segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Chile, segundo a BBC



Podcast do programa "In Business", da BBC,
sobre a economia do Chile - 9.Fev.2006 - 28:08 m

url

Universidades na net


Distribuição das primeiras 200 universidades, por país.

O Webometrics é um ranking das universidades de todo o mundo em função da sua presença na net. O processo de classificação ainda é questionável (a metodologia é apresentada aqui) mas vale a pena dar uma vista de olhos. Os indicadores utilizados são:
  • tamanho: número de páginas;
  • visibilidade: total de links externos recebidos;
  • ficheiros especiais: (pdf, ps, doc. ppt).

    Na lista das três mil universidades classificadas, encontram-se as seguintes sete portuguesas:

    Universidade ordem  ordem por indicador 
     tamanho  visibilidade  ficheiros 
    especiais
     Univ. Técnica Lisboa438438568239
     Univ. do Porto447316540689
     Univ. Coimbra461574489454
     Univ. Minho643640809442
     Univ. Lisboa682838700772
     Univ. Nova de Lisboa699832791519
     Univ. Aveiro9858491.233864

    Na lista de centros de investigação encontra-se o Instituto Superior Técnico, na posição nº 70.
  • Também tu, Blanchard!...


    O Diário de Notícias apresenta uma pequena entrevista com Olivier Blanchard, onde o economista repete algumas das ideias apresentadas na Conferência do Banco de Portugal - incluindo a descrença no poder miraculoso da aposta tecnológica. Mais uma facada no Plano socrático...

    Para aumentar a produtividade, a grande aposta do Governo é a aplicação de um plano tecnológico. Deve ser a prioridade?

    «Não deve ser a principal preocupação. É muito importante melhorar o sistema educativo e tentar ser parte do mundo da alta tecnologia. Mas Portugal não vai conseguir resultados quantitativamente significativos porque não está a partir da melhor posição. Os países asiáticos estão mais bem posicionados.»

    Devemos desistir de estar na vanguarda da alta tecnologia?

    «Não, mas uma estratégia baseada na alta tecnologia não será muito eficaz. Há outras áreas onde é possível conseguir um aumento da produtividade de uma forma muito mais realista.»

    Outra proposta que faz é a redução nominal dos salários. É realista pensar nessa possibilidade?

    «Parece muito duro, e é, mas no passado costumava ser feito através das desvalorizações da moeda e era aceite. É importante salientar e convencer as pessoas que isto é a mesma coisa. É muito difícil para as pessoas aceitarem uma descida do salário nominal, mas é importante colocar esta possibilidade em cima da mesa porque pode ser a única maneira de recuperar a competitividade de forma relativamente rápida, evitando um desemprego prolongado. É necessário perceber que para aumentar a competitividade, com uma dada produtividade, é preciso que os salários em termos reais desçam. Isso vai sempre ter de acontecer. A questão é saber se se faz com desemprego ou sem desemprego. E é muito melhor fazê-lo sem desemprego.»
    Entretanto, quem não parece estar de acordo com Blanchard é a economia portuguesa, pois os últimos dados do INE apontam para um agravamento dos custos do trabalho. O ICT cresceu 3,9 % em média, em 2005: mais 2,4 pontos percentuais do que em 2004. A evolução no último trimestre de 2005 representa, no entanto, uma desaceleração face ao trimestre imediatamente anterior. Tratam-se de dados ainda não corrigidos dos efeitos sazonais.

    domingo, fevereiro 12, 2006

    Dia da caça

    [via Julgamento Público]

    sábado, fevereiro 11, 2006

    Economia oculta


    Economia oculta [clique]

    Porque é que a economia está mais forte do que era suposto estar?
    - pergunta-se num artigo da Business Week. Resposta: «Numa economia baseada no conhecimento, os indicadores tradicionais não dizem tudo o que se passa. Os intangíveis, tais como a I&D, são fracamente apercebidos - se é que o são. Incluindo-os, tudo muda.»
    «Os mágicos estatísticos do Bureau of Economic Analysis, em Washington, podem fazer aparecer uma folha de cálculo mostrando quanto é que os caminhos de ferro gastaram em mobília. Mas não conseguem detectar os milhares de milhões que as empresas gastam em cada ano em inovação e design de produtos, criação de marcas, formação de empregados ou em quaisquer outros investimentos intangíveis, necessários para competir na economia global do presente. Isso significa que os recursos utilizados na criação de inovações de topo tais como o medicamento anti-cancerígeno Avastin, a insulina inalável, os Starbuck's (SBUX), os "exchange-traded funds"(*) ou mesmo o iPod, não aparecem nos números oficiais.»


    (*) - Também conhecidos como Trackers; transaccionados como acções, os exchange-traded funds (ETF) constituem uma alternativa aos fundos mútuos (ou colectivos), investidos em índices. Tal como as acções, estão sujeitos a uma comissão (na compra e venda), mas a partir daí custos são mínimos. As despesas de administração são extraordinariamente baixas, não estão sujeitos a comissões de entrada ou saída, frequentes nos fundos mutuos, são fáceis de compreender e oferecem vantagens no pagamento de impostos. (Portuguese Canadian Financial Newsletter)

    Economics Round Table


    Economics Round Table

    Informações sobre os mais recentes posts publicados por blogues de Economia.
    Mantido pelo Professor William R. Parke, da Universidade da Carolina do Norte. Parke é também o autor do capítulo sobre modelos económicos clássicos no site EconModel.

    Economia portuguesa: comunicações

    O Banco de Portugal já disponibilizou em linha as comunicações da Conferência que teve ontem lugar na Gulbenkian (ficheiros pdf):

  • "Abertura" - Vítor Constâncio, Governador do Banco de Portugal (é apenas uma pequena parte da intervenção, nem sequer é um resumo)

  • "The Structural Transformation and Aggregate Productivity in Portugal" - Margarida Duarte, do Carnegie Mellon University, e Diego Restuccia, da University of Toronto

  • "Taxes and Labor Supply: Portugal, Europe, and the United States" - André de Castro Silva, da Universidade Nova de Lisboa

  • "Budget Setting Autonomy and Political Accountability" - Susana Peralta, da Universidade Nova de Lisboa

  • "Adjustment within the Euro. The Difficult Case of Portugal" - Olivier Blanchard, do Massachusetts Institute of Technology

  • "Equality of Opportunity and Educational Achievement in Portugal" - Pedro Carneiro, da University College of London

  • "The Internal Rate of Return to On-the-Job Training" - Rita Almeida, do Banco Mundial

  • "Will the East Follow Portugal?" - Cátia Batista, da University of Oxford

  • "Small Firms in Portugal: A Selective Survey of Stylized Facts, Economic Analysis and Policy Implications" - Luís Cabral, da New York University

  • "Asymmetric Information in the Stock Market: Economic News and Co-movement Between US and Portugal" - Rui Albuquerque, da Boston University, e Clara Vega, da University of Rochester

    Margarida DuarteDiego RestucciaOlivier Blanchard
    André de Castro SilvaPedro CarneiroRita AlmeidaSusana Peralta
    Cátia BatistaLuís CabralRui AlbuquerqueClara Vega
  • sexta-feira, fevereiro 10, 2006

    Conferência do Banco de Portugal

    Assisti à Conferência do Banco de Portugal, onde se destacaram as intervenções de Vítor Constância, bem como, e sobretudo, a de Olivier Blanchard.

    Vitor Constâncio fez uma espécie de retrato negativo das causas da divergência da economia portuguesa face à UE (não é a evolução dos preços relativos, não é a intensidade das reformas nem a qualidade das nossas instituições, não são as diferenças de fiscalidade, não é a regulação do mercado, etç.) Salientou, por outro lado, a capacidade potencial existente para absorção de tecnologia, daí a importância que o investimento estrangeiro tem para Portugal.

    Blanchard fez um diagnóstico dos nossos problemas económicos, mais "normal" do que acontece frequentemente com muitos portugueses, que gostam de salientar a "anormalidade" do caso português (no fundo, acho que ainda são resíduos da tese de António Sérgio sobre a nossa "mentalidade" retrógrada, a necessitar de "reforma", etç; se fossemos diferentes a nível dos estímulos, precisaríamos de uma teoria económica diferente só para nós, não é assim?). Blanchard encontrou até semelhanças entre a nossa evolução recente e a França de algum tempo atrás.

    Disse Blanchard que a situação que tivemos, de taxas de juro baixas e uma visão optimista quanto ao futuro, explicam o agravamento, naquela altura, do endividamento e o défice fiscal. Agora é fácil dizer que foi um erro de antevisão (das famílias, das empresas, do governo) mas durante o boom fazia sentido. Por outro lado, admitiu que alguns indicadores poderiam ter alertado para uma reacção mais a tempo.

    O economista de origem francesa foi igualmente muito franco quanto ao nosso futuro: ou ajustamos a economia com aumentos de produtividade, o que vai ser lento (10 anos, e se correr tudo bem) ou o fazemos com diminuição dos salários reais, o que pode ser mais rápido, mas também mais doloroso (ou mais... impossível!...)

    O resto da conferência teve boas comunicações, igualmente com boas intervenções dos comentadores convidados. Uma intervenção descabida e desagradável foi protagonizada por Paulo Trigo, ao comentar (como convidado) a comunicação de Susana Peralta acerca da autonomia da fiscalidade local. A análise de Susana Peralta, por aplicação da Teoria dos Jogos ao ciclo eleitoral das autarquias locais, colocou a hipótese da fraca autonomia fiscal das autarquias e correspondente pouca transparência na afectação dos recursos fiscais, criar condições para a permanência/reeleição de políticos "egoístas", que procuram rendas para si próprios, em contrapartida com políticos "altruístas". Foi uma tese original (para mim) e bem explicada.

    Paulo Trigo, que tinha feito antes uma critica cientificamente fundamentada a uma comunicação de André Castro Silva, enveredou por uma "crítica" ideológica a Susana Peralta - não só à sua comunicação, mas também à própria pessoa. Referindo ser ele mais velho e ter "conhecido" o período anterior à Revolução (mas, pela idade, até nem deve ter conhecido grande coisa...) sugeriu ignorância da jovem economista da Universidade Nova, e, até, que ela estaria a defender o salazarismo, "que não dava direito de voto às mulheres", etç. A comunicação de Susana Peralta não dizia nada disso, mas Paulo Trigo parece ter ficado incomodado com a simples sugestão de que no sistema democrático actual se geram efeitos económico-políticos perversos, como o já referido.

    Ora, creio eu que um investigador que detecte, na sua investigação, efeitos perversos, deve divulgá-los, independentemente de isso beliscar os mecanismos democráticos. A ciência não tem que se auto-limitar com a ideologia ou o "politicamente correcto". Colocar hipóteses desagradáveis, testá-las e divulgá-las, ainda que possam vir a ser mais tarde infirmadas, é algo que deve ser elogiado e não criticado . Será o sistema democrático uma vaca sagrada onde não se possa tocar? Creio que não.

    terça-feira, fevereiro 07, 2006

      «Educação e desenvolvimento económico na agenda de Jorge Sampaio»  

    (título do Público)

    É verdade que o Jorge Palma descobriu que nunca é tarde para se ter uma infância feliz. Mas não será um bocadinho tarde, Sr. Presidente?...

    Ai o Estado...


        André Carraro

    André Carraro é um economista brasileiro que, entre outras coisas, lecciona na Universidade de Santa Cruz do Sul e escreve para o blogue Economia Everywhere; na revista "Contexto Económico" encontramos um seu texto sobre "Economia x Corrupção", onde lista as desvantagens e vantagens da corrupção. Vale a pena atentar nestas últimas:
    «Qual é o benefício da corrupção? Bem ou mal, os investimentos acontecem e os processos têm andamento. Quando um empresário encontra um funcionário público honesto, que segue as regras e as normas estabelecidas, o custo para a empresa é a lentidão no andamento dos processos, já que existe excesso de regulamentação. Assim, a saída para o empresário é encontrar um funcionário que demande propina

    Não existe competição dentro do serviço público, assim como não existe competição pela oferta de serviço público. Existe, sim, o chamado poder discricionário, ou seja, alguém tem o poder de decidir quem vai receber o serviço ou o bem público, através da utilização de critérios técnicos ou políticos. É desta forma que ocorre a venda do serviço público. Para a sociedade, isso tem um custo imenso, pois o resultado é a redução da rentabilidade do capital ao menor investimento.

    O que fazer? Não existe uma resposta única e definitiva, mas um procesos em discussão. Enquanto acharmos que a solução para o fenómeno da corrupção no Brasil está na denúncia e na punição de indivíduos, não haverá mudança nas regras do jogo. As regras do jogo estão equivocadas. A formação do Estado está equivocada. A solução para a corrupção está na denúncia do fracasso do Estado nacional. É preciso mudar o enfoque, pois a corrupção é um problema de instituições equivocadas.»


           Isabeli Fontana

    André Carraro é também um homem de humor corrosivo, como se pode ver nos seus posts no Economia Everywhere. Num deles coloca ao leitor o seguinte desafio mental: «Mas, o que aconteceria se a sociedade fosse aos poucos mudando a forma como ela identifica o criminoso? O que aconteceria se de ladrão um criminoso fosse chamado de operário» - isto a propósito da opinião da modelo Isabeli Fontana sobre os ladrões que a assaltaram na rua: «Eles não têm culpa, pois fazem isso para ganhar a vida. Isso é mais um exemplo de que as pessoas devem se preocupar em ajudar umas as outras.»

    Noutro post pergunta ao leitor que prenda daria ao presidente Lula no jogo do "amigo oculto":
          a) um livro do Saramago
          b) a reeleição
          c) o jogo banco imobiliário
          d) um novo ministro da fazenda
          e) um projecto de governo

    (via De gustibus)

    Bons conselhos

    «Algumas noções de Direito para blogueiros»: texto que se reporta ao Brasil mas que tem ensinamentos generalizáveis.
    Via Economia Everywhere, onde funciona como aconselhamentos a potenciais comentadores. Eis alguns excertos:
    Alguns cuidados na redação de críticas

    A crítica deve ser objectiva. Isso significa que ela não deve ser feita à pessoa, mas a um facto, a algo que ela fez. Numa crítica literária, deve-se discutir a obra, não o autor. Numa crítica ao comportamento de alguém, deve-se criticar apenas a atitude desagradável.

    As críticas subjectivas, em regra, são possíveis tão somente quando atacam uma opinião e não uma pessoa. É lícito dizer que é estúpido o raciocínio simplista de que aumentando a pena diminui-se a criminalidade. Mas deve-se evitar dizer que a pessoa que emitiu esta opinião seja estúpida. Ainda que eventualmente os raciocínios estúpidos sejam provenientes de pessoas estúpidas, uma afirmação como essa não pode ser considerada uma ofensa, pois mesmo indivíduos brilhantes emitem opiniões infelizes.

    Deve-ser evitar criticar uma empresa sem ter algo contra ela. A reclamação pode ser feita, sim. Mas quem reclama deve fazê-lo com base em factos, não em suposições, ou porque ouviu alguém reclamar. A crítica aos serviços das empresas pode ser considerada de utilidade pública, mas deve ser dirigida ao serviço prestado, não ao dono ou à empresa como um todo, a menos que quem critique realmente tenha algo contra eles, e possa provar isso.

    Se uma empresa reclamar por e-mail do que foi escrito sobre ela, é aconselhável que o autor do blog convide-a a integrar o debate e se manifestar no espaço de comentários, dando-lhe a oportunidade de emitir sua opinião e, porventura, alterar a opinião dos demais debatedores. Não há, em princípio, a obrigação de retratação ou de retirada de comentários, a menos que os termos usados tenham sido realmente desrespeitosos e ofensivos.

    Não se deve usar o nome de uma pessoa para expô-la ao desprezo público, como nas "páginas de ódio". Isso é vedado pelo Código Civil. Evitar expor o e-mail de um desafecto também é aconselhável para não se perder o controle do debate ao estendê-lo a terceiros, nem aumentar a possibilidade de ofensas ou prejudicar o funcionamento normal do e-mail da pessoa.

    O autor do blogue tem o dever de cuidar da veracidade da informação que vai publicar, verificando sempre a origem da notícia que será divulgada. Por mais que o blogueiro tenha orgulho em ser pato do Cocadaboa, não deve divulgar boatos ou fatos não-confirmados.

    Não se pode esquecer que, mesmo usando pseudónimo, o conteúdo do blog pode facilitar a identificação de seu autor, seja por amigos ou colegas de trabalho. Assumir um pseudónimo exige cuidado redobrado nas informações disponibilizadas para não dar margem à interpretação de que o pseudónimo foi usado para fornecer informações que não seriam publicadas se fossem feitas com o próprio nome.

    A Lei de Direitos Autorais protege o direito do autor de ter seu nome associado à sua obra. Sempre que o responsável pelo blogue mencionar algo que não é da sua autoria deve indicar o nome do autor e a fonte de onde o texto foi retirado. Se a pessoa não souber quem é o autor, deve explicar que o trabalho é de autoria desconhecida. Preferencialmente, o trabalho de outrem deve ser destacado do trabalho do autor do blogue, seja por fonte diferente, recuo de margem, ou outro recurso que não deixe dúvidas quanto à autoria de cada um.

    Em hipótese alguma se pode alterar o texto de terceiros sem autorização expressa do autor, pois isso também constitui infração prevista na Lei de Direitos Autorais.

    segunda-feira, fevereiro 06, 2006

    A terra do lazer


    Variação no total de horas trabalhadas por semana, por anos de escolaridade (inclui trabalho no mercado e em tarefas domésticas).

    O gráfico da esquerda ilustra o artigo da revista The Economist, "The land of leisure", "A terra do lazer". Que terra será esta? Bem, espantemo-nos: são os EUA.

    Ainda não há muito tempo "toda a gente" (um famoso personagem criado por Gil Vicente) dizia que quem mais se baldava ao trabalho eram os "europeus" (personagem que ainda não existe, apesar das inúmeras tentativas) e que, por isso, estavam a ficar para trás, em termos de produtividade, face aos americanos.

    Mas eis que dois desses workaholics americanos - Mark Aguiar e Erik Hurst - decidem «construir 4 diferentes medidas de lazer, a mais estreita das quais inclui apenas actividades que toda a gente considera de relaxamento ou de diversão; a mais abrangente inclui tudo o que não está relacionado com um trabalho remunerado, tarefas domésticas ou simples deslocações.» Pois bem: seja qual for o indicador utilizado os americanos, ao longo dos últimos 40 anos, têm ganho mais tempo livre do que pensavam.

    A discrepância entre este estudo e os anteriores parece decorrer de questões metodológicas. Os estudos anteriores apoiaram-se exclusivamente nas estatísticas oficiais sobre "trabalho remunerado", não cuidando de saber o que é que se passava efectivamente nos períodos restantes. Os investigadores referidos analisaram o tempo gasto em compras, confecção de alimentos, deslocações e manutenção da casa. São estas ocupações que levam as pessoas a dizer que estão muito sobrecarregadas com trabalho - principallmente as mulheres trabalhadoras com filhos. O estudo mostrou que os americanos gastam agora muito menos tempo nestas tarefas do que há 40 anos atrás, devido a várias causas: aparelhagens domésticas, entregas em casa, internet, compras 24 horas e serviços domésticos a preço acessível. Tudo isto aumentou a flexibilidade e libertou tempo às pessoas.

    Aguardemos agora que alguém faça o mesmo exercício de análise aos europeus.

    O estudo de Mark Aguiar e Erik Hurst encontra-se expresso neste paper publicado pela Reserva Federal de Bonston: "Measuring Trends in Leisure: The Allocation of Time over Five Decades" (pdf).
    [Sim, o estudo abrange um período 40 anos, desde 1965 até ao presente, mas percorre 5 décadas, capice ?]

    Conferência do Banco de Portugal

    É já no próximo dia 10 de Fevereiro que terá lugar, na Gulbenkian, a III Conferência: “Desenvolvimento Económico Português no Espaço Europeu, uma iniciativa do Banco de Portugal. Do programa, que se encontra disponível aqui, destacam-se:

  • 9.30 - Vítor Constâncio , no discurso de abertura
  • 10:30 - Margarida Duarte e Diego Restuccia, "The Structural Transformation and Aggregate Productivity in Portugal
  • 11:00 - André de Castro Silva, "Taxes and Labor Supply: Portugal, Europe, and the United States"
  • 11:45 - Susana Peralta, "Budget Setting Autonomy and Political Accountability"
  • 15:30 - Pedro Carneiro, "Equality of Opportunity and Educational Achievement in Portugal"
  • 16:00 - Rita Almeida e Pedro Carneiro, "The Internal Rate of Return to On-the-Job Training"
  • 16:20 - Cátia Batista, "Will the East Follow Portugal?"
  • 17:15-Luís Cabral, "Small Firms in Portugal: A Selective Survey of Stylized Facts, Economic Analysis, and Policy Implications"
  • 18:00 - Rui Albuquerque e Clara Vega, "Asymmetric Information in the Stock Market: Economic News and Co-movement Between US and Portugal"
  • sexta-feira, fevereiro 03, 2006

    DiscoverEcon




    usando a tecnologia no ensino da Economia
    Entrevista com Gerald Nelson - 29.Jan.2006 - 27:36m (mp3)
    Crédito: RadioEconomics.com - James Reese

       Veja uma demonstração do DiscoverEcon   

    url da entrevista:
    http://www.acidplanet.com/mediaserver/casts/0003000/ap-20060129-509.mp3
    url da demonstração:
    http://www.discoverecon.com/decon.swf

    quarta-feira, fevereiro 01, 2006

    Tem graça

    Escreve VascoPulido Valente no seu blogue:

    «O dr. Jorge Braga de Macedo, cuja perspicácia o país já pôde apreciar, disse na televisão que "a idade de reforma devia ser indexada à esperança de vida". Parece que a Suécia, um sítio historicamente habitado por anormais, resolveu assim o problema da Segurança Social. A lógica é esta. Primeiro, uma criatura tem de durar à força de água, alface e fibras, de exercício físico e de muitos médicos. A seguir, ao fim 40 anos de sofrimento como Santo Onofre, não ganha, como Santo Onofre, o Paraíso, ganha para a bem da sua alma e do aprimoramento das contas públicas, mais trabalho. »

    Quem diria que ainda veríamos VPV a defender o Estado Providência!...

    O argumento segue assim: como as pessoas "não vão com certeza ocupar indefinidamente os lugares de responsabilidade e direcção, porque perderam a força, a inteligência, a capacidade de aprender e se tornaram pouco a pouco um obstáculo ou até um risco", terão de ser despromovidas. E remata: "não gostaria de o ver a ele, com 78 anos, gaguejante e trémulo, como encarregado de limpeza da Faculdade de Economia da Universidade Nova, onde iluminou tanto espírito com a luz do seu."

    Isto é o que se chama, na metodologia da ciência, um "argumento fraco": "se as pessoas não podem ser despromovidas, então mantenha-se o Estado Providência tal como está." Mas porque é que as pessoas não hão-de poder ser despromovidas? E porque é que não hão-de poder continuar a ocupar os mesmos postos durante mais tempo?

    VPV tem graça, mas não convence.

    terça-feira, janeiro 31, 2006

    Economia e imagiologia neural

    «O uso das técnicas de imageologia neural [neuroimaging] em contextos de mercado ainda se encontra na sua infância. Apesar de muito prometedor, é ainda necessária uma grande quantidade de trabalho experimental para determinar qual o conjunto de problemas que pode ser melhor tratado com esta abordagem, e como é que as técnicas de imagiologia neural podem complementar os métodos existentes. As técnicas de imagiologia neural não geram hipóteses só por si - e para formular hipóteses é necessário ter uma profunda compreensão dos temas envolvidos no contexto da investigação.

    O estudo de McLure e outros ["Neural Correlates of Behavioral Preference for Culturally Familiar Drinks"] envolvendo a Coca Cola e a Pepsi fez exactamente isso, dado existir uma literatura extensiva acerca das marcas [branding], de testes cegos e não-cegos e do papel da imagem das marcas e seu significado cultural. Também é promissor o uso da imagiologia neural para ajudar a compreender melhor o modo como a informação de mercado é consolidada na memória, ou como os padrões de activação mudam ao longo de múltiplas exposições a um dado anúncio. Além disso, pode revelar mais acerca dos componentes efectivos associados com um produto ou acerca da compensação associada à aquisição de um produto.

    Uma área de aplicação muito interessante envolve a dinâmica básica da realização de escolhas. Um estudo de imagiologia neural, potencialmente muito importante por colocar em causa uma assumpção central da Economia, revelou que as atitudes acerca de recompensas [payoffs] e as crenças acerca da probabilidade de resultados, interagem tanto comportamentalmente como neurologicamente ["Neuronal Substrates for Choice Under Ambiguity, Risk, Gains, and Losses"]. Isso pode ajudar-nos a determinar se um anúncio está a ter um impacto emocional duradouro ou se determinadas metáforas estão a ser efectivas.»

    "A behavioral window on the mind of the market:
    An application of the response time paradigm
    ",
    de Fred W. Mast e Gerald Zaltman.
    "Brain Research Bulletin", 15 de Novembro de 2005

    sexta-feira, janeiro 27, 2006

    Mozart

    Mozart


    "Gente, gente!" (Bodas de Figaro)







    Flauta Mágica

    A propósito dos 250 anos do nascimento de
    Wolfgang Amadeus Mozart

    http://www.luc.edu/depts/history/dennis/Music_files/Mozart%20-%20Figaro%20-%20Gente,%20gente.mp3

    http://www.karin-schoepke.de/Zauberflote.mpg


    Outras músicas de Mozart: aqui, aqui e aqui.

    terça-feira, janeiro 24, 2006

    Lendas

    O Correio da Manhã de ontem traça um perfil de Cavaco Silva onde, a certo passo, se relatam "factos" ocorridos no ISCEF/ISE. Trata-se de relatos anedóticos e provavelmente falsos. Por exemplo, creio que Cavaco Silva (como professor) e Ferro Rodrigues (como aluno) nunca se terão encontrado naquela escola. A contestação às suas aulas e a profecia de que um dia seria primeiro-ministro, perante a galhofa dos alunos, não fazem qualquer sentido. Tal como não faz sentido que a matéria leccionada por Cavaco Silva (modelos keynesianos, muito acarinhados pela ortodoxia marxista da escola, na linha das análises de conjuntura de Pereira de Moura) assentasse "como uma luva na ideologia do regime".

    Cavaco Silva nunca foi um docente popular em Económicas, particularmente devido à rigidez do seu estilo, mas era considerado competente. As disciplinas verdadeiramente contestadas no ISCEF/ISE eram as altamente selectivas Matemáticas e as leccionadas por gente marcadamente de direita, tais como as de Direito, disciplinas às quais se fizeram greves a aulas e a exames. Nunca tal aconteceu à cadeira de Cavaco Silva. Mas, enfim, é destas patranhas que se fazem as lendas, pelo que transcrevo aqui as balelas do Correio da Manhã:
    «A contestação política que a partir de 1968 agita as universidades portuguesas abate-se sobre Cavaco Silva. No Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF), onde é assistente da cadeira de Finanças Públicas, o remoinho da crise estende-se ao campo científico. Cavaco Silva é contestado. Introduz na cadeira os testes à americana – a gota de água que leva à revolta dos alunos. A matéria debitada parece assentar como uma luva na ideologia do regime. Numa das aulas a turma de Ferro Rodrigues põe em dúvida a eficácia do método de avaliação e a ciência do assistente. «Cavaco fica à beira de um desmaio – e um contínuo traz-lhe um copo de água. Mais tarde, em 1975, os alunos riem-se a bandeiras despregadas com um ensinamento do professor. “Vocês vão ver. Um dia, hei-de ser primeiro-ministro”, respondeu-lhes Cavaco.»

    Um mundo cor-de-rosa - e pateta!


    [ clique para ampliar ]
    Atente-se nesta manipulação grosseira de uma foto original de uma manifestação de mulheres iranianas, manipulação feita pela organização feminina pacifista americana (e de esquerda...) Code Pink, para fins promocionais da própria organização.

    A foto original (parte de baixo da imagem supra) é de uma manifestação de mulheres iranianas, em defesa dos seus direitos e contra a discriminação sexual. A manipulação feita pela "Code Pink" (parte de cima) mostra a junção de algumas mulheres ocidentais e a modificação dos cartazes originais, que passaram a exibir a cor rosa da organização.

    O cartaz ao centro, onde se exige igualdade de direitos, foi substituído por uma escrita arábica irrelevante, e a forte expressão de protesto da jovem mulher ao centro foi substituída por uma cara de pateta; o papel que ela exibe dizia : "Nós somos as filhas de Ciro, as pioneiras dos direitos humanos (*)", mas foi transformado num "join us" publicitário. Nem mesmo a mulher iraniana que aparece a segurar um cartaz rosa à direita fazia parte da fotografia original.

    É evidente que a cor rosa dos cartazes manipulados visa representar o grupo pacifista. Mas creio que a cara de pateta que atribuíram à mulher no centro da imagem é igualmente representativa destas militantes "Code Pink".


    Via o blogue De Gustibus Non Est Disputandum e Publius Pundit. A manifestação das mulheres iranianas teve lugar em 12 de Junho de 2005 e é noticiada aqui. A imagem original, do fotógrafo Amir Kholoosi, é esta; outras imagens da mesma manifestação, que teve lugar junto à Universidade de Teerão, encontram-se aqui e aqui. A imagem (original ?) das militantes "Pink" que foram "adicionadas" à foto de Teerão pode ser vista no topo deste blogue.

    (*) - Ciro, "O Grande", é considerado o fundador do império Persa. Destacou-se por uma generosidade rara no seu tempo, ao poupar os seus inimigos vencidos - empregando-os mesmo em cargos admnistrativos de seu império. Ciro também demonstrou tolerância religiosa e procurou manter todos os povos do império sob a admnistração de líderes locais. Autorizou os judeus a regressar à Judeia, pondo fim ao período de exílio babilónico. [Wikipédia]

    Podcast

    Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial
       Paul Wolfowitz   


    Ficheiro m3u - 9:34 min. - 4,4 MB
    Paul Wolfowitz, Presidente do Banco Mundial, fala sobre as prioridades do desenvolvimento.

    Crédito: The Economist; url:
    http://media.economist.com/media/audio/world-in-2006/Priorities_for_world_development.m3u