segunda-feira, maio 08, 2006

Artigo de João Ejarque e Pedro Portugal:

"Labor Adjustment Costs in a Panel of Establishments"
(Fevereiro de 2006)

quarta-feira, maio 03, 2006

Orelhas de burro

Não é só no universo do futebol que "o que hoje é verdade pode ser mentira amanhã", e vice versa.

Ainda não há muito tempo Portugal era apontado como o "bom aluno" na aplicação dos fundos comunitários e, de uma forma geral, na sua integração na economia europeia.

Agora, segundo o jornal Público de hoje (pag. 33), reportando-se a um relatório da Comissão Europeia com um primeiro balanço do último alargamento, «Portugal é apontado aos novos membros da UE como o exemplo a não seguir no processo de aproximação aos níveis de rendimento médio da UE. À luz da experiência dos quatro antigos países "pobres" - Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda -, a Comissão considera que uma convergência bem sucedida pressupõe taxas de investimento elevadas, condições macro-económicas e laborais sólidas e uma boa gestão pública conjugada com um bom ambiente institucional. Enquanto a Irlanda preenche todos os requisitos com distinção, Portugal teve a evolução inversa, devido à "importante" perda de competitividade provocada pelo "crescimento "significativo" dos custos unitários do trabalho num contexto de mercado laboral rígido, a par dos desequilíbrios externos "que começaram a deteriorar-se de forma notável no fim dos anos 1990" e de uma política orçamental expansionista, que se tornou pro-cíclica durante a recessão de 2003."»

E aqui está, a Nação Valente e Imortal, com orelhas de burro, virada para a parede, apontada aos novos Estados membros como aluno cábula e exemplo a não seguir.

Sem comentários, a não ser um recadinho para o nosso bem amado líder Durão Barroso: "Também tu, grande bruto!?"

terça-feira, maio 02, 2006

Passa para cá o gás, companheiro...


Evo Morales

Referindo-se à eleição de Evo Morales, o presidente do Brasil, Lula da Silva, comentou que «Quando se ganha umas eleições e se toma posse - eu, Kirchner, Evo Morales ou qualquer um - descobrimos que a arte de governar reside em fazer o que é possível.» (entrevista ao The Economist que referimos aqui). Lula referia-se talvez ao pragmatismo que é necessário aplicar na política efectiva, diferente das promessas eleitorais. Mas talvez Morales ainda não tenha percebido a subtileza da coisa.

Evo Morales anunciou a intenção de nacionalizar rapidamente as reservas de petróleo e gás da Bolívia, o que afecta a empresa brasileira Petrobras, a qual contribui para 20 % do PIB daquele país. Não são boas notícias para o Brasil, embora Morales, já durante a campanha eleitoral, tivesse afirmado: «Vamos recuperar as refinarias que o Estado brasileiro controla. Se vamos ganhar as eleições, o companheiro Lula tem que nos devolver as refinarias que nos correspondem.» (ver notícia).

O responsável da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, já reagiu afirmando que «a Bolívia também tem muito a perder com eventuais decisões que afectem os negócios da empresa... Se para o Brasil o mercado de gás boliviano é importante como fornecedor do produto, para a Bolívia, o Brasil também é muito importante como um comprador do produto boliviano, como pagador de imposto na Bolívia, como gerador de emprego na Bolívia, como viabilizador da expansão de outros negócios». Gabrielli foi mais longe e quantificou as potenciais perdas da Bolívia: "Eles perderiam dois terços das exportações e no mínimo um terço da receita tributária do país." (notícia aqui).

Para já, existe apenas uma declaração oficial de Evo Morales, a que se seguirá um processo negocial cujas conclusões poderão ser mais ou menos favoráveis às multinacionais afectadas.

A Bolívia é o país mais pobre da América do Sul. Sessenta por cento dos bolívianos vivem abaixo do nível de pobreza, definido pela ONU em 2 dólares por dia. No Índice do Desenvolvimento Humano encontra-se em 113º lugar [Relatórios IDH) em inglês e Sumário em português-pdf].

Sobre os possíveis impactos deste assunto vale a pena ler o relatório escrito por Giuseppe Bacoccoli em Maio de 2005: "Bolívia: Lições a Serem Aprendidas". (ficheiro word). Bacoccoli, geólogo que se deslocava com frequência à Bolívia, relembra um incidente de há 20 anos atrás: «Num churrasco de fim de semana, fomos acusados de atitude “imperialista”. Nós éramos os brasileiros que pretendiam levar o gás boliviano, assim como havíamos levado o actual Estado do Acre. Rebatemos a acusação dizendo que o Brasil havia comprado o Acre, pagando a quantia acordada com a Bolívia. A isto os bolivianos rebateram que o Brasil pagara à elite boliviana e que o povo acabou ficando sem o dinheiro e sem o Acre. No entender deles, isto acabaria acontecendo com o gás. Menciono estes factos, aparentemente irrelevantes, porque ainda hoje, mais de vinte anos transcorridos, continuam se alegando os mesmos problemas. Dado o elevado nível de discriminação entre uma elite dominante e um povo dominado e dada ainda a corrupção reinante entre a elite, afirma-se até hoje que o Brasil compra o gás da elite sem praticamente benefícios para o povo. Obviamente esta é uma questão interna, mas que está no cerne da actual crise do petróleo boliviano.»

segunda-feira, maio 01, 2006

John Kenneth Galbraith (1908-2006)


  John Kenneth Galbraith

John Kenneth Galbraith faleceu no passado sábado. Extracto da notícia do: New York Times:

«John Kenneth Galbraith, economista liberal(*) influente, autor de livros de sucesso e ex-consultor presidencial, faleceu no sábado, aos 97 anos.

Professor emeritus de Harvard e conselheiro dos presidentes Bill Clinton, John F. Kennedy e Lyndon Johnson, Galbraith faleceu no Mount Auburn Hospital em Cambridge, Massachusetts, onde tinha dado entrada duas semanas antes, segundo o seu biógrafo oficial: "ele tinha uma saúde física frágil desde há vários anos, mas a sua mente manteve-se incrivelmente alerta até aos últimos meses", disse Richard Parker, economista de Harvard e biógrafo, que estava com Galbraith na altura da sua morte.

«O economista nascido no Canadá, um dos maiores pensadores económicos do século, esteve muitas vezes contra a corrente principal do pensamento, mas impressionava pela sua firme defesa dos princípios.

«Democrata(*) de toda a vida, Galbraith via o crescente fosso entre os mais ricos e os mais pobres como uma ameaça para a estabilidade económica e um "crime moral", disse Parker, autor do livro "John Kenneth Galbraith : His Life, His Politics, His Economics."

«A obra mais vendida de Galbraith, "The Affluent Society", publicada em 1958, advogava grandes investimentos públicos em parques, transporte, educação e outros bens públicos para diminuir as disparidades entre ricos e pobres.

«Um dos primeiros oponentes à Guerra do Vietename e crítico aberto da "economia do lado da oferta" que dominou os anos 80, Galbraith ensinou durante mais de meio século na Harvard University onde poucos colegas - com a excepção de Henry Kissinger - tiveram tanta influência na política americana.

«Foi muito influenciado pelo economista inglês John Maynard Keynes, que advogava a despesa pública para reduzir o desemprego. Galbraith, que se descrevia a si próprio como um "keynesiano evangélico", defendeu a redução da semana de trabalho, o movimento de libertação das mulheres e um conselho internacional para ajudar as vítimas de catástrofes com origem humana.

[...] Galbraith possuía a rara capacidade para reduzir a complexidade económica a um nível compreensível pelo homem da rua. Depois do índice industrial Dow Jones subir até atingir a marca dos 6.500 pontos, em Novembro de 1996, Galbraith comentou à agência Reuters: "É demasiado dinheiro à caça de muito pouca inteligência para o gerir. Não pode durar".

Galbraith manteve-se um defensor dos ideais Democratas(*) tradicionais, mesmo quando pareciam desajustados e fora de tempo. "Condenar os menos afortunados do nosso povo à negligência e desespero que uma sociedade puramente individualista receita... não é, creio eu, uma estratégia conservadora sólida", disse no seu livro de 1986 "A View from the Stands."

John Kenneth Galbraith nasceu em 15 de Outubro de 1908, numa quinta rural de Ontário, no Canadá. Obteve uma graduação em ciência da Universidade de Toronto em 1931 e três anos depois doutorou-se em Economia na Universidade da Califórnia.

A sua vida em Harvard começou como tutor, em 1934, mas três anos depois mudou-se para a Universidade de Cambridge, em Inglaterra, com uma bolsa. Galbraith casou com Catherine Atwater em 1937 - no mesmo ano em que adquiriu a nacionalidade americana.

Ensinou Economia na Universidade de Princeton em 1939 e 1940, e em 1941 entrou para o Gabinete de Controlo de Preços. Galbraith disse mais tarde que quando começou não havia controle de preços, mas em 1943 quase todos os preços estavam a ser controlados.

Em 1949 Galbraith foi nomeado Professor de Economia em Harvard. Era amigo próximo e apoiante do Presidente Kennedy, que o nomeou embaixador na Índia entre 1961 e 1963, os únicos anos que não esteve em Harvard.»


Algumas citações de J.K.Galbraith:

«A Economia é extremamente útil como forma de obter emprego para economistas.»

«Se tudo o resto falhar, a imortalidade pode ser assegurada por um erro espectacular.»

«É muito, muito melhor, estar ancorado no disparate do que aventurar-se no alterado mar do pensamento.»

«Não há nada mais admirável na política do que uma memória curta.»

«Em toda a vida devemos confortar os aflitos, mas também devemos afligir os confortáveis, e especialmente quando eles estão confortavelmente, alegremente, ou mesmo felicissimamente errados.» (Guardian, Londres, 28.Julho.1989)

«No que respeita ao humor, não existem padrões - ninguém pode dizer o que é bom ou o que é mau, embora possamos estar certos de que toda a gente o diz.»

«Hão-de concluir que o Estado é o tipo de organização que, embora faça mal as grandes coisas, também faz mal as pequenas.»

«As pessoas constituem o denominador comum do progresso. Portanto... nenhuma melhoria é possível com pessoas que não melhoraram, e os avanços são certos quando as pessoas são livres e educadas. Seria errado desvalorizar a importância das estradas, dos caminhos-de-ferro, das fábricas e outros equipamentos familiares do desenvolvimento económico... Mas estamos a compreender... que existe uma certa esterilidade em monumentos económicos que resistem isolados no mar da iliteracia. A conquista da literacia vem em primeiro lugar.» (The Affluent Society - 1958)

«O conservador moderno está envolvido num dos mais antigos exercícios da filosofia moral; ou seja, a busca de uma justificação moral superior para o egoismo.»


(*) Notas:
liberal, na notícia traduzida acima, está no sentido americano do termo, diferentemente do liberalismo dito clássico surgido na Europa (agradeço a nota de R.C.Drumond);
Democrata tem o significado de partidário da corrente política associada ao Partido Democrata dos EUA.

segunda-feira, abril 24, 2006

teste

terça-feira, abril 18, 2006

Venha o Diabo e escolha...

"Entre Deus e o diabo: mercados e interação humana nas ciências sociais"
Artigo de Ricardo Abramovay - Tempo Social, vol.16 nº2 (Nov. 2004)
Disponível em html e pdf.
«A principal característica da nova sociologia económica, que ganha prestígio crescente nos Estados Unidos e na Europa, é estudar os mercados não como mecanismos abstractos de equilíbrio, mas como construções sociais. Essa orientação, entretanto, longe de opor-se aos procedimentos da ciência económica, é também partilhada por alguns dos seus mais importantes expoentes. É bem verdade que a economia contemporânea faz jus à reputação tão difundida de ciência cinzenta, mecânica e incapaz de incorporar preceitos éticos nos seus pressupostos. Mas parte importante e cada vez mais significativa da disciplina volta-se justamente para o estudo de formas concretas de interacção social e questiona as motivações puramente egoístas e maximizadoras postuladas axiomaticamente pela tradição neoclássica. Entre essas correntes destaca-se a nova economia institucional, cujos temas são objecto também da nova sociologia económica. Apesar das suas diferenças de abordagem, ambas contribuem para evitar que mercados sejam encarados como soluções mágicas para todos os problemas sociais ou como formas diabolizadas de interacção que a emancipação humana acabará um dia por suprimir.»

domingo, abril 16, 2006

As melhores empresas

O jornal "Público" publica hoje (Domingo) o ranking das "25 melhores empresas para trabalhar em Portugal". O estudo, realizado pela empresa Great Place to Work® Institute Portugal, será divulgado extensivamente, amanhã, na revista DiaD, que acompanha a edição daquele jornal.

Entre os elementos considerados para elaboração do ranking contam-se:
  • a credibilidade que os superiores suscitam nos trabalhadores
  • o respeito que têm pelos seus colaboradores
  • a imparcialidade e justiça promovida no ambiente de trabalho
  • o orgulho que cada trabalhador sente pelo que faz
  • a camaradagem.

  • EmpresaSector
     1    Amgenbiofarmacêutica
     2Microsofttecnologia
     3Mapfreseguros
     4Hufautomóvel
     5Real Segurosseguros
     6Rochefarmacêutica
     7General Electricserviços
     8Libertyseguros
     9Martifermetalomecânica
     10Janssen-Cilagfarmacêutica
     11Unicerbebidas
     12Somagueconstrução e obras públicas  
     13PriceWaterhouseCoopers  serviços às empresas
     14Auto-Suecocomércio automóvel
     15Axaseguros
     16Lusitâniaseguros
     17Medtronicmedicina
     18Diagerobens de consumo
     19Unisysconsultoria de TI
     20Deloitteserviços às empresas
     21Mahleautomóvel
     22José Júlio Jordãosistemas de refrigeração
     23Compalbebidas
     24Schenkerserviços
     25
    Man
    automóvel
    Sobre o mesmo assunto a Rádio Renascensa tem um podcast de uma reportagem do jornalista António José Soares, disponível aqui e que pode ser ouvido aqui:




























































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    MP3 e direitos de autor

  • "Effects of MP3 Technology on the Music Industry: An Examination of Market Structure and Apple iTunes", tese de K. Blanchette (Abril, 2004)

  • "Assessing the Economic Impacts of Copyright Reform on Internet Service Providers", Paul Chwelos - relatório elaborado para a "Industry Canada"; propõe a alteração do "Copyright Act" no sentido de incluir limitações explícitas do ISP (Internet Service Provider) quanto a transmissão, reprodução, linking e caching

  • "The Economics of Copyright "Fair Use" in a Networked World"
    artigo de Benjamin Klein, Andres V. Lerner, Kevin M. Murphy
    publicado na American Economic Review, Vol. 92, (2002)
  • domingo, abril 09, 2006

    Torturar não compensa


    Se a Inquisição soubesse...

    O jornal Público de hoje faz referência a um estudo do enconomista Roger Koppl, segundo o qual "a tortura não é um meio eficaz de obter informações de suspeitos".

    O estudo, com o título "Epistemic Systems", foi publicado em 2005 na revista Episteme: Journal of Social Epistemology, e encontra-se disponível em linha, em ficheiro Word, aqui. Eis o resumo:
    «Sistemas epistémicos são processos sociais que geram considerações [judgments] acerca da verdade e falsidade. Apresento uma teoria matemática dos sistemas epistémicos que tem larga aplicação. Nas áreas de aplicação incluem-se a ciência pura, a tortura, a investigação policial [forensic] a espionagem, a auditoria, os testes clínicos, os processos democráticos e a economia de mercado. Eu examino a tortura e a investigação policial com algum detalhe. Este paper é um exercício de epistémica institucional comparativa, que considera o modo como as instituições de um dado sistema epistémico influenciam o seu desempenho, medindo coisas como as taxas de erro e o volume de conclusões [judgments] geradas.»

    quarta-feira, abril 05, 2006

    Direito e neurociência

    A edição de Novembro de 2004 da revista "Philosophical Transactions of the Royal Society" (Vol. 359, Nº.1451) é dedicada ao tema do Direito e do cérebro, associando os recentes desenvolvimentos da Neurociência ao Direito.
    «Avanços na biologia evolucionista, na economia experimental e na neurociência, estão a lançar uma nova luz sobre questões antigas acerca do bem e do mal, da justiça, da liberdade, da "rule of law" e da relação entre o indivíduo e o Estado. Começa a acumular-se evidência sugerindo que os humanos desenvolveram certas predisposições comportamentais fundamentais, assentes na nossa intensa natureza social, que essas predisposições se encontram codificadas no nosso cérebro como distribuição de prováveis comportamentos e que, portanto, pode haver um núcleo de direito universal humano.»
    Alguns dos temas abordados (primeiros 6 textos disponíveis em linha):
  • "Law and the Brain: Introduction" - Semir Zeki e Oliver Goodenough
  • "For the law, neuroscience changes nothing and everything" - Joshua Greene e Jonathan Cohen
  • "A cognitive neuroscience framework for understanding causal reasoning and the law" - Jonathan A. Fugelsang e Kevin N. Dunbar
  • "Responsibility and punishment: whose mind? A response" - Oliver R. Goodenough
  • "The frontal cortex and the criminal justice system" - Robert M. Sapolsky
  • "The brain and the law" - Terrence Chorvat e Kevin McCabe
  • "How neuroscience might advance the law" - Erin Ann O'Hara
  • "Law and the sources of morality" - Robert A. Hinde
  • "Law, evolution and the brain: applications and open questions" - Owen D. Jones
  • "A neuroscientific approach to normative judgment in law and justice" - Oliver R. Goodenough e Kristin Prehn
  • "A cognitive neuroscience framework for understanding causal reasoning and the law" - Jonathan A. Fugelsang e Kevin N. Dunbar
  • "A cognitive neurobiological account of deception: evidence from functional neuroimaging" - Sean A. Spence, Mike D. Hunter, Tom F. D. Farrow, et al.
  • "The property 'instinct'" - Jeffrey Evans Stake
  • "The emergence of consequential thought: evidence from neuroscience" - Abigail A. Baird and Jonathan A. Fugelsang
  • Reinventando a internet



    "Redesigning the internet" - entrevista com Tom Standage
    10:01 min - 4,21 MB - The Economist
    «“A internet tem sido um ninho de inovação porque é "estúpida". Os que a conceberam não adivinharam como ela viria a ser utilizada e isso tornou-a extremamente flexível. Mas agora caminhamos para uma montanha de problemas de escala e de segurança, e algumas pessoas perguntam: se estivessemos a concebê-la desde o início, qual seria a configuração ideal?"»
    Página de Tom Standage
    http://economist.com/media/audio/redesigning_the_internet.mp3
     "Juros batem recorde e passam barreira dos 3%

    Mais uma barreira "3%" que é vencida (depois do défice orçamental).

    Quando é que chegará a vez do PIB ?

    quinta-feira, março 30, 2006

    Desempenho económico e evolução

    "Is There a Link between Economic Outcomes and Genetic Evolution? "
    José Borghans, Lex Borghans e Bas ter Weel
    «Esta investigação desenvolve uma teoria e apresenta evidência empírica de uma ligação entre desempenho económico e a evolução genética. Importantes propriedades para a análise de tal ligação encontram-se no sistema imunitário adaptativo e, particularmente, no complexo principal de compatibilidade histológica [major histocompatibility complex - MHC], um complexo geneticamente codificado associado à defesa contra infecções.

    A teoria incorpora propriedades do MHC num modelo de dependência mútua e exibe uma alternativa [trade-off] na qual qualquer agente que está melhor por possuir uma resposta imunitária diferente dos ouros, é também parte da cintura protectora dos outros numa dada população, na qual atingir respostas imunitárias semelhantes representa a situação óptima. Os dados estão baseados em grande número de amostras de sangue de 63 diferentes populações. A análise inter-regional mostra uma robusta asscociação negativa entre o desempenho económico e de saúde e a diversidade de MHC, e entre as ofertas médias em jogos de ultimato e confiança e diversidade de MHC.

    A análise sugere que as sociedades que incorporam externalidades da dependência mútua atingem maior sucesso económico, e que a incorporação de externalidades é evidente ao nível genético.»


             Gabriella e Rafael

    «Os soluços de Gabriella Bodas ecoavam no terminal 3 do Pearson International Airport à medida que ela via a sua "vida" atravessar a cancela de segurança. "Volta, volta, volta!", implorava a jovem de 18 anos, provocando lágrimas mesmo nos seguranças mais experimentados.

    Mas enquanto ela tentava aproximar-se deles, o seu namorado, Rafael Alves, de 19 anos, e a mãe, Maria Margarida de Azevedo Alves, eram levados para o voo de regresso a Portugal. Eles estavam entre a primeira vaga de famílias portuguesas que foram enviadas para o seu país de origem ontem [26 de Março]. Calcula-se que cerca de 100 outras famílias, maioritariamente trabalhando do sector da construção, deverão ser obrigadas a tomar o mesmo caminho nas próximas semanas.


       Rafael e Maria Alves

    Depois de viver no Canadá durante 7 anos e meio, trabalhando como empregada, Maria Alves vai ter de ficar em casa de amigos, em Portugal. "Não temos outro sítio para onde ir", disse Rafael Alves, salientando que só foram autorizados a transportar duas malas no avião. Depois de Rafael tomar conhecimento, há duas semanas, de que iria ser deportado, Gabriella propôs-lhe o casamento como modo de o manter no país. Mas ele recusou. "Ele quer um casamento, um verdadeiro casamento", disse ela, "Não o quer fazer apenas no papel".

    Próximo, o namorado de Maria Alves dizia que se sentia envergonhado com este governo. "Há pessoas que merecem sair", disse Steve, de 33 anos, "Mas ela não é uma dessas pessoas, são gente trabalhadora".

    Pedro Barata, que faz trabalho voluntário no Portuguese-Canadian National Congress, um grupo que tem feito lobbying junto do governo nos últimos 2 anos, diz que as políticas de imigração do Canadá são "profundamente erradas". A organização propôs que as pessoas que tenham trabalhado no país pelo menos durante 2 anos devem ser autorizadas a pemanecer com uma licença de trabalho por mais dois anos. "No fim destes 2 anos, se não existir registo criminal e estando os descontos regulares, então seria aberta a porta. Não é esse o estilo canadiano?"

    Rafael Alves, entretanto, afirma que não desistiu do Canadá e tentará "definitivamente" voltar a entrar no país.»

    'Come Back'
    Lisa Lisle, Toronto Sun


    Halifax, 13 de Maio de 1953 - chegada do primeiro grupo de emigrantes portugueses, a bordo do navio Satúrnia (50 anos Canadá)

    Histórias canadianas


    Mohamed Bhatti

    «Em 1999, Mohamed Bhatti decidiu deixar a sua terra natal no Paquistão e começar uma nova vida no Canadá. Lembra-se de lhe terem dito que o Canadá era uma terra de oportunidades onde um trabalhador esforçado como ele poderia ganhar mais dinheiro do que em Islamabad.

    «Bhatti, um cientista agrícola com um doutoramento (PhD) em biotecnologia das plantas tirado na Universidade de Bath, em Inglaterra, diz que após uma entrevista na embaixada canadiana, se candidatou a emigrante na categoria de "profissional". Bhatti, que na altura era funcionário científico principal no Pakistan Agricultural Research Council, vendeu os seus bens para conseguir dinheiro para levar a família para o Canadá.

    «Reconhece agora que, quando foi para o Canadá, não fazia a mínima ideia do que o esperava. Pensava obter um emprego equivalente ao que tinha, mas, quando tentou encontrar trabalho nesse campo, disseram-lhe que as suas qualificações e experiência não preenchiam os padrões canadianos. Na embaixada não lhe tinham alertado para esta possibilidade. Na altura ficou com a ideia de que seria apenas uma questão de tempo até conseguir emprego na sua profissão, mas isso nunca aconteceu. Aceitou um lugar como guarda de segurança em Vancouver, e hoje continua na mesma empresa como supervisor.

    «Bhatti lamenta agora a decisão de mudar para o Canadá. "Também não estou em condições de regressar", disse, "Vendi os meus bens e cortei todos os meus laços, apenas para ouvir que não sou suficientemente qualificado para ser aceite aqui como cientista agrícola."»

    "Immigrants claim that Canada conned them "
    Straight.com

    terça-feira, março 28, 2006

    TV Alentejo


    Videoclip da TV Alentejo com uma reportagem de "apanhados" sobre a formação para a qualidade do atendimento no comércio tradicional. Uma questão interessante: quando o cliente entra numa loja, quem é que deve dizer primeiro "Bom dia"? O cliente ou a balconista?

    Economia e evolução


    A suspeita de que a original evolução do cérebro humano se ficou a dever às pressões evolutivas é uma ideia antiga, mas só recentemente é que se começaram a descobrir provas genéticas desta relação (ver a entrada Cérebro e evolução no blogue Neuroeconomia).

    Tal como acontece com as investigações da Neurociência, as hipóteses de aplicação dessas descobertas ao comportamento humano nas áreas da Psicologia e da Economia, parecem ser muito promissoras. Um recente artigo sobre esta abordagem é o "Adapting Minds and Evolutionary Psychology", do professor de Economia Herbert Gintis:
    «O cérebro humano é o resultado de uma longa trajectória evolutiva. Usando este facto para compreender as peculiares capacidades e limitações do cérebro humano, a psicologia evolutiva forneceu muitas pistas para o comportamento humano. (...) uma vez que o bem estar [fitness] biológico é uma variável escalar, e uma vez que as características do cérebro são seleccionadas para maximizar o bem estar [fitness], as tomadas de decisão pelos humanos deverão, pelo menos aproximadamente, exibir transitividade nas escolhas, a qual, segundo a Teoria da Decisão, implica que os agentes podem ser modelizados como maximizando uma função de preferência sujeita a restrições. Este é o modelo do actor racional> da Economia e da Teoria da Decisão, mas uma designação mais adequada é o modelo das crenças, preferências e constrangimentos (BPC).

    «Em resumo, a psicologia evolutiva sugere que a tomada de consideração da nossa história evolutiva é extremamente poderosa para gerar hipóteses plausíveis relativas à psicologia humana, as quais podem ser testadas com as ferramentas padrão da investigação experimental. Dum modo mais geral, e parafraseando o grande geneticista russo Theodore Dobzhansky, a mente humana só faz sentido à luz da evolução.»

    Documentos relacionados:
  • "The Unification of the Behavioral Sciences" - H. Gintis, para publicação
  • "Why the Beliefs, Preferences, and Constraints Model?" - H. Gintis, Nov.2005
  • "Agent-based models and human subject experiments" - John Duffy, Março 2005
  • "The Evolution of Our Preferences: Evidence from Capuchin-Monkey Trading Behavior" - vários, Maio 2005
  • "Game theory and human evolution: A critique of some recent interpretations of experimental games" - vários, Julho 2005
  • sábado, março 25, 2006


    órbitas duma equação diferencial
    publicado por Nós-sela.

    Economia e neurobiologia

    "Decisions, Uncertainty, and the Brain: The Science of Neuroeconomics"
    de Paul W. Glimcher

    «A Economia é frequentemente descrita como a rainha das ciências sociais. Mais especificamente, é a econometria e a sua teoria subjacente que coloca a Economia muito acima das ciências sociais. Glimcher pretende transportar o rigor matemático da modelização económica, bem como a teoria subjacente, para a neurobiologia.

    «As neurociências são conhecidas por serem ricas em dados mas pobres em teoria. Glimcher esboça um caminho para desenvolver a tão longamente desejada arquitectura teórica. Evidentemente, não é ele o primeiro a propor uma tal teoria. Existem tantas já propostas que as expressões "de baixo para cima" e "de cima para baixo" se tornaram vulgares entre os pensadores das neurociências. E existem também as conhecidas recomendações de algumas abordagens ecléticas propostas por pessoas como Daniel Dennett e Paul e Patricia Churchland. (...)»

    Recensão do livro
    Human Nature Review 2003 Volume 3: 392-394

    quarta-feira, março 22, 2006

    Contratação e desemprego

    Na blogosfera, a maior parte das entradas e comentários acerca da legislação e contestação laboral em França, parece ter-se debruçado mais sobre aspectos políticos e sociológicos, do que propriamente económicos. Existe, no entanto, uma vasta literatura económica sobre a relação entre as formalidades da contratação laboral e diversas variáveis económicas, tais como o emprego e o desemprego.

    Um dos economistas que tem estudado estes assuntos na Europa é Olivier Blanchard. Por exemplo, num seu artigo de 2001, em co-autoria com Augustin Landier, "The Perverse Effects of Partial Labor Market Reform: Fixed Duration Contracts in France", [pdf] levantam-se fortes dúvidas às formas contratuais do tipo do contestado CPE:
    «Em lugar procurar reduzir os custos de despedimento, um certo número de países europeus autorizou as empresas a empregar trabalhadores com contratos de duração fixa. No fim de um dado prazo, estes contratos podem ser terminados com baixo ou nenhum custo [para as empresas]. No entanto, se os contratos forem mantidos, passam a estar sujeitos aos usuais custos do despedimento.

    «Argumentamos neste paper que os efeitos de uma tal reforma parcial do regime de protecção do emprego podem ser perversos. O principal efeito poderá ser uma alta rotatividade [high turnover ] dos empregos de duração fixa, conduzindo a um maior, e não menor, desemprego. E mesmo que o desemprego desça, os trabalhadores poderão ficar pior, tendo que passar por muitas situações de desemprego e contratos temporários, antes de obter um emprego regular. Olhando para os dados estatísticos da França relativos a jovens trabalhadores desde o início dos anos 1980, concluímos que as reformas aumentaram substancialmente a rotatividade, sem atingir uma redução substancial na duração do desemprego. O seu efeito no bem-estar dos jovens trabalhadores parece ter sido negativo.»
    Note-se, no entanto, que os autores não são fanáticos da protecção laboral: nas primeiras linhas deste paper escrevem que «Existe agora substancial evidência de que uma elevada protecção laboral conduz a um mercado laboral esclerótico, com baixas taxas de separação laboral [separation rate](*) mas longa duração do desemprego. Embora esta esclerose possa não conduzir a um desemprego elevado — devido aos efeitos opostos de baixos fluxos e elevada duração da taxa de desemprego — é provável que conduza simultaneamente a baixa produtividade, baixa produção e baixa protecção social».

    Num texto de 3 de Janeiro, "Emploi : la solution passe par le CUP (contrat unique progressif)", Olivier Blanchard defende que «é necessário regressar a um contrato único, mas a um contrato progressivo, um contrato que dê aos trabalhadores maior protecção à medida que fiquem na empresa. A palavra essencial é "progressivo". O que é necessário evitar, aquilo que aprisiona o sistema actual, é o efeito de "fronteira" [effet de seuil], que se produz no final dos contratos CDD. Num contrato progressivo, os direitos do empregado aumentam lentamente com o tempo: não existe o dia fatídico em que se tem de saltar de um contrato para o outro.»

    Noutro texto ainda mais recente "De l'ignorance économique" (20 de Março) Blanchard adianta: «Será que não há solução? Teremos de aceitar um capitalismo selvagem, um sistema onde as empresas é que fazem a lei e os trabalhadores são obrigados a submeter-se? Certamente que não. Já não estamos no século XIX e a França é um país rico. Suficientemente rico para oferecer uma formação e uma protecção social generosa aos seus trabalhadores. A questão é qual a melhor forma de o fazer, aumentando os incentivos às empresas para que criem empregos. Essas são as verdadeiras questões, aí está o verdadeiro debate. Este debate tem também lugar noutros países. A julgar pelo conteúdo do comunicado [comunicado contra o CPE do CPE, subscrito pelas comissões do Attac, do PS e do PCFdo "13e arrondissement"], ainda estamos muito longe em França.»


    Não sei se "separação" é uma tradução adequada. O conceito abrange as finalizações de contratos laborais por vários motivos (falecimento, afastamento voluntário do trabalhador, incapacidade) incluindo o que habitualmente se designa por despedimento (finalizações de contratos laborais por iniciativa do empregador).