«Há 50 anos William Whyte, editor da revista Fortune, escreveu o livro "The Organisation Man", [disponível online aqui ] que definiu a natureza da vida na empresa para uma geração. O livro descrevia o modo como a América (cujo povo, escrevia Whyte, era conduzido na "pública adoração do individualismo") se tinha tornado recentemente numa nação de empregados que "cumprem votos de vida eterna para com a organização" e que se tinham tornado nos "membros dominantes da nossa sociedade".»«Entre as organizações que Whyte tinha em mente, estava sobretudo a grande corporação, que ele pensava que premiava a dedicação prolongada, obediência e lealdade, quase tão fielmente como faria um mosteiro ou um batalhão. [...] Meio século depois, esta organização parece extinta [...] A empresa que mais se parecia identificar com este estilo de vida era a IBM. Durante muitos anos os seus gestores usaram apenas fatos azuis escuros, camisas brancas e gravatas escuras, símbolos da sua ligação vitalícia à "Big Blue". A medida das mudanças que tiveram lugar desde os tempos de Whyte até hoje é dada pelo facto de, actualmente, 50% dos empregados da IBM trabalharem para a empresa há menos de 5 anos; de 40% dos seus 320 mil empregados serem "móveis", significando que não se apresentam diariamente num dado local de trabalho; e de cerca de 30% serem mulheres. Uma empresa que em tempos foi dominada por empregados vitalícios que vendiam computadores, foi transformada num conglomerado de transitórios fornecedores de serviços. O "Homem da Organização" foi substituído por um grupo de gestores mais vocacionados para a rápida ascenção empreendedora do que para a lenta promoção organizacional.»The Economist, "The new organisation" |
sábado, janeiro 21, 2006
A Nova Organização
Produtividade
«A taxa de crescimento da produtividade na América desacelerou para 1,8% em 2005, abaixo dos 3% de 2004. Esta última estava bastante acima da dos "velhos" 15 estados da União Europeia, que se situava nuns meros 0,5%, quase a mesma do Japão. Apesar de muitos países desenvolvidos tenham sofrido desacelerações da produtividade no ano passado, muitos mercados emergentes, como a Europa oriental, a Índia e a China, viram-na aumentar.» |
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Fado português
| Quando José Tavares se demitiu de coordenador do Plano Tecnológico, comentámos aqui ("Este é o nosso fado") que tudo indicava que a demissão seria apenas a ponta o icebergue de problemas mais profundos: a resistência por parte da estrutura administrativa e de poder ao desenvolvimento de uma estratégia inovadora, que necessariamente teria de bulir com a relação de poderes dentro da administração pública. Um pouco insolitamente, o mesmo José Tavares aproveitou uma conferência do primeiro-ministro para revelar que havia um ministro que se opunha à concretização de uma das medidas sonantes daquele Plano: um acordo de cooperação com o Massachussets Institute of Technology (MIT). A iniciativa é insólita porque não é curial que alguém que participou na concepção de um projecto público, venha utilizar informação privilegiada obtida nesse contexto para incomodar politicamente quem, inicialmente, o convidou para tal cargo. Claro que José Tavares pode estar cheio de razão, mas o assunto talvez pudesse ter sido tornado público de outra forma, eventualmente mais elegante. O assunto, entretanto, entrou no domínio da lavagem da roupa suja. Os jornais trataram logo de descobrir quem seria a "força de bloqueio": o ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, o qual vem agora negar (obviamente) qualquer oposição à vinda do MIT (notícia do jornal Público). O que é triste é isto: não se discute o Plano nem se discute a natureza do projecto MIT. Tudo o que "interessa" é a fulanização. Alguns comentários na blogosfera portuguesa: «A ambígua resposta de Sócrates quer dizer apenas uma coisa - a questão avançará quando Gago já não for ministro. Resta saber se o MIT esperará até lá.» «O assunto, que poderia ser importante, e revelador de muitos dos nossos problemas (e também de acidentes da sociedade internacional "globalizada"), começou, como é óbvio, com uma peça de escandaleira.» «A recente polémica da instalação em Portugal do MIT teve o mérito de pôr a nu o estado de precariedade do Ensino Superior no nosso país, profundamente enfeudado às doutas cabeças de outrora e à reverência e ao invencível estado de prostração perante o “Santo Grau”.» «O ministro da Ciência e Tecnologia acusou José Tavares de proferir afirmações falsas e de ter prestado um péssimo serviço ao país. É o primeiro passo, em português, para um grande good bye ao projecto do MIT para Portugal. » «Nuno Melo [líder parlamentar do CDS], depois de hoje pedir explicações ao Executivo, avançou à TSF com o que corre em surdina nos corredores de S. Bento: uma das razões do “tal Ministro” (...) teria a ver com o facto de o Projecto do MIT, apresentado ao Governo, prever recrutar e trabalhar com a melhor “massa cinzenta” de todas a Universidades portuguesas, enquanto o “tal Ministro” queria contrato de exclusividade com apenas uma (um doce para quem adivinhar qual era). “Endogamia” tecnológica na versão mais ciumenta e abortiva?» «Mariano Gago nega oposição à entrada do MIT em Portugal «PS: Senhor ministro, não se preocupe que a gente percebe. O senhor não é contra a entrada do MIT. O senhor só é contra a entrada do MIT para a Universidade Nova.» «basicamente o senhor ministro disse que não há desencontro de opiniões e que era mesmo uma questão de independência nacional ... e disse mais ...disse que o Tavares é puto...funcionário público...professor nos começozinhus da carreira e que o doutoramentozinho foi à pala do Estado com uma bolsa da FCT ...portanto eu traduzo... "Ó Tavares... rapazola ... axandra-te pá... olha a carreira..." «Porque razão o sr. Tavares - aquando da sua demissão - não convocou um ou dois microfones e dava uma conferência de imprensa, explicando aí as verdadeiras razões das sua demissão... Não o fez, depois reagiu como um garoto a quem tiraram o xupa-xupa e o carrinho da match-bock.» |
terça-feira, janeiro 10, 2006
Maria Filomena Mónica
A professora Maria Filomena Mónica, a quem "passaram as dores de cabeça" depois de ter publicado o seu Bilhete de Identidade, dá uma entrevista aos "pontos nos ii", a revista mensal de política educativa que é hoje distribuída com o jornal "Público".Nesta entrevista a professora revela que foi «ao leccionar no [período] pós-Revolução que me senti pior. Os alunos queriam mandar nos professores e estes não foram capazes de dizer "o que quereis não faz sentido". Instalou-se o laxismo e abandonou-se o trabalho individual. Os professores, mesmo os catedráticos, cederam. Um grupo de quatro alunos tinha quatro disciplinas feitas: cada um fazia um trabalho, supostamente de grupo.» No seu livro "Bilhete de Identidade", Maria Filomena Mónica já tinha referido a irracionalidade do período em que os alunos tomaram conta das universidades (e dos programas, da avaliação, etç.) . Nada disto é novo, a não ser o facto de MFM assumir que também os professores se deixaram ir na onda das "facilidades revolucionárias". Hoje, há muitos desses professores que denunciam essa situação (vide o professor Cavaco Silva na sua auto-biografia política, que ridiculiza os alunos de Económicas que tinham "assento" no Concelho Científico) mas esquecem-se sempre de dizer que não tiveram a coragem de denunciar a situação na devida altura. A propósito, aproveito para contar um dos episódios, passado comigo neste contexto, que mais me penalizaram. Vem a propósito porque um dos participante foi o professor Afonso Barros - que foi casado com Maria Filomena Mónica e é profusamente citado no seu livro. O professor Afonso de Barros era da oposição ao regime muito antes do 25 de Abril. Depois da Revolução esteve ligado ao MES. Também ele apoiou a metodologia do trabalho em grupo, que era apresentada como uma alternativa aos métodos de ensino e avaliação "selectivos" que, supostamente, tinham a "marca de classe" do regime ditatorial. Mas o professor não estava preparado para o radicalismo que dominou a "classe" discente naquele ano de 1975. Fui um defensor da avaliação contínua e do trabalho em grupo, mas não me "aproveitei" dessa metodologia para passar sem estudar, embora no meu grupo de trabalho o desempenho dos elementos fosse desigual e existisse uma "protecção" aos menos diligentes no estudo. Ora, numa reunião do professor Afonso de Barros com o meu grupo, no final de uma discussão de um trabalho, ele pretendeu dar notas diferentes aos elementos do grupo, de acordo com a sua apreciação dos conhecimentos de cada um. Mas o grupo não aceitou: a nota tinha de ser igual para todos! O professor bem argumentou que era evidente que havia diferentes níveis de desempenho pelos alunos, mas o grupo foi inflexível: então ele que desse a nota mais baixa a todos os elementos. Como se explica esta irracionalidade, que prejudicava os alunos que poderiam ter nota mais elevada, que era o meu caso e do meu colega José Luis Lança? Muito simplesmente porque eramos os parolos daquele processo. Acreditávamos piamente que era mais justo todos terem nota igual, que a nota diferenciada era uma coisa do ensino burguês, bla, bla, bla... Este radicalismo é algo que hoje me envergonha - embora no ano seguinte, em 1976, eu já tenha aceitado notas diferenciadas dentro do grupo. No entanto, o mais grave daquele episódio estava para vir: como nenhuma das partes cedesse, o grupo abandonou a sala, numa bravata irresponsável. Que grandes "revolucionários"! Íamos já no jardim da escola quando Afonso de Barros veio a correr atrás de nós, e admitiu finalmente dar-nos nota idêntica a todos. Logo naquele momento, senti vergonha de termos obrigado o professor a ceder, porque ele se manifestou um cavalheiro - quem o conheceu sabe como era educado - enquanto que nós nos portámos como uns seres intolerantes. Nunca mais me esqueci deste episódio e envergonho-me dele sempre que o recordo. Poderia haver alguma compreensão para a ocorrência destas asneiras no período revolucionário, mas a fraude mantém-se no nosso sistema de ensino, conforme explica MFM: «[O ensino hoje está] mal a todos os níveis e a responsabilidade é dos partidos, em última análise, mais da direita. O pensamento progressista que irrompeu na esquerda era normal. A tradição de Rousseau e do mito do bom selvagem, tudo era normal. E a direita engoliu as balelas pedagógicas. Sendo eu de esquerda, penso que o PPD, de uma forma acrítica, aceitou todos os disparates. Nos últimos dez anos apareceram pessoas a defender a aprendizagem, o esforço e o trabalho. [Mas] ainda não se chegou aos programas, que são um disparate total, tanto na literatura como na história.» |
Virus à solta ?
A "informática" anda a pregar umas partidas ao jornal "Público". Há uns dias ocorreu a publicação de um texto antigo de Vasco Pulido Valente, que "saltou" do passado para a última página. Hoje é a página 18 que é, imagine-se, a mesma que foi publicada ontem. Andará algum virus à solta nos computadores do Público ? |
sábado, dezembro 31, 2005
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Preferência pela liquidez
terça-feira, dezembro 27, 2005
Forma sem conteúdo
| O candidato presidencial Cavaco Silva deu uma entrevista ao Diário de Notícias, onde propôs (ou sugeriu, é o mesmo) que o governo tivesse uma secretaria de estado para acompanhar os processos de deslocalização de empresas. Foi o suficiente para os restantes candidatos desatarem a clamar que o homem quer imiscuir-se nos assuntos do governo. O que me revolta nisto é a discussão que se consegue armar em torno do aspecto formal (criação de uma secretaria de estado sugerida pelo candidato), esquecendo o conteúdo da questão (necessidade de uma atenção especial ao fenómeno da deslocalização). Esta capacidade para nos matarmos a discutir sobre aspectos formais e superficiais, é bem reveladora do nosso formalismo e superficialidade. O que torna ainda mais patética esta discussão é que a necessidade do governo "vigiar" as empresas é uma ideia típica da esquerda, cabendo melhor à direita a defesa da livre concorrência, sem intromissão estatal. É evidente que Cavaco não é de direita, é francamente um social-democrata. A sua sugestão pode até ter constituído um deslize, na tentativa de criar uma imagem de presidente que não se limita a discursos. Mas o forrobodó que a restante peonagem - com a ajuda da imprensa - se dispôs a fazer, mostra bem como continuamos a possuir uma mentalidade de lordes pelintras. Quando o presidente Sampaio clamou que havia "mais vida para além do orçamento", ou quando Soares andou pela Área Meteropolitana de Lisboa a destapar os montes de lixo que a sociedade portuguesa tinha varrido para debaixo da alcatifa, isso não era ingerência no governo? Era seguramente muito maior ingerência do que a sugestão da criação de uma qualquer secretaria de estado. |
Império à deriva
| "Império à Deriva" - um dos mais divertidos livros que já li, apesar de achincalhar um bocadinho os portugueses. Pode ser que haja algum exagero neste retrato da estadia da corte portuguesa no Brasil (desde 1807), escrito por um inglês, mas nem sequer os ingleses (ou franceses) escapam muito incólumes à pintura de Patrick Wilcken. São inúmeras as passagens cómicas - o rei D. Joao VI, eterno indeciso, que não tomava banho e concedia audiências em salas com penicos devidamente atestados, o filho Pedro que se desfazia dos "excedentes" à vista do exército, a Carlota sempre a intrigar contra o rei, etç. A única que ainda escapa é a louca da D. Maria. Mas, para além deste ridículo folclore, é muito sedutora a tese de que foi a mania dos portugueses em ostentarem a posse do maior número de escravos que esteve na origem, involuntária, da famosa miscigenação. Que a posse de escravos era o sinal exibido do sucesso social, é algo que outros autores, incluindo muitos portugueses, têm confirmado. Nem mesmo pessoas bem abaixo na escala social, como os artesãos, precindiam de escravos para lhes carregarem as ferramentas quando se deslocavam na via pública. Quanto aos nobres, costumavam sair à rua, a passear, com a família, criadagem e escravos, todos em fila indiana, pai à frente, filhos por ordem inversa de nascimento a seguir, e o resto também por ordem de "importância" (é a imagem da capa do livro). O resultado desta proliferação de escravos (essencialmente de origem africana) foi que, ao contrário do que aconteceu noutras urbes coloniais, os escravos "dominavam" o espaço público e estabeleciam a cultura da cidade. É muito curioso que, quando se deu a revolta de Pernambuco, o assustado rei se tenha dado conta de que era materialmente impossível proibir ajuntamentos de pessoas na rua, especialmente escravos, dada a quantidade deles que cirandava por fora às ordens de todo e qualquer gato pingado - até mesmo de outros escravos, entretanto alforriados. Há um grande choque de usos e costumes com a chegada da comitiva da arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que a acompanhou para o casamento com o princípe Pedro. Os austríacos, habituados a uma vida social que já tinha sido influenciada pelo nascente espírito científico e pelas "luzes", ficaram boquiabertos com uma corte que ainda "vivia" na Idade Média, com os subditos a presenciarem, de pé (ou de joelhos, nos caso dos mais débeis) às longas refeições reais. Os austríacos levaram para o Brasil uma missão científica que aproveitou para estudar e recolher especimenes tropicais. Compare-se com a atitude lusa: um enviado de Lisboa passou anos a recolher animais, plantas e minerais, no Amazonas; quando perguntava (para Lisboa) se já se podia ir imbora, respondiam-lhe que não, que o que enviara ainda era insuficiente... Mais tarde descobriu-se que os preciosos caixotes que mandou para Lisboa nem sequer tinham sido abertos! Alguns acabaram mesmo por ser saqueados pelos franceses numa das invasões. |
Península Ibérica
A Península Ibérica como "região da Europa" é um conceito que provoca calafrios a muitos portugueses, que começam a pensar que tantos séculos de guerras afinal não valeram para nada. Porém, não parece haver motivo para alarme. Se tudo correr bem, nenhum dos países dominará ou será dominado pelo outro, antes emergirá uma nova realidade social e política, de que ambas as originalidades ibéricas srão os ilustres antepassados. Claro que nós, tendo nascido e formado a nossa personalidade a cantar o hino anti-inglês e a glorificar Aljubarrota (que para cá trouxe os ingleses...) teremos muita dificuldade em aceitar uma tal coisa. Mas quando o oceano começar a engolir as nossas magníficas cidades ribeirinhas, estas preocupações deixarão de fazer sentido. Porém, se as coisas correrem mal, e o projecto europeu começar a andar para trás, poderemos retomar os nossos hábitos nacionalistas e até talvez a diversidade tribal que existiu antes desta coisa tão romântica que são os países, com os seus garbosos exércitos e esforçados clubes de futebol. |
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Mónica e o Desejo
É curioso como uma pessoa tão fortemente ligada aos estratos superiores da sociedade do Estado Novo tenha "passado ao lado" (como ela própria reconhece) de importantes factos da vida política e social do Portugal daquela época. Única e significativa excepção: a presença chocante da pobreza/miséria e a apatia com que todos (ricos e pobres) a encaravam - uma descoberta feita pela autora sem a ajuda de ninguém, nem de nenhuma ideologia. A parte dos relacionamentos amorosos não me pareceu muito interessante, ao contrário da deriva intelectual da bela Mena, nomeadamente a sua aproximação aos autores marxistas, capítulo em que o livro se mostra muito revelador dos mecanismos que levavam a juventude mais culta a aproximar-se dum marxismo extremista. Entre a coisas mais divertidas do livro está a descrição de um patético meeting de intelectuais oposicionistas portugueses, em 1973, em Paris (página 304). Entretanto aqui ficam algumas citações, bastante justas, sobre a escola de Economia da época: o ISCEF. «Na Páscoa de 1960, decidi ir até ao ISCEF, onde descobri que a licenciatura em Economia - à qual a área disciplinar por mim escolhida dava acesso - possuía cadeiras com nomes tão horrendos quanto Contabilidade, Estatística e Finanças. O casarão da Rua do Quelhas, o antigo convento das Inglesinhas, ainda parecia habitado pelos fantasmas das freiras que ali tinham vivido. Na secretaria, onde me dirigi para obter as informações sobre o curriculum, vegetavam três múmias. Não vi um único aluno. O local era tão execrável que, pensei, jamais um ser humano poderia, de sua livre vontade, frequentá-lo. O meu pai, que por lá se licenciara, confirmou a impressão. Fiquei sem saber o que fazer. Não me apetecendo um interlúdio doméstico, o ensino superior era a minha única hipótese. Mas, sabia-o agora, o ISCEF não me servia.» [pag. 126] «Em 1973, por a instituição ter passado a ser dominada por um grupo de esquerdistas, o Ministro da Educação desistira de reformar o ISCEF - Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras -, tendo criado o ISCTE - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa -, onde, além de uma licenciatura em Economia, inaugurara outra, em "Ciências do Trabalho e da Empresa" (eufemismo utilizado para designar a Sociologia). O subdirector da nova escola, o Prof. Sedas Nunes, que soubera da minha existência através do Vasco [Pulido Valente], convidou-me para sua assistente. [...] A cadeira que me foi atribuída chamava-se "Demografia, Povoamento e Recursos Hmanos", outro eufemismo para significar, desta vez, Introdução à Sociologia» [pag. 311/2]Não compreendo porque é que este livro despertou tanta animosidade na blogosfera. O Grande Loja diz que "É uma obra amoral e egocêntrica que retrata um percurso errático, desde um berço dourado, até à idade adulta, de uma menina 'bem', que estava 'predestinada' a estar no topo, 'à sua maneira'." Estou mais de acordo com o Desesperada Esperança: "Há, no livro, um aspecto histórico que, embora secundário, embora servindo apenas como pano de fundo, não deixa de ser interessante. Há, no relato da sua infância e da adolescência, uma caracterização do catolicismo do período, bem como [...] da vida familiar das classes altas lisboetas dos meados do século XX. [...] E em último lugar, está, em Bilhete de Identidade, um retrato da intelectualidade esquerdista de finais dos anos 60/princípios de anos 70, fruto do convívio com gente como António Pedro Vasconcelos, João César Monteiro e Vasco Pulido Valente." |
quarta-feira, dezembro 21, 2005
"Tolerância" ?
| O Público chama a atenção para o facto de o PIB per capita português ter acentuado a divergência com a média europeia e o Insurgente diz que sentiu "alguma vergonha" com a leitura da notícia. Tratam-se dos últimos dados divulgados pelo Eurostat. Nós por cá, como seria de esperar, continuamos com generosas "pontes" a propósito das festas de fim de ano, tanto nos privados como na administração pública: sexta-sábado-domingo-e-segunda sem trabalhar, em dois fim-de-semana consecutivos. Não há dúvida de que estamos na época da "tolerância". Na Autoeuropa, entretanto, os trabalhadores resolveram dar uma lição aos alemães. Espero que saibam o que estão a fazer: segundo um dos trabalhadores citado pelo Público, "Estão a fazer chantagem connosco, ameaçando fechar a empresa, mas estamos convictos de que o investimento aqui feito não é para dois dias". |
quinta-feira, dezembro 15, 2005
"I want my money back"
| "I want my money back", disse ela, a senhora Margaret Thatcher, em 1984, dando origem ao famigerado cheque britânico, uma isenção fiscal concedida aos britânicos, (mal) disfarçada sob a forma de uma reposição de verbas pagas. Blair volta a gritar pelo mesmo, mas lá teremos de citar de novo o velho Marx: se da primeira vez sabia a tragédia, agora sabe a farsa. Os britânicos, no entanto, possuem um argumento importante: o "cheque" da PAC entrou em descrédito e está sob o fogo das críticas da OMC, e por isso dizem os "bifes": se a França quer um cheque, nós também queremos. Durão Barroso, que gostaria de ser o Delors da nova Europa, tem motivos para estar aborrecido (Delors conseguiu a certa altura duplicar os fundos estruturais). "I want my money back", disse a senhora Thatcher. "Quero o meu dinheiro de volta", cantou o Jorge Palma. Uma vez ouvi o Jorge Palma, num concerto na Aula Magna, responder a um tipo da plateia que gritava o nome daquela canção: "Tens que ir para a bicha". É isso mesmo que deveria ser dito aos ingleses: "Querem o cheque? Vão para a bicha!" |
terça-feira, dezembro 13, 2005
Pensamentos correntes
Ouvi hoje de manhã, na rádio, o ministro Mário Lino fazer umas contas sobre as SCUTs que me deixaram um pouco baralhado. Falava o ministro sobre os valores apurados pelo Tribunal de Contas sobre os custos das SCUTs para o Estado [17 mil milhões de euros] e disse mais ou menos o seguinte: isso são valores correntes, porque se forem actualizados a 2005 o valor será metade.Metade? Mas não se trata de valores acumulados ao longo dos últimos anos? Nesse caso, e dada a ocorrência de inflação, o valor actualizado a 2005 terá de ser necessariamente maior. A fazer contas desta maneira, não é de espantar a irracionalidade que transpira das decisões governamentais relativas aos grandes investimentos públicos. |
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Não desespere (ainda)
Enquanto considera que ainda pode haver alguma esperança quanto a um acordo relativo ao aquecimento global - optimismo que aparece espelhado na sua capa ("Dont't dispair") - a Economist está bem menos esperançada quanto à cimeira da Organização Mundial do Comércio:«Muito antes de qualquer ministro colocar os pés em Hong Kong, já se tornou claro que o encontro da OMC falhará depressivamente os seus objectivos. Oficialmente a reunião pretende obter um consenso sobre os contornos gerais de um acordo para liberalizar o comércio de produtos agrícolas, tarifas industriais e serviços. Mas particularmente devido à intransigência da Europa em baixar as tarífas agrícolas, tal não acontecerá. Os ministros poderão anunciar modestos progressos (tais como uma vaga promessa de acelerar a eliminação de subsídios ao algodão) mas os objectivos de um acordo Doha serão adiados mais uma vez.»Também na Economist: "Europe's farm follies" |
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Letra por letra
![]() Reconhecemos visualmente as coisas - caras ou palavras - no seu conjunto ou pelas partes? Denis Pelli da New York University e Bart Farell da Syracuse University responderam a esta questão num artigo publicado na revista Nature, "The Remarkable Inefficiency of Word Recognition". Usando o exemplo de letras e palavras, os investigadores mostraram que lemos através da detecção de coisas simples, letra a letra e não palavra a palavra. Isto torna o reconhecimento das palavras muito ineficiente. Veja-se a imagem de cima: ambas as citações apresentam o mesmo contraste total de energia. Na primeira, a energia é dividida igualmente em todas as palavras, tornando todas as letras identificáveis igual e independentemente. Na segunda citação a energia é dividida igualmente por todas as palavras, independentemente do seu comprimento. Em princípio, para um dado nível de ruído, a detectabilidade de um padrão conhecido depende apenas da sua energia, portanto palavras de igual energia deveriam ser igualmente visíveis, mas na realidade as palavras mais pequenas sobressaiem e as mais longas desaparecem. Isto mostra que os leitores humanos não podem integrar eficientemente a energia ao longo de toda uma palavra. Em vez disso, a palavra é identificável apenas quando as suas letras forem independentemente identificáveis. As frases citadas são: "In the beginning was the Word" … "And the light shineth in darkness". Artigo da NYU Press Releases. |
Relatório do Desenvolvimento Humano - 2005
Resumo em português do "Relatório do Desenvolvimento Humano" de 2005 (pdf). |
![]() Randy Bass Ficheiro mp3 - 23:34 min. - 5.Maio.2005 Randy Bass, professor da Universidade de Georgetown, fala sobre novos modelos de aprendizagem. Covering the Chaos - página de Randy Bass url http://141.161.44.24/qtmedia/MP3/NewDesignsinLearning.mp3 |
terça-feira, dezembro 06, 2005
Cançó de bressol

| Ets filla del vent sec i d'una eixuta terra. D'una terra que mai no has pogut oblidar malgrat el llarg camí que et van fer caminar els teus germans de sang, els teus germans de llengua, i encara vols morir escoltant mallerengues coberta per la pols d'aquella pobra terra. |
| «Quis apenas fazer uma homenagem a minha mãe, à tragédia de uma mulher que vive toda a sua vida a caminhar, e que passa toda a sua vida a olhar para trás... nasce numa vila de Aragão, em Belchite; o noivo morre-lhe antes da boda; sai da terra para trabalhar em Barcelona; rebenta a guerra; fuzilam o seu pai e a sua mãe; trinta familiares são executados, assassinados na vila; durante a guerra dedica-se a recolher crianças e a viajar com elas por toda a Espanha, duma ponta à outra; regressa a Barcelona, casa-se com o meu pai, vive a tragédia dos anos do pós-guerra, a escassez, o medo, a perseguição... o meu pai tinha saído de um campo de concentração, e tem enfim um filho, no qual coloca absolutamente todas as suas esperanças, esperando superar com ele toda uma vida de tragédias e de decepções... Para ela, acontece que o filho é um bom estudante, mas que procura complicações com o franquismo... Com essa canção, Cançó de bressol, dei um beijo a essa mulher que, apesar de tudo o que tinha acontecido, continuava a sonhar com a sua terra natal. Acaso não fazemos outra coisa senão sonhar com a infância, que deve ser o único tempo feliz da nossa vida?...» «O olhar de Serrat remonta à sua infância, aos primeiros meses de vida, com a sua mãe alimentando-o ao peito e cantando-lhe uma canção de embalar ["Por la mañana rocío, al mediodía calor."] Serrat articula imagens de grande força visual, captando a geografia materna. A boca presa ao peito da mãe, o avô morto no fundo de um barranco, o cemitério, a ermida, a Virgem no alto, toda aquela paisagem percorrida pela recordação amarga da guerra civil surge de golpe nesta exemplar canção.» |
[ "Canção de embalar" - 1967 - letra ]
Efeitos do aumento da despesa pública
| Documento disponibilizado pelo Banco de Portugal: "The Effects of a Government Expenditure Schock", da autoria de Bernardino Adão e José Brandão de Brito |
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A empresa que mais se parecia identificar com este estilo de vida era a IBM. Durante muitos anos os seus gestores usaram apenas fatos azuis escuros, camisas brancas e gravatas escuras, símbolos da sua ligação vitalícia à "Big Blue". A medida das mudanças que tiveram lugar desde os tempos de Whyte até hoje é dada pelo facto de, actualmente, 50% dos empregados da IBM trabalharem para a empresa há menos de 5 anos; de 40% dos seus 320 mil empregados serem "móveis", significando que não se apresentam diariamente num dado local de trabalho; e de cerca de 30% serem mulheres. Uma empresa que em tempos foi dominada por empregados vitalícios que vendiam computadores, foi transformada num conglomerado de transitórios fornecedores de serviços. O "Homem da Organização" foi substituído por um grupo de gestores mais vocacionados para a rápida ascenção empreendedora do que para a lenta promoção organizacional.»
A professora Maria Filomena Mónica, a quem "passaram as dores de cabeça" depois de ter publicado o seu
A "informática" anda a pregar umas partidas ao jornal "Público". Há uns dias ocorreu a publicação de um texto antigo de Vasco Pulido Valente, que "saltou" do passado para a última página. Hoje é a página 18 que é, imagine-se, a mesma que foi publicada ontem. Andará algum virus à solta nos computadores do Público ?


Ouvi hoje de manhã, na rádio, o ministro Mário Lino fazer umas contas sobre as SCUTs que me deixaram um pouco baralhado. Falava o ministro sobre os valores apurados pelo Tribunal de Contas sobre os custos das SCUTs para o Estado [17 mil milhões de euros] e disse mais ou menos o seguinte: isso são valores correntes, porque se forem actualizados a 2005 o valor será metade.
Enquanto considera que ainda pode haver alguma esperança quanto a um acordo relativo ao aquecimento global - optimismo que aparece espelhado na sua capa ("Dont't dispair") - a Economist está bem menos esperançada quanto à 

