Brain: Introduction" - Semir Zeki e Oliver Goodenough
  • "For the law, neuroscience changes nothing and everything" - Joshua Greene e Jonathan Cohen
  • "A cognitive neuroscience framework for understanding causal reasoning and the law" - Jonathan A. Fugelsang e Kevin N. Dunbar
  • "Responsibility and punishment: whose mind? A response" - Oliver R. Goodenough
  • "The frontal cortex and the criminal justice system" - Robert M. Sapolsky
  • "The brain and the law" - Terrence Chorvat e Kevin McCabe
  • "How neuroscience might advance the law" - Erin Ann O'Hara
  • "Law and the sources of morality" - Robert A. Hinde
  • "Law, evolution and the brain: applications and open questions" - Owen D. Jones
  • "A neuroscientific approach to normative judgment in law and justice" - Oliver R. Goodenough e Kristin Prehn
  • "A cognitive neuroscience framework for understanding causal reasoning and the law" - Jonathan A. Fugelsang e Kevin N. Dunbar
  • "A cognitive neurobiological account of deception: evidence from functional neuroimaging" - Sean A. Spence, Mike D. Hunter, Tom F. D. Farrow, et al.
  • "The property 'instinct'" - Jeffrey Evans Stake
  • "The emergence of consequential thought: evidence from neuroscience" - Abigail A. Baird and Jonathan A. Fugelsang
  • Reinventando a internet



    "Redesigning the internet" - entrevista com Tom Standage
    10:01 min - 4,21 MB - The Economist
    «“A internet tem sido um ninho de inovação porque é "estúpida". Os que a conceberam não adivinharam como ela viria a ser utilizada e isso tornou-a extremamente flexível. Mas agora caminhamos para uma montanha de problemas de escala e de segurança, e algumas pessoas perguntam: se estivessemos a concebê-la desde o início, qual seria a configuração ideal?"»
    Página de Tom Standage
    http://economist.com/media/audio/redesigning_the_internet.mp3
     "Juros batem recorde e passam barreira dos 3%

    Mais uma barreira "3%" que é vencida (depois do défice orçamental).

    Quando é que chegará a vez do PIB ?

    quinta-feira, março 30, 2006

    Desempenho económico e evolução

    "Is There a Link between Economic Outcomes and Genetic Evolution? "
    José Borghans, Lex Borghans e Bas ter Weel
    «Esta investigação desenvolve uma teoria e apresenta evidência empírica de uma ligação entre desempenho económico e a evolução genética. Importantes propriedades para a análise de tal ligação encontram-se no sistema imunitário adaptativo e, particularmente, no complexo principal de compatibilidade histológica [major histocompatibility complex - MHC], um complexo geneticamente codificado associado à defesa contra infecções.

    A teoria incorpora propriedades do MHC num modelo de dependência mútua e exibe uma alternativa [trade-off] na qual qualquer agente que está melhor por possuir uma resposta imunitária diferente dos ouros, é também parte da cintura protectora dos outros numa dada população, na qual atingir respostas imunitárias semelhantes representa a situação óptima. Os dados estão baseados em grande número de amostras de sangue de 63 diferentes populações. A análise inter-regional mostra uma robusta asscociação negativa entre o desempenho económico e de saúde e a diversidade de MHC, e entre as ofertas médias em jogos de ultimato e confiança e diversidade de MHC.

    A análise sugere que as sociedades que incorporam externalidades da dependência mútua atingem maior sucesso económico, e que a incorporação de externalidades é evidente ao nível genético.»