| "Império à Deriva" - um dos mais divertidos livros que já li, apesar de achincalhar um bocadinho os portugueses. Pode ser que haja algum exagero neste retrato da estadia da corte portuguesa no Brasil (desde 1807), escrito por um inglês, mas nem sequer os ingleses (ou franceses) escapam muito incólumes à pintura de Patrick Wilcken. São inúmeras as passagens cómicas - o rei D. Joao VI, eterno indeciso, que não tomava banho e concedia audiências em salas com penicos devidamente atestados, o filho Pedro que se desfazia dos "excedentes" à vista do exército, a Carlota sempre a intrigar contra o rei, etç. A única que ainda escapa é a louca da D. Maria. Mas, para além deste ridículo folclore, é muito sedutora a tese de que foi a mania dos portugueses em ostentarem a posse do maior número de escravos que esteve na origem, involuntária, da famosa miscigenação. Que a posse de escravos era o sinal exibido do sucesso social, é algo que outros autores, incluindo muitos portugueses, têm confirmado. Nem mesmo pessoas bem abaixo na escala social, como os artesãos, precindiam de escravos para lhes carregarem as ferramentas quando se deslocavam na via pública. Quanto aos nobres, costumavam sair à rua, a passear, com a família, criadagem e escravos, todos em fila indiana, pai à frente, filhos por ordem inversa de nascimento a seguir, e o resto também por ordem de "importância" (é a imagem da capa do livro). O resultado desta proliferação de escravos (essencialmente de origem africana) foi que, ao contrário do que aconteceu noutras urbes coloniais, os escravos "dominavam" o espaço público e estabeleciam a cultura da cidade. É muito curioso que, quando se deu a revolta de Pernambuco, o assustado rei se tenha dado conta de que era materialmente impossível proibir ajuntamentos de pessoas na rua, especialmente escravos, dada a quantidade deles que cirandava por fora às ordens de todo e qualquer gato pingado - até mesmo de outros escravos, entretanto alforriados. Há um grande choque de usos e costumes com a chegada da comitiva da arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que a acompanhou para o casamento com o princípe Pedro. Os austríacos, habituados a uma vida social que já tinha sido influenciada pelo nascente espírito científico e pelas "luzes", ficaram boquiabertos com uma corte que ainda "vivia" na Idade Média, com os subditos a presenciarem, de pé (ou de joelhos, nos caso dos mais débeis) às longas refeições reais. Os austríacos levaram para o Brasil uma missão científica que aproveitou para estudar e recolher especimenes tropicais. Compare-se com a atitude lusa: um enviado de Lisboa passou anos a recolher animais, plantas e minerais, no Amazonas; quando perguntava (para Lisboa) se já se podia ir imbora, respondiam-lhe que não, que o que enviara ainda era insuficiente... Mais tarde descobriu-se que os preciosos caixotes que mandou para Lisboa nem sequer tinham sido abertos! Alguns acabaram mesmo por ser saqueados pelos franceses numa das invasões. |
terça-feira, dezembro 27, 2005
Império à deriva
Península Ibérica
A Península Ibérica como "região da Europa" é um conceito que provoca calafrios a muitos portugueses, que começam a pensar que tantos séculos de guerras afinal não valeram para nada. Porém, não parece haver motivo para alarme. Se tudo correr bem, nenhum dos países dominará ou será dominado pelo outro, antes emergirá uma nova realidade social e política, de que ambas as originalidades ibéricas srão os ilustres antepassados. Claro que nós, tendo nascido e formado a nossa personalidade a cantar o hino anti-inglês e a glorificar Aljubarrota (que para cá trouxe os ingleses...) teremos muita dificuldade em aceitar uma tal coisa. Mas quando o oceano começar a engolir as nossas magníficas cidades ribeirinhas, estas preocupações deixarão de fazer sentido. Porém, se as coisas correrem mal, e o projecto europeu começar a andar para trás, poderemos retomar os nossos hábitos nacionalistas e até talvez a diversidade tribal que existiu antes desta coisa tão romântica que são os países, com os seus garbosos exércitos e esforçados clubes de futebol. |
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Mónica e o Desejo
É curioso como uma pessoa tão fortemente ligada aos estratos superiores da sociedade do Estado Novo tenha "passado ao lado" (como ela própria reconhece) de importantes factos da vida política e social do Portugal daquela época. Única e significativa excepção: a presença chocante da pobreza/miséria e a apatia com que todos (ricos e pobres) a encaravam - uma descoberta feita pela autora sem a ajuda de ninguém, nem de nenhuma ideologia. A parte dos relacionamentos amorosos não me pareceu muito interessante, ao contrário da deriva intelectual da bela Mena, nomeadamente a sua aproximação aos autores marxistas, capítulo em que o livro se mostra muito revelador dos mecanismos que levavam a juventude mais culta a aproximar-se dum marxismo extremista. Entre a coisas mais divertidas do livro está a descrição de um patético meeting de intelectuais oposicionistas portugueses, em 1973, em Paris (página 304). Entretanto aqui ficam algumas citações, bastante justas, sobre a escola de Economia da época: o ISCEF. «Na Páscoa de 1960, decidi ir até ao ISCEF, onde descobri que a licenciatura em Economia - à qual a área disciplinar por mim escolhida dava acesso - possuía cadeiras com nomes tão horrendos quanto Contabilidade, Estatística e Finanças. O casarão da Rua do Quelhas, o antigo convento das Inglesinhas, ainda parecia habitado pelos fantasmas das freiras que ali tinham vivido. Na secretaria, onde me dirigi para obter as informações sobre o curriculum, vegetavam três múmias. Não vi um único aluno. O local era tão execrável que, pensei, jamais um ser humano poderia, de sua livre vontade, frequentá-lo. O meu pai, que por lá se licenciara, confirmou a impressão. Fiquei sem saber o que fazer. Não me apetecendo um interlúdio doméstico, o ensino superior era a minha única hipótese. Mas, sabia-o agora, o ISCEF não me servia.» [pag. 126] «Em 1973, por a instituição ter passado a ser dominada por um grupo de esquerdistas, o Ministro da Educação desistira de reformar o ISCEF - Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras -, tendo criado o ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa -, onde, além de uma licenciatura em Economia, inaugurara outra, em "Ciências do Trabalho e da Empresa" (eufemismo utilizado para designar a Sociologia). O subdirector da nova escola, o Prof. Sedas Nunes, que soubera da minha existência através do Vasco [Pulido Valente], convidou-me para sua assistente. [...] A cadeira que me foi atribuída chamava-se "Demografia, Povoamento e Recursos Hmanos", outro eufemismo para significar, desta vez, Introdução à Sociologia» [pag. 311/2]Não compreendo porque é que este livro despertou tanta animosidade na blogosfera. O Grande Loja diz que "É uma obra amoral e egocêntrica que retrata um percurso errático, desde um berço dourado, até à idade adulta, de uma menina 'bem', que estava 'predestinada' a estar no topo, 'à sua maneira'." Estou mais de acordo com o Desesperada Esperança: "Há, no livro, um aspecto histórico que, embora secundário, embora servindo apenas como pano de fundo, não deixa de ser interessante. Há, no relato da sua infância e da adolescência, uma caracterização do catolicismo do período, bem como [...] da vida familiar das classes altas lisboetas dos meados do século XX. [...] E em último lugar, está, em Bilhete de Identidade, um retrato da intelectualidade esquerdista de finais dos anos 60/princípios de anos 70, fruto do convívio com gente como António Pedro Vasconcelos, João César Monteiro e Vasco Pulido Valente." |
quarta-feira, dezembro 21, 2005
"Tolerância" ?
| O Público chama a atenção para o facto de o PIB per capita português ter acentuado a divergência com a média europeia e o Insurgente diz que sentiu "alguma vergonha" com a leitura da notícia. Tratam-se dos últimos dados divulgados pelo Eurostat. Nós por cá, como seria de esperar, continuamos com generosas "pontes" a propósito das festas de fim de ano, tanto nos privados como na administração pública: sexta-sábado-domingo-e-segunda sem trabalhar, em dois fim-de-semana consecutivos. Não há dúvida de que estamos na época da "tolerância". Na Autoeuropa, entretanto, os trabalhadores resolveram dar uma lição aos alemães. Espero que saibam o que estão a fazer: segundo um dos trabalhadores citado pelo Público, "Estão a fazer chantagem connosco, ameaçando fechar a empresa, mas estamos convictos de que o investimento aqui feito não é para dois dias". |
quinta-feira, dezembro 15, 2005
"I want my money back"
| "I want my money back", disse ela, a senhora Margaret Thatcher, em 1984, dando origem ao famigerado cheque britânico, uma isenção fiscal concedida aos britânicos, (mal) disfarçada sob a forma de uma reposição de verbas pagas. Blair volta a gritar pelo mesmo, mas lá teremos de citar de novo o velho Marx: se da primeira vez sabia a tragédia, agora sabe a farsa. Os britânicos, no entanto, possuem um argumento importante: o "cheque" da PAC entrou em descrédito e está sob o fogo das críticas da OMC, e por isso dizem os "bifes": se a França quer um cheque, nós também queremos. Durão Barroso, que gostaria de ser o Delors da nova Europa, tem motivos para estar aborrecido (Delors conseguiu a certa altura duplicar os fundos estruturais). "I want my money back", disse a senhora Thatcher. "Quero o meu dinheiro de volta", cantou o Jorge Palma. Uma vez ouvi o Jorge Palma, num concerto na Aula Magna, responder a um tipo da plateia que gritava o nome daquela canção: "Tens que ir para a bicha". É isso mesmo que deveria ser dito aos ingleses: "Querem o cheque? Vão para a bicha!" |
terça-feira, dezembro 13, 2005
Pensamentos correntes
Ouvi hoje de manhã, na rádio, o ministro Mário Lino fazer umas contas sobre as SCUTs que me deixaram um pouco baralhado. Falava o ministro sobre os valores apurados pelo Tribunal de Contas sobre os custos das SCUTs para o Estado [17 mil milhões de euros] e disse mais ou menos o seguinte: isso são valores correntes, porque se forem actualizados a 2005 o valor será metade.Metade? Mas não se trata de valores acumulados ao longo dos últimos anos? Nesse caso, e dada a ocorrência de inflação, o valor actualizado a 2005 terá de ser necessariamente maior. A fazer contas desta maneira, não é de espantar a irracionalidade que transpira das decisões governamentais relativas aos grandes investimentos públicos. |
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Não desespere (ainda)
Enquanto considera que ainda pode haver alguma esperança quanto a um acordo relativo ao aquecimento global - optimismo que aparece espelhado na sua capa ("Dont't dispair") - a Economist está bem menos esperançada quanto à cimeira da Organização Mundial do Comércio:«Muito antes de qualquer ministro colocar os pés em Hong Kong, já se tornou claro que o encontro da OMC falhará depressivamente os seus objectivos. Oficialmente a reunião pretende obter um consenso sobre os contornos gerais de um acordo para liberalizar o comércio de produtos agrícolas, tarifas industriais e serviços. Mas particularmente devido à intransigência da Europa em baixar as tarífas agrícolas, tal não acontecerá. Os ministros poderão anunciar modestos progressos (tais como uma vaga promessa de acelerar a eliminação de subsídios ao algodão) mas os objectivos de um acordo Doha serão adiados mais uma vez.»Também na Economist: "Europe's farm follies" |
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Letra por letra
![]() Reconhecemos visualmente as coisas - caras ou palavras - no seu conjunto ou pelas partes? Denis Pelli da New York University e Bart Farell da Syracuse University responderam a esta questão num artigo publicado na revista Nature, "The Remarkable Inefficiency of Word Recognition". Usando o exemplo de letras e palavras, os investigadores mostraram que lemos através da detecção de coisas simples, letra a letra e não palavra a palavra. Isto torna o reconhecimento das palavras muito ineficiente. Veja-se a imagem de cima: ambas as citações apresentam o mesmo contraste total de energia. Na primeira, a energia é dividida igualmente em todas as palavras, tornando todas as letras identificáveis igual e independentemente. Na segunda citação a energia é dividida igualmente por todas as palavras, independentemente do seu comprimento. Em princípio, para um dado nível de ruído, a detectabilidade de um padrão conhecido depende apenas da sua energia, portanto palavras de igual energia deveriam ser igualmente visíveis, mas na realidade as palavras mais pequenas sobressaiem e as mais longas desaparecem. Isto mostra que os leitores humanos não podem integrar eficientemente a energia ao longo de toda uma palavra. Em vez disso, a palavra é identificável apenas quando as suas letras forem independentemente identificáveis. As frases citadas são: "In the beginning was the Word" … "And the light shineth in darkness". Artigo da NYU Press Releases. |
Relatório do Desenvolvimento Humano - 2005
Resumo em português do "Relatório do Desenvolvimento Humano" de 2005 (pdf). |
![]() Randy Bass Ficheiro mp3 - 23:34 min. - 5.Maio.2005 Randy Bass, professor da Universidade de Georgetown, fala sobre novos modelos de aprendizagem. Covering the Chaos - página de Randy Bass url http://141.161.44.24/qtmedia/MP3/NewDesignsinLearning.mp3 |
terça-feira, dezembro 06, 2005
Cançó de bressol

| Ets filla del vent sec i d'una eixuta terra. D'una terra que mai no has pogut oblidar malgrat el llarg camí que et van fer caminar els teus germans de sang, els teus germans de llengua, i encara vols morir escoltant mallerengues coberta per la pols d'aquella pobra terra. |
| «Quis apenas fazer uma homenagem a minha mãe, à tragédia de uma mulher que vive toda a sua vida a caminhar, e que passa toda a sua vida a olhar para trás... nasce numa vila de Aragão, em Belchite; o noivo morre-lhe antes da boda; sai da terra para trabalhar em Barcelona; rebenta a guerra; fuzilam o seu pai e a sua mãe; trinta familiares são executados, assassinados na vila; durante a guerra dedica-se a recolher crianças e a viajar com elas por toda a Espanha, duma ponta à outra; regressa a Barcelona, casa-se com o meu pai, vive a tragédia dos anos do pós-guerra, a escassez, o medo, a perseguição... o meu pai tinha saído de um campo de concentração, e tem enfim um filho, no qual coloca absolutamente todas as suas esperanças, esperando superar com ele toda uma vida de tragédias e de decepções... Para ela, acontece que o filho é um bom estudante, mas que procura complicações com o franquismo... Com essa canção, Cançó de bressol, dei um beijo a essa mulher que, apesar de tudo o que tinha acontecido, continuava a sonhar com a sua terra natal. Acaso não fazemos outra coisa senão sonhar com a infância, que deve ser o único tempo feliz da nossa vida?...» «O olhar de Serrat remonta à sua infância, aos primeiros meses de vida, com a sua mãe alimentando-o ao peito e cantando-lhe uma canção de embalar ["Por la mañana rocío, al mediodía calor."] Serrat articula imagens de grande força visual, captando a geografia materna. A boca presa ao peito da mãe, o avô morto no fundo de um barranco, o cemitério, a ermida, a Virgem no alto, toda aquela paisagem percorrida pela recordação amarga da guerra civil surge de golpe nesta exemplar canção.» |
[ "Canção de embalar" - 1967 - letra ]
Efeitos do aumento da despesa pública
| Documento disponibilizado pelo Banco de Portugal: "The Effects of a Government Expenditure Schock", da autoria de Bernardino Adão e José Brandão de Brito |
Portugueses na net
| No primeiro trimestre de 2005, 42,5% dos agregados domésticos portugueses possuíam computador e 31,5% tinham acesso à Internet a partir de casa; 39,6% dos indivíduos com idade entre os 16 e os 74 anos utilizaram computador e 32% acederam à Internet no mesmo período - resultados do Inquérito à Utilização de Tecnologias da Informação e da Comunicação nas Famílias, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com a colaboração da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (UMIC). Dados relativos a 2004 indicavam que a percentagem de agregados domésticos portugueses com acesso à Internet era de 26%, uma das mais baixas taxas da União Europeia: ![]() |
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Economia pós-moderna

[ clique para ampliar ]
"GM employee discount" - campanha de promoção de vendas da General Motors, na qual as viaturas são vendidas ao público ao preço estipulado para funcionários da empresa. Embora considerada um sucesso, não impediu a continuação de despedimentos na empresa.
EUA: recuperação triste
Paul Krugman anda apreensivo com o facto da expansão económica dos EUA não estar a alegrar os americanos. É verdade que os processos de recuperação económica não se reflectem imediatamente nos rendimentos de muita gente, mas Krugman acha que este mistério está a demorar mais do que seria normal:«Os americanos não se sentem felizes com a recuperação económica porque esta ainda não os beneficiou. Esqueçam os números do PNB: muitas pessoas estão a ficar para trás. Mas não é facil explicar porquê. O desencontro entre o crescimento do PNB e a sorte económica de muitas famílias americanas não pode ser ignorado como uma vulgar ocorrência. Os salários e os rendimentos das famílias médias ficam frequentemente atrás dos lucros, nos estágios iniciais de uma expansão económica, mas não tão longe nem durante tanto tempo como agora. Nem é fácil atribuir mais do que uma pequena parcela de culpa às políticas da administração Bush. Neste ponto, a tristeza da expansão económica para muitos americanos é um mistério.Artigo no NY Times (só para assinantes), referido pelo Economist's View. |
Declaração de Lisboa
| "Declaração de Lisboa" é a designação do documento aprovado pelo "Parlamento Cultural Europeu", uma organização informal criada em 2001 por intelectuais, que esteve reunida nos últimos três dias na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sob o lema "Como pode a cultura europeia promover a coesão europeia?". O documento ontem aprovado classifica a cultura como "força motriz" para a criação de uma "sociedade progressista, aberta e inclusiva", além de poder constituir um "valor acrescentado à economia", e afirma que "as pessoas da cultura e das artes são um forte recurso humano para tornar a Europa na mais competitiva e dinâmica economia dirigida ao conhecimento em 2010". As conclusões, no entanto, foram consideradas insuficientes por alguns dos participantes: "Não podemos apenas continuar a repetir ideias filosóficas. Temos de ser mais específicos para o futuro". O Parlamento Cultural Europeu (European Cultural Foundation) foi fundado em 2002 tendo a sua primeira sessão decorrido em Bruges, na Bélgica. Seguiram-se sessões na Áustria (Graz, 2003) e em Itália (Génova, 2004). No início do corrente ano o PEE divulgou o relatório: "Europe as a Cultural Project". Jorge Sampaio na sessão de abertura (Rádio Renascença) |
sábado, dezembro 03, 2005
![]() Susanna Francke Ficheiro mp3 - 16:17 min. - 7.5MB - 26.Set.2005 Susanna Francke, considerada a "Mulher Economista do ano" em 2005 pela Stockholm School of Economics, na sequência da sua graduação em Contabilidade e Gestão Financeira, fala sobre as suas aulas e sobre as razões pelas quais não há mais mulheres economistas.
url do podcast: http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20050924-292.mp3 |
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Isto não é um "post"

| "This is Not an Article: Just Some Thoughts on How to Write One" Um paper de Carsten Sorensen sobre "como escrever um artigo" (ficheiro pdf). |
Mais choques fiscais ?
| O Banco de Portugal disponibilizou em linha o estudo de Ricardo Mourinho Félix, "A macroeconomic structural model for the Portuguese economy", o qual «apresenta um modelo macroeconómico, com alguns fundamentos micro, para uma pequena economia aberta. O principal objectivo é a simulação do ambiente externo e de choques de política fiscal. [...] o impacto nos principais agregados macroeconómicos de choques ambientais externos pode ser avaliado no pressuposto de que o governo ajusta automaticamente a taxa de imposto sobre os rendimentos para cumprir os requisitos orçamentais. Além disso, é conhecido que o impacto de choques fiscais depende crucialmente da capacidade dos agentes para ajustarem o seu comportamento às mudanças de política fiscal, de acordo com a sua antecipação de futuros desenvolvimentos económicos. [...] neste estudo o modelo está calibrado para a economia portuguesa e para os requisitos orçamentais (um objectivo de défice oraçmental de 3% do PNB e de endividamento de 60 % do PNB).» |
Prisioneiros do dilema

| «Depois de ter mantido as taxas de juro inalteradas durante mais de dois anos, o Banco Central Europeu subiu finalmente a sua taxa de referência um quarto de ponto percentual. O Banco está a tentar estabelecer a sua credibilidade como falcão da inflação, mas isso pode ser difícil de conseguir sem ameaçar a frágil recuperação de algumas das maiores economias da zona euro.» |
Natal sem prendas
O Governo garantiu que iria controlar o défice sem recurso a "medidas excepcionais". Mas não será esta uma medida excepcional? |
quarta-feira, novembro 30, 2005
Desenrascanço
Dito assim até parece um sinónimo de "desenrascanço", conceito que o Free Dictionary e a Wikipédia definem como «palavra portuguesa usada em Portugal para exprimir a capacidade para resolver um problema sem as ferramentas ou técnicas adequadas, e pelo recurso à imaginação em face de novas situações [...] o oposto de planear: é tratar de conseguir que um qualquer problema não fique fora de controlo e sem solução.» [2] Quem sabe: pode ser que ainda passemos à história como os campeões desta modalidade de gestão, que parece estar a adquirir dignidade académica - a revista Organizational Science dedicou-lhe uma edição em 1998. Na citada entrada do Free Dictionary conta-se a lenda de que «nos séculos XVI e XVII era muito comum que outros países exploradores, tais como a Holanda, levassem portugueses a bordo nas viagens marítimas, porque os portugueses eram alegadamente os mais capacitados e conhecedores em lidar com emergências inesperadas, quando o controlo do navio lhes era confiado.» Confiança, portugueses! Não deve vir longe o dia em que a gestão mundial das empresas nos seja confiada. Preparemo-nos, pois, da melhor maneira que conhecemos : não nos preparando! [1] - "conception of action as it unfolds in an organizational context, drawing on the available material, cognitive, afective and social resources. It is an individual practice which takes place in light of concrete circumstances. People improvise to solve practical problems which emerge as a result of specific and unplanned circunstances. In this sense, improvisation can be neither managed nor controled." [2] - «a Portuguese word used in common language in Portugal to express an ability to solve a problem without the adequate tools or proper technique to do so and by use of sometimes imaginative resourcefulness when facing new situations [...] the opposite of planning: it's managing that any problem does not get completely out of hand and beyond solution.» |
Presunção e subtileza
A intervenção de Portugal - pela voz do ministro Mariano Gago - na Cimeira Mundial da Sociedade da Informação, que teve lugar recentemente em Tunes, encontra-se aqui. Recordemos os temas "quentes" da Cimeira: a criação de oportunidades para os países mais pobres (objectivo da ONU) e o controlo da Internet (preocupação dos países ricos). Pois leiam o que foi dizer o nosso ministro a Tunes: que Portugal foi o "primeiro país de comunicação global", que foi um dos primeiros da Europa a ligar todas as escolas à Internet, que o acesso gratuito à Internet é garantido em centenas de espaços públicos, que os computadores para estudantes vão ser pagos em 50% pelo Estado, etç. Quanto ao tema propriamente dito da Conferência, vale a pena ler a única referência que lhe é feita:«Quando nos empenhamos no reforço da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, sabemos o papel insubstituível das línguas naturais no acesso de toda a sociedade ao conhecimento e reconhecemos a importância da consolidação de comunidades linguísticas na ligação em rede de todos e na diversidade cultural que a permite e exige.»Perceberam? Nós também não. |
terça-feira, novembro 29, 2005
Esquizofrenia
| O estudo coordenado por Augusto Mateus, referido no post de baixo, trouxe-me à memória outros estudos realizados pela empresa daquele economista, em 1993. Um deles fora encomendado pela Operação Integrada de Desenvolvimento da Península de Setúbal (OID) para avaliar o impacto dos investimentos daquele programa. Após a crise dos anos 80, o governo de Cavaco Silva aceitara aplicar a Setúbal um modelo descentralizado, sugerido pela Comissão Europeia para ultrapassar a falta de articulação estratégica entre os diferentes fundos (FEDER, FSE, FEOGA, etç): uma "operação integrada", que durou entre 1989 e 1993. Já na recta final a OID encomendou o citado estudo, cujas conclusões foram muito simpáticas: "Setúbal pode orgulhar-se de uma nova dinâmica empresarial. O tecido da região é formado por empresas de pequena dimensão, vocacionadas para novos sectores de actividade, mas também dominado por meia dezena de grandes projectos de capital estrangeiro" - lia-se no jornal Público de 10 de Novembro de 1993, dia em que seria feita a apresentação pública do referido estudo - ver fac-simile da notícia. Mas o mesmo jornal, na mesma página, apresentava um outro estudo, baseado em 32 empresas de Setúbal, que era bem menos simpático para a região: "Os trabalhadores portugueses têm em média, o nível de formação técnica mais baixo da Europa, sendo a Península de Setúbal um dos exemplos mais marcantes da falta de formação profissional adequada." Este estudo tinha sido encomendado pela central sindical CGTP e tinha sido realizado, imaginem, por... Augusto Mateus! O jornal cita inclusivamente uma frase deste economista: "os empresários portugueses continuam avessos ao risco e contagiam os seus trabalhadores, gerando-se uma cadeia que dificulta os índices de produtividade". Lado a lado, na mesma página de jornal, duas imagens aparentemente contraditórias sobre a economia da mesma região. Não deve escapar a um observador atento que, tendo o primeiro estudo sido encomendado pela OID, entidade que gerira a aplicação dos fundos, lhe interessava que o retrato fosse "positivo". E à CGTP, logicamente, interessava que o diagnóstico salientasse as deficiências patronais na "formação" dos trabalhadores. Atente-se na frase de Augusto Mateus: são os empresários que "contagiam" os trabalhadores com o seu mau exemplo - how convenient... É claro que se pode dizer - e com fundamento - que os estudos não são comparáveis com esta simplicidade, porque abordam realidades económicas diferentes, embora incidindo sobre a mesma região. Por outro lado, o jornal não reproduz exactamente os estudos, mas sim a "papinha feita" preparada, quer pela OID quer pela CGTP, para os apressados jornalistas que rapidamente elaboram as notícias com base nos "resumos" que lhes são facultados, por escrito ou oralmente, nas conferências de imprensa. Ainda assim, não deixa de ficar no ar uma certa suspeita de que este tipo de estudos, ainda que factualmente bem elaborados, têm apenas as conclusões e consequências que interessam aos seus "donos" - os que por eles pagaram. O modo como os próprios temas a analisar são previamente definidos, e a divulgação que lhes é dada, condicionam a "mensagem" à medida dos interesses dos mandantes - veja-se o caso do aeroporto da Ota. As empresas que realizam estes estudos respondem a encomendas, talvez não se lhes possa exigir muito mais - mas falta aqui alguma capacidade crítica, nomeadamente dos meios de comunicação, que deveriam saber interpretar estes estudos para além dos "press releases". Este é um problema que toma crescente acuidade à medida que se intensifica o número de estudos que são divulgados. A página 43 da edição do jornal Público de 10 de Novembro de 1993 fica assim recordada como mais um exemplo da esquizofrenia nacional. |
Dividir o bolo antes ou depois?
| O jornal Público de hoje inclui um dossiê sobre o estudo "Competitividade Territorial e a Coesão Económica e Social", realizado por uma equipa dirigida pelo economista Augusto Mateus, onde se conclui que os fundos comunitários ajudaram a aumentar a coesão de Portugal mas falharam na competitividade. Esta ideia faz recordar a hipótese de Kuznets de que o desenvolvimento faz-se inicialmente à custa do aumento das desigualdades sociais, e que a coesão só surge depois de consolidado o desenvolvimento: hipótese que ficou conhecida como a "curva em U invertido de Kuznets". Esta possibilidade lançou um debate - hoje aparentemente esquecido - nas hostes da Economia do Desenvolvimento sobre se devia "dividir o bolo" antes do desenvolvimento ou depois do desenvolvimento. A ideia é de que o resultado não seria indiferente à escolha: querer "dividir o bolo" (= atenuar as desigualdades sociais) antes do desenvolvimento poderia comprometer o próprio desenvolvimento, pois seriam afectados recursos para fins não reprodutivos, embora contribuissem para melhorar o nível de vida das pessoas. Aparentemente esta questão coloca-se com muita acuidade em Portugal: muitos dos investimentos realizados pelo país, particularmente impulsionados pelas ajudas comunitárias, melhoraram o nível de vida dos portugueses mas não impulsionaram a economia no sentido de uma maior produtividade/competitividade. Admito mesmo a hipótese de que o "dinheiro fácil" e as obras ganhas sem grande esforço serviram para "amolecer" as empresas no que diz respeito à competitividade, acentuando ainda mais a atitude "rent seeking". Notas: (a) Sobre a "curva de Kuznetz" leia-se o texto "Kuznets’s Inverted U-Curve Hypothesis" (pdf) (b) a "curva de Kuznets" é actualmente muito referida mas numa outra variante, a "curva ambiental de Kuznets" ou "curva ambiental em U invertido": os impactos ambientais negativos (poluição, etç) aumentariam numa fase inicial do desenvolvimento e só diminuiriam numa fase posterior - ver imagem, retirada daqui. |
A miragem do ouro
«As referências persistentes à venda do ouro do Banco de Portugal, não só para a redução do défice orçamental, mas principalmente para a constituição de um fundo que seria o impulsionador da retoma do nosso crescimento económico, revelam um desconhecimento profundo da problemática do ouro e criam expectativas salvíficas a que somos propensos, mas que no caso em apreço só podem conduzir a mais uma desilusão.A miragem assenta num duplo equívoco: a receita total da venda do ouro reverter para o tesouro e a possibilidade de vender a curto prazo, diga-se três ou quatro anos, a totalidade do ouro do Banco de Portugal [...]» Manuel Jacinto Nunes |
Modernices
| As Estatísticas Demográficas, do INE, revelam que a população residente em Portugal no final de 2004 andaria pelos 10 milhões e meio de indivíduos. Relativamente a 2003, diminuiram os nascimentos (2,9%) os falecimentos (6,2%), os casamentos e a mortalidade infantil, que atingiu o valor mais baixo de sempre: 3,8‰A população estrangeira aumentou 6% em relação ao ano anterior. Aumentou também o número de divórcios. |
Peter Drucker
«Há 30 anos quando estudei vagamente Economia no Quelhas no então ISCEF, em Lisboa, Peter Drucker não era sequer uma nota de pé de página, que eu me recorde. A Academia ignorou-o durante muito tempo, apesar de ele ter sido um dos primeiros "professores de gestão" (tal qual, assim designados) na Universidade de Nova Iorque nos anos 50... já não falando no "pequeno" acidente histórico de ter sido ele o fundador da doutrina do management. [...] Descobri-o, por puro acaso, ao ler a revista Fortune e fiquei deliciado com a sua visão do "empreendedor", com o papel histórico dessa gente, que ele fora beber a Schumpeter, uma "lenda" da Economia que ele conhecia desde Viena de Áustria, a sua terra natal. Devorei, então, o livro Inovação e Gestão (no original inglês "Inovação e Empreendedorismo") que havia sido traduzido pela Presença naquele ano de 1986. Nunca mais deixei de andar à caça destes "actores" (como começou a ser chique dizer-se) económicos. Drucker tinha-me pegado o vírus do management, mas pelo lado mais encantador - o da história.»Jorge Nascimento Rodrigues - "Uma dívida pessoal" Jorge Nascimento Rodrigues é o editor da Janela na Web, uma notável página sobre Economia e Gestão que está a comemorar o 10º aniversãrio, e que consistentemente tem divulgado as ideias e salientado a importância de Peter Drucker. Outros textos da Janela na Web sobre Drucker: | O filme do management | Quando o management largou o bibe | A mudança não se gere | A primeira biografia de Drucker | |
segunda-feira, novembro 28, 2005
Gestão de expectativas
«Nós [BPI Gestão de Activos] em geral não perdemos muito tempo a prever o que vai acontecer no futuro. Não é uma boa utilização do tempo. Nos últimos dois anos quase toda a gente tem previsto que as taxas de juro vão subir e, apesar disso, elas têm descido. Em relação ao dólar todas achavam que ia cair. Mas, no princípio do ano, o euro valis 1,36 dólares e agora está a 1,17 dólares. Uma coisa com que nós perdemos tempo é a ver aquilo que toda a gente está a prever. Se toda a gente previr que vai haver um engarrafamento nas Amoreiras às seis da tarde é possível que haja pessoas que escolham outro caminho alternativo e já não haja esse engarrafamento. O facto de uma coisa ser prevista faz com que ela provavelmente não venha a acontecer.»Francisco Magalhães Carneiro |
![]() The Becker-Posner Blog Ficheiro mp3 - 19:22 min. - Julho.2005 Gary Becker e Richard Posner falam sobre o seu blogue onde, semanalmente, comentam um assunto de actualidade, dialogando entre si sobre as respectivas opiniões. A propósito: o tema desta semana é a potencial pandemia da gripe das aves.
http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20050728-171.mp3 |
Défices ocultos
| «Engenharias, línguas e agronomia são áreas em que muitos cursos de Ensino Superior estão em risco de fechar portas. E isto porque, este ano lectivo, 213 cursos viram ingressar menos de 10 alunos no primeiro ano. As instituições de ensino mais penalizadas são as do interior do país, que já começaram a despedir professores contratados.» |
"Como se fazem terroristas
Tropas dos EUA disparam por engano sobre
um veículo, matando família e duas crianças."
Desenho de Jeff Danziger - Slate [clique]
domingo, novembro 27, 2005
Terra Sã
| «O Plano Nacional de Agricultura Biológica, apresentado em Maio de 2004 pelo ministro Sevinate Pinto, está parado. No entanto, o número de operadores não pára de crescer em Portugal, referência que também se pode avaliar pela dimensão da feira Terra Sã, que hoje termina, em Lisboa, e na qual participa um número recorde de expositores (150). Três meses após de ter sido divulgado, o Plano passou para as mãos do ministro Costa Neves, que manifestou a intenção de o reformular. Está agora com Jaime Silva que ainda não se pronunciou sobre o assunto.» |
Políticas de Estado
«Em Espanha existem políticas de Estado. Não dependem de partidos nem de ministros. Em Portugal é preciso políticas de Estado, não [políticas] de ministros. O governo tem que fazer o que os empresários estão habituados: correr riscos e ganhar.»António Nogueira Leite no |
sexta-feira, novembro 25, 2005
Viagens de uma T-shirt
![]() Viagens de uma T-shirt: entrevista com Pietra Rivoli Ficheiro mp3 - 27:43 min. - 28.Maio.2005 Pietra Rivoli, fala sobre o seu livro, "The Travels of a T-Shirt in the Global Economy".
O livro foi um dos 6 finalistas do prémio de melhor livro de negócios de 2005, atribuído pelo Financial Times e pela Goldman Sachs, cujo vencedor foi "The World is Flat" de Thomas Friedman. Leia um excerto do livro de Pietra Rivoli aqui. url: http://141.161.44.24:80/qtmedia/MP3/T-shirtWorldTrade.mp3 |
Darwinismo empresarial
«Porque é a Toyota a companhia automóvel de maior sucesso? Será o resultado de "Intelligent Design" (ID) ou da Evolução?«Um pouco das duas coisas, mas foram as inexoráveis forças da evolução, num ambiente de constrangimentos, que transformaram o intelligent design num dos requisitos para a sobrevivência. O imperativo evolucionista é sempre: "adaptar ou morrer".
«As pressões ambientais que a Toyota sempre teve de enfrentar nos EUA são um factor de produção que apenas as empresas nacionais podem comprar, ou seja: os políticos americanos.
«Enquanto as empresas nacionais e os seus sindicatos conseguiam obter rígidas barreiras alfandegárias e regulamentação protectora, a Toyota viu-se forçada a competir em termos de qualidade e focando-se no consumidor.
«A longo prazo, o proteccionismo dos EUA revelar-se-á provavelmente a melhor coisa que aconteceu à Toyota e, ao mesmo tempo, o factor primário a atirar a General Motors e o sindicato United Auto Workers para o caixote do lixo da história.»
in Catallarchy
Conjuntura
"Síntese Económica de Conjuntura" do INE, relativa ao terceiro trimestre de 2005.«Durante o terceiro trimestre verificaram-se alguns sinais de recuperação da actividade, embora sem reflexos no andamento dos indicadores de clima e de actividade. Tais sinais concentraram-se em alguns subsectores da indústria transformadora e dos serviços. Por outro lado, registaram-se evoluções desfavoráveis, já esperadas, no comércio, devido ao impacto da antecipação para Junho de compras de bens duradouros. Outro elemento relevante foi a aparente recuperação das exportações, o que em combinação com a moderação das importações torna verosímil uma contribuição positiva da procura externa líquida para o crescimento da economia. No mercado de trabalho verificou-se um ténue crescimento do emprego, insuficiente para absorver o aumento da população activa, pelo que a taxa de desemprego aumentou, atingindo um valor máximo. Em todo o caso, as ofertas de emprego têm revelado uma tendência de aumento, enquanto os pedidos de emprego por parte de desempregados nos Centros de Emprego têm diminuído.» |
quinta-feira, novembro 24, 2005
Isabel de Castro 1931-2005
![]() Isabel de Castro estreou-se aos 14 anos no filme "Ladrão Precisa-se" e em três peças portuguesas no Teatro Estúdio do Salitre. Diplomada pelo Conservatório Nacional, partiu para Espanha onde, durante seis anos, foi uma presença regular no cinema tendo trabalhado com alguns dos mais destacados nomes do cinema espanhol de então como Rovira Belleta, Fernando Fernán Gómez, Franciso Rabal, López Vasques, Ana Mariscal e Conchita Velasco. Regressou depois a Portugal onde se dedica ao teatro e ao cinema, tendo sido uma presença constante em filmes de realizadores como Perdigão Queiroga, Henrique de Campos, João Botelho, Alberto Seixas Santos, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Paulo Rocha, Pedro Costa, Manuel Mozos, António de Macedo, Manoel de Oliveira, entre outros.
Artistas Unidos | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
quarta-feira, novembro 23, 2005
Teoria do Consumidor
http://www.nebo.edu/misc/learning_resources/ppt/sounds/nosmoking.mpg
segunda-feira, novembro 21, 2005
Golos na própria baliza
| O Banco de Portugal publicou os Indicadores de Conjuntura, com dados de Outubro, onde se salienta o abrandamento do consumo privado - eventualmente devido à antecipação da aquisição de veículos imediatamente antes do aumento do IVA. Também no 3º trimestre de 2005 a indústria transformadora registou uma diminuição de 1,1 % - ainda assim inferior à diminuição registada nos trimestres anteriores. Outros indicadores de Outubro já conhecidos são a taxa de inflação homóloga (2,7 %) e a taxa de desemprego (7,7 % no 3º trimestre). O défice da BTC agravou-se em 2 325 milhões de €. O relatório indica ainda a previsão da Comissão Europeia de um défice público de 6 %. As previsões da Comissão Europeia de crescimento do PIB para a área do euro são as seguintes:
A confirmarem-se estas previsões, o crescimento português será sensivelmente metade da média dos países do €, será o mais baixo de todos esses países, e ficará bastante abaixo da Irlanda e da Grécia - bastante mais abaixo do que aconteceu no outro Euro, que tanto emocionou os portugueses. Será que também se irão emocionar com estes "golos" na própria baliza? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Integração Europeia
| "Gás é 37% mais barato em Espanha" «Os consumidores portugueses pagam, em média, mais 37% do que os seus congéneres espanhóis por cada quilograma de gás butano de botija. No gás propano, utilizado pela indústria, os preços por quilograma engarrafado são quase 50% mais caros em Portugal do que no vizinho ibérico.» |
PT: "Invenção política eleitoral"
Notícia do jornal Público |
"Ministro dos Passos Cómicos"
«No Verão de 1976, um grupo de estudantes do MIT foi fazer um trabalho para o Banco de Portugal. O contacto inicial veio de Richard Eckaus, mas o líder efectivo da nossa missão - o homem que nos situou no terreno, apesar de depois termos trabalhado sozinhos - foi Rudi. Já escrevi acerca desta "cruzada de crianças" no ensaio "Incidentes da minha carreira", mas deixem-me acrescentar um pouco acerca do trabalho de Rudi. Quem seria o "Ministro dos Passos Cómicos"?
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Honoris Causa
Doutorado | Referências | Ano |
| René Gonnard | Professor de Economia Política e de História das Doutrinas Económicas da Universidade de Lyon. Membro do Instituto de França | 1934 |
| Daniel Faucher | Professor de Geografia Económica e Director honorário da Faculdade de Letras de Toulouse. Antigo Vice-Reitor da Universidade de Toulouse | 1935 |
| Josiah Stamp | Presidente da “London School of Economics” da Universidade de Londres. Presidente da “Economic Society” e da “Statistical Society”. Vice-Governador do Banco de Inglaterra. Membro da Câmara dos Lordes | 1936 |
| William Qualid | Professor de Economia Política da Faculdade de Direito de Paris | 1936 |
| Bruno Biagi | Professor de Economia Corporativa da Universidade de Bolonha | 1937 |
| Lionel Robbins | Professor de Economia Política da Universidade de Londres | 1939 |
| Gaetan Pirou | Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris | 1939 |
| Louis Baudin | Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris | 1948 |
| J. R. Hicks | Professor da Universidade de Oxford | 1956 |
| Jan Tinbergen | Professor do Instituto de Ciências Económicas de Roterdão | 1956 |
| Robert Mossé | Professor da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Grenoble | 1956 |
| François Perroux | Professor hornorário da Universidade de Paris e do Colégio de França | 1960 |
| H. A. Wold | Professor da Universidade de Upsala, Suécia | 1964 |
| Celso Furtado | Ministro da Cultura do Brasil | 1987 |
| Alain Cotta | Professor de Ciência Económica da Universidade de Paris IX – Dauphine. | 1987 |
| Raymond Courbis | Professor da Universidade de Paris X Nanterre | 1991 |
| Arnold Zellner | Professor da Universidade de Chicago | 1991 |
| Michael E. Porter | Professor da Harvard Business School | 1994 |
| Hans Wolfgang Singer | Professor do Institute of Development Studies da Universidade de Sussex | 1994 |
| Joseph Stiglitz | Professor da Universidade de Stanford | 2000 |
| Richard Brealey | Professor da London Business School | 2001 |
| Amartya Sen | Professor no Trinity College em Cambridge | 2001 |
| José Silva Lopes | Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral | 2004 |
| Fonte: ISEG | ||
António Manuel Pinto Barbosa
O livro é da autoria do professor de Economia João César das Neves e do jornalista Francisco Azevedo e Silva. A 1ª edição é de 1999, da "Editorial Verbo", ISBN-9722219200. Os autores, no entanto, não consideram a obra como sendo um livro de história. O livro inclui coisas muito divertidas, como esta referência às dificuldades que os diplomados do ISCEF tinham em obter colocação, na década de 40: «Já depois da minha formatura, era eu professor, apareceu uma grande notícia nessa altura, quando um dos nossos diplomados tinha conseguido o lugar de chefe de repartição na Câmara Municipal de Lisboa. O Instituto quase que embandeirou em arco.»Pinto Barbosa, apesar da discordância da família, decide, com 23 anos, dedicar-se à carreira académica; é memorável o momento em que o jovem professor do ISCEF encontra o destacado professor de Economia da Faculdade de Direito de Coimbra, José Joaquim Teixeira Ribeiro, na altura da apresentação de um trabalho de Pinto Barbosa: «Você não percebe nada disto. Estude Economia a sério. Leia os clássicos de Economia»O jovem professor sabia apenas... o que se ensinava no ISCEF na altura, e que estava muito desactualizado; estudavam-se coisas como Geografia e Físico-Químicas, por exemplo. Levando o conselho de Teixeira Ribeiro a peito, Pinto Barbosa viria a protagonizar a grande reforma do ensino da Economia em Portugal, vertida em lei em 1949. Mas a implantação real da reforma teve de vencer muitas dificuldades. Por exemplo: «Convencer o Ministério a aprovar a cadeira de Economia da Empresa foi muito complicado. Não entendia bem para que servia uma cadeira dessas!»José Braga de Macedo refere que a macroeconomia «chegou a Portugal nos anos 1940, pela mão de António Manuel Pinto Barbosa». Para além da actividade docente, Pinto Barbosa viria a ocupar cargos oficiais, como Ministro das Finanças entre 1955 e 1965, e Governador do Banco de Portugal. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, sentindo não ter condições, demite-se do Banco central. A turbulência revolucionária que domina o ISCEF (então ISE) após a revolução impede Pinto Barbosa de continuar a leccionar na Escola que ajudara a formar. Foi então para Basileia como Consultor do Banco de Pagamentos Internacionais. Em 1978 aceitou um convite para leccionar na Universidade Nova (recusando um convite contemporâneo do ISE). Em 1987 chegou a altura da sua jubilação. Em 1989 saíu o livro "Nova Economia em Portugal – Ensaios em homenagem a António Manuel Pinto Barbosa" onde se incluem contributos de algumas lendas vivas da ciência económica: James Tobin (Nobel de 1983) e Robert Mundell, apara além de alguns dos maiores economistas portugueses contemporâneos: Teixeira Ribeiro, Pereira de Moura e Jacinto Nunes, entre outros. Pinto Barbosa é membro honorário da Ordem dos Economistas e foi recentemente nomeado para a Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal. Pinto Barbosa é pai de dois gémeos, ambos igualmente conceituados economistas: António Soares Pinto Barbosa (autor do livro Economia Pública) e Manuel Soares Pinto Barbosa. Ambos são igualmente musicos amadores de jazz, integrando os "Lisboa Swingers Big Band". |
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Ouvi hoje de manhã, na rádio, o ministro Mário Lino fazer umas contas sobre as SCUTs que me deixaram um pouco baralhado. Falava o ministro sobre os valores apurados pelo Tribunal de Contas sobre os custos das SCUTs para o Estado [17 mil milhões de euros] e disse mais ou menos o seguinte: isso são valores correntes, porque se forem actualizados a 2005 o valor será metade.
Enquanto considera que ainda pode haver alguma esperança quanto a um acordo relativo ao aquecimento global - optimismo que aparece espelhado na sua capa ("Dont't dispair") - a Economist está bem menos esperançada quanto à 


Paul Krugman anda apreensivo com o facto da expansão económica dos EUA não estar a alegrar os americanos. É verdade que os processos de recuperação económica não se reflectem imediatamente nos rendimentos de muita gente, mas Krugman acha que este mistério está a demorar mais do que seria normal:




«As referências persistentes à venda do ouro do Banco de Portugal, não só para a redução do défice orçamental, mas principalmente para a constituição de um fundo que seria o impulsionador da retoma do nosso crescimento económico, revelam um desconhecimento profundo da problemática do ouro e criam expectativas salvíficas a que somos propensos, mas que no caso em apreço só podem conduzir a mais uma desilusão.
«Há 30 anos quando estudei vagamente Economia no Quelhas no então ISCEF, em Lisboa, Peter Drucker não era sequer uma nota de pé de página, que eu me recorde. A Academia ignorou-o durante muito tempo, apesar de ele ter sido um dos primeiros "professores de gestão" (tal qual, assim designados) na Universidade de Nova Iorque nos anos 50... já não falando no "pequeno" acidente histórico de ter sido ele o fundador da doutrina do management. [...] Descobri-o, por puro acaso, ao ler a revista Fortune e fiquei deliciado com a sua visão do "empreendedor", com o papel histórico dessa gente, que ele fora beber a Schumpeter, uma "lenda" da Economia que ele conhecia desde Viena de Áustria, a sua terra natal. Devorei, então, o livro Inovação e Gestão (no original inglês "Inovação e Empreendedorismo") que havia sido traduzido pela Presença naquele ano de 1986. Nunca mais deixei de andar à caça destes "actores" (como começou a ser chique dizer-se) económicos. Drucker tinha-me pegado o vírus do management, mas pelo lado mais encantador - o da história.»
«Nós [

«Em Espanha existem políticas de Estado. Não dependem de partidos nem de ministros. Em Portugal é preciso políticas de Estado, não [políticas] de ministros. O governo tem que fazer o que os empresários estão habituados: correr riscos e ganhar.»





