| A Síntese Económica de Conjuntura de Setembro, divulgada pelo INE, revela indicadores contraditórios para a evolução recente da economia portuguesa, com o indicador de actividade económica a deteriorar-se em Agosto, atingindo o menor valor desde Fevereiro de 2004, e o indicador de clima a interromper o movimento descendente dos meses anteriores, em resultado de dois movimentos opostos: recuperação na indústria e a deterioração nos serviços e na construção. «O investimento apresentou sinais positivos principalmente em resultado das evoluções, quer do material de transporte, quer da construção. Os dados até Julho do comércio internacional apresentaram um cenário menos favorável, com as importações a crescerem e as exportações em quebra. No mercado de trabalho há indicações favoráveis, quer pelo lado dos inquéritos de curto prazo, quer pela informação do IEFP que parece revelar uma redução do desemprego e um pequeno reforço no emprego. Em Setembro a inflação situou-se em 2,8%, em resultado da evolução da classe Transportes, por influência do preço dos combustíveis.» |
quinta-feira, outubro 20, 2005
Economia indecisa
Ainda o Nobel
Tiago Mendes - dos blogues aforismos & afins e Mão Invisível - que antecipou (e desejou) a entrega do Nobel a Thomas Schelling, tem no Diário Económico um bom artigo sobre aquele prémio: |
«[...] Implicações [da Teoria dos Jogos]? Duas. Por um lado, em qualquer situação de negociação onde haja alguma necessidade de consenso uma "boa" previsão tem que atender a factores históricos, culturais, e sociais – numa palavra, atender à "tradição". Por outro lado, a necessidade de coordenação ajuda a compreender a estabilidade de determinadas convenções sociais, como as regras de etiqueta, o sentido do trânsito, ou até a linguagem – onde todos esperam que todos tenham a expecativa que todos observem determinadas regras, sob pena de serem penalizados. No seu livro ‘The Strategy of Conflict’, o ex-professor de Harvard apresenta outros exemplos curiosos, como o da audiência que aplaude o pianista e que tem de "decidir", a determinado momento, entre "puxar" pelo ‘encore’ ou parar de bater palmas – o que geralmente acontece de forma súbita e coordenada, evidenciando o "entendimento comum" que as pessoas têm quando partilham certos hábitos e tradições. Tida como uma das mais influentes publicações do séc. XX, é uma obra que vale a pena conhecer.»
Que fazer com a gripe ?
| Documento informativo do médico Dr.Castro Correia, da SAGIES, sobre medidas pessoais a tomar relativamente ao problema da gripe das aves: [ ficheiro pdf - 4 páginas - 92,7 KB ] |
Democratas 8 - Republicanos 1
O estudo de David Horowitz e Joseph Light "Representation of Political Perspectives in Law and Journalism Faculties", sobre a orientação partidária de professores em escolas de Direito e de Jornalismo dos EUA, mostra que os Democratas esmagam os Republicanos (8 para 1) em 10 importantes escolas de Direito, bem como em 9 escolas de Jornalismo.
«Os estudantes têm poucas oportunidades de encontrar diversidade ideológica nas salas de aula destas escolas. Apenas uma escola, a "University of Kansas Journalism School", mostrou genuína diversidade intelectual.» | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Adeus Lenine
«Verificámos que os alemães "orientais" acreditam significativamente mais do que os alemães "ocidentais" que o Estado se deve responsabilizar pela segurança financeira de diferentes grupos vulneráveis na sociedade, nomeadamente os desempregados, os doentes, as famílias, os idosos e pessoas necessitadas de cuidados. De acordo com os nossos resultados, serão necessárias uma ou duas gerações (20 a 40 anos) para que um alemão "ocidental" médio tenha os mesmos pontos de vista acerca do papel do governo na sociedade que um alemão "oriental". «A diferença de preferências [...] deve-se em larga medida ao efeito directo do comunismo [...] devido a doutrinação, nomeadamente em escolas públicas, ou simplesmente devido a terem-se habituado a um sector público intrusivo". Um segundo efeito, indirecto, é o de ter feito os antigos alemães "orientais" mais pobres, tornando-os mais dependentes das políticas de redistribuição e, por isso, levando-os a favorecê-las.» "Good bye Lenin (or not?): |
Ensino secundário
| A Fundação Manuel Leão realizou, ao longo de cinco anos, um estudo de "Avaliação de Escolas com Ensino Secundário" (AVES), que conclui que os estudantes têm uma opinião positiva acerca das respectivas escolas - apesar de essa positividade diminuir à medida que os alunos avançam nos escalões de ensino (os miúdos vão ficando mais sabidos, não é verdade?). Pode aceder-se ao estudo, mediante registo prévio, aqui. Outro documento interessante da Fundação é sobre o "Rendimento escolar nos cursos das Escolas Secundárias e Profissionais". (Via jornal "Público") |
Sinais dos tempos
«O acordo da General Motors com o sindicato United Auto Workers para um corte de 3 mil milhões de dólares/ano de regalias de saúde e redução dos apoios às despesas de saúde dos reformados em 25 %, parece muito mais dramático do que na realidade é. Por maiores que pareçam, é pouco provável que os cortes contribuam para salvar a empresa da sua lenta espiral de morte. O negócio da GM atingirá os trabalhadores marginalmente. Em contraste, na falida Delphy - em tempos uma unidade da General Motors para fornecimento de peças - o CEO Steve Miller fala em reduzir os salários e regalias salariais dos trabalhadores sindicalizados em 70 %![...] Por isso não surpreende que as acções da General Motors tenham caído desde o anúncio do acordo, na segunda-feira. Os investidores não acham que ele vá muito longe na resolução dos problemas financeiros de longo prazo da GM. E eles têm razão.» |
Corrupção

[ menor corrupção percepcionada = cores + claras ]
A Transparency International divulgou o "Corruption Perceptions Index 2005", onde Portugal ocupa a 26ª posição. O índice reporta-se à percepção que os cidadãos têm do problema no seu próprio país (ver informação relativa aos países europeus).
Um outro inquérito da TI, realizado em 2003, colocou a seguinte questão relativa aos sistemas referidos no quadro apresentado abaixo: "se tivesse uma varinha mágica com que pudesse eliminar a corrupção de uma das seguintes instituições, qual escolheria primeiro ?" Em Portugal, os sectores mais votados nesta questão foram os dos partidos políticos e dos serviços médicos, ambos com 18,7% (ver relatório):
url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/corrupo.html | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Efeitos colaterais
| Andrew Sullivan, um bloguista de direita que faz campanha contra o aborto, descobriu mais um argumento para a sua campanha: |
«Se alguma vez for descoberto um gene gay, podem ter a certeza que a geração seguinte de homossexuais será abortada.»
The Dayly Dish, citado pela Slate |
Também tu, irmão ?
| «Pensões de reforma prometidas aos empregados estão-se a tornar num encargo incomportável para um crescente número de empresas, especialmente na Ámérica."» |
Afinal...
| Afinal "ele" sempre há "blogues no feminino": A metáfora do sub-título ("a irmandade dos anéis") é genial. Há quem use o símbolo ♪ para identificar blogues com música; será que ainda vamos usar ♀ e ♂ para clarificar estas coisas?... |
Cabelos brancos
| O INE publicou as "Estimativas de População residente em Portugal, NUTS II, NUTS III e Municípios", para 2004, cujo traço mais saliente é o do envelhecimento da população: declinio da natalidade, fraco saldo natural e maior longevidade. No final de 2004 seríamos uns 10.529.255 portugueses, mais 54.570 do que em 2003 - mas 47.240 foram imigrantes que entraram legalmente em Portugal. O "excesso" de mulheres, relativamente ao número de machões, foi de 340.577, ainda longe das "sete mulheres para cada homem" . Entretanto, temos que nos ir habituando às novas designações territoriais, que oscilam entre marcas vinícolas (Dão Lafões), Altos sem Baixos (Trás os Montes) e Baixos sem Altos (Vouga, Mondego). Mas Grande, Grande, só mesmo Porto e Lisboa.
url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/cabelos-brancos.html |
Blogues e ensino
| O blogue De Gustibus Non Est Disputandum definiu um processo de avaliação de conhecimentos com base num blogue onde cada um dos alunos deve postar pelo menos duas vezes por semana. |
«Cada post será avaliado pelo português, qualidade, originalidade, capacidade analítica (i.e. análise económica positiva, não normativa) e relevância do tema tratado. [...] Os posts devem, obrigatoriamente, conter um link para alguma notícia e/ou artigo da internet.»
| O nível de exigência não é para brincadeiras: «Os posts devem ser do mesmo nivel de análise de blogs como Econbrowser, The Becker-Posner Blog, Economist's View ou Macroblog.» Há um curioso sistema contra as fraudes: «em cada aula, dois alunos serão aleatoriamente sorteados e terão de falar sobre os posts que fizeram. Se não convencerem o professor, a turma inteira perde, automaticamente, 5 (cinco) pontos a cada checagem.» url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/blogues-e-ensino.html |
quarta-feira, outubro 19, 2005
Biologia e Economia
![]() Podcast de Russ Roberts com Don Cox sobre o papel da Biologia na Economia, onde se abordam temas como a expansão da Economia para áreas tradicionalmente "não-económicas" (o "Imperialismo da Economia"), o acasalamento dos humanos, poligamia, monogamia, infedilidade, o uso de cintos de segurança, etç. Uma conversa muito dominada pelos "incentivos" (embora algo mecanicista para o meu gosto) e onde se fala mais de Biologia humana do que de Economia, mas muito interessante. Uma questão que os economistas tendem a ignorar: deverão ser tidas em conta as diferenças entre homem e mulher quando se procura compreender o comportamento dos indivíduos? Doutra forma: pode não haver "blogues no feminino", mas haverá "leis económicas no feminino"? A tecnologia do podcast foi fornecida pelo Radio Economics, de James Reese, que tem lá mais gravações disponíveis. Trata-se de um ficheiro grande: 53 minutos e meio de conversa, mas que passa bem no MediaPlayer. O endereço do ficheiro de som, em mp3, é: url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/biologia-e-economia.html |
Este cão é seu ?

| Daniel Dennet encontrou-o numa loja de antiquário, em Paris, e quer saber uma série de coisas sobre o dito animal. Mais detalhes aqui. |
Fia-te na Virgem (2)
| Tyler Cowen, no Marginal revolution, alerta para que não coloquemos demasiada esperança nos stocks de Tamiflu que os governos estão a armazenar (note-se que o texto é especificamente dirigido aos EUA): |
«1. O Tamiflu deve ser tomado no prazo de dois dias após sintomas. A probabilidade de se obter o Tamiflu rapidamente, numa pandemia, não será muito elevada (a não ser que se tenha comprado algum do próprio bolso).
2. O Tamiflu, se for tomado preventivamente, pode prevenir a doença, mas serão necessários dois comprimidos por dia. Apenas o pessoal médico essencial e alguns políticos é que receberão tal tratamento.
3. Você dirige-se ao serviço de urgência e ali alguém vai decidir qual o seu lugar na lista de prioridades. Temerá o hospital uma queixa judicial? Quanto tempo demorará isto? Necessitará de autorização federal ou regulamentar?
4. Dado o perigo de contágio, você não terá receio de se dirigir à urgência hospitalar? Afinal, no seu caso, pode ser apenas uma gripe comum.
5. Muito do stock de Tamiflu será utilizado em falsos alarmes, tais como constipações e gripes comuns.
6. O stock de Tamiflu tem validade apenas para uns anos. Se a pandemia não ocorrer em breve, serão os stocks renovados? É que a gripe das aves deverá ficar por cá uns bons 10 anos, como reservatório para possíveis mutações.
7. Há a probabilidade de o virus desenvolver imunidade ao Tamiflu, especialmente se o medicamento for aplicado indiscriminadamente na fase inicial de uma pandemia.»in Marginal revolution (adaptado)
terça-feira, outubro 18, 2005
Intelectuais de topo
| Adicionados links As revistas Prospect/Foreign Policy fizeram um inquérito aos seus leitores sobre quem são os "intelectuais de topo" ["Top 100 Public Intellectuals "] de todo o mundo. Os mais votados estão aqui, e a lista completa aqui. Houve quem lhe chamasse a "lista mais estúpida" (realmente, o que será um "intelectual de topo" ?), mas aqui reproduzo a lista com os primeiros 25. A propósito: a Prospect tem um artigo de Joel Kotkin, "Uncool cities", onde se diz que aquela ideia de Richard Florida sobre a excelência das cidades com "cenas musicais vibrantes e comunidades 'gay' florescentes" (referida aqui) não se confirma.
Via Marginal Revolution. url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/intelectuais-de-topo.html |
Fia-te na Virgem...
| "Fia-te na Virgem e não corras..." é um provérbio que nasceu directamente de um facto histórico: um súbdito de D. Joao I desobedeceu às ordens do Rei, meteu-se na cama com quem não devia e depois teve de fugir para a província; quando os enviados do Rei lá foram lá buscar ele, já em desespero, entrou numa Igreja e agarrou-se a uma imagem de Nossa Senhora, mas em vão... A questão é esta: perante uma ameaça como a da pandemia de gripe, que se deve fazer? Uma das hipóteses - que tanto se pode colocar às empresas como a cada um de nós, individualmente - relaciona-se com o recurso aos seguros. Habitualmente, perante a dimensão das grandes catástrofes - e também perante a sua imprevisibilidade e aparente "raridade", não parece razoável fazer seguros para coisas como terramotos, aquecimento global, ataques terroristas, etç. Nem as Companhias de Seguros, normalmente, se costumam arriscar nestes territórios. Ou seja: todos se fiam na Virgem. No entanto, a potencial pandemia de gripe já não é assim tão indeterminada, ao ponto de haver já uma previsão de vítimas para Portugal: 11 mil mortos (não conheço detalhes desta previsão, mas só o facto de ser apresentada como um número exacto e não um intevalo com o respectivo grau de probabilidade, não abona muito em seu favor). A "Risk and Insurance" publicou em Abril passado um dossiê sobre os "Top 10 Risks", a saber: Furacão, Inundação, Derrame petrolífero, Terrorismo, Bklackout (energético), Grande incêndio, Acidente industrial, Cyber-attack, Tremor de terra e, claro, Pandemia. É um documento de leitura geral, pouco técnico. Todas as referidas situações de risco são apresentadas de forma ficcionada, uma espécie de notíciário sobre o desenrolar das catástrofes, com números para as vítimas e perdas económicas. No caso da Pandemia, o exemplo apresentado [na página 46] é já o da mutação para propagação entre os humanos do H5N1, a gripe das aves. A taxa de mortalidade acaba por ser baixa: 0,5 %, e o número de mortos (nos EUA) "fica-se" pelos 200 mil. Ou seja: algo que poderia perfeitamente justificar a cobertura de risco por seguro |
Um bom candidato
«[...] Até agora, pelo menos, esta ramificação da gripe das aves tem-se manifestado de difícil propagação para os humanos. Mas isto pode facilmente mudar. Os cientistas acreditam que o H5N1 [virus da gripe das aves] é um bom candidato a transformar-se e provocar uma pandemia humana. Sofre rápidas mutações, tem uma propensão para incorporar genes de virús que infectam outras espécies animais e já mostrou ser capaz de provocar doenças graves e mesmo a morte de pessoas. «A ocorrência de pandemias de gripes humanas é esperada três ou quatro vezes em cada século, mas ainda é difícil prever quando e como se iniciará a próxima. A pior de todas na memória dos vivos, em 1918, matou talvez uns 50 milhões de indivíduos em todo o mundo. Embora não exista nenhum sinal de tão grave risco para a vida humana, a Comissão Europeia solicitou aos países membros que armazenassem remédios anti-virais e a Organização Mundial de Saúde pediu a todos os países que façam planos de contigência. «Mesmo que a ocorrência de um novo surto de gripe humana fosse contida, ainda assim teria consequências económicas drásticas. Em 2003, na Ásia, o sindroma respiratório agudo [SARS] afectou apenas 8 mil pessoas, tendo morto cerca de um décimo. De acordo com as estimativas mais pessimistas, terá causado perdas na produção no valor de 60 mil milhões de dólares, com os sectores relacionados com o Turismo a serem especialmente afectados.» The Economist
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Flagrantes da vida real
Creio que foi na sequência da revolução liberal que surgiu em Portugal o aforismo (ou provérbio ou lá o que quizerem):
Isto para retratar a prodigalidade com que então se atribuíam os novos títulos: o "job for the boys" da época. Já no século XX o Alexandre O'Neill criou um outro:
O contexto de O'Neill seria diferente do actual, mas o aforismo mantém actualidade dada a ambivalência com que encaramos os actuais diplomas de cursos superiores: quem os não tem é porque "está fora da sociedade do conhecimento", etç. Quem os exibe é porque "agora já não se aprende nada na Universidade", etç. Adenda - nem de proposito: o blogue Da Literatura escreveu: «Um conceituado especialista em recursos humanos, Ph.D. por uma das universidades da Ivy League, com larga experiência internacional, num jantar de amigos, ali para os lados de São João da Ribeira, deixa cair: "Três quintos dos licenciados portugueses dos últimos 30 anos não tem competência própria. Metade deles nem para arrumadores." Algum desconforto na mesa, onde estão dois professores associados e uma catedrática. O atrito dilui com exemplos lá de fora. A realidade inglesa e americana (por esta ordem) não é diferente. A nossa vantagem é que os analfabetos portugueses são todos drs.» url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/flagrantes-da-vida-real.html |
Ciganagem
| Mais uma forma de rent-seeking, com provável autoria lusa, ao nível do melhor que se faz no mundo (somos palermas ou quê? - ora veja aqui): «(1) uma "rapariga loura, de olhos azuis, distinta no trato e na apresentação", contacta um agente imobiliário, junto de quem sinaliza contrato-promessa para aquisição de apartamento em condomínio fechado com piscina; (2) como "sinal", entrega ao referido intermediário quinze mil euros, em notas; (3) dois dias depois, a rapariga regressa, mas, desta vez, "com um bebé ao colo [...] saia comprida e lenço na cabeça"; (4) aparentemente, pretende mostrar o condomínio a outros familiares que vêm com ela; (5) as crianças, vestidas e calçadas, atiram-se "para dentro da piscina, obrigando as restantes pessoas a abandonar o local"; (6) no dia seguinte, «formou-se uma espécie de acampamento junto à piscina»; (7) chamada ao local, a GNR declara-se impotente para dirimir o "conflito de interesses"; (8) um dos cunhados da rapariga declara querer comprar um apartamento, "e pago já"; (9) a imobiliária recusa vender, e a família cigana queixa-se de discriminação; (10) o episódio termina com o pagamento (à rapariga), em dobro, do "sinal", solução que desvincula a imobiliária do contrato-promessa. O estratagema terá sido repetido com idêntico desfecho noutros condomínios.» Também se pode chamar a isto "a vingança do cigano": o discriminado usa a discriminação para extorquir uns cobres. A coisa até pode ser vista como um processo de clarificação, um "market clearing" social, uma indemnização por danos morais que tem a vantagem de ser mais rápida e mais barata do que a via sacra dos tribunais. Que designação dar a esta inovação: "ciganagem"? A notícia veio no Público, é relatada no blogue Da literatura - de onde reproduzi o texto - e cheguei lá via Ma-Chamba. url: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/ciganagem.html |
segunda-feira, outubro 17, 2005
Maldita gripe
Enquanto o presidente do Brasil anuncia que a fome no mundo é a verdadeira "arma de destruição maciça", outros avisam que o principal perigo vem da potencial manipulação genética de virus, com o objectivo de provocar doenças infecciosas mortíferas.Esta possibilidade ganhou novos contornos com a recente ressurreição do virus da Gripe Espanhola de 1918, bem como a sequenciação e divulgação pública do respectivo genoma, tornando mais acessível a sua replicação/modificação com objectivos terroristas. Há quem pense que o domínio da respectiva tecnologia é mais acessível do que a necessária para a construção de armas nucleares, sendo mesmo possível encomendar, em diferentes laboratórios, sequências parciais do referido genoma. Outra hipótese é o roubo do virus num qualquer dos laboratórios que se dedique à sua investigação. Outros cientistas, no entanto, estimam que não é fácil a replicação do virus [1]. Com a possibilidade da mutação da actual gripe das aves e as dúvidas sobre a sua eventual perigosidade, bem como a crescente dramatização provocada pelas notícias das aves engripadas que se vão descobrindo, em cada novo dia, a caminho do mundo "desenvolvido", a ressureição da Gripe Espanhola assume a dimensão de um fantasma que regressa do passado para nos lembrar que, de Espanha, "nem bom vento nem bom casamento". [2]. Textos relacionados: [1] - As sequências dos genomas não estão propriamente on-line; mas parece que não é muito restrito o acesso a partir das bases de dados do "National Center for Biotechnology Information" [2] - na realidade não se sabe qual a origem geográfica do virus, e é quase certo que não foi a Espanha. Quanto aos exemplares regressados à vida, encontram-se nos EUA. Link para este post: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/maldita-gripe.html |
O pesadelo H5N1
As citações que se seguem são de Laurie Garrett, jornalista [1], em entrevista incluída na revista "Pública" (jornal "Publico" de ontem). Laurie fala acerca da potencial pandemia que pode vir a surgir da mutação do virus da gripe das aves, o H5N1. Creio que deveríamos dar mais atenção a este problema.De acordo com as declarações desta especialista, as possibilidades são preocupantes: os virus já existente tem uma taxa de mortalidade impressionante, chegando a 100 % em algumas espécies de aves, e 55% entre os humanos infectados. As hipóteses de mutação são elevadas, mas não se pode saber se essa mutação ocorrerá ou se, ocorrendo, será mais ou menos mortífera para os humanos. Laurie está particularmente preocupada com os dados recentemente divulgados acerca da Gripe Espanhola de 1918, que também resultou de uma gripe das aves que evoluíu para infectar directamente os humanos, e que apresenta semelhanças com o H5N1, o virus actualmente sob suspeita. |
«A ideia de que podemos ter uma estirpe com uma taxa de mortalidade de 55% é um verdadeiro pesadelo. E o mundo não está preparado para isso. É preciso lembrarmo-nos de que de que a gripe de 1918 teve um taxa de mortalidade de menos de 5% e que, ainda assim, matou mais de 50 milhões de pessoas.»
| Ou seja: tanto pode acontecer que venham a ocorrer centenas de milhões de mortes, como pode não acontecer nada. O que se deveria fazer nestas circuntâncias: prevenir o pior cenário, desencadeando já acções de âmbito médico e farmacêutico, que custarão uma fortuna colossal, podendo tais medidas não vir a ser necessárias? Segundo Laurie: |
«Isto é o tipo de coisa que não funciona bem com a política. Os políticos, independentemente das ideologias, só estão nos seus cargos por um período de tempo, e a seguir têm que estar preocupados em ser reeleitos. Ninguém quer ser conhecido como a pessoa que gastou milhões com algo que não aconteceu, mas também ninguém quer ser o rsponsável por uma crise. Por um lado, ninguém pode dizer: sim,vamos definitivamente enfrentar uma crise de gripe no próximo ano. E também ninguém pode dizer que se gastarmos 3 mil milhões de dólares podemos proteger todos os norte-americanos. Ou que com quatro mil milhões de dólares podemos proteger os europeus.»
| Acontece também - creio eu - que há aqui um efeito perverso das declarações públicas dos políticos. É importante que se evite que o pânico se instale nas populações e, para isso, os políticos emitem declarações tranquilizadoras, dizendo que não há motivo para alarme, e que (como já ouvi em Portugal) no pior dos cenários as medidas já tomadas são suficientes. Porém, tais declarações, não correspondendo à realidade, enganam os cidadãos e poderão contribuir para decisões erradas. Se os políticos convencerem os cidadãos de que a situação é potencialmente menos grave do que na realidade é, então não se justificarão medidas excepcionais, nem da parte do Estado nem dos particulares. Outro aspecto preocupante das declarações de Laurie Garret tem a ver com o modo como os especialistas estão a gerir a informação científica, particularmente na indústria farmacêutica: |
«Há as farmacêuticas que pensam no seu lucro, que operam em segredo e que não estão dispostas a partilhar tudo aquilo que sabem. Ainda não conseguimos obter junto da Roche toda a informação sobre o Tamiflu [antiviral capaz de tratar a gripe humana] e este é o único salva-vidas que temos neste momento. Tudo aquilo que eles nos dizem é que é muito difícil de produzir. Perguntamos porque não produzem uma maior quantidade e respondem apenas que é mesmo muito difícil. É só isso que ouvimos. Não podemos esperar o mesmo nível de cooperação que tivemos com o SARS [síndrome da insuficiência respiratória aguda, de 2003] porque o SARS não dispunha do mesmo potencial de lucro que a gripe.»
| Acerca da hipótese de propagação do virus, Laurie acha que é inutil banir a venda de aves domésticas, mas dá grande importância à prevenção da possível transmissão das aves migratórias para as aves domésticas: |
«Podemos decidir exterminar todos os pássaros migratórios, o que me parece que seria uma coisa horrível. Ou podemos dizer que temos que quebrar a cadeia de interacção entre os pássaros migratórios e as aves domésticas. É uma coisa simples que os agricultores podem fazer. No mundo rico é muito mais fácil do que se pensarmos num agricultor pobre no meio da Indonésia. Isso devia estar a ser feito por todos os agricultores da Europa. Há muitas formas simples de criar barreiras.»
| Pois é. Mas ainda há dias ouvi um responsável da Quercus minimizar este perigo, dizendo que as aves que recebemos do norte da Europa não vêm dos países onde já se detectou o virus, portanto nada de preocupações. P que vale é que estes ecologistas são especialistas em tudo... Estas declarações foram pronunciadas por um médico que eu conheço, que é uma excelente pessoa, mas que não é especialista em epidemologia nem em aves. Sobre o assunto, a página da D.G.Saúde apenas reproduz o artigo de opinião do seu Director[do "Público" de hoje] em estilo descontraído, cuja única conclusão é "Cada pandemia é seguida de epidemias anuais até ao aparecimento de nova pandemia. E assim por diante...", e um link para a a deliberação da Comissão Europeia tomada no passado dia 13, suspendendo a importação de produtos avícolas da Roménia. Dada a sua gravidade, creio que a blogosfera devia dar mais atenção a este assunto. Textos relacionados: Encontrei (via Technorati) algumas referências na blogosfera portuguesa, mas em geral não dando grande importância ao perigo: apenas as usuais alfinetadas nas autoridades. Adenda: entretanto o Adufe e o Tugir referiram o problema, com link para o "pura economia", que agradecemos. Sobre Laurie Garret: Jornalista e escritora, Laurie Garrett já venceu os três principais prémios de jornalismo dos EUA: Polk, Peabody e Pulitzer, este último por uma reportagem acerca do virus Ébola. Laurie demitiu-se recentemente do "Newsday" [da "Tribune Corporation] após 15 anos de trabalho naquele jornal. Nota enviada aos colegas: |
«Os responsáveis do "Times Mirror" e do "Tribune" provaram ser o espelho da tendência geral existente no mundo dos média: primeiro estão ao serviço dos accionistas, depois de Wall Street, e algures lá para o fim da lista estão os seus leitores.»link para este post: http://puraeconomia.blogspot.com/2005/10/o-pesadelo-h5n1.html
Criatividade e desenvolvimento
| "Criatividade é desenvolvimento" é o título da crónica de Vítor Balenciano no jornal Público de hoje. Todo o texto gira em torno das ideias do economista Richard Florida, autor do livro "The Rise of the Creative Class", de 2002. Ali se apresenta a "teoria dos três tês": tolerância - tecnologia - talento - e se defende que "a criatividade é a base do progresso social e económico", devendo ser considerada "um bem público, ao nível da liberdade e segurança". Até aqui tudo bem: apesar da "criatividade" não ter o "T" como letra inicial, tudo isto está mais ou menos dentro do discurso dominante, propagado tanto por ecologistas fanáticos como por dinossauros políticos. O que já sai da norma é a seguinte afirmação de R. Florida, que eu até tomo a liberdade de salientar numa caixinha: |
«Uma cidade ou região sem uma cena musical vibrante e sem uma comunidade 'gay' florescente está condenada ao declínio social e económico.»
| Mamma mia ! Condenada ao declínio social e económico? E logo agora que as nossas cidades acabaram de recusar políticos (Carrilho em Lisboa, Soares em Sintra) que prometiam corporizar tais ideais? Vou tentar manter a calma e raciocinar logicamente. É evidente que existem capacidades diferentes em diferentes grupos sociais (raciais ou outros). Não se pode negar a elevada concentração de inteligência racional nos judeus ashkenasi, nem capacidades superiores para as corridas de fundo em atletas de certas zonas de África. Apesar destas evidências, existe um preconceito "igualitário" que rejeita a priori qualquer tipo de diferenciações; tal preconceito é capaz de ter origem numa reacção às teses da raça superior desenvolvidas (e praticadas) pelos nazis, e também numa reacção à apologia e prática da escravatura feitas em nome da "superioridade" da raça branca. Ainda recentemente, um estudo universitário que detectou alguma superioridade dos indianos relativamente ao raciocínio matemático desencadeou uma forte reacção da academia americana. Não interessava se o estudo tinha base científica: qualquer "superioridade" era simplesmente inaceitável. Mas não nos devemos deixar cegar por tais preconceitos. Aceitar diferenças não significa aprovar o nazismo ou a escravatura. É bom que mantenhamos as mentes abertas. Felizmente que o ser humano é suficientemente complexo para que estas possíveis superioridades em certos grupos humanos, relativamente a algumas características, não os transformam em seres humanos superiores, ou super-homens, melhor dotados paga governar ou "proteger" os restantes. Sendo assim, voltemos à afirmação de Florida. Será a cena musical especialmente vocacionada para a tolerância, tecnologia ou talento, ou comunidade 'gay' especialmente dotada para a criatividade? Florida, que tem sido acusado nos de "colocar em causa os valores tradicionais americanos", esclarece que não é bem isso: "uma comunidade 'gay' com capacidade de afirmação, uma cena musical excitante, políticas integracionistas ou agendas sociais criativas, são indicadores de tolerância. São sinais que indiciam estarmos num lugar apto para integrar a diferença." Ou seja: são as cidades tolerantes, abertas à diversidade, seja na música, nas artes, na tecnologia ou na economia, que atraem os indivíduos com potencial criativo, capazes de arriscarem novas ideias. Portanto, "cenas musicais vibrantes" e "comunidades 'gay' florescentes" seriam mais a consequência, e não tanto a causa. Devo confessar que o argumento, apesar de lógico, me parece estranho. Talvez seja o mesmo preconceito da geração pós-II Grande Guerra que me apanhou nalguma curva das circunvoluções cerebrais. O que está em moda, como é sabido, é associar a criatividade e a inovação à educação e ao investimento em investigação. É também isto que me parece "mais normal". Mas, quem sabe, talvez esta seja uma agenda muito limitada. Garantidamente, é a opção mais cara: a educação e a investigação são verdadeiramente dispendiosas e qualquer dinheiro que para aí canalizemos acabará por faltar noutro lado qualquer. Seria talvez mais fácil, e mais barato, se a chave do desenvolvimento (de uma cidade, de um país) estivesse na criação de "uma cena musical vibrante e uma comunidade 'gay' florescente". Já nos enganámos uma vez, investindo em infraestruturas de saneamento e rodoviárias e em equipamentos, para depois descobrir que a prioridade deveria ter sido dada à educação e à investigação. Agora parece que já percebemos isso. Espero bem é que daqui a algum tempo não nos venham dizer que não era bem por aí: era antes via "cenas musicais vibrantes" e "comunidades 'gay' florescentes". No seu livro, Richard Florida diz que "A chave para o crescimento económico não reside apenas na capacidade para atrair uma classe criativa, mas em transformar essa vantagem subjacente em resultados económicos criativos sob a forma de novas ideias, novos negócios tecnologicamente avançados e crescimento regional." Para melhor detectar estas capacidades Florida criou um novo índice a que designou o "Índice de Criatividade":
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domingo, outubro 16, 2005
A metáfora do frango

| Há um mito segundo o qual existem mais mulheres do que homens. Ainda ontem ouvi o NIlton na televisão a perguntar a um convidado: "É verdade que há 7 mulheres para cada homem?". Bem, o Nilton é um exagerado. Mas em tempos circulava como boa a notícia de que "há mais mulheres do que homens" ou que "há duas mulheres para cada homem". Tem todo o ar de ser um mito masculino, certamente nascido da ingnorância ou do desejo - ou de ambos. Percebe-se que os homens sonhem com um mundo dominado pelas mulheres (mas apenas em termos estatísticos, atenção!) e com um mundo efemininado (no bom sentido, é claro!). Não será uma aspiração à poligamia, coisa que daria muito trabalho e sairia caro. Será antes, e de acordo com a lei da oferta e da procura, um desejo de ver aumentar o próprio preço, ou de ter mais por onde escolher. A dura realidade estatística, no entanto, não confirma o mito: em Portugal haverá 94 homens por cada 100 mulheres. Ou seja: quando muito, só 6 homens é que poderiam aspirar a ter mais do que uma, por força dos números. Porém, e atendendo à prova de que as estatísticas mentem, fornecida pela famosa metáfora do frango ("os dados dizem que em média cada habitante come um frango, mas há os que comem dois e há os que não comem nenhum"), nada impede os homens de sonhar... |
sábado, outubro 15, 2005
Economia dos falsos orgasmos
O ubíquo "dilema do prisioneiro" da Teoria dos Jogos não serve só para explicar conflitos entre países e concluios entre empresas. Que tal o acto de fingir o orgasmo? Esta situação foi objecto do estudo de Hugo Mialon, "The Economics of Ecstasy", que deu origem ao artigo da revista Slate, "The Economics of Faking Orgasm". Curiosamente, este economista realizou o estudo no âmbito duma preocupação de natureza jurídica, relacionada com a seguinte questão: «como é que a Quarta Emenda [1] afecta os incentivos, tanto para a polícia como para os criminosos, e como é que estes incentivos determinam o comportamento?» [2] (ver abaixo links para alguns textos de H.Mialon). Tanto o homem como a mulher podem transmitir ao seu parceiro sinais falsos de que estão a atingir o êxtase durante o acto amoroso. Julga-se que os homens não fingem o orgasmo, mas um estudo americano - 2000 Orgasm Survey - detectou que 24 % dos homens também fingem. O mesmo estudo revela que 72 % das mulheres fingiu pelo menos uma vez na sua vida amorosa recente, e 55% dos homens dizem que conseguem saber quando elas fingem. Mialon procurou averiguar porque é que as mulheres (algumas vezes) fingem o orgasmo, e porque é que os homens (algumas vezes) duvidam delas. O estudo de Mialon prevê que o amor, formalmente definido como uma mistura de altruismo e "possessividade", aumenta a probabilidade da encenação de falsos orgasmos, embora mais para as mulheres do que para os homens. Os dados do 2000 Orgasm Survey confirmam as previsões do estudo. Também mostraram uma relação positiva entre o nível educacional e a tendência para simular o orgasmo. |
«A razão mais evidente para fingir o orgasmo seria as satisfação do parceiro. Mas e no caso de uma mulher que já não gosta do seu parceiro, também fingiria? A resposta é: sim. Suponha-se que ele é muito inseguro e está sempre a suspeitar que ela o engana. Suponhamos também que aquilo que ela verdadeiramente odeia é ter um parceiro que está sempre errado. Então, como ele pensa sempre que ela mente, ela tem de fingir para que ele tenha razão. Cada fingimento dela reforça as dúvidas do parceiro, que por sua vez reforçam o fingimento dela. Temos pois aquilo a que os economistas designam como um "equilíbrio".
«Por outro lado, este equilíbrio só se mantém se ele tiver uma boa razão para ter sido inicialmente inseguro. Qual seria esse motivo? Bem, crê-se que as mulheres atingem o ponto mais alto da sua capacidade sexual por volta dos 30 anos. Portanto, se ela estiver muito afastada dos 30, em qualquer direcção, a sua idade pode ser suficiente para desencadear a insegurança do parceiro. Por isso Mialon considera que mulheres muito jovens ou muito idosas têm maior probabilidade de fingir do que mulheres nos seus "trintas".
«Mas as coisas tornam-se muito mais complicadas - e muito mais realistas - se ele e ela estiverem apaixonados, situação em que cada um deles se preocupa com a felicidade do outro e também em captar o seu interesse. Um pouco de Teoria dos Jogos elementar leva Mialon a concluir que as mulheres são mais propensas a fingir quando estão apaixonadas, e que este efeito é ampliado quando a sua idade está longe dos 30.»»
| E Steven E. Landsburg, autor do artigo da Slate. conclui deste modo: |
«O meu velho amigo Steve Zucker costumava dizer que o sexo e a actividade académica se complementam muito bem, uma vez que é possível praticar qualquer delas enquanto se pensa na outra. Não sei em que é que Hugo Mialon pensa quando está a fazer amor (provavelmente invocaria a Quinta Emenda - o direito a ficar calado) mas ele pensou neste tópico de um modo muito original, o que, dada a atenção que o assunto tem merecido nos passados milhares de anos, não é um pequeno feito.»
| Referências no Mahalanobis e no Marginal Revolution Página de Hugo Mialon Textos de Hugo Mialon (em co-autoria): [1] - «The right of the people to be secure in their persons, houses, papers, and effects, against unreasonable searches and seizures, shall not be violated, and no Warrants shall issue, but upon probable cause, supported by Oath or affirmation, and particularly describing the place to be searched, and the persons or things to be seized.» [2] - Muitas mulheres não acharão graça nenhuma a esta analogia entre o jogo do "gato e do rato" de polícias e ladrões, e as mulheres que fingem orgasmos e homens que os detectam (tal como os ratos não acharão à primeira analogia, nem as mulheres a esta terceira). Mas Mialon dispunha de dados preciosos relativamente a uma situação de simulação, revelados no âmbito do inquérito referido, que usou para estudar uma situação equivalente. Resta saber se essa equivalência realmente existe pois, para além da semelhança formal, tratam-se de situações aparentemente muito díspares. |
sexta-feira, outubro 14, 2005
Colin Camerer
Colin Camerer é um economista que se tem dedicado ao campo da neuroeconomia, tendo já sido aqui referido o seu trabalho (em co-autoria) "Neuroeconomics: How Neuroscience Can Inform Economics".Camerer é também o autor do livro "Behavioral Game Theory: Experiments in Strategic Interaction", cuja introdução se encontra disponível aqui, e também (em pdf) aqui - um resumo muito interessante sobre o desenvolvimento da teoria e as suas potencialidades. |
Contar histórias
| Michael Mandel - um jornalista com um doutoramento em Economia - levanta, na Business Week, dúvidas quanto à cientificidade da Teoria dos Jogos: «(...) Concordo que Robert Aumann e Thomas Schelling merecem o prémio Nobel. Schelling, em particular, escreveu dois dos melhores livros de Economia de sempre: The Strategy of Conflict e Micromotives and Macrobehavior. Contudo, na minha opinião, a Teoria dos Jogos representa um beco-sem-saída evolucionista da Economia. A Teoria dos Jogos recorre ao princípio da racionalidade para explicar o conflito e a cooperação numa ampla gama de situações económicas e sociais. Por exemplo, tem sido utilizada para analisar porque é que a aparentemente insane corrida ao armamento nuclear no período do pós-guerra foi, na realidade, um método racional de impedir a guerra, e porque é que os agressivos cortes de preços das companhias aéreas acabou por constituir um meio eficaz para eliminar a concorrência. «A Teoria dos Jogos é certamente maravilhosa para contar histórias. Contudo, falha no principal teste de qualquer teoria científica: a capacidade para fazer previsões empíricas verificáveis. Em muitas situações da vida real, muitos possíveis resultados - desde a cooperação completa até ao conflito quase desastroso - são consistentes com a versão da racionalidade na Teoria dos Jogos. «Dito de outra forma: se o mundo tivesse explodido durante a crise dos Mísseis de Cuba de 1962, a Teoria dos jogos poderia [também] tê-la explicado como um infeliz resultado - mas que seria tão racional como aquele que efectivamente ocorreu. Do mesmo modo, um sector que entra em colapso devido a uma concorrência maluca, como a das companhias aéreas, pode ser tão facilmente explicado pela Teoria dos Jogos como outro onde a cooperação seja a norma.» Tyler Cowen , no Marginal Revolution - onde encontrei esta referência - irritou-se com o artigo e fez esta profissão de fé na Teoria, sob a forma de "possíveis respostas" às dúvidas de Michael Mandel: |
«1. As abordagens comportamentais desenvolverão o conhecimento sobre como os humanos realmente se comportam, e a Teoria dos Jogos acabará por fornecer previsões claras, basta dar-lhe tempo.
2. As abordagens computacionais desenvolverão o conhecimento sobre como os humanos realmente se comportam e a Teoria dos Jogos acabará por fornecer previsões claras, basta dar-lhe tempo.
3. As abordagens evolucionistas desenvolverão o conhecimento sobre como os humanos realmente se comportam e a Teoria dos Jogos acabará por fornecer previsões claras, basta dar-lhe tempo.
4. As abordagens experimentais desenvolverão o conhecimento sobre como os humanos realmente se comportam e a Teoria dos Jogos acabará por fornecer previsões claras, basta .
5. O mundo real é,de facto, indeterminado ou quase indeterminado. A indeterminação e os múltiplos equilíbrios da Teoria dos Jogos não constituem um problema, mas antes reflectem quão efectivamente a teoria espelha a realidade. Vocês talvez prefiram previsões claras e precisas, mas não vão tê-las. A fidelidade à realidade é mais importante do que a satisfação de exigências metodológicas abstractas.»
| Não sei. As "exigências metodológicas abstractas" - ou seja, a "capacidade para fazer previsões empíricas verificáveis" - constituem uma trave mestra do método científico. Tirando isso, não sei o que fica. |
Farmacêuticas: faltam ainda peças do puzzle
| «A Autoridade da Concorrência (AdC) multou cinco grandes empresas farmacêuticas (Abbot, Bayer, Johnson & Johnson, Menarini e Roche), num total de 16 milhões de euros, por prática de cartel (combinação de preços) em 36 concursos públicos de fornecimento a 22 hospitais portugueses. A AdC estima que "as arguidas poderão ter causado danos económicos até 3,2 milhões de euros, em 2002 e 2003, no segmento hospitalar, e até 10,4 milhões de euros, anuais, desde a entrada em vigor da portaria (2003) que fixa o preço das 'tira-reagente' (o produto em causa nos concursos)".» Só falta saber uma coisa: como é que as empresas asseguravam que todas beneficiariam do acordo de preços, ou seja, que todas ganhariam algum dos concursos em que houve cartelização, assegurando as encomendas? Isto é possível através de conluio com alguém das próprias entidades responsáveis pelos concursos, ou através da fixação de um factor secundário (como os prazos de entrega) que determina as adjudicações quando os preços são iguais. Casos como este não se deveriam limitar a ser sancionados em termos das leis da concorrência: deveriam também ser investigados como potenciais crimes de corrupção. |
Teste (pergunta para 20 valores)
Duas raparigas - Jogadora 1 e Jogadora 2 - pretendem conquistar um tipo, e portanto fazem planos para um encontro (simultaneamente). Há três escolhas: O jogo determina que o homem, em geral, prefere a Jogadora 1 à Jogadora 2, como é evidenciado pelos payoffs da matriz abaixo, prefere o vestido sexy e a ópera, não tem interesse por desporto, mas está um pouco intrigado sobre se uma ou ambas as raparigas o vão ignorar. O payoff consiste em o tipo gastar as suas ≤ 8 horas de lazer do dia seguinte ![]() Diga o que é que acontecerá, do ponto de vista da teoria dos jogos, e qual é que você pensa que será o resultado de uma análise experimental? [ Solução ] Crédito: Mahalanobis |
quinta-feira, outubro 13, 2005
Harold Pinter
![]() O Nobel da Literatura foi atribuído ao dramaturgo Harold Pinter. Já assisti uma peça deste autor, representada pelo Teatro Animação de Setúbal: "Mais um para o caminho", tendo como actores Duarte Vítor e a malograda Bety. Foi algo impressionante, pois não havia propriamente um enredo muito explicito, mas criava-se uma atmosfera densa e ameaçadora, veiculada pelos diálogos e pela relação de domínação/submissãos entre personagens. Sei que o TAS também encenou este ano outra peça de Pinter, "Paisagem e Outros Lugares", mas ainda não a fui ver. Sei também que o TAS, dirigido desde a morte de Carlos César por Duarte Vítor, passou recentemente a ser dirigido por Carlos Curto, que julgo ter sido, precisamente, o encenador de "Mais um para o caminho". Aproveito pois para desejar felicidades ao Teatro Animação de Setúbal e ao seu novo director. |
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Tiago Mendes - dos blogues
O estudo de David Horowitz e Joseph Light "
«O acordo da General Motors com o sindicato United Auto Workers para um corte de 3 mil milhões de dólares/ano de regalias de saúde e redução dos apoios às despesas de saúde dos reformados em 25 %, parece muito mais dramático do que na realidade é. Por maiores que pareçam, é pouco provável que os cortes contribuam para salvar a empresa da sua lenta espiral de morte. O negócio da GM atingirá os trabalhadores marginalmente. Em contraste, na falida Delphy - em tempos uma unidade da General Motors para fornecimento de peças - o CEO Steve Miller fala em reduzir os salários e regalias salariais dos trabalhadores sindicalizados em 70 %!
Enquanto o presidente do Brasil anuncia que a fome no mundo é a verdadeira "arma de destruição maciça", outros avisam que o principal perigo vem da potencial manipulação genética de virus, com o objectivo de provocar doenças infecciosas mortíferas.
As citações que se seguem são de Laurie Garrett, jornalista 
Colin Camerer é um economista que se tem dedicado ao campo da neuroeconomia, tendo já sido aqui referido o seu trabalho (em co-autoria) "



