
órbitas duma equação diferencial
publicado por Nós-sela.
«A Economia é frequentemente descrita como a rainha das ciências sociais. Mais especificamente, é a econometria e a sua teoria subjacente que coloca a Economia muito acima das ciências sociais. Glimcher pretende transportar o rigor matemático da modelização económica, bem como a teoria subjacente, para a neurobiologia. «As neurociências são conhecidas por serem ricas em dados mas pobres em teoria. Glimcher esboça um caminho para desenvolver a tão longamente desejada arquitectura teórica. Evidentemente, não é ele o primeiro a propor uma tal teoria. Existem tantas já propostas que as expressões "de baixo para cima" e "de cima para baixo" se tornaram vulgares entre os pensadores das neurociências. E existem também as conhecidas recomendações de algumas abordagens ecléticas propostas por pessoas como Daniel Dennett e Paul e Patricia Churchland. (...)» Recensão do livro |
| Na blogosfera, a maior parte das entradas e comentários acerca da legislação e contestação laboral em França, parece ter-se debruçado mais sobre aspectos políticos e sociológicos, do que propriamente económicos. Existe, no entanto, uma vasta literatura económica sobre a relação entre as formalidades da contratação laboral e diversas variáveis económicas, tais como o emprego e o desemprego. Um dos economistas que tem estudado estes assuntos na Europa é Olivier Blanchard. Por exemplo, num seu artigo de 2001, em co-autoria com Augustin Landier, "The Perverse Effects of Partial Labor Market Reform: Fixed Duration Contracts in France", [pdf] levantam-se fortes dúvidas às formas contratuais do tipo do contestado CPE: |
«Em lugar procurar reduzir os custos de despedimento, um certo número de países europeus autorizou as empresas a empregar trabalhadores com contratos de duração fixa. No fim de um dado prazo, estes contratos podem ser terminados com baixo ou nenhum custo [para as empresas]. No entanto, se os contratos forem mantidos, passam a estar sujeitos aos usuais custos do despedimento.
«Argumentamos neste paper que os efeitos de uma tal reforma parcial do regime de protecção do emprego podem ser perversos. O principal efeito poderá ser uma alta rotatividade [high turnover ] dos empregos de duração fixa, conduzindo a um maior, e não menor, desemprego. E mesmo que o desemprego desça, os trabalhadores poderão ficar pior, tendo que passar por muitas situações de desemprego e contratos temporários, antes de obter um emprego regular. Olhando para os dados estatísticos da França relativos a jovens trabalhadores desde o início dos anos 1980, concluímos que as reformas aumentaram substancialmente a rotatividade, sem atingir uma redução substancial na duração do desemprego. O seu efeito no bem-estar dos jovens trabalhadores parece ter sido negativo.»
| Note-se, no entanto, que os autores não são fanáticos da protecção laboral: nas primeiras linhas deste paper escrevem que «Existe agora substancial evidência de que uma elevada protecção laboral conduz a um mercado laboral esclerótico, com baixas taxas de separação laboral [separation rate](*) mas longa duração do desemprego. Embora esta esclerose possa não conduzir a um desemprego elevado — devido aos efeitos opostos de baixos fluxos e elevada duração da taxa de desemprego — é provável que conduza simultaneamente a baixa produtividade, baixa produção e baixa protecção social». Num texto de 3 de Janeiro, "Emploi : la solution passe par le CUP (contrat unique progressif)", Olivier Blanchard defende que «é necessário regressar a um contrato único, mas a um contrato progressivo, um contrato que dê aos trabalhadores maior protecção à medida que fiquem na empresa. A palavra essencial é "progressivo". O que é necessário evitar, aquilo que aprisiona o sistema actual, é o efeito de "fronteira" [effet de seuil], que se produz no final dos contratos CDD. Num contrato progressivo, os direitos do empregado aumentam lentamente com o tempo: não existe o dia fatídico em que se tem de saltar de um contrato para o outro.» Não sei se "separação" é uma tradução adequada. O conceito abrange as finalizações de contratos laborais por vários motivos (falecimento, afastamento voluntário do trabalhador, incapacidade) incluindo o que habitualmente se designa por despedimento (finalizações de contratos laborais por iniciativa do empregador). |

![]() Entrevista com Chuck Zech - mp3 - 12.Mar.06 - 27:26 min James Reese da Radio Economics, entrevista Chuck Zech acerca da “economia da religião”; temas abordados: aplicação de modelos económicos (oferta e procura de mercado) à religião, a Igreja Católica como monopólio ou oligopólio, situação económica da Igreja Católica dos EUA, resultados do “2005 Catholic Donor Attitude Survey [pdf]. Chuck Zech é docente de Economia no College of Commerce and Finance, Villanova University. Mais podcasts da Radio Economics |
textos relacionados
(ficheiros pdf, excepto quando indicado)"The Market for Martyrs", Laurence Iannaccone "Voodoo Economics? Reviewing the Rational Choice Approach to Religion", Laurence Iannaccone "Rational Ignorance Versus Rational Irrationality" [doc], Bryan Caplan "Religion and Preferences for Social Insurance", Keneth Scheve e David Stasavage "Economists Are Getting Religion" (html) artigo da Business Week "Implications of the Economics of Religion to the Empirical Economic Research", Esa Mangeloja
«Na clássica fábula de Esopo, a formiga e a cigarra são utilizadas para ilustrar duas abordagens, familiares mas diferentes, da decisão humana intertemporal. A cigarra diverte-se durante um quente dia de Verão, desatenta do futuro. A formiga, em contraste, armazena comida para o próximo Inverno. Os decisores humanos parecem estar encurralados entre um impulso para agir como a facilitadora cigarra e a consciência de que a paciente formiga acaba por ganhar a longo prazo.
Uma linha de investigação em curso, tanto na Psicologia como na Economia, tem explorado esta tensão. Esta investigação é unificada pela ideia de que os consumidores comportam-se impacientemente no presente mas preferem/planeiam agir pacientemente no futuro. Por exemplo, alguém a quem seja colocada a opção entre ganhar $10 hoje e $11 amanhã, pode ser tentado a escolher a opção imediata. Contudo, se lhe pedirem hoje para escolher entre $10 daqui a um ano e $11 daqui a um ano e um dia, a mesma pessoa provavelmente escolherá a quantia ligeiramente protelada mas de montante maior.
Os economistas e os psicólogos têm teorizado acerca da causa subjacente a estas escolhas dinamicamente inconsistentes. É normalmente aceite que a racionalidade determina tratar cada momento de prototelamento de modo igual, efectuando o desconto de acordo com uma função exponencial. Acredita-se que as preferências impulsivas em contrário são indicativas de avaliações desproprocionadas dos ganhos disponíveis no futuro imediato.
Alguns autores argumentam que uma tal inconsistência dinâmica nas preferências é provocada por um único sistema de tomada de decisão que gera insconsistências intertemporais, enquanto que outros autores argumentam que a inconsistência é originada na interacção entre dois difeferentes sistemas de tomada de decisão.
Nós colocamos a hipótese de que a discrepância entre preferências de curto prazo e de longo prazo reflecte a activação diferenciada de sistemas neurais identificáveis. Especificamente, colocamos a hipótese de que a impaciência de curto prazo é accionada pelo sistema límbico, que responde preferencialmente a ganhos imediatos e é menos sensível ao valor de ganhos futuros, enquanto que a paciência de longo prazo é mediada pelo córtex pré-frontal (CPF) e estruturas associadas, que são capazes de avaliar trade-offs entre ganhos abstractos, incluindo ganhos num futuro mais distante.
Uma variedade de pistas na literatura científica sugere que este deve ser o caso. Primeiro, existe a larga discrepância entre o desconto do tempo pelos humanos e pelas outras espécies. Os humanos, rotinamente, avaliam os custos/benefícios imediatos contra os custos/benefícios que são protelados por prazos que podem ser de décadas. Em contraste, mesmo nos primatas mais avançados, que diferem dramaticamente dos humanos na dimensão do CPF, não se tem observado qualquer envolvimento no protelamento não pré-programado de gratificações que envolvam mais do que alguns minutos. Apesar de algum comportamento animal parecer pesar as comparações relativamente a períodos mais longos (por exemplo: armazenamento sazonal de comida), esse comportamento revela-se sistematicamente estereotipado e indistinto, e portanto diferente da natureza generalizada do planeamento humano.
Em segundo lugar, os estudos de casos de danos cerebrais provocados por cururgia, acidentes ou ataques, apontam consistentemente para a conclusão de que a lesão do CPF leva frequentemente a comportamentos que são mais fortemente influenciados pela disponibilidade de ganhos imediatos, bem como a falhas na capacidade para planear.
Em terceiro lugar, a função "quase-hiperbólica" de desconto de tempo, que junta (splices) duas diferentes funções de desconto - uma que distingue rudemente entre o presente e o futuro e outra que faz o desconto exponencialmente e com menor profundidade - tem provado ajustar-se a dados experimentais e forneceu luz a uma larga gama de comportamentos, tais como a poupança de reforma, empréstimos por cartão de crédito e procrastinação.
Contudo, apesar destas e de muitas outras pistas de que o desconto de tempo pode resultar de processos distintos, pouca investigação tem sido feita até ao presente para identificar directamente a fonte da tensão entre as preferências de curto e de longo prazo.»in "Separate Neural Systems Value Immediate and Delayed Monetary Rewards"
Samuel McClure et al
Science, vol. 306, 15 de Outubro de 2004
| O suplemento de Economia do jornal Expresso de sábado passado inclui um artigo do professor José Luís Cardoso, presidente do Conselho Científico do Instituto Superior de Economia, de homenagem a António Manuel Pinto Barbosa, antigo professor daquela escola recentemente faleciso (ver entrada abaixo). É um artigo elogioso, mas omite que Pinto Barbosa foi impedido de continuar a sua actividade profissional após a Revolução de 25 de Abril de 1974, quer no Banco de Portugal, onde desempenhava as funções de Governador, quer no ISEG, onde foi objecto daquilo que se designava então por "saneamento". Podemos compreender que, dada a mudança de regime e de política económica, dificilmente Pinto Barbosa poderia continuar no mais alto cargo do banco central, embora não se conheçam quais as circunstâncias que o levaram a demitir-se por considerar "não ter condições" para continuar ali. Mas o cargo de Governador do Banco Central é por natureza temporário. Ora, o mesmo não acontece com a carreira docente, que era a de Pinto Barbosa. Era ao ISEG (então ISE) que deveria ter voltado a exercer a sua actividade. Se José Luís Cardoso - que, como presidente do Concelho Científico do ISEG não pode ignorar as ocorrências de 1974 - se limitasse a omitir o que se passou então naquela escola, isso seria grave. Mas o caso assume ainda maior gravidade quando este docente escreve que Pinto Barbosa foi então trabalhar para o estrangeiro (para o Banco de Pagamentos Internacionais, em Basileia) "mais por razões de imperativo moral do que por motivos de incompatibilidade". Até parece que o autor está a "desculpar" uma qualquer "fuga" de Pinto Barbosa!Ó caríssimo Professor José Luís Cardoso! Acha que Pinto Barbosa iria para o estrangeiro se não o tivessem impedido de leccionar na escola e na profissão que eram as suas, ainda mais tendo sido ele o criador daquela escola tal como existia na altura? Acha que isto não se trata de "incompatibilidade política"? E que raio serão essas "razões de imperativo moral"? Eu fui aluno do Instituto Superior de Economia e admiro aquela escola. Vivi lá esses anos abrasivos do antes e do pós 25 de Abril. Julgo compreender as razões históricas que levaram ao afastamento de Pinto Barbosa. Mas isso foi um colossal erro moral e político que importa admitir e explicar. O ISEG tem que fazer uma honesta avaliação desse tempo e penitenciar-se pelos erros que foram cometidos. Creio que ninguém melhor para o fazer do que a geração que presenciou ou protagonizou os acontecimentos, se por acaso tiver distanciamento suficiente para avaliar o que então ocorreu. Acho que a escola só tem a beneficiar com isso. Há claramente um imperativo moral e ético a exigir que seja assim. Mas há outra razão para fazer essa dolorosa avaliação. No contexto de combate ao regime salazarista/marcelista, os estudantes desenvolveram uma crítica violenta ao modelo do ensino universitário da altura. "Iluminados" por uma grelha de leitura soixante-huitard de dupla inspiração anarquista e marxista/maoista, decretaram a morte à escola-quartel, a escola que preparava quadros para a "exploração capitalista". Ora bem: essa era a escola que Pinto Barbosa ajudara a conceber. Não passou pela cabeça dos teóricos estudantis da altura que aquela era também uma escola keynesiana, o que, na altura e perante a ascenção da corrente monetarista e outras, era o mais à esquerda que se podia arranjar. Também se esqueceram de que professores como Pereira de Moura e Bento Murteira tinham sido os diligentes assessores de Pinto Barbosa para as reformas feitas na escola. Os estudantes - e muitos docentes - queriam era acabar com aquele tipo de ensino e tudo aconteceu como se o génio da garrafa lhes tivesse feito a vontade: na onda da Revolução, correram com os professores que entenderam, também ajudados nisto por outros docentes, e inventaram um sistema de ensino "novo", uma patetice baseada em "seminários" e com cadeiras pseudo-marxistas e avaliação contínua, com programas votados em reuniões de alunos, sistema que nem dois anos durou! Ou melhor: não durou, naquela escola, na sua formulação mais radical; mas o ensino facilitista que ainda hoje perdura em muitas escolas, nomeadamente no ensino secundário, garante a sua manutenção genética. Por isso, avaliar o contexto e motivos do saneamento de Pinto Barbosa da sua escola teria também a vantagem de podermos avaliar as consequências da extensão da revolução ao nosso sistema de ensino actual. O professor José Luís Cardoso diz que o exemplo de Pinto Barbosa "é digno do maior respeito e admiração". Eu penso que sim. Mas desejaria também poder dizer o mesmo do Instituto Superior de Economia, o que acontecerá quando essa escola admitir que errou no modo como tratou Pinto Barbosa. |
| Faleceu, no passado dia 5, António Manuel Pinto Barbosa, grande economista português, reformador do ensino da Economia no nosso país. Para além da actividade docente, Pinto Barbosa ocupou cargos oficiais relacionados com a sua formação académica, como Ministro das Finanças entre 1955 e 1965, e Governador do Banco de Portugal. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 demitiu-se do Banco central e foi saneado do ISEG (então ISE). Em 1978 começou a leccionar na Universidade Nova, que na ocorrência do seu falecimento divulgou esta nota: Aos 88 anos, faleceu o Professor Doutor António Manuel Pinto Barbosa, professor jubilado da Faculdade de Economia desta Universidade, ex-ministro das Finanças e Governador do Banco de Portugal, cargo de que se demitiu após o 25 de Abril de 1974. Após um interregno em que foi Consultor do Banco de Pagamentos Internacionais, aceitou, em 1978, o convite da Faculdade de Economia para integrar o seu corpo docente, tendo sido o primeiro Presidente do Conselho Científico.Mais informações sobre Pinto Barbosa encontram-se nestra entrada de Novembro passado no Pura Economia. Na blogosfera o falecimento foi referido por O Jornal da Rua e Aforismos e Afins |
«Ignorar o trabalho doméstico distorce as estatísticas do crescimento e rouba auto-estima a quem fica em casa - na sua maior parte, mulheres
O trabalho doméstico constitui uma parcela importante do produto de todas as nações, no entanto não é reconhecido quando se faz a medição de bens e serviços para cálculo do produto nacional bruto. Isto subavalia a contribuição das mulheres., uma vez que elas são responsáveis pela maior parte do trabalho doméstico.
As famílias e outros lares são, na realidade, pequenas fábricas que, mesmo nas nações mais avançadas, produzem muitos serviços e bens valiosos. Cuidam das crianças, preparam refeições e fornecem abrigo. Cuidam de doentes, dão apoio e outra assistência aos idosos, e desempenham muitas outras tarefas úteis.
As mulheres contribuem com cerca de 70% do total de tempo gasto nestas tarefas - mesmo em nações igualitárias como a Suécia. Elas fazer virtualmente todo o trabalho doméstico em nações mais pobres, como a Índia. Alguma feministas argumentam, com lógica, que a inclusão do trabalho doméstico no PNB aumentaria a "consciência" das mulheres, especialmente no mundo menos desenvolvido onde as mulheres são pior tratadas. Isso ajudaria a aumentar o seu poder negocial no casamento, uma vez que muitas mulheres "ganhariam" mais do que os seus maridos se a sua contribuição em trabalho doméstico tivesse um valor monetário. Porém, outras feministas não defendem o cálculo explícito da produção das domésticas, porque entraria em conflito com o seu programa de tirar as mulheres de casa, colocando-as na força de trabalho.
Mas é altura de reconhecer o trabalho doméstico como fazendo parte dos bens e serviços do PNB de uma nação. As longas horas passadas sugerem que a produção realizada em casa representa uma importante percentagem do produto total de todos os países. Afinal, quando uma família contrata alguém para tratar das crianças, limpar a casa e cozinhar, esse trabalho entra para as estatísticas do PNB. Quando é feito por um familiar, não é considerado.
Há várias maneiras de quantificar e medir a produção doméstica. Embora o PNB apenas inclua a produção de bens e serviços que são vendidos e comprados, incluem também um valor para as casas ocupadas pelos proprietários, usando o valor das rendas para casas que têm dimensão e equipamentos equivalentes. O valor do trabalho doméstico poderia ser medido pelo que custaria a sua aquisição no mercado para substituir as tarefas dos pais.
Estes métodos têm sido utilizados por Robert Eisner da Northwestern University no seu cuidadoso estudo "The Total Incomes System of Accounts". Eisnes calcula que o valor imputado de produção doméstica nos EUS excede mais de 20% do PNB de meados dos anos 40 até ao início dos anos 80 -o último ano que ele calculou. Cálculos menos precisos feitos pela ONU no seu último Relatório do Desenvolvimento Humano indicam que a produção doméstica vale mais do que 40 % da produção mundial.
A omissão do trabalho doméstico no cálculo do PNB distorce os indicadores do crescimento económico. O grande aumento da participação de mulheres casadas no mercado de trabalho, durante as últimas décadas, foi obtido à custa da redução do tempo que essas mulheres ocupavam em trabalho doméstico não remunerado. O rápido aumento do PNB durante estas décadas negligencia o importante declínio do tempo de trabalho em casa.
A substituição do trabalho doméstico por trabalho de mercado é claramente a razão para a rápida expansão dos sectores de cuidados infantis desde os finais dos anos 70. As mulheres reduziram o tempo que trabalhavam em casa para os seus filhos, contratando outras mulheres para o fazer.
A minha colega Sherwin Rosen (1) da Universidade de Chicago estudou uma situação na Suécia em que o sector dos serviços de cuidados infantis é invulgarmente grande, em parte porque é subsidiado pelo governo. O estudo não avalia se as crianças são afectadas quando as mães trabalham. No entanto, mostra que estes subsídios causam importantes ineficiências ao induzir artificialmente muitas mulheres a entrar no mercado de trabalho. Os subsídios baixaram os preços dos serviços de cuidados infantis abaixo do seu custo real. Eu acho estas conclusões convincentes, mas elas foram muito contestadas na Suécia porque numerosos grupos pretendem "nacionalizar" a família, fazendo com que o governo fique responsável pelos cuidados infantis. Pretendem encorajar as mães a entrar no mercado de trabalho para que tenham de contratar outras mulheres para tomar conta dos seus filhos.
A inclusão do trabalho doméstico no cálculo do PNB faria aumentar a auto-estima das mulheres e homens que ficam em casa a tomar conta das crianças e a fazer outros trabalhos domésticos. Também forneceria uma imagem mais adequada do PNB e do crescimento e poderia conduzir a diferentes interpretações das políticas públicas que se reflectem na afectação de tempo entre trabalho doméstico e trabalho no mercado.»
Gary Becker, Business Week, Outubro de 1965
(1) Sherwin Rosen faleceu em 2001.
| 2005 | 2006 | 2007 | |
| IHPC (preços no consumidor) | 2,2 | 1,9 - 2,5 | 1,6 - 2,8 |
| PNB real | 1,4 | 1,7 - 2,5 | 1,5 - 2,5 |
| Consumo privado | 1,4 | 1,7 - 2,5 | 1,5 - 2,5 |
| Despesa pública | 1,2 | 1,4- 2,4 | 0,8 - 1,8 |
| Formação bruta de capital fixo | 2,2 | 2,4 - 5,0 | 1,8- 5,0 |
| Exportações (Bens e Serviços) | 3,8 | 4,2 - 7,2 | 3,8 - 7,0 |
| Importações (Bens e Serviços) | 4,6 | 4,2 - 7,6 | 3,4 - 6,8 |
Entrevista do Presidente Lula à revista The Economist «Presidente Lula - (...) Há uma canção dum cantor brasileiro onde se diz que a diferença entre um homem prático e um teórico é que o teórico vê o dia como tendo 24horas, e o realista vê como estando dividido entre manhã, tarde e noite «Durante muitos anos o Brasil viveu num eterno dilema. Primeiro o país teria de crescer para poder depois distribuir a riqueza. Mas, tal como eu o vejo, temos de distribuir a riqueza juntamente com o crescimento, para que o fosso entre as pessoas não cresça mais.» |

«Recentes investigações revelaram grandes e consistentes desvios nas previsões feitas com base no modelo do homo œconomicus, tal como é apresentado nos manuais de referência. Um problema parece residir na assumpção canónica dos economistas de que os indivíduos actuam sempre no interesse próprio: adicionalmente aos seus payoffs, muitos sujeitos experimentais parecem importar-se com a justiça e a reciprocidade, estão dispostos a redistribuir os ganhos materiais com sacrifício próprio, e estão dispostos a compensar aqueles que agem de modo cooperativo e a punir os que o não fazem, mesmo quando estas acções os penalizam. Estes desvios daquilo que designaremos como "modelo canónico" têm importantes consequências para uma vasta gama de fenómenos económicos, incluindo a configuração óptima de instituições e contratos, a alocação de direitos de propriedade, as condições para uma acção colectiva de sucesso, a análise de contratos incompletos e a persistência de prémios de salário não competitivos [noncompetitive wage premia].(*) Colin Camerer é um dos pioneiros da Neuroeconomia.
«Continuam por responder questões fundamentais. Serão os desvios relativamente ao modelo canónico a evidência de padrões universais de comportamento, ou será que os ambientes económicos e sociais do indivíduo conformam o comportamento? Neste caso, que condições económicas e sociais estão envolvidas? Será o comportamento recíproco melhor explicado estatisticamente pelos atributos dos indivíduos, tais como a idade, sexo e riqueza relativa, ou pelos atributos do grupo a que o indivíduo pertence? Existirão culturas que se aproximem do modelo canónico de comportamento no interesse próprio?
«A investigação existente não pode responder a tais questões porque virtualmente todos os sujeitos estudados eram estudantes universitários, e embora ocorram diferenças culturais entre as populações de estudantes, estas diferenças são pequenas quando comparadas com a gama de todos os ambientes sociais e culturais. Para abordar este problema nós e os nossos colaboradores iniciámos um grande estudo trans-cultural de comportamento (...) Doze equipas de investigadores experimentados trabalharam em 12 países dos 5 continentes, recrutaram sujeitos de 15 sociedades de pequena escala com uma ampla variedade de condições económicas e culturais. A nossa amostra consiste de três sociedades forrageiras, seis que praticam uma horticultura de abate e queimada, quatro grupos nómadas de pastoreio e três sociedades sedentárias com agricultura de pequena escala.
«Podemos resumir os resultados da seguinte forma. Primeiro: o modelo canónico não é suportado em nenhuma das sociedades estudadas. Segundo: existe uma consideravelmente maior variabilidade entre grupos do que fora anteriormente observado em investigações similares, e o modelo canónico falha numa maior gama de maneiras do que fora observado em experiências anteriores. Terceiro: as diferenças ao nível do grupo, na organização económica e no grau de integração de mercado, explicam uma parte substancial da variação cultural entre as sociedades: quanto mais elevado é o grau de integração de mercado e mais elevados os payoffs da cooperação, mais elevado é o nível de cooperação nos jogos experimentais. Quarto: as variáveis económicas e demográficas individuais não explicam o comportamento no interior do grupo nem entre grupos. Quinto: o comportamento observado nas experiências é em geral consistente com os padrões económicos da vida do dia-a-dia nestas sociedades.»
![]() | Zdravka Todorova University of Missouri - Kansas City |
![]() | Rebecca M. Blank University of Michigan |
![]() | Lisa Saunders California - Berkeley |
![]() | Myra H. Strober School of Education - Stanford Unversity |
![]() | Cordelia W. Reimers Hunter College - City University of New York |
| Paula England Stanford University |
«As duas principais obras de Adam Smith - "A Riqueza das Nações" e a "Teoria dos Sentimentos Morais" - mostram-no como um brilhante economista e também um brilhante psicólogo, mas ele nunca conseguiu juntar a Economia e a Psicologia. Na "Teoria dos Sentimentos Morais" ele descreve os factores psicológicos que subjazem à tomada de decisão, motivação e interacção, por parte dos humanos, o que certamente tem fortes implicações naquilo que orienta as decisões de consumo, de poupança, na produtividade e esforço do trabalho e nas trocas mercantis. Mas, na "A Riqueza das Nações", apenas esporadicamente ele estabeleceu ligações fortes com este trabalho.» Artigos e papers de Nava Ashraf |

"Models of Ecological Rationality: The Recognition Heuristic" (pdf), artigo de Daniel Goldstein e Gerd Gigerenzer, publicado na Psychological Review de 2002 (Vol.109).«Uma visão da heurística é a de que existem versões imperfeitas de procedimentos estatísticos óptimos, consideradas demasiadamente complicadas para as mentes comuns. Em contraste, os autores consideram a heurística como estratégias adaptativas que evoluem em "tandem" com mecanismos psicológicos fundamentais. Daniel Goldstein extrapola a coisa para os domínios do marqueting. artigos relacionados: |
![]() Olhe bem para estas duas imagens da Gioconda. Que lhe parecem? Clique nelas para as aumentar um pouco, se quizer (mas depois feche a janela que abriu). Agora veja as imagens direitas, aqui. Afinal, o que é que se passa com o seu cérebro? Será que comete os mesmos erros quando faz essas suas análises tão bem elaboradas? Ainda chegará o dia em que diremos: "eu ainda sou do tempo em que acreditava no que via..." |
![]() Oil market power and United States national security" (pdf) - artigo de Roger Stern publicado nos "Proceedings of the National Academy of Sciences" de 31 de Janeiro de 2006. «It is widely believed that an oil weapon could impose scarcity upon the United States. Impending resource exhaustion is thought to exacerbate this threat. However, threat seems implausible when we consider strategic deficits of prospective weapon users and the improbability of impending resource exhaustion. Here, we explore a hypothesis relating oil to national security under a different assumption, abundance. We suggest that an oil cartel exerts market power to keep abundance at bay, commanding monopoly rents [or wealth transfers (wt)] that underwrite security threats. We then compare security threats attributed to the oil weapon to those that may arise from market power. |
"Making a virtue out of a necessity: Hurricanes and the resilience of community organization" - artigo de Robert D. Holt publicado nos "Proceedings of the National Academy of Sciences" de 6 de Fevereiro de 2006:«Most of us these days are all too aware of the disruptive impact of hurricanes in human affairs. Yet disturbances ranging from minor local disruptions to massive large-scale catastrophes are part-and-parcel of life in most natural ecosystems. |
Abrigo de Pastora
Abrupto
Ação Humana
Adufe 4.0
Alcofa
Além das curvas
Apontamento
Arte da Fuga
Atento
Bioquímica sem Rede
Blasfémias
bl-g- -x-st-
Blog 19
Blogo existo
Blogómica
Bomba Inteligente
Catharsis
Causa Liberal
Cenário Econômico
Claras em Castelo
Contra F. & Argumentos
Contra Capa
De Gustibus
De lege agraria nova
Destreza das Dúvidas
Direito e Economia
Do Portugal Profundo
Economia em Debate
Economia & Finanças
Elbaeverywhere
Encapuzado Extrovertido
Espumadamente
Fases da Lua Cheia
Figmento
French kissin'
Horas Mortas
Indústrias culturais
Insurgente
Jornalismo e Com.
Jumento
Leonardo Monastério
Lida Insana
Mão invisível (A)
Margens de erro
Meia Livraria
Memórias Soltas de Prof.
Miss Pearls
My Guide to your Galaxy
Nada de novo...
Não posso evitar
Na prática a teoria é outra
Neuroeconomia
Nós-Sela
Número Primo
Nuno Crato
Observador
Office Louging
Palavras da Tribo
Pedra do homem
Pensar é...
Pleitos, Ap.e Comentários
Prozacland
Puxa Palavra
Que Universidade ?
O Reino dos Fins
Rabiscos Económicos
Registo Civil
Relações Internacionais
Resenhas
Sangue, Suor e Ideias
Saúde SA
Serendipidade
Substrato
Suplementos de Economia
(O) Valor das Ideias
Visto da Economia
Xatoo
Adam Smith Lives!
Agoraphillia
Angry Economist
Asymmetrical Information
Atlantic Blog
Austrian Economists
Becker-Posner Blog
La Boveda
BrainWaves
Business Pundit
Cafe Hayek
Calculated Risk
The Commons
Cyberlibris
Daily Dish
Decision Science News
The Distributed Republic
Econbrowser
Econ Junkie
EconLog
Economics Roundtable
Economic Principals
Economist's View
EconomiX
Entrepreneurial Mind
Environmental Economics
Institutional Economics
Knowledge Problem (The)
Macroblog
Mahalanobis
Marginal Revolution
Mises Economics
Natural Rationality
Neuroeconomics
The New Economist
Newmark's Door
Page Liberale
Paul Krugman
Private Sector Dev. Blog
Stumbling and Mumbling
Venture Blog