| Daniel Drezner, um conceituado académico de Ciência Política com dois mestrados e um doutoramento em Stanford, e com obra publicada, iniciou um blogue em Setembro de 2002. Na altura deve ter tido um qualquer pressentimento e escreveu no seu primeiro post: "Não devia estar a fazer isto. Espero para breve a passagem a um lugar permanente" [1].
Drezner, no seu blogue, comenta o artigo da Slate dizendo que não foi contactado pela revista e que nunca disse que foi o blogue que lhe custou o lugar. O artigo da Slate, no entanto, alarga o campo de análise e questiona-se sobre o fraco prestígio dos blogues no meio académico: «Não é segredo que muito do material revisto pelos pares e publicado em revistas académicas de prestígio não é nem muito bom nem muito lido, enquanto parte do que aparece em blogues académicos é de grande qualidade e tem uma leitura alargada (embora outra parte não seja nem tenha). Portanto, vale a pena questionar: como pode um sistema que alegadamente se preocupa apenas com a qualidade da argumentação e investigação, automaticamente incluir as revistas e excluir os blogues?»O Pura Economia, claro, vai passar a incluir o blogue de Drezner bos seus favoritos [Adenda-o blogue, entretanto, deixou de estar disponível; espera-se que seja temporário.]. [1] - mais exactamente, "holding a tenure", ocupar um lugar permanente sem necessidade de renovações anuais; Drezner é assistente n Universidade de Chicago.. |
sábado, novembro 19, 2005
Blogar pode ser perigoso
sexta-feira, novembro 18, 2005
Este é o nosso Fado
«José Tavares demitiu-se, ontem, da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico e será substituído por Miguel Lebre de Freitas, até agora director do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação. A saída do coordenador do Plano Tecnológico, apresentado como peça-chave da política económica do Governo, não foi explicada mas era conhecida a existência de indefinições e de dificuldades de coordenação entre os vários ministérios envolvidos. [...] O esforço do Governo em evitar a descredibilização do Plano Tecnológico era, ontem, evidente. No final do Conselho de Ministros, quando confrontado com as primeiras notícias sobre a demissão de José Tavares, o ministro da Presidência procurou desde logo desvalorizar os sucessivos adiamentos na sua apresentação. Pedro Silva Pereira negou ainda existência de "qualquer conflito de competências", assegurando que este "continuará sediado no Ministério da Economia e Inovação".» - "Jonal de Notícias".Tudo indica que a demissão de José Tavares é apenas a ponta o icebergue de problemas mais profundos: a resistência por parte da estrutura administrativa e de poder ao desenvolvimento de uma estratégia inovadora. Ao longo dos meses em que, depois de aprovado pelo Governo, o Plano Tecnológico se tem mantido paralisado, têm sido constantes as notícias de conflito relativas ao respectivo controlo, nomeadamente entre os ministros Mariano Gago e Gomes Pinho. O Plano envolve políticas e programas transversais que interceptam a estrutura ministerial e, como é sabido, isso é equivalente a mexer num vespeiro. Por outro lado, tendo a região de Lisboa perdido o direito aos fundos comunitários, o Plano Tecnológico apresenta-se como um eldorado (ou uma tábua de salvação, conforme a óptica) para muitas empresas da região, razão pela qual os usuais conflitos sobre a gestão dos programas comunitários se podem ter deslocado para esta frente de batalha. O facto de Miguel Lebre de Freitas ser um especialista da área financeira com grande sensibilidade para o cumprimento das metas de convergência nominal (veja-se o seu artigo "Défice de disciplina ou a disciplina do défice?") pode também ter contribuido para a sua escolha. Será Miguel Lebre de Freitas um adepto do "Choque, sim, mas devagar"?
Aguarda-se que o blogue Plano Tecnológico comente a notícia. url deste post: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/11/este-o-nosso-fado.html |
Estar na onda

«“Portugal pode dominar 10% do mercado mundial de equipamentos para gerar electricidade a partir das ondas, calculado em 325 mil milhões de euros, se souber aproveitar as oportunidades”, afirma o presidente do Centro de Energia das Ondas (CEO). Investigador e professor do Instituto Superior Técnico, António Sarmento, diz que a dimensão do negócio internacional combinado com as estimativas para o mercado nacional, garantirão “um negócio total da ordem dos 40 mil milhões de euros”, ou seja quase 30% do PIB nacional, “exportações da ordem dos mil milhões de euros durante 32 anos”, bem como “a criação de 10 mil postos de trabalho directos durante 40 anos”. Isto sem contar, naturalmente, com a redução da dependência energética face ao estrangeiro e da factura devida pela importação de gás para geração de electricidade, para além de permitir mais facilmente o cumprimento do protocolo de Quioto» |
Jeffrey Sachs
![]() Entrevista com Jeffrey Sachs Ficheiro mp3 - 30:57 min. - 11.Jul.2005
http://wnyc.vo.llnwd.net/o1/lopate/lopate071105apod.mp3 |
quinta-feira, novembro 17, 2005
Bob Dylan
| Já vou a meio do livro de memórias de Dylan, e é extraordinário como se encaixa em todas as anteriores versões do fenómeno Dylan, incluindo as que o próprio tem vindo a repetir vezes sem conta: que nunca foi um cantor de protesto, engagé, mas sim um mero autor de canções. Fica igualmente claro que nem o homem nem as suas canções pertencem a ninguém: são dele e sempre significaram exclusivamente aquilo que ele quiz que significassem. Muita gente, altruisticamente ou não, se apropriou do material para seu proveito próprio - e agora está na altura de o reconhecer. Grande livro! "Bob Dylan : Crónicas- Volume I" |
| ♪ The Lonesome River - Dylan / Ralph Stanley ♪ Don't Think Twice - Dylan ♪ Lay Lady Lay - Magnet / Gemma Hayes |
| url: http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20The%20Lonesome%20River.mp3 http://filebox.vt.edu/j/jcdecker/Dylan%20-%20Don%20t%20Think%20Twice.mp3 http://leafandlime.hobix.com/mp3/lay%20lady%20lay.mp3 |
Advocacia
Rogério Alves in jornal Público |
"Andem lá, compadres!"
«Bruxelas antecipa uma diminuição do desequilíbrio das contas públicas portuguesas menos rápida do que o previsto pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, advertiu hoje para a necessidade do Governo português adoptar "muitas medidas" se quiser consolidar o défice orçamental até 2008. "Estou certo que as autoridades portuguesas vão adoptar muitas medidas para continuar a estratégia de consolidação orçamental", disse Almunia na conferência de imprensa onde apresentou as Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia.»
Notícia do Diário Económico | |||||||||||||||
Navio ao fundo
"That sinking feeling" - artigo do Economist sobre o afundamento da General Motors «Os rendimentos afundaram, especialmente no seu mercado "core" da América do Norte. O navio GM tem continuado a chocar com icebergues ultimamente, o mais recente dos quais foi o anúncio da semana passada de que terá de recalcular os rendimentos de 2001 devido a registos estatísticos errados relativos a créditos de fornecedores.» Textos relacionados: "Sinais dos tempos" e "Acordo na General Motors Portugal" |
Desemprego
| O Instituto Nacional de Estatística divulgou as Estatísticas do Emprego do 3º trimestre do corrente ano, no qual o desemprego atingiu 7,7 % da população activa. Esta taxa é superior em meio ponto percentual ao trimestre anterior e superior em 0,9 pontos percentuais (pp) ao trimestre homólogo de 2004. A distribuição regional do emprego revela que as maiores taxas de desemprego se situam no Alentejo (9,9%), em Lisboa (9,0%) e Norte (8,8%). Face ao trimestre anterior, os maiores agravamentos ocorreram em Lisboa (1 pp), Centro e Alentejo (0,9 pp). Na região do Algarve ocorreu uma diminuição do desemprego em 1 pp, provavelmente por motivos sazonais. Face ao trimestre homólogo do ano anterior, os maiores agravamentos ocorreram em Lisboa (1,5 pp) e no Centro (0,9 pp).
O maior número de desempregados são mulheres: 53,6 %, sector onde também se verificaram maiores aumentos no último trimestre e no último ano. O escalão etário que mais contribuiu para o desemprego nos últimos meses e ano foi o das idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos; é também neste escalão que se situa a maior parte dos desempregados: 31 %. Os desempregados que já antes trabalharam representam 84 % do desemprego, mas foi entre aqueles que procuram o primeiro emprego que se verificou um maior agravamento no último ano (18,4 %) e no último trimestre (40 %).
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quarta-feira, novembro 16, 2005
Acrónimos
David Smith no EconomicsUK.com
Sociedade da Informação
Tem hoje início em Tunes a "Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação", promovida pela ONU. Uma primeira ronda teve lugar na Suíça em Dezembro de 2003. A agenda da Cimeira encontra-se descrita neste texto de Kofi Anan, "A ONU e a Internet" (divulgado pelo + direito da informática). A tónica da Cimeira é colocada por Kofi Anan no desenvolvimento económico e social e, sobretudo, na possibilidade de que "os países pobres possam aproveitar ao máximo os benefícios das novas tecnologias da informação e comunicação, nomeadamente a Internet". No entanto, todas as questões relacionadas com a Internet estarão em cima da mesa, incluindo o seu controlo, ameaçando esta questão roubar o protagonismo do tema pretendido pela ONU. Este perigo é reflectido pelo jornal Público na notícia: "União Europeia quer retirar controlo da Internet aos EUA" e pelo Economist no artigo: "A tussle over America’s internet hegemony". Na blogosfera em português encontrei (via Technorati) as referências seguintes à Cimeira: | Atrium | Comunicar a Direito | Registo Civil | Jornalismo e Comunicação | Briteiros | A informação | Outros documentos e links para a cimeira: | emissão em directo (live podcast) | documentos |blogue da Cimeira| [2] Muitos blogues nacionais, entretanto, andam a debater intensamente as consequências de um possível controlo legal dos blogues, com base em dois documentos: a sentença judicial relativa ao blogue Do Portugal Profundo e a Lei n.º 53/2005 de 8 de Novembro, que cria a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC ). Na citada sententença refere-se que os blogues constituem a "abertura da comunicação social a qualquer indivíduo que, até aqui, não tinha espaço, nem possibilidade de se expressar nos meios de comunicação social tradicionais. (...) do conceito de imprensa previsto na Lei de Imprensa e que supra se explanou, se retira que um blog se integra no mesmo. (...)". Na Lei da ERC determina-se que "Integram o conceito de imprensa, para efeitos da presente lei, todas as reproduções impressas de textos ou imagens disponíveis ao público, quaisquer que sejam os processos de impressão e reprodução e o modo de distribuição utilizado." As consequências possíveis de uma interpretação destes documentos seriam a da aplicação aos blogues das mesmas restrições e controlos que existem para os órgãos de comunicação social, tais como jornais ou televisão. Outro blogues que participam neste debate: | Adufe | Mas certamente que sim! | Contra Factos & Argumentos | Direito e Economia | Blasfémias | Jornalismo e Comunicação | À Rédea Solta | Grande Loja do Queijo Limiano | Folha do Tejo | Contra Capa | Insurgente | Insustentável leveza | Miss Pearls | |
terça-feira, novembro 15, 2005
Fia-te na Virgem...
O Banco de Portugal diz que economia portuguesa está quase estagnada (previsão de "crescimento" do PIB de 0,3 % em 2005) e sabem qual a reacção do ministro das Finanças? Diz que fica contente, porque assim está afastada a hipótese de uma recessão em Portugal, que era o "que se temia".Sabem o que é que isto faz lembrar? Aquele ex-voto (pintura votiva) dedicada à Nossa Senhora da Atalaia, em que um pescador agradecia à Virgem por ter dado uma queda do mastro e ter partido uma perna, "quando podia ter partido as duas..." "A economia portuguesa em 2005" - Banco de Portugal |
Manifesto de Econometria Política
| Na sequência da publicação no Pura Economia de documentos sobre a avaliação de conhecimentos "revolucionária" que foi aprovada no ISE logo após o "25 de Abril", o De Gustibus Non Est Disputandum publicou um "Manifesto da Econometria Política", uma peça de humor dos anos 80 onde os "econometristas políticos" demonstram o seu "repúdio aos métodos quantitativos burgueses, neoclássicos, ortodoxos, tradicionais, estáticos e reacionários", propondo uma bateria de medidas para revolucionar a Econometria, tais como "substituir as equações de diferença por equações de igualdade". Vale a pena ler o manifesto na totalidade, aqui. A propósito de Econometria, também vale a pena referir que, no ISE, foi a equipa de Econometria do professor Mário Valadas quem colocou um travão na loucura das avaliações em grupo. Muitos outros docentes que mais tarde vieram a manifestar duras críticas àquele período, na altura alinharam sem problema, como é o caso de um certo professor, cujo nome não quero revelar para não perturbar as próximas eleições. Mas um dia ainda conto como se passou uma dessas avaliações, a que eu assisti, embora não fosse com esse docente, e sim com uma sua assistente. Mas essa equipa de Econometria, depois de passar a maior febre revolucionária, recusou-se a fazer outro tipo de avaliação que não fosse com testes escritos individuais. "Não sabemos fazer de outra maneira", disseram. Os estudantes argumentaram: "Mas nós não aprendemos as matérias precedentes à Econometria" (estatísticas, etç.) Responderam os docentes: "Mas nós ensinamos." E assim aconteceu. Ainda houve uma greve aos exames dessa cadeira no final do ano lectivo, mas durante o Verão tivemos aulas de apoio (gratuitamente dadas!) com o jovem assistente Cordeiro Baptista, então uma estrela no mundo da Econometria do ISE, dada a sua juventude e competência. Também tivemos a ajuda de um nosso colega, aluno brilhante, o Norberto Rosa, e lá fomos fazer testes a Econometria em Outubro. "Nós", mas nem todos: eu conheço quem, por causa dessa mesma disciplina, nunca tenha acabado o curso. Eu sei que estas recordações podem parecer pouco "oportunas", mas eu acho que o ISE deveria fazer a história daqueles tempos, que têm muita coisa ridícula (ou pior) mas também têm muita coisa boa. Valeria a pena engolir esse remédio, ainda que amargo. |
Direito e Economia
"The Origins of Law and Economics: Essays by the Founding Fathers", recente publicação composta por 16 ensaios de diversos autores, entre os quais três laureados com o Nobel: Coase, Becker e Buchanan. Diversidade de perspectivas sobre o campo do "Direito e Economia" (ou "Análise Económica do Direito"), desde a sua luta inicial para conseguir afirmação até aos importantes desenvolvimentos das últimas décadas. O livro é co-editado por Francesco Parisi e Charles K. Rowley, da George Mason University. Outros dos autores são: G. Calabresi, R.D. Cooter, H. Demsetz, R.A. Epstein, E.W. Kitch, W.M. Landes, H.G. Manne, R.A. Posner, G.L. Priest, P.H. Rubin, S. Shavell, M.J. Trebilcock, G. Tullock, O.E. Williamson. |
«No seu ensaio Buchanan procura explicar as diferenças entre ele próprio e Coase no que diz respeito à análise económica do Direito. Coase é um pensador dos custos de oportunidade, tal como Buchanan, mas Coase - segundo Buchanan, é um objectivista, enquanto que Buchanan afirma que: "Fui, e espero que consistentemente, ao longo de quase toda a minha carreira, um subjectivista, uma posição que não me permite deixar os critérios normativos para os tribunais ou seja quem for". A posição de Buchanan atinge o âmago da análise custo-benefício, que é crucial para o Direito padrão e para a Economia. Conforme seria de esperar de Buchanan, ele dirige a sua crítica subjectivista do custo/benefício e da análise de equilíbrio e argumenta em favor de um processo subjectivista e de uma perspectiva constitucional.»Via De Gustibus
Absolvição
A acusação relacionava-se com a publicação, naquele blogue, de peças do processo de pedofilia ("Casa Pia"). A acusação, no entanto, era especificamente sobre alegada a desobediência de António Caldeira relativamente a um despacho judicial proibindo aquela publicação. A sentença que ilibou aquele professor também se apoiou numa questão formal: o tribunal considerou que António Caldeira não fora notificado da decisão, portanto não podia ter havido desobediência. No seu blogue Do Portugal Profundo afirma-se que se trata de um "processo de perseguição política", e desabafa-se: "Absolvido. Um caso arrumado. Outros virão, que a rede pedófila de controlo do Estado não perdoa." Diz também que se tratou de um "processo ultrajante" e que a acusação se relacionava com "um despacho que eu não conhecia, não me foi facultado durante o processo porque estava em segredo de justiça, e que só hoje, no dia da sentença, ouvi." No blogue também se transcreve integralmente a sentença. Ainda há poucos dias o autor do Do Portugal Profundo manifestava a opinião de que o recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa relativo à não pronúncia de Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves do caso de pedofilia da Casa Pia, "deixa pouco espaço à esperança de condenação judicial final dos poderosos arguidos de pedofilia." Notícia do "Diário de Nocítias. |
Inflação
Índice de Preços no Consumidor (Base 100: 2002)
Fonte: INE | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
segunda-feira, novembro 14, 2005
Gary Becker acerca dos motins em França:«Muitos economistas têm reconhecido, desde há mais de uma década, que os generosos salários mínimos e outros factores de rigidez do mercado de trabalho francês causam taxas de desemprego que se têm mantido teimosamente altas desde o início dos anos 90. Imigrantes, jovens e outros que entram no mercado de trabalho têm sido os mais afectados, uma vez que são os que encontram mais dificuldades para arranjar empregos. A taxa global de desemprego em França é agora de quase 9 % - comparada com 5 % nos EUA - sendo superior a 20 % para os jovens. Cerca de 40% dos desempregados encontram-se sem emprego regular há mais de um ano, uma taxa que é bastante mais alta do que a taxa americana para o desemprego de longa duração. «Os franceses têm intencionalmente evitado recolher dados económicos sobre os muçulmanos, mas a sua taxa de desemprego é estimada por economistas franceses como sendo superior a 20 %, com a taxa de desemprego de jovens muçulmanos provavelmente a exceder os 30 %. O mercado de trabalho em França está doente e necessita de reformas que o tornem mais flexível, de modo a que os "insiders" com emprego não tenham mais vantagens do que os "outsiders" que procuram trabalho. [...] Talvez estes motins ajudem a proporcionar maior poder aos poucos políticos franceses que compreendem a necessidade de importantes reformas económicas para ajudar todos os jovens franceses a obter empregos, e a deixá-los progredir na hierarquia económica quando demonstrem ter o talento e ambição requeridos. A Economia não pode prever com segurança como é que essas reformas afectarão a possibilidade de futuros motins, mas tais reformas certamente melhorarão a posição dos jovens imigrantes, independentemente da sua religião ou país de origem» |
Menos emprego, menos horas trabalhadas
| "Índices de Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas nos Serviços" - publicação do INE, já com dados do mês de Setembro, que mostram uma diminuição de 0,9 % face ao mês homólogo do ano anterior. Face ao mês anterior, a diminuição foi de 0,2 pontos percentuais. Em horas trabalhadas, registou-se uma diminuição homóloga de 1,3 %. As remunerações aumentaram 1,6 % relativamente a Setembro de 2004. |
Robert Barro
| Entrevista de Robert Barro ao banco da Reserva Federal de Monneapolis, abordando diversos temas tais como a Segurança Social nos EUA, o "Equity Premium Puzzle" (já referido pelo Pura Economia aqui), as políticas de combate à inflação, a União Monetária Europeia, o crescimento económico, as desigualdades sociais, o Fundo Monetário Internacional, e ainda os tópicos de que traduzi os seguintes excertos: |
Macroeconomia
P - «No início dos anos 70, creio, disse a Gary Becker que você estava convencido de que a macroeconomia estava a estagnar e que pensou dedicar-se à microeconomia.
Barro - Exactamente.
P - E então as "expectativas racionais" irromperam no campo teórico e você foi um dos pioneiros dessa revolução. Tendo em consideração as suas previsões, o que pensa acerca da macroeconomia hoje? Quais pensa que são as áreas mais promissoras para investigação em macro? Ainda pensa em mudar-se para a micro?
Barro - «Eu era seguramente mau a fazer previsões, no início dos anos 70, acerca do modo como a macroeconomia iria evoluir. Creio que eu era particularmente influenciado, nessa altura, pela macroeconomia keynesiana, na qual tinha estado a trabalhar, e penso que acertei ao ver que esse campo não tinha grande potencial.
Mas, tal como acabou de sugerir, pouco depois de eu afirmar que a macroeconomia não era promissora, ocorreu uma impressionante sequência de eventos. Eu iniciei o trabalho sobre expectativas racionais - aplicada inicialmente a modelos monetários com uma versão da Curva de Phillips. E então apareceu a análise do ciclo económico real, em que Prescott foi pioneiro. Depois tivemos trabalhos muito interessantes sobre o crescimento económico, com o crescimento a ser visto, cada vez mais, como uma parte central da macroeconomia. E surgiram trabalhos empíricos muito notáveis sobre o crescimento. Portanto isto foi uma sequência, digamos, de quatro desenvolvimentos excitantes da macroeconomia, logo depois de eu ter dito que ela estava a estagnar. Mas agora parece que talvez os últimos 10 anos tenham sido menos excitantes, em comparação. Há já algum tempo que não vemos nada equivalente a esses quatro desenvolvimentos.
«Tem havido progressos, até mesmo do lado do keynesianismo. Temos agora abordagens mais sofisticadas aos modelos de preços rígidos [sticky-prices]. Alguma desta investigação relaciona-se, pelo menos em termos de explicação ex post, com o sucesso mundial da política monetária. Contudo, podemos localizar estes avanços nos anos 80, portanto isto não muda a minha perspectiva quanto aos desenvolvimentos recentes. Tem havido, contudo, a investigação, já referida, em economia política e as aplicações deste trabalho a instituições e ao crescimento.
P - Se as coisas estão a estagnar, então talvez uma nova revolução esteja a caminho.
Barro - «Bem, está na essência de uma revolução que não possa ser prevista, não é? Se a pudesse ter previsto antes, é porque já tinha acontecido.
P - Como é que a Economia avança - é evolucionista ou revolucionária?
Barro - «Penso que existem acontecimentos importantes que se parecem com mudanças discretas [1], seguidos por um período de desenvolvimentos mais evolucionistas, redifinindo e alargando.
P - E sempre se vai dedicar à microeconomia?
Barro - «Sempre tive grande interesse na microeconomia aplicada, e frequentemente escrevo para a "BusinessWeek" e para o "Wall Street Journal" artigos nessa linha, apesar dos editores me estarem sempre a pedir para escrever sobre macro, incluindo política monetária. Eu gosto de escrever artigos de opinião sobre micro, talvez porque a minha investigação não seja tanto sobre isso. Creio que duas das minhas colunas [com artigos de opinião] mais populares foram sobre "economia da beleza" e "economia da legalização de drogas", dois tópicos claramente micro. Mas nem sequer estou seguro de que eu tenha verdadeiramente mergulhado na macroeconomia, apesar de ter começado por aí. De facto, no meu primeiro curso [como docente] usava a "Teoria Geral" de Keynes como livro base. Contudo, a macroeconomia lida usualmente com temas mais amplos e mais importantes.»
[1]-"discretas" no sentido matemático; mudanças descontínuas, por "saltos".
Equivalência ricardiana
«A "equivalência ricardiana" é, antes do mais, uma proposição de primeira ordem. Contudo, as pessoas confundem sobre o que realmente ela quer dizer... Para ilustrar a potencial confusão sobre o seu significado, podemos referir a famosa citação atribuída ao Vice-Presidente Cherney segundo a qual o Presidente Reagan provou que os défices orçamentais não importam. As palavras de Cheney são muitas vezes interpretadas como significando que o nível de despesa pública não é importante, e isso não é certamente o que a "equivalência ricardiana" diz. A proposição ricardiana é acerca das consequências de pagar por um dado montante de despesa pública de diferentes modos. Especificamente, esta é a questão: é ou não relevante que o governo financie a sua despesa com impostos correntes ou com empréstimos, que significam futuros impostos?
[...]
«Como proposição de primeira ordem, é verdade que importa pouco se se paga a despesa do governo com impostos de hoje ou impostos futuros, qué é basicamente o que o défice é. O método do financiamento público constitui uma questão importante, mas é menos importante do que a questão da dimensão do governo e a que actividades se deve dedicar.
«Lançar impostos agora ou no futuro é um tópico de finanças públicas. Esta visão desloca a análise para longe da equivalência ricardiana, para a perspectiva sobre qual deve ser a taxa óptima, o que nos conduz ao princípio da "suavização de impostos" ["tax smoothing"]. A ideia é que o financiamento público óptimo determine a existência de taxas de imposto que sejam similares de um ano para o outro, pois movimentos erráticos destas taxas são altamente distorcivos. Deste ponto de vista, não é desejável ter uma taxa de imposto muito baixa hoje, financiada por um défice fiscal, seguida por taxas de imposto muito mais elevadas no futuro.»
Estudos sobre a associação entre religião e crescimento
«Estou muito interessado neste projecto de investigação. Situa-se na articulação entre a religião e a economia política, portanto existe aqui uma articulação em dois sentidos. Um é acerca da influência que a religião tem nas crenças, valores, traços de carácter como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade, etç. Neste contexto, estamos [Barro e a mulher, Rachel McCleary] a estudar o impacto da religião no crescimento económico e na produtividade, e também nas instituições políticas, incluindo a democracia. Estes efeitos representam uma direcção de causalidade.
«O outro efeito, que constitui uma grande componente de literatura sobre a sociologia da religião, é sobre como o desenvolvimento económico e as políticas dos governos influenciam os níveis de religiosidade numa sociedade. Por exemplo, uma ideia é a de que as nações que se tornam ricas e melhor educadas tendem a ser menos religiosas.
[pergunta do jornalista: "É a"secularização da sociedade?"]
«Trata-se da hipótese da secularização da sociedade, sim. E embora essa hipótese tenha perdido apoios, penso que a evidência empírica a suporta. Uma ideia relacionada é do impacto que os governos provocam ao ter religiões oficiais de estado ou ao regular o mercado - quer subsidiando quer suprimindo a religião. Os países comunistas foram especialmente determinados em políticas anti-religião... quer dizer, se não considerarmos o comunismo como a sua própria religião...»
"Capital religioso"
«A ideia geral é análoga ao investimento em educação para acumular capital humano. Ou, em alternativa, podemos pensar em investir em redes e amizades para formar capital social. Analogamente, pode-se investir em espiritualidade e crenças para formar uma espécie de capital de religião. A Raquel e eu pensamos nesta influência como actuando através das crenças, não tanto através de redes, ou em ir à igreja e encontrar muitas pessoas. Isso seria mais como capital social. Estas crenças importam, se elas suportarem certos traços de carácter e valores, tais como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade e hospitalidade para com terceiros. Estes traços depois influenciam a produtividade e o trabalho, que em última análise afectam o crescimento económico.
«A outra questão que posso mencionar é que sempre que dou um seminário sobre este tópico, me perguntam se sou pessoalmente religioso. A atitude parece ser a de que o facto de eu estudar este assunto deve vir de algum conjunto de crenças individuais ou compromisso com uma dada religião. É curioso porque as pessoas que estudam outros aspectos da ciência social não costumam receber perguntas equivalentes. Gary Becker estudou a economia do crime e (tanto quanto sei) ninguém lhe perguntou se ele era um criminoso.»
domingo, novembro 13, 2005
Peter Drucker (1909-2005)
Reproduzimos as palavras escritas por Nova Spivack, seu neto, no blogue Minding the Planet: «Para mim representa um estranho sentimento ajustar-me a este falecimento, apesar de, na sua idade de 95 anos, não ser totalmente inesperado. O meu avô era o pilar central da família e era uma grande inspiração pessoal e profissional para mim, bem como para incontáveis outras pessoas em todo o mundo que estudaram com ele, leram os seus livros e com ele trabalharam ao longo dos anos. Viveu uma vida lendária, fundou o campo da ciência da administração, ajudou a definir a moderna empresa, originou o conceito de "trabalhador do conhecimento" e escreveu mais de 30 livros. «Era também um professor, historiador, economista e teórico social. No seus tempos livres, por divertimento, para além de ler enciclopédias, biografias, histórias e todo o corpus literário da civilização ocidental (várias vezes), colecionava e estudava as pinturas Zen Japonesas e Chinesas, tendo-se mesmo tornado professor de arte japonesa. Adicionalmente, também devotava muito tempo e energia a trabalhar para instituições sem fins lucrativos, governos, organizações não governamentais e religiosas. «As minhas recordações dele são de longas caminhadas, em miúdo, pelas montanhas, discutindo história, filosofia, negócios e o futuro da civilização. Foi a pessoa que me ensinou como adivinhar o futuro a partir do passado, e a analisar a natureza de sistemas de todos os tipos. Embora eu não estivesse à altura da sua memória fotográfica e vasto conhecimento, pude aprender com ele padrões e abordagens que me serviram em tudo o que tenho feito. «Também recordarei o sentimento que emanava da sua casa onde, no meio do imaginário minimalista das pinturas Japonesas e Chinesas que coleccionava, e montes sobre montes de livros, havia sempre a sensação palpável de estarmos na presença de um sábio. À medida que eu cresci e ele se tornou mais famoso, recordo que sempre que o visitava havia um constante fluxo de lideres que o vinham visitar, entrevistar ou simplesmente pedir-lhe conselhos. Era verdadeiramente um guru.» Referências na blogosfera: Outras referências: |
sábado, novembro 12, 2005
Mais esconjuros
Esconjuros alfabéticos

Da direita para a esquerda: "waw - he - het - zayin - tet"
[clique]
| Foi descoberto um antiquíssimo abecedário [ou melhor: um "waw-he-het"] inscrito numa pedra, na Palestina, colocando-se a hipótese de se tratar de uma versão antiga de caracteres hebraicos, correspondente a uma primitiva fase de transição desde o alfabeto fenício. As duas linhas desenhadas na pedra aparentam constituir 22 letras do primitivo alfabeto hebraico. Os investigadores admitem a hipótese de que «Todos os sucessivos alfabetos do mundo antigo, incluindo o Grego, derivem deste "antepassado".»
Notícia: "New York Times" |
sexta-feira, novembro 11, 2005
Portugal segundo o FMI
| Relatório elaborado por técnicos do FMI, na sequência de visitas de Julho passado. O Relatório salienta a necessidade de tratar das vulnerabilidades fiscais e de acções estruturais para aumentar a produtividade e melhorar a competitividade - embora admitindo que o equacionamento da política fiscal de Sócrates é adequado. Mas também refere criticamente que as medidas de 2005 se apoiam essencialmente no acréscimo de receitas, "sem que a consolidação da despesa tenha ainda começado". O relatório encontra-se aqui e um outro com tópicos seleccionados aqui. |
Império do Meio
| A União Europeia no Verão e os EUA agora - acordaram com a China a limitação das exportações daquele país, durante alguns anos (The Economist). Não é extraordinário? As duas maiores zonas económicas do mundo a pedir ao exército bárbaro que adie a invasão por uns tempos. A China renasce como o "Império do Meio". |
quinta-feira, novembro 10, 2005
Mundo cruel
Lá para as bandas do Bicho Carpinteiro resolveram exibir subtileza com citações de Keynes. Devem talvez desconhecer aquela em que o Lord insinua que os políticos, que se julgam originais, andam sempre a papaguear as teorias de um qualquer economista defunto. Dada a penúria actual de ideólogos, e como o antigo governador do Banco Central de Cuba (Guevara) não deixou obra económica, agarram-se a qualquer tábua de salvação no encarpelado oceano do mainstream neo-liberal. Por exemplo: Keynes. Keynes, com a sua porta aberta aos défices orçamentais, permite continuar a sonhar com novos amanhãs em que a reforma por inteiro continue assegurada até x anos depois de morto. url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/11/mundo-cruel.html |


Ficheiro mp3 - 27:35 min. - 5.Jan.2005
Entrevista com Hans Engler, sobre Data Mining
Desde a pronúncia de 'data' até uso que as empresas fazem dos nossos cartões de crédito, passando pelas diversas técnicas de marqueting e previsão de doenças, uma interessante conversa sobre a "arte" de extrair informação das montanhas de dados que ameaçam submergir-nos
Crédito: Georgetown University Podcasts. url:
http://141.161.44.24/qtmedia/MP3/DataMining.mp3
A causa das coisas
Inclui um quadro comparativo dos modelos: Continental, Nórdico (I e II), Liberal e Mediterrânico, bem como dados relativos ao desemprego, distribuição de rendimentos, despesas sociais, produtividade, e ainda um capítulo sobre os factores de crescimento, com dados sobre exportações, investimento internacional, etç. |
INE
| Documentos do Instituto Nacional de Estatística: |
Bill Goffe
![]() ![]() Ficheiro mp3 - 13:48 min. - 13.Julho.2005 James Reese entrevista Bill Goffe - editor do Resources for Economists on the Internet e secretário-tesoureiro da Society for Computational Economics. Há vários anos que Bill Goffe disponibiliza listas de links para páginas de economistas e de instituições que disponibilizam informação económica. Uma extensa lista de links pode ser consultada aqui ou em Resources for Economists on the Internet Crédito: Radio Economics. url: http://faculty.uscupstate.edu/jreese/mp3/07132005.mp3 |
quarta-feira, novembro 09, 2005
Dar música
Não me tinha ocorrido, mas na aprendizagem da música expressa-se um dos (aparentes) paradoxos do ensino/aprendizagem: a beleza etérea da obra produzida, versus a "materialidade" do respectivo domínio. Ou seja: para se chegar a poder produzir uma obra estética de grande qualidade, é necessário torturar a matéria carnal com repetições fastidiosas de gestos minimalistas. Como se a beleza espiritual da música tivesse de lutar para conseguir "passar" através da materialidade do corpo humano. Portanto, uma oposição cartesiana "mente versus corpo" - questão muito actual. Esta "oposição" não será tão evidente noutras áreas do conhecimento, mas também ocorre. A teoria económica é certamente espiritual, e o seu estudo (leituras, memorização, aulas presenciais) bastante material. Tal como na música. Mas na música a espiritualidade exibe-se com mais fulgor, e a materialidade corporal (aquelas escalas repetidas sem cessar...) manifesta-se com maior evidência. Isto é assim talvez porque a repetição e mecanização dos movimentos dos dedos nas teclas do piano, por exemplo, nos parece bastante pouco "mental" e mais "muscular". Seja como for, os artigos incluídos na revista, neste como em outros domínios - tais como a da criação da identidade dos músicos - pareceram-me muito interessantes e extensíveis a outras áreas do ensino. Eis alguns textos que me chamaram a atenção: (todo o Volume 4, nº 1 inclui uma série de artigos sobre a questão dos hábitos e da racionalidade.) |
terça-feira, novembro 08, 2005
Comportamento e ideologias
| Num estimulante debate que se estabeleceu entre Tiago Mendes no Aforismos e afins e João Galamba no Metablog - e no qual eu participei marginalmente - abordou-se o problema dos limites do conhecimento. Tudo parece ter começado com o João Galamba a duvidar que a Neurociência - e a Neuroeconomia subsidiariamente - pudesse conduzir ao conhecimento dos processos mentais relacionados com a tomada de decisão. João Galamba exprimiu a sua convicção de que a metodologia das ciências naturais não pode servir para desvendar o comportamento humano. Depois pareceu-me que duvida até que essa metodologia sirva sequer para as ciências naturais. Não tenho podido participar muito neste debate, no qual discordo mais de João Galamba (embora não totalmente nem radicalmente) e alinho com as ideias expressas por Tiago Mendes, mas voltei a ser arranstado para a arena por uma posição de Timshel, expressa aqui. Escreve Timshel: «Uma série de blogues mais ou menos (neo?)liberais descobriram agora que a moral é apenas um produto da biologia. Segundo eles, a manifestação mais evidente de tal descoberta é a cooperação existente em algumas espécies animais.» Bem, onde a discussão foi parar! É verdade que "isto anda tudo ligado", mas é preciso colocar alguma ordem na mesa do debate. As hipóteses que a neurobiologia tem colocado sobre o funcionamento da mente e sobre os processos de cooperação ou de competição, não podem ser interpretados de forma mecânica como dando razão a ideologias mais à esquerda ou mais à direita, mais "solidárias" ou mais "neo-liberais". A busca da compreensão dos sistemas mentais de tomada de decisão podem assemelhar-se, por exemplo, à investigação sobre o funcionamento dos músculos. Podemos descobrir o processo (ou melhor, parte do processo) que leva o punho a fechar-se e o braço a deslocar-se para dar um murro no vizinho - mas daí não pode decorrer nenhuma análise moral sobre se o murro foi bem ou mal dado, merecido ou inoportuno, vingador ou prepotente. Dos processos mentais dos seres humanos decorrem comportamentos complexos e diversificados. Para nossa orientação, costumamos classificar esses comportamentos, no dia a dia, como sendo de cooperação ou de competição, de indiferença ou de envolvimento, etç. Mas até mesmo estas classificações são apenas simplificações, necessárias embora para nos orientarmos na vida colectiva. Mesmo quando, no domínio de uma experiência científica, se define uma categoria de comportamento como "egoísmo", isso tem apenas o sentido "não moral" de que o indivíduo procurou a sua satisfação pessoal. Por exemplo: meti-me no carro e fui ao cinema. A classificação deste comportamento como "egoísta" nada tem que ver com o "egoísmo" do senso-comum, eticamente censurável, como é o caso do indivíduo rouba o chupa-chupa a uma criancinha. Da mesma forma, a busca de compreensão de parcelas isoladas de um comportamento mais global, não implica necessariamente que se ignore o global. É possível, mas não é inelutável. Não se podem acusar cientistas como António Damásio de caírem nesse erro. Vejamos estas citações de uma entrevista concedida por Damásio ao filósofo Desidério Murcho [que também se arrepia com a Neurociência], disponível aqui. |
«Aquilo a que chamamos "mente" é uma colecção de processos biológicos. E, dado que estes processos são físicos, a mente é necessariamente um processo físico. Mas é preciso pensar que a física desses processos biológicos não é necessariamente a física corrente. Ter uma mente em funcionamento não é o mesmo do que ter um pedaço de mármore. Um dos grandes problemas que as pessoas têm é que quando pensam em matéria, quando pensam em qualquer coisa de físico, a imagem a que recorrem é a do cimento, da parede, da pedra, do pedaço de metal. E é evidente que o processo mental — é um processo, note-se, um constante desenrolar de acontecimentos, e não uma coisa — não pode ser concebido como esse tipo de matéria.»
| Mas Damásio vai mais longe e explica que a matéria também não é uma coisa assim tão "simples" como parece: |
«Uma das coisas mais curiosas que está a acontecer é uma modificação da forma como os físicos concebem a matéria. A matéria não é apenas cimento e pedra, é também energia e fluxos. Assim, o nível de fenómeno biológico em que se desenrola a mente é de um nível físico que ainda está por definir completamente. O que lhe posso dizer é que tenho a convicção que há uma matéria do pensar, da mente consciente, matéria essa que é biológica e altamente complexa, que está ligada ao funcionamento de redes nervosas — e que permite a própria perspectiva da primeira pessoa — e que nada tem a ver com a nossa concepção da matéria e dos objectos de pedra e cal e aço que temos à nossa volta. »
| As objecções levantadas por João Galamba - e que são fundamentadas - sobre a globalidade dos processos mentais (incluindo o contexto) e que, por isso, não seriam susceptíveis de análise laboratorial, seccionados nas tais "parcelas", como é caracteritico da metodologia das ciências naturais, obtêm resposta neste parágrafo: |
«Não há dúvida que a nossa mente e que a consciência são fenómenos privados e internos. Isto é perfeitamente compatível com uma ligação entre esses fenómenos de primeira pessoa e os fenómenos de terceira pessoa que decorrem da nossa observação de comportamentos. O que é preciso é manter uma visão dupla dos fenómenos — aquilo que é interior e aquilo que é exterior. Mas o facto é que eles estão ligados. Tudo aquilo que você tem do ponto de vista interior e que não é revelável ou visível para mim tem uma tradução, por vezes extremamente subtil, em fenómenos visíveis na perspectiva da terceira pessoa. Alguns desses fenómenos são comportamentais, outros podem revelar-se na análise de fenómenos que podemos fazer com um scanner ou um electroencefalograma. Tudo isso são manifestações de uma outra coisa; mas não são essa coisa. Como digo várias vezes no livro [O Sentimento de Si], olhar para o electroencefalograma de uma pessoa que está a pensar um determinado pensamento é diferente de olhar para esse pensamento. Não podemos olhar para o pensamento, mas podemos olhar para uma manifestação que está correlacionada com ele. O grande desafio da ciência actual é fazer esta triangulação entre certos índices de funcionamento biológico, de certos comportamentos visíveis exteriormente, e essa outra coisa que é a primeira pessoa, que é a nossa própria experiência.»
*** Resumindo: aceito a complexidade e a natureza contextual do comportamento humano, mas não aceito que não se possa ir sempre descobrindo algo de novo - e para nós muito valioso - acerca desse comportamento, da forma como é gerado, e até das "falhas" que sofre (nomeadamente porque o "contexto" actual é muito diferente daquele em que foi gerada a sua "forma" presente). |
![]() ![]() Where Have All The Flowers Gone? Marlene Dietrich
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[ notação ]
ISEG: instalações renovadas
«O trabalho de restauro e modernização, entregue ao arquitecto Gonçalo Byrne, teve início há três anos para criar melhores condições para a formação de pós-graduação, mestrados e doutoramentos do ISEG. Foi feita uma ampla remodelação do interior, que disponibiliza um conjunto de salas exclusivamente destinadas a trabalhos dos cursos posteriores à licenciatura. Até chegar “às mãos” do arquitecto Gonçalo Byrne, o convento sofreu várias transformações ao longo do tempo, sendo já antiga a função académica. Em 1864, foi adquirido pelos jesuítas, que aí mantiveram o Colégio de Jesus até à instauração da República e fizeram várias ampliações, nomeadamente o acréscimo de um piso em toda a ala Nordeste, o alargamento da capela com uma ala exterior a Noroeste, sobre o actual jardim, e o acrescento no mesmo sentido do corpo destacado do refeitório. Com a chegada da República, o convento serviu para instalar o Museu da Revolução Republicana e, posteriormente, o Instituto Superior de Comércio - o actual ISEG. «As obras de restauro foram financiadas através do plano de investimentos públicos (PIDDAC) e de receitas próprias, custando no total cerca de oito milhões de euros. O convento é hoje propriedade do ISEG, sendo o edifício mais antigo do complexo arquitectónico e núcleo histórico do instituto, com direito a referência em várias publicações nacionais e internacionais. O edifício destina-se agora prioritariamente à formação pós-graduada, de executivos e empresários portugueses, continuando a albergar os órgãos de gestão e outros serviços administrativos.»Post relacionado: Económicas e Bagaceiras |
![]() | 1. Edifício do Quelhas (Conv. Inglesinhas) 2. Edifício do Quelhas (Ex-RDP) - serviços administrativos e auditórios 3. Edifício Bento Jesus Caraça - gabinetes de docentes, centros de investigação, informática 4. Biblioteca F. Pereira de Moura 5. Edifício Francesinhas I - salas de aulas 6. Edifício Francesinhas II - salas de aulas, informática, cantina, AEISEG e AIESEC 7. Futuro Pavilhão de Desportos 8. Assembleia da República |


«José Tavares demitiu-se, ontem, da Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico e será substituído por Miguel Lebre de Freitas, até agora director do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia e da Inovação. A saída do coordenador do Plano Tecnológico, apresentado como peça-chave da política económica do Governo, não foi explicada mas era conhecida a existência de indefinições e de dificuldades de coordenação entre os vários ministérios envolvidos. [...] O esforço do Governo em evitar a descredibilização do Plano Tecnológico era, ontem, evidente. No final do Conselho de Ministros, quando confrontado com as primeiras notícias sobre a demissão de José Tavares, o ministro da Presidência procurou desde logo desvalorizar os sucessivos adiamentos na sua apresentação. Pedro Silva Pereira negou ainda existência de "qualquer conflito de competências", assegurando que este "continuará sediado no Ministério da Economia e Inovação".» - "

«Bruxelas antecipa uma diminuição do desequilíbrio das contas públicas portuguesas menos rápida do que o previsto pelas autoridades portuguesas. O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Joaquín Almunia, advertiu hoje para a necessidade do Governo português adoptar "muitas medidas" se quiser consolidar o défice orçamental até 2008. "Estou certo que as autoridades portuguesas vão adoptar muitas medidas para continuar a estratégia de consolidação orçamental", disse Almunia na conferência de imprensa onde apresentou as Previsões Económicas de Outono da Comissão Europeia.»

O 
Gary Becker acerca dos motins em França:

Peter Drucker foi elogiado em todo o mundo como um pensador seminal, escritor e professor acerca das modernas organizações. Em 1997 a capa da revista "Forbes" intitulava-o como sendo "Still the Youngest Mind" (ainda a mente mais jovem) e a BusinessWeek considerou-o "o mais importante pensador da gestão do nosso tempo" e é geralmente identificado como o "pai da moderna gestão".














