terça-feira, novembro 15, 2005

Fia-te na Virgem...

O Banco de Portugal diz que economia portuguesa está quase estagnada (previsão de "crescimento" do PIB de 0,3 % em 2005) e sabem qual a reacção do ministro das Finanças? Diz que fica contente, porque assim está afastada a hipótese de uma recessão em Portugal, que era o "que se temia".

Sabem o que é que isto faz lembrar? Aquele ex-voto (pintura votiva) dedicada à Nossa Senhora da Atalaia, em que um pescador agradecia à Virgem por ter dado uma queda do mastro e ter partido uma perna, "quando podia ter partido as duas..."

"A economia portuguesa em 2005" - Banco de Portugal

Manifesto de Econometria Política

Na sequência da publicação no Pura Economia de documentos sobre a avaliação de conhecimentos "revolucionária" que foi aprovada no ISE logo após o "25 de Abril", o De Gustibus Non Est Disputandum publicou um "Manifesto da Econometria Política", uma peça de humor dos anos 80 onde os "econometristas políticos" demonstram o seu "repúdio aos métodos quantitativos burgueses, neoclássicos, ortodoxos, tradicionais, estáticos e reacionários", propondo uma bateria de medidas para revolucionar a Econometria, tais como "substituir as equações de diferença por equações de igualdade".

Vale a pena ler o manifesto na totalidade, aqui.

A propósito de Econometria, também vale a pena referir que, no ISE, foi a equipa de Econometria do professor Mário Valadas quem colocou um travão na loucura das avaliações em grupo. Muitos outros docentes que mais tarde vieram a manifestar duras críticas àquele período, na altura alinharam sem problema, como é o caso de um certo professor, cujo nome não quero revelar para não perturbar as próximas eleições. Mas um dia ainda conto como se passou uma dessas avaliações, a que eu assisti, embora não fosse com esse docente, e sim com uma sua assistente.

Mas essa equipa de Econometria, depois de passar a maior febre revolucionária, recusou-se a fazer outro tipo de avaliação que não fosse com testes escritos individuais. "Não sabemos fazer de outra maneira", disseram. Os estudantes argumentaram: "Mas nós não aprendemos as matérias precedentes à Econometria" (estatísticas, etç.) Responderam os docentes: "Mas nós ensinamos."

E assim aconteceu. Ainda houve uma greve aos exames dessa cadeira no final do ano lectivo, mas durante o Verão tivemos aulas de apoio (gratuitamente dadas!) com o jovem assistente Cordeiro Baptista, então uma estrela no mundo da Econometria do ISE, dada a sua juventude e competência. Também tivemos a ajuda de um nosso colega, aluno brilhante, o Norberto Rosa, e lá fomos fazer testes a Econometria em Outubro. "Nós", mas nem todos: eu conheço quem, por causa dessa mesma disciplina, nunca tenha acabado o curso.

Eu sei que estas recordações podem parecer pouco "oportunas", mas eu acho que o ISE deveria fazer a história daqueles tempos, que têm muita coisa ridícula (ou pior) mas também têm muita coisa boa. Valeria a pena engolir esse remédio, ainda que amargo.

Direito e Economia


pais fundadores...


"The Origins of Law and Economics: Essays by the Founding Fathers", recente publicação composta por 16 ensaios de diversos autores, entre os quais três laureados com o Nobel: Coase, Becker e Buchanan. Diversidade de perspectivas sobre o campo do "Direito e Economia" (ou "Análise Económica do Direito"), desde a sua luta inicial para conseguir afirmação até aos importantes desenvolvimentos das últimas décadas. O livro é co-editado por Francesco Parisi e Charles K. Rowley, da George Mason University. Outros dos autores são: G. Calabresi, R.D. Cooter, H. Demsetz, R.A. Epstein, E.W. Kitch, W.M. Landes, H.G. Manne, R.A. Posner, G.L. Priest, P.H. Rubin, S. Shavell, M.J. Trebilcock, G. Tullock, O.E. Williamson.
«No seu ensaio Buchanan procura explicar as diferenças entre ele próprio e Coase no que diz respeito à análise económica do Direito. Coase é um pensador dos custos de oportunidade, tal como Buchanan, mas Coase - segundo Buchanan, é um objectivista, enquanto que Buchanan afirma que: "Fui, e espero que consistentemente, ao longo de quase toda a minha carreira, um subjectivista, uma posição que não me permite deixar os critérios normativos para os tribunais ou seja quem for". A posição de Buchanan atinge o âmago da análise custo-benefício, que é crucial para o Direito padrão e para a Economia. Conforme seria de esperar de Buchanan, ele dirige a sua crítica subjectivista do custo/benefício e da análise de equilíbrio e argumenta em favor de um processo subjectivista e de uma perspectiva constitucional.»

in The Austrian Economists

     Via De Gustibus

Absolvição

António Caldeira, autor do blogue Do Portugal Profundo, foi ontem absolvido pelo Tribunal da acusação que lhe fora movida pelo ministério público.

A acusação relacionava-se com a publicação, naquele blogue, de peças do processo de pedofilia ("Casa Pia"). A acusação, no entanto, era especificamente sobre alegada a desobediência de António Caldeira relativamente a um despacho judicial proibindo aquela publicação. A sentença que ilibou aquele professor também se apoiou numa questão formal: o tribunal considerou que António Caldeira não fora notificado da decisão, portanto não podia ter havido desobediência.

No seu blogue Do Portugal Profundo afirma-se que se trata de um "processo de perseguição política", e desabafa-se: "Absolvido. Um caso arrumado. Outros virão, que a rede pedófila de controlo do Estado não perdoa." Diz também que se tratou de um "processo ultrajante" e que a acusação se relacionava com "um despacho que eu não conhecia, não me foi facultado durante o processo porque estava em segredo de justiça, e que só hoje, no dia da sentença, ouvi." No blogue também se transcreve integralmente a sentença.

Ainda há poucos dias o autor do Do Portugal Profundo manifestava a opinião de que o recente acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa relativo à não pronúncia de Paulo Pedroso, Herman José e Francisco Alves do caso de pedofilia da Casa Pia, "deixa pouco espaço à esperança de condenação judicial final dos poderosos arguidos de pedofilia."

Notícia do "Diário de Nocítias.

Inflação

Portugal
Índice de Preços no Consumidor

(Base 100: 2002)
Índice do mêsVariação
mensal
%
Variação
homóloga
%
Variação média
dos últimos
12 meses %
2004 2005 2004 2005 2004 2005 20042005
Janeiro 104,4106,50,0 -0,52,3 2,03,1 2,3
Fevereiro 104,2106,5-0,2 0,02,1 2,22,9 2,4
Março 104,5106,80,3 0,32,3 2,22,82,4
Abril 105,4107,60,9 0,7 2,32,1 2,7 2,3
Maio 106,1108,00,70,4 2,4 1,82,6 2,3
Junho 106,3108,00,20,0 2,71,62,52,2
Julho 106,1108,4-0,2 0,42,82,22,52,1
Agosto 105,7108,5-0,4 0,12,32,62,5 2,2
Setembro 105,7108,70,0 0,22,1 2,8 2,4 2,2
Outubro 106,3109,2 0,60,52,12,7 2,3 2,3
Novembro 106,90,62,52,4
Dezembro 107,00,1 2,5 2,4

Fonte: INE

Previsão do governo (OE) da inflação média para 2006: 2,3 %
Actualizado com a ajuda do Adufe

segunda-feira, novembro 14, 2005

Gary Becker acerca dos motins em França:


«Muitos economistas têm reconhecido, desde há mais de uma década, que os generosos salários mínimos e outros factores de rigidez do mercado de trabalho francês causam taxas de desemprego que se têm mantido teimosamente altas desde o início dos anos 90. Imigrantes, jovens e outros que entram no mercado de trabalho têm sido os mais afectados, uma vez que são os que encontram mais dificuldades para arranjar empregos. A taxa global de desemprego em França é agora de quase 9 % - comparada com 5 % nos EUA - sendo superior a 20 % para os jovens. Cerca de 40% dos desempregados encontram-se sem emprego regular há mais de um ano, uma taxa que é bastante mais alta do que a taxa americana para o desemprego de longa duração.

«Os franceses têm intencionalmente evitado recolher dados económicos sobre os muçulmanos, mas a sua taxa de desemprego é estimada por economistas franceses como sendo superior a 20 %, com a taxa de desemprego de jovens muçulmanos provavelmente a exceder os 30 %. O mercado de trabalho em França está doente e necessita de reformas que o tornem mais flexível, de modo a que os "insiders" com emprego não tenham mais vantagens do que os "outsiders" que procuram trabalho.
[...]
Talvez estes motins ajudem a proporcionar maior poder aos poucos políticos franceses que compreendem a necessidade de importantes reformas económicas para ajudar todos os jovens franceses a obter empregos, e a deixá-los progredir na hierarquia económica quando demonstrem ter o talento e ambição requeridos. A Economia não pode prever com segurança como é que essas reformas afectarão a possibilidade de futuros motins, mas tais reformas certamente melhorarão a posição dos jovens imigrantes, independentemente da sua religião ou país de origem»

The Becker-Posner Blog

Menos emprego, menos horas trabalhadas

"Índices de Emprego, Remunerações e Horas Trabalhadas nos Serviços" - publicação do INE, já com dados do mês de Setembro, que mostram uma diminuição de 0,9 % face ao mês homólogo do ano anterior. Face ao mês anterior, a diminuição foi de 0,2 pontos percentuais.

Em horas trabalhadas, registou-se uma diminuição homóloga de 1,3 %. As remunerações aumentaram 1,6 % relativamente a Setembro de 2004.

Robert Barro


Robert Barro

Entrevista de Robert Barro ao banco da Reserva Federal de Monneapolis, abordando diversos temas tais como a Segurança Social nos EUA, o "Equity Premium Puzzle" (já referido pelo Pura Economia aqui), as políticas de combate à inflação, a União Monetária Europeia, o crescimento económico, as desigualdades sociais, o Fundo Monetário Internacional, e ainda os tópicos de que traduzi os seguintes excertos:
Macroeconomia

P - «No início dos anos 70, creio, disse a Gary Becker que você estava convencido de que a macroeconomia estava a estagnar e que pensou dedicar-se à microeconomia.

Barro - Exactamente.

P - E então as "expectativas racionais" irromperam no campo teórico e você foi um dos pioneiros dessa revolução. Tendo em consideração as suas previsões, o que pensa acerca da macroeconomia hoje? Quais pensa que são as áreas mais promissoras para investigação em macro? Ainda pensa em mudar-se para a micro?

Barro - «Eu era seguramente mau a fazer previsões, no início dos anos 70, acerca do modo como a macroeconomia iria evoluir. Creio que eu era particularmente influenciado, nessa altura, pela macroeconomia keynesiana, na qual tinha estado a trabalhar, e penso que acertei ao ver que esse campo não tinha grande potencial.
Mas, tal como acabou de sugerir, pouco depois de eu afirmar que a macroeconomia não era promissora, ocorreu uma impressionante sequência de eventos. Eu iniciei o trabalho sobre expectativas racionais - aplicada inicialmente a modelos monetários com uma versão da Curva de Phillips. E então apareceu a análise do ciclo económico real, em que Prescott foi pioneiro. Depois tivemos trabalhos muito interessantes sobre o crescimento económico, com o crescimento a ser visto, cada vez mais, como uma parte central da macroeconomia. E surgiram trabalhos empíricos muito notáveis sobre o crescimento. Portanto isto foi uma sequência, digamos, de quatro desenvolvimentos excitantes da macroeconomia, logo depois de eu ter dito que ela estava a estagnar. Mas agora parece que talvez os últimos 10 anos tenham sido menos excitantes, em comparação. Há já algum tempo que não vemos nada equivalente a esses quatro desenvolvimentos.

«Tem havido progressos, até mesmo do lado do keynesianismo. Temos agora abordagens mais sofisticadas aos modelos de preços rígidos [sticky-prices]. Alguma desta investigação relaciona-se, pelo menos em termos de explicação ex post, com o sucesso mundial da política monetária. Contudo, podemos localizar estes avanços nos anos 80, portanto isto não muda a minha perspectiva quanto aos desenvolvimentos recentes. Tem havido, contudo, a investigação, já referida, em economia política e as aplicações deste trabalho a instituições e ao crescimento.

P - Se as coisas estão a estagnar, então talvez uma nova revolução esteja a caminho.

Barro - «Bem, está na essência de uma revolução que não possa ser prevista, não é? Se a pudesse ter previsto antes, é porque já tinha acontecido.

P - Como é que a Economia avança - é evolucionista ou revolucionária?

Barro - «Penso que existem acontecimentos importantes que se parecem com mudanças discretas [1], seguidos por um período de desenvolvimentos mais evolucionistas, redifinindo e alargando.

P - E sempre se vai dedicar à microeconomia?

Barro - «Sempre tive grande interesse na microeconomia aplicada, e frequentemente escrevo para a "BusinessWeek" e para o "Wall Street Journal" artigos nessa linha, apesar dos editores me estarem sempre a pedir para escrever sobre macro, incluindo política monetária. Eu gosto de escrever artigos de opinião sobre micro, talvez porque a minha investigação não seja tanto sobre isso. Creio que duas das minhas colunas [com artigos de opinião] mais populares foram sobre "economia da beleza" e "economia da legalização de drogas", dois tópicos claramente micro. Mas nem sequer estou seguro de que eu tenha verdadeiramente mergulhado na macroeconomia, apesar de ter começado por aí. De facto, no meu primeiro curso [como docente] usava a "Teoria Geral" de Keynes como livro base. Contudo, a macroeconomia lida usualmente com temas mais amplos e mais importantes.»

[1]-"discretas" no sentido matemático; mudanças descontínuas, por "saltos".
Equivalência ricardiana

«A "equivalência ricardiana" é, antes do mais, uma proposição de primeira ordem. Contudo, as pessoas confundem sobre o que realmente ela quer dizer... Para ilustrar a potencial confusão sobre o seu significado, podemos referir a famosa citação atribuída ao Vice-Presidente Cherney segundo a qual o Presidente Reagan provou que os défices orçamentais não importam. As palavras de Cheney são muitas vezes interpretadas como significando que o nível de despesa pública não é importante, e isso não é certamente o que a "equivalência ricardiana" diz. A proposição ricardiana é acerca das consequências de pagar por um dado montante de despesa pública de diferentes modos. Especificamente, esta é a questão: é ou não relevante que o governo financie a sua despesa com impostos correntes ou com empréstimos, que significam futuros impostos?
[...]
«Como proposição de primeira ordem, é verdade que importa pouco se se paga a despesa do governo com impostos de hoje ou impostos futuros, qué é basicamente o que o défice é. O método do financiamento público constitui uma questão importante, mas é menos importante do que a questão da dimensão do governo e a que actividades se deve dedicar.

«Lançar impostos agora ou no futuro é um tópico de finanças públicas. Esta visão desloca a análise para longe da equivalência ricardiana, para a perspectiva sobre qual deve ser a taxa óptima, o que nos conduz ao princípio da "suavização de impostos" ["tax smoothing"]. A ideia é que o financiamento público óptimo determine a existência de taxas de imposto que sejam similares de um ano para o outro, pois movimentos erráticos destas taxas são altamente distorcivos. Deste ponto de vista, não é desejável ter uma taxa de imposto muito baixa hoje, financiada por um défice fiscal, seguida por taxas de imposto muito mais elevadas no futuro.»
Estudos sobre a associação entre religião e crescimento

«Estou muito interessado neste projecto de investigação. Situa-se na articulação entre a religião e a economia política, portanto existe aqui uma articulação em dois sentidos. Um é acerca da influência que a religião tem nas crenças, valores, traços de carácter como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade, etç. Neste contexto, estamos [Barro e a mulher, Rachel McCleary] a estudar o impacto da religião no crescimento económico e na produtividade, e também nas instituições políticas, incluindo a democracia. Estes efeitos representam uma direcção de causalidade.

«O outro efeito, que constitui uma grande componente de literatura sobre a sociologia da religião, é sobre como o desenvolvimento económico e as políticas dos governos influenciam os níveis de religiosidade numa sociedade. Por exemplo, uma ideia é a de que as nações que se tornam ricas e melhor educadas tendem a ser menos religiosas.

[pergunta do jornalista: "É a"secularização da sociedade?"]
«Trata-se da hipótese da secularização da sociedade, sim. E embora essa hipótese tenha perdido apoios, penso que a evidência empírica a suporta. Uma ideia relacionada é do impacto que os governos provocam ao ter religiões oficiais de estado ou ao regular o mercado - quer subsidiando quer suprimindo a religião. Os países comunistas foram especialmente determinados em políticas anti-religião... quer dizer, se não considerarmos o comunismo como a sua própria religião...»
"Capital religioso"

«A ideia geral é análoga ao investimento em educação para acumular capital humano. Ou, em alternativa, podemos pensar em investir em redes e amizades para formar capital social. Analogamente, pode-se investir em espiritualidade e crenças para formar uma espécie de capital de religião. A Raquel e eu pensamos nesta influência como actuando através das crenças, não tanto através de redes, ou em ir à igreja e encontrar muitas pessoas. Isso seria mais como capital social. Estas crenças importam, se elas suportarem certos traços de carácter e valores, tais como a honestidade, ética do trabalho, frugalidade e hospitalidade para com terceiros. Estes traços depois influenciam a produtividade e o trabalho, que em última análise afectam o crescimento económico.

«A outra questão que posso mencionar é que sempre que dou um seminário sobre este tópico, me perguntam se sou pessoalmente religioso. A atitude parece ser a de que o facto de eu estudar este assunto deve vir de algum conjunto de crenças individuais ou compromisso com uma dada religião. É curioso porque as pessoas que estudam outros aspectos da ciência social não costumam receber perguntas equivalentes. Gary Becker estudou a economia do crime e (tanto quanto sei) ninguém lhe perguntou se ele era um criminoso.»

domingo, novembro 13, 2005

Peter Drucker (1909-2005)

Peter Drucker faleceu na passada 6ª feira, aos 95 anos. Nascera em 1909 em Vienna e estudou naquele país e em Inglaterra. Doutorou-se em legislação pública e internacional ao mesmo tempo que trabalhava como jornalista em Frankfurt, na Alemanha. Trabalhou depois como economista num banco internacional, em Londres. Foi para os EUA em 1937 e iniciou uma carreira docente como professor de política e filosofia no Bennington College; durante mais de 20 anos foi professor de gestão na "Graduate Business School" da Universidade de Nova Iorque

Em 1943, Peter Drucker, então professor de Filosofia, foi convidado por Alfred Sloan, presidente da "General Motors", para fazer um audito de gestão, isto é, olhar de uma perspectiva de fora para a empresa e emitir uma opinião sobre os seus sistemas de gestão. Desta experiência resultou o seu primeiro livro sobre gestão, o famoso "Concept of the Corporation" de 1946.

Peter Drucker foi elogiado em todo o mundo como um pensador seminal, escritor e professor acerca das modernas organizações. Em 1997 a capa da revista "Forbes" intitulava-o como sendo "Still the Youngest Mind" (ainda a mente mais jovem) e a BusinessWeek considerou-o "o mais importante pensador da gestão do nosso tempo" e é geralmente identificado como o "pai da moderna gestão".

Reproduzimos as palavras escritas por Nova Spivack, seu neto, no blogue Minding the Planet:

«Para mim representa um estranho sentimento ajustar-me a este falecimento, apesar de, na sua idade de 95 anos, não ser totalmente inesperado. O meu avô era o pilar central da família e era uma grande inspiração pessoal e profissional para mim, bem como para incontáveis outras pessoas em todo o mundo que estudaram com ele, leram os seus livros e com ele trabalharam ao longo dos anos. Viveu uma vida lendária, fundou o campo da ciência da administração, ajudou a definir a moderna empresa, originou o conceito de "trabalhador do conhecimento" e escreveu mais de 30 livros.

«Era também um professor, historiador, economista e teórico social. No seus tempos livres, por divertimento, para além de ler enciclopédias, biografias, histórias e todo o corpus literário da civilização ocidental (várias vezes), colecionava e estudava as pinturas Zen Japonesas e Chinesas, tendo-se mesmo tornado professor de arte japonesa. Adicionalmente, também devotava muito tempo e energia a trabalhar para instituições sem fins lucrativos, governos, organizações não governamentais e religiosas.

«As minhas recordações dele são de longas caminhadas, em miúdo, pelas montanhas, discutindo história, filosofia, negócios e o futuro da civilização. Foi a pessoa que me ensinou como adivinhar o futuro a partir do passado, e a analisar a natureza de sistemas de todos os tipos. Embora eu não estivesse à altura da sua memória fotográfica e vasto conhecimento, pude aprender com ele padrões e abordagens que me serviram em tudo o que tenho feito.

«Também recordarei o sentimento que emanava da sua casa onde, no meio do imaginário minimalista das pinturas Japonesas e Chinesas que coleccionava, e montes sobre montes de livros, havia sempre a sensação palpável de estarmos na presença de um sábio. À medida que eu cresci e ele se tornou mais famoso, recordo que sempre que o visitava havia um constante fluxo de lideres que o vinham visitar, entrevistar ou simplesmente pedir-lhe conselhos. Era verdadeiramente um guru.»


Referências na blogosfera:
  • Minding the Planet
  • Gestão em Movimento
  • Rascunho Digital

    Outras referências:
  • Drucker Archives
  • Uma dívida pessoal - Gurus online
  • entrevista de Jorge Nascimento Rodrigues
  • livros de Peter Drucker (na Amazon)
  • livros de e sobre Drucker (em português, na FNAC)
  • Blomberg.com
  • NewsWeek
  • sábado, novembro 12, 2005

    Mais esconjuros

    Se os arqueólogos julgam que encontraram o mais antigo abecedário do mundo, eu, ao arrumar aqui umas pastas, encontrei um pacote de propostas aprovadas no Instituto Superior de Economia (ISE), logo a seguir à Revolução de 1974, que me parecem quase tão arcaicas como o primitivo alfabeto hebraico.

    É de referir que o ISE, nesse ano, praticamente não tinha tido aulas: devido às lutas estudantis, o ano lectivo iniciara-se apenas em Janeiro ou Fevereiro, e as aulas tinham sido interrompidas em Março, numa greve de toda a escola contra a prisão pela polícia política (PIDE) de diversos estudantes. Subsequentemente à greve o Director resolveu mesmo encerrar o Instituto e este só veio a abrir depois da Revolução.

    A anormalidade do início e as escassas semanas que faltavam para o final do ano lectivo ajudam a explicar em grande medida as "facilidades" pretendidas pelos estudantes. E os professores também participaram alegremente na elaboração destas propostas, apesar das críticas que alguns vieram a manifestar mais tarde.


    A inflação à luz do Materialismo Histórico e Dialético...

    A primeira proposta é de uma moção em que «Os estudantes (e docentes) de Económicas manifestam o seu veemente repúdio pelo envio dos dois carrascos Tomás e Caetano para o Brasil e denunciam o carácter de traição ao Povo de tal medida.»

    A segunda proposta relaciona-se com a disciplina de Análise Económica, onde se "opta por estudar desde já o tema INFLAÇÂO, seguindo-se, caso haja tempo para tal, o tema INTRODUÇÃO À ANÁLISE DOS SISTEMAS ECONÓMICOS». Curiosamente o primeiro ponto do programa de estudo da inflação era (imagine-se): «Materialismo Histórico e Materialismo dialético: as contradições do modo de produção capitalista».


    Comités de Leitura para 'indicar incorrecções e vias possíveis para a análise'.

    A terceira proposta regulava a Avaliação de Conhecimentos até ao fim desse ano lectivo.

    «Considerando que se pretende desenvolver a partir deste ano o trabalho de grupo como base de estudo no Instituto [por ser] o processo mais coerente de avaliação de conhecimentos...»

    É curiosa a lista de temas que foi aprovada para um curso livre a decorrer até ao final desse ano lectivo de 1974:
    1. Estrutura política e ideológica da ditadura salazarista-marcelista
    2. Emigração
    3. Colonialismo e neo-colonialismo
    4. Perspectivas actuais - Partidos e classes
    5. Sindicalismo
    6. Ditadura do proletariado

    Esconjuros alfabéticos


    Da direita para a esquerda: "waw - he - het - zayin - tet"
    [clique]
    Foi descoberto um antiquíssimo abecedário [ou melhor: um "waw-he-het"] inscrito numa pedra, na Palestina, colocando-se a hipótese de se tratar de uma versão antiga de caracteres hebraicos, correspondente a uma primitiva fase de transição desde o alfabeto fenício. As duas linhas desenhadas na pedra aparentam constituir 22 letras do primitivo alfabeto hebraico. Os investigadores admitem a hipótese de que «Todos os sucessivos alfabetos do mundo antigo, incluindo o Grego, derivem deste "antepassado".»


    Tel Zayit, perto de Ashkelon.

    A pedra com a inscrição foi descoberta em Tel Zayit, numa região da antiga Judeia, a sul de Jerusalém, cerca de 18 milhas para o interior do antigo porto filisteu de Ashkelon. A inscrição pode também constituir o mais antigo abecedário registado, datando do século X antes de Cristo, mas falta ainda fazer uma datação rigorosa do achado. O facto da pedra ter sido embebida numa parede ter-se-á devido talvez à crença no poder do alfabeto para esconjurar o mal.

    Notícia: "New York Times"

    Linguagem e contexto



    Via Os (IN)Docentes
    [ clique para ampliar ]

    sexta-feira, novembro 11, 2005

    Perigos da tecnologia










    Portugal segundo o FMI

    Relatório elaborado por técnicos do FMI, na sequência de visitas de Julho passado. O Relatório salienta a necessidade de tratar das vulnerabilidades fiscais e de acções estruturais para aumentar a produtividade e melhorar a competitividade - embora admitindo que o equacionamento da política fiscal de Sócrates é adequado. Mas também refere criticamente que as medidas de 2005 se apoiam essencialmente no acréscimo de receitas, "sem que a consolidação da despesa tenha ainda começado".

    O relatório encontra-se aqui e um outro com tópicos seleccionados aqui.

    Império do Meio


    Guerreiros chineses

    A União Europeia no Verão e os EUA agora - acordaram com a China a limitação das exportações daquele país, durante alguns anos (The Economist). Não é extraordinário? As duas maiores zonas económicas do mundo a pedir ao exército bárbaro que adie a invasão por uns tempos. A China renasce como o "Império do Meio".

    quinta-feira, novembro 10, 2005

    Mundo cruel


    Lord Keynes: morto, beatificado e invocado em vão.

    Lá para as bandas do Bicho Carpinteiro resolveram exibir subtileza com citações de Keynes. Devem talvez desconhecer aquela em que o Lord insinua que os políticos, que se julgam originais, andam sempre a papaguear as teorias de um qualquer economista defunto.

    O Keynes agrada à esquerda. No ISEG marxista era idolatrado. Francisco Pereira de Moura escreveu belos manuais keynesianos, por onde aprendeu a maioria dos economistas ainda no poder (esse osso que nunca mais largam para os novos Frasquilhos, que chatice!)

    Dada a penúria actual de ideólogos, e como o antigo governador do Banco Central de Cuba (Guevara) não deixou obra económica, agarram-se a qualquer tábua de salvação no encarpelado oceano do mainstream neo-liberal. Por exemplo: Keynes. Keynes, com a sua porta aberta aos défices orçamentais, permite continuar a sonhar com novos amanhãs em que a reforma por inteiro continue assegurada até x anos depois de morto.

    Mas o Bicho Carpinteiro anda a pisar terreno minado. O mais legítimo representante luso-vivo do keynesianismo é Aníbal Cavaco Silva, através do seu único livro de jeito, "Política Orçamental e Estabilização Económica", mais tarde rebaptizado "Finanças Públicas e Política Macroeconómica" (já contei esta 'estória' aqui). Se promovem o Keynes - com foto da Time e tudo - arriscam-se a dar ainda mais votos ao Professor Tabu.

    O professor Medeiros Ferreira, que já escreveu livros sobre macroeconomia, devia fazer um intervalo na cansativa tarefa de insuflar as bochechas da múmia e dar uma formação rápida àquela tropa, antes que metam ainda mais a pata na poça.

    Quanto a Keynes: ele certamente não ignoraria que lhe calharia a vez de ser invocado em vão. Mas desta maneira? Ó mundo cruel!...


    url:   http://puraeconomia.blogspot.com/2005/11/mundo-cruel.html
    Professor Hans Engler - Universidade de Georgetown

    Ficheiro mp3 - 27:35 min. - 5.Jan.2005
       Entrevista com Hans Engler, sobre Data Mining   

    Desde a pronúncia de 'data' até uso que as empresas fazem dos nossos cartões de crédito, passando pelas diversas técnicas de marqueting e previsão de doenças, uma interessante conversa sobre a "arte" de extrair informação das montanhas de dados que ameaçam submergir-nos

    Crédito: Georgetown University Podcasts. url:
    http://141.161.44.24/qtmedia/MP3/DataMining.mp3
    "São rosas, senhores..."

    foto DN - o PM exibe ao Parlamento CDs com 20 anos de
    O PM exibe ao Parlamento CDs com
    20 anos de "estudos" sobre o aeroporto da Ota.

    (Notícia do DN)

    A causa das coisas


    Assegurar a estabilidade macro - política social selectiva - investir nas pessoas - concentrar recursos e incentivos na promoção da inovação tecnológica

    "O papel dos economistas e os problemas económicos portugueses" - apresentação do governador do Banco de Portugal ao Congresso dos Economistas (slides).

    Inclui um quadro comparativo dos modelos: Continental, Nórdico (I e II), Liberal e Mediterrânico, bem como dados relativos ao desemprego, distribuição de rendimentos, despesas sociais, produtividade, e ainda um capítulo sobre os factores de crescimento, com dados sobre exportações, investimento internacional, etç.

    INE

    Documentos do Instituto Nacional de Estatística:

  • Actividade Turística, revelando um crescimento homólogo, em Setembro, de 5,4%. Nos residentes a variação foi de 2,7%, e nos não residentes foi de 6,5%.
  • Estatísticas do Comércio Internacional e Estatísticas do Comércio Extracomunitário
  • Licenciamento de Obras.
  •