terça-feira, julho 19, 2005

Ventania no governo


Já aqui escrevi que o ministro das Finanças parece um erro de casting. Não se trata de má vontade contra o professor ou menorização das suas capacidades como economista. Ser economista é uma coisa, ser político é outra: além de se perceber do assunto, tem de se ter capacidades de liderança, diálogo, autoridade (sei que isto é um tanto vago, mas não consigo explicar melhor). Creio que é nestas coisas que o senhor derrapa. Vejam a ventania que o Diário de Notícias detectou, a propósito do recente artigo do ministro no jornal Público:
«Dentro do Executivo, o texto de Campos e Cunha, foi visto como uma forma do ministro das Finanças ganhar algum espaço de manobra para a elaboração do Orçamento de Estado (OE) para 2006. "Até agora ele fez o PEC [Plano de Estabilidade e Crescimento] para Bruxelas como quis, fez o Orçamento Rectificativo como quis, ninguém o chateou", afirmou ao DN um governante. "Passados dias, veio o seu amigo Vítor Constâncio dizer que o seu cenário macroeconómico estava desactualizado". Segundo este membro do Governo, Campos e Cunha quis agora, "com alguma ingenuidade", tentar antecipar-se "Foi por isso que escreveu que vai ter de tomar medidas para se ajustar ao novo cenário; ou que, em alternativa, terá de usar a fórmula da Manuela Ferreira Leite - cortar no investimento".»
A acusação subjacente é a de que Campos e Cunha procura obter mais espaço de manobra política. Das duas uma: isto ou é verdade, ou é ficção. Em qualquer dos casos, não cai bem.

Quererá o ministro governar "com o povo" (comunicando directamente com ele) contra os lóbis internos do governo? E terá capacidade para travar essa luta? Vejam como gente do governo responde à estocada - não há mesmo bondade por aquelas bandas. Qual será o próximo movimento de Campos e Cunha?

Aguardo também, com igual curiosidade, a reacção do primeiro-ministro.

segunda-feira, julho 18, 2005

Francisco Varela (1946 - 2001)


«Se toda a gente pudesse concordar em que a sua actual realidade é uma realidade, e que aquilo que essencialmente partilhamos é a nossa capacidade para construir uma realidade, então talvez pudessemos todos concordar num meta-acordo para gerar uma realidade que significaria a sobrevivência e dignidade para todos no planeta, em vez de cada grupo reconhecer apenas um modo particular de fazer as coisas.»

Francisco Varela (in Enolagaia)



«Autopoiese. Poiesis é um termo grego que significa produção. Autopoiese quer dizer autoprodução. A palavra surgiu pela primeira vez na literatura internacional em 1974, num artigo publicado por Varela, Maturana e Uribe, para definir os seres vivos como sistemas que produzem continuamente a si mesmos. Esses sistemas são autopoiéticos por definição, porque recompõem continuamente os seus componentes desgastados. Pode-se concluir, portanto, que um sistema autopoiético é ao mesmo tempo produtor e produto.»

Humberto Mariotti, "Autopoiese, cultura e sociedade".


«Francisco Varela gostava de se apresentar a si próprio dizendo: "Sou um biólogo com interesse nas raizes biológicas do fenómeno cognitivo". A partir deste ponto, ele investigou a base biológica da subjectividade e da experiência consciente, ao longo da sua vida de investigador. Fê-lo de um modo muito original, iluminando este tema fundamental com descobertas profundas e fascinantes.

Nos últimos anos de vida propôs um programa científico, que designou como neurofenomenologia, que visava abordar este problema pragmaticamente.»

David Rudrauf et al, "From autopoiesis to neurophenomenology: Francisco Varela's exploration of the biphysics of being".

Preferências alargadas e reciprocidade


«As investigações, a etnografia e a introspecção, fornecem evidência de que os agentes económicos não agem de forma a maximizar o seu interesse próprio, estritamente definido. Expandir o domínio das preferências para incluir a utilidade de terceiros fornece uma via coerente para alargar a teoria das escolhas racionais.

Existem duas abordagens para inclusão de preferências alargadas, ou sociais, nos modelos de estratégia. Uma delas postula que os agentes possuem preferências alargadas, mas mantém a assumpção convencional de que estas preferências são estáveis. Exemplos proeminentes desta abordagem permitem aos agentes exibir preocupação com o status, inequidade e segurança social. A outra abordagem permite que o contexto estratégico determine a natureza das preferências individuais. Preferências dependentes do contexto podem admitir a possibilidade de que os agentes sejam parcialmente motivados pela reciprocidade. Podem sacrificar o consumo pessoal por forma a baixar a utilidade de agentes maldosos [unkind] ou elevar a utilidade de agentes bondosos [kind].»

Joel Sobel, "Interdependent Preferences and Reciprocity"
in "Journal of Economic Literature", Junho de 2005.

domingo, julho 17, 2005

Nuvem negra digital


O "Economist" inclui um artigo sobre o "mau tempo" que parece estar a ameaçar as relações entre os produtores de software e os consumidores, a propósito de alguns desenvolvimento dos chips, nomeadamente a tecnologia dual-core: "Business's digital black cloud". Trata-se de uma resposta ao problema do aquecimento, provocado pelo aumento vertiginoso das velocidades e número de operações que ocorre no interior de um chip: com dois cores consegue-se uma diminuição considerável das temperaturas, já que as operações são divididas pelas duas unidades. Apesar de tudo ocorre um fenómeno de "rendimentos decrescentes" - devido a perdas internas e limitações de design, o dual-core não fornece exactamente o dobro da perfomance, mas qualquer coisa entre 1,3 e 1,8.

Esta solução técnica está a levantar um problema às empresas de software, que costumam fixar as suas licenças em função do número de chips de uma máquina, e a Oracle parece ter já começado a cobrar o dobro por cada dual-core. Os consumidores reclamam, pois o dual-core é apenas uma solução para tornar o chip mais rápido, tal como aconteceu com muitos outros desenvolvimentos técnicos, sem que as empresas de software tenham aumentado as tarifas.

O artigo refere ainda outras técnicas para aumentar a perfomance dos computadores, tais como a "virtualização", que faz com que o computador opere como se fosse várias máquinas em simultâneo, e os esforços das empresas e consumidores para ajustar os preços a estas novas situações.

sábado, julho 16, 2005

Propriedade Cultural


A revista "Cultural Property" deu um salto no tempo, retomando a publicação interrompida em 2002; saíu agora o nº 12, com uma série de interessantes artigos (de acesso livre) incluindo este "Heritage Trouble: Recent Work on the Protection of Intangible Cultural Property":
«Um factor relevante, originando preocupações acerca do destino da propriedade cultural intangível, é a ascensão da Sociedade da Informação, que tem manifestado uma aptidão para isolar a informação dos contextos culturais que lhe dão significado. (...) Este ensaio faz a revisão do trabalho académico e de iniciativas políticas recentes, relacionados com a propriedade cultural, visando identificar os seus méritos e deficiências.»
Igualmente interessante é o editorial sobre "Cultural Property and the International Cultural Property Society", contextualizando as recentes investigações neste campo.

sexta-feira, julho 15, 2005

Mitologia


Steve Horwitz - conforme refere Glen Whitman no Agoraphillia - anda a derrubar os grandes mitos económicos, os quais são:

  • que a grande depressão foi um falhanço monumental do capitalismo, que só veio a ser corrigido pelo New Deal e pela II Guerra Mundial;
  • que o custo de vida aumentou sustentadamente durante o século XX;
  • que os ricos estão a ficar mais ricos e os pobres mais pobres;
  • que as mulheres ganham 74 cêntimos por cada dólar ganho pelos homens.
  • Environmental Economics


    Environmental Economics: um excelente blogue. Abordagens e exemplos interessantes em torno da análise custo-benefício:
    «A noção de que um objectivo de poluição-zero não é necessariamente ideal, é um dos mais difíceis conceitos que os economistas ambientais têm para transmitir. Afinal, se a poluição é má, não se deveriam conceber políticas para a sua completa eliminação?»
    Igualmente interessante o texto sobre "Free Market Ambientalism":
    «O Teorema de Coase conduz ao que é conhecido como "free market environmentalism." O Commons Blog é o sítio de discussão dos temas do "free market environmentalism". A ideia base é a seguinte:

    O "free market environmentalism" (FME) rejeita o modelo da "falha de mercado"... Os recursos de propriedade ou gestão privada e que, portanto, se encontram no mercado, são tipicamente bem mantidos. Os recursos que são politicamente apropriados ou geridos, e portanto estão fora do mercapo, são mais aptos e serem inadequadamente geridos"»

    Passagem do tempo




    Esta fotografia da praia de Sesimbra, colocada por um aluno do ISEG no seu fotoblog, fez-me regressar aos meus tempos de estudante. Podia ser eu, ali, no início dos anos 70. Mas não: o tempo passa.

    quinta-feira, julho 14, 2005

    WorldCom


    Bernard Ebbers, antigo CEO da WorldCom, foi sentenciado a 25 anos de prisão, pela responsabilidade na montagem da maior fraude contabilística da história dos EUA. A sentença, no entanto, foi menor que as previsões, que davam como quase certa a prisão permanente.

    Notícia da CNN.

    quarta-feira, julho 13, 2005

    Manufuture Portugal


    Tem hoje lugar, na U. Católica (Porto) a primeira Assembleia Geral do Fórum Manufuture Portugal, uma "antena" da Manufuture - Platform on Future Manufacturing Technologies, plataforma criada pela Comissão Europeia para perspectivar o futuro da indústria europeia no horizonte temporal de 2020 - da qual o português Carlos Costa é Vice-Presidente. Um dos objectivos da reunião de hoje é a eleição dos corpos sociais. A Manufuture Portugal já tinha sido apresentada públicamente em 30 de Maio, numa sessão que decorreu nas instalações da Caixa Geral de Depósitos.

    Documentos da Manufuture:
  • Visão
  • Conferência de 2003
  • 1ª reunião do Grupo de Alto Nível (28.Fev.2005)
  • terça-feira, julho 12, 2005

    Para Espanha e em força...


    O Banco de Portugal, com base nos dados do primeiro trimestre de 2005, revê em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para o corrente ano, a qual passa a ser de apenas 0,5 % [o PEC foi elaborado com base numa previsão de 0,8 %]. Resta saber qual será a nova previsão para o défice-Constâncio - o tal elaborado segundo o pressuposto: "se nada se fizer..."

    Já Sócrates, na apresentação do programa de apoio às pequenas e médias empresas (que inclui uma orientação estratégica claramente vocacionada para o mercado espanho) "afiançou que o problema do défice das contas públicas será resolvido pelo Estado sem causar prejuízos à economia portuguesa".

    Mira, hombre, si usted lo dice...

    Notícias no Público e no Jornal de Notícias.

    domingo, julho 10, 2005

    Renault/Nissan


    Segundo o Diário Económico, o Governo aprovou a minuta do contrato de investimento a celebrar entre o Estado e a aliança Renault/Nissan, no valor de 87,3 milhões de euros (M€). O projecto de investimento consiste na "expansão e modernização da unidade industrial da Companhia Aveirense de Componentes para a Indústria Automóvel, em Aveiro. De acordo com o Governo, o investimento deverá criar 251 novos postos de trabalho, "para além da manutenção dos 736 já existentes".

    Veja um mapa com a implantação mundial da Renault/Nissan (onde Portugal não consta) e das fábricas europeias (onde está a de Setúbal, que já não existe) e no resto do mundo [Dados de um dossiê do Le Monde, de 1999, disponível aqui].

    Florestas


    Miguel Cadilhe aposta no sector florestal:
    «É, antes de mais, uma excelente oportunidade de investimento, desde que estejam reunidas certas condições que ao Estado cabe fazer cumprir. Oportunidade que a API pode e deve apresentar a investidores nacionais e estrangeiros. Nesse sentido, foi elaborado, há mais de ano e meio, o dossiê especial "Investir nas Florestas Portuguesas" e sobre ele têm-se realizado várias e intensas acções comerciais. A floresta é um bom exemplo de recurso endógeno português adequadamente integrado a jusante, tendo dado origem a uma fileira florestal sólida e muito relevante para a nossa economia. De facto, a cadeia de valor a jusante é uma das raras situações em que empresas portuguesas, criadas e detidas por portugueses, são líderes a nível mundial ou são marcante referência na sua área. No conjunto, estamos a falar de mais de 10% das nossas exportações e de mais de 160 mil postos de trabalho.» - Jornal de Negócios
    Conferência da API sobre florestas

    Superavit milagroso


    «As finanças do Vaticano registaram em 2004 um excedente orçamental de 3 081 820 euros, depois de ter fechado os exercícios anteriores com défices de 9,5 e de 13,5 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados.» - Diário de Notícias

    sexta-feira, julho 08, 2005

    Contra o terrorismo e o relativismo


    Manifesto aqui uma posição muito firme contra o terrorismo, como "modalidade" de prática política. Mas também contra o relativismo daqueles que, embora posicionando-se contra os atentados, condenam a forma mas suavizam a responsabilidade subjacente dos autores e dos seus simpatizantes.

    Esse relativismo manifesta-se de várias maneiras: uma delas é a de constituir uma cadeia de responsabilidades, no fim das quais se encontra a sociedade ocidental e as suas políticas, apelidadas de "agressivas", "egoistas", etç. Pondo os nomes nas coisas: para estes "relativistas" os verdadeiros responsáveis são os "Bushes" e os "Blairs", dirigentes políticos do ocidente, que exploram os países pobres, que lhes fazem guerras etç.

    Outra forma de relativismo é o de dizer que os autores são um bando qua nada tem a ver com os povos árabes, ou muçulmanos. É certo que os povos árabes e/ou muçulmanos não são terroristas, mas há nessas comunidades um forte sentimento de simpatia por estes ataques, de acordo, aliás, com o argumento anterior: os verdadeiros responsáveis seriam os líderes ocidentais.

    Não defendo uma radicalização da confrontação civilizacional, mas não me parece inteligente fingir e dizer que ela não existe. As forças económicas (anónimas, e não essas personificações dos "capitalistas maus") estão a provocar alterações abruptas na vida das pessoas e das comunidades, para o bem e para o mal. Perante os problemas, uma corrente de opinião auto-nomeada de "esquerda", recuperando os argumentos marxistas dos século XX, atira as culpas para cima das grandes empresas e dos líderes políticos dos países capitalistas.

    Pura ilusão: o que de bom e de mau o capitalismo faz, sai das nossas mãos e das nossas cabeças. Com as mais simples decisões que cada um de nós toma, no dia-a-dia, contribuimos para o rumo que a economia e a sociedade toma. Nós é que decidimos, involuntariamente, que havia de ser assim. Tal como os povos dos países economicamente menos desenvolvidos contribuiram para o rumo que os seus países tomaram.

    Está na moda criticarmos a nossa própria civilização, tal como os hippies criticaram a sua, virando as costas aos valores da sua comunidade para adorar as filosofias orientais, o pacifismo e o "regresso à natureza". Esta atitude auto-crítica tem alguma razão de ser: dizem os evolucionistas que se encontra incorporada nos nossos genes, tratando-se de uma insatisfação necessária para a mudança. Se estivessemos contentes com tudo, nada mudaríamos.

    Mas, quando nos atacam, da maneira como o fazem, é errado ajudarmos o agressor com essa auto-flagelação. Seria bom que os críticos relativistas tomassem posição quanto a isto: é o modelo das outras sociedades e comunidades que deve ser seguido ?

    (Adenda:)
    Há quem saliente a "coincidência" entre os atentados e cimeira do G8. A mim impressiona-me mais a "coincidência" com o "Live 8", esse peditório feito em tom arrogante, como quem se aproxima dum milionário exigindo a devolução do dinheiro que roubou às suas pobres vítimas.



    Nota - o último parágrafo acrescentado como "adenda" fazia parte da primeira versão deste post, que retirei muito pouco tempo depois de inserir o post, por me parecer que se desviava do objectivo principal de demarcar o relativismo. No entanto O Insurgente foi suficientemente rápido e fez uma citação [aqui] salientando precisamente a frase eliminada, dando origem a um debate, quer sobre o assunto, quer sobre o parágrafo "fantasma" - o que me levou a reinclui-lo, para não deixar a citação órfã.

    quinta-feira, julho 07, 2005

    Direito e... Neuroeconomia


    A ligação entre o Direito e a Economia, no domínio teórico e científico, tem já uma importante tradição, consubstanciada na corrente teórica "Law & Economics", que deriva das propostas de Ronald Coase, divulgadas nos seus artigos "The Nature of the Firm" (de 1937) e "The Problem of Social Cost" (de 1960), bem como na Escola da Regulação. Não admira por isso que os mais recentes desenvolvimentos da Neuroeconomia também estejam a merecer a atenção deste campo teórico.

    É o que acontece com o artigo de Terrence Chorvat e outros, "Law and Neuroeconomics" - um paper da George Mason University Scholl of Law. O artigo faz um bom resumo da corrente "Law & Economics":
    «A área do "Direito e Economia" tem tido tanto sucesso que até algumas das mais avançadas áreas da Economia neoclássica, como a Teoria dos Jogos, já começou a ser aplicada a temas legais. Esta sub-disciplina tem estado a atrair aderentes, embora a sua aparente hiper-racionalidade não tenha ainda recebido, no ambiente académico do Direito, o grau de adesão que se tem verificado com a Teoria dos Preços»
    Os autores referem a seguir os desenvolvimentos da Economia Comportamental e Experimental, debruçando-se depois sobre a Neuroeconomia, definindo-a como "o estudo de como o cérebro interage com o ambiente externo para produzir comportamento económico". São descritos os desenvolvimentos recentes nas técnicas de imageologia, e também as experiências em torno dos comportamentos de confiança e reciprocidade, comportamentos perante o risco e a reciprocidade. O artigo termina com a avaliação das implicações de tudo isto para a disciplina do Direito, abordando as questões contratuais, os direitos de propriedade, as organizações económicas (enquadramento contratual, etç.) e as decisões jurídicas. Das conclusões, destaca-se:
    «A evidência neurológica e psicológica mostra que o cérebo não é uma Máquina Universal de Turing, resolvendo com agilidade equações diferenciais parciais, segundo parece ser requerido por algumas hipóteses. Está bem concebido para desempenhar certas funções, não não é assim tão bom noutras tarefas. A evolução não gastou energia a conceber um mecanismos cerebrais para desempenho de operações irrelevantes. Ao explorar estas estruturas, melhoramos simultaneamente os nossos conhecimentos sobre o comportamento humano e a nossa capacidade para prever como reagirão os indivíduos perante as regras que pretendemos adoptar.

    Agora que a tecnologia médica avançou até ao ponto em que podemos examinar o cérebro no próprio acto de desempenho de funções, podemos avançar dos modelos simples da Economia neoclássica e até da Economia comportamental, para a análise do que ocorre a níveis mais profundos do cérebro. Isto traduzir-se-á em melhores modelos do comportamento humano e, consequentemente, numa melhor compreensão dos problemas legais.»

    "Toma lá cinco"


    "O tempo passa, rapaz, o tempo passa..." dizia Alexandre O'Neill no poema "Toma lá cinco". Pois faz hoje, 7 de Julho, um ano que foi publicado aqui o primeiro post, "Mais ou menos Estado". Não que eu seja muito de comemorações, mas esta caminhada bem merecia alguma reflexão, e um ano seria a altura ideal para tal. Mas também para isto, o tempo, na melhor tradição económica, "escasseia". Brindemos então ao tempo que passa.

    Uma saudação para os leitores e comentadores, na pessoa do autor do primeiro comentário, Rogério Santos, do Indústrias Culturais, com o seu voto inaugural de "longa e feliz vida". O qual eu retribuo a toda a blogosfera.

    Imagens bem humoradas


    A fotografia do post anterior é deste site: Cafe de Bok, onde se encontram outras fotos bem humoradas, tais como:
  • pack de escovas de dentes com cabo USB
  • um estádio certamente mais barato que os nossos do Euro
  • um rato "très utile"
  • crise de ar condicionado
  • inovadora projecção geodésica
  • a prova de que os portugueses não detêm o exclusivo do desenrascanso...
  • ...nem da criatividade
  • Mais um record português


    É conhecida a febre portuguesa de bater recordes em coisas fúteis, como foi o recente caso do maior pão com chouriço domundo (1 km !) em que batemos os americanos, detentores do anterior record. É obra!

    Mas eis que, mesmo desaparecido, António Champalimaud entra também para a corrida, pois o quadro de Canaletto da sua coleção ("Il Bucintoro al Molo il Giorno dell'Ascensione") acaba de bater o record do valor de venda de um quadro daquele pintor: 16,8 milhões de euros (Diário de Notícias).

    Angola versus FMI


    Angola anda de candeias às avessas com o Fundo Monetário Internacional, por causa de um relatório desta instituição, que se encontra disponível no site do FMI (ver aqui) onde se afirma que "As autoridades [angolanas] fizeram progressos limitados no sentido de alterar a composição da despesa pública, dominar a corrupção, acelerar as reformas estruturais, desenvolver um enquadramento macroeconómico a médio prazo ou reescalonar os dispendiosos empréstimos em moeda estrangeira". Num outro parágrafo lê-se: "O legado da prodigalidade fiscal e corrupção durante a guerra civil consiste numa considerável dívida externa de curto-prazo, num elevado encargo com o funcionalismo público e em instituições públicas que ainda exercem um poder de mercado exagerado, com pouca prestação de contas".

    Em causa está também este estudo de John McMillan: "The Main Institution in the Country is Corruption: creating transparency in Angola", que chegou a estar disponível no site do FMI (para a conferência de hoje) mas parece ter desaparecido dali.