Num escritório trabalhavam: uma morena, uma ruiva e uma loira, tendo como patroa e chefe uma senhora que, todos os dias, saía sempre mais cedo e já não regressava ao trabalho. Um belo dia decidiram aproveitar a situação e passar a sair também mais cedo, pois a chefe dificilmente o descobriria. A morena voltou para casa, fez jardinagem, brincou com o filho e deitou-se cedo. A ruiva aproveitou para ir a um spa antes dum encontro para jantar. A ruiva ia toda contente para casa, na expectativa de fazer uma surpresa ao marido, mas quando lá chegou, ouvindo um barulho no quarto, aproximou-se, abriu lentamente a porta e espantou-se quando o viu deitado com a chefe dela - nem mais!. Calmamente, fechou a porta e saiu de casa para só regressar à hora habitual. No dia seguinte, quando a morena e a ruiva se preparavam outra vez para sair mais cedo, perguntaram à loira: "Então, não aproveitas hoje?" "Eu?" - disse a loira - "Nem pensar! Então ontem ia sendo apanhada!" Via "The Conspiracy..." |
sábado, outubro 08, 2005
Cenas laborais edificantes
"Economic blogs"
| Blogues com o tag "economics", classificados pelo Technorati de acordo com o número de links: |
| Blogue | links | Sites ligados |
| 1. Wizbang | 10.888 | 2.011 |
| 2. Marginal Revolution | 5.809 | 1.519 |
| 3. Part Time Pundit | 4.823 | 710 |
| 4. ProfessorBainbridge.com | 4.790 | 1.293 |
| 5. Eric's Grumbles Before The Grave | 2.234 | 219 |
| 6. The Conspiracy to Keep You Poor and Stupid | 1.122 | 324 |
| 7. Coyote Blog | 906 | 266 |
| 8. Uncle Jack's | 899 | 235 |
| 9. Economist's View | 694 | 119 |
| 10. Mahalanobis | 573 | 167 |
| 11. Environmental Economics | 420 | 124 |
| 12. Right Side of the Rainbow | 394 | 320 |
| 13. Division of Labour | 380 | 132 |
| 14. Ideological Quagmires | 312 | 163 |
| 15. Abstract Dynamics | 292 | 125 |
| 16. Back Seat Drivers | 288 | 107 |
| 17. Capital Region People | 257 | 84 |
| 18. Progressive U | 233 | 62 |
| 19. The J Spot | 214 | 73 |
| 20. mnot’s Web log | 209 | 96 |
| 21. The Liberal Order | 178 | 44 |
| 22. theWatt: Energy News and Discussion | 143 | 61 |
| 23. The Idea Shop | 143 | 53 |
| 24. NEI Nuclear Notes | 127 | 42 |
| 25. interim thoughts... | 135 | 52 |
| 26. Financial Rounds | 109 | 52 |
| 27. Institutional Economics | 105 | 47 |
| 28. Magic Statistics | 81 | 50 |
| 29. Within / Without | 48 | 37 |
| 30. The Liberal Order | 44 | 32 |
| Na realidade trata-se, em quase todos os casos, de blogues "políticos". O primeiro classificado que pode verdadeiramente ser considerado como "económico" é o "The Conspiracy to Keep You Poor and Stupid" | ||
sexta-feira, outubro 07, 2005
Vinho novo
![]() Enquanto nos entretemos a dizer mal e a despromover o nosso próprio país, outros não se importam de o qualificar. Segundo Eric Asimov, crítico do New York Times, «Portugal vai ser "a próxima grande onda" no mercado internacional de vinhos.» Asimov classifica os vinhos portugueses como "honestos, distintos e de uma enorme qualidade". (Diário de Notícias) |
«Durante muitos anos, quando se falava de vinhos portugueses, pensava-se em Mateus e Lancer's, rosês baratos conhecidos por provocar monumentais ressacas, que constituíam um rito de passagem para um certo grupo etário, equivalente a comprar aquele primeiro disco de Jimi Hendrix ou assegurar que se tinha estado em Woodstock. Durante a maior parte do século XX os portugueses limitaram-se a fazer e a beber vinhos que não se destacavam. Poucos deles eram exportados, o que podemos agradecer, já que não eram lá grande coisa.
«Mas depois de Portugal ter entrado na União Europeia, em 1986, aquele sector reinventou-se a si próprio, substituindo equipamento desactualizado, modernizando os métodos vinícolas e melhorando as técnicas vitícolas. Hoje, Portugal é uma fonte de vinhos distintos, que podem constituir excelentes valores, e alguns dos melhores tintos portugueses vêm do Porto, a zona mais conhecida como a casa do vinho do Porto.»| Eric Asimov | artigo |
quinta-feira, outubro 06, 2005
Prémio IgNobel da Economia
![]() Eis Gauri Nanda, do MIT, vencedora do prémio IgNobel da Economia de 2005, pela invenção do Clocky, um despertador de cabeceira "que foge e que se esconde, repetidamente, assegurando que as pessoas efectivamente se levantam e portanto, teoricamente, acrescentando muitas horas produtivas ao dia de trabalho". O comportamento do Clocky é uma estratégia contra os dorminhocos compulsivos que repetidamente desligam o alarme. De cada vez que o alarme toca e alguém carrega no botão que desliga o som, o despertador rola para uma parte da casa, sempre diferente. Quando o alarme volta a tocar, o esforço para o encontrar deve ser suficiente para acordar definitivamente o preguiçoso. Ouça a gravação da entrega deste prémio e discurso de Gauri Nanda: [por vezes desactivado devido a excesso de downloads] http://geocities.yahoo.com.br/dapopaproa/gauri_nanda.wav Gauri Nanda, que está a fazer a sua tese de mestrado sobre roupa com equipamento electrónico embebido, trabalha no MIT Media Lab [1], e confessa: "Em parte inspirei-me nuns gatinhos que tive, que me mordiam os dedos dos pés todas as manhãs. O Clocky não é tanto um aparelho irritante, é mais aquela mascote irrequieta de que, apesar de tudo, gostamos. Também é um pouco feia". ![]() Clocky Os restantes prémios foram para os seguintes laureados: História da Agricultura James Watson, pelo estudo "O significado das calças explosivas do Sr. Richard Buckley: Reflexões sobre um aspecto da mudança tecnológica nos laticínios da Nova Zelândia entre as Guerras Mundiais". O texto encontra-se aqui. Física John Mainstone e Thomas Parnell (falecido), da University of Queensland, Austrália, por uma experiência em que uma bola de piche demorou nove anos a "pingar" de um funil. A experiência aparece descrita aqui. Medicina Gregg A. Miller, de Oak Grove, Missouri, pela invenção dos "Neutículos", testículos artificiais para cães. O site da empresa que os fornece encontra-se aqui. Literatura Aos empreendedores da internet na Nigéria, por criarem e distribuirem por e-mail uma ousada série de contos com personagens como o General Sani Abacha, Mrs. Mariam Sanni Abacha, Barrister Jon A Mbeki Esq. e outros. Ou seja: os famosos contos do vigário da Internet. Por exemplo: o falecido chefe de estado, General Sani Abacha, deixou uma mala com uma fabulosa quantia de dinheiro que é preciso retirar do país; se você quiser ajudar pode ficar com uma parte substancial... (acha bem 30 % ?) Leia o resto aqui, onde uma tal senhora Young, consciente da fraude, troca diversos emails com os vigaristas. Paz Claire Rind e Peter Simmons, da Universidade de Newcastle, Reino Unido, por monitorarem a actividade eléctrica dos neurónios de gafanhotos enquanto assistiam a clips da "Guerra nas Estrelas" (os gafanhotos, não os pesquisadores). Os clips serviram para simular a aproximação de um objecto voador e observar a reacção neurológica dos bichos a uma possível colisão. Artigo científico aqui (pág.3) e fotografias da experiência aqui. Química Edward Cussler e Brian Gettelfinger, da Universidade do Minnesota, por testarem experimentalmente a velha questão: as pessoas nadam com mais rapidez em água ou em xarope? Experiência referida aqui. Biologia Benjamin Smith, Craig Williams, Michael Tyler e Yoji Hayasaka, da Austrália, por catalogarem odores peculiares de 131 espécies de rãs em estado de stresse. Descrição aqui. Nutrição Yoshiro NakaMats, do Japão, por fotografar e analisar cada uma das refeições que consumiu durante 34 anos. NakaMats, um inventor com mais de 2.300 patentes registadas, é retratado aqui e é entrevistado aqui. Dinâmica de Fluidos Victor Benno Meyer-Rochow, da Alemanha, e Jozsef Gal, da Hungria, por calcularem a pressão acumulada dentro de um pinguim durante o acto de defecar, experiência vertida para o artigo "Pressões produzidas quando os pinguins evacuam - Cálculos sobre defecação avícola". O artigo científico subsequente encontra-se aqui [ Via ∫Integrais no ônibus; veja
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Os aviões já voam
| Os pequenos aviões de papel já voam há algum tempo na cerimónia dos Prémios Ignobel. Já foi apresentado o primeiro acto da ópera "The Count of Infinity" e já começaram a ser entregues os primeiros prémios, tudo num ambiente de brincadeira, teatro, piadas académicas e boa disposição. Muito divertido. Adendas: (1) neste momento discursa um dos laureados, inventor de testículos artificiais para cães. (2) agora várias palestras por distintos professores universitários, que dispõem, cada um, de 24 segundos para introdução de pormenores técnicos, a que se segue a palestra propriamente dita, que deve constar de sete palavras. Eis duas delas: (3) já entregue o IgNobel da Economia, a Gauri Nanda, uma jovem do MIT, pela invenção de um despertador com rodas que foge e se esconde, repetidamente. (4) Duas novas palestras: (5) Prémio da Física de fluidos para dois investigadores que aplicaram leis da física para calcular a pressão exercida pelos pinguins no acto de defecar. |
Dilema do prisioneiro
| Já que estamos em maré de prémios, aqui fica a notícia de que uma equipa da Universidade de Southampton foi a vencedora da edição de 2005 do concurso "Iterated Prisoner's Dilemma". O "Dilema do Prisioneiro" é um problema do âmbito da Teoria dos Jogos. Na sua versão mais conhecida, dois cúmplices de um crime são aprisionados e separados para interrogatório pela polícia, estando cada um deles perante as seguintes escolhas: confessar o crime ou calar-se. Se um confessar e o outro se calar, o primeiro é perdoado e o segundo apanha 10 anos de cadeia. Se ambos confessam, ambos são castigados com seis meses. Se ambos se calam, ambos apanham 6 anos. Nenhum deles suspeita qual será a opção do outro. No "dilema do prisioneiro repetido" (iterated), os jogadores vão tomando decisões sequenciais. O "Dilema do Prisioneiro" simula o problema de como é que a cooperação pode surgir (ou não) de agentes egoístas. A formulação pode ser aplicada questões tão diversas como a concorrência em mercados económicos ou guerras. Documentos relacionados: |
No interior do cérebro

Detalhe de uma ilustração de Graham Johnson, vencedora em 2005 do Science and Engineering Visualization Challenge. A imagem completa pode ser vista aqui. «Bem no interior do cérebro, um neurónio prepara-se para transmitir um sinal ao seu alvo. De modo a capturar esse efémero momento, Graham Johnson baseou este elegante desenho em micrografias ultrafinas de fatias sequenciais do cérebro. Depois, com recurso a software 3D, coloriu a imagem e acrescentou textura e luz.» [ via Brain Waves ] |
Revelação nas alturas
| Vejam lá se isto faz sentido: |
«As revelações fundamentais dos fundadores das três religiões monoteistas, entre muitas outras experiêncas de revelações, ocorreram numa montanha. Estas três experiências partilham muitas componentes fenomenológicas, tais como sentir e ouvir uma presença, ver uma figura, ver luzes, e sentir medo.
«Experiências semelhantes têm sido referidas por montanhistas contemporâneos, não místicos. As similaridades sugerem que a exposição à altitude pode afectar os mecanismos funcionais e neurais, facilitando portanto a experiência de uma revelação.»
| Que tal? Não parece mesmo uma daquelas notícias bombásticas que enchem os jornais sensacionalistas? Pois bem, tudo isto foi escrito por neurocientistas suíços e israelistas num recente artigo, "Why revelations have occurred on mountains? Linking mystical experiences and cognitive neuroscience", publicado na Science Direct. E continua: |
«Diferentes funções apoiadas em áreas do cérebro tais como a junção temporo-parietal e o cortex pré-frontal são referidas como sofrendo alterações com a altitude. Além disso, a hipoxia grave e crónica afecta significativamente a junção temporo-parietal e o cortex pré-frontal e ambas as zonas têm estado associadas a alterações da percepção do próprio corpo e a experiências místicas. A estadia prolongada em altitudes elevadas, especialmente com privação social, podem também conduzir a disfunções do lobo pré-frontal, tais como uma baixa resistência ao stresse e perda de inibição. Baseados nestas descobertas sugerimos que a exposição a altitudes pode contribuir para a indução de experiências de revelação e pode melhorar o nosso entendimento acerca da metáfora da montanha nas religiões.»
| Embora no contexto de outro misticismo, estas experiências dão toda uma outra luz (digo bem) à famosa crise da selecção portuguesa de futebol no campeonato mundial de 1986, em Saltillo, no México. Lembram-se? Havia jogadores que, quando passavam junto ao seleccionador e dirigentes, davam palmadas nos braços e gritavam: "maldita melga!". Afinal era da altitude. A ciência tudo explica! |
Extremos
| O jornal Público tem hoje duas peças representativas dos extremos ideológicos, no que respeita a soluções para a economia portuguesa. Num dos extremos posiciona-se António Vilarigues com um artigo de opinião (pág. 7); baseando-se num trabalho de Anselmo Dias publicado no jornal Avante (disponível aqui), compara o peso dos encargos da função pública no PIB corrigido com previsões para a economia paralela, do que resulta que Portugal atinge uma percentagem próxima da média europeia (12 %) e menor do que a de países como a Dinamarca (17,9 %), Suécia (16,6 %), França (13,9 %) ou Finlândia (13,8 %). O argumento alarga-se depois a outras despesas decorrentes de funções sociais do Estado. No outro extremo encontra-se a entrevista com Andrea Canino, presidente do Conselho de Cooperação Económica (Pág. 34), que veio a Portugal para entregar ao governo um relatório com sugestões para um novo modelo de desenvolvimento, assunto que já referimos aqui. Afirma Canino que «as reformas do governo estão na boa direcção mas não sao suficientemente profundas» e que «é insensato que um país há cinco anos em contraciclo com o resto da Europa continue a aumentar de forma significativa o número dos seus funcionários públicos.» Canino, que considera a CCE um «instrumento técnico ao serviço do governo», resume a economia europeia a quatro sistemas: «o escandinavo, que é eficaz e equitativo; o anglo-saxónico, que é eficaz e não equitativo; o francês, que é equitativo mas não eficaz; e o do sul da Europa, que é ineficaz e não equitativo.» Em Portugal a iniciativa da CCE foi referida pelos blogues Canhoto, Menir e Minha rica casinha. |
IgNobel
É já hoje que são anunciados os Prémios IgNobel, numa cerimónia na universidade de Harvard, Cambridge, Massachusetts, a qual poderá ser acompanhada on-line a partir da meia-noite e um quarto [19.15 dos EUA, eastern time; detalhes aqui].Os prémios IgNobel destinam-se a "celebrar o insólito, honrar a imaginação e aumentar o interesse das pessoas pela ciência, medicina e tecnologia", galardoando descobertas patetas, redundantes e inúteis. Associada a este prémio existe a revista Annals of Improbable Research. Na cerimónia os prémios IgNobel são usualmente entregues por laureados com o prémio Nobel. Em cada ano, a cerimónia de atribuição dos prémios tem um tema, que condiciona as comunicações e espectáculos programados. Para este ano o tema é o Infinito, e terá lugar a estreia da mini-óprea, "The Count of Infinity". |
O corpo é que paga
| As doenças ditas "psicológicas" são, em geral, muito mal compreendidas pelo senso-comum. O que não admira, pois existe aqui um claro "conflito de interesses": é a mente a "julgar em causa própria". É fácil para a mente admitir que o fígado não anda bem, que o estômago está a falhar ou que a garganta ultrapassou os limites - mas admitir que a ela própria não funciona, é mais difícil. A medicina sabe que pessoas com disfunções de natureza psicológica, como por exemplo as depressões mais graves, não se curam a si próprias, embora o senso-comum ache que, com um pouco de vontade, o doente poderia sair daquele estado. O mesmo se passa com a bulimia e a anorexia, havendo até quem pense (e escreva) que os paradigmas correntes da beleza têm culpas averbadas neste cartório. Mas a própria medicina também tem os seus preconceitos - ou não fosse ela uma criação da mente. Recentes descobertas indicam que a anorexia e a bulimia, e eventualmente outras disfunções a que se atribui natureza psicológica, podem ser afinal o resultado de "ataques" do próprio sistema imunológico, ou auto-imunidade. A auto-imunidade é pois a situação em que o sistema imunológico ataca o próprio organismo que era suposto defender. Um estudo de Serguei Fetissov, do Karolinska Institute de Estocolmo, e outros, encontrou correlação entre certos tipos de infecção e alguns sintomas psiquiátricos em dontes com anorexia e a bulimia: "Autoantibodies against neuropeptides are associated with psychological traits in eating disorders". A descoberta vem referida no artigo do Economist, "Psychiatric disorders and immunity - Molecular self-loathing", que refere: «O trabalho do Dr. Fetissov sugere que níveis anormais de auto-anticorpos contra hormonas designadas melanocortinas, constituem uma componente crucial da causa da anorexia e bulimia. As melanocortinas são pequenas moléculas de proteínas que transportam mensagens entre as células nervosas do cérebro. Estão envolvidas na regulação de uma variedade de comportamentos complexos, incluindo interacções sociais, respostas ao stress e, com importância neste contexto, o acto de comer. Portanto é fácil de compreender como, ao interferir com elas, se pode provocar aquelas duas doenças.» Nota: do artigo científico referido apenas se encontra disponível on-line o resumo; Serguei Fetissov já publicara, em 2002, o artigo "Autoantibodies against -MSH, ACTH, and LHRH in anorexia and bulimia nervosa patients", sobre o mesmo assunto, o qual está integralmente disponível. |
quarta-feira, outubro 05, 2005
Jornais do futuro
![]() «Qual será o aspecto dos jornais do futuro? O mais provável é que se assemelhem ao Financial Times actual. «Não me refiro ao salmão-rosa das suas páginas. Essa inteligente escolha foi adoptada em 1893, quando o jornal tinha apenas 5 anos, para o diferenciar do seu poderoo rival londrino, o Financial News (que adquiriu em 1945, após muitos anos de concorrência proveitosa). «Nem tão-pouco me refiro ao formato "lençol", embora eu suspeite que os principais jornais, por esse mundo fora, continuem mais ou menos grandes como os conhecemos hoje, e não tablóides. O novo formato é conhecido como Berliner, já familiar para os leitores do Le Monde e recentemente adoptado [12.Setembro] pelo renascido Guardian de Londres: estreito como um tablóide mas 7 cm mais comprido [imagem de cima]; por outras palavras, uma versão reduzida do "lençol", mais fácil de transportar e de ler. «O que eu quero dizer é um jornal "completo", competindo num mercado global (ou num mercado altamente concentrado), abrangente nos assuntos, inventivo no grafismo e design, apresentando muitos elementos de notícias e opiniões ordenados hierarquicamente em cada página e ao longo do jornal. «A principal diferença relativamente a hoje? Os jornais no futuro terão menos "gordura" e menos "palha" e serão mais espertos. E ficarão também mais caros para os leitores. Ambas as coisas estão relacionadas.» |
Citação do dia
| Do New York Times: |
«Já é tempo de nos livrarmos desta maldita múmia!»Valeriya Novodvorskaya, chefe do partido
União Democrática, referindo-se ao mausoléu de Lenine
Risco
| O estudo da predisposição dos seres humanos para correr riscos tem grande importância para a economia. Por exemplo, pensa-se que a atitude empreendedora configura, como característica individual, essa predisposição para o risco. O estudo desta característica em diferentes populações poderia, também, ajudar a explicar porque é que a prevalência do empreendedorismo varia tanto em diferentes culturas. Uma equipa de investigadores alemães realizou um novo estudo sobre os comportamentos de risco, divulgado recentemente no artigo "Individual Risk Attitudes: New Evidence from a Large, Representative, Experimentally-Validated Survey". Analisando uma amostra de 22 mil indivíduos, foram utilizadas cinco questões sobre a disposição para assumir riscos em domínios específicos: condução automóvel, assuntos financeiros, desporto e lazer, carreira, saúde. O estudo revela que a disposição para assumir riscos está negativamente relacionada com a idade e ser do sexo feminino e positivamente relacionada com a altura e com a educação dos pais. Surpreendentemente, revela também que as pessoas mais dispostas a correr riscos tendem a estar mais satisfeitas com a vida. |
«Utilizando dados num conjunto de comportamentos de risco em diferentes contextos, incluindo violações de trânsito, escolha de títulos financeiros, fumar, escolha de carreira, participação em desportos e migração, o estudo compara a capacidade predictiva de todas as medidas de risco.
O estudo revela vários factos: (1) as mulheres estão menos disposta a correr riscos do que os homens, em todas as idades; (2) o aumento da idade está associado a uma decrescente predisposição para correr riscos; (3) indivíduos mais altos estão mais dispostos a correr riscos; (4) indivíduos com pais de elevado nível educacional estão mais dispostos a correr riscos.
O comportamento favorável ao risco também desempenha um papel na escolha da carreira. Os indivíduos auto-empregados estão mais dispostos a correr riscos enquanto que os funcionários públicos são mais avessos ao risco.»
terça-feira, outubro 04, 2005
O ópio da classe média
| «O retrato que faço do perfeito louco é o seguinte: ele não acredita na religião, fornecendo motivos inteiramente racionais para tal descrença. À superstição e fé cega, ele contrapõe o método científico. Mas o cepticismo humano parece estar confinado a certos domínios e é relegado para a sala de aulas. O cepticismo do meu louco sofre uma severa atrofia fora destes debates intelectuais: «1) Ele acredita na Bolsa de Valores porque lhe dizem para o fazer - comprometendo automaticamente uma parcela da suas poupanças de reforma. E não compreende que o gestor dos seus fundos não consegue melhor do que faria a sorte - na realidade até um pouco pior, considerando as (generosas) comissões. Nem compreende que os mercados dependem mais do acaso e são mais arriscados do que ele é levado a acreditar pelos sumo-sacerdotes dos mercados financeiros. «Ele descrê dos bispos (baseando-se no método científico) mas substitui-os pelo analista financeiro. Ele aceita as previsões de analistas financeiros e de "especialistas" - sem confirmar o seu acerto no passado e verificar os registos. Se o tivesse feito concluiria que não são melhores do que o acaso - e frequentemente são piores. «2) Ele acredita na capacidade do governo para "prever" variáveis económicas, preços do petróleo, crescimento do PNB, ou a inflação. A Economia fornece equações muito complicadas - mas o nosso registo do sucesso das previsões é miserável. Não custa muito verificar estes factos - um simples empirismo bastaria. No entanto temos previsões dos déficites da segurança social feitos por ambos os lados (democratas e republicanos) em horizontes de trinta anos! Este Escândalo das Previsões (que eu capitalizo) é mais severo do que as religiões, simplesmente porque ele determina a política. «3) Ele acredita nas "capacidades" dos gestores das grandes empresas e paga-lhes enormes quantias pelo seu "desempenho". Ele esquece que os contributos deles são os menos observáveis. Esta atribuição de capacidades é, na melhor das hipóteses, inconsistente - mas nunca se verifica o possível papel da sorte no seu sucesso. «4) A sua integridade científica fá-lo regeitar a religião, mas ele acredita no economista porque a "ciência económica" inclui a palavra "ciência". «5) Ele acredita que os meios de comunicação fornecem um relato adequado dos riscos existente no mundo. Mas não fornecem. Através daquilo a que chamo falácia narrativa, os média distorcem o nosso mapa mental do mundo, alimentando-nos com uma história que é comprimida para dentro das nossas mentes. Por exemplo, o (prevenível) cancro é que é o grande perigo - não o terrorismo. O número de pessoas mortas por furacões é mínimo quando comparado com os milhares que morrem diariamente nas camas dos hospitais. Mas estas não merecem a dignidade da notícia. A diferença entre os riscos reais, definidos actuarialmente, e a percepção dos riscos, é enorme - e, lamentavelmente, em crescimento com a globalização, os média e a nossa maior vulnerabilidade aos estímulos visuais. (...) «A religião fornece consolo a muitas pessoas. Em termos pessoais, tenho de admitir que sinto maior elevação em catedrais do que nas Bolsas de Valores - nem que seja por razões estéticas. Se tenho que ser crédulo relativamente a qualquer coisa, prefiro sê-lo em algo que seja menos perigoso para o meu futuro - e que alivie a minha sede de estética. «É tempo de nos preocuparmos com o ópio da classe média.» Nassim Taleb Nota - o título é uma paráfrase do aforismo marxista segundo o qual "A religião é o ópio do povo". |
Lisboa misteriosa e moderna
![]() «Perdi o meu passaporte e por isso terei de ficar em Portugal uns 10 dias até que emitam outro. Ficarei pois clandestinamente nesta terra até terça-feira da próxima semana, e tenho que me divertir aqui senão tornar-se-á numa espera demasiado longa. Cheguei a Lisboa ontem à noite e foi como se tivesse mergulhado no futuro. A estação ferroviária parecia ter saído de um filme de ficção científica, lá para 2050, e quase esperei ver hovercrafts e naves espaciais a pairar. Havia umas dinâmicas arcadas brancas e tubagens de neon de dois pisos: um lugar impressionante. Alguma da arquitectura é virtualmente indescritível. Fico feliz por a nossa primeira capital não ser um museu ao ar livre ou um monolito mas sim, de algum modo, bastante misteriosa e moderna.» "Lost in Lisbon" |
Krugman e a América
| Paul Kruman, num artigo para o New York Times de Maio passado: "Always Low Wages. Always" [1]: |
«Na semana passada a Standard and Poor's, uma agência financeira, baixou a cotação dos títulos da Ford e da General Motors para um nível miserável, o que significa que encontra um risco significativo em as empresas virem a ser incapazes de pagar as suas dívidas.
Bem: não chorem pelos detentores dos títulos. Mas chorem pelos trabalhadores.
A Standard and Poor's antecipou-se a desvalorizar a G.M. e a Ford porque acredita que os consumidores estão a perder interesse nos SUVs. Mas as empresas encontram-se vulneráveis porque ainda pagam salários decentes e oferecem boas regalias, numa época em que cuidar dos funcionários passou de moda. Especificamente, estas empresas suportam um encargo pelos custos de saúde dos trabalhadores activos e reformados, que na G.M. representa cerca de 1.500 dólares por veículo.
Este facto faz-nos recordar quão longe estamos do tempo em que os americanos que trabalhavam duro podiam contar com um razoável grau de segurança económica.
Em 1968, quando a General Motors era um ícone bastante venerado na América, muitos dos seus trabalhadores eram-no para toda a vida. Em média, ganhavam 29 mil dólares por ano (a preços de hoje), um sólido rendimento de classe-média nessa altura. Também beneficiavam de generosos apoios de assistência médica e reforma. Desde então, a América tornou-se muito mais rica, mas os americanos ficaram muito menos seguros.
Hoje a Wal-Mart é a maior empresa americana. Tal como a G.M. noutros tempos, tornou-se num icone americano muito venerado.Mas as semelhanças ficam por aí. O trabalhador médio da Wal-Mart, a tempo inteiro, recebe apenas 17 mil dólares por ano. O plano de saúde da empresa abrange apenas metade dos trabalhadores. (...) e poucos deles ocuparão a sua vida activa na empresa: mais de 40 % sai da empresa em cada ano..»
[1] - Jogo de palavras com o conhecido slogan da Wal Mart:![]() |
Mais um aviso, mais uma receita
| O Conselho de Cooperação Económica (CCE), organismo que representa grandes empresas de Portugal, Espanha, França e Itália, entregou ontem ao ministro da Economia um relatório alertando para a gravidade da crise que Portugal atravessa, de natureza estrutural, onde se salienta a necessidade de mudar de modelo de desenvolvimento económico. Segundo notícia do "Público", «o documento defende que é preciso explicitar o sentidos das mudanças [necessárias] aos portugueses, que de forma geral não valorizam tanto a educação e a formação como outros povos. Além disso, estão também muito ligados a dispositivos de protecção do emprego, por razões históricas como o paternalismo salazarista, mas também a revolução socialista. "Todos os portugueses devem ser persuadidos de que é do seu interesse instruirem-se e reforçarem as suas competências, sejam eles operários ou patrões: cabe ao governo persuadi-los", afirmou Andrea Canino, presidente do CCE.» O documento, que inclui um plano de acção, adianta "dez eixos que podem mudar Portugal": Ainda recentemente o CCE entregara ao presidente da Comissão Europeia, a pedido deste, um relatório sobre a promoção da Estratégia de Lisboa, onde se incluia a sugestão de uma redução fiscal para as empresas, equivalente a entre 10 % e 15 % dos investimentos que realizassem em investigação e desenvolvimento. |
Os 15 desafios de Portugal
| O coordenador nacional da Estratégia de Lisboa, Carlos Zorrinho, afirmou que uma das maiores dificuldades que o Governo português enfrentará durante a elaboração do Plano Nacional de Acção para o Crescimento e Emprego (PNACE) 2005-2008 será a conciliação do rigor das contas públicas com a modernização do Estado social e com as políticas de coesão. Carlos Zorrinho apresentou ontem a versão portuguesa da ‘nova’ Agenda de Lisboa, a entregar em Bruxelas até dia 15 do próximo mês, mas sem revelar medidas concretas. Outra revelação foi a de que serão definidos os “15 desafios” que Portugal não poderá falhar no roteiro do crescimento e emprego. Notícia no Diário Económico. |
O dia seguinte
Entretanto foram conhecidos há poucos dias os vencedores do Prémio IZA em Economia do Trabalho: Christopher Pissarides, professor da London School of Economics, e Dale T. Mortensen da Northwestern University. No comité que outorgou o prémio encontravam-se conhecidos economistas como George Akerlof e Joseph Stiglitz. Textos relacionados: |
segunda-feira, outubro 03, 2005
Emprego industrial em queda
| «O emprego na indústria registou uma variação homóloga negativa de 5,1%. O volume de trabalho diminuiu 3,2%, enquanto que as remunerações pagas estabilizaram.» INE, Índices de Emprego, Remunerações e |
Neurobiologia do sarcasmo
A neurobiologia do sarcasmo e a sua relação com processos cognitivos foi estudada por uma equipa de investigadores israelitas, que publicaram os resultados no artigo "The Neuroanatomical Basis of Understanding Sarcasm and Its Relationship to Social Cognition".O interesse do estudo, que recorre à imageologia cerebral para apurar quais as funções envolvidas na detecção do sarcasmo, está em que, para o conhecimento social, é necessário inferir o estado mental dos outros, os seus pensamentos e sentimentos. E para entender a ironia é necessário compreender as ligações sociais. Assim, a ironia e o sarcasmo exigem o domínio de funções mentais de elevado nível, razão pela qual só são apreendidos gradualmente pelas crianças. A detecção da ironia e do sarcasmo envolve o hemisfério direito, mas existem indicações de que os lobos frontais também participam na interpretação das expressões sarcásticas. A relação dos lobos frontais com o conhecimento social encontra-se igualmente estabelecida, sabendo-se que os danos nesta região afectam as funções cognitivas de alto nível, bem como o comportamento social e a personalidade. Crê-se que também limitem as funções de análise, planeamento e monitorização da linguagem. |
«A ironia é uma forma indirecta de discurso utilizada para transmitir sentimentos de um modo indirecto. As expressões irónicas são caracterizadas pela oposição entre o sentido literal da frase e a intenção do emissor. Uma das formas de ironia é o sarcasmo. O sarcasmo é usualmente utilizado para comunicar uma crítica implícita acerca do ouvinte ou da situação. É utilizado em situações que provocam um efeito negativo e é acompanhado por desaprovação, desprezo e gozo. Por exemplo, um patrão que apanha um empregado a dormitar poderá dizer-lhe: "Joe, vê lá não te mates a trabalhar!", para exprimir o seu desagrado. O destinatário pode identificar a oposição entre o sentido literal da frase (Joe está a trabalhar demais) e a intenção de crítica do patrão (Joe é preguiçoso). O emissor da ironia pretende que o receptor detecte a falsidade deliberada; ele faz uma afirmação que viola o contexto e pretende que o ouvinte reconheça a afirmação. Portanto, a interpretação do sarcasmo envolve a compreensão das intenções expressas na situação e pode incluir processos de reconhecimento social e da teoria da mente.
«Parece que dificuldades na compreensão de expressões sarcásticas podem reflectir uma capacidade limitada para compreender indicações de natureza social tais como intenções, crenças e emoções.»
Grilagem
Dhurna (anglo-indiano) - extorquir dinheiro a alguém sentando-se em frente da sua casa e ficando ali sem comer, ameaçando com a violência, até ser-se pago. (O Free Dictionary define Dhurna - ou Dharna - como "uma acção frente à porta de alguém, especialmente um devedor, como meio de obter anuência a uma exigência de justiça, como por exemplo o pagamento de uma dívida". Assim definida parece uma coisa normal, mas não é de admirar que o processo tenha sido alargado até à exigência de pagamentos não devidos.) Sokaya (japonês) - alguém detentor de algumas acções numa empresa, que extorque dinheiro ameaçando ir às assembleias de accionistas causar problemas. Grilagem (português do Brasil) - a prática de colocar um grilo vivo numa caixa com documentos novos falsificados, até que os excrementos do insecto façam com que os papéis pareçam convincentemente antigos. De facto, neste paper de Márcia Mota: "A grilagem como legado", descreve-se de forma semelhante a técnica da "grilagem": "colocar um papel contendo um tipo de 'comprovação' de propriedade dentro de uma gaveta junto com alguns grilos; o qual, após algumas semanas, passa a ter uma aparência envelhecida em razão dos dejectos daqueles insectos". Mas apresenta-se igualmente a definição do Dicionário Aurélio: "Sistema ou organização ou procedimento de grileiros - indivíduos que procuram apossar-se de terras alheias mediante falsas escrituras de propriedade" - que mostra que o termo evoluíu de forma a abranger outras modalidades de reclamação indevida de direitos de propriedade de terras. |
Leis naturais
| Continuando a sua saga contra a troca de ficheiros musicais via Internet, a Recording Industry Association of America (RIAA) anunciou ter desencadeado processos judiciais contra 757 pessoas "autoras de roubos através da Internet", incluindo redes de computadores em 17 campus universitários. Sobre esta batalha, escreveu o Angry Economist: |
«Penso que toda a gente está ao corrente do ataque lançada contra a distribuição de música sob forma digital através da partilha de ficheiros P2P (Peer to Peer). As pessoas podem partilhar a sua colecção de música digitalizada ao mesmo tempo que carregam ficheiros musicais de outras pessoas. Claramente, aquele ataque é uma violação da lei dos direitos de autor [copyright law].
«A lei dos direitos de autor tem contudo duas expressões: a lei do governo (a lei escrita, apoiada pelo poder do Estado) e a lei natural (o modo como as coisas funcionam na ausência da lei estatal). Muitas pessoas não compreendem a lei natural. Pensam que a lei só pode existir dum único modo: através da acção legislativa elaborando a lei, da acção executiva fazendo aplicar a lei e da acção judiciária interpretando a lei.
«A lei natural, no entanto, existe, e aqueles que a quebrarem arriscam-se. Por exemplo, existem leis naturais da termodinâmica, da velocidade limite da propagação do som, ou da luz. Oiço as pessoas referirem-se a estas leis como meros factos físicos do universo. E, no entanto, não é a natureza humana também um facto físico do universo? A pessoa média quer viver e fará tudo (excepto matar-se) para o conseguir. Portanto, existe uma lei natural contra o assassínio. As pessoas tomam medidas para que não venham a ser assassinadas ou, se o forem, que o seu assassino seja também morto. O Estado nada tem a ver com estas leis naturais, embora [a acção do Estado] seja um modo possível de exprimir as leis naturais.
«O Estado não pode mudar as leis naturais.
«A RIAA tem violado a lei natural dos direitos de autor. Conseguiram assegurar que o copyright nunca expire. A lei natural dos direitos de autor é um negócio entre os editores de obras protegidas e os destinatários das obras protegidas. Os editores prometem que eventualmente colocarão as obras no domíno público, e os destinatários prometem não fazer cópias. Claramente a RIAA violou a lei e está a sofrer as consequências de o ter feito. Sempre que as leis do Estado não correspondem às leis naturais, vemos violações massivas da lei do Estado.»
| Creio que há uma falha (pelo menos) neste raciocínio: as leis "escritas" que protegem os direitos de autor são, elas próprias, o resultado de uma "negociação" que decorre na sociedade. A protecção dos direitos de autor outorgadas inicialmente através das "Patent letters" (cartas "abertas", para conhecimento de todos, por contraste com outras missivas, fechadas e seladas) contribuiu poderosamente para o empreendedorismo e inovação que moldaram a sociedade contemporânea. Poder-se-á talvez defender que essa "negociação" se encontra hoje enviezada, mas defender a liberdade de cópia só porque existe uma "lei natural" que a legitima, não é argumento válido. Há de resto uma expressão neste texto que é significativa: "Os editores prometem que eventualmente colocarão as obras no domíno público, e os destinatários prometem não fazer cópias"; ou seja, todos mentem. É um argumento muito frágil. |
Jeffrey Sachs na MTV e no altar
![]() Jeffrey Sachs na MTV? Exactamente. Ei-lo na companhia da actriz Angelina Jolie, numa viagem por África para combater a pobreza no mundo. A MTV acompanhou a viagem a Sauri, no Quénia, com o objectivo de fazer um documentário cuja estreia teve lugar no passado dia 14 de Setembro. Num outro contexto, de natureza religiosa, Sachs foi considerado como "Profeta das Oportunidades Económicas para os Pobres". Em Abril passado Jeffrey Sach publicou o livro "The End of Poverty", com prefácio de Bono, vocalista dos U2. O economista, no entanto, parece ter perdido o título de "Elvis", ou "Rei", que Bono decidiu outorgar a James Wolfensohn, presidente do Banco Mundial: "Questiono-me sempre sobre quem é o Elvis da Economia, quem é o Rei? Mr. Wolfensohn é o Elvis." (Todas estas pérolas via AdamSmithee) |
População que não se renova
«Os últimos indicadores demográficos do Instituto Nacional de Estatística revelam um índice sintético de fecundidade (número de filhos por mulher em idade fértil) abaixo de 1,4. Há 30 anos, esse índice era de 2,1 filhos por mulher - que é precisamente o valor mínimo para a renovação das gerações se concretizar.»
domingo, outubro 02, 2005
E dirigentes sindicais também?
No DW-World.de, adianta-se ainda que, segundo Gebauer «Ninguém mais imaginava uma viagem sem prostitutas. Os executivos só pensavam nisso.» Também segundo o Correio da Manhã, a Volkswagen organiza desde os anos 90 este tipo de "viagens de lazer" de que beneficiam altos quadros da empresa, bem como dirigentes sindicais. Segundo o Correio da Manhã, «a 'Stern' assegura que uma das prostitutas que Hartz frequentava tinha 24 anos, era brasileira, e encontrou-se com o director de pessoal da Volkswagen no passado mês de Maio no 'Elefante Branco', em Lisboa, graças à intervenção de Gebauer.» Noutras notícias é referida a participação da brasileira Adryanna Barros, "namorada" ou "amante" de Klaus Volkert, beneficiando mesmo de alguns contratos suspeitos com a empresa. Através da influência de Volkert e de pressões sobre a empresa que detém a publicidade da Volkswagen no Brasil, Adryanna conseguiu ter um programa próprio de televisão, sobre turismo e viagens, que para além de lhe garantir o rendimento financiava viagens de luxo por todo o mundo, onde se cruzava com o sindicalista Volkert. Klaus Volkert, de 62 anos, casado e pai de uma filha, começou por ser operário torneiro-mecânico. Através do sindicato dos metalúrgicos ascendeu ao conselho de funcionários da Volkswagen e a um lugar no conselho executivo da empresa, onde representava os trabalhadores no famigerado modelo de decisões patrão-empregado. Isto ter-lhe-á proporcionado mesmo um doutoramento Honoris Causa na universidade de Braunschweig. Gebauer encontra-se a ser investigado juntamente com o director de Recursos Humanos da Skoda. Helmuth Schuster. As investigações incidem igualmente sobre casos de corrupção e desvio de dinheiro, entre os quais um projecto, que ficou no papel, de exportação de carros da Skoda para Angola por meio de uma empresa dirigidas por testa-de-ferro de Gebauer e Schuster, e que intermediaria o negócio lucrando cerca de mil euros por veículo. (Assunto já antes referido, com humor, pelo Afixe) |
sábado, outubro 01, 2005
Diz-me quanto ganhas...
| Com o vermelhusco título de que o "Governo não revela salário de Constâncio", o Correio da Manhã on-line diz-nos que «O Governador do Banco de Portugal ganha por ano quase o dobro do presidente da Reserva Federal dos EUA.» Parece que quem o disse ao jornal foi presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que o leu num requerimento que lhe foi apresentado pelo deputado e dirigente do PCP Agostinho Lopes, o qual, por sua vez, parece que soube de tudo através do jornal Independente. E adianta-se no texto do CM: «Instado a comentar o assunto, fonte do BP afirmou ao CM que a instituição não comenta os salários dos governadores. Em comparação, nos EUA, o salário do presidente da Reserva Federal é público e está disponível no 'site' da instituição: 120 mil dólares (cerca de 100 mil euros, e não 146 mil euros como diz Agostinho Lopes) ao alcance de qualquer internauta.» É muito curioso que o deputado do PCP, procurando talvez maximizar o efeito da sua "denúncia", compare o vencimento de Vítor Constâncio ao de um dos principais "funcionários" da economia capitalista. Será que para o PCP, neste domínio, o benchmark são os EUA? Dir-se-ia que, pelo menos neste caso, Portugal poderia aspirar a um "top" no "ranking, mas afinal parece que não. Por exemplo, o salário do governador do Banco de Inlaterra é de £ 268.137, conforme se pode ler aqui. São grandes as discrepâncias. É a desvantagem de não haver um mercado global para "governadores de bancos centrais"... |
sexta-feira, setembro 30, 2005
Reforma orçamental da UE
![]() "The EU budget - how much scope for institutional reform?": um relatório do banco Central Europeu sobre o debate acerca da reforma institucional do orçamento comunitário e respectivos procedimentos. Apesar da importância e intensidade desse debate, o relatório adopta uma visão cautelosa e conservadora, referindo que a actual situação orçamentária é adequada ao equilíbrio corrente entre os diferentes actores em jogo, e adverte: |
«Mudanças fundamentais nos resultados orçamentais da UE requeriria a modificação do actual conjunto de constrangimentos em que o procedimento orçamental europeu se encontra embebido.»
Produção industrial
O INE divulgou os Índíces de Produção Industrial, com uma variação homóloga de 2,5%. Para esta evolução contribuiu muito o sector de Energia, com um aumento de 19,5 % ( contribuindo para o índice com 2,5 pontos percentuais).
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quinta-feira, setembro 29, 2005
E vivam os telemóveis!
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O Relatório da Competitividade elaborado pelo Fórum de Davos coloca Portugal num honroso (como se diz na gíria futebolística) 22º lugar, e a subir! - um ganho de duas posições face ao ano anterior, e à frente da Irlanda (26º),da Espanha (29º) e da França (30º). Notícia no jornal "Público" (restrita a assinantes). É um resultado paradoxal, numa altura em que vários indicadores da saúde económica nacional se degradam, mas é preciso ter em conta os movimentos dos outros países, bem como os critérios utilizados para a elaboração do ranking (disponíveis aqui) . Para compreender este paradoxo, também ajuda uma olhadela pelo melhor que Davos cá encontrou: - liberdade de imprensa (4º lugar) - transferência de tecnologia (3º) - índice geral de tecnologia (20º) e pelo que Davos viu de pior: - escassez de cientistas e engenheiros (49º) - desperdício de dinheiros públicos (58º) - formação do pessoal (59º) - estabilidade macro (64º) - centralização excessiva (70º) - excesso de burocracia (77º) - qualidade ensino (mat. e ciência) (81º) - expectativa de uma recessão (103º) O "Público" também salienta que houve alterações da própria metodologia, com reforço da componente tecnológica. Logo aí Portugal fica a ganhar, dada a elevada taxa de penetração de telemóveis. Resta saber é se o facto de termos um telemóvel por cada português, ou uma grande liberdade de imprensa, vai atrair mais investidores...
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quarta-feira, setembro 28, 2005
Patologias da ciência
| «Theodore Sturgeon, um escritor americano de ficção científica, referiu uma vez que "95 % de todas as coisas é lixo". John Ioannidis, um epidemologista grego, não iria tão longe. A sua proposta fica pelos 50 %. Esse número, segundo crê, é uma estimativa razoável da quantidade de papers científicos que, eventualmente, se vem a verificar que estavam errados.» «O Dr. Ioannidis, que trabalha na Universidade de Ioannina, no norte da Grécia, defende esta ideia no artigo "Why Most Published Research Findings Are False". A sua tese de que muitos artigos científicos apontam para conclusões falsas, não é nova. A Ciência é um processo darwiniano que avança tanto pela refutação como pela publicação. Mas até agora nunca ninguém tinha tentado quantificar o assunto.» «O Dr. Ioannidis começou por olhar para estudos específicos, num paper publicado em Julho no Journal of the American Medical Association . Examinou 49 artigos de investigação publicados entre 1990 e 2003 em jornais médicos de larga divulgação. Cada um destes artigos tinha sido citado, mil vezes ou mais, por ourtros cientistas nos seus próprios papers. Contudo, 14 deles - quase um terço - foram mais tarde refutados por outros trabalhos. Alguns dos estudos refutados debruçavam-se sobre se a terapia de substituição hormonal era segura para as mulheres (primeiro era, depois já não era), se a vitamina E aumentava a saúde das coronárias (primeiro sim, e depois não) [...]» «Tendo definido o problema, concebeu depois um modelo matemático para tentar levar em consideração e quantificar quais fontes de erro, algo igualmente já conhecido. Uma é a confiança pouco sofisticada na "significância estatística". Para ser considerado como estatisticamente significante um resultado, por convenção, tem de ter probabilidades inferiores a 1 em 20 de resultar do acaso. Mas aceitar este standard significa que ao examinarem-se 20 diferentes hipóteses ao acaso obter-se-á provavelmente um resultado estatisticamente significativo. Em campos onde milhares de possibilidades têm de ser consideradas, tais como a busca de genes que contribuem para uma determinada doença, muitos resultados aparentemente significativos acabarão por revelar-se errados.» «Outros factores que contribuem para falsos resultados são amostras de pequenas dimensões, estudos que revelam resultados "fracos" (tais como remédios que resultam apenas num pequeno número de doentes) e estudos mal concebidos que permitem aos investigadores andar "à pesca" no meio dos dados até encontrarem qualquer tipo de relação, independentemnente do que é que estavam inicialmente a tentar provar. Preconceitos dos próprios cientistas, devidos quer à tenaz tentativa de provar uma teoria muito acarinhada, quer a interesses financeiros, podem igualmente distorcer os resultados.» O artigo publicado no Journal of the American Medical Association é: "Contradicted and Initially Stronger Effects in Highly Cited Clinical Research" Artigos relacionados: |
terça-feira, setembro 27, 2005
Brincar aos aviõezinhos
«Não se desalojam os militares das suas bases», afirmou o coronel Carlos Barbosa, porta-voz da Força Aérea, a propósito das notícias de que o governo estaria a estudar a instalação de um aeroporto para companhias de baixo-custo num dos É um episódio digno duma República das Bananas. Alguns destes O governo estuda o assunto, reune com os militares, diz aos jornais que está quase certo de que a ideia é para concretizar em breve - e depois os militares vêm dizer que recusam a ideia. Afinal que é que manda no país: os governo eleito ou os militares ? Como diria o Vasco Pulido Valente, o país está a ficar perigoso. |
Não há milagres
| «(...) No caso da Irlanda, o facto de se ter integrado numa zona económica maior, teve certamente um impacto positivo no processo de convergência. Mas o facto de se ser membro da UE não é suficiente, por si só, para garantir a rápida diminuição das diferenças em termos de níveis de vida. As políticas económicas desempenham um papel igualmente importante na aceleração da convergência, estabilizando a economia, diminuindo os défices correntes e orçamentais e aumentando a produtividade. Como a produtividade total dos factores é substancialmente mais baixa nos novos membros da UE do que na velha União Europeia, um uso mais eficiente dos recursos já antes disponíveis, tem potencial para reduzir as diferenças de rendimentos.» «O objectivo último será o de criar um ambiente favorável aos negócios e aumentar a confiança dos investidores, de modo a manter e aumentar os fluxos de investimento directo estrangeiro (IDE). Em anos recentes o IDE tem sido uma força maior por detrás do crescimento dos novos membros da UE, à medida que os investidores estrangeiros aproveitam as ondas de privatizações. Contudo, tudo aponta para o declínio do IDE à medida que as ofertas públicas se extinguem e aumenta a concorrência vinda de regiões com salários mais baixos na Europa e na Ásia. Como a formação de capital interno não é suficiente para substituir o IDE, são necessárias políticas macroeconómicas para assegurar que o fluxo de IDE é mantido ou mesmo acrescido.» Paola Subacchi |
Coligações instáveis
| "Dynamic Processes of Social and Economic Interactions: On the Persistence of Inefficiencies", de Armando Gomes e Philippe Jehiel, publicado no Journal of Political Economy (Junho, 2005). Partindo de uma economia com um número finito de agentes e de estádios, simula-se a realização de coalizões. |
«Sempre que os agentes são incapazes de se comprometer com acções a realizar num futuro estádio (estando, por outro lado, livres de constrangimentos na sua capacidade de propor contratos pontuais arbitrários e na sua capacidade para reagir conjuntamente a um contrato proposto) a eficiência de longo prazo não é garantida. Os agentes tentam constantemente melhorar a sua capacidade negocial relativamente aos outros agentes, e isto pode constituir uma fonte de instabilidade e ineficiência»
Dicionário de calão
| "Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas", de José João Almeida. Conforme confessa o autor, este dicionário, que já conta com 4 mil entradas, "precisa descaradamente da sua colaboração". Portanto, não seja "calão" [ = mandrião, uma das entradas que ainda não consta do dicionário... ], e envie-lhe - por e-mail - as suas sugestões, que ele bem precisa [ porque diabo é que "69" se restringe a estar "metaforicamente ligado a actos homossexuais"? ] A ideia original está descrita aqui. Acerca do autor: |
segunda-feira, setembro 26, 2005
Novo aeroporto: mais do mesmo
| «Lisboa deverá ter um novo aeroporto dedicado às transportadoras aéreas de baixo custo, as denominadas ‘low-cost’. A convicção é do secretário de Estado do Turismo, que, em entrevista ao DE, revela que os estudos de viabilidade e a decisão final sobre a melhor localização deverão ser divulgados até final de Novembro. "A decisão será saber qual das alternativas", afirma Bernardo Trindade, acrescentando estar "muito empenhado" nesse trabalho. Alverca, Montijo, Figo Maduro e Sintra são os locais em análise.»Recorde-se que a localização, muito próximo de Lisboa, de um aeroporto para os voos ‘low-cost’ tem sido uma das hipóteses colocadas pelos defensores da manutenção do aeroporto da Portela, em alternativa a um novo grande aeroporto. Mais uma vez, o governo parece estar a tomar decisões avulsas e ainda sem que os estudos estejam concluídos. O governo já sabe que vai construir um aeroporto ‘low-cost’, só não sabe onde. Ridículo. |
Choque tecnológico inverso
| «As empresas de telecomunicações, media e tecnologias de informação (TMT) reduziram, entre 2001 e 2004, mais de 10 mil trabalhadores, em Portugal. A conclusão consta no estudo da Reportium XXI Consulting, segundo o qual, em 2004, o sector empregava 65 808 pessoas, menos 10 568 mil do que em 2001, o que aponta para uma redução de mão-de-obra de 3,8%. Ainda de acordo com a análise, que teve por base os resultados de mais de 440 empresas de TMT, até 2008, a tendência será de redução de postos de trabalho no sector.» |
Dia D
| O blogue Indústrias Culturais acha que a "Dia D", a nova revista do Público que substituíu os suplementos "Economia" e "Computadores": |
«faz lembrar as Selecções do Reader's Digest ou a Executive Digest (creio que era esse o nome de uma publicação do grupo de Balsemão). Traz dicas e mais dicas (a lembrar o "Kulto" de domingo) e nada de análises, de coisas cheias que nos ensinem e levem a reflectir. E parece-me tratar-se de uma publicação género outsourcing.»
| Estou de acordo. Mas esse era precisamente um dos objectivos anunciados, conforme já escrevi aqui: «adivinha-se que, paralelamente aos artigos especializados, a revista procurará abranger um público mais amplo recorrendo a um marketing "pop".» De facto, artigos como «Chefes, mas poucas», «Filmes que todos os gestores devem ver», «7 regras para investir melhor», «Anti-stress: segredos para manter a chama do verão» parecem mais coisas da revista "Xis" (no offense). «Orofino abre o jogo» e «Etiqueta Financeira», então esses é mesmo abaixo-de-cão. Uma entrevista interessante, com Zhibin Gu, autor do livro Made in China, que fala da explosão económica da China. Referência para uma flash-interview com Medina Carreira, que indica quais os sites que mais consulta na Internet: em geral tudo muito institucional, mas especial referência a dois blogues: Abrupto e Grande Loja do Queijo Limiano. |
Trabalho, carreira, família, mulheres
No Becker-Posner Blog, curiosa discussão acerca das universidades de elite e das carreiras profissionais de mulheres, a propósito do artigo do New York Times "Many Women at Elite Colleges Set Career Path to Motherhood". Diz Posner: |
«Embora não seja rigorosamente empírico [ou empiricamente rigoroso ?], o artigo confirma que é muito maior a percentagem de estudantes do sexo feminino que abandona o trabalho para tomar conta dos filhos, do que de estudantes do sexo masculino. Algumas retomam o trabalho depois de os filhos crescerem; outras trabalharão apenas em part-time, e outras nunca mais trabalharão, passando a dedicar o seu tempo à familia e a actividades cívicas. Um inquérito aos antigos alunos de Yale revelou que 90 % dos homens no escalão dos 40 anos ainda trabalhavam, percentagem que descia para 56 % nas mulheres. Um inquérito aos antigos alunos da Harvard Business School revelou que 31 % das mulheres que ali se tinham formado entre há 10 e 12 anos atrás, já não trabalhavam, enquanto que outros 31 % o fazia apenas em part-time.»
| Gary Becker contrapõe: |
«Até aos anos 1960, era mais provável que a opção por trabalhar fosse maior nas mulheres com menores qualificações do que nas altamente qualificadas. Esta tendência alterou-se abruptamente durante as décadas passadas, de tal forma que agora a propensão para trabalhar e o nível de educação estão directamente relacionados nas mulheres (tal como nos homens). Isto deve-se em parte ao facto das mulheres altamente qualificadas terem menor tendência para casar (...) O artigo do Times transmite a ideia de que esta tendência educação-trabalho se inverteu de novo em anos recentes; no entanto, embora a tendência se tenha atenuado, não existe evidência da sua inversão (segundo Casey Mulligan e Kevin Murphy, dois colegas que trabalharam extensivamente nas taxas de participação das mulheres na força de trabalho.»
domingo, setembro 25, 2005
Pensionistas
| «No final de 2005 a Caixa Geral de Aposentações (CGA) terá já ultrapassado o meio milhão de pensionistas. Para o ano que vem o número continuará a subir, obrigando o Estado a abrir os cordões à bolsa para que as contas da sua previdência não se desequilibrem. Assim, a contribuição do Orçamento do Estado (OE) para a CGA deverá ascender em 2006 a 3,7 mil milhões de euros, o valor que esta instituição estima ser necessário para assegurar o seu equilíbrio financeiro e, em última análise, o pagamento das pensões de aposentação e de sobrevivência aos antigos funcionários públicos e seus familiares.» Notícia do Semanário Económico |
Mercado ibérico
| «Dezenas de pescadores portugueses estão a optar por descarregar a faina nos portos da Galiza, onde conseguem vender o pescado a um preço superior ao da lota nacional, rentabilizando ainda a viagem com o abastecimento das embarcações com gasóleo espanhol. O presidente da Associação de Pescadores de Caminha, Venâncio Silva, explicou ao DN que se trata de embarcações de comprimento superior a 16 metros e que acabam por tirar partido da "melhor oferta" que conseguem obter, nomeadamente, no porto de Vigo. "Vende-se melhor o peixe, normalmente espada e tintureiras." Para além disso, quem lá vai aproveita para abastecer de gasóleo e gelo, que nesta altura está bastante mais barato do lado espanhol", explicou Venâncio Silva.» Notícia do Diário de Notícias |
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Num escritório trabalhavam: uma morena, uma ruiva e uma loira, tendo como patroa e chefe uma senhora que, todos os dias, saía sempre mais cedo e já não regressava ao trabalho. Um belo dia decidiram aproveitar a situação e passar a sair também mais cedo, pois a chefe dificilmente o descobriria. 
«Durante muitos anos, quando se falava de vinhos portugueses, pensava-se em Mateus e Lancer's, rosês baratos conhecidos por provocar monumentais ressacas, que constituíam um rito de passagem para um certo grupo etário, equivalente a comprar aquele primeiro disco de Jimi Hendrix ou assegurar que se tinha estado em Woodstock. Durante a maior parte do século XX os portugueses limitaram-se a fazer e a beber vinhos que não se destacavam. Poucos deles eram exportados, o que podemos agradecer, já que não eram lá grande coisa.




«Na semana passada a Standard and Poor's, uma agência financeira, baixou a cotação dos títulos da Ford e da General Motors para um nível miserável, o que significa que encontra um risco significativo em as empresas virem a ser incapazes de pagar as suas dívidas.
A neurobiologia do sarcasmo e a sua relação com processos cognitivos foi estudada por uma equipa de investigadores israelitas, que publicaram os resultados no artigo "





«Não se desalojam os militares das suas bases», afirmou o coronel Carlos Barbosa, porta-voz da Força Aérea, a propósito das notícias de que o governo estaria a estudar a instalação de um aeroporto para companhias de baixo-custo num dos 
