![]() Isabel de Castro estreou-se aos 14 anos no filme "Ladrão Precisa-se" e em três peças portuguesas no Teatro Estúdio do Salitre. Diplomada pelo Conservatório Nacional, partiu para Espanha onde, durante seis anos, foi uma presença regular no cinema tendo trabalhado com alguns dos mais destacados nomes do cinema espanhol de então como Rovira Belleta, Fernando Fernán Gómez, Franciso Rabal, López Vasques, Ana Mariscal e Conchita Velasco. Regressou depois a Portugal onde se dedica ao teatro e ao cinema, tendo sido uma presença constante em filmes de realizadores como Perdigão Queiroga, Henrique de Campos, João Botelho, Alberto Seixas Santos, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Paulo Rocha, Pedro Costa, Manuel Mozos, António de Macedo, Manoel de Oliveira, entre outros.
Artistas Unidos | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
quinta-feira, novembro 24, 2005
Isabel de Castro 1931-2005
quarta-feira, novembro 23, 2005
Teoria do Consumidor
http://www.nebo.edu/misc/learning_resources/ppt/sounds/nosmoking.mpg
segunda-feira, novembro 21, 2005
Golos na própria baliza
| O Banco de Portugal publicou os Indicadores de Conjuntura, com dados de Outubro, onde se salienta o abrandamento do consumo privado - eventualmente devido à antecipação da aquisição de veículos imediatamente antes do aumento do IVA. Também no 3º trimestre de 2005 a indústria transformadora registou uma diminuição de 1,1 % - ainda assim inferior à diminuição registada nos trimestres anteriores. Outros indicadores de Outubro já conhecidos são a taxa de inflação homóloga (2,7 %) e a taxa de desemprego (7,7 % no 3º trimestre). O défice da BTC agravou-se em 2 325 milhões de €. O relatório indica ainda a previsão da Comissão Europeia de um défice público de 6 %. As previsões da Comissão Europeia de crescimento do PIB para a área do euro são as seguintes:
A confirmarem-se estas previsões, o crescimento português será sensivelmente metade da média dos países do €, será o mais baixo de todos esses países, e ficará bastante abaixo da Irlanda e da Grécia - bastante mais abaixo do que aconteceu no outro Euro, que tanto emocionou os portugueses. Será que também se irão emocionar com estes "golos" na própria baliza? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Integração Europeia
| "Gás é 37% mais barato em Espanha" «Os consumidores portugueses pagam, em média, mais 37% do que os seus congéneres espanhóis por cada quilograma de gás butano de botija. No gás propano, utilizado pela indústria, os preços por quilograma engarrafado são quase 50% mais caros em Portugal do que no vizinho ibérico.» |
PT: "Invenção política eleitoral"
Notícia do jornal Público |
"Ministro dos Passos Cómicos"
«No Verão de 1976, um grupo de estudantes do MIT foi fazer um trabalho para o Banco de Portugal. O contacto inicial veio de Richard Eckaus, mas o líder efectivo da nossa missão - o homem que nos situou no terreno, apesar de depois termos trabalhado sozinhos - foi Rudi. Já escrevi acerca desta "cruzada de crianças" no ensaio "Incidentes da minha carreira", mas deixem-me acrescentar um pouco acerca do trabalho de Rudi. Quem seria o "Ministro dos Passos Cómicos"?
|
Honoris Causa
Doutorado | Referências | Ano |
| René Gonnard | Professor de Economia Política e de História das Doutrinas Económicas da Universidade de Lyon. Membro do Instituto de França | 1934 |
| Daniel Faucher | Professor de Geografia Económica e Director honorário da Faculdade de Letras de Toulouse. Antigo Vice-Reitor da Universidade de Toulouse | 1935 |
| Josiah Stamp | Presidente da “London School of Economics” da Universidade de Londres. Presidente da “Economic Society” e da “Statistical Society”. Vice-Governador do Banco de Inglaterra. Membro da Câmara dos Lordes | 1936 |
| William Qualid | Professor de Economia Política da Faculdade de Direito de Paris | 1936 |
| Bruno Biagi | Professor de Economia Corporativa da Universidade de Bolonha | 1937 |
| Lionel Robbins | Professor de Economia Política da Universidade de Londres | 1939 |
| Gaetan Pirou | Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris | 1939 |
| Louis Baudin | Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris | 1948 |
| J. R. Hicks | Professor da Universidade de Oxford | 1956 |
| Jan Tinbergen | Professor do Instituto de Ciências Económicas de Roterdão | 1956 |
| Robert Mossé | Professor da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Grenoble | 1956 |
| François Perroux | Professor hornorário da Universidade de Paris e do Colégio de França | 1960 |
| H. A. Wold | Professor da Universidade de Upsala, Suécia | 1964 |
| Celso Furtado | Ministro da Cultura do Brasil | 1987 |
| Alain Cotta | Professor de Ciência Económica da Universidade de Paris IX – Dauphine. | 1987 |
| Raymond Courbis | Professor da Universidade de Paris X Nanterre | 1991 |
| Arnold Zellner | Professor da Universidade de Chicago | 1991 |
| Michael E. Porter | Professor da Harvard Business School | 1994 |
| Hans Wolfgang Singer | Professor do Institute of Development Studies da Universidade de Sussex | 1994 |
| Joseph Stiglitz | Professor da Universidade de Stanford | 2000 |
| Richard Brealey | Professor da London Business School | 2001 |
| Amartya Sen | Professor no Trinity College em Cambridge | 2001 |
| José Silva Lopes | Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral | 2004 |
| Fonte: ISEG | ||
António Manuel Pinto Barbosa
O livro é da autoria do professor de Economia João César das Neves e do jornalista Francisco Azevedo e Silva. A 1ª edição é de 1999, da "Editorial Verbo", ISBN-9722219200. Os autores, no entanto, não consideram a obra como sendo um livro de história. O livro inclui coisas muito divertidas, como esta referência às dificuldades que os diplomados do ISCEF tinham em obter colocação, na década de 40: «Já depois da minha formatura, era eu professor, apareceu uma grande notícia nessa altura, quando um dos nossos diplomados tinha conseguido o lugar de chefe de repartição na Câmara Municipal de Lisboa. O Instituto quase que embandeirou em arco.»Pinto Barbosa, apesar da discordância da família, decide, com 23 anos, dedicar-se à carreira académica; é memorável o momento em que o jovem professor do ISCEF encontra o destacado professor de Economia da Faculdade de Direito de Coimbra, José Joaquim Teixeira Ribeiro, na altura da apresentação de um trabalho de Pinto Barbosa: «Você não percebe nada disto. Estude Economia a sério. Leia os clássicos de Economia»O jovem professor sabia apenas... o que se ensinava no ISCEF na altura, e que estava muito desactualizado; estudavam-se coisas como Geografia e Físico-Químicas, por exemplo. Levando o conselho de Teixeira Ribeiro a peito, Pinto Barbosa viria a protagonizar a grande reforma do ensino da Economia em Portugal, vertida em lei em 1949. Mas a implantação real da reforma teve de vencer muitas dificuldades. Por exemplo: «Convencer o Ministério a aprovar a cadeira de Economia da Empresa foi muito complicado. Não entendia bem para que servia uma cadeira dessas!»José Braga de Macedo refere que a macroeconomia «chegou a Portugal nos anos 1940, pela mão de António Manuel Pinto Barbosa». Para além da actividade docente, Pinto Barbosa viria a ocupar cargos oficiais, como Ministro das Finanças entre 1955 e 1965, e Governador do Banco de Portugal. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, sentindo não ter condições, demite-se do Banco central. A turbulência revolucionária que domina o ISCEF (então ISE) após a revolução impede Pinto Barbosa de continuar a leccionar na Escola que ajudara a formar. Foi então para Basileia como Consultor do Banco de Pagamentos Internacionais. Em 1978 aceitou um convite para leccionar na Universidade Nova (recusando um convite contemporâneo do ISE). Em 1987 chegou a altura da sua jubilação. Em 1989 saíu o livro "Nova Economia em Portugal – Ensaios em homenagem a António Manuel Pinto Barbosa" onde se incluem contributos de algumas lendas vivas da ciência económica: James Tobin (Nobel de 1983) e Robert Mundell, apara além de alguns dos maiores economistas portugueses contemporâneos: Teixeira Ribeiro, Pereira de Moura e Jacinto Nunes, entre outros. Pinto Barbosa é membro honorário da Ordem dos Economistas e foi recentemente nomeado para a Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal. Pinto Barbosa é pai de dois gémeos, ambos igualmente conceituados economistas: António Soares Pinto Barbosa (autor do livro Economia Pública) e Manuel Soares Pinto Barbosa. Ambos são igualmente musicos amadores de jazz, integrando os "Lisboa Swingers Big Band". |
domingo, novembro 20, 2005
Acreditem - ou não.
«Apesar do vasto número de religiões, quase toda a gente no mundo acredita nas mesmas coisas: a existência de uma alma, vida depois da morte, milagres e criação divina do universo. Recentemente, psicólogos que investigam mentes de crianças, descobriram dois factos relacionados que podem contribuir para este fenómeno. Por um lado, os seres humanos chegam ao mundo com uma predisposição para acreditar em fenómenos sobrenaturais. Por outro lado, esta predisposição é uma consequência acidental de um desvio do funcionamento cognitivo.»O artigo citado é de acesso reservado a assinantes, mas o blogue Jewish Atheist transcreve grande parte: «Nós somos dualistas: parece intuitivamente óbvio que o nosso corpo físico e uma entidade consciente - a mente ou a alma - são genuinamente distintos. Não sentimos que sejamos os nossos corpos. Pelo contrário, sentimos que os ocupamos, que os possuímos, que somos os donos. Esta crença abre a possibilidade de que possamos sobreviver à morte dos nossos corpos. (...) E as crianças acreditam mais nisto do que os adultos, sugerindo que a noção de que a vida depois da morte é possível não é aprendida - embora tenhamos que aprender qual o tipo especifico de vida depois da morte em que a nossa cultura acredita (céu, reincarnação, um mundo de espíritos, etç.). É uma consequência de como naturalmente pensamos acerca do nosso mundo.»Mas, para os psicólogos citados por Bloom, isto é apenas metade da história: «O nosso dualismo permite-nos pensar em entidades e eventos sobrenaturais; é por isso que tais coisas fazem sentido. Mas existe outro factor que torna a sua percepção evidente, irresistível. Temos aquilo a que o antropólogo Pascal Boyer designou como uma hipertrofia da cognição social . Vemos intenção, objectivo, mesmo quando ele lá não está. |
Reinvenção da roda
A roda utiliza materiais compósitos que se deformam perante os obstáculos, regressando à forma inicial com grande facilidade. Uma das vantagens da "Tweel" é que não necessita de enchimento de ar: uma tarefa desconfortável que resulta em que muitos carros andam desequilibrados, consumindo mais combustível, gastando mais os pneus e criando condições para acidentes. Mas a nova roda poderá também proporcionar vantagens nos usuais parâmetros relacionados com a aderência e conforto. O pneu radial, inventado há 50 anos, também pela Michelin, continuará a constituir o padrão das rodas de automóveis durante os próximos anos, mas a "Tweel" bem poderá ser a roda do futuro. Outras aplicações da "Tweel" podem ver-se nesta bicicleta e nesta máquina. |
Ganhar uns cobres?
Ao contrário do ouro, que parece andar ao contrário da economia (subindo quando as pessoas receiam a instabilidade e a inflação) o cobre é um grande indicador coincidente: " para onde vai a sorte do cobre, assim vai a economia mundial ". O cobre resiste à corrosão e é bom condutor, encontrando-se um pouco por toda a parte, nas instalações eléctricas dos edifícios e em praticamente tudo o que recorre à electricidade, o que significa muita coisa. Ultimamente o cobre tem beneficiado da explosão do sector da habitação e construção - e tem revelado ser um bom investimento. Sendo o cobre normalmente utilizado em moedas de baixo valor, a expressão "uns cobres" ganhou a conotação de coisa de baixo valor, mas parece que essa desvalorização já não corresponde à realidade. |
sábado, novembro 19, 2005
Perigos da tecnologia
http://www.bordergatewayprotocol.net/jon/humor/video/Sonyworkhome.mpg |
Acham isto normal ?
Resumo do artigo "On the Effectiveness of Aluminium Foil Helmets: An Empirical Study":«Numa pequena comunidade de paranóicos, capacetes de alumínio servem como medida protectora contra sinais de rádio invasivos. Investigámos a eficácia de três tipos de capacetes de alumínio num grupo de 4 indivíduos. Utilizando um detector de 250 mil dólares, verificámos que embora, em média, todos os capacetes atenuem as frequências de rádio invasivas em qualquer direcção (quer emanando de uma fonte externa quer do crâneo do sujeito), certas frequências são de facto ampliadas. Estas frequências amplificadas coincidem com bandas de rádio reservadas a entidades governamentais. A evidência estatística sugere que o uso dos capacetes pode de facto aumentar as capacidades invasivas do governo. Admitimos mesmo a hipótese de que tenha sido o governo a despoletar a mania dos capacetes, por esta mesma razão.»Veja aqui mais modelos de capacetes: |um |dois |três |quatro |cinco | Este post deveria ser acompanhado por uma canção dos REM, mas da qual apenas encontrei a letra: "What's The Frequency, Kenneth?" | Bom fim-de-semana - e não se esqueçam do capacete! |
Blogar pode ser perigoso
| Daniel Drezner, um conceituado académico de Ciência Política com dois mestrados e um doutoramento em Stanford, e com obra publicada, iniciou um blogue em Setembro de 2002. Na altura deve ter tido um qualquer pressentimento e escreveu no seu primeiro post: "Não devia estar a fazer isto. Espero para breve a passagem a um lugar permanente" [1].
Drezner, no seu blogue, comenta o artigo da Slate dizendo que não foi contactado pela revista e que nunca disse que foi o blogue que lhe custou o lugar. O artigo da Slate, no entanto, alarga o campo de análise e questiona-se sobre o fraco prestígio dos blogues no meio académico: «Não é segredo que muito do material revisto pelos pares e publicado em revistas académicas de prestígio não é nem muito bom nem muito lido, enquanto parte do que aparece em blogues académicos é de grande qualidade e tem uma leitura alargada (embora outra parte não seja nem tenha). Portanto, vale a pena questionar: como pode um sistema que alegadamente se preocupa apenas com a qualidade da argumentação e investigação, automaticamente incluir as revistas e excluir os blogues?»O Pura Economia, claro, vai passar a incluir o blogue de Drezner bos seus favoritos [Adenda-o blogue, entretanto, deixou de estar disponível; espera-se que seja temporário.]. [1] - mais exactamente, "holding a tenure", ocupar um lugar permanente sem necessidade de renovações anuais; Drezner é assistente n Universidade de Chicago.. |
sexta-feira, novembro 18, 2005
Este é o nosso Fado
«José Tavares demitiu-se, ontem, da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico e será substituído por Miguel Lebre de Freitas, até agora director do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação. A saída do coordenador do Plano Tecnológico, apresentado como peça-chave da política económica do Governo, não foi explicada mas era conhecida a existência de indefinições e de dificuldades de coordenação entre os vários ministérios envolvidos. [...] O esforço do Governo em evitar a descredibilização do Plano Tecnológico era, ontem, evidente. No final do Conselho de Ministros, quando confrontado com as primeiras notícias sobre a demissão de José Tavares, o ministro da Presidência procurou desde logo desvalorizar os sucessivos adiamentos na sua apresentação. Pedro Silva Pereira negou ainda existência de "qualquer conflito de competências", assegurando que este "continuará sediado no Ministério da Economia e Inovação".» - "Jonal de Notícias".Tudo indica que a demissão de José Tavares é apenas a ponta o icebergue de problemas mais profundos: a resistência por parte da estrutura administrativa e de poder ao desenvolvimento de uma estratégia inovadora. Ao longo dos meses em que, depois de aprovado pelo Governo, o Plano Tecnológico se tem mantido paralisado, têm sido constantes as notícias de conflito relativas ao respectivo controlo, nomeadamente entre os ministros Mariano Gago e Gomes Pinho. O Plano envolve políticas e programas transversais que interceptam a estrutura ministerial e, como é sabido, isso é equivalente a mexer num vespeiro. Por outro lado, tendo a região de Lisboa perdido o direito aos fundos comunitários, o Plano Tecnológico apresenta-se como um eldorado (ou uma tábua de salvação, conforme a óptica) para muitas empresas da região, razão pela qual os usuais conflitos sobre a gestão dos programas comunitários se podem ter deslocado para esta frente de batalha. O facto de Miguel Lebre de Freitas ser um especialista da área financeira com grande sensibilidade para o cumprimento das metas de convergência nominal (veja-se o seu artigo "Défice de disciplina ou a disciplina do défice?") pode também ter contribuido para a sua escolha. Será Miguel Lebre de Freitas um adepto do "Choque, sim, mas devagar"?
Aguarda-se que o blogue Plano Tecnológico comente a notícia. url deste post: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/11/este-o-nosso-fado.html |
Estar na onda

«“Portugal pode dominar 10% do mercado mundial de equipamentos para gerar electricidade a partir das ondas, calculado em 325 mil milhões de euros, se souber aproveitar as oportunidades”, afirma o presidente do Centro de Energia das Ondas (CEO). Investigador e professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, diz que a dimensão do negócio internacional combinado com as estimativas para o mercado nacional, garantirão “um negócio total da ordem dos 40 mil milhões de euros”, ou seja quase 30% do PIB nacional, “exportações da ordem dos mil milhões de euros durante 32 anos”, bem como “a criação de 10 mil postos de trabalho directos durante 40 anos”. Isto sem contar, naturalmente, com a redução da dependência energética face ao estrangeiro e da factura devida pela importação de gás para geração de electricidade, para além de permitir mais facilmente o cumprimento do protocolo de Quioto» |
Jeffrey Sachs
![]() Entrevista com Jeffrey Sachs Ficheiro mp3 - 30:57 min. - 11.Jul.2005
http://wnyc.vo.llnwd.net/o1/lopate/lopate071105apod.mp3 |
quinta-feira, novembro 17, 2005
Bob Dylan
| Já vou a meio do livro de memórias de Dylan, e é extraordinário como se encaixa em todas as anteriores versões do fenómeno Dylan, incluindo as que o próprio tem vindo a repetir vezes sem conta: que nunca foi um cantor de protesto, engagé, mas sim um mero autor de canções. Fica igualmente claro que nem o homem nem as suas canções pertencem a ninguém: são dele e sempre significaram exclusivamente aquilo que ele quiz que significassem. Muita gente, altruisticamente ou não, se apropriou do material para seu proveito próprio - e agora está na altura de o reconhecer. Grande livro! "Bob Dylan : Crónicas- Volume I" |
| ♪ The Lonesome River - Dylan / Ralph Stanley ♪ Don't Think Twice - Dylan ♪ Lay Lady Lay - Magnet / Gemma Hayes |
| url: http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20The%20Lonesome%20River.mp3 http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20Don%20t%20Think%20Twice.mp3 http://leafandlime.hobix.com/mp3/lay%20lady%20lay.mp3 |
Advocacia
Rogério Alves in jornal Público |
"Andem lá, compadres!"
«Bruxelas antecipa uma diminuição do desequilíbrio das contas públicas portuguesas menos rápida do que o previsto pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, advertiu hoje para a necessidade do Governo português adoptar "muitas medidas" se quiser consolidar o défice orçamental até 2008. "Estou certo que as autoridades portuguesas vão adoptar muitas medidas para continuar a estratégia de consolidação orçamental", disse Almunia na conferência de imprensa onde apresentou as Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia.»
Notícia do Diário Económico | |||||||||||||||
Navio ao fundo
"That sinking feeling" - artigo do Economist sobre o afundamento da General Motors «Os rendimentos afundaram, especialmente no seu mercado "core" da América do Norte. O navio GM tem continuado a chocar com icebergues ultimamente, o mais recente dos quais foi o anúncio da semana passada de que terá de recalcular os rendimentos de 2001 devido a registos estatísticos errados relativos a créditos de fornecedores.» Textos relacionados: "Sinais dos tempos" e "Acordo na General Motors Portugal" |
Desemprego
| O Instituto Nacional de Estatística divulgou as Estatísticas do Emprego do 3º trimestre do corrente ano, no qual o desemprego atingiu 7,7 % da população activa. Esta taxa é superior em meio ponto percentual ao trimestre anterior e superior em 0,9 pontos percentuais (pp) ao trimestre homólogo de 2004. A distribuição regional do emprego revela que as maiores taxas de desemprego se situam no Alentejo (9,9%), em Lisboa (9,0%) e Norte (8,8%). Face ao trimestre anterior, os maiores agravamentos ocorreram em Lisboa (1 pp), Centro e Alentejo (0,9 pp). Na região do Algarve ocorreu uma diminuição do desemprego em 1 pp, provavelmente por motivos sazonais. Face ao trimestre homólogo do ano anterior, os maiores agravamentos ocorreram em Lisboa (1,5 pp) e no Centro (0,9 pp).
O maior número de desempregados são mulheres: 53,6 %, sector onde também se verificaram maiores aumentos no último trimestre e no último ano. O escalão etário que mais contribuiu para o desemprego nos últimos meses e ano foi o das idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos; é também neste escalão que se situa a maior parte dos desempregados: 31 %. Os desempregados que já antes trabalharam representam 84 % do desemprego, mas foi entre aqueles que procuram o primeiro emprego que se verificou um maior agravamento no último ano (18,4 %) e no último trimestre (40 %).
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
quarta-feira, novembro 16, 2005
Acrónimos
David Smith no EconomicsUK.com
Sociedade da Informação
Tem hoje início em Tunes a "Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação", promovida pela ONU. Uma primeira ronda teve lugar na Suíça em Dezembro de 2003. A agenda da Cimeira encontra-se descrita neste texto de Kofi Anan, "A ONU e a Internet" (divulgado pelo + direito da informática). A tónica da Cimeira é colocada por Kofi Anan no desenvolvimento económico e social e, sobretudo, na possibilidade de que "os países pobres possam aproveitar ao máximo os benefícios das novas tecnologias da informação e comunicação, nomeadamente a Internet". No entanto, todas as questões relacionadas com a Internet estarão em cima da mesa, incluindo o seu controlo, ameaçando esta questão roubar o protagonismo do tema pretendido pela ONU. Este perigo é reflectido pelo jornal Público na notícia: "União Europeia quer retirar controlo da Internet aos EUA" e pelo Economist no artigo: "A tussle over America’s internet hegemony". Na blogosfera em português encontrei (via Technorati) as referências seguintes à Cimeira: | Atrium | Comunicar a Direito | Registo Civil | Jornalismo e Comunicação | Briteiros | A informação | Outros documentos e links para a cimeira: | emissão em directo (live podcast) | documentos |blogue da Cimeira| [2] Muitos blogues nacionais, entretanto, andam a debater intensamente as consequências de um possível controlo legal dos blogues, com base em dois documentos: a sentença judicial relativa ao blogue Do Portugal Profundo e a Lei n.º 53/2005 de 8 de Novembro, que cria a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC ). Na citada sententença refere-se que os blogues constituem a "abertura da comunicação social a qualquer indivíduo que, até aqui, não tinha espaço, nem possibilidade de se expressar nos meios de comunicação social tradicionais. (...) do conceito de imprensa previsto na Lei de Imprensa e que supra se explanou, se retira que um blog se integra no mesmo. (...)". Na Lei da ERC determina-se que "Integram o conceito de imprensa, para efeitos da presente lei, todas as reproduções impressas de textos ou imagens disponíveis ao público, quaisquer que sejam os processos de impressão e reprodução e o modo de distribuição utilizado." As consequências possíveis de uma interpretação destes documentos seriam a da aplicação aos blogues das mesmas restrições e controlos que existem para os órgãos de comunicação social, tais como jornais ou televisão. Outro blogues que participam neste debate: | Adufe | Mas certamente que sim! | Contra Factos & Argumentos | Direito e Economia | Blasfémias | Jornalismo e Comunicação | À Rédea Solta | Grande Loja do Queijo Limiano | Folha do Tejo | Contra Capa | Insurgente | Insustentável leveza | Miss Pearls | |
terça-feira, novembro 15, 2005
Fia-te na Virgem...
O Banco de Portugal diz que economia portuguesa está quase estagnada (previsão de "crescimento" do PIB de 0,3 % em 2005) e sabem qual a reacção do ministro das Finanças? Diz que fica contente, porque assim está afastada a hipótese de uma recessão em Portugal, que era o "que se temia".Sabem o que é que isto faz lembrar? Aquele ex-voto (pintura votiva) dedicada à Nossa Senhora da Atalaia, em que um pescador agradecia à Virgem por ter dado uma queda do mastro e ter partido uma perna, "quando podia ter partido as duas..." "A economia portuguesa em 2005" - Banco de Portugal |
Manifesto de Econometria Política
| Na sequência da publicação no Pura Economia de documentos sobre a avaliação de conhecimentos "revolucionária" que foi aprovada no ISE logo após o "25 de Abril", o De Gustibus Non Est Disputandum publicou um "Manifesto da Econometria Política", uma peça de humor dos anos 80 onde os "econometristas políticos" demonstram o seu "repúdio aos métodos quantitativos burgueses, neoclássicos, ortodoxos, tradicionais, estáticos e reacionários", propondo uma bateria de medidas para revolucionar a Econometria, tais como "substituir as equações de diferença por equações de igualdade". Vale a pena ler o manifesto na totalidade, aqui. A propósito de Econometria, também vale a pena referir que, no ISE, foi a equipa de Econometria do professor Mário Valadas quem colocou um travão na loucura das avaliações em grupo. Muitos outros docentes que mais tarde vieram a manifestar duras críticas àquele período, na altura alinharam sem problema, como é o caso de um certo professor, cujo nome não quero revelar para não perturbar as próximas eleições. Mas um dia ainda conto como se passou uma dessas avaliações, a que eu assisti, embora não fosse com esse docente, e sim com uma sua assistente. Mas essa equipa de Econometria, depois de passar a maior febre revolucionária, recusou-se a fazer outro tipo de avaliação que não fosse com testes escritos individuais. "Não sabemos fazer de outra maneira", disseram. Os estudantes argumentaram: "Mas nós não aprendemos as matérias precedentes à Econometria" (estatísticas, etç.) Responderam os docentes: "Mas nós ensinamos." E assim aconteceu. Ainda houve uma greve aos exames dessa cadeira no final do ano lectivo, mas durante o Verão tivemos aulas de apoio (gratuitamente dadas!) com o jovem assistente Cordeiro Baptista, então uma estrela no mundo da Econometria do ISE, dada a sua juventude e competência. Também tivemos a ajuda de um nosso colega, aluno brilhante, o Norberto Rosa, e lá fomos fazer testes a Econometria em Outubro. "Nós", mas nem todos: eu conheço quem, por causa dessa mesma disciplina, nunca tenha acabado o curso. Eu sei que estas recordações podem parecer pouco "oportunas", mas eu acho que o ISE deveria fazer a história daqueles tempos, que têm muita coisa ridícula (ou pior) mas também têm muita coisa boa. Valeria a pena engolir esse remédio, ainda que amargo. |
Direito e Economia
"The Origins of Law and Economics: Essays by the Founding Fathers", recente publicação composta por 16 ensaios de diversos autores, entre os quais três laureados com o Nobel: Coase, Becker e Buchanan. Diversidade de perspectivas sobre o campo do "Direito e Economia" (ou "Análise Económica do Direito"), desde a sua luta inicial para conseguir afirmação até aos importantes desenvolvimentos das últimas décadas. O livro é co-editado por Francesco Parisi e Charles K. Rowley, da George Mason University. Outros dos autores são: G. Calabresi, R.D. Cooter, H. Demsetz, R.A. Epstein, E.W. Kitch, W.M. Landes, H.G. Manne, R.A. Posner, G.L. Priest, P.H. Rubin, S. Shavell, M.J. Trebilcock, G. Tullock, O.E. Williamson. |
«No seu ensaio Buchanan procura explicar as diferenças entre ele próprio e Coase no que diz respeito à análise económica do Direito. Coase é um pensador dos custos de oportunidade, tal como Buchanan, mas Coase - segundo Buchanan, é um objectivista, enquanto que Buchanan afirma que: "Fui, e espero que consistentemente, ao longo de quase toda a minha carreira, um subjectivista, uma posição que não me permite deixar os critérios normativos para os tribunais ou seja quem for". A posição de Buchanan atinge o âmago da análise custo-benefício, que é crucial para o Direito padrão e para a Economia. Conforme seria de esperar de Buchanan, ele dirige a sua crítica subjectivista do custo/benefício e da análise de equilíbrio e argumenta em favor de um processo subjectivista e de uma perspectiva constitucional.»Via De Gustibus
Absolvição
A acusação relacionava-se com a publicação, naquele blogue, de peças do processo de pedofilia ("Casa Pia"). A acusação, no entanto, era especificamente sobre alegada a desobediência de António Caldeira relativamente a um despacho judicial proibindo aquela publicação. A sentença que ilibou aquele professor também se apoiou numa questão formal: o tribunal considerou que António Caldeira não fora notificado da decisão, portanto não podia ter havido desobediência. No seu blogue Do Portugal Profundo afirma-se que se trata de um "processo de perseguição política", e desabafa-se: "Absolvido. Um caso arrumado. Outros virão, que a rede pedófila de controlo do Estado não perdoa." Diz também que se tratou de um "processo ultrajante" e que a acusação se relacionava com "um despacho que eu não conhecia, não me foi facultado durante o processo porque estava em segredo de justiça, e que só hoje, no dia da sentença, ouvi." No blogue também se transcreve integralmente a sentença. Ainda há poucos dias o autor do Do Portugal Profundo manifestava a opinião de que o recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa relativo à não pronúncia de Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves do caso de pedofilia da Casa Pia, "deixa pouco espaço à esperança de condenação judicial final dos poderosos arguidos de pedofilia." Notícia do "Diário de Nocítias. |
Inflação
Índice de Preços no Consumidor (Base 100: 2002)
Fonte: INE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
segunda-feira, novembro 14, 2005
Gary Becker acerca dos motins em França:«Muitos economistas têm reconhecido, desde há mais de uma década, que os generosos salários mínimos e outros factores de rigidez do mercado de trabalho francês causam taxas de desemprego que se têm mantido teimosamente altas desde o início dos anos 90. Imigrantes, jovens e outros que entram no mercado de trabalho têm sido os mais afectados, uma vez que são os que encontram mais dificuldades para arranjar empregos. A taxa global de desemprego em França é agora de quase 9 % - comparada com 5 % nos EUA - sendo superior a 20 % para os jovens. Cerca de 40% dos desempregados encontram-se sem emprego regular há mais de um ano, uma taxa que é bastante mais alta do que a taxa americana para o desemprego de longa duração. «Os franceses têm intencionalmente evitado recolher dados económicos sobre os muçulmanos, mas a sua taxa de desemprego é estimada por economistas franceses como sendo superior a 20 %, com a taxa de desemprego de jovens muçulmanos provavelmente a exceder os 30 %. O mercado de trabalho em França está doente e necessita de reformas que o tornem mais flexível, de modo a que os "insiders" com emprego não tenham mais vantagens do que os "outsiders" que procuram trabalho. [...] Talvez estes motins ajudem a proporcionar maior poder aos poucos políticos franceses que compreendem a necessidade de importantes reformas económicas para ajudar todos os jovens franceses a obter empregos, e a deixá-los progredir na hierarquia económica quando demonstrem ter o talento e ambição requeridos. A Economia não pode prever com segurança como é que essas reformas afectarão a possibilidade de futuros motins, mas tais reformas certamente melhorarão a posição dos jovens imigrantes, independentemente da sua religião ou país de origem» |
Menos emprego, menos horas trabalhadas
| "Índices de Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas nos Serviços" - publicação do INE, já com dados do mês de Setembro, que mostram uma diminuição de 0,9 % face ao mês homólogo do ano anterior. Face ao mês anterior, a diminuição foi de 0,2 pontos percentuais. Em horas trabalhadas, registou-se uma diminuição homóloga de 1,3 %. As remunerações aumentaram 1,6 % relativamente a Setembro de 2004. |
Robert Barro
| Entrevista de Robert Barro ao banco da Reserva Federal de Monneapolis, abordando diversos temas tais como a Segurança Social nos EUA, o "Equity Premium Puzzle" (já referido pelo Pura Economia aqui), as políticas de combate à inflação, a União Monetária Europeia, o crescimento económico, as desigualdades sociais, o Fundo Monetário Internacional, e ainda os tópicos de que traduzi os seguintes excertos: |
Macroeconomia
P - «No início dos anos 70, creio, disse a Gary Becker que você estava convencido de que a macroeconomia estava a estagnar e que pensou dedicar-se à microeconomia.
Barro - Exactamente.
P - E então as "expectativas racionais" irromperam no campo teórico e você foi um dos pioneiros dessa revolução. Tendo em consideração as suas previsões, o que pensa acerca da macroeconomia hoje? Quais pensa que são as áreas mais promissoras para investigação em macro? Ainda pensa em mudar-se para a micro?
Barro - «Eu era seguramente mau a fazer previsões, no início dos anos 70, acerca do modo como a macroeconomia iria evoluir. Creio que eu era particularmente influenciado, nessa altura, pela macroeconomia keynesiana, na qual tinha estado a trabalhar, e penso que acertei ao ver que esse campo não tinha grande potencial.
Mas, tal como acabou de sugerir, pouco depois de eu afirmar que a macroeconomia não era promissora, ocorreu uma impressionante sequência de eventos. Eu iniciei o trabalho sobre expectativas racionais - aplicada inicialmente a modelos monetários com uma versão da Curva de Phillips. E então apareceu a análise do ciclo económico real, em que Prescott foi pioneiro. Depois tivemos trabalhos muito interessantes sobre o crescimento económico, com o crescimento a ser visto, cada vez mais, como uma parte central da macroeconomia. E surgiram trabalhos empíricos muito notáveis sobre o crescimento. Portanto isto foi uma sequência, digamos, de quatro desenvolvimentos excitantes da macroeconomia, logo depois de eu ter dito que ela estava a estagnar. Mas agora parece que talvez os últimos 10 anos tenham sido menos excitantes, em comparação. Há já algum tempo que não vemos nada equivalente a esses quatro desenvolvimentos.
«Tem havido progressos, até mesmo do lado do keynesianismo. Temos agora abordagens mais sofisticadas aos modelos de preços rígidos [sticky-prices]. Alguma desta investigação relaciona-se, pelo menos em termos de explicação ex post, com o sucesso mundial da política monetária. Contudo, podemos localizar estes avanços nos anos 80, portanto isto não muda a minha perspectiva quanto aos desenvolvimentos recentes. Tem havido, contudo, a investigação, já referida, em economia política e as aplicações deste trabalho a instituições e ao crescimento.
P - Se as coisas estão a estagnar, então talvez uma nova revolução esteja a caminho.
Barro - «Bem, está na essência de uma revolução que não possa ser prevista, não é? Se a pudesse ter previsto antes, é porque já tinha acontecido.
P - Como é que a Economia avança - é evolucionista ou revolucionária?
Barro - «Penso que existem acontecimentos importantes que se parecem com mudanças discretas [1], seguidos por um período de desenvolvimentos mais evolucionistas, redifinindo e alargando.
P - E sempre se vai dedicar à microeconomia?
Barro - «Sempre tive grande interesse na microeconomia aplicada, e frequentemente escrevo para a "BusinessWeek" e para o "Wall Street Journal" artigos nessa linha, apesar dos editores me estarem sempre a pedir para escrever sobre macro, incluindo política monetária. Eu gosto de escrever artigos de opinião sobre micro, talvez porque a minha investigação não seja tanto sobre isso. Creio que duas das minhas colunas [com artigos de opinião] mais populares foram sobre "economia da beleza" e "economia da legalização de drogas", dois tópicos claramente micro. Mas nem sequer estou seguro de que eu tenha verdadeiramente mergulhado na macroeconomia, apesar de ter começado por aí. De facto, no meu primeiro curso [como docente] usava a "Teoria Geral" de Keynes como livro base. Contudo, a macroeconomia lida usualmente com temas mais amplos e mais importantes.»
[1]-"discretas" no sentido matemático; mudanças descontínuas, por "saltos".
Equivalência ricardiana
«A "equivalência ricardiana" é, antes do mais, uma proposição de primeira ordem. Contudo, as pessoas confundem sobre o que realmente ela quer dizer... Para ilustrar a potencial confusão sobre o seu significado, podemos referir a famosa citação atribuída ao Vice-Presidente Cherney segundo a qual o Presidente Reagan provou que os défices orçamentais não importam. As palavras de Cheney são muitas vezes interpretadas como significando que o nível de despesa pública não é importante, e isso não é certamente o que a "equivalência ricardiana" diz. A proposição ricardiana é acerca das consequências de pagar por um dado montante de despesa pública de diferentes modos. Especificamente, esta é a questão: é ou não relevante que o governo financie a sua despesa com impostos correntes ou com empréstimos, que significam futuros impostos?
[...]
«Como proposição de primeira ordem, é verdade que importa pouco se se paga a despesa do governo com impostos de hoje ou impostos futuros, qué é basicamente o que o défice é. O método do financiamento público constitui uma questão importante, mas é menos importante do que a questão da dimensão do governo e a que actividades se deve dedicar.
«Lançar impostos agora ou no futuro é um tópico de finanças públicas. Esta visão desloca a análise para longe da equivalência ricardiana, para a perspectiva sobre qual deve ser a taxa óptima, o que nos conduz ao princípio da "suavização de impostos" ["tax smoothing"]. A ideia é que o financiamento público óptimo determine a existência de taxas de imposto que sejam similares de um ano para o outro, pois movimentos erráticos destas taxas são altamente distorcivos. Deste ponto de vista, não é desejável ter uma taxa de imposto muito baixa hoje, financiada por um défice fiscal, seguida por taxas de imposto muito mais elevadas no futuro.»
Estudos sobre a associação entre religião e crescimento
«Estou muito interessado neste projecto de investigação. Situa-se na articulação entre a religião e a economia política, portanto existe aqui uma articulação em dois sentidos. Um é acerca da influência que a religião tem nas crenças, valores, traços de carácter como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade, etç. Neste contexto, estamos [Barro e a mulher, Rachel McCleary] a estudar o impacto da religião no crescimento económico e na produtividade, e também nas instituições políticas, incluindo a democracia. Estes efeitos representam uma direcção de causalidade.
«O outro efeito, que constitui uma grande componente de literatura sobre a sociologia da religião, é sobre como o desenvolvimento económico e as políticas dos governos influenciam os níveis de religiosidade numa sociedade. Por exemplo, uma ideia é a de que as nações que se tornam ricas e melhor educadas tendem a ser menos religiosas.
[pergunta do jornalista: "É a"secularização da sociedade?"]
«Trata-se da hipótese da secularização da sociedade, sim. E embora essa hipótese tenha perdido apoios, penso que a evidência empírica a suporta. Uma ideia relacionada é do impacto que os governos provocam ao ter religiões oficiais de estado ou ao regular o mercado - quer subsidiando quer suprimindo a religião. Os países comunistas foram especialmente determinados em políticas anti-religião... quer dizer, se não considerarmos o comunismo como a sua própria religião...»
"Capital religioso"
«A ideia geral é análoga ao investimento em educação para acumular capital humano. Ou, em alternativa, podemos pensar em investir em redes e amizades para formar capital social. Analogamente, pode-se investir em espiritualidade e crenças para formar uma espécie de capital de religião. A Raquel e eu pensamos nesta influência como actuando através das crenças, não tanto através de redes, ou em ir à igreja e encontrar muitas pessoas. Isso seria mais como capital social. Estas crenças importam, se elas suportarem certos traços de carácter e valores, tais como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade e hospitalidade para com terceiros. Estes traços depois influenciam a produtividade e o trabalho, que em última análise afectam o crescimento económico.
«A outra questão que posso mencionar é que sempre que dou um seminário sobre este tópico, me perguntam se sou pessoalmente religioso. A atitude parece ser a de que o facto de eu estudar este assunto deve vir de algum conjunto de crenças individuais ou compromisso com uma dada religião. É curioso porque as pessoas que estudam outros aspectos da ciência social não costumam receber perguntas equivalentes. Gary Becker estudou a economia do crime e (tanto quanto sei) ninguém lhe perguntou se ele era um criminoso.»









«José Tavares demitiu-se, ontem, da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico e será substituído por Miguel Lebre de Freitas, até agora director do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação. A saída do coordenador do Plano Tecnológico, apresentado como peça-chave da política económica do Governo, não foi explicada mas era conhecida a existência de indefinições e de dificuldades de coordenação entre os vários ministérios envolvidos. [...] O esforço do Governo em evitar a descredibilização do Plano Tecnológico era, ontem, evidente. No final do Conselho de Ministros, quando confrontado com as primeiras notícias sobre a demissão de José Tavares, o ministro da Presidência procurou desde logo desvalorizar os sucessivos adiamentos na sua apresentação. Pedro Silva Pereira negou ainda existência de "qualquer conflito de competências", assegurando que este "continuará sediado no Ministério da Economia e Inovação".» - "

«Bruxelas antecipa uma diminuição do desequilíbrio das contas públicas portuguesas menos rápida do que o previsto pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, advertiu hoje para a necessidade do Governo português adoptar "muitas medidas" se quiser consolidar o défice orçamental até 2008. "Estou certo que as autoridades portuguesas vão adoptar muitas medidas para continuar a estratégia de consolidação orçamental", disse Almunia na conferência de imprensa onde apresentou as Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia.»

O 
Gary Becker acerca dos motins em França:
