segunda-feira, abril 24, 2006

teste

terça-feira, abril 18, 2006

Venha o Diabo e escolha...

"Entre Deus e o diabo: mercados e interação humana nas ciências sociais"
Artigo de Ricardo Abramovay - Tempo Social, vol.16 nº2 (Nov. 2004)
Disponível em html e pdf.
«A principal característica da nova sociologia económica, que ganha prestígio crescente nos Estados Unidos e na Europa, é estudar os mercados não como mecanismos abstractos de equilíbrio, mas como construções sociais. Essa orientação, entretanto, longe de opor-se aos procedimentos da ciência económica, é também partilhada por alguns dos seus mais importantes expoentes. É bem verdade que a economia contemporânea faz jus à reputação tão difundida de ciência cinzenta, mecânica e incapaz de incorporar preceitos éticos nos seus pressupostos. Mas parte importante e cada vez mais significativa da disciplina volta-se justamente para o estudo de formas concretas de interacção social e questiona as motivações puramente egoístas e maximizadoras postuladas axiomaticamente pela tradição neoclássica. Entre essas correntes destaca-se a nova economia institucional, cujos temas são objecto também da nova sociologia económica. Apesar das suas diferenças de abordagem, ambas contribuem para evitar que mercados sejam encarados como soluções mágicas para todos os problemas sociais ou como formas diabolizadas de interacção que a emancipação humana acabará um dia por suprimir.»

domingo, abril 16, 2006

As melhores empresas

O jornal "Público" publica hoje (Domingo) o ranking das "25 melhores empresas para trabalhar em Portugal". O estudo, realizado pela empresa Great Place to Work® Institute Portugal, será divulgado extensivamente, amanhã, na revista DiaD, que acompanha a edição daquele jornal.

Entre os elementos considerados para elaboração do ranking contam-se:
  • a credibilidade que os superiores suscitam nos trabalhadores
  • o respeito que têm pelos seus colaboradores
  • a imparcialidade e justiça promovida no ambiente de trabalho
  • o orgulho que cada trabalhador sente pelo que faz
  • a camaradagem.

  • EmpresaSector
     1    Amgenbiofarmacêutica
     2Microsofttecnologia
     3Mapfreseguros
     4Hufautomóvel
     5Real Segurosseguros
     6Rochefarmacêutica
     7General Electricserviços
     8Libertyseguros
     9Martifermetalomecânica
     10Janssen-Cilagfarmacêutica
     11Unicerbebidas
     12Somagueconstrução e obras públicas  
     13PriceWaterhouseCoopers  serviços às empresas
     14Auto-Suecocomércio automóvel
     15Axaseguros
     16Lusitâniaseguros
     17Medtronicmedicina
     18Diagerobens de consumo
     19Unisysconsultoria de TI
     20Deloitteserviços às empresas
     21Mahleautomóvel
     22José Júlio Jordãosistemas de refrigeração
     23Compalbebidas
     24Schenkerserviços
     25
    Man
    automóvel
    Sobre o mesmo assunto a Rádio Renascensa tem um podcast de uma reportagem do jornalista António José Soares, disponível aqui e que pode ser ouvido aqui:




























































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    MP3 e direitos de autor

  • "Effects of MP3 Technology on the Music Industry: An Examination of Market Structure and Apple iTunes", tese de K. Blanchette (Abril, 2004)

  • "Assessing the Economic Impacts of Copyright Reform on Internet Service Providers", Paul Chwelos - relatório elaborado para a "Industry Canada"; propõe a alteração do "Copyright Act" no sentido de incluir limitações explícitas do ISP (Internet Service Provider) quanto a transmissão, reprodução, linking e caching

  • "The Economics of Copyright "Fair Use" in a Networked World"
    artigo de Benjamin Klein, Andres V. Lerner, Kevin M. Murphy
    publicado na American Economic Review, Vol. 92, (2002)
  • domingo, abril 09, 2006

    Torturar não compensa


    Se a Inquisição soubesse...

    O jornal Público de hoje faz referência a um estudo do enconomista Roger Koppl, segundo o qual "a tortura não é um meio eficaz de obter informações de suspeitos".

    O estudo, com o título "Epistemic Systems", foi publicado em 2005 na revista Episteme: Journal of Social Epistemology, e encontra-se disponível em linha, em ficheiro Word, aqui. Eis o resumo:
    «Sistemas epistémicos são processos sociais que geram considerações [judgments] acerca da verdade e falsidade. Apresento uma teoria matemática dos sistemas epistémicos que tem larga aplicação. Nas áreas de aplicação incluem-se a ciência pura, a tortura, a investigação policial [forensic] a espionagem, a auditoria, os testes clínicos, os processos democráticos e a economia de mercado. Eu examino a tortura e a investigação policial com algum detalhe. Este paper é um exercício de epistémica institucional comparativa, que considera o modo como as instituições de um dado sistema epistémico influenciam o seu desempenho, medindo coisas como as taxas de erro e o volume de conclusões [judgments] geradas.»

    quarta-feira, abril 05, 2006

    Direito e neurociência

    A edição de Novembro de 2004 da revista "Philosophical Transactions of the Royal Society" (Vol. 359, Nº.1451) é dedicada ao tema do Direito e do cérebro, associando os recentes desenvolvimentos da Neurociência ao Direito.
    «Avanços na biologia evolucionista, na economia experimental e na neurociência, estão a lançar uma nova luz sobre questões antigas acerca do bem e do mal, da justiça, da liberdade, da "rule of law" e da relação entre o indivíduo e o Estado. Começa a acumular-se evidência sugerindo que os humanos desenvolveram certas predisposições comportamentais fundamentais, assentes na nossa intensa natureza social, que essas predisposições se encontram codificadas no nosso cérebro como distribuição de prováveis comportamentos e que, portanto, pode haver um núcleo de direito universal humano.»
    Alguns dos temas abordados (primeiros 6 textos disponíveis em linha):
  • "Law and the Brain: Introduction" - Semir Zeki e Oliver Goodenough
  • "For the law, neuroscience changes nothing and everything" - Joshua Greene e Jonathan Cohen
  • "A cognitive neuroscience framework for understanding causal reasoning and the law" - Jonathan A. Fugelsang e Kevin N. Dunbar
  • "Responsibility and punishment: whose mind? A response" - Oliver R. Goodenough
  • "The frontal cortex and the criminal justice system" - Robert M. Sapolsky
  • "The brain and the law" - Terrence Chorvat e Kevin McCabe
  • "How neuroscience might advance the law" - Erin Ann O'Hara
  • "Law and the sources of morality" - Robert A. Hinde
  • "Law, evolution and the brain: applications and open questions" - Owen D. Jones
  • "A neuroscientific approach to normative judgment in law and justice" - Oliver R. Goodenough e Kristin Prehn
  • "A cognitive neuroscience framework for understanding causal reasoning and the law" - Jonathan A. Fugelsang e Kevin N. Dunbar
  • "A cognitive neurobiological account of deception: evidence from functional neuroimaging" - Sean A. Spence, Mike D. Hunter, Tom F. D. Farrow, et al.
  • "The property 'instinct'" - Jeffrey Evans Stake
  • "The emergence of consequential thought: evidence from neuroscience" - Abigail A. Baird and Jonathan A. Fugelsang
  • Reinventando a internet



    "Redesigning the internet" - entrevista com Tom Standage
    10:01 min - 4,21 MB - The Economist
    «“A internet tem sido um ninho de inovação porque é "estúpida". Os que a conceberam não adivinharam como ela viria a ser utilizada e isso tornou-a extremamente flexível. Mas agora caminhamos para uma montanha de problemas de escala e de segurança, e algumas pessoas perguntam: se estivessemos a concebê-la desde o início, qual seria a configuração ideal?"»
    Página de Tom Standage
    http://economist.com/media/audio/redesigning_the_internet.mp3
     "Juros batem recorde e passam barreira dos 3%

    Mais uma barreira "3%" que é vencida (depois do défice orçamental).

    Quando é que chegará a vez do PIB ?

    quinta-feira, março 30, 2006

    Desempenho económico e evolução

    "Is There a Link between Economic Outcomes and Genetic Evolution? "
    José Borghans, Lex Borghans e Bas ter Weel
    «Esta investigação desenvolve uma teoria e apresenta evidência empírica de uma ligação entre desempenho económico e a evolução genética. Importantes propriedades para a análise de tal ligação encontram-se no sistema imunitário adaptativo e, particularmente, no complexo principal de compatibilidade histológica [major histocompatibility complex - MHC], um complexo geneticamente codificado associado à defesa contra infecções.

    A teoria incorpora propriedades do MHC num modelo de dependência mútua e exibe uma alternativa [trade-off] na qual qualquer agente que está melhor por possuir uma resposta imunitária diferente dos ouros, é também parte da cintura protectora dos outros numa dada população, na qual atingir respostas imunitárias semelhantes representa a situação óptima. Os dados estão baseados em grande número de amostras de sangue de 63 diferentes populações. A análise inter-regional mostra uma robusta asscociação negativa entre o desempenho económico e de saúde e a diversidade de MHC, e entre as ofertas médias em jogos de ultimato e confiança e diversidade de MHC.

    A análise sugere que as sociedades que incorporam externalidades da dependência mútua atingem maior sucesso económico, e que a incorporação de externalidades é evidente ao nível genético.»


             Gabriella e Rafael

    «Os soluços de Gabriella Bodas ecoavam no terminal 3 do Pearson International Airport à medida que ela via a sua "vida" atravessar a cancela de segurança. "Volta, volta, volta!", implorava a jovem de 18 anos, provocando lágrimas mesmo nos seguranças mais experimentados.

    Mas enquanto ela tentava aproximar-se deles, o seu namorado, Rafael Alves, de 19 anos, e a mãe, Maria Margarida de Azevedo Alves, eram levados para o voo de regresso a Portugal. Eles estavam entre a primeira vaga de famílias portuguesas que foram enviadas para o seu país de origem ontem [26 de Março]. Calcula-se que cerca de 100 outras famílias, maioritariamente trabalhando do sector da construção, deverão ser obrigadas a tomar o mesmo caminho nas próximas semanas.


       Rafael e Maria Alves

    Depois de viver no Canadá durante 7 anos e meio, trabalhando como empregada, Maria Alves vai ter de ficar em casa de amigos, em Portugal. "Não temos outro sítio para onde ir", disse Rafael Alves, salientando que só foram autorizados a transportar duas malas no avião. Depois de Rafael tomar conhecimento, há duas semanas, de que iria ser deportado, Gabriella propôs-lhe o casamento como modo de o manter no país. Mas ele recusou. "Ele quer um casamento, um verdadeiro casamento", disse ela, "Não o quer fazer apenas no papel".

    Próximo, o namorado de Maria Alves dizia que se sentia envergonhado com este governo. "Há pessoas que merecem sair", disse Steve, de 33 anos, "Mas ela não é uma dessas pessoas, são gente trabalhadora".

    Pedro Barata, que faz trabalho voluntário no Portuguese-Canadian National Congress, um grupo que tem feito lobbying junto do governo nos últimos 2 anos, diz que as políticas de imigração do Canadá são "profundamente erradas". A organização propôs que as pessoas que tenham trabalhado no país pelo menos durante 2 anos devem ser autorizadas a pemanecer com uma licença de trabalho por mais dois anos. "No fim destes 2 anos, se não existir registo criminal e estando os descontos regulares, então seria aberta a porta. Não é esse o estilo canadiano?"

    Rafael Alves, entretanto, afirma que não desistiu do Canadá e tentará "definitivamente" voltar a entrar no país.»

    'Come Back'
    Lisa Lisle, Toronto Sun


    Halifax, 13 de Maio de 1953 - chegada do primeiro grupo de emigrantes portugueses, a bordo do navio Satúrnia (50 anos Canadá)

    Histórias canadianas


    Mohamed Bhatti

    «Em 1999, Mohamed Bhatti decidiu deixar a sua terra natal no Paquistão e começar uma nova vida no Canadá. Lembra-se de lhe terem dito que o Canadá era uma terra de oportunidades onde um trabalhador esforçado como ele poderia ganhar mais dinheiro do que em Islamabad.

    «Bhatti, um cientista agrícola com um doutoramento (PhD) em biotecnologia das plantas tirado na Universidade de Bath, em Inglaterra, diz que após uma entrevista na embaixada canadiana, se candidatou a emigrante na categoria de "profissional". Bhatti, que na altura era funcionário científico principal no Pakistan Agricultural Research Council, vendeu os seus bens para conseguir dinheiro para levar a família para o Canadá.

    «Reconhece agora que, quando foi para o Canadá, não fazia a mínima ideia do que o esperava. Pensava obter um emprego equivalente ao que tinha, mas, quando tentou encontrar trabalho nesse campo, disseram-lhe que as suas qualificações e experiência não preenchiam os padrões canadianos. Na embaixada não lhe tinham alertado para esta possibilidade. Na altura ficou com a ideia de que seria apenas uma questão de tempo até conseguir emprego na sua profissão, mas isso nunca aconteceu. Aceitou um lugar como guarda de segurança em Vancouver, e hoje continua na mesma empresa como supervisor.

    «Bhatti lamenta agora a decisão de mudar para o Canadá. "Também não estou em condições de regressar", disse, "Vendi os meus bens e cortei todos os meus laços, apenas para ouvir que não sou suficientemente qualificado para ser aceite aqui como cientista agrícola."»

    "Immigrants claim that Canada conned them "
    Straight.com

    terça-feira, março 28, 2006

    TV Alentejo


    Videoclip da TV Alentejo com uma reportagem de "apanhados" sobre a formação para a qualidade do atendimento no comércio tradicional. Uma questão interessante: quando o cliente entra numa loja, quem é que deve dizer primeiro "Bom dia"? O cliente ou a balconista?

    Economia e evolução


    A suspeita de que a original evolução do cérebro humano se ficou a dever às pressões evolutivas é uma ideia antiga, mas só recentemente é que se começaram a descobrir provas genéticas desta relação (ver a entrada Cérebro e evolução no blogue Neuroeconomia).

    Tal como acontece com as investigações da Neurociência, as hipóteses de aplicação dessas descobertas ao comportamento humano nas áreas da Psicologia e da Economia, parecem ser muito promissoras. Um recente artigo sobre esta abordagem é o "Adapting Minds and Evolutionary Psychology", do professor de Economia Herbert Gintis:
    «O cérebro humano é o resultado de uma longa trajectória evolutiva. Usando este facto para compreender as peculiares capacidades e limitações do cérebro humano, a psicologia evolutiva forneceu muitas pistas para o comportamento humano. (...) uma vez que o bem estar [fitness] biológico é uma variável escalar, e uma vez que as características do cérebro são seleccionadas para maximizar o bem estar [fitness], as tomadas de decisão pelos humanos deverão, pelo menos aproximadamente, exibir transitividade nas escolhas, a qual, segundo a Teoria da Decisão, implica que os agentes podem ser modelizados como maximizando uma função de preferência sujeita a restrições. Este é o modelo do actor racional> da Economia e da Teoria da Decisão, mas uma designação mais adequada é o modelo das crenças, preferências e constrangimentos (BPC).

    «Em resumo, a psicologia evolutiva sugere que a tomada de consideração da nossa história evolutiva é extremamente poderosa para gerar hipóteses plausíveis relativas à psicologia humana, as quais podem ser testadas com as ferramentas padrão da investigação experimental. Dum modo mais geral, e parafraseando o grande geneticista russo Theodore Dobzhansky, a mente humana só faz sentido à luz da evolução.»

    Documentos relacionados:
  • "The Unification of the Behavioral Sciences" - H. Gintis, para publicação
  • "Why the Beliefs, Preferences, and Constraints Model?" - H. Gintis, Nov.2005
  • "Agent-based models and human subject experiments" - John Duffy, Março 2005
  • "The Evolution of Our Preferences: Evidence from Capuchin-Monkey Trading Behavior" - vários, Maio 2005
  • "Game theory and human evolution: A critique of some recent interpretations of experimental games" - vários, Julho 2005
  • sábado, março 25, 2006


    órbitas duma equação diferencial
    publicado por Nós-sela.

    Economia e neurobiologia

    "Decisions, Uncertainty, and the Brain: The Science of Neuroeconomics"
    de Paul W. Glimcher

    «A Economia é frequentemente descrita como a rainha das ciências sociais. Mais especificamente, é a econometria e a sua teoria subjacente que coloca a Economia muito acima das ciências sociais. Glimcher pretende transportar o rigor matemático da modelização económica, bem como a teoria subjacente, para a neurobiologia.

    «As neurociências são conhecidas por serem ricas em dados mas pobres em teoria. Glimcher esboça um caminho para desenvolver a tão longamente desejada arquitectura teórica. Evidentemente, não é ele o primeiro a propor uma tal teoria. Existem tantas já propostas que as expressões "de baixo para cima" e "de cima para baixo" se tornaram vulgares entre os pensadores das neurociências. E existem também as conhecidas recomendações de algumas abordagens ecléticas propostas por pessoas como Daniel Dennett e Paul e Patricia Churchland. (...)»

    Recensão do livro
    Human Nature Review 2003 Volume 3: 392-394

    quarta-feira, março 22, 2006

    Contratação e desemprego

    Na blogosfera, a maior parte das entradas e comentários acerca da legislação e contestação laboral em França, parece ter-se debruçado mais sobre aspectos políticos e sociológicos, do que propriamente económicos. Existe, no entanto, uma vasta literatura económica sobre a relação entre as formalidades da contratação laboral e diversas variáveis económicas, tais como o emprego e o desemprego.

    Um dos economistas que tem estudado estes assuntos na Europa é Olivier Blanchard. Por exemplo, num seu artigo de 2001, em co-autoria com Augustin Landier, "The Perverse Effects of Partial Labor Market Reform: Fixed Duration Contracts in France", [pdf] levantam-se fortes dúvidas às formas contratuais do tipo do contestado CPE:
    «Em lugar procurar reduzir os custos de despedimento, um certo número de países europeus autorizou as empresas a empregar trabalhadores com contratos de duração fixa. No fim de um dado prazo, estes contratos podem ser terminados com baixo ou nenhum custo [para as empresas]. No entanto, se os contratos forem mantidos, passam a estar sujeitos aos usuais custos do despedimento.

    «Argumentamos neste paper que os efeitos de uma tal reforma parcial do regime de protecção do emprego podem ser perversos. O principal efeito poderá ser uma alta rotatividade [high turnover ] dos empregos de duração fixa, conduzindo a um maior, e não menor, desemprego. E mesmo que o desemprego desça, os trabalhadores poderão ficar pior, tendo que passar por muitas situações de desemprego e contratos temporários, antes de obter um emprego regular. Olhando para os dados estatísticos da França relativos a jovens trabalhadores desde o início dos anos 1980, concluímos que as reformas aumentaram substancialmente a rotatividade, sem atingir uma redução substancial na duração do desemprego. O seu efeito no bem-estar dos jovens trabalhadores parece ter sido negativo.»
    Note-se, no entanto, que os autores não são fanáticos da protecção laboral: nas primeiras linhas deste paper escrevem que «Existe agora substancial evidência de que uma elevada protecção laboral conduz a um mercado laboral esclerótico, com baixas taxas de separação laboral [separation rate](*) mas longa duração do desemprego. Embora esta esclerose possa não conduzir a um desemprego elevado — devido aos efeitos opostos de baixos fluxos e elevada duração da taxa de desemprego — é provável que conduza simultaneamente a baixa produtividade, baixa produção e baixa protecção social».

    Num texto de 3 de Janeiro, "Emploi : la solution passe par le CUP (contrat unique progressif)", Olivier Blanchard defende que «é necessário regressar a um contrato único, mas a um contrato progressivo, um contrato que dê aos trabalhadores maior protecção à medida que fiquem na empresa. A palavra essencial é "progressivo". O que é necessário evitar, aquilo que aprisiona o sistema actual, é o efeito de "fronteira" [effet de seuil], que se produz no final dos contratos CDD. Num contrato progressivo, os direitos do empregado aumentam lentamente com o tempo: não existe o dia fatídico em que se tem de saltar de um contrato para o outro.»

    Noutro texto ainda mais recente "De l'ignorance économique" (20 de Março) Blanchard adianta: «Será que não há solução? Teremos de aceitar um capitalismo selvagem, um sistema onde as empresas é que fazem a lei e os trabalhadores são obrigados a submeter-se? Certamente que não. Já não estamos no século XIX e a França é um país rico. Suficientemente rico para oferecer uma formação e uma protecção social generosa aos seus trabalhadores. A questão é qual a melhor forma de o fazer, aumentando os incentivos às empresas para que criem empregos. Essas são as verdadeiras questões, aí está o verdadeiro debate. Este debate tem também lugar noutros países. A julgar pelo conteúdo do comunicado [comunicado contra o CPE do CPE, subscrito pelas comissões do Attac, do PS e do PCFdo "13e arrondissement"], ainda estamos muito longe em França.»


    Não sei se "separação" é uma tradução adequada. O conceito abrange as finalizações de contratos laborais por vários motivos (falecimento, afastamento voluntário do trabalhador, incapacidade) incluindo o que habitualmente se designa por despedimento (finalizações de contratos laborais por iniciativa do empregador).

    sexta-feira, março 17, 2006

    Movimento conservador

    Vincent Glad
    (fotografia de Vincente Glad)

    Os órgãos de comunicação chamam "revolta" aos recentes protestos dos jovens em França. Revolta? Mas qual revolta? Uma grande diferença entre o Maio de 68 e o presente é que naquela altura os jovens estavam ao ataque, enquanto que estes jogam à defesa. Naquela altura exigia-se que a sociedade mudasse, e agora exige-se que se mantenha tal e qual os pais dos meninos a conceberam. Trata-se apenas de mais um episódio do colapso do Estado-Providência. Imaginam atitude mais conservadora do que a destes jovens?

    Diz uma jovem universitária neste podcast: "é o meu futuro que ameaçam." Ouçam que é educativo.
    Podcastloic
    http://podcast.blog.lemonde.fr/podcast/files/tolbiac1.mp3
    (Crédito: Mathilde Serrell e Antoine Blin

    Thierry Breton

    Podcastloic
    Loic Le Meur entrevistou Thierry Breton, ministro francês da Economia e Finanças, sobre empreendedorismo, globalização e a França. (1:55 m)

    terça-feira, março 14, 2006

    Economia da religião

    Chuck Zech


    Entrevista com Chuck Zech - mp3 - 12.Mar.06 - 27:26 min

    James Reese da Radio Economics, entrevista Chuck Zech acerca da “economia da religião”; temas abordados: aplicação de modelos económicos (oferta e procura de mercado) à religião, a Igreja Católica como monopólio ou oligopólio, situação económica da Igreja Católica dos EUA, resultados do “2005 Catholic Donor Attitude Survey [pdf].

    Chuck Zech é docente de Economia no College of Commerce and Finance, Villanova University.

    url: http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20060312-608.mp3

    Mais podcasts da Radio Economics
    textos relacionados
    (ficheiros pdf, excepto quando indicado)

  • "The Market for Martyrs", Laurence Iannaccone
  • "Voodoo Economics? Reviewing the Rational Choice Approach to Religion", Laurence Iannaccone
  • "Rational Ignorance Versus Rational Irrationality" [doc], Bryan Caplan
  • "Religion and Preferences for Social Insurance", Keneth Scheve e David Stasavage
  • "Economists Are Getting Religion" (html) artigo da Business Week
  • "Implications of the Economics of Religion to the Empirical Economic Research", Esa Mangeloja
  • domingo, março 12, 2006

    A cigarra e a formiga

    «Na clássica fábula de Esopo, a formiga e a cigarra são utilizadas para ilustrar duas abordagens, familiares mas diferentes, da decisão humana intertemporal. A cigarra diverte-se durante um quente dia de Verão, desatenta do futuro. A formiga, em contraste, armazena comida para o próximo Inverno. Os decisores humanos parecem estar encurralados entre um impulso para agir como a facilitadora cigarra e a consciência de que a paciente formiga acaba por ganhar a longo prazo.

    Uma linha de investigação em curso, tanto na Psicologia como na Economia, tem explorado esta tensão. Esta investigação é unificada pela ideia de que os consumidores comportam-se impacientemente no presente mas preferem/planeiam agir pacientemente no futuro. Por exemplo, alguém a quem seja colocada a opção entre ganhar $10 hoje e $11 amanhã, pode ser tentado a escolher a opção imediata. Contudo, se lhe pedirem hoje para escolher entre $10 daqui a um ano e $11 daqui a um ano e um dia, a mesma pessoa provavelmente escolherá a quantia ligeiramente protelada mas de montante maior.

    Os economistas e os psicólogos têm teorizado acerca da causa subjacente a estas escolhas dinamicamente inconsistentes. É normalmente aceite que a racionalidade determina tratar cada momento de prototelamento de modo igual, efectuando o desconto de acordo com uma função exponencial. Acredita-se que as preferências impulsivas em contrário são indicativas de avaliações desproprocionadas dos ganhos disponíveis no futuro imediato.

    Alguns autores argumentam que uma tal inconsistência dinâmica nas preferências é provocada por um único sistema de tomada de decisão que gera insconsistências intertemporais, enquanto que outros autores argumentam que a inconsistência é originada na interacção entre dois difeferentes sistemas de tomada de decisão.

    Nós colocamos a hipótese de que a discrepância entre preferências de curto prazo e de longo prazo reflecte a activação diferenciada de sistemas neurais identificáveis. Especificamente, colocamos a hipótese de que a impaciência de curto prazo é accionada pelo sistema límbico, que responde preferencialmente a ganhos imediatos e é menos sensível ao valor de ganhos futuros, enquanto que a paciência de longo prazo é mediada pelo córtex pré-frontal (CPF) e estruturas associadas, que são capazes de avaliar trade-offs entre ganhos abstractos, incluindo ganhos num futuro mais distante.

    Uma variedade de pistas na literatura científica sugere que este deve ser o caso. Primeiro, existe a larga discrepância entre o desconto do tempo pelos humanos e pelas outras espécies. Os humanos, rotinamente, avaliam os custos/benefícios imediatos contra os custos/benefícios que são protelados por prazos que podem ser de décadas. Em contraste, mesmo nos primatas mais avançados, que diferem dramaticamente dos humanos na dimensão do CPF, não se tem observado qualquer envolvimento no protelamento não pré-programado de gratificações que envolvam mais do que alguns minutos. Apesar de algum comportamento animal parecer pesar as comparações relativamente a períodos mais longos (por exemplo: armazenamento sazonal de comida), esse comportamento revela-se sistematicamente estereotipado e indistinto, e portanto diferente da natureza generalizada do planeamento humano.

    Em segundo lugar, os estudos de casos de danos cerebrais provocados por cururgia, acidentes ou ataques, apontam consistentemente para a conclusão de que a lesão do CPF leva frequentemente a comportamentos que são mais fortemente influenciados pela disponibilidade de ganhos imediatos, bem como a falhas na capacidade para planear.

    Em terceiro lugar, a função "quase-hiperbólica" de desconto de tempo, que junta (splices) duas diferentes funções de desconto - uma que distingue rudemente entre o presente e o futuro e outra que faz o desconto exponencialmente e com menor profundidade - tem provado ajustar-se a dados experimentais e forneceu luz a uma larga gama de comportamentos, tais como a poupança de reforma, empréstimos por cartão de crédito e procrastinação.

    Contudo, apesar destas e de muitas outras pistas de que o desconto de tempo pode resultar de processos distintos, pouca investigação tem sido feita até ao presente para identificar directamente a fonte da tensão entre as preferências de curto e de longo prazo.»

    in "Separate Neural Systems Value Immediate and Delayed Monetary Rewards"
    Samuel McClure et al
    Science, vol. 306, 15 de Outubro de 2004