| Diário de Notícias de hoje: Ou seja: se ainda não sabe se compra ou aluga, deduz-se que ainda não fez as contas todas. Mas já sabe que são 14 meios aéreos - quatro aviões pesados e dez helicópteros, que estarão activos de Janeiro a Dezembro! | ![]() |
| Em rigôr, a única coisa que o governo decidiu foi o aumento da despesa pública, pois anulou o conceito de "época de incêndios" e, por isso, arriscamo-nos a ter 14 meios aéreos permanentemente disponíveis (comprados ou alugados) à espera que haja fogo. Eu disse 14? Desculpem lá: Chama-se a isto atirar dinheiro para cima dos problemas. Tem razão o povo: não há fome que não dê em fartura. Vamos a ver é se não acontece o oposto: que tanta fartura não resulte, depois, em fome... | |
quarta-feira, setembro 07, 2005
Viva a despesa pública!
terça-feira, setembro 06, 2005
Défice comercial agrava-se
| «Nos seis primeiros meses de 2005 as saídas e as entradas registaram um aumento de +0,3% e de +3,1% respectivamente, determinando uma variação homóloga do défice da balança comercial de 8,5%.» INE - Estatísticas do Comércio Internacional
O maior aumento no conjunto das importações ocorreu na factura petrolífera (+ 38 %); também foi no capítulo dos combustíveis e lubrificantes que se verificou o maior acréscimo de exportações (+ 35%) mas o repectivo peso é muito inferior ao das exportações: 7 vezes inferior. Confirma-se assim que o desejado motor da nossa recuperação económica - as exportações - continua "gripado". Estamos a racionar o consumo de água, mas não sei se não seria melhor racionar antes a gasolina... | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Para professores de Economia
| "The Handbook for Economics Lecturers" (Disponível no site da Economics Network, um centro que disponibiliza apoio a professores de economia no Reino Unido.) |
Polícias a pilhar ?
| Polícias a pilhar bens no caos provocado pelo Katrina? O relato encontra-se no MSNBC-TV, que transcreve a conversa entre o jornalista Martin Savidge e as pessoas que ele estava a filmar, num ambiente de pilhagem num armazém da Wall-Mart em Nova Orleães. O ambiente é surpreendentemente descontraído, as pessoas escolhem as roupas com calma e algumas dizem que foi a polícia que os aconselhou a tirar os bens. E Savidge cruza-se mesmo com duas mulheres-polícia que transportam um carrinho com sapatos e roupa. Quando vê a câmara, uma das mulheres afasta-se do carrinho e mantém um diálogo que, no fim, parece conter uma ameaça ao próprio jornalista. |
«(...)
Savidge: Olá. O que é que está a fazer aqui?
Mulher-polícia: Faço o meu trabalho.
S.: Levando sapatos ?
MP.: Não. Ando à procura de pilhadores.
S.: À procura de pilhadores? E o que vai fazer para os encontrar? Porque eu penso que os estou a ver...
MP.: É tudo o que posso fazer, por agora.
S.: Olhe à volta. Eles estão à nossa volta.
MP.: É o que eu vejo. Incluindo você.
S.: Eu não me apropriei de nada, minha senhora.
MP.: Mas você está na loja.»
| O link do video é: http://www.riotvideo.com/videodir/762131585899154935.wmv e foi recolhido na página do Riot Video. Uma outra situação é referida aqui (ficheiro pdf). |
Há dias assim!
Ainda a guerra dos sutiãs
| A UE e a China chegaram a um acordo, dir-se-ia, salomónico, "fifty-fifty", ou seja: as mercadorias que ultrapassam as quotas entram na Europa (vitória da China e da Europa do Norte) mas metade delas abatem nas quotas do próximo ano (meia-vitória da Europa do Sul). Como diriam os anarquistas, referindo-se àquilo que os sutiãs suportam: "mais vale uma na mão do que duas a voar". Jornal de Notícias: «O acordo, obtido a escassas horas do início de uma cimeira UE-China, prevê a partilha entre as duas partes dos custos da comercialização, no mercado europeu, de cerca de 80 milhões de peças de vestuário e tecidos importados da China, a que havia sido negada a entrada na UE devido ao esgotamento das quotas relativas a sete de dez categorias de têxteis "made in China", negociadas, em Junho, pelo Acordo de Xangai, em vigor até 2007. «O documento ontem assinado determina que a China transferirá cerca de metade dos produtos (40 milhões) para as quotas do próximo ano, o que implica a redução das taxas de crescimento das suas exportações de "soutiens", calças e camisolas para a Europa, em 2005 e 2006, de 10 para 7,5%.» O acordo ainda terá de ser ratificado pelos países europeus. ![]() |
dia d
O jornal "Público" vai passar a apresentar os seus suplementos de Economia e Computadores sob a forma de uma única revista, acompanhando a edição das segundas-feiras; o novo formato estreia-se no próximo dia 19 de Setembro. Pelas indicações dadas na edição de hoje adivinha-se que, paralelamente aos artigos especializados, a revista procurará abranger um público mais amplo recorrendo a uma marketing "pop". Por exemplo: uma simulação da capa da revista apresenta como títulos: "Aprenda a Investir em 10 Lições" e "Os Economistas Estão Loucos". «Queremos, através de uma informação mais atenta às necessidades diárias e, simultaneamente, mais próxima das necessidades comuns, acabar com a ideia de que a economia é um tema "hermético" ou "só para especialistas".» - escreve o "Público" |
segunda-feira, setembro 05, 2005
Deamonte Love, família e amigos
(...) No centro de gestão da crise as crianças receberam comida de cafetaria e caíram num sono profundo. Deamont revelou as suas estatísticas vitais: disse que o seu pai era alto e a mãe baixa. Deu a morada, telefone e nome da sua escola. Revelou que o garoto de 5 meses era o seu irmão, Darynael, e que dois outros eram seus primos, Tyreek and Zoria. Os outros três viviam no mesmo prédio de apartamentos. As crianças estavam limpas e saudáveis - gorduchinho, no caso do mais novo. Joyce Miller, uma enfermeira que os examinou, achou que "tinham tomado bem conta dos miúdos". O bebé estava "gordo e feliz". Toda a tarde e Quinta-feira, enquanto as equipas de socorro se deslocaram até à cidade inundada, o voluntário Ron Haynes brincou com uma das miúdas de 2 anos até que estivesse suficientemente calma para jantar. "Esta criança estava aterrorizada," disse ele. "Depois de ter acalmado, ficou esfomeada, esfomeada, esfomeada." À medida que informações pouco confortantes chegavam da cidade, uma mulher desatou a chorar ao pensar que as crianças teriam sido abandonadas em Nova Orleães. Nessa mesma noite receberam uma notícia encorajadora: uma mulher do abrigo de Thibodeaux andava à procura de um grupo de sete crianças: as pessoas começaram a bater palmas. Mas quando falaram com a mãe ao telefone perceberam que se tratava de uma outra família. As crianças foram transferidas para um abrigo gerido pelo Departamento dos Serviços Sociais (DSS), com quartos cheios de brinquedos e berços onde responsáveis do Big Buddy Program estavam dia e noite. Nos dois dias seguintes os responsáveis andaram a fazer trabalho de detective. Uma das miúdas de dois anos recusou-se a dizer o seu nome, até que uma das auxiliares lhe tirou uma fotografia com uma câmara digital e lhe mostrou. A criança apontou a fotografia e gritou: "Gabby!" Um dos rapazes - de cabelo encaracolado - tinha um G na sua T-shirt quando chegara. Quando os voluntários começaram a chamar-lhe "G", repararam que ele reagia. Deamonte começou a dar mais detalhes a Derrick Robertson, um monitor do Big Buddy Program: como vira a mãe chorar quanto o colocaram no helicóptero. Como lhe prometeu que tomaria conta do irmão mais pequeno. Sabado à noite, já tarde, encontraram finalmente a mãe de Deamonte, que estava num abrigo em San Antonio (Texas), juntamente com as quatro mães das outras cinco crianças. Catrina Williams, de 26 anos, vira as fotografias das crianças num website disponibilizado durante o fim-de-semana pelo National Center for Missing and Exploited Children No domingo, um avião privado da Angel Flight aguardava para levar as crianças para o Texas Numa entrevista por telefone, Williams disse que ela é o tipo de mãe que não deixa as crianças fora de vista. O que acontecera na terça-feira, depois do furacão, foi que a sua família, bloqueada num edifício de apartamentos, começou a ficar desesperada. A água não descia e encontravam-se sem electricidade, comida ou ar condicionado, durante 4 dias. As crianças necessitavam de leite e o leite acabara. Então decidiu que teriam de sair dali. Quando chegou um helicóptero, disseram-lhes para enviar primeiro as crianças e que regressariam em 25 minutos. Ela e as vizinhas tiveram de decidir rapidamente. Foi um momento difícil. O pai de Williams, Adrian Love, disse-lhe para deixar ir as crianças adiante. "Eu disse-lhes para irem primeiro, porque eu daria a minha vida pelos meus filhos. Eles devem sentir do mesmo modo", disse Love, de 48 anos. Todos choravam. "Eu disse: deixem ir as crianças". A sua filha e as amigas seguiram o conselho. "Fizemos o que tinhamos de fazer pelos nossos filhos, porque os amamos" disse Williams. Mas o helicóptero não voltou. Enquanto as crianças eram levadas para Baton Rouge, os pais acabaram por ir parar ao Texas, e embora tivessem garantido a Williams que a família seria reunida, passaram dias sem qualquer contacto. Finalmente, no Domingo, pôde dar largas à sua alegria. "Tudo o que sei é que quero ver os meus filhos," disse ela. "O resto não interessa nada." Às 3 da tarde de Domingo o pessoal da DSS disse adeus às sete crianças que agora já tinham nomes: Deamonte Love, Darynael Love, Zoria Love e o irmão Tyreek. A miúda que gritara "Gabby!" era Gabrielle Janae Alexander. A miúda a quem chamavam "Peanut" era Degahney Carter. E o rapaz a quem chamavam "G" afinal era Leewood Moore Jr.» (Ellen Barry - LA Times) |
Bourbon Street Blues

«Troy Tallent, de 49 anos, senta-se no seu amplificador portátil, à espera de algumas moedas, enquanto os riffs de blues da sua guitarra Pignose ecoam pelas ruas agora desertas, mas que nem há 10 dias ainda fervilhavam com turistas. "Vou ficar por cá, adoro esta cidade, vim por causa da música e ficarei por causa dela. Aceito o bom e o mau." Apenas se vê um punhado de residentes do elegante bairro que foi largamente poupado pelo furacão Katrina e a subsequente inundação. "Não estou a ganhar muito, apenas um dólar ou dois. Tento arranjar alguns antibióticos para a minha companheira, que está doente", disse o músico, que revelou estar a planear gravar um disco com Willy De Ville, em Amsterdão. "Toco aqui, quer me corra bem ou não. Às vezes faço algum dinheiro, outras vezes não. Agora não estou a conseguir grande coisa." Tallent disse que ele - tal com dezenas de milhares de outros residentes de Nova Orleães - não abandonou a cidade porque tinha de tomar conta da mulher, do cão, do gato e da casa. "Também toco em clubes da Bourbon Street, mas adoro tocar nas ruas porque aqui encontro pessoas fantásticas."» (In The Tocqueville Connection. Também referido pelo Jornal de Notícias.) Ouça Troy Tallent e Wally Kay em "I Ain't Superstitious" e "No Soap, No Hope Blues" (Crédito: "A Bass Place"). Links das músicas: http://www.ouidouxjazz.com/mp3/winecellar14.mp3 http://www.ouidouxjazz.com/mp3/winecellar15.mp3 |
Um blogue na tempestade
Ela própria relata a experiência numa carta ao Washington Post onde escreve que «Estes blogues já não pertencem aos autores mas sim à comunidade, como mecanismo centralizado de comunicação e conforto em face dos desastres naturais. Eles completam a cobertura de vários modos. «Em primeiro lugar, representam um ponto de vista alternativo a partir do qual cada um pode aprender acerca da situação. Pode-se ligar o noticiário e ver os jornalistas fustigados pela tempestade. Pode-se ler jornais e encontrar fotografias do Katrina. Ou pode-se ter acesso directo para uma sala de estar no âmago da tempestade e acompanhá-la pela leitura do relato do bloguer. «Em segundo lugar, os bloguers cobrem uma larga área geográfica, relatando com maior rapidez do que os jornalistas. Imaginem o noticiário televisivo sem a programação horária ou o processo de produção de notícias: é com essa rapidez que os bloguers podem disseminar a informação. «Nós, os cidadãos no seio dos acontecimentos, não pretendemos substituir o jornalismo. Não temos recursos para isso. Mas podemos fornecer relatos na primeira pessoa sobre o que está a acontecer.» E conclui: «Blogar não vai mudar o mundo em crise, mas vai torná-lo mais humano.» A mesma Kaye D. Trammell escreveu (em co-autoria) um artigo sobre a questão sexual na blogosfera: "Does Gender Matter? Examining Conversations in the Blogosphere.", e um outro sobre o impacto da blogosfera no ensino: "Content Delivery in the Blogosphere" (já referido pelo Ponto Media). Outros blogues que fazem cobertura do Katrina: John's Online Journal | Bulletin Blog 2 | Texas Tech Students for Hurricane Relief | New-Orleans-Hurricane.com | Hurricane Help | Hurricane Watch | Deadly Katrina (onde se encontra esta fotografia de autocarros escolares retidos pela inundação, que poderiam ter sido utilizados para a evacuação preventiva) | |
Consequências económicas

| Diário Económico: «O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, disse hoje que não prevê que o furacão 'Katrina' tenha grande impacto sobre as economias da América latina, para as quais estima um crescimento de 5%, ou mais, em 2005.» Diário de Notícias: «O custo dos prejuízos provocados pelo Katrina poderá ultrapassar os 100 mil milhões de dólares, e as seguradoras deverão ser obrigadas a pagar 35 mil milhões de dólares, segundo as estimativas de uma empresa especializada na gestão de catástrofes, Risk Management Solutions (RMS).» Guardian Unlimited: «O furacão serve para recordar que o petróleo costuma encontrar-se em locais difíceis. Quando não é a instabilidade política do Médio Oriente ou o risco financeiro da Rússia, é o Katrina.» Financial Times: «Parte do problema é a própria magnitude dos danos, que ainda não foram totalmente avaliados. Existem também as fragilidades económicas subjacentes a uma região emprobrecida que depende de umas poucas indústrias chave. No pior dos cenários, alguns economistas especulam que muitos negócios e cidadãos poderão decidir simplesmente pegar no dinheiro do seguro e começar de novo noutro lugar, em vez de reconstruir.» Economist's View: «A economia dos EUA deve sofrer apenas um "modesto" impacto do furacão Katrina, embora as regiões directamente atingidas venham a sofrer, disse um quadro superior da Casa Branca.» |
domingo, setembro 04, 2005
Kanye West acusa Bush de racismo
Durante um espectáculo televisionado para angariação de fundos para as vítimas do furacão Katrina, o cantor Kanye West ignorou o texto do teleponto e disse:«Abomino o modo como eles nos retratam [aos negros] nos média. Se vemos uma família negra diz-se que estão a pilhar, se vemos uma família branca dizem que andam à procura de comida. E, como sabem, já passaram 5 dias, porque a maioria das pessoas são negros, e mesmo eu queixar-me seria uma hipocrisia porque eu tento afastar-me da televisão, porque é muito difícil estar a observar. (...) aquelas pessoas são a minha gente (...) Já percebemos que muita gente que poderia ajudar está na guerra lutando de outro modo, e deram-lhes autorização para ir [a New Orleans] disparar sobre nós. George Bush não se preocupa com os negros»A transmissão foi cortada logo após a crítica ao presidente. A NBC, posteriormente, emitiu o seguinte comunicado: «Kanye West afastou-se dos comentários escritos que tinham sido preparados para ele e as suas opiniões não representam a posição da rede de televisão. Seria uma infelicidade se os esforços dos artistas que participaram hoje e a generosidade dos milhões de americanos que estão a ajudar os necessitados fossem obscurecidos pela opinião de uma única pessoa.»Ainda recentemente Kanye West tinha desencadeado uma outra polémica com uma entrevista onde apelava ao resto da comunidade rapper para abandonar a característica postura homofóbica. |
Bus driver

Jabbor Gibson, de 18 anos, nunca tinha guiado um autocarro mas, no meio do caos provocado pelo furacão Katrina, tomou conta de um, abandonado nas ruas de Nova Orleães, encheu-o com 100 pessoas e levou-as até ao alojamento de emergência de Houston - uma aventura que durou 7 horas. Mas agora o jovem condutor está a contas com a Polícia por ter roubado um autocarro escolar. Será que, se fosse um jovem branco, seria tratado como um herói? "Não me importo que me acusem pelo que fiz" disse Gibson, "desde que tenha salvo a minha gente." Via Boing Boing. A notícia original, no Poe News, refere a iniciativa como um "acto extremo de pilhagem" ("In an extreme act of looting, one group actually stole a bus to escape ravaged areas in Louisiana"). |
sábado, setembro 03, 2005
Racismo no tratamento jornalístico

| Na sequência da catástrofe de Nova Orleães está a desenvolver-se uma polémica sobre o tratamento dado pelos meios de comunicação em termos raciais. As duas imagens de cima, de deslocados a caminhar, meio submersos pela água e transportando bens, estão a ser usadas como exemplo de tratamento desigual; na fotografia da esquerda, com um jovem negro, a legenda dizia que ele tinha pilhado uma mercearia; na fotografia da direita, com dois brancos, a legenda era bem mais benigna: tratava-se de pessoas que tinham encontrado comida numa mercearia. As legendas originais, em inglês, eram as seguintes: 1) "A young man walks through chest deep flood water after looting a grocery store in New Orleans." 2) "Two residents wade through chest-deep water after finding bread and soda from a local grocery". Subsequentemente, a fotografia da direita foi removida pelo Yahoo a pedido da agência AFP. |
"Terceiro mundo dentro"
| «New Orleans - Basta olhar para as fotografias: ver, ouvir e ler. Os que ficaram para trás são os mais pobres dos pobres. Nos Estados Unidos, quase invariavelmente, isso quer dizer uma população maioritariamente negra. No sul dos Estados Unidos, num dos mais pobres estados norte-americanos, ainda mais. Isto são factos, não são opiniões. O que já me parece menos conforme com estes factos é colocar, à cabeça da lista de responsáveis pelas proporções da tragédia, as "pessoas que optaram por viver em zonas vulneráveis". É uma tese obscena que esquece ou ignora que os indivíduos nem sempre fazem exactamente o que querem, fazem em muitos casos apenas o que podem.» - in O Outro Eu De acordo. E não são apenas os que não abandonaram a cidade que estão a sofrer e a precisar de ajuda. Muitos dos que não saíram simplesmente não o fizeram por não ter dinheiro suficiente para o transporte ou o alojamento. Mas existem milhares que fugiram e se alojaram em hotéis, na expectativa de ficarem fora durante um ou dois dias, e estão agora na rua por não terem meios financeiros para mais. Outra face oculta desta tragédia é a das pessoas que se encontram refugiadas em sótãos sem meios ou forças para abrir um buraco nos telhados e pedir ajuda. A nossa visão simplificada da realidade - moldada pela nossa própria ideologia e pela "realidade" dos filmes americanos (a tal América onde "todos têm carro") - não concebia uma tal massa de gente enfraquecida, obesa, doente, insegura, assustada, vulnerável. O denominado "terceiro mundo dentro do primeiro mundo". |
Furacão económico
![Nervosismo na negociação de futuros de crude em Nova Iorque-NYME © Stephen Chernin [clique para ampliar]](http://media.washingtonpost.com/wp-dyn/content/photo/2005/08/29/PH2005082902075.jpg)
| «É desconfortável o facto de milhares de americanos terem decidido viver em zonas sujeitas a este tipo de desastres. Embora o Congresso americano tenha autorizado uma despesa de 10,5 mil milhões de dólares para ajuda imediata, o porta voz da Câmara dos representantes expressou dúvidas sobre se grandes somas de dinheiro deveriam ser gastas para a reconstrução num lugar tão exposto como Nova Orleães (embora mais tarde tenha recuado nestas afirmações). Mas continuam a colocar-se muitas questões, a nível local e nacional, acerca das falhas que potenciaram a destruição e o caos subsequente ao furacão Katrina.»«O furacão Katrina poderá afectar o crescimento económico dos EUA ao estrangular os fornecimentos de energia, mesmo considerando que os danos causados pela tempestade vão desencadear uma grande reconstrução e despesa pública de auxílio. Os economistas, embora salientem que ainda é cedo para avaliar os danos, dizem que o grande furacão que atingiu a grande autoestrada de energia da Luisiana provocará elevados prços de petróleo, gasolina e gás.»«O furacão Katrina pode revelar-se como uma das maiores tempestades que jamais atingiram os EUA (tanto em termos de danos como de custos). No entanto, de modo contra-intuitivo, o impacto líquido dos furacões no crescimento do PNB é usualmente positivo por causa dos esforços de reconstrução e porque o PNB mede a produção corrente. A diferença, desta vez, é que o efeito da ajuda possa ser anulado em grande medida pela subida dos preços da energia causados pela tempestade. . De facto, o efeito líquido positivo pode ser um dos mais baixos de sempre.» David Rosenberg, da Merrill Lynch «Cerca de um terço do petróleo produzido nos EUA (que representa 45 % da procura interna) vem do Golfo do México, e 90 % desse petróleo atravessa a Luisiana. Além disso Nova Orleães é um importante porto de importação de petróleo, devido a instalações offshore que permitem o transvaze dos petroleiros para terra. O petróleo viaja em pipelines subterrâneos sob Nova Orleães. As interrupções dos fornecimentos terão impacto nos preços que se poderão prolongar até ao Inverno, dada as estreitas margens de armazenamento de muitos dos produtos refinados.»«As companhias petrolíferas evacuaram trabalhadores e cancelaram a produção equivalente a mais de 600 mil barris/dia.»«Esta situação é severa mas temporária» - John Lichtblau, presidente da Petroleum Industry Research Foundation. |
sexta-feira, setembro 02, 2005
| Pode parecer despropositada uma referência à canção "When the Levee Breaks", de Memphis Minnie, mas trata-se de um blues pungente sobre a ameaça de catástrofe, bem como sobre a solidão do ser humano perante os problemas, sejam eles exteriores ou íntimos. |
If it keeps on rainin', levee's goin' to break
And the water gonna come in, have no place to stay
Well all last night I sat on the levee and moan
Thinkin' 'bout my baby and my happy home
If it keeps on rainin', levee's goin' to break
And all these people have no place to stay
Now look here mama what am I to do
I ain't got nobody to tell my troubles to
I works on the levee mama both night and day
I ain't got nobody, keep the water away
Oh cryin' won't help you, prayin' won't do no good
When the levee breaks, mama, you got to lose
I works on the levee, mama both night and day
I works so hard, to keep the water away
I had a woman, she wouldn't do for me
I'm goin' back to my used to be
I's a mean old levee, cause me to weep and moan
Gonna leave my baby, and my happy home
| Podemos ouvir aqui uma gravação de 1929, com Memphis Minnie na guitarra e a voz do seu companheiro "Kansas" Joe McCoy, ambos da região do Delta do Mississippi. Em 1971 os Led Zeppelin também gravaram uma versão de When the Levee Breaks. Links das músicas: http://www.archive.org/download/Kansas_Joe_Memphis_Minnie-When_Levee_Breaks/Kansas_Joe_and_Memphis_Minnie-When_the_Levee_Breaks.mp3 http://www.drummerworld.com/Sound/JohnBonham_When.mp3 |
Consequências económicas do Katrina
| O Economist tem on-line um artigo sobre as consequências económicas do furacão Katrina: "Oil and troubled waters". É certamente cedo para avaliar os efeitos da catástrofe, mas a interrupção da produção das refinarias daquela zona - que estavam a trabalhar em pleno para fazer face à crescente procura - já levou à mobilização das reservas estratégicas e o presidente americano anunciou a possibilidade de racionamento da gasolina. O efeito sobre o preço do petróleo é inevitável. Como lembra o artigo, em catástrofes deste tipo a destruição de habitações e infraestruturas costuma ser compensado pelo esforço de reconstrução. Mas o padrão desta catástrofe apresenta importantes diferenças. O número de mortos pode ser muito elevado, como tem referido o mayor de Nova Orleães, e pode aumentar nos próximos dias. Basta referir que até ao momento os helicópteros só conseguiram resgatar 5.500 pessoas, e poderão estar ainda outras 50 mil retidas em edifícios e abrigos cercados pela água. A falta de comida, água e medicamentos, associada ao stresse, pode matar as pessoas mais fragilizadas. Outa consequênca económica virá da infraestrutura de transportes, já que aquela zona dos EUA é a porta de saída para muitas das exportações americanas. E a diminuição das suas próprias importações pod etambém vir a prejudicar outros países. Existe ainda o efeito psicológico: a sensação de impotência por parte da maior potência económica mundial pode afectar de muitos modos a economia global. |
Notícias da catástrofe

Catástrofe em Nova Orleães

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O jornal "Público" vai passar a apresentar os seus suplementos de Economia e Computadores sob a forma de uma única revista, acompanhando a edição das segundas-feiras; o novo formato estreia-se no próximo dia 19 de Setembro. 
Durante um espectáculo televisionado para angariação de fundos para as vítimas do furacão Katrina, o cantor Kanye West ignorou o texto do teleponto e disse: