![]() Capítulos do livro: 1. Critical Reading |
sexta-feira, agosto 19, 2005
Pensamento crítico na blogosfera
quinta-feira, agosto 18, 2005
Pensamento Crítico ?
A capacidade para o pensamento crítico é, talvez, um dos maiores "buracos negros" do ensino português: desde logo porque pouco se fala disso. Creio que muitos professores têm deparado com este problema: incapacidade dos alunos para equacionar problemas, ou para reconhecer uma questão quando ela é colocada sob um ângulo ligeiramente diferente daquele que foi ensinada ou que consta nos manuais. Acontece isto com alunos que sabem a matéria, mas apenas se ela for apresentada de forma facilmente reconhecível. Creio que este é um sintoma típico de fracas competências de pensamento crítico: dos alunos, e talvez também dos professores.Como não existem estudos científicos sobre o nosso ensino (apenas muitas "reformas", inspiradas sabe-se lá em quê...) não conhecemos a dimensão do problema nem a sua origem. Podemos suspeitar que a deriva pelo ensino "pós-moderno" e "hippie", com a ênfase no "prazer" em aprender (por oposição à suposta "tortura" do antigo estilo) tenha privado os alunos do desenvolvimento de capacidades críticas. Recordo, por exemplo, como as demonstrações de teoremas (no final do secundário) eram penosas: e nós não tínhamos que as "inventar": tinhamos apenas que seguir o percurso que alguém já tinha feito. Mas tinham essa capacidade de mostrar como se podia abordar um problema de várias formas, de utilizar uma mesma ferramenta para vários fins. Alguém hoje tem que demonstrar teoremas? A suposta simplificação da aprendizagem, feita em nome (que ironia!) da luta contra o ensino "acrítico" e "de empinanço" pode mesmo ter resultado em que o ensino, hoje, seja mais de "empinanço" do que antigamente. Não é por haver livros "sedutores", carregados de imagens e caixas de texto coloridas, que a memorização de matéria deixa de ter lugar. Na Internet encontra-se muita matéria sobre ensino e "pensamento crítico", essencialmente nos EUA. Não faço ideia se essa preocupação tem resultados efectivos na capacidade de pensamento crítico dos alunos, mas aflige-me que, aqui, isso nem sequer esteja na "agenda", como agora se usa dizer. Alguns exemplos:
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Inovação no Ensino da Economia
Decorreu no passado mês de Julho, em Sydney, a "11th Australasian Teaching Economics Conference", com o tema: "Innovation for Student Engagement in Economics". Das comunicações apresentadas estão acessíveis em linha as seguintes:Uma outra comunicação, "Multimodal design for hybrid learning materials in a second-level economics course", não parece estar acessível, mas sobre o mesmo tema e com o mesmo autor encontra-se esta: Em Abril passado teve lugar em Bowling Green (Ohio) uma conferência com o tema: "Making Economics Come Alive in the Classroom: Critical Thinking and Economic Issues", onde Paul Krugman falou sobre "Economics in Action: Stories to Motivate the Models" e "Economics and the News of the Day", e Neil Browne sobre "The Joint Nurturing of Economic Understanding and Moral Reasoning: Using the Raw Material in a Robust Newspaper" Neil Browne, professor na universidade de Bowling Green, é autor de vários livros sobre o encorajamento do pensamento crítico e questões morais no ensino, entre os quais: A American Economic Association tem também programas de formação sobre este tema: "Teaching Innovation Program in Econnomics" |
terça-feira, agosto 16, 2005
Entrevista com Teodora Cardoso
Teodora Cardoso, em entrevista ao Diário de Notícias (conduzida por Rudolfo rebelo), considera o PIIPcomo «uma oportunidade falhada porque não conseguiu ultrapassar credivelmente» a perspectiva de curto prazo: «A "conjuntura", que se mantém há pelo menos cinco anos e, por isso, já se tornou "estrutura", não impede, antes exige, que se tomem medidas relançamento que, como está abundantemente provado, têm de ser de natureza estrutural. Isso exige ver a Europa como muito mais do que o colete de forças do PEC como contrapartida para a obtenção de fundos que se usam para manter a aparência de prosperidade. Exige estímulo a investimentos estruturantes, competitivos e virados para o exterior, despesas públicas ao serviço da economia em lugar de serviços públicos que se contentem em exauri-la, políticas eficientes de energia, transportes, educação, saúde e justiça, e uma regulamentação do trabalho que concilie a competitividade com a equidade, o que muitos países mostram não ser impossível...»A economista rejeita a realização de grandes investimentos não fundamentados, mas rejeita igualmente o argumento de que não podemos investir por estarmos endividados: «Investimentos com racionalidade económica são indispensáveis ao desenvolvimento, são financiáveis e são mesmo a única forma de, a prazo, o endividamento se reduzir, fazendo crescer o rendimento. Quanto à Irlanda, bastou-lhe, na sua situação muito especial, um bom aeroporto em Dublim e as infra-estruturas britânicas para dispor de uma excelente capacidade logística, que permitiu às empresas que lá se instalaram abastecer-se e colocar eficientemente os seus produtos em qualquer mercado europeu ou mundial. Não é esse o caso de Portugal, onde é incipiente a coordenação e o desenvolvimento do transporte aéreo, marítimo e ferroviário, de passageiros e mercadorias. Quando a Espanha dá prioridade ao transporte ferroviário misto em bitola europeia e "altas prestações" (não confundir com o TGV, que é um caso particular restrito a grandes volumes de tráfego de passageiros a distâncias que o justifiquem) e quando desenvolve todas as suas ligações ao exterior, Portugal tem de escolher entre coordenar-se com essa estratégia ou manter critérios de investimento determinados por políticas de curto prazo e interesses.» |
Fundo ao fundo
O Governo deliberou extinguir o Fundo de Cooperação de Investimento Português em Angola (FCIPA), que fora criado há 18 anos:«Atendendo a que não foi concretizada qualquer operação no âmbito do FCIPA e que, por outro lado, o acordo de reescalonamento da dívida de Angola, celebrado em 5 de Agosto de 2004, abrangeu o valor total da dívida daquele país associada ao FCIPA, a manutenção deste Fundo deixou de se justificar.» |
segunda-feira, agosto 15, 2005
Fim do sonho
A "Dreamworks", o estúdio criado há 11 anos pelo realizador Steven Spilberg, encontra-se à venda, apesar de ter conseguido grande sucessos como os filmes como o "Soldado Ryan", "American Beauty", "O Gladiador" e o recente "Guerra dos Mundos"; teve igualmente um falhanço recente com o filme "The Island". Tratava-se de um projecto ambicioso desde o início, procurando configurar-se como uma empresa multifacetada, produzindo filmes, animações, televisão, video-jogos e música. Mas nem tudo correu bem e Spilberg parece ter-se desinteressado do projecto. |
Bolsa de Londres à venda
| Notícia da Lusa: «O maior banco de investimento australiano, Macquarie Bank, está a ponderar avançar com uma oferta de compra da bolsa de Londres, o maior mercado accionista da Europa, anunciou hoje a instituição financeira. Num comunicado, citado pela agência Bloomberg, o Macquerie Bank adianta que "as deliberações estão numa fase muito preliminar" e que ainda não foi feita uma oferta de compra. A London Stock Exchange já está em negociações com a Euronext, plataforma que agrega as bolsas de Paris, Amesterdão, Bruxelas e Lisboa, para uma eventual compra. Na corrida à bolsa de Londres já esteve também a Deutsche Boerse, mas foi obrigada a retirar a oferta de 1,35 mil milhões de libras (1,97 mil milhões de euros), depois da oposição de accionistas de referência.» |
domingo, agosto 14, 2005
Prémios Ig-Nobel da Economia

| Ano | Vencedor | Proeza |
| 2004 | Vaticano | Outsourcing de orações para a Índia |
| 2003 | Karl Schwärzler e o Liechtenstein | Por terem alugado todo o país para convenções empresariais casamentos, bar mitzvahs, etç. |
| 2002 | Várias empresas (Enron, etç) | Por terem adaptado o conceito de "números imaginários" ao mundo dos negócios |
| 2001 | Joel Slemrod e Wojciech Kopczuk | Pela sua descoberta de que as pessoas atrasam as respectivas mortes de forma a beneficiar de taxas de imposto sucessório mais favoráveis: "o facto de termos descoberto que o adiamento da morte, mais do que a sua antecipação, tem mais probabilidade de ocorrer, sugere que este fenómeno é, em parte, um resposta real à fiscalidade" - "Dying to Save Taxes" |
| Mais prémios aqui (agradecimentos a jfgmmg pela referência) | ||
sábado, agosto 13, 2005
Corrupção
«Mostramos que a probabilidade de uma empresa efectuar pagamentos adicionais irregulares é mais alta em ambientes com baixa incerteza relativamente à corrupção, e mais baixa onde a monitorização é mais efectiva. Mais especificamente: a frequência dos subornos aumenta quando as empresas sabem antecipadamente qual a dimensão dos subornos e acreditam que o serviço relacionado com o suborno será efectivamente fornecido, uma vez que o pagamento seja realizado. Adicionalmente, a frequência de subornos diminui se as empresas tiverem possibilidade efectiva, através de canais oficiais ou quadros superiores, para obter tratamento adequado sem necessidade de efectuar pagamentos não-oficiais.»"Bribery and the Nature of Corruption" [...] «Em que é que um suborno é diferente de um qualquer outro preço de mercado? Um preço de mercado assemelha-se a um suborno que o comprador entrega ao vendedor para o persuadir a partilhar algo (ou fazer algo) que o primeiro deseja. Contudo, o termo "suborno" é usado usualmente para descrever uma situação onde a troca é secreta, porque o subornado está contratualmente proibido de vender aquilo que vende. Oferecer subornos é muitas vezes legítimo, mas aceitá-los é frequentemente interdito. Por exemplo: os empregados de restaurante podem aceitar os subornos designados como "gorjetas" que os clientes habituais lhes dão, enquanto que os gestores de compras estão usualmente (embora não sempre, nem em todos os países) proibidos de aceitar prendas dos fornecedores. Portanto, em muitos casos, um suborno é simplesmente um preço que não pode ser aceite pelo subornado por razões contratuais.» "In Defense of Bribery" |
Preços a subir
| «Em Julho de 2005, a taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi de 2,2%, situando-se seis décimas de ponto percentual acima do valor do mês anterior, quebrando o perfil descendente que se registava desde Abril.» Índice de Preços no Consumidor |
sexta-feira, agosto 12, 2005
Mais um daltónico
Miguel estagiou no "Público" em 1994: «Tive azar porque calhei na secção de Economia, que trata matéria cinzenta. O que é diferente de massa cinzenta» | ![]() |
Miguel Clara Vasconcelos,
realizador de cinema - in "Público-Y"
quinta-feira, agosto 11, 2005
111
| «Um estudo realizado pela Vasconcellos e Sá Associados e coordenado por Fátima Olão mostra que se o ritmo de convergência do PIB per capita português (em paridades de poder de compra) dos últimos 30 anos se mantiver, então o encontro entre o nível de vida de um português e o nível de vida médio da União Europeia a 15 países acontecerá daqui a 111 anos.» Rui Peres Jorge in Semanário Económico |
Relatórios sobre a OTA
No Diário de Notícias de hoje:«A construção do novo aeroporto da região de Lisboa, na Ota, "terá impactos negativos significativos, fundamentalmente devido à destruição de habitats". A Ota "implicará a destruição de corredores ecológicos existentes" e "acarretará ruído além do legal". A "acessibilidade da procura lisboeta de transporte aéreo irá piorar" e "o município de Lisboa poderá perder receitas em consequência da quebra populacional e da relocalização de empresas para outros concelhos da região". Estes e outros conceitos não são retirados de nenhum relatório mandado realizar pela oposição à localização do novo aeroporto preferida pelo actual Governo. Consta, isso sim, do estudo preliminar de impacto ambiental elaborado pelo NAER (Novo Aeroporto) e ontem referido pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, na defesa que expôs da localização referida.» |
Fantasmagorias
| Uma das coisas que mais me divertia na faculdade era o facto dos professores marxistas gostarem tanto do Keynes. Porque diabo não se limitavam eles a ensinar a contabilidade do produto material e o modelo do Feldman-Mahalanobis? Cheguei a confrontar alguns professores com isto, o que não terá contribuído nada para a minha popularidade, desde sempre em queda. Claro que eu os percebia muito bem: a teoria keynesiana, com grande prestígio na altura (facilidade de modelização, prémios Nobel), abria espaço à intervenção do estado na economia, uma coisa que um marxista nunca desdenha. É verdade que Keynes defendia o capitalismo e achava que o Estado só devia intervir quando o mecanismo de mercado, só por si, não resolvia o problema [o "problema", na altura, era o desemprego; quer dizer, já era a inflação, mas ainda se pensava que era o desemprego]. Ora, isto, para um [professor] marxista, não oferecia qualquer dificuldade. Ora sigam lá este raciocínio: Eis pois o comunismo deduzido com um simples silogismo. Mas o Keynes era coisa para o curto prazo, para a conjuntura; "a longo prazo estamos todos mortos", tinha respondido Keynes às almas a quem preocupava o facto da Teoria ser de pavio curto; isto os marxistas não podiam aceitar, porque eles "sabiam" muito bem que o indivíduos morrem, mas a classe operária (e o Partido) são eternos. Felizmente para o longo prazo e para o crescimento havia o modelo de Harrod-Domar, com a sua simplicidade desarmante. Pereira de Moura preferia chamar-lhe "Domar-Singer"; mas nem mesmo o Domar acreditava lá muito na criatura, a fazer fé nalguns dos seus desabafos ("a minha intenção era intervir nos ciclos económicos, e não derivar uma taxa de crescimento empiricamente significativa"; "é difícil estimular o desejado nível de poupança interna"). Por isso não é de admirar que um site como o Marxists.org apresente, como escritor de referência, John Keynes e reproduza integralmente a sua Teoria Geral. Mas o Museu de Cera das Criaturas Marxistas tem muitas peças por recolher, vagueando ainda pelas grandes avenidas do Pensamento Económico Mundial. Por exemplo: ainda há quem pense que o modelo Feldman-Mahalanobis se pode aplicar, a "mercados descentralizados que imitam o comportamento dinâmico das economias de planificação centralizada". E o modelo de Harrod-Domar continua a fazer a felicidade dos tecnocratas que andam a ajudar os paises pobre a desenvolverem-se através da ajuda externa: "The Gost of Financing Gap - ou "Como o Modelo de Crescimento de Harrod-Domar ainda Assombra a Economia do Desenvolvimento". Bem se podem evocar aqui as palavras cantadas por outra das avantesmas dos anos 60: «Old habits die hardNão é para admirar, portanto, que a medalhinha presidencial vá cair no regaço do "colectivo" U2... |
Estúpidos estudos
| O jornal Público inclui hoje um dossiê (acessível aqui) sobre a Ota, com o título "Governo escolhe Ota sem estudo de viabilidade económica" - um trabalho das jornalistas Cristina Ferreira, Inês Sequeira e Luísa Pinto. O jornal apresenta uma listagem de todos os estudos já realizados e diz, a certo passo: «Apesar de já se terem realizado 71 estudos parcelares, entre 1997 e 2005, onde foram gastos 12,7 milhões de € (comparticipação da UE de 6,6 milhões de €), apenas o que foi encomendado à Novolis (consórcio formado pelos bancos ABN e Efisa), se debruça sobre a avaliação económica do projecto Ota.Noutra parte do dossiê, o jornal "Público" cita o presidente da ANA, que afirmou que "todos os estudos vão ser publicados na Internet"[*]. Os jornalistas questionam: "Contudo não é explicado porque é que esses estudos não estão já disponíveis na Net, apesar da insistência de muitos, desde Eduardo Catroga na entrevista que deu ao "Público", até cerca de sete dezenas de blogues". Outra revelação deste dossiê é a de que "até o ministro das Obras Públicas e Comunicações, Mário Lino, chegou a manifestar dúvidas sobre a escolha da Ota para instalar o empreendimento. Mais tarde, assumiria que era "o melhor que existe", face ao que já está estudado, e devido ao facto de "não se poder perder mais tempo".[**] Citando fonte oficial, o "Público" diz que a NAER está a fazer um levantamento de projectos similares de parceria público-privada, e que "o modelo para a Ota deverá seguir o que foi adoptado pela Grécia para o aeroporto de Atenas"; o objectivo seria transferir para os privados parte substancial do risco; a participação dos privados far-se-ia através da aquisição de 45 % do capital da ANA, numa processo de aumento de capital. A tal fonte oficial também "revelou" que vai ser solicitado ao "novo consultor financeiro" que estude um modelo de financiamento que preveja a participação do Estado "a título simbólico". [*] - esta afirmação é algo diferente da que faz o ministro no seu artigo de hoje no "Diário Económico", que diz apenas que irá apresentar, publicamente, o ponto de situação dos projectos da Alta Velocidade Ferroviária e Ota, respectivamente em Setembro e Outubro (...) [acompanhado da] divulgação, pela Internet, da informação actualizada sobre estes projectos. [**] - Martim Avillez de Figueiredo, director do "Diário Económico", escreve em Editorial que "Mário Lino, como outros ministros antes dele, está convencido [de] que a sua determinação é fundamental para o crescimento económico nacional. É por isso que não se incomoda com avançar para a Ota sem estudos rigorosos de impacto financeiro - a suposição é a contrária: a ausência de decisão será sempre pior para a economia do que uma má decisão". E conclui Martim Avillez de Figueiredo: "enquanto o mecanismo de escolha pública se mantiver centrado na ideia de que é a existência de escolhas públicas - boas ou más - que traz dinâmica à economia, a importância da Ota ou do TGV (para um ministro) será sempre fundamental. E assim se explica este fado nacional: o Estado a engordar, a economia a enfraquecer". |
Sincronização oligopolista ?
| A autoridade reguladora para o sector das comunicações - Anacom - afirma que "não há concorrência efectiva" entre os operadores de telemóveis, e que a estrutura oligopolista sugere a possibilidade de os operadores terem incentivos para um comportamento coordenado, em detrimento de um comportamento concorrencial. (notícia no DN). No seu comunicado, a Anacom refere que «desde meados de 2001, e ao contrário do que aconteceu anteriormente, os preços de retalho dos três operadores mantiveram-se relativamente estáveis, num comportamento não consistente com a descida generalizada dos custos. Uma análise à evolução dos preços entre Janeiro de 2002 e Março de 2005, considerando um consumidor com um perfil de consumo médio, aponta para uma relativa estabilização dos preços e para uma sincronização na evolução dos planos tarifários dos operadores.» |
Otites e tergiversações (IV)
| Em artigo de opinião no Diário Económico o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, escreve que o novo aeroporto na Ota foi sujeito, em 1998-1999, a uma avaliação de impacto ambiental, que abrangeu previsões de tráfego, localizações alternativas, impactes económicos e sociais, não tendo portanto razão (segundo ele) os críticos que o acusam de decidir avançar com aquele investimento sem estudos que suportem tal decisão. No entanto, admite que aquele estudo não aborda a vertente financeira. Como disse? Não aborda a vertente financeira? Então e decide-se avançar com um investimento daquela envergadura, na actual situação económica do país, sem ter estudado a vertente financeira? Oh sr. ministro... (O Diário Digital cita igualmente esta notícia) |
quarta-feira, agosto 10, 2005
A Grande Marcha
| A China decidiu permitir que as suas grandes empresas (com importações ou exportações superiores a 1,6 mil milhões de €) acedam directamente aos mercados cambiais, possibilidade anteriormente só acessível a bancos e empresas financeiras. E deixou de indexar o yuan exclusivamente ao dólar, substituindo-o por um cabaz de moedas que inclui o dólar, o euro, o iene e o won da Coreia do Sul (notícia do Público). É a Grande Marcha rumo ao capitalismo. |
Textos de Encanto...
Vital Moreira, no Causa Nossa, encanita-se contra o movimento que está a pôr em causa a contrução do Aeroporto na OTA nos termos e calendário que o governo anunciou:«Prossegue, apaixonada, a cruzada paroquial de Lisboa contra a mudança do aeroporto da Portela. Vale tudo. O Governo dá uma prestimosa ajuda, ao adiar para Outubro (vá-se lá saber porquê...) a divulgação dos estudos que sustentam a construção do novo aeroporto.»Que estilo ("cruzada paroquial")! Que capacidade de síntese ("contra a mudança da Portela")! Que profundidade de análise ("governo dá uma prestimosa ajuda")! Enfim... um encanto! (Parafraseando o Bernardo Soares eu diria: com encanto, mas sem enquanto) |
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Decorreu no passado mês de Julho, em Sydney, a "11th Australasian Teaching Economics Conference", com o tema: "
Teodora Cardoso, em
A "Dreamworks", o estúdio criado há 11 anos pelo realizador Steven Spilberg, encontra-se à venda, apesar de ter conseguido grande sucessos como os filmes como o "Soldado Ryan", "American Beauty", "O Gladiador" e o recente "Guerra dos Mundos"; teve igualmente um falhanço recente com o filme "The Island".
«Mostramos que a probabilidade de uma empresa efectuar pagamentos adicionais irregulares é mais alta em ambientes com baixa incerteza relativamente à corrupção, e mais baixa onde a monitorização é mais efectiva. Mais especificamente: a frequência dos subornos aumenta quando as empresas sabem antecipadamente qual a dimensão dos subornos e acreditam que o serviço relacionado com o suborno será efectivamente fornecido, uma vez que o pagamento seja realizado. Adicionalmente, a frequência de subornos diminui se as empresas tiverem possibilidade efectiva, através de canais oficiais ou quadros superiores, para obter tratamento adequado sem necessidade de efectuar pagamentos não-oficiais.»
