segunda-feira, dezembro 05, 2005

Declaração de Lisboa

"Declaração de Lisboa" é a designação do documento aprovado pelo "Parlamento Cultural Europeu", uma organização informal criada em 2001 por intelectuais, que esteve reunida nos últimos três dias na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sob o lema "Como pode a cultura europeia promover a coesão europeia?". O documento ontem aprovado classifica a cultura como "força motriz" para a criação de uma "sociedade progressista, aberta e inclusiva", além de poder constituir um "valor acrescentado à economia", e afirma que "as pessoas da cultura e das artes são um forte recurso humano para tornar a Europa na mais competitiva e dinâmica economia dirigida ao conhecimento em 2010".

As conclusões, no entanto, foram consideradas insuficientes por alguns dos participantes: "Não podemos apenas continuar a repetir ideias filosóficas. Temos de ser mais específicos para o futuro".

O Parlamento Cultural Europeu (European Cultural Foundation) foi fundado em 2002 tendo a sua primeira sessão decorrido em Bruges, na Bélgica. Seguiram-se sessões na Áustria (Graz, 2003) e em Itália (Génova, 2004). No início do corrente ano o PEE divulgou o relatório: "Europe as a Cultural Project".



Jorge Sampaio na sessão de abertura
(Rádio Renascença)
Referências on-line:
  • Diário de Notícias
  • Jornal de Notícias
  • Rádio Renascença
  • Público
  • Correio da Manhã
  • programa da reunião
  • sábado, dezembro 03, 2005

    Susanna Francke

    Susanna Francke
    Ficheiro mp3 - 16:17 min. - 7.5MB - 26.Set.2005
    Susanna Francke, considerada a "Mulher Economista do ano" em 2005 pela Stockholm School of Economics, na sequência da sua graduação em Contabilidade e Gestão Financeira, fala sobre as suas aulas e sobre as razões pelas quais não há mais mulheres economistas.
    «Penso que há dois factores importantes com que teremos de lidar [para aumentar o número de mulheres economistas]. Um é estar alerta para esta questão. Temos de ter consciência de que existem mulheres extraordinárias que são capazes e estão dispostas a ter grandes carreiras, trabalhando como gestoras, etç. E penso que o segundo factor é ter tutores, exemplos que permitam mostrar que funciona e que é possível para as mulheres ter carreiras neste campo.»

    Susanna Francke

    O prémio "Mulher Economista do ano" foi criado por Barbro Ehnbom, que se formou na Stockholm School of Economics em 1967. Ehnbom, actualmente a residir nos EUA, fez a sua carreira nas áreas do marketing, finanças empresariais e investimentos bancários. «Recordo os meus tempos de estudante na SSE como um período maravilhoso da minha vida. Ter uma formação na SSE pode constituir um importante activo, o que foi evidente para mim ao longo de 20 anos a lidar com o mais elevado nível da administração de empresas suecas. Contudo, noto também que nunca encontrei outra mulher a trabalhar a este nível.»
    Foto de Susanna Francke com Barbro Ehnbom.

    url do podcast:
    http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20050924-292.mp3

    sexta-feira, dezembro 02, 2005

    Isto não é um "post"

    "This is Not an Article: Just Some Thoughts on How to Write One"
    Um paper de Carsten Sorensen sobre "como escrever um artigo" (ficheiro pdf).

    Mais choques fiscais ?

    O Banco de Portugal disponibilizou em linha o estudo de Ricardo Mourinho Félix, "A macroeconomic structural model for the Portuguese economy", o qual «apresenta um modelo macroeconómico, com alguns fundamentos micro, para uma pequena economia aberta. O principal objectivo é a simulação do ambiente externo e de choques de política fiscal. [...] o impacto nos principais agregados macroeconómicos de choques ambientais externos pode ser avaliado no pressuposto de que o governo ajusta automaticamente a taxa de imposto sobre os rendimentos para cumprir os requisitos orçamentais. Além disso, é conhecido que o impacto de choques fiscais depende crucialmente da capacidade dos agentes para ajustarem o seu comportamento às mudanças de política fiscal, de acordo com a sua antecipação de futuros desenvolvimentos económicos. [...] neste estudo o modelo está calibrado para a economia portuguesa e para os requisitos orçamentais (um objectivo de défice oraçmental de 3% do PNB e de endividamento de 60 % do PNB).»

    Prisioneiros do dilema


    «Depois de ter mantido as taxas de juro inalteradas durante mais de dois anos, o Banco Central Europeu subiu finalmente a sua taxa de referência um quarto de ponto percentual. O Banco está a tentar estabelecer a sua credibilidade como falcão da inflação, mas isso pode ser difícil de conseguir sem ameaçar a frágil recuperação de algumas das maiores economias da zona euro.»

    The Economist

    Natal sem prendas


    Santos de casa não fazem milagres

    «A partir de hoje, dia 2 de Dezembro, e até final do ano, os serviços integrados (administração central) e os serviços e fundos autónomos (serviços com autonomia administrativa e financeira, na sua maioria institutos públicos) estão impedidos de assumir quaisquer compromissos de despesa, sejam de funcionamento ou de investimento. Emanuel dos Santos, secretário de Estado do Orçamento, fez seguir ainda na noite de quarta-feira, dia 30, uma circular emitida pela Direcção Geral do Orçamento (DGO) onde define a limitação total de despesa em Dezembro. O Executivo pretende assim travar as "despesas efectuadas por muitos serviços e organismos, no final do ano, com a finalidade de esgotar as verbas ao seu dispor". [...] É de esperar contestação por parte de alguns dirigentes uma vez que, tal como outra fonte avançou ao Semanário Económico, "há muitos serviços que gerem os duodécimos para acumular em Dezembro montantes que lhes permitam fazer certas despesas de maior montante".»

    Semanário Económico

    O Governo garantiu que iria controlar o défice sem recurso a "medidas excepcionais". Mas não será esta uma medida excepcional?

    quarta-feira, novembro 30, 2005

    Desenrascanço


    Desenrascanço ou "Management Improvisation" ?

    "Management Improvisation" é um paper de Manuel Pina e Cunha, professor da Universidade Nova de Lisboa. O autor define "Management Improvisation" deste modo: «concepção da acção à medida que ela se desenvolve num contexto organizacional, utilizando os recursos materiais, cognitivos, afectivos e sociais disponíveis. É uma prática individual que ocorre à luz de circunstâncias concretas. As pessoas improvisam para resolver problemas práticos que emergem em resultado de circunstâncias específicas e não planeadas. Neste sentido, a improvisação não pode ser gerida nem controlada.» [1]

    Dito assim até parece um sinónimo de "desenrascanço", conceito que o Free Dictionary e a Wikipédia definem como «palavra portuguesa usada em Portugal para exprimir a capacidade para resolver um problema sem as ferramentas ou técnicas adequadas, e pelo recurso à imaginação em face de novas situações [...] o oposto de planear: é tratar de conseguir que um qualquer problema não fique fora de controlo e sem solução.» [2]

    Quem sabe: pode ser que ainda passemos à história como os campeões desta modalidade de gestão, que parece estar a adquirir dignidade académica - a revista Organizational Science dedicou-lhe uma edição em 1998. Na citada entrada do Free Dictionary conta-se a lenda de que «nos séculos XVI e XVII era muito comum que outros países exploradores, tais como a Holanda, levassem portugueses a bordo nas viagens marítimas, porque os portugueses eram alegadamente os mais capacitados e conhecedores em lidar com emergências inesperadas, quando o controlo do navio lhes era confiado.»

    Confiança, portugueses! Não deve vir longe o dia em que a gestão mundial das empresas nos seja confiada. Preparemo-nos, pois, da melhor maneira que conhecemos : não nos preparando!


    [1] - "conception of action as it unfolds in an organizational context, drawing on the available material, cognitive, afective and social resources. It is an individual practice which takes place in light of concrete circumstances. People improvise to solve practical problems which emerge as a result of specific and unplanned circunstances. In this sense, improvisation can be neither managed nor controled."
    [2] - «a Portuguese word used in common language in Portugal to express an ability to solve a problem without the adequate tools or proper technique to do so and by use of sometimes imaginative resourcefulness when facing new situations [...] the opposite of planning: it's managing that any problem does not get completely out of hand and beyond solution.»

    Presunção e subtileza

    A intervenção de Portugal - pela voz do ministro Mariano Gago - na Cimeira Mundial da Sociedade da Informação, que teve lugar recentemente em Tunes, encontra-se aqui. Recordemos os temas "quentes" da Cimeira: a criação de oportunidades para os países mais pobres (objectivo da ONU) e o controlo da Internet (preocupação dos países ricos). Pois leiam o que foi dizer o nosso ministro a Tunes: que Portugal foi o "primeiro país de comunicação global", que foi um dos primeiros da Europa a ligar todas as escolas à Internet, que o acesso gratuito à Internet é garantido em centenas de espaços públicos, que os computadores para estudantes vão ser pagos em 50% pelo Estado, etç. Quanto ao tema propriamente dito da Conferência, vale a pena ler a única referência que lhe é feita:
    «Quando nos empenhamos no reforço da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, sabemos o papel insubstituível das línguas naturais no acesso de toda a sociedade ao conhecimento e reconhecemos a importância da consolidação de comunidades linguísticas na ligação em rede de todos e na diversidade cultural que a permite e exige.»
    Perceberam? Nós também não.

    terça-feira, novembro 29, 2005

    Esquizofrenia


    Setúbal: sucesso ou fracasso?

    O estudo coordenado por Augusto Mateus, referido no post de baixo, trouxe-me à memória outros estudos realizados pela empresa daquele economista, em 1993. Um deles fora encomendado pela Operação Integrada de Desenvolvimento da Península de Setúbal (OID) para avaliar o impacto dos investimentos daquele programa. Após a crise dos anos 80, o governo de Cavaco Silva aceitara aplicar a Setúbal um modelo descentralizado, sugerido pela Comissão Europeia para ultrapassar a falta de articulação estratégica entre os diferentes fundos (FEDER, FSE, FEOGA, etç): uma "operação integrada", que durou entre 1989 e 1993. Já na recta final a OID encomendou o citado estudo, cujas conclusões foram muito simpáticas: "Setúbal pode orgulhar-se de uma nova dinâmica empresarial. O tecido da região é formado por empresas de pequena dimensão, vocacionadas para novos sectores de actividade, mas também dominado por meia dezena de grandes projectos de capital estrangeiro" - lia-se no jornal Público de 10 de Novembro de 1993, dia em que seria feita a apresentação pública do referido estudo - ver fac-simile da notícia.

    Mas o mesmo jornal, na mesma página, apresentava um outro estudo, baseado em 32 empresas de Setúbal, que era bem menos simpático para a região: "Os trabalhadores portugueses têm em média, o nível de formação técnica mais baixo da Europa, sendo a Península de Setúbal um dos exemplos mais marcantes da falta de formação profissional adequada." Este estudo tinha sido encomendado pela central sindical CGTP e tinha sido realizado, imaginem, por... Augusto Mateus! O jornal cita inclusivamente uma frase deste economista: "os empresários portugueses continuam avessos ao risco e contagiam os seus trabalhadores, gerando-se uma cadeia que dificulta os índices de produtividade". Lado a lado, na mesma página de jornal, duas imagens aparentemente contraditórias sobre a economia da mesma região.

    Não deve escapar a um observador atento que, tendo o primeiro estudo sido encomendado pela OID, entidade que gerira a aplicação dos fundos, lhe interessava que o retrato fosse "positivo". E à CGTP, logicamente, interessava que o diagnóstico salientasse as deficiências patronais na "formação" dos trabalhadores. Atente-se na frase de Augusto Mateus: são os empresários que "contagiam" os trabalhadores com o seu mau exemplo - how convenient...

    É claro que se pode dizer - e com fundamento - que os estudos não são comparáveis com esta simplicidade, porque abordam realidades económicas diferentes, embora incidindo sobre a mesma região. Por outro lado, o jornal não reproduz exactamente os estudos, mas sim a "papinha feita" preparada, quer pela OID quer pela CGTP, para os apressados jornalistas que rapidamente elaboram as notícias com base nos "resumos" que lhes são facultados, por escrito ou oralmente, nas conferências de imprensa.

    Ainda assim, não deixa de ficar no ar uma certa suspeita de que este tipo de estudos, ainda que factualmente bem elaborados, têm apenas as conclusões e consequências que interessam aos seus "donos" - os que por eles pagaram. O modo como os próprios temas a analisar são previamente definidos, e a divulgação que lhes é dada, condicionam a "mensagem" à medida dos interesses dos mandantes - veja-se o caso do aeroporto da Ota. As empresas que realizam estes estudos respondem a encomendas, talvez não se lhes possa exigir muito mais - mas falta aqui alguma capacidade crítica, nomeadamente dos meios de comunicação, que deveriam saber interpretar estes estudos para além dos "press releases". Este é um problema que toma crescente acuidade à medida que se intensifica o número de estudos que são divulgados.

    A página 43 da edição do jornal Público de 10 de Novembro de 1993 fica assim recordada como mais um exemplo da esquizofrenia nacional.

    Dividir o bolo antes ou depois?


        Curva de Kuznets

    O jornal Público de hoje inclui um dossiê sobre o estudo "Competitividade Territorial e a Coesão Económica e Social", realizado por uma equipa dirigida pelo economista Augusto Mateus, onde se conclui que os fundos comunitários ajudaram a aumentar a coesão de Portugal mas falharam na competitividade. Esta ideia faz recordar a hipótese de Kuznets de que o desenvolvimento faz-se inicialmente à custa do aumento das desigualdades sociais, e que a coesão só surge depois de consolidado o desenvolvimento: hipótese que ficou conhecida como a "curva em U invertido de Kuznets". Esta possibilidade lançou um debate - hoje aparentemente esquecido - nas hostes da Economia do Desenvolvimento sobre se devia "dividir o bolo" antes do desenvolvimento ou depois do desenvolvimento. A ideia é de que o resultado não seria indiferente à escolha: querer "dividir o bolo" (= atenuar as desigualdades sociais) antes do desenvolvimento poderia comprometer o próprio desenvolvimento, pois seriam afectados recursos para fins não reprodutivos, embora contribuissem para melhorar o nível de vida das pessoas.

    Aparentemente esta questão coloca-se com muita acuidade em Portugal: muitos dos investimentos realizados pelo país, particularmente impulsionados pelas ajudas comunitárias, melhoraram o nível de vida dos portugueses mas não impulsionaram a economia no sentido de uma maior produtividade/competitividade. Admito mesmo a hipótese de que o "dinheiro fácil" e as obras ganhas sem grande esforço serviram para "amolecer" as empresas no que diz respeito à competitividade, acentuando ainda mais a atitude "rent seeking".


    Notas:
    (a) Sobre a "curva de Kuznetz" leia-se o texto "Kuznets’s Inverted U-Curve Hypothesis" (pdf)
    (b) a "curva de Kuznets" é actualmente muito referida mas numa outra variante, a "curva ambiental de Kuznets" ou "curva ambiental em U invertido": os impactos ambientais negativos (poluição, etç) aumentariam numa fase inicial do desenvolvimento e só diminuiriam numa fase posterior - ver imagem, retirada daqui.

    A miragem do ouro

    «As referências persistentes à venda do ouro do Banco de Portugal, não só para a redução do défice orçamental, mas principalmente para a constituição de um fundo que seria o impulsionador da retoma do nosso crescimento económico, revelam um desconhecimento profundo da problemática do ouro e criam expectativas salvíficas a que somos propensos, mas que no caso em apreço só podem conduzir a mais uma desilusão.

    A miragem assenta num duplo equívoco: a receita total da venda do ouro reverter para o tesouro e a possibilidade de vender a curto prazo, diga-se três ou quatro anos, a totalidade do ouro do Banco de Portugal [...]»

    Manuel Jacinto Nunes
    em "carta ao Director" do jornal Público

    Modernices

    As Estatísticas Demográficas, do INE, revelam que a população residente em Portugal no final de 2004 andaria pelos 10 milhões e meio de indivíduos. Relativamente a 2003, diminuiram os nascimentos (2,9%) os falecimentos (6,2%), os casamentos e a mortalidade infantil, que atingiu o valor mais baixo de sempre: 3,8‰A população estrangeira aumentou 6% em relação ao ano anterior. Aumentou também o número de divórcios.

    Peter Drucker

    «Há 30 anos quando estudei vagamente Economia no Quelhas no então ISCEF, em Lisboa, Peter Drucker não era sequer uma nota de pé de página, que eu me recorde. A Academia ignorou-o durante muito tempo, apesar de ele ter sido um dos primeiros "professores de gestão" (tal qual, assim designados) na Universidade de Nova Iorque nos anos 50... já não falando no "pequeno" acidente histórico de ter sido ele o fundador da doutrina do management. [...] Descobri-o, por puro acaso, ao ler a revista Fortune e fiquei deliciado com a sua visão do "empreendedor", com o papel histórico dessa gente, que ele fora beber a Schumpeter, uma "lenda" da Economia que ele conhecia desde Viena de Áustria, a sua terra natal. Devorei, então, o livro Inovação e Gestão (no original inglês "Inovação e Empreendedorismo") que havia sido traduzido pela Presença naquele ano de 1986. Nunca mais deixei de andar à caça destes "actores" (como começou a ser chique dizer-se) económicos. Drucker tinha-me pegado o vírus do management, mas pelo lado mais encantador - o da história.»

    Jorge Nascimento Rodrigues - "Uma dívida pessoal"


    Jorge Nascimento Rodrigues é o editor da Janela na Web, uma notável página sobre Economia e Gestão que está a comemorar o 10º aniversãrio, e que consistentemente tem divulgado as ideias e salientado a importância de Peter Drucker.

    Outros textos da Janela na Web sobre Drucker:
    | O filme do management | Quando o management largou o bibe | A mudança não se gere | A primeira biografia de Drucker |

    segunda-feira, novembro 28, 2005

    Gestão de expectativas

    «Nós [BPI Gestão de Activos] em geral não perdemos muito tempo a prever o que vai acontecer no futuro. Não é uma boa utilização do tempo. Nos últimos dois anos quase toda a gente tem previsto que as taxas de juro vão subir e, apesar disso, elas têm descido. Em relação ao dólar todas achavam que ia cair. Mas, no princípio do ano, o euro valis 1,36 dólares e agora está a 1,17 dólares. Uma coisa com que nós perdemos tempo é a ver aquilo que toda a gente está a prever. Se toda a gente previr que vai haver um engarrafamento nas Amoreiras às seis da tarde é possível que haja pessoas que escolham outro caminho alternativo e já não haja esse engarrafamento. O facto de uma coisa ser prevista faz com que ela provavelmente não venha a acontecer.»

    Francisco Magalhães Carneiro
    Revista DiaD, jornal Público

    Gary Becker  Richard Posner

       The Becker-Posner Blog  
    Ficheiro mp3 - 19:22 min. - Julho.2005
    Gary Becker e Richard Posner falam sobre o seu blogue onde, semanalmente, comentam um assunto de actualidade, dialogando entre si sobre as respectivas opiniões. A propósito: o tema desta semana é a potencial pandemia da gripe das aves.
    «Eu escrevi uma coluna semanal na Business Week durante quase 20 anos e eu sinto que a qualidade dos comentários que obtemos aqui são consideravelmente de maior qualidade do que aqueles que eu tinha na Business Week. Ali geralmente recebia comentários zangados, a maior parte das vezes negativos, algumas vezes a insultar. No blogue não obtemos muito disso. Em geral [os comentadores] insultam-se uns aos outros, há muita discussão entre eles, são menos polidos entre eles do que são para connosco. Mas concordo [com Posner] em que os comentários são de alta qualidade.»

    Gary Becker

    url:
    http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20050728-171.mp3

    Défices ocultos

    «Engenharias, línguas e agronomia são áreas em que muitos cursos de Ensino Superior estão em risco de fechar portas. E isto porque, este ano lectivo, 213 cursos viram ingressar menos de 10 alunos no primeiro ano. As instituições de ensino mais penalizadas são as do interior do país, que já começaram a despedir professores contratados.»

    Jornal de Notícias


    "Como se fazem terroristas
    Tropas dos EUA disparam por engano sobre
    um veículo, matando família e duas crianças."
    Desenho de Jeff Danziger - Slate [clique]

    domingo, novembro 27, 2005

    Terra Sã

    «O Plano Nacional de Agricultura Biológica, apresentado em Maio de 2004 pelo ministro Sevinate Pinto, está parado. No entanto, o número de operadores não pára de crescer em Portugal, referência que também se pode avaliar pela dimensão da feira Terra Sã, que hoje termina, em Lisboa, e na qual participa um número recorde de expositores (150). Três meses após de ter sido divulgado, o Plano passou para as mãos do ministro Costa Neves, que manifestou a intenção de o reformular. Está agora com Jaime Silva que ainda não se pronunciou sobre o assunto.»

    In Jornal de Notícias

    Políticas de Estado

    «Em Espanha existem políticas de Estado. Não dependem de partidos nem de ministros. Em Portugal é preciso políticas de Estado, não [políticas] de ministros. O governo tem que fazer o que os empresários estão habituados: correr riscos e ganhar.»

    António Nogueira Leite no
    V Congresso dos Empresários do Centro
    citado pelo jornal Público

    sexta-feira, novembro 25, 2005

    Viagens de uma T-shirt

    The Travels of a T-Shirt in the Global Economy

       Viagens de uma T-shirt: entrevista com Pietra Rivoli  
    Ficheiro mp3 - 27:43 min. - 28.Maio.2005
    Pietra Rivoli, fala sobre o seu livro,
    "The Travels of a T-Shirt in the Global Economy".

    Pietra Rivoli é professora associada na Universidade de Georgetown, tendo-se especializado em comércio internacional, finanças e temas sociais nos negócios. Rivoli ficou curiosa acerca da vida de uma humilde T-shirt quando, numa acção de protesto contra a OMC, em 1999, ouviu uma estudante a perguntar aos protestantes se sabiam de onde é que vinham as suas T-shirts. Rivoli não sabia, e desconfiava que a estudante que falava acerca do trabalhador "sem nome e sem cara" que a tinha fabricado e sobre as condições de vida e de trabalho dessa pessoa, também não sabia. Iniciou então uma viagem à procura das origens das humildes T-shirts, que a levou à China. O livro de Rivoli pretende ser acerca da globalização, não a favor ou contra, embora as questões económicas, políticas e morais sejam incontornáveis

    O livro foi um dos 6 finalistas do prémio de melhor livro de negócios de 2005, atribuído pelo Financial Times e pela Goldman Sachs, cujo vencedor foi "The World is Flat" de Thomas Friedman.
    Leia um excerto do livro de Pietra Rivoli aqui.
    url:
    http://141.161.44.24:80/qtmedia/MP3/T-shirtWorldTrade.mp3

    Darwinismo empresarial

    «Porque é a Toyota a companhia automóvel de maior sucesso? Será o resultado de "Intelligent Design" (ID) ou da Evolução?

    «Um pouco das duas coisas, mas foram as inexoráveis forças da evolução, num ambiente de constrangimentos, que transformaram o intelligent design num dos requisitos para a sobrevivência. O imperativo evolucionista é sempre: "adaptar ou morrer".

    «As pressões ambientais que a Toyota sempre teve de enfrentar nos EUA são um factor de produção que apenas as empresas nacionais podem comprar, ou seja: os políticos americanos.

    «Enquanto as empresas nacionais e os seus sindicatos conseguiam obter rígidas barreiras alfandegárias e regulamentação protectora, a Toyota viu-se forçada a competir em termos de qualidade e focando-se no consumidor.

    «A longo prazo, o proteccionismo dos EUA revelar-se-á provavelmente a melhor coisa que aconteceu à Toyota e, ao mesmo tempo, o factor primário a atirar a General Motors e o sindicato United Auto Workers para o caixote do lixo da história.»

    in Catallarchy

    Conjuntura

    "Síntese Económica de Conjuntura" do INE, relativa ao terceiro trimestre de 2005.
    «Durante o terceiro trimestre verificaram-se alguns sinais de recuperação da actividade, embora sem reflexos no andamento dos indicadores de clima e de actividade. Tais sinais concentraram-se em alguns subsectores da indústria transformadora e dos serviços. Por outro lado, registaram-se evoluções desfavoráveis, já esperadas, no comércio, devido ao impacto da antecipação para Junho de compras de bens duradouros. Outro elemento relevante foi a aparente recuperação das exportações, o que em combinação com a moderação das importações torna verosímil uma contribuição positiva da procura externa líquida para o crescimento da economia. No mercado de trabalho verificou-se um ténue crescimento do emprego, insuficiente para absorver o aumento da população activa, pelo que a taxa de desemprego aumentou, atingindo um valor máximo. Em todo o caso, as ofertas de emprego têm revelado uma tendência de aumento, enquanto os pedidos de emprego por parte de desempregados nos Centros de Emprego têm diminuído.»

    quinta-feira, novembro 24, 2005

    Isabel de Castro 1931-2005

      Isabel de castro- foto de  www.nuestrocine.com

    Isabel de Castro estreou-se aos 14 anos no filme "Ladrão Precisa-se" e em três peças portuguesas no Teatro Estúdio do Salitre. Diplomada pelo Conservatório Nacional, partiu para Espanha onde, durante seis anos, foi uma presença regular no cinema tendo trabalhado com alguns dos mais destacados nomes do cinema espanhol de então como Rovira Belleta, Fernando Fernán Gómez, Franciso Rabal, López Vasques, Ana Mariscal e Conchita Velasco. Regressou depois a Portugal onde se dedica ao teatro e ao cinema, tendo sido uma presença constante em filmes de realizadores como Perdigão Queiroga, Henrique de Campos, João Botelho, Alberto Seixas Santos, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Paulo Rocha, Pedro Costa, Manuel Mozos, António de Macedo, Manoel de Oliveira, entre outros.

    Filmografia em Portugal
     A Dupla Viagem 2002
     Henrique  2001 
     O Fato 2000
     Amo-te, Teresa 2000
     Quando Troveja 1999
     O Anjo da Guarda 1999
     Ilhéu de Contenda 1999
     Glória 1999
     A Sombra de Cain 1999
     Uma Voz na Noite 1998
     Tráfico 1998
     Jerónimo 1998
     Desvio 1996
     A Testemunha 1998
     Viagem ao Princípio do Mundo 1997
     Casa de Lava 1995
     Três Palmeiras 1994
     Vale Abraão 1993
     O Miradouro da Lua 1993
     Chá Forte Com Limão 1993
     Aqui Na Terra 1993
     Xavier 1992
     Vertigem 1991
     O Sangue 1991
     A Lição de Inglês 1990
     A Sétima Letra 1989
     Uma Pedra no Bolso 1988
     Três Menos Eu 1988
     Tempos Difíceis 1988
     Mensagem 1988
     O Desejado ou
    As Montanhas da Lua
    1987
     Um Adeus Português 1985
     Jogo de Mão 1984
     Sem Sombra de Pecado 1983
     Conversa Acabada 1982
     Francisca 1981
     Passagem - Ou a Meio Caminho 1980
     O Rei das Berlengas 1978
     Brandos Costumes 1975
     O Destino Marca a Hora 1970
     Domingo à Tarde 1966
     Fado Corrido 1964
     Sexta-Feira, 13 1962
     As Pupilas do Senhor Reitor 1961
     O Dinheiro dos Pobres 1956
     Heróis do Mar 1949
     Fogo! 1949
     Ladrão, Precisa-se!...


    1946


    Filmografia em Espanha
     Sombras de una batalla1993
     Jamón! Jamón!1992
     Martes y trece1962
     El golfo que vió una estrella1953
     Hay un camiño a la derecha   1953
     El sistema pelegrín1951
     La danza del corazón1951
     Brigada criminal1950
     ¡Fuego!1949
     Barrio (Vajda)1947

    Artistas Unidos

    quarta-feira, novembro 23, 2005

    Teoria do Consumidor

    Ficheiro mpeg - clique ou copie para o leitor virtual:

    http://www.nebo.edu/misc/learning_resources/ppt/sounds/nosmoking.mpg

    segunda-feira, novembro 21, 2005

    Golos na própria baliza

    O Banco de Portugal publicou os Indicadores de Conjuntura, com dados de Outubro, onde se salienta o abrandamento do consumo privado - eventualmente devido à antecipação da aquisição de veículos imediatamente antes do aumento do IVA.

    Também no 3º trimestre de 2005 a indústria transformadora registou uma diminuição de 1,1 % - ainda assim inferior à diminuição registada nos trimestres anteriores.

    Outros indicadores de Outubro já conhecidos são a taxa de inflação homóloga (2,7 %) e a taxa de desemprego (7,7 % no 3º trimestre). O défice da BTC agravou-se em 2 325 milhões de €. O relatório indica ainda a previsão da Comissão Europeia de um défice público de 6 %.

    As previsões da Comissão Europeia de crescimento do PIB para a área do euro são as seguintes:

      Produto interno bruto 
    Novembro 2005
    (variação percentual)
      2005    2006    2007  
     Área do Euro1,31,92,1
       Alemanha0,81,21,6
       França1,51,82,3
       Itália0,21,51,4
       Espanha3,43,23,0
       Países Baixos       0,52,02,4
       Bélgica1,42,12,0
       Áustria1,71,92,2
       Portugal0,40,81,2
       Grécia3,53,43,4
       Finlândia1,93,53,1
       Irlanda4,44,85,0
     Fonte: Comissão Europeia - via Banco de Portugal

    A confirmarem-se estas previsões,  o crescimento português será sensivelmente metade da média dos países do €, será o mais baixo de todos esses países, e ficará bastante abaixo da Irlanda e da Grécia - bastante mais abaixo do que aconteceu no outro Euro, que tanto emocionou os portugueses. Será que também se irão emocionar com estes "golos" na própria baliza?

    Integração Europeia

    "Gás é 37% mais barato em Espanha"
    «Os consumidores portugueses pagam, em média, mais 37% do que os seus congéneres espanhóis por cada quilograma de gás butano de botija. No gás propano, utilizado pela indústria, os preços por quilograma engarrafado são quase 50% mais caros em Portugal do que no vizinho ibérico.»

    Diário de Notícias

    PT: "Invenção política eleitoral"


    Henrique Neto

    «Tal como está, o Plano Tecnológico está errado. É um documento teórico, vago, que não teve em conta a realidade económica do país» - estas pouco "meigas" declarações foram proferidas por Henrique Neto, um conhecido empresário da área do Partido Socialista, presidente da Iberomoldes. E acrescenta que o problema está no facto de se tratar de «uma invenção política eleitoral» que foi colocada «num plano elevado de expectativas, com muitas empresas a esperar que lhes resolva os problemas.»

    Notícia do jornal Público

    "Ministro dos Passos Cómicos"


    Rudiger Dornbusch

    Rudiger Dornbusch, economista do MIT falecido em 2002, foi quem orientou mais directamente a equipa de doutorandos do MIT que esteve em Portugal em 1976 a elaborar, para o Banco de Portugal, o relatório "A Economia portuguesa: evolução recente e situação actual". Desta equipa fazia parte Paul Krugman que, numa nota de homenagem a Rudi Dornbusch, recorda (aqui) o seguinte episódio ocorrido durante esse período:

    «No Verão de 1976, um grupo de estudantes do MIT foi fazer um trabalho para o Banco de Portugal. O contacto inicial veio de Richard Eckaus, mas o líder efectivo da nossa missão - o homem que nos situou no terreno, apesar de depois termos trabalhado sozinhos - foi Rudi. Já escrevi acerca desta "cruzada de crianças" no ensaio "Incidentes da minha carreira", mas deixem-me acrescentar um pouco acerca do trabalho de Rudi.

    «A primeira coisa de que me recordo é de ter chegado - muito "jet lagged" - e de ir quase directamente para uma reunião com o Governador. Rudi também tinha acabado de chegar, mas estava totalmente concentrado e acutilante. Nunca consegui igualar a sua capacidade de viajar bem, mas aprendi dessa experiência a importância de ultrapassar as fragilidades quando há trabalho importante a fazer.

    «Mas mais importante foi o que nos disse depois, em privado. Mais ou menos, disse-nos para contarmos apenas connosco próprios. Os funcionários locais tinham toda a experiência e informação, mas eles não conheciam necessariamente melhor do que nós o que estava certo ou o que seria mais apropriado. Rudi alcunhou um determinado responsável, particularmente pomposo, como o "Ministro dos Passos Cómicos" ["Minister of Funny Steps"] - exactamente o tipo de desanuviador de tensão de que necessitávamos.»

    Quem seria o "Ministro dos Passos Cómicos"?

    É provável que Krugman se refira a Francisco Salgado Zenha, que foi Ministros das Finanças (do VI Governo Provisório) até ao dia 23 de Julho - o relatório tem data de 6 de Agosto e deve ter demorado algumas semanas a elaborar. Formado em Direito e sem qualquer especialização económica, Salgado Zenha ficou conhecido por várias gafes, a mais notável das quais foi a de ter respondido a um jornalista que o questionava sobre a recente subida de preços decretada pelo Governo, que só se tinha apercebido dos aumentos "quando fui encher o radiador com gasolina". Não se pode dizer que Salgado Zenha fosse especialmente pomposo, mas um primeiro contacto de economistas académicos com o peculiar Zenha pode ter deixado essa impressão.

    Honoris Causa

    Doutoramentos Honoris Causa do ISE


    Doutorado

    ReferênciasAno
    René Gonnard Professor de Economia Política e de História das Doutrinas Económicas da Universidade de Lyon. Membro do Instituto de França1934
    Daniel Faucher Professor de Geografia Económica e Director honorário da Faculdade de Letras de Toulouse. Antigo Vice-Reitor da Universidade de Toulouse1935
    Josiah Stamp Presidente da “London School of Economics” da Universidade de Londres. Presidente da “Economic Society” e da “Statistical Society”. Vice-Governador do Banco de Inglaterra. Membro da Câmara dos Lordes1936
    William Qualid Professor de Economia Política da Faculdade de Direito de Paris 1936
    Bruno Biagi Professor de Economia Corporativa da Universidade de Bolonha1937
    Lionel Robbins Professor de Economia Política da Universidade de Londres1939
    Gaetan Pirou Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris1939
    Louis Baudin Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris1948
    J. R. Hicks Professor da Universidade de Oxford1956
    Jan Tinbergen Professor do Instituto de Ciências Económicas de Roterdão1956
    Robert Mossé Professor da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Grenoble1956
    François Perroux Professor hornorário da Universidade de Paris e do Colégio de França 1960
    H. A. Wold Professor da Universidade de Upsala, Suécia1964
    Celso Furtado Ministro da Cultura do Brasil1987
    Alain CottaProfessor de Ciência Económica da Universidade de Paris IX – Dauphine. 1987
    Raymond Courbis Professor da Universidade de Paris X Nanterre1991
    Arnold Zellner Professor da Universidade de Chicago1991
    Michael E. Porter Professor da Harvard Business School1994
    Hans Wolfgang Singer Professor do Institute of Development Studies da Universidade de Sussex1994
    Joseph Stiglitz Professor da Universidade de Stanford2000
    Richard Brealey Professor da London Business School 2001
    Amartya Sen Professor no Trinity College em Cambridge2001
    José Silva Lopes Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral2004
    Fonte: ISEG

    António Manuel Pinto Barbosa


    Pinto Barbosa: reformador do ensino da Economia em Portugal

    O livro "António Manuel Pinto Barbosa - uma biografia económica" retrata a vida dum grande economista português, constintuindo simultaneamente um relato histórico de um período importante do ensino da Economia em Portugal e da sua escola de referência: o então ISCEF, depois ISE, e actualmente ISEG (também conhecido como "o Quelhas" ou "Económicas").

    O livro é da autoria do professor de Economia João César das Neves e do jornalista Francisco Azevedo e Silva. A 1ª edição é de 1999, da "Editorial Verbo", ISBN-9722219200. Os autores, no entanto, não consideram a obra como sendo um livro de história.

    O livro inclui coisas muito divertidas, como esta referência às dificuldades que os diplomados do ISCEF tinham em obter colocação, na década de 40:
    «Já depois da minha formatura, era eu professor, apareceu uma grande notícia nessa altura, quando um dos nossos diplomados tinha conseguido o lugar de chefe de repartição na Câmara Municipal de Lisboa. O Instituto quase que embandeirou em arco.»

    António Manuel Pinto Barbosa

    Pinto Barbosa, apesar da discordância da família, decide, com 23 anos, dedicar-se à carreira académica; é memorável o momento em que o jovem professor do ISCEF encontra o destacado professor de Economia da Faculdade de Direito de Coimbra, José Joaquim Teixeira Ribeiro, na altura da apresentação de um trabalho de Pinto Barbosa:
    «Você não percebe nada disto. Estude Economia a sério. Leia os clássicos de Economia»

    Teixeira Ribeiro

    O jovem professor sabia apenas... o que se ensinava no ISCEF na altura, e que estava muito desactualizado; estudavam-se coisas como Geografia e Físico-Químicas, por exemplo.

    Levando o conselho de Teixeira Ribeiro a peito, Pinto Barbosa viria a protagonizar a grande reforma do ensino da Economia em Portugal, vertida em lei em 1949. Mas a implantação real da reforma teve de vencer muitas dificuldades. Por exemplo:
    «Convencer o Ministério a aprovar a cadeira de Economia da Empresa foi muito complicado. Não entendia bem para que servia uma cadeira dessas!»

    António Manuel Pinto Barbosa

    José Braga de Macedo refere que a macroeconomia «chegou a Portugal nos anos 1940, pela mão de António Manuel Pinto Barbosa». Para além da actividade docente, Pinto Barbosa viria a ocupar cargos oficiais, como Ministro das Finanças entre 1955 e 1965, e Governador do Banco de Portugal.

    Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, sentindo não ter condições, demite-se do Banco central. A turbulência revolucionária que domina o ISCEF (então ISE) após a revolução impede Pinto Barbosa de continuar a leccionar na Escola que ajudara a formar. Foi então para Basileia como Consultor do Banco de Pagamentos Internacionais. Em 1978 aceitou um convite para leccionar na Universidade Nova (recusando um convite contemporâneo do ISE).

    Em 1987 chegou a altura da sua jubilação. Em 1989 saíu o livro "Nova Economia em Portugal – Ensaios em homenagem a António Manuel Pinto Barbosa" onde se incluem contributos de algumas lendas vivas da ciência económica: James Tobin (Nobel de 1983) e Robert Mundell, apara além de alguns dos maiores economistas portugueses contemporâneos: Teixeira Ribeiro, Pereira de Moura e Jacinto Nunes, entre outros. Pinto Barbosa é membro honorário da Ordem dos Economistas e foi recentemente nomeado para a Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal.

    Pinto Barbosa é pai de dois gémeos, ambos igualmente conceituados economistas: António Soares Pinto Barbosa (autor do livro Economia Pública) e Manuel Soares Pinto Barbosa. Ambos são igualmente musicos amadores de jazz, integrando os "Lisboa Swingers Big Band".

    domingo, novembro 20, 2005

    Acreditem - ou não.

    «Apesar do vasto número de religiões, quase toda a gente no mundo acredita nas mesmas coisas: a existência de uma alma, vida depois da morte, milagres e criação divina do universo. Recentemente, psicólogos que investigam mentes de crianças, descobriram dois factos relacionados que podem contribuir para este fenómeno. Por um lado, os seres humanos chegam ao mundo com uma predisposição para acreditar em fenómenos sobrenaturais. Por outro lado, esta predisposição é uma consequência acidental de um desvio do funcionamento cognitivo.»

    Paul Bloom, Is God an Accident?
    The Atlantic online

    O artigo citado é de acesso reservado a assinantes, mas o blogue Jewish Atheist transcreve grande parte:
    «Nós somos dualistas: parece intuitivamente óbvio que o nosso corpo físico e uma entidade consciente - a mente ou a alma - são genuinamente distintos. Não sentimos que sejamos os nossos corpos. Pelo contrário, sentimos que os ocupamos, que os possuímos, que somos os donos. Esta crença abre a possibilidade de que possamos sobreviver à morte dos nossos corpos. (...) E as crianças acreditam mais nisto do que os adultos, sugerindo que a noção de que a vida depois da morte é possível não é aprendida - embora tenhamos que aprender qual o tipo especifico de vida depois da morte em que a nossa cultura acredita (céu, reincarnação, um mundo de espíritos, etç.). É uma consequência de como naturalmente pensamos acerca do nosso mundo.»
    Mas, para os psicólogos citados por Bloom, isto é apenas metade da história:
    «O nosso dualismo permite-nos pensar em entidades e eventos sobrenaturais; é por isso que tais coisas fazem sentido. Mas existe outro factor que torna a sua percepção evidente, irresistível. Temos aquilo a que o antropólogo Pascal Boyer designou como uma  hipertrofia da cognição social . Vemos intenção, objectivo, mesmo quando ele lá não está.

    «Em 1944 os psicólogos sociais Fritz Heider e Mary-Ann Simmel realizaram um filme simples em que figuras geométricas - circulos, quadrados, triângulos - se moviam de certos modos sistemáticos, de forma a contar uma história. Quando viam este filme, as pessoas descreviam instintivamente as figuras como se fossem tipos específicos de pessoas (rufiões, vítimas, heróis) com objectivos e desejos, e repetiam em boa medida a mesma história que os psicólogos pretenderam contar.

    «Stewart Guthrie, um antropólogo da Universidade de Fordham, foi o primeiro académico moderno a reparar na importância desta tendência como explicação para o pensamento religioso. No seu livro "Faces in the Clouds", Guthrie revela casos e experiências que mostram que as pessoas atribuem características humanas a uma surpreendente gama de entidades do mundo real, incluindo bicicletas, garrafas, nuvens, fogo, folhas, chuva, vulcões, vento,etç. Somos hipersensiveis a sinais de agência - de tal forma que vemos intenção onde apenas existe artifício ou acaso. Tal como Guthrie escreveu, as roupas não têm Rei.
    (...)
    «O problema que ocorre com a [ teoria darwiniana da ] selecção natural é que não faz sentido em termos intuitivos. É como a física quântica: podemos aflorá-la intelectualmente, mas nunca nos há-de parecer certa. Quando vemos uma estrutura complexa, vemo-la como o resultado de crenças, objectivos e desejos. O nosso modo social de compreensão torna difícil aceitá-lo de outro modo. O nosso instinto exige um criador - um facto que é compreensivelmente explorado por aqueles que argumentam contra Darwin.
    (...)
    «Não é por isso surpreendente que se encontrem em formação nas crianças pontos de vista criacionistas. Miúdos de 4 anos insistem que tudo tem uma intenção, incluindo leões ("ir para o Zoológico") e nuvens ("chover"). Quando se pede para explicar porque é que um agregado de rochas é pontiagudo, os adultos preferem uma explicação física, enquanto que as crianças preferem uma funcional, tal como "para que os animais se possam roçar nelas quando têm comichão." E quando se lhes pergunta sobre a origem de animais e pessoas, as crianças tendem a preferir explicações que envolvem um criador intencional, mesmo quando os adultos que os educam não o fazem. O criacionismo - a e crença em Deus - está inserida no mais profundo de nós.»

    Reinvenção da roda


    Enganaram-se na roda, ou quê? [clique para ampliar]

    Um olhar distraído para a imagem ao lado pode criar a ideia de que alguém se enganou e colocou uma roda de bicicleta num automóvel - com maus resultados. Mas não: trata-se da "Tweel", um novo conceito de roda criado pela Michelin. A nova roda foi apresentada publicamente em Janeiro deste ano - ver o "press release".

    A roda utiliza materiais compósitos que se deformam perante os obstáculos, regressando à forma inicial com grande facilidade. Uma das vantagens da "Tweel" é que não necessita de enchimento de ar: uma tarefa desconfortável que resulta em que muitos carros andam desequilibrados, consumindo mais combustível, gastando mais os pneus e criando condições para acidentes. Mas a nova roda poderá também proporcionar vantagens nos usuais parâmetros relacionados com a aderência e conforto.

    O pneu radial, inventado há 50 anos, também pela Michelin, continuará a constituir o padrão das rodas de automóveis durante os próximos anos, mas a "Tweel" bem poderá ser a roda do futuro. Outras aplicações da "Tweel" podem ver-se nesta bicicleta e nesta máquina.

    Ganhar uns cobres?


    Consumo mundial de cobre [clique para ampliar]

    Segundo Daniel Gross, num artigo na revista "Slate", o cobre diz-nos "quase tudo o que precisamos saber sobra a economia global".

    Ao contrário do ouro, que parece andar ao contrário da economia (subindo quando as pessoas receiam a instabilidade e a inflação) o cobre é um grande indicador coincidente: " para onde vai a sorte do cobre, assim vai a economia mundial ".

    O cobre resiste à corrosão e é bom condutor, encontrando-se um pouco por toda a parte, nas instalações eléctricas dos edifícios e em praticamente tudo o que recorre à electricidade, o que significa muita coisa. Ultimamente o cobre tem beneficiado da explosão do sector da habitação e construção - e tem revelado ser um bom investimento. Sendo o cobre normalmente utilizado em moedas de baixo valor, a expressão "uns cobres" ganhou a conotação de coisa de baixo valor, mas parece que essa desvalorização já não corresponde à realidade.

    sábado, novembro 19, 2005

    Perigos da tecnologia

    Ficheiro mpeg - clique ou copie para o leitor virtual:
    http://www.bordergatewayprotocol.net/jon/humor/video/Sonyworkhome.mpg

    Acham isto normal ?


    Resumo do artigo "On the Effectiveness of Aluminium Foil Helmets: An Empirical Study":

    «Numa pequena comunidade de paranóicos, capacetes de alumínio servem como medida protectora contra sinais de rádio invasivos. Investigámos a eficácia de três tipos de capacetes de alumínio num grupo de 4 indivíduos. Utilizando um detector de 250 mil dólares, verificámos que embora, em média, todos os capacetes atenuem as frequências de rádio invasivas em qualquer direcção (quer emanando de uma fonte externa quer do crâneo do sujeito), certas frequências são de facto ampliadas. Estas frequências amplificadas coincidem com bandas de rádio reservadas a entidades governamentais. A evidência estatística sugere que o uso dos capacetes pode de facto aumentar as capacidades invasivas do governo. Admitimos mesmo a hipótese de que tenha sido o governo a despoletar a mania dos capacetes, por esta mesma razão.»
    Veja aqui mais modelos de capacetes: |um |dois |três |quatro |cinco |

    Este post deveria ser acompanhado por uma canção dos REM, mas da qual apenas encontrei a letra: "What's The Frequency, Kenneth?" |

    Bom fim-de-semana - e não se esqueçam do capacete!

    Blogar pode ser perigoso


    Blogar pode ter consequências

    Daniel Drezner, um conceituado académico de Ciência Política com dois mestrados e um doutoramento em Stanford, e com obra publicada, iniciou um blogue em Setembro de 2002. Na altura deve ter tido um qualquer pressentimento e escreveu no seu primeiro post: "Não devia estar a fazer isto. Espero para breve a passagem a um lugar permanente" [1].


      Daniel Drezner

    Resultado: a escola não o passou para o quadro e, apesar de negarem que o blogue tenha tido qualquer influência na decisão, os jovens docentes com blogues ficaram assustados, porque Drezner era indiscutivelmente o melhor posicionado para obter o lugar. Este é o tema de um artigo de Robert S. Boynton na revista Slate.

    Drezner, no seu blogue, comenta o artigo da Slate dizendo que não foi contactado pela revista e que nunca disse que foi o blogue que lhe custou o lugar.

    O artigo da Slate, no entanto, alarga o campo de análise e questiona-se sobre o fraco prestígio dos blogues no meio académico:
    «Não é segredo que muito do material revisto pelos pares e publicado em revistas académicas de prestígio não é nem muito bom nem muito lido, enquanto parte do que aparece em blogues académicos é de grande qualidade e tem uma leitura alargada (embora outra parte não seja nem tenha). Portanto, vale a pena questionar: como pode um sistema que alegadamente se preocupa apenas com a qualidade da argumentação e investigação, automaticamente incluir as revistas e excluir os blogues?»
    [...]
    «Os blogues académicos representam a fruição, e não a traição, dos ideais universitários. Pode-se mesmo argumentar que os blogues são a corporização daquilo que o filósofo Michael Oakshott designou como "A Conversa da Humanidade" - um diálogo sem fim e eminentemente democrático acerca das melhores ideias e artefactos da nossa cultura. O blogue de Drezner, por exemplo, não é nada do tipo: "Eis o que eu fiz hoje". Pelo contrário, usualmente escreve sobre globalização e economia política - os mesmos assuntos sobre os quais publica na imprensa e revistas de prestigio, arbitrado pelos pares. Embora a sua prosa e estilo, no blogue, tomem mais abertamente partido, o pensamento subjacente não é menos rigoroso ou menos inteligente.»
    O Pura Economia, claro, vai passar a incluir o blogue de Drezner bos seus favoritos [Adenda-o blogue, entretanto, deixou de estar disponível; espera-se que seja temporário.].


    [1] - mais exactamente, "holding a tenure", ocupar um lugar permanente sem necessidade de renovações anuais; Drezner é assistente n Universidade de Chicago..

    sexta-feira, novembro 18, 2005

    Este é o nosso Fado

    Miguel Lebre de Freitas«José Tavares demitiu-se, ontem, da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico e será substituído por Miguel Lebre de Freitas, até agora director do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação. A saída do coordenador do Plano Tecnológico, apresentado como peça-chave da política económica do Governo, não foi explicada mas era conhecida a existência de indefinições e de dificuldades de coordenação entre os vários ministérios envolvidos. [...] O esforço do Governo em evitar a descredibilização do Plano Tecnológico era, ontem, evidente. No final do Conselho de Ministros, quando confrontado com as primeiras notícias sobre a demissão de José Tavares, o ministro da Presidência procurou desde logo desvalorizar os sucessivos adiamentos na sua apresentação. Pedro Silva Pereira negou ainda existência de "qualquer conflito de competências", assegurando que este "continuará sediado no Ministério da Economia e Inovação".» - "Jonal de Notícias".

    Tudo indica que a demissão de José Tavares é apenas a ponta o icebergue de problemas mais profundos: a resistência por parte da estrutura administrativa e de poder ao desenvolvimento de uma estratégia inovadora. Ao longo dos meses em que, depois de aprovado pelo Governo, o Plano Tecnológico se tem mantido paralisado, têm sido constantes as notícias de conflito relativas ao respectivo controlo, nomeadamente entre os ministros Mariano Gago e Gomes Pinho. O Plano envolve políticas e programas transversais que interceptam a estrutura ministerial e, como é sabido, isso é equivalente a mexer num vespeiro.

    Por outro lado, tendo a região de Lisboa perdido o direito aos fundos comunitários, o Plano Tecnológico apresenta-se como um eldorado (ou uma tábua de salvação, conforme a óptica) para muitas empresas da região, razão pela qual os usuais conflitos sobre a gestão dos programas comunitários se podem ter deslocado para esta frente de batalha.

    O facto de Miguel Lebre de Freitas ser um especialista da área financeira com grande sensibilidade para o cumprimento das metas de convergência nominal (veja-se o seu artigo "Défice de disciplina ou a disciplina do défice?") pode também ter contribuido para a sua escolha. Será Miguel Lebre de Freitas um adepto do "Choque, sim, mas devagar"?

    O Plano Tecnológico foi aprovado pelo Governo em 27 de Março do corrente ano.

    O demitido José Albuquerque Tavares, de 39 anos, é professor na Universidade Nova das cadeiras de macroeconomia e macroeconomia avançada. Fez o doutoramento (1998) em Harvard, nos EUA, com uma dissertação sobre "Ensaios sobre Democracia, Política Fiscal e Crescimento Económico". As suas áreas principais de investigação têm sido o crescimento e o desenvolvimento económico, a política orçamental e a economia política.

    O nomeado Miguel Lebre de Freitas, também formado na Nova e com um Mestrado em Economia, é, para além do seu cargo no GEEP do Ministério da Economia, docente da Universidade de Aveiro, sendo a sua principal área de investigação a Economia Monetária Internacional. No Pura Economia já tinhamos comentado um seu artigo de opinião de 2002 no post "Um manifesto anti-fado", artigo onde se podia subentender uma ligeira subalternização do investimento em tecnologia ao cumprimento das metas financeiras do Estado:
    «A economia portuguesa tem ainda muito a ganhar com a difusão tecnológica, mas a política económica tem um papel crucial. Por isso, não podemos ser tolerantes com actuações negligentes, mais ou menos apoiadas na convicção de que a economia portuguesa se encontra num processo exógeno ou automático de convergência. Em matéria de convergência não há destino.»
    Página de M.L.Freitas

    Aguarda-se que o blogue Plano Tecnológico comente a notícia.

    url deste post: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/11/este-o-nosso-fado.html

    Estar na onda


    «“Portugal pode dominar 10% do mercado mundial de equipamentos para gerar electricidade a partir das ondas, calculado em 325 mil milhões de euros, se souber aproveitar as oportunidades”, afirma o presidente do Centro de Energia das Ondas (CEO). Investigador e professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, diz que a dimensão do negócio internacional combinado com as estimativas para o mercado nacional, garantirão “um negócio total da ordem dos 40 mil milhões de euros”, ou seja quase 30% do PIB nacional, “exportações da ordem dos mil milhões de euros durante 32 anos”, bem como “a criação de 10 mil postos de trabalho directos durante 40 anos”. Isto sem contar, naturalmente, com a redução da dependência energética face ao estrangeiro e da factura devida pela importação de gás para geração de electricidade, para além de permitir mais facilmente o cumprimento do protocolo de Quioto»

    Semanário Económico

    Jeffrey Sachs

    Jeffrey Sachs

       Entrevista com Jeffrey Sachs  
    Ficheiro mp3 - 30:57 min. - 11.Jul.2005

    Jeffrey Sachs, o "profeta das oportunidades para os pobres", tem adquirido a estatura de pop-star, assente numa sólida carreira académica e profissional como economista e consultor. Um dos 100 intelectuais mais influentes" de acordo com o inquérito aos leitores da revista Prospect (onde se classificou em 27º, à frente do 37º Gary Becker), deu esta entrevista ao Leonard Lopate Show em 11 de Julho de 2005.

    «Tenho visto dezenas de países cujas dívidas foram canceladas, mas aqueles que o conseguiram primeiro foram os países politicamente poderosos, aqueles onde os EUA tinham uma agenda política. Quando o Presidente Bush quiz ajudar o Iraque, designou James Baker para dar a volta ao mundo e obter o cancelamento das dívidas daquele país. Ora ele não fez isso a nenhum país africano, mas em 30 dias o sr. Baker conseguiu reduzir substancialmente a dívida do Iraque. Bem: façamos o mesmo para os países africanos, os desesperadamente necessitados, onde as pessoas estão a morrer porque não têm dinheiro para se manterem vivos. Portanto, isto é política, não é uma questão de princípio, é uma questão política.»

    http://wnyc.vo.llnwd.net/o1/lopate/lopate071105apod.mp3

    quinta-feira, novembro 17, 2005

    Bob Dylan


        Bob Dylan

    Já vou a meio do livro de memórias de Dylan, e é extraordinário como se encaixa em todas as anteriores versões do fenómeno Dylan, incluindo as que o próprio tem vindo a repetir vezes sem conta: que nunca foi um cantor de protesto, engagé, mas sim um mero autor de canções.

    Fica igualmente claro que nem o homem nem as suas canções pertencem a ninguém: são dele e sempre significaram exclusivamente aquilo que ele quiz que significassem. Muita gente, altruisticamente ou não, se apropriou do material para seu proveito próprio - e agora está na altura de o reconhecer.

    Grande livro!

    "Bob Dylan : Crónicas- Volume I"
    Editora: Verbo
    Colecção: Os Afluentes da Memória

       The Lonesome River - Dylan / Ralph Stanley
       Don't Think Twice - Dylan
       Lay Lady Lay - Magnet / Gemma Hayes
    url:
    http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20The%20Lonesome%20River.mp3
    http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20Don%20t%20Think%20Twice.mp3
    http://leafandlime.hobix.com/mp3/lay%20lady%20lay.mp3

    Advocacia


    Rogério Alves: "ofensiva
    contra a advocacia".

    «Estamos na era da ofensiva contra a advocacia. Uma ofensiva sem precedentes, cirúrgica e que parece não querer ter limites. A criminalidade aumenta, o medo aumenta, então corta-se nas garantias. As garantias cortam-se como? Na lei, mexendo nos textos, e, na prática, inibindo os advogados, coarctando a sua acção, afastando-os cada vez mais dos actos dos processos, fazendo letra morta das suas imunidades e prerrogativas.»

    Rogério Alves in jornal Público

    "Andem lá, compadres!"

     imagem do blogue Alentejanices - alentejanices.blogs.sapo.pt «Bruxelas antecipa uma diminuição do desequilíbrio das contas públicas portuguesas menos rápida do que o previsto pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, advertiu hoje para a necessidade do Governo português adoptar "muitas medidas" se quiser consolidar o défice orçamental até 2008. "Estou certo que as autoridades portuguesas vão adoptar muitas medidas para continuar a estratégia de consolidação orçamental", disse Almunia na conferência de imprensa onde apresentou as Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia.»

        O défice orçamental segundo:    
       Sócrates    Almunia  
     2005 6,0 %6,0 %
     2006 4,8 %5,0 %
     2007 3,9 %4,8 %

    Notícia do Diário Económico

    Navio ao fundo


         GM: Navio ao fundo

    "That sinking feeling" - artigo do Economist sobre o afundamento da General Motors

    «Nos seus melhores tempos, no início dos anos 60, o gigante controlava mais de metade do mercado automóvel americano e estabelecia os padrões pelos quais era definida a maior parte da indústria mundial. Mas já passou mais de uma geração desde o tempo em que o domínio da GNM não era questionado e, apesar dos biliões de dólares investidos em novas fábricas e veículos, tem sofrido um inescapável declíneo na partilha do mercado.

    «Os rendimentos afundaram, especialmente no seu mercado "core" da América do Norte. O navio GM tem continuado a chocar com icebergues ultimamente, o mais recente dos quais foi o anúncio da semana passada de que terá de recalcular os rendimentos de 2001 devido a registos estatísticos errados relativos a créditos de fornecedores.»

    Textos relacionados: "Sinais dos tempos" e "Acordo na General Motors Portugal"