O que levou a Walmart a pedir desculpa foi o facto dos consumidores que consultavam um conjunto de DVDs que incluiam os filmes "Martin Luther King: I Have a Dream" e "Unforgivable Blackness: The Rise and Fall of Jack Johnson", terem recebido a mensagem de que talvez gostassem também de comprar o DVD do "Planeta dos Macacos" (ou do "Ace Ventura: Pet Detective", "entre outros títulos irrelevantes"...) Afinal, os computadores até são capazes de se parecer mais com os humanos do que acreditamos: pois se até cometem os mesmos lapsos!... |
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Gostos não se discutem
storm/stoned
| Novo blogue linkado: french kissin'. Além do mais, um incondicional de Dylan. E já que se falou no assunto: http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20Shelter%20From%20The%20Storm.mp3 http://kalioglou.sweb.cz/Bob%20Dylan%20-%20Everybody%20Must%20Get%20Stoned.mp3 |
Boca-a-boca
Uma notícia do Jornal de Negócios, já com alguns meses (Novembro de 2005), sobre o peso do "factor c" (cunha) na obtenção de empregos, continua a fazer eco na imprensa. Hoje é a revista DiaD, que refere que «28 % dos 5,1 milhões de empregos em Portugal no terceiro trimestre de 2005 foram conseguidos por cunhas, ou seja, por intermédio de pessoas conhecidas, segundo dados do INE.» E acrescenta a revista: «Falar de desenvolvimento, de competitividade, de futuro, de suar a camisola e, se necessário, "comer" a relva torna-se difícil quando se é confrontado com um número destes. A modernidade é incompatível com a tacanhez de raciocínio que está na a nossa raíz genética.» Este estilo "moralista" é típico de alguns comentadores de jornal e até de muita da blogosfera. Mas creio que não é caso para tanto. É evidente que o autor deste cacharolete de metáforas parte do princípio que um emprego obtido através de um conhecimento qualquer é um emprego ineficiente - e que os países mais eficientes não recorrem a este método de ajustar oferta e procura de trabalho. Contudo, não é necessariamente assim. Mas vamos por partes. No lado oposto do emprego através de conhecimentos pessoais encontrar-se-ia o recrutamento através de um concurso público nacional (quiçá europeu...) Sem dúvida que, dessa forma, se emularia uma concorrência mais alargada. Mas, para muitos empregos, esse recrutamento seria ineficiente, dados os custos de publicidade e, sobretudo, de selecção. Para se garantir a maximização da eficiência do recrutamento ter-se-iam de avaliar os milhares de candidatos a cada posto de trabalho, através de processos morosos e onerosos, que, em geral, teriam de ser feitos por empresas especializadas. Uma alternativa mais simplificada seria a publicidade de vizinhança, tal como o papelinho na montra a pedir "colaboradores". Mas será este processo mais eficiente que o contacto através de amigos e familiares? Muitas empresas anunciam a necessidade de contratações no seio da própria organização: é uma forma barata de atrair candidatos, sobre os quais a empresa faz depois a sua selecção. O problema é que as nossas cabecitas maldosas supõem sempre que associada a uma cunha está sempre uma pessoa incompetente ou inadequada para aquele posto. Mas porque não há-de ser precisamente o contrário? Porque não admitir que o candidato se oferece para empregos adequados às suas habilitações e motivações? Porque não admitir que aquele que tomou conhecimento do anúncio se lembrou de um amigo ou familiar, precisamente por lhe parecer o "casamento" adequado? Pois é... mas quando estamos determinados a mostrar como o nosso país é uma desgraça, qualquer argumento serve - e nenhuma suspeita é de desprezar... Acresce ainda que esta forma de recrutamento por meio de contactos "pessoais", dada precisamente a sua eficiência relativa, é largamente utilizada por economias avançadas, sem que as mesmas estejam a entrar em colapso por tal facto. Por exemplo, o artigo "Job search methods and results: tracking the unemployed, 1991", de Steven M. Bortnick and Michelle Harrison Ports, publicado na Monthly Labor Review, refere que 22,6% daqueles que tinham procurado emprego "através de amigos e familiares" tinham-no obtido ao fim de 2 meses, uma percentagem semelhante à de outros métodos de procura. E já em 1980, a mesma revista tinha publicado o artigo de M. Corcoran e outros, "Most Workers Find Jobs through Word of Mouth" (ambos os artigos são relativos aos EUA). «Os empregadores apoiam-se largamente no boca-a-boca [word of mouth] para o recrutamento de trabalhadores e estão em geral satisfeitos com este processo. Anúncios em jornais, recrutamento através de agências e outros mecanismos são utilizados mais selectivamente ou como segunda alternativa.» Outros artigos relacionados: |
Ikea
sábado, janeiro 21, 2006
BP: estatísticas interactivas
| No dia 19 o Banco de Portugal iniciou o BPstat - Estatísticas online, um serviço cujo objectivo é o de "facultar um acesso fácil e célere às séries estatísticas produzidas pelo BP e outras instituições". Destacam-se as possibilidades de exploração multi-dimensional da informação, elaboração de quadros formatados pelos utilizadores, criação de "favoritos", sistema de alerta, etç. Existe também informação metodológica. (Nota do Governador) |
Conjuntura
"Indicadores de conjuntura" do Banco de Portugal. «O indicador coincidente mensal para a evolução homóloga da actividade e conómica [em Portugal], calculado pelo Banco de Portugal, apresentou uma ligeira recuperação em Dezembro, após uma relativa estabilidade nos meses mais recentes. A informação disponível aponta para um menor crescimento do consumo privado no segundo semestre do ano. |
A Nova Organização
«Há 50 anos William Whyte, editor da revista Fortune, escreveu o livro "The Organisation Man", [disponível online aqui ] que definiu a natureza da vida na empresa para uma geração. O livro descrevia o modo como a América (cujo povo, escrevia Whyte, era conduzido na "pública adoração do individualismo") se tinha tornado recentemente numa nação de empregados que "cumprem votos de vida eterna para com a organização" e que se tinham tornado nos "membros dominantes da nossa sociedade".»«Entre as organizações que Whyte tinha em mente, estava sobretudo a grande corporação, que ele pensava que premiava a dedicação prolongada, obediência e lealdade, quase tão fielmente como faria um mosteiro ou um batalhão. [...] Meio século depois, esta organização parece extinta [...] A empresa que mais se parecia identificar com este estilo de vida era a IBM. Durante muitos anos os seus gestores usaram apenas fatos azuis escuros, camisas brancas e gravatas escuras, símbolos da sua ligação vitalícia à "Big Blue". A medida das mudanças que tiveram lugar desde os tempos de Whyte até hoje é dada pelo facto de, actualmente, 50% dos empregados da IBM trabalharem para a empresa há menos de 5 anos; de 40% dos seus 320 mil empregados serem "móveis", significando que não se apresentam diariamente num dado local de trabalho; e de cerca de 30% serem mulheres. Uma empresa que em tempos foi dominada por empregados vitalícios que vendiam computadores, foi transformada num conglomerado de transitórios fornecedores de serviços. O "Homem da Organização" foi substituído por um grupo de gestores mais vocacionados para a rápida ascenção empreendedora do que para a lenta promoção organizacional.»The Economist, "The new organisation" |
Produtividade
«A taxa de crescimento da produtividade na América desacelerou para 1,8% em 2005, abaixo dos 3% de 2004. Esta última estava bastante acima da dos "velhos" 15 estados da União Europeia, que se situava nuns meros 0,5%, quase a mesma do Japão. Apesar de muitos países desenvolvidos tenham sofrido desacelerações da produtividade no ano passado, muitos mercados emergentes, como a Europa oriental, a Índia e a China, viram-na aumentar.» |
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Fado português
| Quando José Tavares se demitiu de coordenador do Plano Tecnológico, comentámos aqui ("Este é o nosso fado") que tudo indicava que a demissão seria apenas a ponta o icebergue de problemas mais profundos: a resistência por parte da estrutura administrativa e de poder ao desenvolvimento de uma estratégia inovadora, que necessariamente teria de bulir com a relação de poderes dentro da administração pública. Um pouco insolitamente, o mesmo José Tavares aproveitou uma conferência do primeiro-ministro para revelar que havia um ministro que se opunha à concretização de uma das medidas sonantes daquele Plano: um acordo de cooperação com o Massachussets Institute of Technology (MIT). A iniciativa é insólita porque não é curial que alguém que participou na concepção de um projecto público, venha utilizar informação privilegiada obtida nesse contexto para incomodar politicamente quem, inicialmente, o convidou para tal cargo. Claro que José Tavares pode estar cheio de razão, mas o assunto talvez pudesse ter sido tornado público de outra forma, eventualmente mais elegante. O assunto, entretanto, entrou no domínio da lavagem da roupa suja. Os jornais trataram logo de descobrir quem seria a "força de bloqueio": o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, o qual vem agora negar (obviamente) qualquer oposição à vinda do MIT (notícia do jornal Público). O que é triste é isto: não se discute o Plano nem se discute a natureza do projecto MIT. Tudo o que "interessa" é a fulanização. Alguns comentários na blogosfera portuguesa: «A ambígua resposta de Sócrates quer dizer apenas uma coisa - a questão avançará quando Gago já não for ministro. Resta saber se o MIT esperará até lá.» «O assunto, que poderia ser importante, e revelador de muitos dos nossos problemas (e também de acidentes da sociedade internacional "globalizada"), começou, como é óbvio, com uma peça de escandaleira.» «A recente polémica da instalação em Portugal do MIT teve o mérito de pôr a nu o estado de precariedade do Ensino Superior no nosso país, profundamente enfeudado às doutas cabeças de outrora e à reverência e ao invencível estado de prostração perante o “Santo Grau”.» «O ministro da Ciência e Tecnologia acusou José Tavares de proferir afirmações falsas e de ter prestado um péssimo serviço ao país. É o primeiro passo, em português, para um grande good bye ao projecto do MIT para Portugal. » «Nuno Melo [líder parlamentar do CDS], depois de hoje pedir explicações ao Executivo, avançou à TSF com o que corre em surdina nos corredores de S. Bento: uma das razões do “tal Ministro” (...) teria a ver com o facto de o Projecto do MIT, apresentado ao Governo, prever recrutar e trabalhar com a melhor “massa cinzenta” de todas a Universidades portuguesas, enquanto o “tal Ministro” queria contrato de exclusividade com apenas uma (um doce para quem adivinhar qual era). “Endogamia” tecnológica na versão mais ciumenta e abortiva?» «Mariano Gago nega oposição à entrada do MIT em Portugal «PS: Senhor ministro, não se preocupe que a gente percebe. O senhor não é contra a entrada do MIT. O senhor só é contra a entrada do MIT para a Universidade Nova.» «basicamente o senhor ministro disse que não há desencontro de opiniões e que era mesmo uma questão de independência nacional ... e disse mais ...disse que o Tavares é puto...funcionário público...professor nos começozinhus da carreira e que o doutoramentozinho foi à pala do Estado com uma bolsa da FCT ...portanto eu traduzo... "Ó Tavares... rapazola ... axandra-te pá... olha a carreira..." «Porque razão o sr. Tavares - aquando da sua demissão - não convocou um ou dois microfones e dava uma conferência de imprensa, explicando aí as verdadeiras razões das sua demissão... Não o fez, depois reagiu como um garoto a quem tiraram o xupa-xupa e o carrinho da match-bock.» |
terça-feira, janeiro 10, 2006
Maria Filomena Mónica
A professora Maria Filomena Mónica, a quem "passaram as dores de cabeça" depois de ter publicado o seu Bilhete de Identidade, dá uma entrevista aos "pontos nos ii", a revista mensal de política educativa que é hoje distribuída com o jornal "Público".Nesta entrevista a professora revela que foi «ao leccionar no [período] pós-Revolução que me senti pior. Os alunos queriam mandar nos professores e estes não foram capazes de dizer "o que quereis não faz sentido". Instalou-se o laxismo e abandonou-se o trabalho individual. Os professores, mesmo os catedráticos, cederam. Um grupo de quatro alunos tinha quatro disciplinas feitas: cada um fazia um trabalho, supostamente de grupo.» No seu livro "Bilhete de Identidade", Maria Filomena Mónica já tinha referido a irracionalidade do período em que os alunos tomaram conta das universidades (e dos programas, da avaliação, etç.) . Nada disto é novo, a não ser o facto de MFM assumir que também os professores se deixaram ir na onda das "facilidades revolucionárias". Hoje, há muitos desses professores que denunciam essa situação (vide o professor Cavaco Silva na sua auto-biografia política, que ridiculiza os alunos de Económicas que tinham "assento" no Concelho Científico) mas esquecem-se sempre de dizer que não tiveram a coragem de denunciar a situação na devida altura. A propósito, aproveito para contar um dos episódios, passado comigo neste contexto, que mais me penalizaram. Vem a propósito porque um dos participante foi o professor Afonso Barros - que foi casado com Maria Filomena Mónica e é profusamente citado no seu livro. O professor Afonso de Barros era da oposição ao regime muito antes do 25 de Abril. Depois da Revolução esteve ligado ao MES. Também ele apoiou a metodologia do trabalho em grupo, que era apresentada como uma alternativa aos métodos de ensino e avaliação "selectivos" que, supostamente, tinham a "marca de classe" do regime ditatorial. Mas o professor não estava preparado para o radicalismo que dominou a "classe" discente naquele ano de 1975. Fui um defensor da avaliação contínua e do trabalho em grupo, mas não me "aproveitei" dessa metodologia para passar sem estudar, embora no meu grupo de trabalho o desempenho dos elementos fosse desigual e existisse uma "protecção" aos menos diligentes no estudo. Ora, numa reunião do professor Afonso de Barros com o meu grupo, no final de uma discussão de um trabalho, ele pretendeu dar notas diferentes aos elementos do grupo, de acordo com a sua apreciação dos conhecimentos de cada um. Mas o grupo não aceitou: a nota tinha de ser igual para todos! O professor bem argumentou que era evidente que havia diferentes níveis de desempenho pelos alunos, mas o grupo foi inflexível: então ele que desse a nota mais baixa a todos os elementos. Como se explica esta irracionalidade, que prejudicava os alunos que poderiam ter nota mais elevada, que era o meu caso e do meu colega José Luis Lança? Muito simplesmente porque eramos os parolos daquele processo. Acreditávamos piamente que era mais justo todos terem nota igual, que a nota diferenciada era uma coisa do ensino burguês, bla, bla, bla... Este radicalismo é algo que hoje me envergonha - embora no ano seguinte, em 1976, eu já tenha aceitado notas diferenciadas dentro do grupo. No entanto, o mais grave daquele episódio estava para vir: como nenhuma das partes cedesse, o grupo abandonou a sala, numa bravata irresponsável. Que grandes "revolucionários"! Íamos já no jardim da escola quando Afonso de Barros veio a correr atrás de nós, e admitiu finalmente dar-nos nota idêntica a todos. Logo naquele momento, senti vergonha de termos obrigado o professor a ceder, porque ele se manifestou um cavalheiro - quem o conheceu sabe como era educado - enquanto que nós nos portámos como uns seres intolerantes. Nunca mais me esqueci deste episódio e envergonho-me dele sempre que o recordo. Poderia haver alguma compreensão para a ocorrência destas asneiras no período revolucionário, mas a fraude mantém-se no nosso sistema de ensino, conforme explica MFM: «[O ensino hoje está] mal a todos os níveis e a responsabilidade é dos partidos, em última análise, mais da direita. O pensamento progressista que irrompeu na esquerda era normal. A tradição de Rousseau e do mito do bom selvagem, tudo era normal. E a direita engoliu as balelas pedagógicas. Sendo eu de esquerda, penso que o PPD, de uma forma acrítica, aceitou todos os disparates. Nos últimos dez anos apareceram pessoas a defender a aprendizagem, o esforço e o trabalho. [Mas] ainda não se chegou aos programas, que são um disparate total, tanto na literatura como na história.» |
Virus à solta ?
A "informática" anda a pregar umas partidas ao jornal "Público". Há uns dias ocorreu a publicação de um texto antigo de Vasco Pulido Valente, que "saltou" do passado para a última página. Hoje é a página 18 que é, imagine-se, a mesma que foi publicada ontem. Andará algum virus à solta nos computadores do Público ? |
sábado, dezembro 31, 2005
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Preferência pela liquidez
terça-feira, dezembro 27, 2005
Forma sem conteúdo
| O candidato presidencial Cavaco Silva deu uma entrevista ao Diário de Notícias, onde propôs (ou sugeriu, é o mesmo) que o governo tivesse uma secretaria de estado para acompanhar os processos de deslocalização de empresas. Foi o suficiente para os restantes candidatos desatarem a clamar que o homem quer imiscuir-se nos assuntos do governo. O que me revolta nisto é a discussão que se consegue armar em torno do aspecto formal (criação de uma secretaria de estado sugerida pelo candidato), esquecendo o conteúdo da questão (necessidade de uma atenção especial ao fenómeno da deslocalização). Esta capacidade para nos matarmos a discutir sobre aspectos formais e superficiais, é bem reveladora do nosso formalismo e superficialidade. O que torna ainda mais patética esta discussão é que a necessidade do governo "vigiar" as empresas é uma ideia típica da esquerda, cabendo melhor à direita a defesa da livre concorrência, sem intromissão estatal. É evidente que Cavaco não é de direita, é francamente um social-democrata. A sua sugestão pode até ter constituído um deslize, na tentativa de criar uma imagem de presidente que não se limita a discursos. Mas o forrobodó que a restante peonagem - com a ajuda da imprensa - se dispôs a fazer, mostra bem como continuamos a possuir uma mentalidade de lordes pelintras. Quando o presidente Sampaio clamou que havia "mais vida para além do orçamento", ou quando Soares andou pela Área Meteropolitana de Lisboa a destapar os montes de lixo que a sociedade portuguesa tinha varrido para debaixo da alcatifa, isso não era ingerência no governo? Era seguramente muito maior ingerência do que a sugestão da criação de uma qualquer secretaria de estado. |
Império à deriva
| "Império à Deriva" - um dos mais divertidos livros que já li, apesar de achincalhar um bocadinho os portugueses. Pode ser que haja algum exagero neste retrato da estadia da corte portuguesa no Brasil (desde 1807), escrito por um inglês, mas nem sequer os ingleses (ou franceses) escapam muito incólumes à pintura de Patrick Wilcken. São inúmeras as passagens cómicas - o rei D. Joao VI, eterno indeciso, que não tomava banho e concedia audiências em salas com penicos devidamente atestados, o filho Pedro que se desfazia dos "excedentes" à vista do exército, a Carlota sempre a intrigar contra o rei, etç. A única que ainda escapa é a louca da D. Maria. Mas, para além deste ridículo folclore, é muito sedutora a tese de que foi a mania dos portugueses em ostentarem a posse do maior número de escravos que esteve na origem, involuntária, da famosa miscigenação. Que a posse de escravos era o sinal exibido do sucesso social, é algo que outros autores, incluindo muitos portugueses, têm confirmado. Nem mesmo pessoas bem abaixo na escala social, como os artesãos, precindiam de escravos para lhes carregarem as ferramentas quando se deslocavam na via pública. Quanto aos nobres, costumavam sair à rua, a passear, com a família, criadagem e escravos, todos em fila indiana, pai à frente, filhos por ordem inversa de nascimento a seguir, e o resto também por ordem de "importância" (é a imagem da capa do livro). O resultado desta proliferação de escravos (essencialmente de origem africana) foi que, ao contrário do que aconteceu noutras urbes coloniais, os escravos "dominavam" o espaço público e estabeleciam a cultura da cidade. É muito curioso que, quando se deu a revolta de Pernambuco, o assustado rei se tenha dado conta de que era materialmente impossível proibir ajuntamentos de pessoas na rua, especialmente escravos, dada a quantidade deles que cirandava por fora às ordens de todo e qualquer gato pingado - até mesmo de outros escravos, entretanto alforriados. Há um grande choque de usos e costumes com a chegada da comitiva da arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que a acompanhou para o casamento com o princípe Pedro. Os austríacos, habituados a uma vida social que já tinha sido influenciada pelo nascente espírito científico e pelas "luzes", ficaram boquiabertos com uma corte que ainda "vivia" na Idade Média, com os subditos a presenciarem, de pé (ou de joelhos, nos caso dos mais débeis) às longas refeições reais. Os austríacos levaram para o Brasil uma missão científica que aproveitou para estudar e recolher especimenes tropicais. Compare-se com a atitude lusa: um enviado de Lisboa passou anos a recolher animais, plantas e minerais, no Amazonas; quando perguntava (para Lisboa) se já se podia ir imbora, respondiam-lhe que não, que o que enviara ainda era insuficiente... Mais tarde descobriu-se que os preciosos caixotes que mandou para Lisboa nem sequer tinham sido abertos! Alguns acabaram mesmo por ser saqueados pelos franceses numa das invasões. |
Península Ibérica
A Península Ibérica como "região da Europa" é um conceito que provoca calafrios a muitos portugueses, que começam a pensar que tantos séculos de guerras afinal não valeram para nada. Porém, não parece haver motivo para alarme. Se tudo correr bem, nenhum dos países dominará ou será dominado pelo outro, antes emergirá uma nova realidade social e política, de que ambas as originalidades ibéricas srão os ilustres antepassados. Claro que nós, tendo nascido e formado a nossa personalidade a cantar o hino anti-inglês e a glorificar Aljubarrota (que para cá trouxe os ingleses...) teremos muita dificuldade em aceitar uma tal coisa. Mas quando o oceano começar a engolir as nossas magníficas cidades ribeirinhas, estas preocupações deixarão de fazer sentido. Porém, se as coisas correrem mal, e o projecto europeu começar a andar para trás, poderemos retomar os nossos hábitos nacionalistas e até talvez a diversidade tribal que existiu antes desta coisa tão romântica que são os países, com os seus garbosos exércitos e esforçados clubes de futebol. |
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Mónica e o Desejo
É curioso como uma pessoa tão fortemente ligada aos estratos superiores da sociedade do Estado Novo tenha "passado ao lado" (como ela própria reconhece) de importantes factos da vida política e social do Portugal daquela época. Única e significativa excepção: a presença chocante da pobreza/miséria e a apatia com que todos (ricos e pobres) a encaravam - uma descoberta feita pela autora sem a ajuda de ninguém, nem de nenhuma ideologia. A parte dos relacionamentos amorosos não me pareceu muito interessante, ao contrário da deriva intelectual da bela Mena, nomeadamente a sua aproximação aos autores marxistas, capítulo em que o livro se mostra muito revelador dos mecanismos que levavam a juventude mais culta a aproximar-se dum marxismo extremista. Entre a coisas mais divertidas do livro está a descrição de um patético meeting de intelectuais oposicionistas portugueses, em 1973, em Paris (página 304). Entretanto aqui ficam algumas citações, bastante justas, sobre a escola de Economia da época: o ISCEF. «Na Páscoa de 1960, decidi ir até ao ISCEF, onde descobri que a licenciatura em Economia - à qual a área disciplinar por mim escolhida dava acesso - possuía cadeiras com nomes tão horrendos quanto Contabilidade, Estatística e Finanças. O casarão da Rua do Quelhas, o antigo convento das Inglesinhas, ainda parecia habitado pelos fantasmas das freiras que ali tinham vivido. Na secretaria, onde me dirigi para obter as informações sobre o curriculum, vegetavam três múmias. Não vi um único aluno. O local era tão execrável que, pensei, jamais um ser humano poderia, de sua livre vontade, frequentá-lo. O meu pai, que por lá se licenciara, confirmou a impressão. Fiquei sem saber o que fazer. Não me apetecendo um interlúdio doméstico, o ensino superior era a minha única hipótese. Mas, sabia-o agora, o ISCEF não me servia.» [pag. 126] «Em 1973, por a instituição ter passado a ser dominada por um grupo de esquerdistas, o Ministro da Educação desistira de reformar o ISCEF - Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras -, tendo criado o ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa -, onde, além de uma licenciatura em Economia, inaugurara outra, em "Ciências do Trabalho e da Empresa" (eufemismo utilizado para designar a Sociologia). O subdirector da nova escola, o Prof. Sedas Nunes, que soubera da minha existência através do Vasco [Pulido Valente], convidou-me para sua assistente. [...] A cadeira que me foi atribuída chamava-se "Demografia, Povoamento e Recursos Hmanos", outro eufemismo para significar, desta vez, Introdução à Sociologia» [pag. 311/2]Não compreendo porque é que este livro despertou tanta animosidade na blogosfera. O Grande Loja diz que "É uma obra amoral e egocêntrica que retrata um percurso errático, desde um berço dourado, até à idade adulta, de uma menina 'bem', que estava 'predestinada' a estar no topo, 'à sua maneira'." Estou mais de acordo com o Desesperada Esperança: "Há, no livro, um aspecto histórico que, embora secundário, embora servindo apenas como pano de fundo, não deixa de ser interessante. Há, no relato da sua infância e da adolescência, uma caracterização do catolicismo do período, bem como [...] da vida familiar das classes altas lisboetas dos meados do século XX. [...] E em último lugar, está, em Bilhete de Identidade, um retrato da intelectualidade esquerdista de finais dos anos 60/princípios de anos 70, fruto do convívio com gente como António Pedro Vasconcelos, João César Monteiro e Vasco Pulido Valente." |
quarta-feira, dezembro 21, 2005
"Tolerância" ?
| O Público chama a atenção para o facto de o PIB per capita português ter acentuado a divergência com a média europeia e o Insurgente diz que sentiu "alguma vergonha" com a leitura da notícia. Tratam-se dos últimos dados divulgados pelo Eurostat. Nós por cá, como seria de esperar, continuamos com generosas "pontes" a propósito das festas de fim de ano, tanto nos privados como na administração pública: sexta-sábado-domingo-e-segunda sem trabalhar, em dois fim-de-semana consecutivos. Não há dúvida de que estamos na época da "tolerância". Na Autoeuropa, entretanto, os trabalhadores resolveram dar uma lição aos alemães. Espero que saibam o que estão a fazer: segundo um dos trabalhadores citado pelo Público, "Estão a fazer chantagem connosco, ameaçando fechar a empresa, mas estamos convictos de que o investimento aqui feito não é para dois dias". |
quinta-feira, dezembro 15, 2005
"I want my money back"
| "I want my money back", disse ela, a senhora Margaret Thatcher, em 1984, dando origem ao famigerado cheque britânico, uma isenção fiscal concedida aos britânicos, (mal) disfarçada sob a forma de uma reposição de verbas pagas. Blair volta a gritar pelo mesmo, mas lá teremos de citar de novo o velho Marx: se da primeira vez sabia a tragédia, agora sabe a farsa. Os britânicos, no entanto, possuem um argumento importante: o "cheque" da PAC entrou em descrédito e está sob o fogo das críticas da OMC, e por isso dizem os "bifes": se a França quer um cheque, nós também queremos. Durão Barroso, que gostaria de ser o Delors da nova Europa, tem motivos para estar aborrecido (Delors conseguiu a certa altura duplicar os fundos estruturais). "I want my money back", disse a senhora Thatcher. "Quero o meu dinheiro de volta", cantou o Jorge Palma. Uma vez ouvi o Jorge Palma, num concerto na Aula Magna, responder a um tipo da plateia que gritava o nome daquela canção: "Tens que ir para a bicha". É isso mesmo que deveria ser dito aos ingleses: "Querem o cheque? Vão para a bicha!" |
terça-feira, dezembro 13, 2005
Pensamentos correntes
Ouvi hoje de manhã, na rádio, o ministro Mário Lino fazer umas contas sobre as SCUTs que me deixaram um pouco baralhado. Falava o ministro sobre os valores apurados pelo Tribunal de Contas sobre os custos das SCUTs para o Estado [17 mil milhões de euros] e disse mais ou menos o seguinte: isso são valores correntes, porque se forem actualizados a 2005 o valor será metade.Metade? Mas não se trata de valores acumulados ao longo dos últimos anos? Nesse caso, e dada a ocorrência de inflação, o valor actualizado a 2005 terá de ser necessariamente maior. A fazer contas desta maneira, não é de espantar a irracionalidade que transpira das decisões governamentais relativas aos grandes investimentos públicos. |
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Não desespere (ainda)
Enquanto considera que ainda pode haver alguma esperança quanto a um acordo relativo ao aquecimento global - optimismo que aparece espelhado na sua capa ("Dont't dispair") - a Economist está bem menos esperançada quanto à cimeira da Organização Mundial do Comércio:«Muito antes de qualquer ministro colocar os pés em Hong Kong, já se tornou claro que o encontro da OMC falhará depressivamente os seus objectivos. Oficialmente a reunião pretende obter um consenso sobre os contornos gerais de um acordo para liberalizar o comércio de produtos agrícolas, tarifas industriais e serviços. Mas particularmente devido à intransigência da Europa em baixar as tarífas agrícolas, tal não acontecerá. Os ministros poderão anunciar modestos progressos (tais como uma vaga promessa de acelerar a eliminação de subsídios ao algodão) mas os objectivos de um acordo Doha serão adiados mais uma vez.»Também na Economist: "Europe's farm follies" |
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Letra por letra
![]() Reconhecemos visualmente as coisas - caras ou palavras - no seu conjunto ou pelas partes? Denis Pelli da New York University e Bart Farell da Syracuse University responderam a esta questão num artigo publicado na revista Nature, "The Remarkable Inefficiency of Word Recognition". Usando o exemplo de letras e palavras, os investigadores mostraram que lemos através da detecção de coisas simples, letra a letra e não palavra a palavra. Isto torna o reconhecimento das palavras muito ineficiente. Veja-se a imagem de cima: ambas as citações apresentam o mesmo contraste total de energia. Na primeira, a energia é dividida igualmente em todas as palavras, tornando todas as letras identificáveis igual e independentemente. Na segunda citação a energia é dividida igualmente por todas as palavras, independentemente do seu comprimento. Em princípio, para um dado nível de ruído, a detectabilidade de um padrão conhecido depende apenas da sua energia, portanto palavras de igual energia deveriam ser igualmente visíveis, mas na realidade as palavras mais pequenas sobressaiem e as mais longas desaparecem. Isto mostra que os leitores humanos não podem integrar eficientemente a energia ao longo de toda uma palavra. Em vez disso, a palavra é identificável apenas quando as suas letras forem independentemente identificáveis. As frases citadas são: "In the beginning was the Word" … "And the light shineth in darkness". Artigo da NYU Press Releases. |
Relatório do Desenvolvimento Humano - 2005
Resumo em português do "Relatório do Desenvolvimento Humano" de 2005 (pdf). |
![]() Randy Bass Ficheiro mp3 - 23:34 min. - 5.Maio.2005 Randy Bass, professor da Universidade de Georgetown, fala sobre novos modelos de aprendizagem. Covering the Chaos - página de Randy Bass url http://141.161.44.24/qtmedia/MP3/NewDesignsinLearning.mp3 |
terça-feira, dezembro 06, 2005
Cançó de bressol

| Ets filla del vent sec i d'una eixuta terra. D'una terra que mai no has pogut oblidar malgrat el llarg camí que et van fer caminar els teus germans de sang, els teus germans de llengua, i encara vols morir escoltant mallerengues coberta per la pols d'aquella pobra terra. |
| «Quis apenas fazer uma homenagem a minha mãe, à tragédia de uma mulher que vive toda a sua vida a caminhar, e que passa toda a sua vida a olhar para trás... nasce numa vila de Aragão, em Belchite; o noivo morre-lhe antes da boda; sai da terra para trabalhar em Barcelona; rebenta a guerra; fuzilam o seu pai e a sua mãe; trinta familiares são executados, assassinados na vila; durante a guerra dedica-se a recolher crianças e a viajar com elas por toda a Espanha, duma ponta à outra; regressa a Barcelona, casa-se com o meu pai, vive a tragédia dos anos do pós-guerra, a escassez, o medo, a perseguição... o meu pai tinha saído de um campo de concentração, e tem enfim um filho, no qual coloca absolutamente todas as suas esperanças, esperando superar com ele toda uma vida de tragédias e de decepções... Para ela, acontece que o filho é um bom estudante, mas que procura complicações com o franquismo... Com essa canção, Cançó de bressol, dei um beijo a essa mulher que, apesar de tudo o que tinha acontecido, continuava a sonhar com a sua terra natal. Acaso não fazemos outra coisa senão sonhar com a infância, que deve ser o único tempo feliz da nossa vida?...» «O olhar de Serrat remonta à sua infância, aos primeiros meses de vida, com a sua mãe alimentando-o ao peito e cantando-lhe uma canção de embalar ["Por la mañana rocío, al mediodía calor."] Serrat articula imagens de grande força visual, captando a geografia materna. A boca presa ao peito da mãe, o avô morto no fundo de um barranco, o cemitério, a ermida, a Virgem no alto, toda aquela paisagem percorrida pela recordação amarga da guerra civil surge de golpe nesta exemplar canção.» |
[ "Canção de embalar" - 1967 - letra ]
Efeitos do aumento da despesa pública
| Documento disponibilizado pelo Banco de Portugal: "The Effects of a Government Expenditure Schock", da autoria de Bernardino Adão e José Brandão de Brito |
Portugueses na net
| No primeiro trimestre de 2005, 42,5% dos agregados domésticos portugueses possuíam computador e 31,5% tinham acesso à Internet a partir de casa; 39,6% dos indivíduos com idade entre os 16 e os 74 anos utilizaram computador e 32% acederam à Internet no mesmo período - resultados do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Famílias, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com a colaboração da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). Dados relativos a 2004 indicavam que a percentagem de agregados domésticos portugueses com acesso à Internet era de 26%, uma das mais baixas taxas da União Europeia: ![]() |
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Economia pós-moderna

[ clique para ampliar ]
"GM employee discount" - campanha de promoção de vendas da General Motors, na qual as viaturas são vendidas ao público ao preço estipulado para funcionários da empresa. Embora considerada um sucesso, não impediu a continuação de despedimentos na empresa.
EUA: recuperação triste
Paul Krugman anda apreensivo com o facto da expansão económica dos EUA não estar a alegrar os americanos. É verdade que os processos de recuperação económica não se reflectem imediatamente nos rendimentos de muita gente, mas Krugman acha que este mistério está a demorar mais do que seria normal:«Os americanos não se sentem felizes com a recuperação económica porque esta ainda não os beneficiou. Esqueçam os números do PNB: muitas pessoas estão a ficar para trás. Mas não é facil explicar porquê. O desencontro entre o crescimento do PNB e a sorte económica de muitas famílias americanas não pode ser ignorado como uma vulgar ocorrência. Os salários e os rendimentos das famílias médias ficam frequentemente atrás dos lucros, nos estágios iniciais de uma expansão económica, mas não tão longe nem durante tanto tempo como agora. Nem é fácil atribuir mais do que uma pequena parcela de culpa às políticas da administração Bush. Neste ponto, a tristeza da expansão económica para muitos americanos é um mistério.Artigo no NY Times (só para assinantes), referido pelo Economist's View. |
Declaração de Lisboa
| "Declaração de Lisboa" é a designação do documento aprovado pelo "Parlamento Cultural Europeu", uma organização informal criada em 2001 por intelectuais, que esteve reunida nos últimos três dias na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sob o lema "Como pode a cultura europeia promover a coesão europeia?". O documento ontem aprovado classifica a cultura como "força motriz" para a criação de uma "sociedade progressista, aberta e inclusiva", além de poder constituir um "valor acrescentado à economia", e afirma que "as pessoas da cultura e das artes são um forte recurso humano para tornar a Europa na mais competitiva e dinâmica economia dirigida ao conhecimento em 2010". As conclusões, no entanto, foram consideradas insuficientes por alguns dos participantes: "Não podemos apenas continuar a repetir ideias filosóficas. Temos de ser mais específicos para o futuro". O Parlamento Cultural Europeu (European Cultural Foundation) foi fundado em 2002 tendo a sua primeira sessão decorrido em Bruges, na Bélgica. Seguiram-se sessões na Áustria (Graz, 2003) e em Itália (Génova, 2004). No início do corrente ano o PEE divulgou o relatório: "Europe as a Cultural Project". Jorge Sampaio na sessão de abertura (Rádio Renascença) |
sábado, dezembro 03, 2005
![]() Susanna Francke Ficheiro mp3 - 16:17 min. - 7.5MB - 26.Set.2005 Susanna Francke, considerada a "Mulher Economista do ano" em 2005 pela Stockholm School of Economics, na sequência da sua graduação em Contabilidade e Gestão Financeira, fala sobre as suas aulas e sobre as razões pelas quais não há mais mulheres economistas.
url do podcast: http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20050924-292.mp3 |
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Isto não é um "post"

| "This is Not an Article: Just Some Thoughts on How to Write One" Um paper de Carsten Sorensen sobre "como escrever um artigo" (ficheiro pdf). |
Mais choques fiscais ?
| O Banco de Portugal disponibilizou em linha o estudo de Ricardo Mourinho Félix, "A macroeconomic structural model for the Portuguese economy", o qual «apresenta um modelo macroeconómico, com alguns fundamentos micro, para uma pequena economia aberta. O principal objectivo é a simulação do ambiente externo e de choques de política fiscal. [...] o impacto nos principais agregados macroeconómicos de choques ambientais externos pode ser avaliado no pressuposto de que o governo ajusta automaticamente a taxa de imposto sobre os rendimentos para cumprir os requisitos orçamentais. Além disso, é conhecido que o impacto de choques fiscais depende crucialmente da capacidade dos agentes para ajustarem o seu comportamento às mudanças de política fiscal, de acordo com a sua antecipação de futuros desenvolvimentos económicos. [...] neste estudo o modelo está calibrado para a economia portuguesa e para os requisitos orçamentais (um objectivo de défice oraçmental de 3% do PNB e de endividamento de 60 % do PNB).» |
Prisioneiros do dilema

| «Depois de ter mantido as taxas de juro inalteradas durante mais de dois anos, o Banco Central Europeu subiu finalmente a sua taxa de referência um quarto de ponto percentual. O Banco está a tentar estabelecer a sua credibilidade como falcão da inflação, mas isso pode ser difícil de conseguir sem ameaçar a frágil recuperação de algumas das maiores economias da zona euro.» |
Natal sem prendas
O Governo garantiu que iria controlar o défice sem recurso a "medidas excepcionais". Mas não será esta uma medida excepcional? |
quarta-feira, novembro 30, 2005
Desenrascanço
Dito assim até parece um sinónimo de "desenrascanço", conceito que o Free Dictionary e a Wikipédia definem como «palavra portuguesa usada em Portugal para exprimir a capacidade para resolver um problema sem as ferramentas ou técnicas adequadas, e pelo recurso à imaginação em face de novas situações [...] o oposto de planear: é tratar de conseguir que um qualquer problema não fique fora de controlo e sem solução.» [2] Quem sabe: pode ser que ainda passemos à história como os campeões desta modalidade de gestão, que parece estar a adquirir dignidade académica - a revista Organizational Science dedicou-lhe uma edição em 1998. Na citada entrada do Free Dictionary conta-se a lenda de que «nos séculos XVI e XVII era muito comum que outros países exploradores, tais como a Holanda, levassem portugueses a bordo nas viagens marítimas, porque os portugueses eram alegadamente os mais capacitados e conhecedores em lidar com emergências inesperadas, quando o controlo do navio lhes era confiado.» Confiança, portugueses! Não deve vir longe o dia em que a gestão mundial das empresas nos seja confiada. Preparemo-nos, pois, da melhor maneira que conhecemos : não nos preparando! [1] - "conception of action as it unfolds in an organizational context, drawing on the available material, cognitive, afective and social resources. It is an individual practice which takes place in light of concrete circumstances. People improvise to solve practical problems which emerge as a result of specific and unplanned circunstances. In this sense, improvisation can be neither managed nor controled." [2] - «a Portuguese word used in common language in Portugal to express an ability to solve a problem without the adequate tools or proper technique to do so and by use of sometimes imaginative resourcefulness when facing new situations [...] the opposite of planning: it's managing that any problem does not get completely out of hand and beyond solution.» |
Presunção e subtileza
A intervenção de Portugal - pela voz do ministro Mariano Gago - na Cimeira Mundial da Sociedade da Informação, que teve lugar recentemente em Tunes, encontra-se aqui. Recordemos os temas "quentes" da Cimeira: a criação de oportunidades para os países mais pobres (objectivo da ONU) e o controlo da Internet (preocupação dos países ricos). Pois leiam o que foi dizer o nosso ministro a Tunes: que Portugal foi o "primeiro país de comunicação global", que foi um dos primeiros da Europa a ligar todas as escolas à Internet, que o acesso gratuito à Internet é garantido em centenas de espaços públicos, que os computadores para estudantes vão ser pagos em 50% pelo Estado, etç. Quanto ao tema propriamente dito da Conferência, vale a pena ler a única referência que lhe é feita:«Quando nos empenhamos no reforço da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, sabemos o papel insubstituível das línguas naturais no acesso de toda a sociedade ao conhecimento e reconhecemos a importância da consolidação de comunidades linguísticas na ligação em rede de todos e na diversidade cultural que a permite e exige.»Perceberam? Nós também não. |
terça-feira, novembro 29, 2005
Esquizofrenia
| O estudo coordenado por Augusto Mateus, referido no post de baixo, trouxe-me à memória outros estudos realizados pela empresa daquele economista, em 1993. Um deles fora encomendado pela Operação Integrada de Desenvolvimento da Península de Setúbal (OID) para avaliar o impacto dos investimentos daquele programa. Após a crise dos anos 80, o governo de Cavaco Silva aceitara aplicar a Setúbal um modelo descentralizado, sugerido pela Comissão Europeia para ultrapassar a falta de articulação estratégica entre os diferentes fundos (FEDER, FSE, FEOGA, etç): uma "operação integrada", que durou entre 1989 e 1993. Já na recta final a OID encomendou o citado estudo, cujas conclusões foram muito simpáticas: "Setúbal pode orgulhar-se de uma nova dinâmica empresarial. O tecido da região é formado por empresas de pequena dimensão, vocacionadas para novos sectores de actividade, mas também dominado por meia dezena de grandes projectos de capital estrangeiro" - lia-se no jornal Público de 10 de Novembro de 1993, dia em que seria feita a apresentação pública do referido estudo - ver fac-simile da notícia. Mas o mesmo jornal, na mesma página, apresentava um outro estudo, baseado em 32 empresas de Setúbal, que era bem menos simpático para a região: "Os trabalhadores portugueses têm em média, o nível de formação técnica mais baixo da Europa, sendo a Península de Setúbal um dos exemplos mais marcantes da falta de formação profissional adequada." Este estudo tinha sido encomendado pela central sindical CGTP e tinha sido realizado, imaginem, por... Augusto Mateus! O jornal cita inclusivamente uma frase deste economista: "os empresários portugueses continuam avessos ao risco e contagiam os seus trabalhadores, gerando-se uma cadeia que dificulta os índices de produtividade". Lado a lado, na mesma página de jornal, duas imagens aparentemente contraditórias sobre a economia da mesma região. Não deve escapar a um observador atento que, tendo o primeiro estudo sido encomendado pela OID, entidade que gerira a aplicação dos fundos, lhe interessava que o retrato fosse "positivo". E à CGTP, logicamente, interessava que o diagnóstico salientasse as deficiências patronais na "formação" dos trabalhadores. Atente-se na frase de Augusto Mateus: são os empresários que "contagiam" os trabalhadores com o seu mau exemplo - how convenient... É claro que se pode dizer - e com fundamento - que os estudos não são comparáveis com esta simplicidade, porque abordam realidades económicas diferentes, embora incidindo sobre a mesma região. Por outro lado, o jornal não reproduz exactamente os estudos, mas sim a "papinha feita" preparada, quer pela OID quer pela CGTP, para os apressados jornalistas que rapidamente elaboram as notícias com base nos "resumos" que lhes são facultados, por escrito ou oralmente, nas conferências de imprensa. Ainda assim, não deixa de ficar no ar uma certa suspeita de que este tipo de estudos, ainda que factualmente bem elaborados, têm apenas as conclusões e consequências que interessam aos seus "donos" - os que por eles pagaram. O modo como os próprios temas a analisar são previamente definidos, e a divulgação que lhes é dada, condicionam a "mensagem" à medida dos interesses dos mandantes - veja-se o caso do aeroporto da Ota. As empresas que realizam estes estudos respondem a encomendas, talvez não se lhes possa exigir muito mais - mas falta aqui alguma capacidade crítica, nomeadamente dos meios de comunicação, que deveriam saber interpretar estes estudos para além dos "press releases". Este é um problema que toma crescente acuidade à medida que se intensifica o número de estudos que são divulgados. A página 43 da edição do jornal Público de 10 de Novembro de 1993 fica assim recordada como mais um exemplo da esquizofrenia nacional. |
Dividir o bolo antes ou depois?
| O jornal Público de hoje inclui um dossiê sobre o estudo "Competitividade Territorial e a Coesão Económica e Social", realizado por uma equipa dirigida pelo economista Augusto Mateus, onde se conclui que os fundos comunitários ajudaram a aumentar a coesão de Portugal mas falharam na competitividade. Esta ideia faz recordar a hipótese de Kuznets de que o desenvolvimento faz-se inicialmente à custa do aumento das desigualdades sociais, e que a coesão só surge depois de consolidado o desenvolvimento: hipótese que ficou conhecida como a "curva em U invertido de Kuznets". Esta possibilidade lançou um debate - hoje aparentemente esquecido - nas hostes da Economia do Desenvolvimento sobre se devia "dividir o bolo" antes do desenvolvimento ou depois do desenvolvimento. A ideia é de que o resultado não seria indiferente à escolha: querer "dividir o bolo" (= atenuar as desigualdades sociais) antes do desenvolvimento poderia comprometer o próprio desenvolvimento, pois seriam afectados recursos para fins não reprodutivos, embora contribuissem para melhorar o nível de vida das pessoas. Aparentemente esta questão coloca-se com muita acuidade em Portugal: muitos dos investimentos realizados pelo país, particularmente impulsionados pelas ajudas comunitárias, melhoraram o nível de vida dos portugueses mas não impulsionaram a economia no sentido de uma maior produtividade/competitividade. Admito mesmo a hipótese de que o "dinheiro fácil" e as obras ganhas sem grande esforço serviram para "amolecer" as empresas no que diz respeito à competitividade, acentuando ainda mais a atitude "rent seeking". Notas: (a) Sobre a "curva de Kuznetz" leia-se o texto "Kuznets’s Inverted U-Curve Hypothesis" (pdf) (b) a "curva de Kuznets" é actualmente muito referida mas numa outra variante, a "curva ambiental de Kuznets" ou "curva ambiental em U invertido": os impactos ambientais negativos (poluição, etç) aumentariam numa fase inicial do desenvolvimento e só diminuiriam numa fase posterior - ver imagem, retirada daqui. |
A miragem do ouro
«As referências persistentes à venda do ouro do Banco de Portugal, não só para a redução do défice orçamental, mas principalmente para a constituição de um fundo que seria o impulsionador da retoma do nosso crescimento económico, revelam um desconhecimento profundo da problemática do ouro e criam expectativas salvíficas a que somos propensos, mas que no caso em apreço só podem conduzir a mais uma desilusão.A miragem assenta num duplo equívoco: a receita total da venda do ouro reverter para o tesouro e a possibilidade de vender a curto prazo, diga-se três ou quatro anos, a totalidade do ouro do Banco de Portugal [...]» Manuel Jacinto Nunes |
Modernices
| As Estatísticas Demográficas, do INE, revelam que a população residente em Portugal no final de 2004 andaria pelos 10 milhões e meio de indivíduos. Relativamente a 2003, diminuiram os nascimentos (2,9%) os falecimentos (6,2%), os casamentos e a mortalidade infantil, que atingiu o valor mais baixo de sempre: 3,8‰A população estrangeira aumentou 6% em relação ao ano anterior. Aumentou também o número de divórcios. |
Peter Drucker
«Há 30 anos quando estudei vagamente Economia no Quelhas no então ISCEF, em Lisboa, Peter Drucker não era sequer uma nota de pé de página, que eu me recorde. A Academia ignorou-o durante muito tempo, apesar de ele ter sido um dos primeiros "professores de gestão" (tal qual, assim designados) na Universidade de Nova Iorque nos anos 50... já não falando no "pequeno" acidente histórico de ter sido ele o fundador da doutrina do management. [...] Descobri-o, por puro acaso, ao ler a revista Fortune e fiquei deliciado com a sua visão do "empreendedor", com o papel histórico dessa gente, que ele fora beber a Schumpeter, uma "lenda" da Economia que ele conhecia desde Viena de Áustria, a sua terra natal. Devorei, então, o livro Inovação e Gestão (no original inglês "Inovação e Empreendedorismo") que havia sido traduzido pela Presença naquele ano de 1986. Nunca mais deixei de andar à caça destes "actores" (como começou a ser chique dizer-se) económicos. Drucker tinha-me pegado o vírus do management, mas pelo lado mais encantador - o da história.»Jorge Nascimento Rodrigues - "Uma dívida pessoal" Jorge Nascimento Rodrigues é o editor da Janela na Web, uma notável página sobre Economia e Gestão que está a comemorar o 10º aniversãrio, e que consistentemente tem divulgado as ideias e salientado a importância de Peter Drucker. Outros textos da Janela na Web sobre Drucker: | O filme do management | Quando o management largou o bibe | A mudança não se gere | A primeira biografia de Drucker | |
segunda-feira, novembro 28, 2005
Gestão de expectativas
«Nós [BPI Gestão de Activos] em geral não perdemos muito tempo a prever o que vai acontecer no futuro. Não é uma boa utilização do tempo. Nos últimos dois anos quase toda a gente tem previsto que as taxas de juro vão subir e, apesar disso, elas têm descido. Em relação ao dólar todas achavam que ia cair. Mas, no princípio do ano, o euro valis 1,36 dólares e agora está a 1,17 dólares. Uma coisa com que nós perdemos tempo é a ver aquilo que toda a gente está a prever. Se toda a gente previr que vai haver um engarrafamento nas Amoreiras às seis da tarde é possível que haja pessoas que escolham outro caminho alternativo e já não haja esse engarrafamento. O facto de uma coisa ser prevista faz com que ela provavelmente não venha a acontecer.»Francisco Magalhães Carneiro |
![]() The Becker-Posner Blog Ficheiro mp3 - 19:22 min. - Julho.2005 Gary Becker e Richard Posner falam sobre o seu blogue onde, semanalmente, comentam um assunto de actualidade, dialogando entre si sobre as respectivas opiniões. A propósito: o tema desta semana é a potencial pandemia da gripe das aves.
http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20050728-171.mp3 |
Défices ocultos
| «Engenharias, línguas e agronomia são áreas em que muitos cursos de Ensino Superior estão em risco de fechar portas. E isto porque, este ano lectivo, 213 cursos viram ingressar menos de 10 alunos no primeiro ano. As instituições de ensino mais penalizadas são as do interior do país, que já começaram a despedir professores contratados.» |
"Como se fazem terroristas
Tropas dos EUA disparam por engano sobre
um veículo, matando família e duas crianças."
Desenho de Jeff Danziger - Slate [clique]
domingo, novembro 27, 2005
Terra Sã
| «O Plano Nacional de Agricultura Biológica, apresentado em Maio de 2004 pelo ministro Sevinate Pinto, está parado. No entanto, o número de operadores não pára de crescer em Portugal, referência que também se pode avaliar pela dimensão da feira Terra Sã, que hoje termina, em Lisboa, e na qual participa um número recorde de expositores (150). Três meses após de ter sido divulgado, o Plano passou para as mãos do ministro Costa Neves, que manifestou a intenção de o reformular. Está agora com Jaime Silva que ainda não se pronunciou sobre o assunto.» |
Políticas de Estado
«Em Espanha existem políticas de Estado. Não dependem de partidos nem de ministros. Em Portugal é preciso políticas de Estado, não [políticas] de ministros. O governo tem que fazer o que os empresários estão habituados: correr riscos e ganhar.»António Nogueira Leite no |
sexta-feira, novembro 25, 2005
Viagens de uma T-shirt
![]() Viagens de uma T-shirt: entrevista com Pietra Rivoli Ficheiro mp3 - 27:43 min. - 28.Maio.2005 Pietra Rivoli, fala sobre o seu livro, "The Travels of a T-Shirt in the Global Economy".
O livro foi um dos 6 finalistas do prémio de melhor livro de negócios de 2005, atribuído pelo Financial Times e pela Goldman Sachs, cujo vencedor foi "The World is Flat" de Thomas Friedman. Leia um excerto do livro de Pietra Rivoli aqui. url: http://141.161.44.24:80/qtmedia/MP3/T-shirtWorldTrade.mp3 |
Darwinismo empresarial
«Porque é a Toyota a companhia automóvel de maior sucesso? Será o resultado de "Intelligent Design" (ID) ou da Evolução?«Um pouco das duas coisas, mas foram as inexoráveis forças da evolução, num ambiente de constrangimentos, que transformaram o intelligent design num dos requisitos para a sobrevivência. O imperativo evolucionista é sempre: "adaptar ou morrer".
«As pressões ambientais que a Toyota sempre teve de enfrentar nos EUA são um factor de produção que apenas as empresas nacionais podem comprar, ou seja: os políticos americanos.
«Enquanto as empresas nacionais e os seus sindicatos conseguiam obter rígidas barreiras alfandegárias e regulamentação protectora, a Toyota viu-se forçada a competir em termos de qualidade e focando-se no consumidor.
«A longo prazo, o proteccionismo dos EUA revelar-se-á provavelmente a melhor coisa que aconteceu à Toyota e, ao mesmo tempo, o factor primário a atirar a General Motors e o sindicato United Auto Workers para o caixote do lixo da história.»
in Catallarchy
Conjuntura
"Síntese Económica de Conjuntura" do INE, relativa ao terceiro trimestre de 2005.«Durante o terceiro trimestre verificaram-se alguns sinais de recuperação da actividade, embora sem reflexos no andamento dos indicadores de clima e de actividade. Tais sinais concentraram-se em alguns subsectores da indústria transformadora e dos serviços. Por outro lado, registaram-se evoluções desfavoráveis, já esperadas, no comércio, devido ao impacto da antecipação para Junho de compras de bens duradouros. Outro elemento relevante foi a aparente recuperação das exportações, o que em combinação com a moderação das importações torna verosímil uma contribuição positiva da procura externa líquida para o crescimento da economia. No mercado de trabalho verificou-se um ténue crescimento do emprego, insuficiente para absorver o aumento da população activa, pelo que a taxa de desemprego aumentou, atingindo um valor máximo. Em todo o caso, as ofertas de emprego têm revelado uma tendência de aumento, enquanto os pedidos de emprego por parte de desempregados nos Centros de Emprego têm diminuído.» |
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Uma notícia do Jornal de Negócios, já com alguns meses (Novembro de 2005), sobre o peso do "factor c" (cunha) na obtenção de empregos, continua a fazer eco na imprensa. Hoje é a revista DiaD, que refere que «28 % dos 5,1 milhões de empregos em Portugal no terceiro trimestre de 2005 foram conseguidos por cunhas, ou seja, por intermédio de pessoas conhecidas, segundo dados do INE.» 

A empresa que mais se parecia identificar com este estilo de vida era a IBM. Durante muitos anos os seus gestores usaram apenas fatos azuis escuros, camisas brancas e gravatas escuras, símbolos da sua ligação vitalícia à "Big Blue". A medida das mudanças que tiveram lugar desde os tempos de Whyte até hoje é dada pelo facto de, actualmente, 50% dos empregados da IBM trabalharem para a empresa há menos de 5 anos; de 40% dos seus 320 mil empregados serem "móveis", significando que não se apresentam diariamente num dado local de trabalho; e de cerca de 30% serem mulheres. Uma empresa que em tempos foi dominada por empregados vitalícios que vendiam computadores, foi transformada num conglomerado de transitórios fornecedores de serviços. O "Homem da Organização" foi substituído por um grupo de gestores mais vocacionados para a rápida ascenção empreendedora do que para a lenta promoção organizacional.»
A professora Maria Filomena Mónica, a quem "passaram as dores de cabeça" depois de ter publicado o seu
A "informática" anda a pregar umas partidas ao jornal "Público". Há uns dias ocorreu a publicação de um texto antigo de Vasco Pulido Valente, que "saltou" do passado para a última página. Hoje é a página 18 que é, imagine-se, a mesma que foi publicada ontem. Andará algum virus à solta nos computadores do Público ?


Ouvi hoje de manhã, na rádio, o ministro Mário Lino fazer umas contas sobre as SCUTs que me deixaram um pouco baralhado. Falava o ministro sobre os valores apurados pelo Tribunal de Contas sobre os custos das SCUTs para o Estado [17 mil milhões de euros] e disse mais ou menos o seguinte: isso são valores correntes, porque se forem actualizados a 2005 o valor será metade.
Enquanto considera que ainda pode haver alguma esperança quanto a um acordo relativo ao aquecimento global - optimismo que aparece espelhado na sua capa ("Dont't dispair") - a Economist está bem menos esperançada quanto à 


Paul Krugman anda apreensivo com o facto da expansão económica dos EUA não estar a alegrar os americanos. É verdade que os processos de recuperação económica não se reflectem imediatamente nos rendimentos de muita gente, mas Krugman acha que este mistério está a demorar mais do que seria normal:




«As referências persistentes à venda do ouro do Banco de Portugal, não só para a redução do défice orçamental, mas principalmente para a constituição de um fundo que seria o impulsionador da retoma do nosso crescimento económico, revelam um desconhecimento profundo da problemática do ouro e criam expectativas salvíficas a que somos propensos, mas que no caso em apreço só podem conduzir a mais uma desilusão.
«Há 30 anos quando estudei vagamente Economia no Quelhas no então ISCEF, em Lisboa, Peter Drucker não era sequer uma nota de pé de página, que eu me recorde. A Academia ignorou-o durante muito tempo, apesar de ele ter sido um dos primeiros "professores de gestão" (tal qual, assim designados) na Universidade de Nova Iorque nos anos 50... já não falando no "pequeno" acidente histórico de ter sido ele o fundador da doutrina do management. [...] Descobri-o, por puro acaso, ao ler a revista Fortune e fiquei deliciado com a sua visão do "empreendedor", com o papel histórico dessa gente, que ele fora beber a Schumpeter, uma "lenda" da Economia que ele conhecia desde Viena de Áustria, a sua terra natal. Devorei, então, o livro Inovação e Gestão (no original inglês "Inovação e Empreendedorismo") que havia sido traduzido pela Presença naquele ano de 1986. Nunca mais deixei de andar à caça destes "actores" (como começou a ser chique dizer-se) económicos. Drucker tinha-me pegado o vírus do management, mas pelo lado mais encantador - o da história.»
«Nós [

«Em Espanha existem políticas de Estado. Não dependem de partidos nem de ministros. Em Portugal é preciso políticas de Estado, não [políticas] de ministros. O governo tem que fazer o que os empresários estão habituados: correr riscos e ganhar.»
