quinta-feira, novembro 24, 2005

Isabel de Castro 1931-2005

  Isabel de castro- foto de  www.nuestrocine.com

Isabel de Castro estreou-se aos 14 anos no filme "Ladrão Precisa-se" e em três peças portuguesas no Teatro Estúdio do Salitre. Diplomada pelo Conservatório Nacional, partiu para Espanha onde, durante seis anos, foi uma presença regular no cinema tendo trabalhado com alguns dos mais destacados nomes do cinema espanhol de então como Rovira Belleta, Fernando Fernán Gómez, Franciso Rabal, López Vasques, Ana Mariscal e Conchita Velasco. Regressou depois a Portugal onde se dedica ao teatro e ao cinema, tendo sido uma presença constante em filmes de realizadores como Perdigão Queiroga, Henrique de Campos, João Botelho, Alberto Seixas Santos, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Paulo Rocha, Pedro Costa, Manuel Mozos, António de Macedo, Manoel de Oliveira, entre outros.

Filmografia em Portugal
 A Dupla Viagem 2002
 Henrique  2001 
 O Fato 2000
 Amo-te, Teresa 2000
 Quando Troveja 1999
 O Anjo da Guarda 1999
 Ilhéu de Contenda 1999
 Glória 1999
 A Sombra de Cain 1999
 Uma Voz na Noite 1998
 Tráfico 1998
 Jerónimo 1998
 Desvio 1996
 A Testemunha 1998
 Viagem ao Princípio do Mundo 1997
 Casa de Lava 1995
 Três Palmeiras 1994
 Vale Abraão 1993
 O Miradouro da Lua 1993
 Chá Forte Com Limão 1993
 Aqui Na Terra 1993
 Xavier 1992
 Vertigem 1991
 O Sangue 1991
 A Lição de Inglês 1990
 A Sétima Letra 1989
 Uma Pedra no Bolso 1988
 Três Menos Eu 1988
 Tempos Difíceis 1988
 Mensagem 1988
 O Desejado ou
As Montanhas da Lua
1987
 Um Adeus Português 1985
 Jogo de Mão 1984
 Sem Sombra de Pecado 1983
 Conversa Acabada 1982
 Francisca 1981
 Passagem - Ou a Meio Caminho 1980
 O Rei das Berlengas 1978
 Brandos Costumes 1975
 O Destino Marca a Hora 1970
 Domingo à Tarde 1966
 Fado Corrido 1964
 Sexta-Feira, 13 1962
 As Pupilas do Senhor Reitor 1961
 O Dinheiro dos Pobres 1956
 Heróis do Mar 1949
 Fogo! 1949
 Ladrão, Precisa-se!...


1946


Filmografia em Espanha
 Sombras de una batalla1993
 Jamón! Jamón!1992
 Martes y trece1962
 El golfo que vió una estrella1953
 Hay un camiño a la derecha   1953
 El sistema pelegrín1951
 La danza del corazón1951
 Brigada criminal1950
 ¡Fuego!1949
 Barrio (Vajda)1947

Artistas Unidos

quarta-feira, novembro 23, 2005

Teoria do Consumidor

Ficheiro mpeg - clique ou copie para o leitor virtual:

http://www.nebo.edu/misc/learning_resources/ppt/sounds/nosmoking.mpg

segunda-feira, novembro 21, 2005

Golos na própria baliza

O Banco de Portugal publicou os Indicadores de Conjuntura, com dados de Outubro, onde se salienta o abrandamento do consumo privado - eventualmente devido à antecipação da aquisição de veículos imediatamente antes do aumento do IVA.

Também no 3º trimestre de 2005 a indústria transformadora registou uma diminuição de 1,1 % - ainda assim inferior à diminuição registada nos trimestres anteriores.

Outros indicadores de Outubro já conhecidos são a taxa de inflação homóloga (2,7 %) e a taxa de desemprego (7,7 % no 3º trimestre). O défice da BTC agravou-se em 2 325 milhões de €. O relatório indica ainda a previsão da Comissão Europeia de um défice público de 6 %.

As previsões da Comissão Europeia de crescimento do PIB para a área do euro são as seguintes:

  Produto interno bruto 
Novembro 2005
(variação percentual)
  2005    2006    2007  
 Área do Euro1,31,92,1
   Alemanha0,81,21,6
   França1,51,82,3
   Itália0,21,51,4
   Espanha3,43,23,0
   Países Baixos       0,52,02,4
   Bélgica1,42,12,0
   Áustria1,71,92,2
   Portugal0,40,81,2
   Grécia3,53,43,4
   Finlândia1,93,53,1
   Irlanda4,44,85,0
 Fonte: Comissão Europeia - via Banco de Portugal

A confirmarem-se estas previsões,  o crescimento português será sensivelmente metade da média dos países do €, será o mais baixo de todos esses países, e ficará bastante abaixo da Irlanda e da Grécia - bastante mais abaixo do que aconteceu no outro Euro, que tanto emocionou os portugueses. Será que também se irão emocionar com estes "golos" na própria baliza?

Integração Europeia

"Gás é 37% mais barato em Espanha"
«Os consumidores portugueses pagam, em média, mais 37% do que os seus congéneres espanhóis por cada quilograma de gás butano de botija. No gás propano, utilizado pela indústria, os preços por quilograma engarrafado são quase 50% mais caros em Portugal do que no vizinho ibérico.»

Diário de Notícias

PT: "Invenção política eleitoral"


Henrique Neto

«Tal como está, o Plano Tecnológico está errado. É um documento teórico, vago, que não teve em conta a realidade económica do país» - estas pouco "meigas" declarações foram proferidas por Henrique Neto, um conhecido empresário da área do Partido Socialista, presidente da Iberomoldes. E acrescenta que o problema está no facto de se tratar de «uma invenção política eleitoral» que foi colocada «num plano elevado de expectativas, com muitas empresas a esperar que lhes resolva os problemas.»

Notícia do jornal Público

"Ministro dos Passos Cómicos"


Rudiger Dornbusch

Rudiger Dornbusch, economista do MIT falecido em 2002, foi quem orientou mais directamente a equipa de doutorandos do MIT que esteve em Portugal em 1976 a elaborar, para o Banco de Portugal, o relatório "A Economia portuguesa: evolução recente e situação actual". Desta equipa fazia parte Paul Krugman que, numa nota de homenagem a Rudi Dornbusch, recorda (aqui) o seguinte episódio ocorrido durante esse período:

«No Verão de 1976, um grupo de estudantes do MIT foi fazer um trabalho para o Banco de Portugal. O contacto inicial veio de Richard Eckaus, mas o líder efectivo da nossa missão - o homem que nos situou no terreno, apesar de depois termos trabalhado sozinhos - foi Rudi. Já escrevi acerca desta "cruzada de crianças" no ensaio "Incidentes da minha carreira", mas deixem-me acrescentar um pouco acerca do trabalho de Rudi.

«A primeira coisa de que me recordo é de ter chegado - muito "jet lagged" - e de ir quase directamente para uma reunião com o Governador. Rudi também tinha acabado de chegar, mas estava totalmente concentrado e acutilante. Nunca consegui igualar a sua capacidade de viajar bem, mas aprendi dessa experiência a importância de ultrapassar as fragilidades quando há trabalho importante a fazer.

«Mas mais importante foi o que nos disse depois, em privado. Mais ou menos, disse-nos para contarmos apenas connosco próprios. Os funcionários locais tinham toda a experiência e informação, mas eles não conheciam necessariamente melhor do que nós o que estava certo ou o que seria mais apropriado. Rudi alcunhou um determinado responsável, particularmente pomposo, como o "Ministro dos Passos Cómicos" ["Minister of Funny Steps"] - exactamente o tipo de desanuviador de tensão de que necessitávamos.»

Quem seria o "Ministro dos Passos Cómicos"?

É provável que Krugman se refira a Francisco Salgado Zenha, que foi Ministros das Finanças (do VI Governo Provisório) até ao dia 23 de Julho - o relatório tem data de 6 de Agosto e deve ter demorado algumas semanas a elaborar. Formado em Direito e sem qualquer especialização económica, Salgado Zenha ficou conhecido por várias gafes, a mais notável das quais foi a de ter respondido a um jornalista que o questionava sobre a recente subida de preços decretada pelo Governo, que só se tinha apercebido dos aumentos "quando fui encher o radiador com gasolina". Não se pode dizer que Salgado Zenha fosse especialmente pomposo, mas um primeiro contacto de economistas académicos com o peculiar Zenha pode ter deixado essa impressão.

Honoris Causa

Doutoramentos Honoris Causa do ISE


Doutorado

ReferênciasAno
René Gonnard Professor de Economia Política e de História das Doutrinas Económicas da Universidade de Lyon. Membro do Instituto de França1934
Daniel Faucher Professor de Geografia Económica e Director honorário da Faculdade de Letras de Toulouse. Antigo Vice-Reitor da Universidade de Toulouse1935
Josiah Stamp Presidente da “London School of Economics” da Universidade de Londres. Presidente da “Economic Society” e da “Statistical Society”. Vice-Governador do Banco de Inglaterra. Membro da Câmara dos Lordes1936
William Qualid Professor de Economia Política da Faculdade de Direito de Paris 1936
Bruno Biagi Professor de Economia Corporativa da Universidade de Bolonha1937
Lionel Robbins Professor de Economia Política da Universidade de Londres1939
Gaetan Pirou Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris1939
Louis Baudin Professor de Economia Política da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Paris1948
J. R. Hicks Professor da Universidade de Oxford1956
Jan Tinbergen Professor do Instituto de Ciências Económicas de Roterdão1956
Robert Mossé Professor da Faculdade de Direito e de Ciências Económicas da Universidade de Grenoble1956
François Perroux Professor hornorário da Universidade de Paris e do Colégio de França 1960
H. A. Wold Professor da Universidade de Upsala, Suécia1964
Celso Furtado Ministro da Cultura do Brasil1987
Alain CottaProfessor de Ciência Económica da Universidade de Paris IX – Dauphine. 1987
Raymond Courbis Professor da Universidade de Paris X Nanterre1991
Arnold Zellner Professor da Universidade de Chicago1991
Michael E. Porter Professor da Harvard Business School1994
Hans Wolfgang Singer Professor do Institute of Development Studies da Universidade de Sussex1994
Joseph Stiglitz Professor da Universidade de Stanford2000
Richard Brealey Professor da London Business School 2001
Amartya Sen Professor no Trinity College em Cambridge2001
José Silva Lopes Presidente do Conselho de Administração do Montepio Geral2004
Fonte: ISEG

António Manuel Pinto Barbosa


Pinto Barbosa: reformador do ensino da Economia em Portugal

O livro "António Manuel Pinto Barbosa - uma biografia económica" retrata a vida dum grande economista português, constintuindo simultaneamente um relato histórico de um período importante do ensino da Economia em Portugal e da sua escola de referência: o então ISCEF, depois ISE, e actualmente ISEG (também conhecido como "o Quelhas" ou "Económicas").

O livro é da autoria do professor de Economia João César das Neves e do jornalista Francisco Azevedo e Silva. A 1ª edição é de 1999, da "Editorial Verbo", ISBN-9722219200. Os autores, no entanto, não consideram a obra como sendo um livro de história.

O livro inclui coisas muito divertidas, como esta referência às dificuldades que os diplomados do ISCEF tinham em obter colocação, na década de 40:
«Já depois da minha formatura, era eu professor, apareceu uma grande notícia nessa altura, quando um dos nossos diplomados tinha conseguido o lugar de chefe de repartição na Câmara Municipal de Lisboa. O Instituto quase que embandeirou em arco.»

António Manuel Pinto Barbosa

Pinto Barbosa, apesar da discordância da família, decide, com 23 anos, dedicar-se à carreira académica; é memorável o momento em que o jovem professor do ISCEF encontra o destacado professor de Economia da Faculdade de Direito de Coimbra, José Joaquim Teixeira Ribeiro, na altura da apresentação de um trabalho de Pinto Barbosa:
«Você não percebe nada disto. Estude Economia a sério. Leia os clássicos de Economia»

Teixeira Ribeiro

O jovem professor sabia apenas... o que se ensinava no ISCEF na altura, e que estava muito desactualizado; estudavam-se coisas como Geografia e Físico-Químicas, por exemplo.

Levando o conselho de Teixeira Ribeiro a peito, Pinto Barbosa viria a protagonizar a grande reforma do ensino da Economia em Portugal, vertida em lei em 1949. Mas a implantação real da reforma teve de vencer muitas dificuldades. Por exemplo:
«Convencer o Ministério a aprovar a cadeira de Economia da Empresa foi muito complicado. Não entendia bem para que servia uma cadeira dessas!»

António Manuel Pinto Barbosa

José Braga de Macedo refere que a macroeconomia «chegou a Portugal nos anos 1940, pela mão de António Manuel Pinto Barbosa». Para além da actividade docente, Pinto Barbosa viria a ocupar cargos oficiais, como Ministro das Finanças entre 1955 e 1965, e Governador do Banco de Portugal.

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, sentindo não ter condições, demite-se do Banco central. A turbulência revolucionária que domina o ISCEF (então ISE) após a revolução impede Pinto Barbosa de continuar a leccionar na Escola que ajudara a formar. Foi então para Basileia como Consultor do Banco de Pagamentos Internacionais. Em 1978 aceitou um convite para leccionar na Universidade Nova (recusando um convite contemporâneo do ISE).

Em 1987 chegou a altura da sua jubilação. Em 1989 saíu o livro "Nova Economia em Portugal – Ensaios em homenagem a António Manuel Pinto Barbosa" onde se incluem contributos de algumas lendas vivas da ciência económica: James Tobin (Nobel de 1983) e Robert Mundell, apara além de alguns dos maiores economistas portugueses contemporâneos: Teixeira Ribeiro, Pereira de Moura e Jacinto Nunes, entre outros. Pinto Barbosa é membro honorário da Ordem dos Economistas e foi recentemente nomeado para a Comissão de Vencimentos do Banco de Portugal.

Pinto Barbosa é pai de dois gémeos, ambos igualmente conceituados economistas: António Soares Pinto Barbosa (autor do livro Economia Pública) e Manuel Soares Pinto Barbosa. Ambos são igualmente musicos amadores de jazz, integrando os "Lisboa Swingers Big Band".

domingo, novembro 20, 2005

Acreditem - ou não.

«Apesar do vasto número de religiões, quase toda a gente no mundo acredita nas mesmas coisas: a existência de uma alma, vida depois da morte, milagres e criação divina do universo. Recentemente, psicólogos que investigam mentes de crianças, descobriram dois factos relacionados que podem contribuir para este fenómeno. Por um lado, os seres humanos chegam ao mundo com uma predisposição para acreditar em fenómenos sobrenaturais. Por outro lado, esta predisposição é uma consequência acidental de um desvio do funcionamento cognitivo.»

Paul Bloom, Is God an Accident?
The Atlantic online

O artigo citado é de acesso reservado a assinantes, mas o blogue Jewish Atheist transcreve grande parte:
«Nós somos dualistas: parece intuitivamente óbvio que o nosso corpo físico e uma entidade consciente - a mente ou a alma - são genuinamente distintos. Não sentimos que sejamos os nossos corpos. Pelo contrário, sentimos que os ocupamos, que os possuímos, que somos os donos. Esta crença abre a possibilidade de que possamos sobreviver à morte dos nossos corpos. (...) E as crianças acreditam mais nisto do que os adultos, sugerindo que a noção de que a vida depois da morte é possível não é aprendida - embora tenhamos que aprender qual o tipo especifico de vida depois da morte em que a nossa cultura acredita (céu, reincarnação, um mundo de espíritos, etç.). É uma consequência de como naturalmente pensamos acerca do nosso mundo.»
Mas, para os psicólogos citados por Bloom, isto é apenas metade da história:
«O nosso dualismo permite-nos pensar em entidades e eventos sobrenaturais; é por isso que tais coisas fazem sentido. Mas existe outro factor que torna a sua percepção evidente, irresistível. Temos aquilo a que o antropólogo Pascal Boyer designou como uma  hipertrofia da cognição social . Vemos intenção, objectivo, mesmo quando ele lá não está.

«Em 1944 os psicólogos sociais Fritz Heider e Mary-Ann Simmel realizaram um filme simples em que figuras geométricas - circulos, quadrados, triângulos - se moviam de certos modos sistemáticos, de forma a contar uma história. Quando viam este filme, as pessoas descreviam instintivamente as figuras como se fossem tipos específicos de pessoas (rufiões, vítimas, heróis) com objectivos e desejos, e repetiam em boa medida a mesma história que os psicólogos pretenderam contar.

«Stewart Guthrie, um antropólogo da Universidade de Fordham, foi o primeiro académico moderno a reparar na importância desta tendência como explicação para o pensamento religioso. No seu livro "Faces in the Clouds", Guthrie revela casos e experiências que mostram que as pessoas atribuem características humanas a uma surpreendente gama de entidades do mundo real, incluindo bicicletas, garrafas, nuvens, fogo, folhas, chuva, vulcões, vento,etç. Somos hipersensiveis a sinais de agência - de tal forma que vemos intenção onde apenas existe artifício ou acaso. Tal como Guthrie escreveu, as roupas não têm Rei.
(...)
«O problema que ocorre com a [ teoria darwiniana da ] selecção natural é que não faz sentido em termos intuitivos. É como a física quântica: podemos aflorá-la intelectualmente, mas nunca nos há-de parecer certa. Quando vemos uma estrutura complexa, vemo-la como o resultado de crenças, objectivos e desejos. O nosso modo social de compreensão torna difícil aceitá-lo de outro modo. O nosso instinto exige um criador - um facto que é compreensivelmente explorado por aqueles que argumentam contra Darwin.
(...)
«Não é por isso surpreendente que se encontrem em formação nas crianças pontos de vista criacionistas. Miúdos de 4 anos insistem que tudo tem uma intenção, incluindo leões ("ir para o Zoológico") e nuvens ("chover"). Quando se pede para explicar porque é que um agregado de rochas é pontiagudo, os adultos preferem uma explicação física, enquanto que as crianças preferem uma funcional, tal como "para que os animais se possam roçar nelas quando têm comichão." E quando se lhes pergunta sobre a origem de animais e pessoas, as crianças tendem a preferir explicações que envolvem um criador intencional, mesmo quando os adultos que os educam não o fazem. O criacionismo - a e crença em Deus - está inserida no mais profundo de nós.»

Reinvenção da roda


Enganaram-se na roda, ou quê? [clique para ampliar]

Um olhar distraído para a imagem ao lado pode criar a ideia de que alguém se enganou e colocou uma roda de bicicleta num automóvel - com maus resultados. Mas não: trata-se da "Tweel", um novo conceito de roda criado pela Michelin. A nova roda foi apresentada publicamente em Janeiro deste ano - ver o "press release".

A roda utiliza materiais compósitos que se deformam perante os obstáculos, regressando à forma inicial com grande facilidade. Uma das vantagens da "Tweel" é que não necessita de enchimento de ar: uma tarefa desconfortável que resulta em que muitos carros andam desequilibrados, consumindo mais combustível, gastando mais os pneus e criando condições para acidentes. Mas a nova roda poderá também proporcionar vantagens nos usuais parâmetros relacionados com a aderência e conforto.

O pneu radial, inventado há 50 anos, também pela Michelin, continuará a constituir o padrão das rodas de automóveis durante os próximos anos, mas a "Tweel" bem poderá ser a roda do futuro. Outras aplicações da "Tweel" podem ver-se nesta bicicleta e nesta máquina.

Ganhar uns cobres?


Consumo mundial de cobre [clique para ampliar]

Segundo Daniel Gross, num artigo na revista "Slate", o cobre diz-nos "quase tudo o que precisamos saber sobra a economia global".

Ao contrário do ouro, que parece andar ao contrário da economia (subindo quando as pessoas receiam a instabilidade e a inflação) o cobre é um grande indicador coincidente: " para onde vai a sorte do cobre, assim vai a economia mundial ".

O cobre resiste à corrosão e é bom condutor, encontrando-se um pouco por toda a parte, nas instalações eléctricas dos edifícios e em praticamente tudo o que recorre à electricidade, o que significa muita coisa. Ultimamente o cobre tem beneficiado da explosão do sector da habitação e construção - e tem revelado ser um bom investimento. Sendo o cobre normalmente utilizado em moedas de baixo valor, a expressão "uns cobres" ganhou a conotação de coisa de baixo valor, mas parece que essa desvalorização já não corresponde à realidade.

sábado, novembro 19, 2005

Perigos da tecnologia

Ficheiro mpeg - clique ou copie para o leitor virtual:
http://www.bordergatewayprotocol.net/jon/humor/video/Sonyworkhome.mpg

Acham isto normal ?


Resumo do artigo "On the Effectiveness of Aluminium Foil Helmets: An Empirical Study":

«Numa pequena comunidade de paranóicos, capacetes de alumínio servem como medida protectora contra sinais de rádio invasivos. Investigámos a eficácia de três tipos de capacetes de alumínio num grupo de 4 indivíduos. Utilizando um detector de 250 mil dólares, verificámos que embora, em média, todos os capacetes atenuem as frequências de rádio invasivas em qualquer direcção (quer emanando de uma fonte externa quer do crâneo do sujeito), certas frequências são de facto ampliadas. Estas frequências amplificadas coincidem com bandas de rádio reservadas a entidades governamentais. A evidência estatística sugere que o uso dos capacetes pode de facto aumentar as capacidades invasivas do governo. Admitimos mesmo a hipótese de que tenha sido o governo a despoletar a mania dos capacetes, por esta mesma razão.»
Veja aqui mais modelos de capacetes: |um |dois |três |quatro |cinco |

Este post deveria ser acompanhado por uma canção dos REM, mas da qual apenas encontrei a letra: "What's The Frequency, Kenneth?" |

Bom fim-de-semana - e não se esqueçam do capacete!

Blogar pode ser perigoso


Blogar pode ter consequências

Daniel Drezner, um conceituado académico de Ciência Política com dois mestrados e um doutoramento em Stanford, e com obra publicada, iniciou um blogue em Setembro de 2002. Na altura deve ter tido um qualquer pressentimento e escreveu no seu primeiro post: "Não devia estar a fazer isto. Espero para breve a passagem a um lugar permanente" [1].


  Daniel Drezner

Resultado: a escola não o passou para o quadro e, apesar de negarem que o blogue tenha tido qualquer influência na decisão, os jovens docentes com blogues ficaram assustados, porque Drezner era indiscutivelmente o melhor posicionado para obter o lugar. Este é o tema de um artigo de Robert S. Boynton na revista Slate.

Drezner, no seu blogue, comenta o artigo da Slate dizendo que não foi contactado pela revista e que nunca disse que foi o blogue que lhe custou o lugar.

O artigo da Slate, no entanto, alarga o campo de análise e questiona-se sobre o fraco prestígio dos blogues no meio académico:
«Não é segredo que muito do material revisto pelos pares e publicado em revistas académicas de prestígio não é nem muito bom nem muito lido, enquanto parte do que aparece em blogues académicos é de grande qualidade e tem uma leitura alargada (embora outra parte não seja nem tenha). Portanto, vale a pena questionar: como pode um sistema que alegadamente se preocupa apenas com a qualidade da argumentação e investigação, automaticamente incluir as revistas e excluir os blogues?»
[...]
«Os blogues académicos representam a fruição, e não a traição, dos ideais universitários. Pode-se mesmo argumentar que os blogues são a corporização daquilo que o filósofo Michael Oakshott designou como "A Conversa da Humanidade" - um diálogo sem fim e eminentemente democrático acerca das melhores ideias e artefactos da nossa cultura. O blogue de Drezner, por exemplo, não é nada do tipo: "Eis o que eu fiz hoje". Pelo contrário, usualmente escreve sobre globalização e economia política - os mesmos assuntos sobre os quais publica na imprensa e revistas de prestigio, arbitrado pelos pares. Embora a sua prosa e estilo, no blogue, tomem mais abertamente partido, o pensamento subjacente não é menos rigoroso ou menos inteligente.»
O Pura Economia, claro, vai passar a incluir o blogue de Drezner bos seus favoritos [Adenda-o blogue, entretanto, deixou de estar disponível; espera-se que seja temporário.].


[1] - mais exactamente, "holding a tenure", ocupar um lugar permanente sem necessidade de renovações anuais; Drezner é assistente n Universidade de Chicago..

sexta-feira, novembro 18, 2005

Este é o nosso Fado

Miguel Lebre de Freitas«José Tavares demitiu-se, ontem, da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico e será substituído por Miguel Lebre de Freitas, até agora director do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação. A saída do coordenador do Plano Tecnológico, apresentado como peça-chave da política económica do Governo, não foi explicada mas era conhecida a existência de indefinições e de dificuldades de coordenação entre os vários ministérios envolvidos. [...] O esforço do Governo em evitar a descredibilização do Plano Tecnológico era, ontem, evidente. No final do Conselho de Ministros, quando confrontado com as primeiras notícias sobre a demissão de José Tavares, o ministro da Presidência procurou desde logo desvalorizar os sucessivos adiamentos na sua apresentação. Pedro Silva Pereira negou ainda existência de "qualquer conflito de competências", assegurando que este "continuará sediado no Ministério da Economia e Inovação".» - "Jonal de Notícias".

Tudo indica que a demissão de José Tavares é apenas a ponta o icebergue de problemas mais profundos: a resistência por parte da estrutura administrativa e de poder ao desenvolvimento de uma estratégia inovadora. Ao longo dos meses em que, depois de aprovado pelo Governo, o Plano Tecnológico se tem mantido paralisado, têm sido constantes as notícias de conflito relativas ao respectivo controlo, nomeadamente entre os ministros Mariano Gago e Gomes Pinho. O Plano envolve políticas e programas transversais que interceptam a estrutura ministerial e, como é sabido, isso é equivalente a mexer num vespeiro.

Por outro lado, tendo a região de Lisboa perdido o direito aos fundos comunitários, o Plano Tecnológico apresenta-se como um eldorado (ou uma tábua de salvação, conforme a óptica) para muitas empresas da região, razão pela qual os usuais conflitos sobre a gestão dos programas comunitários se podem ter deslocado para esta frente de batalha.

O facto de Miguel Lebre de Freitas ser um especialista da área financeira com grande sensibilidade para o cumprimento das metas de convergência nominal (veja-se o seu artigo "Défice de disciplina ou a disciplina do défice?") pode também ter contribuido para a sua escolha. Será Miguel Lebre de Freitas um adepto do "Choque, sim, mas devagar"?

O Plano Tecnológico foi aprovado pelo Governo em 27 de Março do corrente ano.

O demitido José Albuquerque Tavares, de 39 anos, é professor na Universidade Nova das cadeiras de macroeconomia e macroeconomia avançada. Fez o doutoramento (1998) em Harvard, nos EUA, com uma dissertação sobre "Ensaios sobre Democracia, Política Fiscal e Crescimento Económico". As suas áreas principais de investigação têm sido o crescimento e o desenvolvimento económico, a política orçamental e a economia política.

O nomeado Miguel Lebre de Freitas, também formado na Nova e com um Mestrado em Economia, é, para além do seu cargo no GEEP do Ministério da Economia, docente da Universidade de Aveiro, sendo a sua principal área de investigação a Economia Monetária Internacional. No Pura Economia já tinhamos comentado um seu artigo de opinião de 2002 no post "Um manifesto anti-fado", artigo onde se podia subentender uma ligeira subalternização do investimento em tecnologia ao cumprimento das metas financeiras do Estado:
«A economia portuguesa tem ainda muito a ganhar com a difusão tecnológica, mas a política económica tem um papel crucial. Por isso, não podemos ser tolerantes com actuações negligentes, mais ou menos apoiadas na convicção de que a economia portuguesa se encontra num processo exógeno ou automático de convergência. Em matéria de convergência não há destino.»
Página de M.L.Freitas

Aguarda-se que o blogue Plano Tecnológico comente a notícia.

url deste post: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/11/este-o-nosso-fado.html

Estar na onda


«“Portugal pode dominar 10% do mercado mundial de equipamentos para gerar electricidade a partir das ondas, calculado em 325 mil milhões de euros, se souber aproveitar as oportunidades”, afirma o presidente do Centro de Energia das Ondas (CEO). Investigador e professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, diz que a dimensão do negócio internacional combinado com as estimativas para o mercado nacional, garantirão “um negócio total da ordem dos 40 mil milhões de euros”, ou seja quase 30% do PIB nacional, “exportações da ordem dos mil milhões de euros durante 32 anos”, bem como “a criação de 10 mil postos de trabalho directos durante 40 anos”. Isto sem contar, naturalmente, com a redução da dependência energética face ao estrangeiro e da factura devida pela importação de gás para geração de electricidade, para além de permitir mais facilmente o cumprimento do protocolo de Quioto»

Semanário Económico

Jeffrey Sachs

Jeffrey Sachs

   Entrevista com Jeffrey Sachs  
Ficheiro mp3 - 30:57 min. - 11.Jul.2005

Jeffrey Sachs, o "profeta das oportunidades para os pobres", tem adquirido a estatura de pop-star, assente numa sólida carreira académica e profissional como economista e consultor. Um dos 100 intelectuais mais influentes" de acordo com o inquérito aos leitores da revista Prospect (onde se classificou em 27º, à frente do 37º Gary Becker), deu esta entrevista ao Leonard Lopate Show em 11 de Julho de 2005.

«Tenho visto dezenas de países cujas dívidas foram canceladas, mas aqueles que o conseguiram primeiro foram os países politicamente poderosos, aqueles onde os EUA tinham uma agenda política. Quando o Presidente Bush quiz ajudar o Iraque, designou James Baker para dar a volta ao mundo e obter o cancelamento das dívidas daquele país. Ora ele não fez isso a nenhum país africano, mas em 30 dias o sr. Baker conseguiu reduzir substancialmente a dívida do Iraque. Bem: façamos o mesmo para os países africanos, os desesperadamente necessitados, onde as pessoas estão a morrer porque não têm dinheiro para se manterem vivos. Portanto, isto é política, não é uma questão de princípio, é uma questão política.»

http://wnyc.vo.llnwd.net/o1/lopate/lopate071105apod.mp3

quinta-feira, novembro 17, 2005

Bob Dylan


    Bob Dylan

Já vou a meio do livro de memórias de Dylan, e é extraordinário como se encaixa em todas as anteriores versões do fenómeno Dylan, incluindo as que o próprio tem vindo a repetir vezes sem conta: que nunca foi um cantor de protesto, engagé, mas sim um mero autor de canções.

Fica igualmente claro que nem o homem nem as suas canções pertencem a ninguém: são dele e sempre significaram exclusivamente aquilo que ele quiz que significassem. Muita gente, altruisticamente ou não, se apropriou do material para seu proveito próprio - e agora está na altura de o reconhecer.

Grande livro!

"Bob Dylan : Crónicas- Volume I"
Editora: Verbo
Colecção: Os Afluentes da Memória

   The Lonesome River - Dylan / Ralph Stanley
   Don't Think Twice - Dylan
   Lay Lady Lay - Magnet / Gemma Hayes
url:
http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20The%20Lonesome%20River.mp3
http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20Don%20t%20Think%20Twice.mp3
http://leafandlime.hobix.com/mp3/lay%20lady%20lay.mp3

Advocacia


Rogério Alves: "ofensiva
contra a advocacia".

«Estamos na era da ofensiva contra a advocacia. Uma ofensiva sem precedentes, cirúrgica e que parece não querer ter limites. A criminalidade aumenta, o medo aumenta, então corta-se nas garantias. As garantias cortam-se como? Na lei, mexendo nos textos, e, na prática, inibindo os advogados, coarctando a sua acção, afastando-os cada vez mais dos actos dos processos, fazendo letra morta das suas imunidades e prerrogativas.»

Rogério Alves in jornal Público

"Andem lá, compadres!"

 imagem do blogue Alentejanices - alentejanices.blogs.sapo.pt «Bruxelas antecipa uma diminuição do desequilíbrio das contas públicas portuguesas menos rápida do que o previsto pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, advertiu hoje para a necessidade do Governo português adoptar "muitas medidas" se quiser consolidar o défice orçamental até 2008. "Estou certo que as autoridades portuguesas vão adoptar muitas medidas para continuar a estratégia de consolidação orçamental", disse Almunia na conferência de imprensa onde apresentou as Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia.»

    O défice orçamental segundo:    
   Sócrates    Almunia  
 2005 6,0 %6,0 %
 2006 4,8 %5,0 %
 2007 3,9 %4,8 %

Notícia do Diário Económico

Navio ao fundo


     GM: Navio ao fundo

"That sinking feeling" - artigo do Economist sobre o afundamento da General Motors

«Nos seus melhores tempos, no início dos anos 60, o gigante controlava mais de metade do mercado automóvel americano e estabelecia os padrões pelos quais era definida a maior parte da indústria mundial. Mas já passou mais de uma geração desde o tempo em que o domínio da GNM não era questionado e, apesar dos biliões de dólares investidos em novas fábricas e veículos, tem sofrido um inescapável declíneo na partilha do mercado.

«Os rendimentos afundaram, especialmente no seu mercado "core" da América do Norte. O navio GM tem continuado a chocar com icebergues ultimamente, o mais recente dos quais foi o anúncio da semana passada de que terá de recalcular os rendimentos de 2001 devido a registos estatísticos errados relativos a créditos de fornecedores.»

Textos relacionados: "Sinais dos tempos" e "Acordo na General Motors Portugal"

Desemprego

O Instituto Nacional de Estatística divulgou as Estatísticas do Emprego do 3º trimestre do corrente ano, no qual o desemprego atingiu 7,7 % da população activa. Esta taxa é superior em meio ponto percentual ao trimestre anterior e superior em 0,9 pontos percentuais (pp) ao trimestre homólogo de 2004.

A distribuição regional do emprego revela que as maiores taxas de desemprego se situam no Alentejo (9,9%), em Lisboa (9,0%) e Norte (8,8%).

Face ao trimestre anterior, os maiores agravamentos ocorreram em Lisboa (1 pp), Centro e Alentejo (0,9 pp). Na região do Algarve ocorreu uma diminuição do desemprego em 1 pp, provavelmente por motivos sazonais.

Face ao trimestre homólogo do ano anterior, os maiores agravamentos ocorreram em Lisboa (1,5 pp) e no Centro (0,9 pp).

  3º trimestre 
de 2004
 2º trimestre 
de 2005
 3º trimestre 
de 2005
 Portugal6,87,27,7
    Norte8,38,78,8
    Centro4,34,55,4
    Lisboa7,58,09,0
    Alentejo9,18,59,4
    Algarve5,06,35,3
    R.A.Açores3,84,34,2
    R.A.Madeira 3,03,94,4
Fonte: INE

O maior número de desempregados são mulheres: 53,6 %, sector onde também se verificaram maiores aumentos no último trimestre e no último ano. O escalão etário que mais contribuiu para o desemprego nos últimos meses e ano foi o das idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos; é também neste escalão que se situa a maior parte dos desempregados: 31 %.

Os desempregados que já antes trabalharam representam 84 % do desemprego, mas foi entre aqueles que procuram o primeiro emprego que se verificou um maior agravamento no último ano (18,4 %) e no último trimestre (40 %).

  3º trimestre 
de 2004

(milhares)
 2º trimestre 
de 2005

(milhares)
 3º trimestre 
de 2005

(milhares)
Variação
 trimestral 
(%)
Variação
 homóloga 
(%)
 Desemprego375,9399,3429,9 7,714,4
   Homens176,7191,5199,4 4,112,8
   Mulheres199,2207,8230,510,915,7
   15-24 anos94,585,894,410,0- 0,1
   25-34 anos108,0119,4133,812,123,9
   35-44 anos 75,9 87,0 86,1- 1,0 13,4
   45 e + anos 97,4107,0115,6  8,0 18,7
   Primeiro emprego  56,5 47,8 66,9 40,0 18,4
   Novo emprego319,4351,5363,0  3,313,7
Fonte: INE

quarta-feira, novembro 16, 2005

Acrónimos

Os próximos anos não serão "NICE" ("non-inflationary consistently expansionary growth") e poderão mesmo ser "VILE" ("volatile, inflationary and low-expansion").

David Smith no EconomicsUK.com

Sociedade da Informação

[1]
Tem hoje início em Tunes a "Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação", promovida pela ONU. Uma primeira ronda teve lugar na Suíça em Dezembro de 2003. A agenda da Cimeira encontra-se descrita neste texto de Kofi Anan, "A ONU e a Internet" (divulgado pelo + direito da informática). A tónica da Cimeira é colocada por Kofi Anan no desenvolvimento económico e social e, sobretudo, na possibilidade de que "os países pobres possam aproveitar ao máximo os benefícios das novas tecnologias da informação e comunicação, nomeadamente a Internet". No entanto, todas as questões relacionadas com a Internet estarão em cima da mesa, incluindo o seu controlo, ameaçando esta questão roubar o protagonismo do tema pretendido pela ONU. Este perigo é reflectido pelo jornal Público na notícia: "União Europeia quer retirar controlo da Internet aos EUA" e pelo Economist no artigo: "A tussle over America’s internet hegemony".

Na blogosfera em português encontrei (via Technorati) as referências seguintes à Cimeira: | Atrium | Comunicar a Direito | Registo Civil | Jornalismo e Comunicação | Briteiros | A informação |

Outros documentos e links para a cimeira: | emissão em directo (live podcast) | documentos |blogue da Cimeira|

[2]
Muitos blogues nacionais, entretanto, andam a debater intensamente as consequências de um possível controlo legal dos blogues, com base em dois documentos: a sentença judicial relativa ao blogue Do Portugal Profundo e a Lei n.º 53/2005 de 8 de Novembro, que cria a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC ).

Na citada sententença refere-se que os blogues constituem a "abertura da comunicação social a qualquer indivíduo que, até aqui, não tinha espaço, nem possibilidade de se expressar nos meios de comunicação social tradicionais. (...) do conceito de imprensa previsto na Lei de Imprensa e que supra se explanou, se retira que um blog se integra no mesmo. (...)".

Na Lei da ERC determina-se que "Integram o conceito de imprensa, para efeitos da presente lei, todas as reproduções impressas de textos ou imagens disponíveis ao público, quaisquer que sejam os processos de impressão e reprodução e o modo de distribuição utilizado."

As consequências possíveis de uma interpretação destes documentos seriam a da aplicação aos blogues das mesmas restrições e controlos que existem para os órgãos de comunicação social, tais como jornais ou televisão.

Outro blogues que participam neste debate: | Adufe | Mas certamente que sim! | Contra Factos & Argumentos | Direito e Economia | Blasfémias | Jornalismo e Comunicação | À Rédea Solta | Grande Loja do Queijo Limiano | Folha do Tejo | Contra Capa | Insurgente | Insustentável leveza | Miss Pearls |

terça-feira, novembro 15, 2005

Fia-te na Virgem...

O Banco de Portugal diz que economia portuguesa está quase estagnada (previsão de "crescimento" do PIB de 0,3 % em 2005) e sabem qual a reacção do ministro das Finanças? Diz que fica contente, porque assim está afastada a hipótese de uma recessão em Portugal, que era o "que se temia".

Sabem o que é que isto faz lembrar? Aquele ex-voto (pintura votiva) dedicada à Nossa Senhora da Atalaia, em que um pescador agradecia à Virgem por ter dado uma queda do mastro e ter partido uma perna, "quando podia ter partido as duas..."

"A economia portuguesa em 2005" - Banco de Portugal

Manifesto de Econometria Política

Na sequência da publicação no Pura Economia de documentos sobre a avaliação de conhecimentos "revolucionária" que foi aprovada no ISE logo após o "25 de Abril", o De Gustibus Non Est Disputandum publicou um "Manifesto da Econometria Política", uma peça de humor dos anos 80 onde os "econometristas políticos" demonstram o seu "repúdio aos métodos quantitativos burgueses, neoclássicos, ortodoxos, tradicionais, estáticos e reacionários", propondo uma bateria de medidas para revolucionar a Econometria, tais como "substituir as equações de diferença por equações de igualdade".

Vale a pena ler o manifesto na totalidade, aqui.

A propósito de Econometria, também vale a pena referir que, no ISE, foi a equipa de Econometria do professor Mário Valadas quem colocou um travão na loucura das avaliações em grupo. Muitos outros docentes que mais tarde vieram a manifestar duras críticas àquele período, na altura alinharam sem problema, como é o caso de um certo professor, cujo nome não quero revelar para não perturbar as próximas eleições. Mas um dia ainda conto como se passou uma dessas avaliações, a que eu assisti, embora não fosse com esse docente, e sim com uma sua assistente.

Mas essa equipa de Econometria, depois de passar a maior febre revolucionária, recusou-se a fazer outro tipo de avaliação que não fosse com testes escritos individuais. "Não sabemos fazer de outra maneira", disseram. Os estudantes argumentaram: "Mas nós não aprendemos as matérias precedentes à Econometria" (estatísticas, etç.) Responderam os docentes: "Mas nós ensinamos."

E assim aconteceu. Ainda houve uma greve aos exames dessa cadeira no final do ano lectivo, mas durante o Verão tivemos aulas de apoio (gratuitamente dadas!) com o jovem assistente Cordeiro Baptista, então uma estrela no mundo da Econometria do ISE, dada a sua juventude e competência. Também tivemos a ajuda de um nosso colega, aluno brilhante, o Norberto Rosa, e lá fomos fazer testes a Econometria em Outubro. "Nós", mas nem todos: eu conheço quem, por causa dessa mesma disciplina, nunca tenha acabado o curso.

Eu sei que estas recordações podem parecer pouco "oportunas", mas eu acho que o ISE deveria fazer a história daqueles tempos, que têm muita coisa ridícula (ou pior) mas também têm muita coisa boa. Valeria a pena engolir esse remédio, ainda que amargo.

Direito e Economia


pais fundadores...


"The Origins of Law and Economics: Essays by the Founding Fathers", recente publicação composta por 16 ensaios de diversos autores, entre os quais três laureados com o Nobel: Coase, Becker e Buchanan. Diversidade de perspectivas sobre o campo do "Direito e Economia" (ou "Análise Económica do Direito"), desde a sua luta inicial para conseguir afirmação até aos importantes desenvolvimentos das últimas décadas. O livro é co-editado por Francesco Parisi e Charles K. Rowley, da George Mason University. Outros dos autores são: G. Calabresi, R.D. Cooter, H. Demsetz, R.A. Epstein, E.W. Kitch, W.M. Landes, H.G. Manne, R.A. Posner, G.L. Priest, P.H. Rubin, S. Shavell, M.J. Trebilcock, G. Tullock, O.E. Williamson.
«No seu ensaio Buchanan procura explicar as diferenças entre ele próprio e Coase no que diz respeito à análise económica do Direito. Coase é um pensador dos custos de oportunidade, tal como Buchanan, mas Coase - segundo Buchanan, é um objectivista, enquanto que Buchanan afirma que: "Fui, e espero que consistentemente, ao longo de quase toda a minha carreira, um subjectivista, uma posição que não me permite deixar os critérios normativos para os tribunais ou seja quem for". A posição de Buchanan atinge o âmago da análise custo-benefício, que é crucial para o Direito padrão e para a Economia. Conforme seria de esperar de Buchanan, ele dirige a sua crítica subjectivista do custo/benefício e da análise de equilíbrio e argumenta em favor de um processo subjectivista e de uma perspectiva constitucional.»

in The Austrian Economists

     Via De Gustibus

Absolvição

António Caldeira, autor do blogue Do Portugal Profundo, foi ontem absolvido pelo Tribunal da acusação que lhe fora movida pelo ministério público.

A acusação relacionava-se com a publicação, naquele blogue, de peças do processo de pedofilia ("Casa Pia"). A acusação, no entanto, era especificamente sobre alegada a desobediência de António Caldeira relativamente a um despacho judicial proibindo aquela publicação. A sentença que ilibou aquele professor também se apoiou numa questão formal: o tribunal considerou que António Caldeira não fora notificado da decisão, portanto não podia ter havido desobediência.

No seu blogue Do Portugal Profundo afirma-se que se trata de um "processo de perseguição política", e desabafa-se: "Absolvido. Um caso arrumado. Outros virão, que a rede pedófila de controlo do Estado não perdoa." Diz também que se tratou de um "processo ultrajante" e que a acusação se relacionava com "um despacho que eu não conhecia, não me foi facultado durante o processo porque estava em segredo de justiça, e que só hoje, no dia da sentença, ouvi." No blogue também se transcreve integralmente a sentença.

Ainda há poucos dias o autor do Do Portugal Profundo manifestava a opinião de que o recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa relativo à não pronúncia de Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves do caso de pedofilia da Casa Pia, "deixa pouco espaço à esperança de condenação judicial final dos poderosos arguidos de pedofilia."

Notícia do "Diário de Nocítias.

Inflação

Portugal
Índice de Preços no Consumidor

(Base 100: 2002)
Índice do mêsVariação
mensal
%
Variação
homóloga
%
Variação média
dos últimos
12 meses %
2004 2005 2004 2005 2004 2005 20042005
Janeiro 104,4106,50,0 -0,52,3 2,03,1 2,3
Fevereiro 104,2106,5-0,2 0,02,1 2,22,9 2,4
Março 104,5106,80,3 0,32,3 2,22,82,4
Abril 105,4107,60,9 0,7 2,32,1 2,7 2,3
Maio 106,1108,00,70,4 2,4 1,82,6 2,3
Junho 106,3108,00,20,0 2,71,62,52,2
Julho 106,1108,4-0,2 0,42,82,22,52,1
Agosto 105,7108,5-0,4 0,12,32,62,5 2,2
Setembro 105,7108,70,0 0,22,1 2,8 2,4 2,2
Outubro 106,3109,2 0,60,52,12,7 2,3 2,3
Novembro 106,90,62,52,4
Dezembro 107,00,1 2,5 2,4

Fonte: INE

Previsão do governo (OE) da inflação média para 2006: 2,3 %
Actualizado com a ajuda do Adufe

segunda-feira, novembro 14, 2005

Gary Becker acerca dos motins em França:


«Muitos economistas têm reconhecido, desde há mais de uma década, que os generosos salários mínimos e outros factores de rigidez do mercado de trabalho francês causam taxas de desemprego que se têm mantido teimosamente altas desde o início dos anos 90. Imigrantes, jovens e outros que entram no mercado de trabalho têm sido os mais afectados, uma vez que são os que encontram mais dificuldades para arranjar empregos. A taxa global de desemprego em França é agora de quase 9 % - comparada com 5 % nos EUA - sendo superior a 20 % para os jovens. Cerca de 40% dos desempregados encontram-se sem emprego regular há mais de um ano, uma taxa que é bastante mais alta do que a taxa americana para o desemprego de longa duração.

«Os franceses têm intencionalmente evitado recolher dados económicos sobre os muçulmanos, mas a sua taxa de desemprego é estimada por economistas franceses como sendo superior a 20 %, com a taxa de desemprego de jovens muçulmanos provavelmente a exceder os 30 %. O mercado de trabalho em França está doente e necessita de reformas que o tornem mais flexível, de modo a que os "insiders" com emprego não tenham mais vantagens do que os "outsiders" que procuram trabalho.
[...]
Talvez estes motins ajudem a proporcionar maior poder aos poucos políticos franceses que compreendem a necessidade de importantes reformas económicas para ajudar todos os jovens franceses a obter empregos, e a deixá-los progredir na hierarquia económica quando demonstrem ter o talento e ambição requeridos. A Economia não pode prever com segurança como é que essas reformas afectarão a possibilidade de futuros motins, mas tais reformas certamente melhorarão a posição dos jovens imigrantes, independentemente da sua religião ou país de origem»

The Becker-Posner Blog

Menos emprego, menos horas trabalhadas

"Índices de Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas nos Serviços" - publicação do INE, já com dados do mês de Setembro, que mostram uma diminuição de 0,9 % face ao mês homólogo do ano anterior. Face ao mês anterior, a diminuição foi de 0,2 pontos percentuais.

Em horas trabalhadas, registou-se uma diminuição homóloga de 1,3 %. As remunerações aumentaram 1,6 % relativamente a Setembro de 2004.

Robert Barro


Robert Barro

Entrevista de Robert Barro ao banco da Reserva Federal de Monneapolis, abordando diversos temas tais como a Segurança Social nos EUA, o "Equity Premium Puzzle" (já referido pelo Pura Economia aqui), as políticas de combate à inflação, a União Monetária Europeia, o crescimento económico, as desigualdades sociais, o Fundo Monetário Internacional, e ainda os tópicos de que traduzi os seguintes excertos:
Macroeconomia

P - «No início dos anos 70, creio, disse a Gary Becker que você estava convencido de que a macroeconomia estava a estagnar e que pensou dedicar-se à microeconomia.

Barro - Exactamente.

P - E então as "expectativas racionais" irromperam no campo teórico e você foi um dos pioneiros dessa revolução. Tendo em consideração as suas previsões, o que pensa acerca da macroeconomia hoje? Quais pensa que são as áreas mais promissoras para investigação em macro? Ainda pensa em mudar-se para a micro?

Barro - «Eu era seguramente mau a fazer previsões, no início dos anos 70, acerca do modo como a macroeconomia iria evoluir. Creio que eu era particularmente influenciado, nessa altura, pela macroeconomia keynesiana, na qual tinha estado a trabalhar, e penso que acertei ao ver que esse campo não tinha grande potencial.
Mas, tal como acabou de sugerir, pouco depois de eu afirmar que a macroeconomia não era promissora, ocorreu uma impressionante sequência de eventos. Eu iniciei o trabalho sobre expectativas racionais - aplicada inicialmente a modelos monetários com uma versão da Curva de Phillips. E então apareceu a análise do ciclo económico real, em que Prescott foi pioneiro. Depois tivemos trabalhos muito interessantes sobre o crescimento económico, com o crescimento a ser visto, cada vez mais, como uma parte central da macroeconomia. E surgiram trabalhos empíricos muito notáveis sobre o crescimento. Portanto isto foi uma sequência, digamos, de quatro desenvolvimentos excitantes da macroeconomia, logo depois de eu ter dito que ela estava a estagnar. Mas agora parece que talvez os últimos 10 anos tenham sido menos excitantes, em comparação. Há já algum tempo que não vemos nada equivalente a esses quatro desenvolvimentos.

«Tem havido progressos, até mesmo do lado do keynesianismo. Temos agora abordagens mais sofisticadas aos modelos de preços rígidos [sticky-prices]. Alguma desta investigação relaciona-se, pelo menos em termos de explicação ex post, com o sucesso mundial da política monetária. Contudo, podemos localizar estes avanços nos anos 80, portanto isto não muda a minha perspectiva quanto aos desenvolvimentos recentes. Tem havido, contudo, a investigação, já referida, em economia política e as aplicações deste trabalho a instituições e ao crescimento.

P - Se as coisas estão a estagnar, então talvez uma nova revolução esteja a caminho.

Barro - «Bem, está na essência de uma revolução que não possa ser prevista, não é? Se a pudesse ter previsto antes, é porque já tinha acontecido.

P - Como é que a Economia avança - é evolucionista ou revolucionária?

Barro - «Penso que existem acontecimentos importantes que se parecem com mudanças discretas [1], seguidos por um período de desenvolvimentos mais evolucionistas, redifinindo e alargando.

P - E sempre se vai dedicar à microeconomia?

Barro - «Sempre tive grande interesse na microeconomia aplicada, e frequentemente escrevo para a "BusinessWeek" e para o "Wall Street Journal" artigos nessa linha, apesar dos editores me estarem sempre a pedir para escrever sobre macro, incluindo política monetária. Eu gosto de escrever artigos de opinião sobre micro, talvez porque a minha investigação não seja tanto sobre isso. Creio que duas das minhas colunas [com artigos de opinião] mais populares foram sobre "economia da beleza" e "economia da legalização de drogas", dois tópicos claramente micro. Mas nem sequer estou seguro de que eu tenha verdadeiramente mergulhado na macroeconomia, apesar de ter começado por aí. De facto, no meu primeiro curso [como docente] usava a "Teoria Geral" de Keynes como livro base. Contudo, a macroeconomia lida usualmente com temas mais amplos e mais importantes.»

[1]-"discretas" no sentido matemático; mudanças descontínuas, por "saltos".
Equivalência ricardiana

«A "equivalência ricardiana" é, antes do mais, uma proposição de primeira ordem. Contudo, as pessoas confundem sobre o que realmente ela quer dizer... Para ilustrar a potencial confusão sobre o seu significado, podemos referir a famosa citação atribuída ao Vice-Presidente Cherney segundo a qual o Presidente Reagan provou que os défices orçamentais não importam. As palavras de Cheney são muitas vezes interpretadas como significando que o nível de despesa pública não é importante, e isso não é certamente o que a "equivalência ricardiana" diz. A proposição ricardiana é acerca das consequências de pagar por um dado montante de despesa pública de diferentes modos. Especificamente, esta é a questão: é ou não relevante que o governo financie a sua despesa com impostos correntes ou com empréstimos, que significam futuros impostos?
[...]
«Como proposição de primeira ordem, é verdade que importa pouco se se paga a despesa do governo com impostos de hoje ou impostos futuros, qué é basicamente o que o défice é. O método do financiamento público constitui uma questão importante, mas é menos importante do que a questão da dimensão do governo e a que actividades se deve dedicar.

«Lançar impostos agora ou no futuro é um tópico de finanças públicas. Esta visão desloca a análise para longe da equivalência ricardiana, para a perspectiva sobre qual deve ser a taxa óptima, o que nos conduz ao princípio da "suavização de impostos" ["tax smoothing"]. A ideia é que o financiamento público óptimo determine a existência de taxas de imposto que sejam similares de um ano para o outro, pois movimentos erráticos destas taxas são altamente distorcivos. Deste ponto de vista, não é desejável ter uma taxa de imposto muito baixa hoje, financiada por um défice fiscal, seguida por taxas de imposto muito mais elevadas no futuro.»
Estudos sobre a associação entre religião e crescimento

«Estou muito interessado neste projecto de investigação. Situa-se na articulação entre a religião e a economia política, portanto existe aqui uma articulação em dois sentidos. Um é acerca da influência que a religião tem nas crenças, valores, traços de carácter como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade, etç. Neste contexto, estamos [Barro e a mulher, Rachel McCleary] a estudar o impacto da religião no crescimento económico e na produtividade, e também nas instituições políticas, incluindo a democracia. Estes efeitos representam uma direcção de causalidade.

«O outro efeito, que constitui uma grande componente de literatura sobre a sociologia da religião, é sobre como o desenvolvimento económico e as políticas dos governos influenciam os níveis de religiosidade numa sociedade. Por exemplo, uma ideia é a de que as nações que se tornam ricas e melhor educadas tendem a ser menos religiosas.

[pergunta do jornalista: "É a"secularização da sociedade?"]
«Trata-se da hipótese da secularização da sociedade, sim. E embora essa hipótese tenha perdido apoios, penso que a evidência empírica a suporta. Uma ideia relacionada é do impacto que os governos provocam ao ter religiões oficiais de estado ou ao regular o mercado - quer subsidiando quer suprimindo a religião. Os países comunistas foram especialmente determinados em políticas anti-religião... quer dizer, se não considerarmos o comunismo como a sua própria religião...»
"Capital religioso"

«A ideia geral é análoga ao investimento em educação para acumular capital humano. Ou, em alternativa, podemos pensar em investir em redes e amizades para formar capital social. Analogamente, pode-se investir em espiritualidade e crenças para formar uma espécie de capital de religião. A Raquel e eu pensamos nesta influência como actuando através das crenças, não tanto através de redes, ou em ir à igreja e encontrar muitas pessoas. Isso seria mais como capital social. Estas crenças importam, se elas suportarem certos traços de carácter e valores, tais como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade e hospitalidade para com terceiros. Estes traços depois influenciam a produtividade e o trabalho, que em última análise afectam o crescimento económico.

«A outra questão que posso mencionar é que sempre que dou um seminário sobre este tópico, me perguntam se sou pessoalmente religioso. A atitude parece ser a de que o facto de eu estudar este assunto deve vir de algum conjunto de crenças individuais ou compromisso com uma dada religião. É curioso porque as pessoas que estudam outros aspectos da ciência social não costumam receber perguntas equivalentes. Gary Becker estudou a economia do crime e (tanto quanto sei) ninguém lhe perguntou se ele era um criminoso.»