quarta-feira, outubro 12, 2005

Matematicae Horribilis

Ouvi dizer - mas provavelmente é mentira - que alguns dos cursos de Contabilidade dos Institutos Superiores de Contabilidade e Administração, que colocam a matemática como prova obrigatória de acesso, estão quase sem alunos, enquanto que outros, com disciplinas de acesso mais "digeríveis", tiveram grande procura.

Na Internet, e numa busca rápida, só encontrei o ISCA do Porto sem a obrigatoriedade da matemática - é apenas exigida uma das seguintes: Direito, Economia ou Matemática.

Se isto for verdade, não sei o que será mais preocupante: se a sub-utilização de umas escolas ou a qualidade dos futuros licenciados das outras.

Serviços

O INE divulgou hoje um relatório sobre serviços prestados às empresas [pdf], abrangendo actividades tais como a Informática, Contabilidade, Auditoria/Consultoria, Estudos de Mercado e Sondagens de Opinião, Arquitectura e Engenharia. Em 2004 foi apurado um total de 28 793 empresas, empregando quase 140 mil pessoas (57 % homens, 43 % mulheres).

O volume de negócios gerado em 2004 foi de 13 234 milhões de euros. 4/5 deste bolo coube às Informáticas (55 %) e às Contabilidades, Auditorias e Consultorias (27,3 %).

Ética empresarial

Segundo o jornal "Público", empresários portugueses iniciaram ontem um debate sobre problemas de ética empresarial, no âmbito do "I Forum Português da Responsabilidade Social das Organizações", de que é presidente José Roquette.

Rui Vilar, presidente da Fundação Gulbenkian, salientou que «as empresas devem investir em actividades de responsabilidade social, pois estas representam activos fundamentais numa gestão empresarial moderna.»

Em 1966 teve lugar o "1º Congresso Português de Ética Empresarial".

Deverão as empresas preocupar-se com questões sociais? Ou contribuirão melhor para a vida em sociedade limitando-se ao negócio? Sobre este dilema e correspondente debate, Ian Davis escreve, no Economist, o artigo "The biggest contract":

«Dum lado estão aqueles que argumentam (para usar a expressão de Milton Friedman) que "o negócio dos negócios é o negócio". Esta crença encontra-se mais consolidada na economias anglo-saxónicas. Segundo este ponto de vista, os temas sociais são marginais às preocupações da gestão de empresas - o seu único objectivo legítimo é o de criar valor para o accionista.

Do lado oposto encontram-se os defensores da "Corporate Social Responsibility" (CSR), um movimento algo difuso mas em rápida expansão, que abrange tanto as empresas que já praticam o CSR como grupos de pressão que argumentam que as empresas têm de ir ainda mais longe na minimização dos impactos sociais que provocam.» O autor do artigo considera que ambas as posições obscurecem a importância do temas sociais para o sucesso dos negócios. No caso do grupo que defende a restrição das empresas aos negócios, Ian escreve que prejudica as empresas de dois modos:

«Os temas sociais só não são tangenciais para as empresas, como são fundamentais. De um ponto de vista defensivo, as empresas que ignoram o sentimento público tornam-se vulneráveis a ataques. Mas as pressões sociais podem igualmente funcionar como indicadores precoces de factores-chave para a lucratitividade das empresas. (...) São muitos os exemplos do impacto de longo prazo dos temas sociais., e o seu número cresce rapidamente. No sector farmacêutico, uma tempestade de pressões sociais nas últimas décadas - decorrente de percepções de preços excessivos cobrados por medicamentos para a Sida nos países em desenvolvimento, por exemplo - está-se agora a transformar num estreitamento geral (e por vezes indiscriminado) do quadro regulatório. Outro exemplo ocorre no sector da restauração, onde o antigo e crescente debate sobre a obesidade está a resultar em pedidos de maior controlo sobre o mercado de comidas não saudáveis»

Mas Ian também levanta dúvidas sobre a atitude dos defensores do CSR:

«A sua popularidade (...) derivou em grande medida de uma série de campanhas anti-empresariais de final dos anos 90. Por outro lado, receberam um forte impulso dos movimentos anti-globalização dessa altura. Desde então as empresas passaram a dar mais atenção ao CSR, atraídas por noções sonantes, ainda que vagas, tais como a "triple bottom line": a ideia de que as empresas podem estar tanto ao serviço de objectivos sociais e ambientais como dos lucros. Esta atitude tem sido encarada pelas empresas como um modo de evitar a artilharia das ONGs e potenciais ataques sobre a reputação, bem como um modo de mitigar as arestas mais afiadas do capitalismo. (...) A CSR apresenta uma agenda limitada para a acção empresarial porque não consegue captar a importância potencial dos temas sociais para a estratégia empresarial»

Documentos relacionados:

  • "A Ética na vida empresarial" - José H.S. Brito
  • "Ética Empresarial e Económica" (Introdução) - José Manuel Moreira
  • Código de Ética Empresarial disponível no site da Associação Portuguesa de Empresários e Gestores.
  • terça-feira, outubro 11, 2005

    A teoria económica que venceu a bomba atómica


    Thomas Schelling

    "O mais importante evento da segunda metade do século XX foi um que nunca chegou a acontecer". Com estas palavras, Thomas Schelling assinalou a "notável realização" de 50 anos sem guerra nuclear. Ninguém pode reclamar o respectivo mérito, mas Schelling não contribuiu menos do que qualquer outro para ajudar a evitá-la. Ele ajudou porque o compreendeu e o explicou brilhantemente, mudando o clima intelectual, inspirando uma geração de pensadores estratégicos e, quase incidentalmente, salvando da irrelevância a jovem disciplina da Teoria dos Jogos."

    Tim Harford, Financial Times
    "How an economic theory beat the atomic bomb"
    [ versão completa do artigo aqui ]

    2085

    «Se a ameaça do aquecimento global for real e se os seus efeitos forem devastadores, como muitos acreditam ser provável, um maior crescimento económico, ao aumentar as emissões dos gases que provocam o efeito de estufa, levará a danos maiores através da mudança climática. Por outro lado, ao aumentar a riqueza, desenvolvimento tecnológico e capital humano, o crescimento económico aumenta largamente o bem-estar humano, bem como a capacidade da sociedade para reduzir as mudanças climáticas através da adaptação ou da mitigação. Temos portanto aqui um quebra-cabeças: em que ponto, no futuro, é que os benefícios de se ser rico e tecnologicamente mais avançado serão anulados pelos custos de um mundo mais quente?»
    O quebra-cabeças equacionado desta forma no blogue The Commons, foi respondido por Indur Goklany no paper "Is a richer-but-warmer world better than poorer-but-cooler worlds?". O resultado é muito preciso: 2085, do ponto de vista do "bem-estar humano".

    Do ponto de vista do "bem-estar ambiental" a data pode ser prolongada, para alguns indicadores ambientais, até 2100.

    Indur Goklany, uma das mentes do "Cato Institute", é também autor do livro "The Precautionary Principle: A Critical Appraisal of Environmental Risk Assessment", onde "mostra que o absolutismo do movimento ambientalista não é a abordagem mais racional para a resolução dos problemas ambientais e manutenção da biodiversidade".

    Economia das redes

    "The Economics od Networks" - um texto de Nicholas Economides, também disponível em formato zip ou pdf.

    (Disponível no site: Economics od Networks)

    Arthur Seldon (1916-2005)

    Faleceu Arthur Seldon, fundador do Institute of Economic Affairs, um "think tank" conservador com sede em Londres. Seldon publicou 28 livros e monografias, incluindo o "Everyman's Dictionary of Economics" (com F.G. Pennance) e "Capitalism".
    Seldon estudou na London School of Economics, onde conheceu Arnold Plant e Lionel Robbins, bem como Friedrich Hayek, que o introduziu na Escola Austríaca.
    «Os indivíduos, nas famílias e nas empresas, trocam direitos de propriedade através do sistema de preços, em mercados, que coordenam biliões de transacções espontaneamente. Os indivíduos podem agir movidos pelo interesse próprio, mas a consequência é usualmente o interesse geral, porque as transacções não ocorrem normalmente a não ser que beneficiem ambas (ou todas) as partes. Nem o interesse próprio significa egoísmo: as pessoas agem por interesse próprio porque é o único que conhecem e que estão habilitadas a avaliar. Eles não podem conhecer os interesses dos outros melhor do que eles próprios - essa é a profissão dos políticos."»

    «... as quatro tarefas dos sistemas económicos em qualquer parte. Primeiro, eles devem desenvolver técnicas para avaliação de recursos escassos; segundo, devem desenvolver incentivos para concentrar nos métodos mais produtivos; terceiro, devem conceber os meios de agregar e distribuir informação sobre a eficiência relativa de usos alternativos; quarto, devem criar princípios de alocação da produção aos usos mais urgentes ou altamente avaliados. Ora, estes são precisamente os métodos e instrumentos desenvolvidos pelo mercado."»

    Capitalism (Oxford: Blackwell, 1991)

    O Nobel e os "códigos secretos" do Genesis

    O nome de Robert Aumann, um dos laureados deste ano com o Nobel da Economia, aparece ligado a uma polémica acerca dum presumível "código secreto" existente no Antigo Testamento(na Tora) e que teria sido possível descobrir através de rotinas de computador. Os segredos estariam contidos em frases constituídas por palavras posicionadas de forma equidistante (equidistant letter sequences - ELS) no livro do Genesis. O facto extraordinário contido nos "códigos secretos" seria o dessas palavras revelarem acontecimentos que só vieram a ocorrer muitos séculos depois.

    A polémica, paradoxalmente, nasceu no campo científico, com a publicação na revista "Statistic Science", em 1994, do estudo realizado por Doron Witzum e outros: "Equidistant letter sequences in the Book of Genesis", causando grande perplexidade na comunidade de cientistas. O artigo descreve uma experiência que parece mostrar uma notável proximidade entre os nomes de rabis e as suas datas de nascimento ou morte, no livro do Genesis.

    Na Internet vendem-se programas informáticos que "usam o mesmo método descoberto por cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém para descodificar acontecimentos e nomes do passado, do presente e do futuro, incluindo o seu próprio nome e o da sua família, os quais foram codificados na Bíblia há 3 mil anos".

    Noutra das versões que corre na Internet, por exemplo, diz-se que «a palavra Titanic aparece sete vezes na Tora, duas delas cruzada com uma palavra hebraica que significa 'afundado'. Jesus o Messias aparece codificado várias vezes. Yitzhak Rabin foi encontrado apenas uma vez, cruzado com assassino que assassinará.». O próprio Witzam é classificado como um judeu misterioso, especialista da Tora, académico ultra-ortodoxo, quase 'santo'.

    Em 1997 surgiu o inevitável livro "The Bible Code", escrito por Michael Drosnin.

    O nome do professor Aumann aparece ligado a esta controvérsia por ter apoiado a publicação do artigo de Witzum e ter-se confessado impressionado com o grau de precisão dos resultados, segundo ele muito maior do que muitas experiências científicas. Aumann propõe que se olhe para os factos sem preconceitos.

    Existe muita literatura sobre este assunto. Um caso conhecido é o da experiência em que se aplicou o mesmo método a outra obra - "Guerra e Paz", de Lev Tostoi - tendo-se obtido os mesmos resultados, e desta forma desmistificando o trabalho de Witzum: Equidistant Letter Sequences in Tolstoy's "War and Peace". Witzum respondeu aqui.

    Outro trabalho que contesta os "códigos secretos" é Solving the Bible Code Puzzle de Brendan McKay e outros. McKay mantém uma divertida página na Internet sobre a desmistificação dos "códigos" onde, por exemplo, se revela ter-se encontrado no livro "Moby Dick" previsões sobra a morte da princesa Diana e do autor do livro já referido, Michael Drosdin.

    Mesmo para aqueles que não perderiam tempo a analisar semelhante hipótese, por a considerarem disparatada, esta polémica tem uma outra relevância: se o método científico, aplicado com rigor matemático a um livro, comprova hipóteses ridículas mas que são consistentes e apresentam elevado grau de precisão, então pode ser o próprio método científico que está em causa. Dito de outra forma: quantas "descobertas" científicas, rigorosamente comprovadas, não terão a mesma consistência dos "códigos secretos"? Isso explicaria porque é que tantos cientistas se têm ocupado a contestar o rigor metodológico da experiência de Witzum. E explicaria também a perplexidade de Robert Aumann.

    segunda-feira, outubro 10, 2005

    Patentes: sim, mas...


       Petra Moser

    Petra Moser pegou nos registos de 15 mil inovações apresentadas na Feira Mundial do Palácio de Cristal (Londres, 1851) e na "Centennial Exhibition" (Filadélfia, 1876) para determinar o efeito das patentes na orientação da inovação. O argumento a testar era o seguinte: "se a actividade inovadora for motivada pelos lucros esperados, e se a efectividade das protecção por patentes varia de país para país, então a inovação em países sem leis de patentes deve convergir para sectores onde os mecanismos de protecção da propriedade intelectual são mais eficazes."

    A análise dos dados de 12 países em 1851 e 10 países em 1876 indica que os inventores em países sem regime de patentes se centraram num pequeno conjunto de sectores onde as patentes eram menos importantes (sendo a protecção assegurada por mecanismos tais como a confidencialidade das descobertas), enquanto que as inovações em países com protecção legal de patentes aparentemente diversificaram-se muito mais.

    A conclusão foi de que "as patentes ajudam a determinar a direcção das mudanças técnicas e que a adopção de um regime de protecção de patentes em países sem esse sistema pode alterar os actuais padrões de vantagem comparativa entre países." O estudo vem publicado na última edição da American Economic Review: "How Do Patent Laws Influence Innovation? Evidence from Nineteenth-Century World’s Fairs" (resumo). Uma versão anterior já tinha sido publicada em 2003 pelo NBER, podendo ser consultado integralmente aqui.

    No entanto (paradoxalmente ?) Petra Moser descobriu também que "países em desenvolvimento, como a Índia, que deverá aplicar integralmente um tratado internacional de patentes em 2005, poderão safar-se melhor sem um forte regime de potecção de patentes" - palavras de Brad DeLong, citando este artigo do NY Times.

    Diz Petra Moser: «Na Economia, ensinam-nos que as patentes criam incentivos para a inovação, mas muitas das melhores invenções naquilo que era a alta tecnologia daquela época veio de alguns dos mais pequenos países da Europa, os quais não tinham sistemas de protecção de patentes.»

    Que lições devem tirar então países como o Brasil, China, Índia e outros que estão a ser pressionados pelos países industrializados para criar fortes sistemas legais de protecção de patentes?

    «Tentamos forçar a adopção da protecção de patentes nos países em desenvolvimento, dizendo-lhes: "Isto é o melhor para vocês". Depois surpreendemo-nos quando eles dizem que não querem essas leis. Mas eles têm alguma razão: essas leis podem, na realidade, obstruir a inovação nesses países.»

    Esta investigação, e a correspondente tese de doutoramento "Determinants of Innovation: Evidence from Nineteenth-Century World Fairs", valeram a Petra Moser o prémio "Alexander Gerschenkron" da Economic History Association, em 2003.

    Nobel da Economia para a Teoria dos Jogos

    O Nobel da Economia de 2005 foi atribuído a:
  • Robert J. Aumann, da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel)
  • Thomas C. Schelling, da Universidade de Maryland (EUA)
    "por terem melhorado a nossa compreensão das situações de conflito e cooperação, através da Teoria dos Jogos".

    A Teoria dos Jogos já justificara, em 1994, a atribuição do Nobel a John C. Harsanyi, John F. Nash Jr. e Reinhard Selten.

    links: | Nobel prize.org | anteriores laureados |

    Robert J. Aumann (n. 1930) tem sido uma das figuras mais destacadas na corrente matemática que caracteriza a economia Neo-Walrasiana e a Teoria dos Jogos.

    Aumann entrou na Economia através da teoria dos jogos cooperativos. No seio da teoria Neo-Walrasiana, é talvez melhor conhecido pela sua teoria da equivalência nuclear [core equivalence] numa economia em continuum. Aumann introduziu a mensuração na análise das economias com um número infinito de agentes - formalizando o cenário "perfeitamente competitivo". No seu texto clássico de 1964, "Markets with a Continuum of Traders", Aumann provou a equivalência entre a teoria Edgewortiana e o equilíbrio Walrasiano para um incontável número de agentes - dessa forma fornecendo o caso limite para futuro desenvolvimento da convergência nuclear [core convergence] .

    De modo a garantir que este resultado era válido, Aumann teve de provar a existência de equilíbrio (1966) neste cenário "perfeitamente competitivo". Ao mesmo tempo contribuiu para a própria teoria matemática ao fornecer uma definição de "integral" de uma correspondência (1965).

    Aumann abordou a Teoria dos Jogos em 1959 ao contribuir para a clarificação da distinção entre jogos repetidos infinita e finitamente. Em 1960, com Bezalel Peleg, Aumann formalizou a noção de jogo de coalizão sem utilidade transferível (NTU) - um dos faróis-guia das suas posteriores investigações. Com Michael Maschler (1963), introduziu o conceito de "bargaining set". Em 1974 identificou o "equilíbrio correlacionado" (ou não-independente) em jogos Bayesianos. Em 1975 provou o teorema da convergência para o Valor de Shapley. Em 1976 definiu formalmente o conceito de "conhecimento partilhado" ("Common Knowledge").

    Aumann já tinha sido galardoado com o Erwin Plein Nemmers Prize in Economics em 1998.

    [ Crédito: History of Economic Thought ]



    artigos:
  • "Conditioning and the Sure-Thing Principle"
  • "Consciousness"
  • "Musings on Information and Knowledge"
  • "When All is Said and Done, How Should You Play and What Should You Expect?"
  • "Analyses of the 'Gans' Committee Report"
  • "Findings of the Committee to Investigate the Gans-Inbal Results on Equidistant Letter Sequences in Genesis"
  • "Assessing Strategic Risk"
  • "The Absent-Minded Driver"
  • "Reasoning About Knowledge in Economics" (resumo)

  • Thomas C. Schelling (n. 1921) doutorou-se em Harvard. Colaborou no Plano Marshall, entre 1948 e 1953. Leccionou na Universidade de Yale e em Harvard desde 1958. A partir de 1990 começou a leccionar na Universidade de Maryland. Foi presidente da American Economic Association em 1991.

    Schelling é um pesquisador eclético. Abordou uma ampla gama de assuntos, tais como a estratégia militar, o controlo de armas, a economia do meio ambiente, a questão racial, os arsenais nucleares - além de outros assuntos relacionados com a ética. É um pensador de direita. Num dos seus estudos ["Who Benefits..." - ver mais abaixo] Schelling desencoraja maiores esforços para reduzir o aquecimento global, pois tais esforços ajudariam apenas os países pobres, dependentes de recursos naturais, etc...
    [ Crédito: Economistas ]


    obras principais:

  • The Strategy of Conflict", 1960. (ver recensão)
  • "Arms and Influence", 1976
  • "Micromotives and Macrobehavior", 1978
  • "Thinking Through the Energy Problem", 1979
  • "Incentives for Environmental Protection", 1983
  • "Choice and Consequence", 1985
  • "Strategy and Arms Control", 1986
  • "Bargaining, Communication and Limited War", 1993

    artigos:
  • "Experimental Games and Bargaining Theory", 1960, World Politics.
  • "Who Benefits from the Long-Term Effort to Slow Global Warming and Who Should Participate?"
  • "Some Economics of Global Warming"

    links:
  • página oficial na Universidade do Maryland

  • reacções da blogosfera:

  • No Aforismos e Afins: Tiago Mendes escreve: "É dificil descrever a emoção de ver Schelling ganhar o Nobel. Quando o "reinvidiquei" aqui, foi mesmo uma declaração a "pedir justiça", mais do que uma "aposta". Acho que só senti um arrepio assim quando, já há alguns anos (depois de acordar de propósito às 6h da manhã), vi em directo Benigni ganhar o Oscar com "A vida é bela".

    "E Robert Aumann, claro, fica muito bem ao lado de Thomas Schelling. Depois duma noite eleitoral emocionante, (mais) um (mais que merecido) Nobel para a "Teoria dos Jogos" é mais que motivo para festejar!."

    No blogue A Mão Invisível, Tiago Mendes, depois de descrever um artigo do economista agora laureado, perguntava: "Para quando o Nobel para Schelling?"

  • Em A destreza das dúvidas L. Aguiar-Conraria escreve, a propósito do Nobel, sobre... Tiago Mendes, precisamente.

  • No Crooked Timber, Kieran Healy adianta: "do ponto de vista de um outsider, e especulando um pouco politicamente, o resultado parece ser um modo equilibrado de marcar a ascensão da Teoria dos Jogos na Economia. Embora o trabalho de Schelling seja analiticamente apurado (e o próprio Schelling é famoso pela sua fina argumentação) esse trabalho não é apresentado de modo tecnicista: podemos sentar-nos calmamente e ler os seus ensaios. Aumann, por outro lado, representa uma ala muito mais matematizada, com demonstração de teoremas e desenvolvimento de novas ferramentas conceptuais com propriedades formais precisas."

  • No Roger Jacob, Roger escreveu: "No seu livro "The Strategy of Conflict" (A estratégia do conflito), Schelling ampliou a Teoria dos Jogos como método a ser utilizado para as ciências sociais. Este cientista, de 84 anos, demonstrou que na corrida armamentista nuclear a capacidade de represália é mais eficiente do que a capacidade de resistir a um ataque, e que a ameaça de uma represália incerta é mais eficaz do que uma ameaça precisa. Schelling considera que as suas conclusões, extraídas da análise da Guerra Fria, podem ser aplicadas à análise do comportamento dos agentes económicos em determinadas circunstâncias.

    "Aumann, de 75 anos, demonstrou que a cooperação se produz com maior facilidade se a relação entre indivíduos ou grupos existe a longo prazo e se se trata de um encontro único. Por isso, as análises de jogos de curta duração são muito restritas."
  • Felicidade Nacional Bruta

    Felicidade Nacional Bruta ?

    Em português a expressão não resulta muito esclarecedora, já que o adjectivo "bruto" tem uma associação negativa com algo "grosseiro", "violento"[1]. Porém, a FNB parece ter uma conotação muito mais benigna. O conceito surgiu em 1972, no reino do Butão, pela voz do rei Jigme Singye Wangchuck, que se teria inspirado na filosofia budista. Consequentemente, a política daquele país tem sido definida em função do objectivo da realização pessoal dos indivíduos e da sua felicidade, baseando-se em valores não materiais.

    O New York Times publicou agora o artigo "A New Measure of Well-Being From a Happy Little Kingdom", onde se refere que "um crescente número de economistas, cientistas sociais, lideres empresariais e administrativos, tenta criar uma medida de desenvolvimento que não se resuma aos fluxos monetários (como acontece com o PNB) mas que inclua também os cuidados de saúde, o tempo livre passado com a família, a conservação dos recursos naturais e outros factores não económicos". [2]

    A acompanhar o artigo vem o seguinte gráfico que relaciona o PNB per capita com a felicidade apercebida pelos cidadão de diferentes países - infelizmente, parece que Portugal não consta do gráfico. Apesar de não haver países "ricos e infelizes", existem "ricos e felizes", "pobres e infelizes", bem como "pobres e felizes".

    Existe uma página na Internet especificamente dedicada à Felicidade Nacional Bruta.



    [1] - Naquele contexto, o significado é apenas o de considerar uma verba na sua totalidade, antes de se realizar algum tipo de dedução. Depois de realizadas as deduções, o resultado é classificado como "líquido". Desta forma, temos o "Produto Nacional Bruto" e, depois de deduzidas as amortizações de capital, o "Produto Nacional Líquido"; temos o "ordenado bruto" e, depois de deduzidos os descontos, o "ordenado líquido".
    [2] - O conhecido Índice do Desenvolvimento Humano resultou igualmente do desejo de ultrapassar as limitações do PNB. Para além de considerar a riqueza material, o IDH inclui indicadores relativos à esperança de vida e nível educacional.

    domingo, outubro 09, 2005

    Reembolsos orçamentais

    O governo canadiano está a tentar aprovar uma nova lei (Surplus Allocation Act) segundo a qual, sempre que ocorra um excedente orçamental superior a três mil milhões de dólares canadianos, a diferença deve ser obrigatoriamente destinada, em partes iguais, a (1) redução da dívida, (2) desenvolvimento de novas políticas sociais e (3) devolução à população juntamente com os reembolsos fiscais [ notícia do jornal Público ].

    Segundo o Globe and Mail, a divisão seria feita em partes iguais entre: (1) redução de impostos, (2) redução da dívida pública e (3) realização de novas despesas.

    Esta iniciativa legislativa é uma resposta às críticas de que o governo subavalia sistematicamente os excedentes orçamentais para, depois, utilizar as receitas de acordo com a sua agenda política.

    Noticia também na CBC News.


    Investimento directo estrangeiro

    O World Investment Report de 2005 da UNCTAD, considera que o acréscimo do fluxo de investimento directo estrangeiro (IDE) para os países em desenvolvimento, verificado em 2004 e após 3 anos de tendência decrescente, revela uma inversão significativa. De facto, o acréscimo foi de 40 %. A China foi o país em desenvolvimento que recebeu a maior parcela de IDE.

    Em contrapartida, o fluxo de IDE para os países desenvolvidos sofreu uma quebra de 14 %. O resultado destas duas tendências foi que a fatia dos países em desenvolvimento no IDE mundial subiu, em 2004, para 36 % - o nível mais alto desde 1997.

    Milhares de milhões de dólares
    região/país1993-98
    média
    anual
     1999  2000  2001  2002  2003  2004 
     Economias desenvolvidas256,2849,11134,3596,3547,8442,2380,0
       Europa147,3520,4722,8393,9427,6359,4223,4
          União Europeia140,3501,5696,3382,6420,4338,7216,4
       EUA86,1283,4314,0159,571,356,895,9
       Japão1,312,78,36,29,26,37,8
          Outras21,532,589,236,739,619,652,9
     Economias em desenvolvimento138,9232,5253,2217,8155,5166,3233,2
       África7,111,99,620,013,018,018,1
       América Latina e Caraíbas47,9108,697,589,150,546,967,5
       Ásia83,4111,6145,7108,692,0101,3147,5
       Oceania0,40,40,30,10,00,10,1
     Europa oriental (sul)1,63,73,64,53,88,410,8
     CIS5,06,85,57,39,015,724,1
     Mundo401,71092,11396,5825,9716,1632,6648,1

    Relativamente aos às regiões e países de origem destes fluxos, a União Europeia mantém a posição cimeira, embora os EUA tenham registado uma subida vertiginosa (mais 92 %) enquanto que a União Europeia sofreu um decréscimo de 25 %.

    Este é o retrato estatístico do problema que estamos a assistir em Portugal: a diminuição do investimento estrangeiro e a deslocalização das empresas para os países em desenvolvimento.

    Milhares de milhões de dólares
    região/país1993-98
    média
    anual
     1999  2000  2001  2002  2003  2004 
     União Europeia200,8724,6813,4433,9384,5372,4279,8
     EUA92,3209,4142,6124,9134,9119,4229,3
     Japão21,422,731,638,332,328,831,0
     Outros países
    desenvolvidos
    21,518,552,547,735,839,167,6

    Documentos (formato pdf):
  • relatório completo
  • resumo
  • Portugal
  • Blogue do Banco Mundial

    O Banco Mundial e a sua associada International Finance Corporation já têm um blogue: o "Private Sector Development Blog" .

    Inclui notícias sobre programas do Banco Mundial e de países em desenvolvimento, bem como documentos do BM e de outras instituições. Há um link para o World Investment Report de 2005 da UNCTAD (relatório completo, em pdf e resumo), em pdf.

    "Socialismo" americano ameaçado

    Um dos países que mais financia, com subsídios públicos directos, o seu sector agrícola, são os EUA - uma grande contradição que os extremistas defensores da total liberdade económica se "esquecem" frequentemente de mencionar - em geral é à Política Agrícola Comum da UE que esses fanáticos gostam de rosnar.

    Mas talvez tenha chegado a altura de os EUA provarem do remédio que tanto gostam de prescrever aos outros. O Financial Times dá conta de que a administração americana admitiu que o país precisa de «pensar para além dos limites da actual política agrícola». Segundo o FT isto é um sinal de que o governo americano está prestes a reconsiderar décadas de uma política de subsídios directos aos seus agricultores (Artigo completo aqui).

    O governo americano reconhece que é o seu posicionamento face à Organização Mundial do Comércio que o obriga a enfrentar este problema: o responsável governamental pela Agricultura, Mike Johanns, admitiu que «Em breve, teremos de decidir entre acolher uma nova era na agricultura ou continuar a confiar numa política agrícola que foi concebida há 75 anos, quando a face da agricultura era muito diferente. Se formos para a Organização Mundial do Comércio, timidamente, com um programa agrícola do passado, podemos antever um futuro a jogar à defesa para poteger a nossa fatia no comércio mundial, estando sempre à espera de qual será o nosso programa agrícola a ser contestado a seguir.»


    sábado, outubro 08, 2005

    Salmão voador


    O que acham deste salmão? Se observarem com atenção, verão que se trata de um avião da "Alaska Airlines", pintado para celebrar e promover o valor da comida de origem marinha do Alaska - veja aqui outra foto . Parece que a pintura vai custar uns 500 mil dólares aos contribuintes americanos, já que vai ser suportado pela "Alaska Fisheries Marketing Board", uma instituição financiada pelo governo.

    Este é um dos casos "denunciados" pelo Club for Growth, uma "rede nacional de mais de 30 mil homens e mulheres que acreditam que a prosperidade e oportunidades nascem da liberdade económica". Entre os objectivos específicos deste grupo contam-se: "fazer com que os cortes de impostos de Bush sejam permanentes" e " cortar e limitar os gastos publicos".

    [ via Coyote Blog ]

    Palpites para o Nobel

       Apostas no "Trade sports.com"

    Economistasíndice
     Paul Romer 23,1
     Peter A. Diamond 16,7
     Paul Krugman 14,3
     Elhanan Helpman 12,5
     Paul Milgrom 11,1
     Edmund S. Phelps 10,0
     Ernst Fehr 10,0
     Edward P. Lazear 7,7
     Lars Svensson 6,7
     Thomas J. Sargent 6,0


    Outros palpites:

  • "Guardian" (Robert Barro, Jagdish Bhagwati, Eugene Fama, Paul Krugman ou Paul Romer)
  • "New Economist" (Barro, Romer, ou Fama)
  • voluntaryXchange (Bhagwati, Avinash K. Dixit, Helpman, Gene M. Grossman, Krugman)
  • O Insurgente (Israel Kirzner)
  • A Mão Invisível (Barro)
  • Cenas laborais edificantes

    Num escritório trabalhavam: uma morena, uma ruiva e uma loira, tendo como patroa e chefe uma senhora que, todos os dias, saía sempre mais cedo e já não regressava ao trabalho. Um belo dia decidiram aproveitar a situação e passar a sair também mais cedo, pois a chefe dificilmente o descobriria.

    A morena voltou para casa, fez jardinagem, brincou com o filho e deitou-se cedo. A ruiva aproveitou para ir a um spa antes dum encontro para jantar. A ruiva ia toda contente para casa, na expectativa de fazer uma surpresa ao marido, mas quando lá chegou, ouvindo um barulho no quarto, aproximou-se, abriu lentamente a porta e espantou-se quando o viu deitado com a chefe dela - nem mais!. Calmamente, fechou a porta e saiu de casa para só regressar à hora habitual.

    No dia seguinte, quando a morena e a ruiva se preparavam outra vez para sair mais cedo, perguntaram à loira: "Então, não aproveitas hoje?"

    "Eu?" - disse a loira - "Nem pensar! Então ontem ia sendo apanhada!"

    Via "The Conspiracy..."

    "Economic blogs"

    Blogues com o tag "economics", classificados pelo Technorati de acordo com o número de links:

    Blogue  links  Sites
      ligados  
      1. Wizbang 10.888 2.011
      2. Marginal Revolution 5.809 1.519
      3. Part Time Pundit 4.823 710
      4. ProfessorBainbridge.com 4.790 1.293
      5. Eric's Grumbles Before The Grave 2.234 219
      6. The Conspiracy to Keep You Poor and Stupid  1.122 324
      7. Coyote Blog 906 266
      8. Uncle Jack's 899 235
      9. Economist's View 694 119
      10. Mahalanobis 573 167
      11. Environmental Economics 420 124
      12. Right Side of the Rainbow 394 320
      13. Division of Labour 380 132
      14. Ideological Quagmires 312 163
      15. Abstract Dynamics 292 125
      16. Back Seat Drivers 288 107
      17. Capital Region People 257 84
      18. Progressive U 233 62
      19. The J Spot 214 73
      20. mnot’s Web log 209 96
      21. The Liberal Order 178 44
      22. theWatt: Energy News and Discussion 143 61
      23. The Idea Shop 143 53
      24. NEI Nuclear Notes 127 42
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      26. Financial Rounds 109 52
      27. Institutional Economics 105 47
      28. Magic Statistics 81 50
      29. Within / Without 48 37
      30. The Liberal Order 44 32
    Na realidade trata-se, em quase todos os casos, de blogues "políticos". O primeiro classificado que pode verdadeiramente ser considerado como "económico" é o "The Conspiracy to Keep You Poor and Stupid"

    sexta-feira, outubro 07, 2005

    Vinho novo


    Enquanto nos entretemos a dizer mal e a despromover o nosso próprio país, outros não se importam de o qualificar. Segundo Eric Asimov, crítico do New York Times, «Portugal vai ser "a próxima grande onda" no mercado internacional de vinhos.» Asimov classifica os vinhos portugueses como "honestos, distintos e de uma enorme qualidade". (Diário de Notícias)
    «Durante muitos anos, quando se falava de vinhos portugueses, pensava-se em Mateus e Lancer's, rosês baratos conhecidos por provocar monumentais ressacas, que constituíam um rito de passagem para um certo grupo etário, equivalente a comprar aquele primeiro disco de Jimi Hendrix ou assegurar que se tinha estado em Woodstock. Durante a maior parte do século XX os portugueses limitaram-se a fazer e a beber vinhos que não se destacavam. Poucos deles eram exportados, o que podemos agradecer, já que não eram lá grande coisa.

    «Mas depois de Portugal ter entrado na União Europeia, em 1986, aquele sector reinventou-se a si próprio, substituindo equipamento desactualizado, modernizando os métodos vinícolas e melhorando as técnicas vitícolas. Hoje, Portugal é uma fonte de vinhos distintos, que podem constituir excelentes valores, e alguns dos melhores tintos portugueses vêm do Porto, a zona mais conhecida como a casa do vinho do Porto.»

    | Eric Asimov | artigo |