terça-feira, agosto 02, 2005

"Reprises"


«[...] E então contra o imposto escrevem-se artigos, elaboram-se discursos, conspira-se; rodam as carruagens de aluguer, levando a 300 réis por corrida, inimigos do imposto. Prepara-se o cheque ao ministério histórico, vem a votação... Zás! cai o ministério histórico.

E ao outro dia, o partido regenerador no poder, triunfante, ocupa as cadeiras de S. Bento. Esta mudança alterou tudo: os fundos desceram, as transacções suspenderam-se; os comboios cruzam-se cheios de autoridades demitidas, o rédito diminuiu, a opinião descreu mais, a fé pública dissolveu-se mais - mas finalmente caiu aquele ministério desorganizador que concebera o imposto, e está tudo confiado, esperando.»

Eça de Queiroz, Maio de 1871
Citado por João Duque in Semanário Económico


«É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma.»

Príncipe de Salina in "O Leopardo"
de Tomasi de Lampedusa (já citado aqui)

Compadre



«A politização da CGD não ajuda a credibilizar uma instituição que, pelo menos desde o início de 2004, vive em situação de instabilidade interna permanente. Este será, assim, o principal trabalho do novo presidente, Carlos Santos Ferreira, ele próprio um ministeriável do PS e compadre de António Guterres.»

António Costa in Diário Económico

Os mercados não dormem...


Para grandes males...
«Enquanto a confiança dos consumidores cai para os níveis mais baixos desde Setembro de 2003, o pessimismo de empresários e comerciantes bate mínimos históricos.»
... grandes remédios:
«17 mil pipas Vinho do Porto penhorado prestes a inundar mercado, 40% abaixo do valor médio de mercado.»

The corporation




O filme "The Corporation" (baseado no livro "The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power", de Joel Bakan) anda a acumular prémios internacionais: 24 ao todo, incluindo escolhas do público, como o do Festival de Brasília e do "Sundance Film Festival". Tem a participação de numerosas personalidades, tais como os académicos Noam Chomsky, Peter Drucker e Milton Friedman - o qual emitiu esta deliciosa sentença: "pedir a uma grande empresa que seja socialmente responsável faz tanto sentido como pedir o mesmo a um edifício." Veja a lista de personalidades.

Sinopse: «'The Corporation' aborda a natureza e crescimento espectacular desta instituição dominante do nosso tempo. Imagens da cultura pop, anúncios, noticiários da TV e propaganda institucional, pretendem esclarecer a influência das grandes empresas nas nossas vidas. Tomando à letra o seu estatuto legal de "pessoa", o filme coloca the corporation no sofá do psicanalista, para obter uma resposta à pergunta: "que tipo de pessoa é isto?" Provocador, espirituoso, informativo, o filme incorpora 40 entrevistas com especialistas e críticos- incluindo Milton Friedman, Noam Chomsky, Naomi Klein e Michael Moore - e ainda verdadeiras confissões, casos de estudo e estratégias para a mudança.»

No site da BBC avisam-nos: «Talvez você não saiba, mas vive num mundo que está a ser governado secretamente por uma entidade não-humana (...) Em linguagem corrente, o monstro é conhecido como "The Corporation". O filme com o mesmo nome é uma desconstrução de duas horas e meia do modus operandi desta atrocidade de factura humana, actualmente fora de controlo.»

A realização é de Jennifer Abbott. Portugal não consta ainda da lista de distribuição.

Ainda Friedman


Lendo comentários de outros relativos ao aniversário de Milton Friedman, descobri o site da série de televisão que o economista fez no início dos anos 80: Free to Choose. Encontram-se ali documentos interessantes, tais como o texto "Money and Economic Development", resultante de duas "Horowitz Lectures" que Friedman fez em 1972.

Ali também se encontram excertos em video de debates:
  • entre Robert Heller e Friedman:
        http://freetochoose.net/media/media_78_1.rm
  • entre George Stigler e Mark Green:
        http://freetochoose.net/media/es-gov-reg.ram

    No Heritage Tidbits encontrei esta citação de Friedman:
    «O progresso industrial, os melhoramentos mecânicos - todas as grandes maravilhas que a era moderna criou - representaram relativamente pouco para os ricos. Os ricos na Grécia Antiga pouco teriam beneficiado com o moderno sistema de canalizações: os escravos diligentes forneciam-lhes água constantemente. Televisão e rádio? Os Patrícios de Roma podiam ter os melhores músicos e actores nas suas casas; podiam contratar os grandes actores como empregados domésticos. Roupa pronto-a-vestir, super-mercados - tudo isso e muitos outros desenvolvimentos modernos teriam acrescentado pouco às suas vidas. As grandes conquistas do capitalismo ocidental resultaram principalmente em benefícios para as pessoas comuns. Estas conquistas tornaram acessíveis às massas as regalias e amenidades que antes constituíam prerrogativas exclusivas dos ricos e poderosos.»
  • Simetrias


    Diz "O Acidental" que «boa parte das pessoas continua a ligar automaticamente liberalismo e economia. É como se houvesse um cordão umbilical entre o liberal e o guito. O liberal, nestas mentes reaccionárias – à esquerda e à direita - é o tipo que sonha com cifrões, é o ser infame que rouba a esmola do ceguinho da esquina, é aquele que cobra cem paus à velhinha quando esta pede ajuda para atravessar a rua.«»

    Concordo. Mas - se bem entendo o significado da expressão "mentes reaccionárias" - tão reaccionárias como essas pessoas, são as que confundem o estado-social com o comunismo, vendo o "caminho para a servidão" em toda e qualquer medida intervencionista do Estado. Para certos auto-apregoados liberais, o intervencionista é um ser infame que rouba aos empresários a riqueza que estes criam, para a distribuir por um bando de velhinhas preguiçosas.

    segunda-feira, agosto 01, 2005

    OTA - estudos


    Link para o Estudo preliminar de impacto ambiental (do qual fazem parte os textos que referi, há dias, aqui.)

    O correspondente "resumo não técnico" (que raio de designação...) está disponível aqui.

    Milton Friedman


    Ao que parece, o menino Milton Friedman fez ontem 93 aninhos. É obra. Quando eu andava na universidade havia por lá um verdadeiro ódio ao economista da escola de Chicago, o papa do monetarismo - corrente teórica que, por essa época, começava a levar o keynesianismo ao tapete. Anos mais tarde vi-o durante semanas num programa de televisão a propagandear os benefícios da economia de mercado, estilo banha-da-cobra: num dos programas foi a Hong-Kong, filmou os arranha-céus e disse: estão a ver, aqui, onde há capitalismo, temos riqueza e liberdade, enquanto que ali ao lado, na China comunista, não há uma coisa nem outra. "O Carl Sagan é muito melhor do que este tipo", pensei eu.

    Milton Friedman ganhou o Nobel de 1976, "pelas suas descobertas no campo da análise do consumo, história e teoria monetária e pela sua demonstração da complexidade das políticas de estabilização".

    Ainda assim, o seu texto de que eu gosto mais é "The Methodology of Positive Economics", de 1953, onde fez a surpreendente afirmação de que, para a teoria económica, o realismo das hipóteses não é relevante; aliás, quanto mais irrealistas as hipóteses, mais elas poderiam, eventualmente, ser abrangentes. O que estava em causa na teoria económica, segundo Friedman, era o desenvolvimento de instrumentos de previsão. Simplicidade e capacidade preditiva, era o que se pedia à teoria - e eu concordo. O realismo das hipóteses - ainda hoje um argumento recorrente dos críticos da economia neo-clássica - tem um carácter subjectivo que só pode contribuir para dar uma natureza normativa à teoria, retirando-lhe, por isso, qualquer valor científico.

    Friedman, aquando da criação do euro, sentenciou que era "um enorme erro", que causaria turbulência em vários países europeus durante os anos seguintes. Pois quanto à capacidade preditiva, estamos conversados.

    Uma biografia de Friedman pelo próprio pode ser lida aqui. E, se querem oferecer uma prenda a vós próprios, copiem e leiam "The Methodology of Positive Economics", um texto clássico da teoria económica.

    Otites e tergiversações (III)



    Eduardo Pitta in Da Literatura:
    «O ministro da Economia perdeu uma excelente oportunidade de explicar ao país as prioridades da OTA e do TGV. O artigo que ontem publicou no Expresso, «E daqui a dez anos?», foi escrito em langue de bois. Nenhum dado concreto, nenhuma sugestão de estudos prévios. Nada. Das comparações com Espanha não vale a pena falar. Como se a depressão da economia portuguesa fosse comparável com a pujança da economia espanhola. O argumento de que a Espanha terá, em 2015, dez mil quilómetros de alta velocidade, é, no mínimo, naïf. É caso para perguntar porque razão ainda não tem Madrid e Barcelona ligadas por TGV. A única linha espanhola de TGV é a que liga Madrid a Sevilha, inaugurada em 1992, por causa da feira mundial.»
    AC-P in Grande Estuário:
    «O "Grande Estuário" tem sobre a questão do novo aeroporto uma opinião: a haver novo aeroporto, o mesmo deverá situar-se na margem Sul do Tejo. Mas atenção: pode ser que nem venha a ser preciso! Basta, para tal, que a crise petrolífera e o terrorismo mundial continuem sem fim à vista.»
    Jorge Palinhos in Blogue de Equerda (II):
    «Reparei que no BdE tem havido um certo défice de debate sobre a grande questão do momento - a OTA e o TGV. Tenho de confessar que, pela minha parte, tal se deve a uma enorme falta de informação pertinente. Mas há uma questão que, por ser cada vez mais recorrente, me intrigou: os terrenos. O Paulo Gorjão, dia sim dia sim, quer saber de quem são os terrenos do futuro aeroporto. Eu não sei se tal será um argumento válido ou um mero deslize para a demagogia. Afinal, os defensores da Ota há algum tempo que esgrimem a mesma pergunta contra o aeroporto em Rio Frio.»
    Pedro Martins Barata in Abrupto:
    «Cada vez que ouço ou leio que não há informação sobre o Aeroporto da Ota ou que os processos são “escuros”, sinto de alguma forma que há pessoas que estão a ser ofendidas por quem do assunto não percebe. Esclareço que a Quercus na altura questionou a necessidade do novo aeroporto e conclui, com base nos dados do EIA, pela localização da Ota. Esclareço também, porque há sempre más interpretações, que não tenho nada a haver da Auditoria Ambiental do ministério em questão.»
    Masson in Almocreve das Petas:
    "pode o Governo s.f.f. colocar em linha os estudos sobre o aeroporto da OTA para que na sociedade portuguesa se valorize mais a 'busca de soluções' em detrimento da 'especulação'?" [JPP]

    «... ou o choque tecnológico não permite traduzir, ainda, os sinais dos tempos e a necessária transparência do debate sobre o investimento e gestão dos bens públicos? Ou deve continuar a permitir-se, ainda, que anúncios tão abundantes e robustos, estudados por tamanho cabedal de ideias, restem no bolor dos gabinetes sem servir a causa pública e à mercê de cruzadas pessoais e partidárias? Afinal, o sacrifício imposto (despudoramente) aos cidadãos contribuintes, ao longo destes malfadados anos de prosápia anti-défice, não merece respeito e atenção? Será que não vos assusta a vossa indolência governativa e a vossa miséria democrática? Será!?»
    Carlos Esperança in Le couchon latin:
    «Ota e TGV - O regresso dos projectos é uma esperança para a economia e para a absorção de mão de obra que, de há três anos a esta parte, só vê crescer o desemprego, mas os inimigos querem reservar-lhe a maldição da barragem do Alqueva.»
    Emanuel in Esquina do Mundo:
    «Não posso também concordar com o argumento de que estes dois investimentos [Ota e TGV] constavam no Programa de Governo. Um Governo deve governar de acordo com a real situação de um país e não com quimeras e loucos dispêndios.
    Portanto, estar no Programa de Governo não significa forçosamente que tenha de ser cumprido, especialmente no calamitoso estado em que se encontram as contas públicas.»

    Polémica sobre educação


    Vital Moreira, no blogue "Causa Nossa", escreveu uma pequena nota irónica, reagindo um artigo de opinião de Mário Pinto:
    «Mário Pinto sugere que as escolas privadas deveriam fazer queixa contra o Estado por "concorrência desleal", por causa de este financiar as escolas públicas e não aquelas. Pela mesma ordem de ideas, as clínicas privadas deveriam fazer idêntica queixa, por causa de o Estado só financiar os hospitais públicos; e as companhias de segurança privadas deveriam também queixar-se da concorrência desleal da polícia; e os anarquistas e libertários, da concorrência desleal do Estado...»
    No jornal "Público" de hoje, Mário Pinto responde com toda a artilharia - e creio que com toda a razão:
    «(...) Mas há outras funções [para além das de soberania] que o Estado desempenha a título de subsidiariedade. (...) É o caso típico das funções de bem-estar do Estado-social. Nesta área, o Estado não opera para exercer um poder de soberania, mas sim para prestar serviços às liberdades e direitos fundamentais dos cidadãos, a título de subsidiariedade. Com o único fim de garantir uma igualdade de oportunidades, para que os cidadãos possam exercer as suas liberdades e ficar ao abrigo de riscos sociais evitáveis. Entra aqui o caso da educação. Nestas áreas, o Estado faz concorrência aos privados porque entra no domínio do exercício das liberdades privadas de iniciativa, pessoais e colectivas. Que dúvida? Se essa concorrência for supletiva, pela positiva e pela negativa, será virtuosa; se for monopolista, será perversa.»

    Investigação e bibliotecas digitais


    Mónica André, no Blog da Tese, chama a atenção para o artigo de Mike Thelwall sobre as bibliotecas digitais e os seus efeitos sobre a investigação e as capacidades exigidas aos investigadores, no artigo de 2004: "Digital Libraries and Multi-Disciplinary Research Skills". Eis algumas palavras da respectiva introdução [tradução minha]:
    «Os progressos na gestão da informação têm afectado claramente o processo de investigação. Os académicos do século XVII podem ter tido acesso, quando muito, a uma ou duas revistas e a uns poucos livros relevantes. Talvez lessem tudo a que pudessem deitar mão, de forma indiscriminada. Em contraste, no século XX, a explosão massiva de produção académica conduziu a uma especialização, com os investigadores necessitando de ler revistas apenas do seu estreito campo. Um investigador efectivo necessitava saber quais os jornais e livros que poderiam conter informação relevante para o seu campo e também necessitaria de uma estratégia de busca manual destas publicações, à procura de artigos ou parágrafos relevantes.

    A organização da documentação para académicos desenvolveu-se rapidamente no século XXI. Muitas revistas estão agora disponíveis em sítios da Internet de acesso livre, ou numa grande variedade de bibliotecas digitais de base ampla. Mais ainda: existem interfaces de busca para bibliotecas digitais crescentemente sofisticados, que permitem aos autores, através de palavras-chave, fazer buscas com ampla cobertura, em todas as disciplinas. A busca por palavras-chave é um instrumento crucial que pode ter um grande impacto no modo como a investigação é conduzida e nas capacidades requeridas para se ser um investigador efectivo. A busca por palavras-chave pode aumentar a ocorrência de descobertas fortuitas [serendipity] ao procurar documentos fora da área temática principal, que uma busca de tipo tradicional não teria permitido. Isto pode proporcionar visões [insights] inesperadas para um problema, vindas de campos de investigação desconhecidos. No caso da descoberta de uma nova teoria pertinente, isto pode mudar mesmo a natureza da própria investigação, empurrando-a para fora das fronteiras disciplinares e tornando-a multidisciplinar. O que certamente já acontece, embora não se saiba com que frequência.
    (…)
    Uma implicação da actual disponibilidade de mecanismos de busca para bibliotecas digitais de amplos conteúdos é a de que é razoável esperar que um investigador académico as utilize. As tecnologias, contudo, não emergem no mundo completamente formadas; elas interagem com os consumidores em muitos estágios de produção e concepção. Não obstante, as bibliotecas digitais saíram da sua infância e parecem estar a estabilizar no fornecimento de um conjunto de características em diferentes papéis. Estas características incluem a disponibilização de acesso livre aos títulos e resumos de artigos de revistas, mas não ao conteúdo integral. Como já dissemos acima, as comunidades de investigação são organizações sociais e não são apenas conduzidas pela lógica, portanto a possibilidade de que algo possa acontecer ou de que possa ser vantajoso não constitui um argumento forte no sentido de que tenha mesmo que acontecer.»

    Dez anos e sete ministros depois...


    No suplemento "Carga & Transportes" do jornal Público de hoje, um artigo de Vasco Sousa Coutinho resume as várias fases de [in]decisão política dos vários governos desde o início dos anos 90. O autor termina o artigo com uma "pequena análise económica" do projecto de ligação Lisboa-Porto, em comparação com a utilização do mesmo percurso por combóios pendulares e a modernização da Linha do Norte concluída:

      Tempo de percurso TGV - 1h30;
      Tempo de percurso pendulares - 2h00; Ganho - 30 min.
      Nº de passageiros por dia - 9000 + 1000 resultantes do efeito TGV
      Tempo perdido TGV/pendular - 10.000 passageiros x 30 min.=5000 horas/dia
      Encargo mensal por inactividade por passageiro - 650 contos/mês (valor estimado) = 4 contos/hora
      Encargo diário para 10.000 passageiros - 5000 horas x 4 contos/h = 20.000 contos/dia
      Encargo anual - 20.000 contos x 360 dias = 7.200.000 contos
      Custo TGV - 850.000.000 contos
      Tempo de amortização do TGV - 850 milhões de contos/7,2 = 118 anos

    E conclui: "Como é possível que se continue a falar na ligação Lisboa-Porto em TGV face a este valor do tempo de amortização? Dez anos e 7 ministros depois, obra com 130 milhões de contos de desvio (80 %) e atraso de 7 anos, milhões de contos mal aplicados, o tempo de percurso Lisboa-Porto continua em 3 horas, nenhum TGV, nenhuma decisão sobre a ligação à Europa."

    Novo ranking


    Um novo ranking das universidades públicas portuguesas, da autoria de António Afonso e Mariana Santos, é hoje divulgado pelo jornal Público. Uma versão em inglês do estudo encontra-se aqui: "Students and Teachers: A DEA Approach to the Relative Efficiency of Portuguese Public Universities".

    A conclusão deste estudo é cuidadosa: "usando a análise de fronteira, conseguimos separar as universidades que podem ser classificadas como tendo 'bom desempenho' [performing well] daquelas onde algum melhoramento é possível em termos de eficiência".

    Os indicadores utilizados foram:
  • Variáveis input
  • Nº. de professores-equivalente a tempo integral por cada estudante
  • Valor gasto pelo Estado com cada estudante
  • Variáveis output
  • percentagem de alunos que termina a licenciatura sem qualquer reprovação de ano
  • Nº de doutormentos concedidos por cada 100 professores
  • A classificação das primeiras 10 universidades é a seguinte:

    Faculdade
    Universidade
    InputRankingOutputRanking
     U.Lx-FD1,00011,0001
     U.Nova Lx-FD1,00011,0001
     U.Porto-FD1,00011,0001
     U.Porto-FMD1,00011,0001
     U.Técnica Lx-ISA1,00011,0001
     U.Técnica Lx-FMD1,00011,0001
     U.Porto-FF0,98580,9987
     U.Porto-FEC0,88790,9858
     U.Porto-FE0,614170,9549
     U.Lx-FC0,742100,94010

    Outros trabalhos destes autores sobre o tema:
  • "Public Tertiary Education Expenditure in Portugal" (Maio de 2004)
  • "Public sector efficiency: an international comparison" (2003)
  • "Cross-country of secondary education provision" (2005)
  • domingo, julho 31, 2005

    TVI espanhola


    Segundo o Correio da Manhã, o acordo entre os grupos Prisa e Média Capital poderá colocar a TVI em mãos espanholas. Ainda segundo aquele jornal, a aquisição terá sido acompanhada pelo governo socialista, dada a proximidade do grupo Prisa - proprietáro em Espanha do jornal "El País" e da rádio "Cadena SER" - ao poder socialista espanhol.

    O Correio da Manhã pediu uma opinião ao economista João César das Neves. que considerou a operação "uma coisa normal no mundo dos negócios", e que, à escala da economia portuguesa "o seu efeito será pequeno". João César das Neves valoriza a importância deste investimento estrangeiro, que considera positivo.

    Wim Duisenberg


    Faleceu Wim Duisenberg, primeiro presidente do Banco Central Europeu, cargo que desempenhou entre Junho de 1998 e Novembro de 2003. Antes disso liderara o Instituto Monetário Europeu, instituição antecessora do BCE, sendo por isso considerado como "o pai do euro".

    Duisenberg estivera recentemente em Portugal, participando no SAS Forum International 2005, altura em que deu um remoque a Vitor Constâncio (*), por causa deste ter acedido a calcular valor do défice para o governo (ver post).

    O jornal Público faz um resumo da carreira deste "economista involuntário" (a opção pela formação e Enconomia foi feita por acaso) que foi ministro das finanças da Holanda entre 1973 e 1977, período durante o qual fez uma transição característica do pensamento económico dominante naquele período: "Confrontado com a crise provocada pelo choque petrolífero, mudou radicalmente o seu pensamento sobre o melhor caminho para induzir crescimento económico. Se nos dois primeiros anos de governo defendera uma política financeira de alto endividamento público (de influência keynesiana), acabou por alterar a sua posição para advogar uma linha de máxima austeridade".


    (*) -A Grande Loja do Queijo Limiano reproduz um artigo de António Borges sobre este assunto - o envolvimento do Banco de Portugal "em questões de uma sensibilidade política extrema" - também com uma posição critica.

    sábado, julho 30, 2005

    TGV e OTA: não. Mas...


    No momento em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Alexis de Tocqueville, é curioso formar-se um movimento contra a realização de grandes projectos de investimento público. Grandes projectos significam impostos elevados, e se tal tipo de despesas tivesse de ser referendado democraticamente, muita coisa ousada e útil não teria sido feita. Cito as palavras de João Carlos Espada no Expresso de hoje: «Tocqueville detectara a ameaça de um "novo despotismo" na era democrática, resultante da tendência dos povos democráticos para não conceberem nada fora ou acima da 'vontade geral'».

    Preocupa-me que toda a argumentação do governo e de outros defensores do TGV e do aeroporto na Ota seja feita exclusivamente na base de argumentos "fracos": 'temos de fazer porque os espanhóis já avançaram e não podemos ficar de fora', 'temos de fazer para não perdermos fundos comunitários', etç. A realização dessas obras com variantes mais económicas (como uma mistura de TGV com alta velocidade, ou a utilização das pistas de Alverca e Montijo, são hipóteses que nunca foram seriamente refutadas.

    Mas também não me provaram que se tratam de "crimes", como já vi escrito. É verdade que o ónus da prova - da bondade dos investimentos - deve caber ao governo, que é quem tem o poder discricionário de decidir sobre a sua realização. Mas não se podem travar investimentos públicos na base da posição radical - tão na moda agora, especialmente na blogosfera - de que tudo o que o governo faz é mal feito. É uma posição ideológica, também ela não fundamentada.

    Tudo avaliado, creio que se justifica um compasso de espera e uma discussão aprofundada sobre estes investimentos. Por isso opto por dizer não à sua realização, para já e nos termos em que o governo os pretende levar a cabo. Apoio o debate em torno do tema. Sendo embora leigo na matéria, o assunto interessa-me e preocupa-me, pelo que tenho incluído aqui referências a pontos de vista diversos sobre o mesmo, e continuarei a fazê-lo.

    O certo é que...


    O certo é que se encontram disponíveis on-line estudos sobre o novo aeroporto na OTA, como por exemplo os seguintes relatórios (cuja numeração indica que fazem parte de um conjunto mais amplo), alojados no site "NAER - Novo Aeroporto" (*) - embora a página-mãe tenha os links desactivados:
  • 4. Recursos hídricos subterrâneos

  • 8. Ecologia

  • 13. Economia regional e local

  • 15. Risco de colisão de aeronaves com aves

  • 16. Estimativa do número de sobreiros afectados

  • Anexos (referenciado por Os Pássaros)
  • No site do Instituto de Acústica (espanhol) encontra-se este relatório:
  • Estudo de Ruído (para Rio Frio e Ota)
  • A Resolução do Conselho de Ministros 18-B/2000 refere alguns dados estatísticos e projecções, bem como alguma argumentação de base contra a viabilidade da Portela.


    (*) - A NAER é uma sociedade anónima constituída pelo D-Lei 198/98, com o objectivo de "proceder ao desenvolvimento dos trabalhos necessários à preparação e execução das decisões referentes aos processos de planeamento e lançamento da construção de um novo aeroporto em Portugal continental."

    Figuinhos


    «Uma sobremesa a honrar os belos figos algarvios e a mais preguiçosa das árvores, a figueira: retire a polpa a 6 figos e bata-a com uma colher de mel, uma pitada de sal e outra de pimenta. Esmague um requeijão com um garfo de modo a ficar cremoso e ponha metade no fundo de uma taça; deite por cima o doce de figos e cubra com o restante requeijão.
    Enfeite com gomos de figo com a pele, regue com um fio de mel e polvilhe com um pozinho de canela. Algum problema? Os bons produtos adaptam-se bem a qualquer cozinha. Nós também.»

    Maria de Lourdes Modesto in Expresso

    Otites e tergiversações (II)


    Rui in Adufe:
    «Não é então razoável que eu, eleitor deste governo, me pergunte (não é preciso o ministro) que TGV e que aeroporto se vão fazer? Comboio a 200 ou a 320 à hora? Com que dinheiro? Com que gestão? Com que sustentação e com que impacto nos Orçamentos de Estado futuros? E com que retorno esperado para a economia nacional?»
    In jornal Público:
    «O ministro da Economia justificou hoje [num artigo de opinião publicado no jornal "Expresso"] a importância da construção do novo aeroporto de Lisboa e do comboio de alta velocidade pelas mais-valias que trazem para o crescimento e competitividade da economia portuguesa. (...) Manuel Pinho indica ainda que o novo aeroporto é financiado "quase exclusivamente pelo sector privado", considerando este "um projecto rentável". Manuel Pinho argumenta também que Portugal não pode ficar "paralisado" e isolado, numa altura em que os espanhóis têm já 9000 quilómetros de auto-estradas e querem alargar a rede de alta velocidade para os 10.000 quilómetros.»
    Vicente Jorge Silva in Diário de Notícias:
    «Assim, a partir do momento em que a agenda política do Governo passou a ser condicionada por este imperativo [medidas de austeridade draconianas que se revelaram inevitáveis devido ao estado das finanças públicas], era forçoso que outras componentes do seu programa fossem reavaliadas e objecto de uma nova síntese, nomeadamente as prioridades do investimento público e os megaprojectos da Ota e do TGV. Ora, isso não aconteceu, como se fosse possível conciliar estritamente a agenda pré-eleitoral e a agenda pós-eleitoral - e os sacrifícios exigidos aos portugueses não obrigassem a um maior rigor cirúrgico na política de investimentos.»
    Ruben de Carvalho in Diário de Notícias:
    «É necessário discutir se a Ota e o TGV são bons investimentos públicos - mas não é isso que está a acontecer recorrendo às dúvidas que os dois projectos levantam, o que a direita e o capital procuram é generalizar a ideia de que todo o investimento público é mau.»
    João Vieira Pereira in Semanário Económico:
    «O que move o governo em teimar levar avante com obras que poucos ou mesmo nenhuns defendem é algo desconhecido. Até agora a única justificação para a construção da OTA e do TGV é birrento “porque sim”. A força do populismo político é maior do que qualquer justificação. O poder político precisa de mostrar trabalho e de ter metas reais a que apontar.
    O plano tecnológico já é história. Agora é a OTA e o TGV que contam. Duas obras sobre as quais nada sabemos e que só começarão a ter efeitos visíveis sobre a economia lá para 2010. Mas duas obras que, pela força de Manuel Pinho e de Mário Lino, e com a complacência de José Sócrates, se tornaram a bandeira política deste Governo.»
    Manuel Alegria in Semanário Económico:
    «(...) milhares de analistas, economistas, jornalistas e “treinadores de bancada” que pululam por este País e que peroram sobre tudo e nada com uma desfaçatez que chega a chocar. Com raras e honrosas excepções, o que temos assistido nos últimos tempos acerca dos projectos da Ota e do TGV é bem ilustrativo desta autêntica paranóia de ser ouvido ou marcar posição, mesmo que do assunto em causa pouco ou nada se conheça. O que pouco interessa, desde que se alinhe pelo discurso da moda, aquele que alguém, bem ou mal intencionado, preparou para que outros, muitos, se possível, debitem a seu belo prazer em meios de comunicação ávidos de sensacionalismo.»
    Pedro Ferraz da Costa in Diário de Notícias:
    «O Governo deixou-se arrastar pelas máquinas de promoção dos grandes projectos e desistiu de assegurar o insubstituível papel do Estado na articulação de políticas e na compatibilização das diversas redes portos, aeroportos, estradas e ferrovias. As opções da Ota e do TGV são duas manifestações desse afastamento das realidades, quer quanto aos custos de investimento e de operação, quer quanto à inoportunidade estratégica face a necessidades mais prementes.»
    José Pacheco Pereira in Abrupto:
    «Todos nós ficaríamos mais informados e poderíamos discutir melhor, aceitando inclusive as razões do governo para tão vultuoso e controverso investimento. Não há nada a temer pois não? Não há segredos de estado, pois não? Não há razões para não se conhecerem, pois não? Até já deviam estar na rede. Eles devem estar feitos em suporte digital, é suposto. Por isso, ainda hoje podem ficar em linha, ou este fim-de-semana. Não há razões para demora. Sugiro também, para no governo se ouvir melhor, que outros blogues e mesmo os meios de comunicação social possam todos os dias repetir a pergunta, o pedido, até ele ter a única resposta razoável. SFF.»
    Carlos Manuel Castro in Tugir:
    «Os defensores do novo aeroporto dizem que a Portela estará esgotada dentro de uma década. Mas, e os restantes aeroportos? Pedras Rubras, Faro? Será que Portugal só tem um aeroporto?
    Continua a lógica do puro centralismo, que no caso do aeroporto, de central nem tem muito.»
    Nicolau Santos in Expresso:
    «Pois agora que aparece um Governo, que disse expressamente em campanha que queria compatibilizar o combate ao défice com o desenvolvimento e o investimento público, aqui d' El Rey que não é possível, tem de se deixar cair a Ota, o TGV e «tutti quanti», porque senão não conseguimos controlar o défice. Em matéria da qualidade do investimento público há certamente um grande debate para fazer - e parece que o Governo está disposto a fazê-lo a partir de Setembro. Em qualquer caso, sem investimento, público e privado, é que o país não vai para a frente. Se são «estes» os investimentos públicos que devem ser feitos é a questão que deve ser discutida. Mas está fora de causa que seja negativo que o Governo tenha dado aos agentes económicos, no início da legislatura, a informação sobre as grandes apostas que pretende fazer nesta matéria ao longo dos próximos quatro anos.»
    José António Lima in Expresso:
    «[Sócrates, na entrevista à SIC] foi convincente na justificação do pacote de investimentos do Governo, na defesa da Ota, do TGV (embora em versão minimalista, deixando cair alguns troços) e de outras obras públicas. Argumentando com a necessidade de não paralisar a economia do país, de ser absurdo que a rede de alta velocidade europeia acabe em Espanha ou de ser insensato não preparar alternativas para o esgotamento operacional a prazo do aeroporto da Portela.»

    sexta-feira, julho 29, 2005

    Últimas edições




    É sempre triste ver desaparecer um jornal - e neste sábado serão dois os que terão as suas últimas edições. Relembro este post d'O Vilacondense sobre uma reportagem feita em 1896 ao Commércio do Porto

    «Em 1854, o jornalismo portuense ocupava-se quase exclusivamente de questões políticas. Nestas circunstâncias, Manoel Carqueja e o dr. Henrique Carlos de Miranda, aos quais se juntou, pouco depois, Francisco Carqueja, irmão do primeiro, acharam que seria viável um jornal exclusivamente comercial. Assim, no dia 2 de Junho daquele ano, surge a público "O Commercio", porque "A Praça do Porto precisa d'um Jornal de Commercio, Agricultura e Industria, onde se tratem as materias economicas, historicas e instructivas deste tres poderosos elementos em que assenta a prosperidade das nações modernas.»

    (Associação Portuguesa de Imprensa)


    O jornal «A Capital» foi fundado em 21 de Fevereiro de 1968 por Norberto Lopes e Mário Neves.