![]() Oil market power and United States national security" (pdf) - artigo de Roger Stern publicado nos "Proceedings of the National Academy of Sciences" de 31 de Janeiro de 2006. «It is widely believed that an oil weapon could impose scarcity upon the United States. Impending resource exhaustion is thought to exacerbate this threat. However, threat seems implausible when we consider strategic deficits of prospective weapon users and the improbability of impending resource exhaustion. Here, we explore a hypothesis relating oil to national security under a different assumption, abundance. We suggest that an oil cartel exerts market power to keep abundance at bay, commanding monopoly rents [or wealth transfers (wt)] that underwrite security threats. We then compare security threats attributed to the oil weapon to those that may arise from market power. |
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Petróleo, mercado e segurança
Aprendendo com os furacões
"Making a virtue out of a necessity: Hurricanes and the resilience of community organization" - artigo de Robert D. Holt publicado nos "Proceedings of the National Academy of Sciences" de 6 de Fevereiro de 2006:«Most of us these days are all too aware of the disruptive impact of hurricanes in human affairs. Yet disturbances ranging from minor local disruptions to massive large-scale catastrophes are part-and-parcel of life in most natural ecosystems. |
Milton Friedman

Milton Friedman: capa da revista Time em Dezembro de 1969
New Perspectives Quarterly:
NPQ | Você já viu muita coisa na sua longa vida e tem pensado sobre os grandes temas. O que é que lhe passa pela cabeça nestes dias?
Friedman | O grande assunto é saber se os EUA terão sucesso na sua empresa de reformatar o Médio Oriente. Não é claro para mim se o uso de força militar é o modo de o fazer. Não deveríamos ter ido para o Iraque. Mas fomos. Neste momento, portanto, o que importa mais é garantir que esse esforço seja completado de modo satisfatório. (...)
NPQ | A designada "velha Europa" da França, Alemanha e Itália, tem estagnado com elevados níveis de desemprego. A Alemanha - um dos últimos bastiões do estado social keynesiano da Guerra Fria - tem agora um líder conservador, Angela Merkel. O que deverá ser feito para colocar a Alemanha, e por extensão a velha Europa, de novo nos carris?
Friedman | Deveriam todos imitar Margaret Thatcher e Ronald Reagan; mercados livres, em resumo. O problema da Alemanha, em parte, foi que entrou para o euro com uma taxa de câmbio errada, que sobrevalorizou o marco alemão. Temos portanto uma situação na zona euro onde a Irlanda tem inflação e rápida expansão, enquanto que a Alemanha e a França encalharam e tiveram as dificuldades do ajustamento.
O euro vai ser uma fonte de problemas e não de ajuda. O euro não tem precedentes. Tanto quanto sei, nunca houve uma união monetária, com uma moeda comum, composta de estados independentes. Houve uniões baseadas no ouro ou na prata, mas não numa moeda corrente - moeda que tende a inflacionar - criada por entidades políticas independentes.
Neste momento, claro, a Alemanha não pode sair do euro. O que tem de fazer, portanto, é tornar a economia mais flexível — para eliminar as restrições sobre preços, salários e emprego; em resumo, a regulamentação que mantém 10% da força de trabalho alemã desempregada. Isto é bastante mais urgente do que seria se a Alemanha não estivesse no euro.
Este conjunto de políticas abriria o potencial da Alemanha. Apesar de tudo, a Alemanha possui uma força de trabalho muito capaz e produtiva. Tem produtos de alta qualidade que são valorizados em todo o mundo. Tem todas as possibilidades para ser um estado produtivo e em crescimento. Tem apenas que dar oportunidade aos empreendedores. Tem de os deixar fazer dinheiro, empregar e despedir, e agir como empreendedores.
Em vez disso, o que temos em resultado de políticas do passado é que os empreendedores alemães vão para o exterior da Alemanha com muitas das suas actividades. Estão a investir fora porque não existe a abertura, fluidez e oportunidade que encontram fora das fronteiras.
NPQ | O primeiro-ministro inglês Tony Blair argumenta que existe uma "terceira via" — por exemplo, mercados de trabalho flexíveis sem o estilo americano de emprega-e-despede. Ele argumenta que isto é mais ajustado ao "modelo social europeu" com a sua forte preocupação com a justiça social. Existirá um caminho intermédio, ou terá de ser tudo-ou-nada?
Friedman | Não creio que exista uma terceira via. Mas é verdade que um mercado competitivo não representa a totalidade de uma sociedade. Uma grande parte depende das qualidades da população e da nação, no modo como organizam os aspectos não-mercantis da sociedade.
NPQ | Talvez os países escandinavos tenham um modelo a merecer atenção. São sociedades com impostos elevados mas também níveis elevados de emprego. E libertaram mais os seus mercados de trabalho do que em Itália, na França ou na Alemanha.
Friedman | Embora isto não seja tão verdade como já foi, devido ao influxo migratório, os países escandinavos têm pequenas populações muito homogéneas. Isso permite-lhes safar-se com um modelo que não funcionaria noutras condições.
O que funciona para a Suécia não serve para a França, Alemanha ou Itália. Num estado pequeno pode recorrer-se ao exterior para muitas das actividades. Numa cultura homogénea estão mais dispostos a pagar impostos mais elevados para atingir objectivos comuns. Mas "objectivos comuns" são muito mais difíceis de conseguir em populações maiores e mais heterogéneas.
A grande virtude dos mercados livres é que permitem a pessoas que se odeiam umas às outras, ou que pertencem a religiões ou grupos étnicos muito diferentes, a cooperação económica. A intervenção do governo não pode conseguir isso. As políticas exacerbam e ampliam as diferenças.
(...)
NPQ | Com a globalização, temos a economia mais livre que jamais se viu?
Friedman | Oh não. Tínhamos comércio muito mais livre no século XIX. Temos agora muito menos globalização do que nessa altura.
Caminharemos no futuro para esta liberdade do século XIX? Não sei. Temos um mundo mais livre por causa do colapso da União Soviética e das mudanças na China. Essas foram as maiores contribuições para a liberdade no nosso tempo. Os países que se ergueram e separaram como resultado do colapso da União Soviética estão, no conjunto, a seguir políticas económicas mais livres. Muitos destes estados possuem governo mais livre e menos restrições ao comércio.
Esta base de mercado livre deverá expandir-se como exemplo para outros, não tão livres. Toda a gente, em todo o lado, compreende agora que o caminho para o sucesso dos países menos desenvolvidos é o livre mercado e a globalização.
NPQ | No fim, as suas ideias triunfaram sobre Marx e Keynes. Será isto o fim do caminho para o pensamento económico? Haverá algo mais a dizer para além de que os mercados livres são o modo mais eficiente de organizar a sociedade? Será isto o "fim da história", como disse Francis Fukuyama?
Friedman | Oh não. “Mercados livres” é uma expressão muito genérica. Muitas espécies de problemas hão-de emergir. Os mercados livres funcionam melhor quando a transacção entre dois indivíduos afecta apenas esses indivíduos. Mas não acontece assim. O que acontece mais frequentemente é que uma transacção entre nós os dois vá afectar uma terceira pessoa. Essa é a fonte de todos os problemas para a governação. Essa é a fonte dos problemas de poluição, de desigualdade. Existem alguns bons economistas, como Gary Becker e Bob [Robert] Lucas que estão a trabalhar nestes temas. Esta realidade assegura-nos que o fim da história nunca acontecerá.
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
Pérolas a Economistas
Miss Pearls poderia ser tomada como o nosso "paradoxo do valor" ("diamantes e água", "água e pérolas", é tudo o mesmo); deve ser por isso que calhou agora uma citação da The Theory of the Leisure Class de Thorstein Veblen. Qualquer citação de um economista, ainda que não-mainstream, é bem-vinda. |
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Pós-modernismo morre na Amazónia
«Num artigo publicado na revista Science (20.Janeiro.2006), cientistas que investigaram as capacidades cognitivas pré-linguisticas dum grupo de indígenas da Amazónia [Munduruku], demonstraram que os indivíduos possuem uma conceptualização nuclear da geometria euclidiana.
Este relatório dá a estocada final no vampiro do pós-modernismo. A lógica (dedução), a aritmética e a geometria Euclidiana têm as suas conceptualizações nucleares em capacidades não-linguísticas (e pré-linguísticas) do cérebro humano. Não há motivos para pensar que estas capacidades não sejam partilhadas por todos os seres humanos (uma vez que existe tão pouca variabilidade na espécie humana). Existe uma natureza humana universal e uma racionalidade nuclear partilhada por todos os humanos.»
"Postmodernism Dies Yet Again" - Body Parts
artigo no Live Science
post no Maza’ Weblog
Consenso de Copenhaga
![]() No âmbito do Consenso de Copenhaga 2004 um grupo de conhecidos economistas analisou um conjunto de projectos, tendo em consideração essencialmente os custos e benefícios económicos. Mais especificamente: os especialistas foram desafiados a responder à seguinte questão, relativamente a um conjunto projectos previamente identificados pela ONU: "Qual seria a melhor maneira de aumentar o bem-estar global, e particulamente o bem-estar dos países em desenvolvimento, supondo que um financiamente adicional de 50 mil milhões de dólares (*) em recursos estaria à disposição dos governos?" O painel de especialistas foi constituído por: As conclusões - que foram comentadas neste artigo do The Economist - encontram-se disponíveis aqui (pdf) e estão resumidas no quadro seguinte. Repare-se na má classificação do Protocolo de Quioto, ao contrário da liberalização do comércio.
(*) - "$50 billion", no original; reina alguma confusão quanto ao significado de "billion": veja-se por exemplo o site Ciberdúvidas e a Wikipédia. No entanto, parece não haver dúvida de que, nos EUA, "billion" = 109. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
A vida exagerada de Martín Romaña

A mim parece-me que é preciso sofrer de uma qualquer doença rara, indiagnosticada e paradoxal, para ler - com prazer! - as 500 páginas d´"A Vida Exagerada de Martin Romaña". Será que o masoquismo decorrente da repetida ruminação dos equívocos dos anos 60 e do "Maio de 68" pode explicar tal fervor?
Enfim: aqui fica um trecho em que a personagem Martin Romaña é visitada pelo Autor, Alfredo Bryce Echenique, supostamente para lhe roubar a mulher, a marxista Inês, a qual, depois de ter cuspido (metaforicamente) no escritor capitalista, redime-o pelo facto de ter publicado um romance em Cuba.
A seguir: Alfredo Bryce Echenique relata um episódio pessoal, coincidente com o que aconteceu com Martín Romaña (e ainda dizem que não há coincidências...)
Arquivo da Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. A propósito: quando é que o Instituto Camões nos oferece uns Eças e uns Camilos video-sonoros ?
url do podcast ~ url do video
outros ficheiros sonoros do mesmo autor
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Não blogarás em... solitário!
O Abrupto apresenta um bem humorado exercício "legislativo": um Decálogo sobre os debates na blogosfera portuguesa. Quem será que enfia o barrete? Quanto ao Pura Economia, levanta-se apenas uma dúvida: a Sexta Lei diz que (a) «Os blogues são grupais, precisam imenso de companhia» e (b) «A blogosfera tem evoluído do amiguismo para o grupismo e deste para o tribalismo. Permanecem, no entanto, leis de desenvolvimento desigual».A dúvida é: a que grupo ou tribo pertence o Pura Economia? Eu sei que já fui citado por blogues liberais e libertários, links que depois esmorecem quando aqui surgem referências solidárias, intervencionistas ou keynesianas, etç, Tal como já fui citado por blogues solidários e intervencionistas, links que depois declinam quando aqui surgem referências liberais e libertárias. Mas talvez seja ainda cedo para entrar em pânico. Considerando que ao Decálogo do Abrupto ainda faltam quatro Leis (ainda está na versão Beta), aguardo que as Leis faltantes me esclareçam esta solitária angústia. |
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Chile, segundo a BBC
Podcast do programa "In Business", da BBC,
sobre a economia do Chile - 9.Fev.2006 - 28:08 m
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Universidades na net
![]() Distribuição das primeiras 200 universidades, por país. O Webometrics é um ranking das universidades de todo o mundo em função da sua presença na net. O processo de classificação ainda é questionável (a metodologia é apresentada aqui) mas vale a pena dar uma vista de olhos. Os indicadores utilizados são: Na lista das três mil universidades classificadas, encontram-se as seguintes sete portuguesas:
Na lista de centros de investigação encontra-se o Instituto Superior Técnico, na posição nº 70. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Também tu, Blanchard!...
![]() O Diário de Notícias apresenta uma pequena entrevista com Olivier Blanchard, onde o economista repete algumas das ideias apresentadas na Conferência do Banco de Portugal - incluindo a descrença no poder miraculoso da aposta tecnológica. Mais uma facada no Plano socrático... Para aumentar a produtividade, a grande aposta do Governo é a aplicação de um plano tecnológico. Deve ser a prioridade?Entretanto, quem não parece estar de acordo com Blanchard é a economia portuguesa, pois os últimos dados do INE apontam para um agravamento dos custos do trabalho. O ICT cresceu 3,9 % em média, em 2005: mais 2,4 pontos percentuais do que em 2004. A evolução no último trimestre de 2005 representa, no entanto, uma desaceleração face ao trimestre imediatamente anterior. Tratam-se de dados ainda não corrigidos dos efeitos sazonais. |
domingo, fevereiro 12, 2006
sábado, fevereiro 11, 2006
Economia oculta
Porque é que a economia está mais forte do que era suposto estar? - pergunta-se num artigo da Business Week. Resposta: «Numa economia baseada no conhecimento, os indicadores tradicionais não dizem tudo o que se passa. Os intangíveis, tais como a I&D, são fracamente apercebidos - se é que o são. Incluindo-os, tudo muda.»«Os mágicos estatísticos do Bureau of Economic Analysis, em Washington, podem fazer aparecer uma folha de cálculo mostrando quanto é que os caminhos de ferro gastaram em mobília. Mas não conseguem detectar os milhares de milhões que as empresas gastam em cada ano em inovação e design de produtos, criação de marcas, formação de empregados ou em quaisquer outros investimentos intangíveis, necessários para competir na economia global do presente. Isso significa que os recursos utilizados na criação de inovações de topo tais como o medicamento anti-cancerígeno Avastin, a insulina inalável, os Starbuck's (SBUX), os "exchange-traded funds"(*) ou mesmo o iPod, não aparecem nos números oficiais.» (*) - Também conhecidos como Trackers; transaccionados como acções, os exchange-traded funds (ETF) constituem uma alternativa aos fundos mútuos (ou colectivos), investidos em índices. Tal como as acções, estão sujeitos a uma comissão (na compra e venda), mas a partir daí custos são mínimos. As despesas de administração são extraordinariamente baixas, não estão sujeitos a comissões de entrada ou saída, frequentes nos fundos mutuos, são fáceis de compreender e oferecem vantagens no pagamento de impostos. (Portuguese Canadian Financial Newsletter) |
Economics Round Table
![]() Economics Round Table Informações sobre os mais recentes posts publicados por blogues de Economia. Mantido pelo Professor William R. Parke, da Universidade da Carolina do Norte. Parke é também o autor do capítulo sobre modelos económicos clássicos no site EconModel. |
Economia portuguesa: comunicações
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Conferência do Banco de Portugal
Assisti à Conferência do Banco de Portugal, onde se destacaram as intervenções de Vítor Constância, bem como, e sobretudo, a de Olivier Blanchard.
Vitor Constâncio fez uma espécie de retrato negativo das causas da divergência da economia portuguesa face à UE (não é a evolução dos preços relativos, não é a intensidade das reformas nem a qualidade das nossas instituições, não são as diferenças de fiscalidade, não é a regulação do mercado, etç.) Salientou, por outro lado, a capacidade potencial existente para absorção de tecnologia, daí a importância que o investimento estrangeiro tem para Portugal.
Blanchard fez um diagnóstico dos nossos problemas económicos, mais "normal" do que acontece frequentemente com muitos portugueses, que gostam de salientar a "anormalidade" do caso português (no fundo, acho que ainda são resíduos da tese de António Sérgio sobre a nossa "mentalidade" retrógrada, a necessitar de "reforma", etç; se fossemos diferentes a nível dos estímulos, precisaríamos de uma teoria económica diferente só para nós, não é assim?). Blanchard encontrou até semelhanças entre a nossa evolução recente e a França de algum tempo atrás.
Disse Blanchard que a situação que tivemos, de taxas de juro baixas e uma visão optimista quanto ao futuro, explicam o agravamento, naquela altura, do endividamento e o défice fiscal. Agora é fácil dizer que foi um erro de antevisão (das famílias, das empresas, do governo) mas durante o boom fazia sentido. Por outro lado, admitiu que alguns indicadores poderiam ter alertado para uma reacção mais a tempo.
O economista de origem francesa foi igualmente muito franco quanto ao nosso futuro: ou ajustamos a economia com aumentos de produtividade, o que vai ser lento (10 anos, e se correr tudo bem) ou o fazemos com diminuição dos salários reais, o que pode ser mais rápido, mas também mais doloroso (ou mais... impossível!...)
O resto da conferência teve boas comunicações, igualmente com boas intervenções dos comentadores convidados. Uma intervenção descabida e desagradável foi protagonizada por Paulo Trigo, ao comentar (como convidado) a comunicação de Susana Peralta acerca da autonomia da fiscalidade local. A análise de Susana Peralta, por aplicação da Teoria dos Jogos ao ciclo eleitoral das autarquias locais, colocou a hipótese da fraca autonomia fiscal das autarquias e correspondente pouca transparência na afectação dos recursos fiscais, criar condições para a permanência/reeleição de políticos "egoístas", que procuram rendas para si próprios, em contrapartida com políticos "altruístas". Foi uma tese original (para mim) e bem explicada.
Paulo Trigo, que tinha feito antes uma critica cientificamente fundamentada a uma comunicação de André Castro Silva, enveredou por uma "crítica" ideológica a Susana Peralta - não só à sua comunicação, mas também à própria pessoa. Referindo ser ele mais velho e ter "conhecido" o período anterior à Revolução (mas, pela idade, até nem deve ter conhecido grande coisa...) sugeriu ignorância da jovem economista da Universidade Nova, e, até, que ela estaria a defender o salazarismo, "que não dava direito de voto às mulheres", etç. A comunicação de Susana Peralta não dizia nada disso, mas Paulo Trigo parece ter ficado incomodado com a simples sugestão de que no sistema democrático actual se geram efeitos económico-políticos perversos, como o já referido.
Ora, creio eu que um investigador que detecte, na sua investigação, efeitos perversos, deve divulgá-los, independentemente de isso beliscar os mecanismos democráticos. A ciência não tem que se auto-limitar com a ideologia ou o "politicamente correcto". Colocar hipóteses desagradáveis, testá-las e divulgá-las, ainda que possam vir a ser mais tarde infirmadas, é algo que deve ser elogiado e não criticado . Será o sistema democrático uma vaca sagrada onde não se possa tocar? Creio que não.
Vitor Constâncio fez uma espécie de retrato negativo das causas da divergência da economia portuguesa face à UE (não é a evolução dos preços relativos, não é a intensidade das reformas nem a qualidade das nossas instituições, não são as diferenças de fiscalidade, não é a regulação do mercado, etç.) Salientou, por outro lado, a capacidade potencial existente para absorção de tecnologia, daí a importância que o investimento estrangeiro tem para Portugal.
Blanchard fez um diagnóstico dos nossos problemas económicos, mais "normal" do que acontece frequentemente com muitos portugueses, que gostam de salientar a "anormalidade" do caso português (no fundo, acho que ainda são resíduos da tese de António Sérgio sobre a nossa "mentalidade" retrógrada, a necessitar de "reforma", etç; se fossemos diferentes a nível dos estímulos, precisaríamos de uma teoria económica diferente só para nós, não é assim?). Blanchard encontrou até semelhanças entre a nossa evolução recente e a França de algum tempo atrás.
Disse Blanchard que a situação que tivemos, de taxas de juro baixas e uma visão optimista quanto ao futuro, explicam o agravamento, naquela altura, do endividamento e o défice fiscal. Agora é fácil dizer que foi um erro de antevisão (das famílias, das empresas, do governo) mas durante o boom fazia sentido. Por outro lado, admitiu que alguns indicadores poderiam ter alertado para uma reacção mais a tempo.
O economista de origem francesa foi igualmente muito franco quanto ao nosso futuro: ou ajustamos a economia com aumentos de produtividade, o que vai ser lento (10 anos, e se correr tudo bem) ou o fazemos com diminuição dos salários reais, o que pode ser mais rápido, mas também mais doloroso (ou mais... impossível!...)
O resto da conferência teve boas comunicações, igualmente com boas intervenções dos comentadores convidados. Uma intervenção descabida e desagradável foi protagonizada por Paulo Trigo, ao comentar (como convidado) a comunicação de Susana Peralta acerca da autonomia da fiscalidade local. A análise de Susana Peralta, por aplicação da Teoria dos Jogos ao ciclo eleitoral das autarquias locais, colocou a hipótese da fraca autonomia fiscal das autarquias e correspondente pouca transparência na afectação dos recursos fiscais, criar condições para a permanência/reeleição de políticos "egoístas", que procuram rendas para si próprios, em contrapartida com políticos "altruístas". Foi uma tese original (para mim) e bem explicada.
Paulo Trigo, que tinha feito antes uma critica cientificamente fundamentada a uma comunicação de André Castro Silva, enveredou por uma "crítica" ideológica a Susana Peralta - não só à sua comunicação, mas também à própria pessoa. Referindo ser ele mais velho e ter "conhecido" o período anterior à Revolução (mas, pela idade, até nem deve ter conhecido grande coisa...) sugeriu ignorância da jovem economista da Universidade Nova, e, até, que ela estaria a defender o salazarismo, "que não dava direito de voto às mulheres", etç. A comunicação de Susana Peralta não dizia nada disso, mas Paulo Trigo parece ter ficado incomodado com a simples sugestão de que no sistema democrático actual se geram efeitos económico-políticos perversos, como o já referido.
Ora, creio eu que um investigador que detecte, na sua investigação, efeitos perversos, deve divulgá-los, independentemente de isso beliscar os mecanismos democráticos. A ciência não tem que se auto-limitar com a ideologia ou o "politicamente correcto". Colocar hipóteses desagradáveis, testá-las e divulgá-las, ainda que possam vir a ser mais tarde infirmadas, é algo que deve ser elogiado e não criticado . Será o sistema democrático uma vaca sagrada onde não se possa tocar? Creio que não.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
(título do Público)
É verdade que o Jorge Palma descobriu que nunca é tarde para se ter uma infância feliz. Mas não será um bocadinho tarde, Sr. Presidente?...Ai o Estado...
| André Carraro é um economista brasileiro que, entre outras coisas, lecciona na Universidade de Santa Cruz do Sul e escreve para o blogue Economia Everywhere; na revista "Contexto Económico" encontramos um seu texto sobre "Economia x Corrupção", onde lista as desvantagens e vantagens da corrupção. Vale a pena atentar nestas últimas: |
«Qual é o benefício da corrupção? Bem ou mal, os investimentos acontecem e os processos têm andamento. Quando um empresário encontra um funcionário público honesto, que segue as regras e as normas estabelecidas, o custo para a empresa é a lentidão no andamento dos processos, já que existe excesso de regulamentação. Assim, a saída para o empresário é encontrar um funcionário que demande propina
Não existe competição dentro do serviço público, assim como não existe competição pela oferta de serviço público. Existe, sim, o chamado poder discricionário, ou seja, alguém tem o poder de decidir quem vai receber o serviço ou o bem público, através da utilização de critérios técnicos ou políticos. É desta forma que ocorre a venda do serviço público. Para a sociedade, isso tem um custo imenso, pois o resultado é a redução da rentabilidade do capital ao menor investimento.
O que fazer? Não existe uma resposta única e definitiva, mas um procesos em discussão. Enquanto acharmos que a solução para o fenómeno da corrupção no Brasil está na denúncia e na punição de indivíduos, não haverá mudança nas regras do jogo. As regras do jogo estão equivocadas. A formação do Estado está equivocada. A solução para a corrupção está na denúncia do fracasso do Estado nacional. É preciso mudar o enfoque, pois a corrupção é um problema de instituições equivocadas.»
Noutro post pergunta ao leitor que prenda daria ao presidente Lula no jogo do "amigo oculto": a) um livro do Saramago b) a reeleição c) o jogo banco imobiliário d) um novo ministro da fazenda e) um projecto de governo (via De gustibus) |
Bons conselhos
| «Algumas noções de Direito para blogueiros»: texto que se reporta ao Brasil mas que tem ensinamentos generalizáveis. Via Economia Everywhere, onde funciona como aconselhamentos a potenciais comentadores. Eis alguns excertos: Alguns cuidados na redação de críticas |
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