terça-feira, maio 31, 2005


«O nosso sistema de Segurança Social preenche um grande conjunto de funções, que são muito diferentes entre si, e que deveriam obedecer a lógicas bem diferenciadas. Esta simples constatação traz consequências da maior relevância para a forma como o sistema deve ser organizado e financiado.»
(...)

Diogo de Lucena - Diário Económico

Surpresa...


Segundo o Diário de Notícias na primeira reunião do Conselho de Administração da Galp, «A grande surpresa foi a nomeação do ex-presidente da Câmara do Porto e ex-ministro de António Guterres, Fernando Gomes, para administrador executivo. Fernando Gomes fica, aliás, com um dos pelouros mais apetecíveis, o da exploração petrolífera. Uma área de negócio importante para o futuro da empresa, que já tem poços de petróleo em Angola e no Brasil, e pretende expandir esta actividade a outros países.»

Ficaram surpreendidos ? Então esperem só pela surpresa que vão ter quando começarem a aparecer os resultados "executivos"...

sábado, maio 28, 2005


  Trio  

 Hyperballad 
  Bjork  

 Hyperballad 

sexta-feira, maio 27, 2005

Competências paralelas


Ao tomar conhecimento de que o antigo presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, foi nomeado para a administração da GALP, mas não para a Presidência da empresa, vieram à memória as declarações de Isaltino de Morais, acerca das pressões que recebeu de Marques Mendes para colocar um amigo deste na presidência das Águas de Portugal. Como Isaltino não reconhecia "competência técnica" ao referido protegido, nomeou-o apenas para administrador das referidas Águas. Será que Sócrates também acha que Fernando Gomes "não tem competência" ?

Depois das declarações de Isaltino de Morais, ser nomeado por um ministro para administrador de qualquer coisa, sem ser a presidência, pode tornar-se muito suspeito. Muito suspeito mesmo.

Abençoado povo...


Diz o governo que o adicional do imposto sobre o tabaco vai para o défice da saúde; que o aumento da taxa sobre combustíveis vai financiar as SCUDs, e que o acréscimo do IVA ("aspecto muito importante", disse o sábio Sócrates) é para o buraco da Segurança Social.

Parecem criancinhas a jogar ao monopólio, donas-de-casa à antiga colocando, no início de cada mês, em envelopezinhos bem comportados, as verbazinhas para a renda da casa, para a água, para a luz, para o gás, para o leite...

Não lhes ocorreu que isto contraria o princípio orçamental da não consignação de receitas ? É claro que esse princípio não é um dos dez mandamentos inscrito a fogo nas tábuas sagradas - é apenas uma regra de boa gestão financeira.

E é claro: com o aumento de impostos o peso do Estado na economia vai aumentar. Não faz mal: daqui a algum tempo aparece novo governo, impoluto como se tivesse saído novinho em folha do big-bang cósmico, a dizer: "os malandros da seita do Sócrates ainda aumentaram mais o peso do Estado; foi uma asneira, que nós agora vamos corrigir", etç.

E não é para estranhar. Acaso não somos nós os descendentes dos Portugueses, esse glorioso povo em cujo seio, em vésperas de Aljubarrota, um avisado conselheiro disse ao nervoso Mestre de Avis: "prometei o que não podeis cumprir, oferecei o que não é vosso". Abençoado povo que de tão ilustre linhagem descende. Pois que se trata, de facto, de uma descida. Aos Infernos.
Lei n.º 91/2001, de 20 de Agosto
Lei de enquadramento orçamental
Artigo 7.º
Não consignação

1 - Não pode afectar-se o produto de quaisquer receitas à cobertura de determinadas despesas.

terça-feira, maio 24, 2005

Alegria, Alegria




 Alegria Alegria 


O Grupo G/9 gravou, em 1968, o LP "Brazil Now", para exportação, onde icluiu esta versão de "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso - um dos manifestos do Tropicalismo. Nesse mesmo ano, Caetano e Gilberto Gil seriam presos pela ditadura militar e, meses depois, exilados do Brasil. Na sua curta passagem por Portugal a caminho de Inglaterra, esta canção daria azo a um interessante episódio no castelo de Sesimbra, onde Rafael Monteiro (pensador integrado no movimento da Filosofia Portuguesa) quase convencia Caetano da natureza esotérica da canção, episódio evocado por Caetano no seu livro "Verdade Tropical".

Rafael Monteiro - que Caetano designa como "o alquimista" - deu uma interpretação nova aos versos da canção que surpreendeu o cantor, o qual conhecia um pouco das ideias destes filósofos desde os seus tempos de estudante, através do contacto com Agostinho da Silva na Universidade de Salvador.

upload original: Sabadabada

Delírio orçamental


Eis, de novo, o suspense orçamental. Por onde seguirá o governo: pela via do "inevitável" aumento de impostos, considerado imprescindivel por metade dos economistas, e "indesejável mas inevitável" pela outra metade ? Ou cumprirá Sócrates a promessa de manter o "estado social", fazendo crescer as receitas pelo lado da oferta ?

Sei que as promessas de Sócrates cheiram a utopia, desejável mas irrealizável. Mas o facto é que a via do aumento de impostos e das "medidas difíceis" já leva uns anitos de aplicação (essa é que é essa) sem resultados estruturais e duráveis.

Por momentos tive um delírio, imaginei, por escassos segundos, que Sócrates seria capaz de o fazer. Começaria por afrontar a União dizendo que a política de correcção dos desequilíbrios estruturais teria de ser de longa duração - 8 a 10 anos - e que nos primeiros 4 ou 5 o défice terá de subir, para depois descer sustentavelmente a caminho do superavit.

Iniciaria depois um pocesso de intrapreneurship público, começando a transformar diversos serviços e institutos públicos em empresas privadas, com apoios aos funcionários que estivessem dispostos a arriscar o emprego em tais iniciativas. O objectivo dessas empresas seria o fornecimento de serviços, actualmente públicos, mas privatizáveis num curto prazo, criando um mercado para tais empresas.

A alternativa, para os funcionários de tais serviços que não queiram fazer a transição para o privado, seria a reforma antecipada forçada e em condições penalizadoras. A lógica de tudo isto seria: como uma parte dos serviços públicos tem obrigatoriamente de deixar de pesar no orçamento, mais vale esta transição suave do que um colapso, de consequências mais graves para os próprios funcionários.

segunda-feira, maio 23, 2005

Criatividade fúnebre


Dizem que a morte e o erotismo andam associados, mas neste caso não só dizem, como fazem: o marketing da empresa italiana de caixões Cofanifunebri recorre a imagens peladinhas para promover a sua linha "Fashion"; experimente dar uma "volta" pelos modelos disponíveis: Orquídea, Padre Pio, Cristo Europa, Madonna, Grega e esta autêntica metáfora ao eterno desejo de ver as morte pelas costas, que é o modelo Estilo Império.

A complementar a linha, sugestivos calendários, certamente muito úteis para se irem marcando os dias que faltam para a fatídica data. Ora vejam:

20031 - 23 - 45 - 67 - 89 - 1011 - 12
20041 - 2 3 - 45 - 67 - 89 - 1011 -12
2005123456789101112

E o merchandising não fica por aqui, pois ainda existem porta-chaves, T-shirts (como esta, com o slogan "I told you I was sick") e um sabonete, cuja embalagem é verdadeiramente animadora.

INE faz 70 anos



O Instituto Nacional de Estatística celebra 70 anos. Em entrevista ao Público, o seu director, José Mata, reconhece limitações - orçamentais e outras - e promete aumentar a quantidade e acessibilidade "amigável" dos dados on-line. Como maior capital do INE, indica "a percepção de que não é alvo de manipulações".

Bracelete reactiva



(clique)

O Lumiloop é uma bracelete "reactiva" concebida por Elise Co e Nikita Pashenkov. Consiste num conjunto de módulos de LEDs que formam imagens, reagindo aos movimentos do utilizador. Cada módulo é constituído por uma matriz de 8x8 LEDs, sendo as imagens originadas por diferentes programas que, por sua vez, respondem a sensores. Um dos programas tem um "acelerómetro" que interpreta os movimentos do braço, gerando correspondentes padrões luminosos.

Blogues de empresas


As empresas procuram aderir à blogosfera, não apenas como clientes externos, mas como produtores de blogues capazes de captar a procura por este novo meio.

Um artigo no Público de hoje dá dois exemplos: a Vespa e a General Motors. No caso da Vespa, ainda em desenvolvimento, trata-se-á de 2 blogues mantidos por 4 bloggers - não remunerados mas com direito a antevisão dos produtos e serviços da marca. Um dos blogues será vocacionado para «a celebração do estilo de vida urbano, incluindo artigos, dicas, truques e linques para ajudar os indivíduos a circular pela cidade com maior rapidez, facilidade e prazer». O outro concentrar-se-á na «viagem a que chamamos 'vida', ajudando as pessoas a ir do ponto A até ao ponto B nas suas vidas, tanto literalmente como "existencialmente".» Ambos os blogues serão geridos pela empresa CooperKatz, que oferece este novo serviço à generalidade das empresas. (Mais informações em: VespaBlogs.com FAQ)

O blogue da GM é o FastLane Blog, mantido pelo vice-presidente da empresa, Robert A. Lutz.

Também o jornal Le Monde aborda esta tendência, dando como exemplos a Microsoft com a sua XBox, a Sony com a Playstation, e a Nike (exemplos: o desactivado The Art of Speed e The DailySNKR).

"Tudo normal"


Temos de reconhecer que a encenação da "crise do défice" está bem armada: dias e dias de expectativa, fugas de informação, anúncios oficiosos de medidas, etç; depois, à segunda-feira, o Super Constâncio vai solene ao palácio entregar a Obra (que é, recordemos, uma "previsão", especialidade de economistas); logo de seguida o "mister" das Finanças passa recibo da coisa e diz ao povo para ter calma; no dia seguinte haverá Conselho de Ministros, seguido de conferência de imprensa e, quarta-feira, o nosso Primeiro irá ao Parlamento para o anti-climax. O timing é impecável, as expectativas estão a ser bem geridas, o povo foi devidamente "sondado" através de boatos sobre sCUTs e impostos - espécie de versão pós-moderna da "consulta pública".

Enfim, "tudo normal", como dizia num anúncio um tipo que tinha passado o dia em filas de trânsito.

domingo, maio 22, 2005

Do que os portugueses necessitam: música



Miha Pogacnic é um músico esloveno que ensina criatividade nas empresas por meio da música. «A sua abordagem é intrigante. Através da sua música Miha revitaliza as percepções das audiências acerca da organização e da sua estrutura. Descontrói grandes obras musicais, tais como a Fuga em Sol menor de Bach, para mostrar o desenvolvimento da vida e das organizações humanas. Liberta os processos de pensamento, gerando criatividade.»

Mais informações sobre Miha na Celebrity Model Management e Loïc Le Meur's WebLog. Algumas fotografias aqui.

Viralata




 Backyard 

 ( versão alternativa spooky-mix


O projecto Viralata reside na colaboração musical, via Internet, de músicos das mais diversas origens, tendências e estilos, constituindo bandas virtuais em que cada um colabora com o instrumental que domina. Os trechos gravados são trocados on-line, cada um acrescentando a sua criação ao trabalho dos restantes.

Viralata é um projecto original do produtor musical Charles Di Pinto, um americano naturalizado brasileiro, e Carmela Toninelo, brasileira, residindo actualmente em Porto Alegre.

Ficha técnica de Backyard:

Voz - Fernanda Takai (Belo Horizonte, Brasil)
Guitarras - Chris Shandrow (Bloomington, EUA)
Baixo - Par Svensson (Ostersund, Suécia)
Bateria - Pedro Belleza (Porto Alegre, Brasil)
Produção - Cholly (Toronto, Canada)
Vocal adicional - Pedro Verissimo
Fotografia: Fernanda Takai, vocalista da banda Pato Fu

sábado, maio 21, 2005

Nano-bio-info-cogno-tecnologias


Zack Lynch, do "Neurosociety Institute" (Califórnia, EUA), tem-se dedicado à divulgação das implicações sociais de neurotecnologia, nomeadamente através do seu blog BrainWaves. Num paper que teve a gentileza de nos enviar, "Neurotechnology and Society", Zack Lynch analisa as implicações para a sociedade da convergência das tecnologias "nano-bio-info-cogno", abreviadamente NBIC (1).

Assumindo os ciclos longos (50 anos) de mudança tecno-económica, estaríamos na fase final da 5ª onda desde o início da revolução industrial, correspondente ao ciclo de difusão da tecnologia da informação. A próxima onda será a da neurotecnologia: "o conjunto de ferramentas que pode manipular o sistema nervoso central dos humanos, especialmente o cérebro".

Os primeiros ciclos, ou ondas de inovação, que Lynch apresenta aqui, foram:
1770-1830 - mecanização da água
1820-1880 - ferrovia e distribuição
1870- 1920 - electrificação
1910-1970 - "motorização" da economia industrial
1960-2020 - tecnologia da informação
A neurotecnologia nascente "está a ser acelerada pelo desenvolvimento de nanobiochips e imageologia cerebral que tornarão as análises neurológicas precisas e baratas" - exactamente o que o microprocessador fez para o tratamento de dados. Entre as aplicações previsíveis estarão "a melhoria intencional da estabilidade emotiva, das actividades cognitivas e a extensão das experiências sensoriais". Poder-se-ão prever igualmente combinações com tecnologias complementares em novos sectores como a neuro-finança.

Como em qualquer outro desenvolvimento tecnológico, advirão oportunidades mas igualmente ameaças. Por um lado surgirão curas para os disturbios mentais e novas oportunidades para o crescimento económico e o florescimento cultural. Por outro lado poderá ocorrer a "manipulação mental com fins coercivos ou deletérios, como o apagamento selectivo da memória".

A medicina e a farmacologia beneficiarão igualmente destas tecnologias; surge aqui o conceito de neurocêuticos, que poderão ser classificados em três categorias:
  • cognicêuticos - focados nos processos de tomada de decisão, aprendizagem, atenção e memória;
  • emoticêuticos - para influência dos sentimentos, estados de espírito e motivação;
  • sensocêuticos - que podem ampliar as nossas capacidades sensoriais.
  • Zack Lynch antecipa que os agentes económicos poderão ser equipados com "sistemas emocionais de previsão que lhes proporcionarão feed-back instantâneo acerca das suas inclinações emocionais esperadas, relativamente a um dado negócio. Por forma a reduzir os erros de previsão, emoticêuticos impedirão os agentes de evoluir para estados emocionais "quentes" que podem provocar decisões menos adequadas".

    * * *

    É um tema muito interessante. Existem muitos exemplos de como as novas tecnologias proporcionam inicialmente produtos muito toscos (recordem-se os primeiros automóveis) e aparentemente pouco promissores. A imageologia cerebral e a investigação do funcionamento do cérebro - e até mesmo a neuroeconomia - parecem distantes duma aplicação prática, embora se apresentem promissores para a "explicação pura" dos fenómenos mentais - mas não deve faltar muito para que possamos adquirir um gadget ou embalagem dum produto banalizado a partir destes desenvolvimentos científicos.

    Tudo isto é, ao mesmo tempo, fascinante e perturbador. Os amantes de livros e filmes utilizam as obras literárias e cinematográficas com prazer, mas temos de folhear muito papel e piscar muito os olhos no escuro até encontrarmos aquelas raras obras que nos emocionam profundamente. Será que um dia encontraremos esses estados cognitivos e emocionais à venda na loja da esquina ?


    (1) O acrónimo NBIC (Nano-bio-info-cogno-) também aparece escrito,em páginas de lingua espanhola, como: "BING (Bio, Info, Nano, Gno)", existindo mesmo um blogue vocacionado para as tecnologias emergentes com esse nome: BING (Bio, Info, Nano, Gno)

    Crédito em contra-ciclo ?


    O crédito ao consumo deu sinais de aumento no início de 2005 - isto apesar da situação de indefinição política que se viveu naquele período; que venham os teóricos das expectativas e expliquem tal fenómeno.

    O crédito mal-parado, pelo contrário, diminuiu. (Diário de Notícias)

    sexta-feira, maio 20, 2005

    Quem sabe...


    O Correio da Manhã inclui hoje uma extraordinária notícia: na Russia, um lago desapareceu literalmente, deixando em estado de choque a população vizinha. Os cientistas russos colocam a hipótese da água ter sido sorvida para o sub-solo, mas uma moradora idosa sentenciou em sentido diferente: "Os americanos finalmente apanharam-nos!".

    Quem sabe...

    Inovação na criminologia


    Maria José Morgado propõe a criação de um novo crime: "crime de delito por enriquecimento ilícito", para casos superiores a um milhão de euros; incluiria tudo aquilo que constituir diferença entre a declaração legal de rendimentos e os seus sinais de riqueza, cabendo ao contribuinte o ónus da prova.

    M. J. Morgado Caracterizou ainda Portugal por ter “um modelo de capitalismo felgueirense” que se baseia “no clientelismo, no suposto desenvolvimento da economia, baseado na troca de favores políticos” (in Correio da Manhã)

    quinta-feira, maio 19, 2005


    «Na última década, muitos economistas ocuparam a pasta das Finanças. Nem por isso o défice diminuiu. A razão é que, de Sousa Franco a Bagão Félix (para não recuar ao cavaquismo), os ministros das finanças serviram políticas e primeiros-ministros. Não foram eles que erraram, mas aquelas políticas; e, salvo casos pontuais e conflitos esporádicos, a maioria nunca se opôs aos paradigmas que lhes foram impostos»

    Pedro Lomba - Diário de Notícias


    «Em Portugal, as aventuras do défice pertencem à literatura de ficção. E os mais célebres heróis romanescos sempre manifestaram uma singela predilecção pelo Ministério das Finanças. A linguagem, no mais depurado estilo poético, resvala para o pequeno acidente, e a espaços, revela uma estranha e tranquila certeza. Sem particular variação, o enredo recorre quase sempre ao elogio da “competitividade”, ao estímulo da “inovação”, à virtude da “especialização”. E resta ainda a apologia da “qualificação”, factor determinante para a “potenciação” das “vantagens competitivas”. Se a linguagem toca a perfeição, os resultados insistem em revelar a perfeição de um desastre.»

    Carlos Marques de Almeida - Diário Económico


    «O ministro das Finanças diz que temos de poupar duzentos milhões de contos por ano. O Estado vai ter de poupar mil milhões de euros – duzentos milhões de contos – durante cada um dos quatro anos desta legislatura. Quatro mil milhões de euros no final da legislatura daqui até 2009. E vai ter de se poupar em algum lado. É evidente que congelar os salários da Função Pública não é uma medida popular, mas há muita gente na actividade privada que não tem aumentos de salários há vários anos e os sacrifícios devem ser iguais para todos.»

    Miguel Sousa Tavares - Diário Económico

    Sem emenda


    O Diário de Notícias noticia que, segundo o Boletim estatístico de hoje do Banco de Portugal, «as necessidades líquidas de financiamento das Administrações Públicas até Março de 2005 agravaram-se 124,2% em termos homólogos (face ao mesmo período do ano anterior.»

    Os agravamentos, conforme o sector, apresentam as seguintes percentagens:
    Administração Central - 97,8%
    Administração regional e local - 30,4%
    Administração local - 78,4%
    Assim vai a nossa Administração: sem emenda.

    quarta-feira, maio 18, 2005

    Capital de risco em Portugal


    Segundo a Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI), os investimento em capital de risco aumentaram 23%, atingindo os 124 milhões de euros. O número de empresas beneficiadas aumentou em 2004 para as 116 (estes dados não incluem os investimentos de não-residentes).

    Na distribuição por sectores, destacaram-se os serviços e bens de consumo (21% dos investimentos) indústria (15%), saúde (6%), energia (11%). A informática sofreu uma queda, quedando-se em 1%.

    (Diário de Notícias)

    Ainda o caso Bombardier


    Um leitor deste blogue, no post que escrevi sobre a Bombardier, deixou o seguinte comentário: «Pena que o senhor deste blogue não "perca" tempo em opinar sobre o caso ESCOM». O leitor não o afirma, mas pareceu-me estar subentendida a insinuação de que eu estaria a privilegiar a denúncia de certos casos (que afectam o actual governo) em detrimento de outros (que afectariam o governo PSD/CDS, por exemplo).

    Não é uma observação justa: tem aqui sido feita muita observação crítica à governação PSD/CDS. Acontece que não são conhecidos dados suficientes do caso ESCOM (empresa do Grupo Espírito Santo que, alegadamente, esteve ligada à compra de submarinos durante o consolado de Paulo Portas) para me pronunciar sobre o mesmo. Até mesmo o Ministério da Defesa se tem recusado a divulgar pormenores, como refere o Diário de Notícias do passado dia 13. Não é por este caso envolver o Grupo Espírito Santo, também associado ao caso do abate de sobreiros em Benavente, que vamos aqui "juntar dois mais dois" e iniciar um auto-de-fé. Não é o estilo deste blogue.

    O caso Bombardier é diferente: o Governo deu uma conferência de imprensa, parcialmente transmitida em directo pelas televisões no noticiário da hora do almoço, prestando informações detalhadas - e reveladoras de alguma precipitação, difícil de aceitar ao nível governativo.

    Eu creio compreender a aflição do governo Sócrates: este caso é muito emblemático, pois foi utilizado por Paulo Portas com grande acutilância propagandística, como exemplo do que era a capacidade para resolver problemas, defendendo o interessa nacional, salvando empregos, etç. (lembram-se do debate televisivo com todos os candidatos ?). Além disso, Sócrates, afirmou recentemente pretender "salvar todas as empresas" que lhe for possível. Ora, é muito desagradável se falha logo com a primeira e de maior visibilidade...

    Falando em visibilidade, deve dizer-se que existe aqui uma assimetria reveladora dos desequilíbrios existentes na sociedade portuguesa, onde o "homem" vale mais que a "mulher": quase diariamente são revelados casos de encerramento de empresas têxteis, com mão-de-obra maioritariamente feminina; estes casos não entusiasmam nem jornalistas nem políticos no sentido de tentar "salvar as empresas": apenas compaixão ("prestações da casa por pagar", etç).

    Já com a "classe operária" da Sorefame/Bombardier, o caso é diferente: começa por ser uma coisa de "homens", ainda com ecos revolucionários da "cintura industrial de Lisboa"; o discurso heróico da "capacidade tecnológica" e da tradição industrial que se vai perder, etç, convence jornalistas e políticos de que este é um caso "diferente". Nos têxteis dizem que é um problema da globalização; na Bombardier acreditam que é uma "maldade" da multinacional: ecos das teorias conspirativas do período revolucionário.

    E, de facto, o que estamos aqui a ver é apenas um eco do Verão Quente (1975) em que a "cintura industrial de Lisboa" tinha uma capacidade reinvindicativa extraordinária, deixando na sombra o resto do país trabalhador. Só que, confirmando o aforismo de Marx, se na altura parecia uma tragédia, agora parece uma farsa.

    Ainda em comentário ao meu post, diz o leitor que "Em relação à Bombardier, a SOREFAME foi vendida a um preço simbólico. Se se pretende edificar aquela zona, e/ou retirar mais-valias brutais fruto de especulação, a expropriação é o caminho".

    Caro leitor: há na sua frase muitos "ses". Eu recorro a outro: se somos um estado de direito, temos de atender à lei. A Bombardier pode ou não, legalmente, desactivar (parcial ou totalmente) a fábrica ? O cumprimento da lei é muito importante para o investimento estrangeiro. Se oferecemos condições especiais para atrair o investimento e depois não damos provas de cumprir a lei, podemos fazer muito mal ao país, muito mais do que podemos ganhar no braço-de-ferro com a Bombardier.

    Questão secundária: o estatuto da "expropriação por utilidade pública" pode ser usado para este fim ? E qual é o fim, exactamente: fazer ali uma fábrica de combóios ? Ou a motivação está, antes, em forçar a Bombardier a aceitar o acordo com a CP ? E a lei pode ou deve ser usada para isso?

    terça-feira, maio 17, 2005

    Lisboa (ir)reflectida



    O sr. Carrilho, que é filósofo, não deve desconhecer o significado das imagens como a do seu cartaz de campanha, que apresenta uma fotografia de "Lisboa ao contrário" - no cartaz com o Parque Eduardo VII em fundo, as colinas do Castelo e do Bairro Alto, aparecem em posições trocadas. Não se pode resolver o assunto, como ele fez, desvalorizando-o como um mero "lapso técnico" (Correio da Manhã). Imagino o que diria Carrilho se este "lapso" tivesse sido cometido por Santana Lopes...

    Por outro lado, o jornal "24 horas" refere uma justificação diferente, dada por Edson Athayde, o criativo responsável pela campanha, para quem a imagem foi invertida de forma propositada por um designer, por achar que assim ficava "melhor"!...

    Das duas uma: ou Carrilho pretende "inverter Lisboa" - e, nesse caso, conviria especificar como e porquê - ou teremos de ser nós a fazer a "leitura" adequada, invertendo as colinas na nossa cabeça - o que significa que também teremos de corrigir e inverter a sua sorridente imagem, ou seja, vendo o que ele é, e não o que aparenta ser.

    A inversão da imagem de Lisboa corresponde ao que se veria ao espelho, como se a cidade se visse a si própria ali reflectida. Curioso efeito, para um candidato que tem sido referido pelo seu narcisismo...

    Governo: a síndrome de "João Pinto"


    Ainda estou abananado com a conferência de imprensa da hora do almoço, onde a senhora Secretária de Estado dos Transportes e o Gestor da CP explicaram, passo-a-passo, como é que foram "papados" (a expressão é minha) pela Bombardier, que os foi enrolando com faxes e e-mails, em resposta a contratos que a CP ia sucessivamente enviando para Paris com pedidos de "assinatura urgente" !

    Fez-me lembrar a conferência de Santana-Bagão onde fizeram de "ponto" um ao outro e em que exibiram jornais como prova de facto. Só que nesse caso, para além do ridículo dos protagonistas, ninguém mais saíu machucado. O caso da Bombardier é bem capaz de não ser tão inofensivo.

    Imaginem: uma conferência de imprensa acerca de um "não-acontecimento", para detalhada apresentação do expediente administrativo da CP. Finalmente anunciaram que o Governo irá expropriar 40 % dos terrenos da Bombardier. É difícil imaginar uma saída mais canhestra para este caso: não resolve nenhum problema, pois não salva ou cria postos de trabalho, nem a manutenção de nenhuma capacidade tecnológica (as máquinas não~podem ser abrangidas) e ainda há-de prejudicar as já débeis hipóteses de atrairmos investimento estrangeiro: estão a imaginar um investidor estrangeiro a trazer para aqui uma empresa sabendo que, numa qualquer hipótese de conflito, em vez dum tribunal que aplique as leis em vigor, pode ter de enfrentar um governo com a cabeça perdida a aplicar-lhes leis de excepção ?

    Nem na excitação do pós-Revolução se ousou tocar no capital estrangeiro - e agora vemos um governo, irritado e humilhado, a reagir como o João Pinto no mundial da Coreia: um murro no estômago da Bombardier que nos pode custar bastante caro.

    Notícia na TSF.

    Commedia dell'Arte




    Vitor Constâncio, governador do Banco de Portugal e, agora, também guardião do défice, anunciou a inevitabilidade de "medidas difíceis, diversas e abrangentes", a propósito de um défice orçamental que ainda não se sabe qual é mas que, perante esta farsa de ocultação/revelação velada, já colocou o país a salivar - como um bem amestrado canídeo pavloviano.

    Uns salivam de prazer porque já adivinham em Sócrates o remake do filme de Durão Barroso, engolindo sapos amargos, executando o oposto do que prometera em campanha eleitoral.

    Outros espumam de raiva porque voltaram a sentir as barbas a arder, assustados perante uma qualquer maldição que julgavam ter esconjurado.

    Ainda não se sabe o que se vai passar - nem sequer se sabe qual a estimativa do défice - mas já há quem adivinhe medidas concretas, tais como a anulação das SCUTs; consequentemente, começa a contestação contra as portagens que ainda ninguém sabe se estão nos planos do governo.

    Portanto, o palco está montado e as trupes começaram a desencaixotar os trapinhos para a commedia dell'arte desta nossa farsola política.

    O que é que se há-de fazer?... Pois batam lá as pancadas de Molière e comecem a função, a ver se a gente se vai deitar cedo. Como é da praxe, desejo-vos "muita merda"!.

    domingo, maio 15, 2005

    Com os pés assentes na Terra...


    Vale a pena ler esta crónica de Nuno Crato para o Expresso, relatando uma acção de formação para professores onde, entre outras coisas, se ensinaram uma espécie de "passes de mágica" para melhorar a «leitura e limpeza da aura» dos alunos, com gestos que se podem praticar «nas costas dos alunos, sem lhes tocar e sem eles repararem». E mais:
    «Duas senhoras fizeram uma análise astral dos presentes e chegaram à conclusão que havia uma falta de «elementos terrenos». Então, para compensar essa evidente deficiência e criar «energias positivas» na sala, pediram aos professores que se descalçassem, de forma a ficarem em contacto mais directo com o solo. No escuro, aumentando o efeito de comunhão com «a Terra», os formandos, de olhos fechados, foram incitados a gritar, com os braços erguidos, para criar energias positivas que se propagassem pelo grupo. As monitoras explicaram, imperturbáveis, que essa técnica podia ser aplicada nas aulas e ser benéfica para os alunos.»
    Tudo isto com dispensa de serviço, sem penalização no salário, para os professores, enquanto que os alunos ficaram sem aulas. [Citado no blogue Blasfémias]

    Cadilhe: ideias claras


    Miguel Cadilhe escreveu para o jornal Público de hoje um longo artigo, "A reforma do Estado e o dilema do reformador", onde desenvolve as propostas que tem vindo a fazer recentemente para reforma do país, nomeadamente no domínio económico.

    Trata-se de um excelente artigo. Critica "o evolucionismo, que alguns alvitram, [porque] pode agravar-nos atrasos" e recomenda o reconceitualismo, "via de antecipação de problemas e soluções, transmutação de ameaças em oportunidades, viragem de tendências. Num programa alongado e a-par-e-passo, que não recomendo, reemergem burocratas, sindicalistas e grupos de interesses, esvai-se o political momentum".

    Cadilhe analisa os mecanismos com que a burocracia anula os impulsos de mudança e propõe um "Estado robusto, pequeno, eficiente, moderno. Estado pessoa de bem, contido e cumpridor, Estado pessoa de boas contas", por meio de três objectivos intermédios:
    «   i) reconceituar fins, funções, regimes;
         ii) modernizar atitudes, meios, organização e gestão;
         iii) reduzir o peso relativo da despesa de funcionamento corrente.
    »
    Cadilhe especifica e quantifica metas (rácio DCP/PIB de 27 a 30 % no final do programa de 4 anos) e enuncia um programa de financiamento: um fundo extraordinário de investimento alimentado por três espécies de receitas: dívida pública longa, fundos europeus, venda de património (incluindo as reservas de ouro).

    No domínio fiscal, em alternativa ao aumento de taxas (dado que a carga fiscal é "já elevada e anti-competitiva") propõe o alargamento de bases de incidência.

    Trata-se de uma proposta inovadora - em grande medida já conhecida - mas que tem sido ignorada no debate actual, seja para adesão seja para contestação. Neste artigo Cadilhe inova também em termos semânticos, algo que habitualmente se despreza mas que é sempre importante para qualquer impulso de mudança.

    Trata-se também de uma posição clara e clarificadora. E contesta abertamente a política dos pequenos passos defendida pelo actual governo que, se bem me lembro, teve o apoio do actual líder do PSD no debate no Parlamento.

    A "volta"


    Maria José Morgado, Procuradora-geral adjunta, escreveu para o jornal Público de hoje um texto repleto de humor, onde dá conta do "formidável instituto da dinâmica processual" que é a "Volta": o circuito de distribuição-e-recolha dos processos entre o Tribunal da Relação de Lisboa e as residências dos respectivos Desembargadores, para os quais não há gabinetes disponíveis. Neste caso os processos circulam ao ritmo semanal, em carrinhas do tribunal. Outros magistrados, sem direito a este serviço, têm de transportar eles mesmos os processo numas mochilas com rodas, o que lhes vale o epíteto de "homeless judicial":
    «O instituto é generoso. Permite aos magistrados sem gabinete no tribunal desenvolver um estilo de trabalho muito especial. Não têm que se preocupar com a assessoria de funcionários, podem dispender dias a fio a "scanear" os relatórios da matéria de facto dos acordãos, têm o conforto das pantufas e do pijama. Há os que podem ter saudades da vida de tribunal, do tribunal a sério, com juízes, Procuradores e funcionários e tudo, mas o que é isso perante a largueza de horários, a felicidade da entrega à porta dum catrapázio que pode ultrapassar os trinta volumes ?»
    Gosto muito da Maria José Morgado, mas tenho de admitir que, na primeira vez que a vi, me pregou um valente susto: foi ainda antes da Revolução, por volta de 1972 ou 1973; tinha havido no ISEG uma convocação boca-a-boa para o Hospital de Santa Maria, para uma possível manifestação de estudantes; o local era um piso inferior, um longo corredor onde se localizava a Associação de Estudantes, mas por onde também circulava gente de todo o género: médicos, doentes, etç., não se distiguindo quem seriam os possíveis contestatários - ou pelo menos eu, recém-chegado a Lisboa, não distinguia. O tempo passava sem acontecer nada e eu a ficando enervado. Subitamente uma estudante de samarra e cabelo curtinho, que eu via pela primeira vez - era a MJM - subiu para cima de uma cadeira e começou a fazer um discurso inflamado: contra o regime, contra a guerra, contra a PIDE. Muitas das pessoas afastaram-se rapidamente daquela zona, enquanto um pequeno grupo de estudantes se aglomerava em volta da oradora.

    Eu nem queria acreditar: convenci-me de que, mais minuto menos minuto, a polícia apareceria e seria tudo preso: afinal, dizia-se que a Pide tinha informadores em todo o lado. Passei um mau bocado, ali naquele corredor claustrofóbico, mas aguentei-me. Pensando no assunto, creio que acabou por ser um ritual de passagem.

    Publicidade em blogues


    Segundo um estudo da "Forrester Research", quase metade dos anunciantes dos EUA manifesta interesse em diminuir a publicidade nos meios tradicionais e aumentar a publicidade on-line. Segundo a analista da Forrester, Charlene Li, "quando se toma em consideração também o tempo de uso da Internet no local de trabalho, constata-se que os consumidores on-line passam mais de 1/3 do seu tempo on-line - sensivelmente o mesmo tempo que gastam a ver televisão." O mesmo estudo indica que 74 % dos inquiridos estão interessados em publicitar através dos blogues e 52 % através de gadgets portáteis, tais como telemóveis e PDAs.

    Notícia no blogue de Charlele Li e também na edição do jornal Público de hoje (pag. 47).

    sábado, maio 14, 2005

    Laura Andel




     In The Midst 


    Laura Andel é uma compositora argentina, actualmente radicada em Nova Iorque; a sua música pode ser posicionada algures entre o jazz e a música clássica"abstracta", mas na realidade é difícil de classificar: por vezes mistura os sabores latinos com os do Médio-Oriente, noutras vezes mistura as influências da Ásia e da América do Norte. Laura Andel é membro da Jazz Composers Alliance.

    Ela própria indica que, no domínio musical, gosta de "criar organismos e mecanismos; organizando a orquestra em diferentes células, cada uma das quais desempenhando um papel essencial para o funcionamento desse organismo ou mecanismo, combinando a composição previamente escrita com a improvisação na fase de condução, criando diferentes equilíbrios entre o escrito e o não-escrito. Um bom exemplo disto é a composição "In The Midst": "pulsações e fluxo aproximando-se e ultrapassando o nosso ponto de stasis, onde o intangível é um silêncio de sinais mínimos".

    |||     Página oficial     |||

    Cérebros sob observação


    A NewsHour inclui um artigo sobre o estudo do funcionamento do cérebro e as possíveis consequências para a teoria económica:
    «Os economistas usualmente partem da permissa de que os humanos estão à altura de escolher os investimentos adequados, sejam eles a aquisição de CDs, acções e obrigações, imobiliário ou seguros. Mas quando vemos a forma como estes investimentos nos são vendidos, começamos a pensar se, (...) quando chega a altura de tomar decisões financeiras, não estaremos a ser movidos por impulsos mais primitivos»
    É citado o livro de Terry Burnham , "Mean Markets and Lizard Brains", onde se coloca a hipótese de estarmos a ser guiados por uma parte mais primitiva do nosso cérebo (usualmente designado como o "cérebro reptiliano") em vez do cortex mais evoluído, onde se localizam as funções do pensamento racional.

    O artigo cita depois recentes experiências do "National Institutes of Health", onde algumas pessoas servindo de cobaias participam num jogo de simulação de decisões de investimento, enquanto os investigadores observam imagens do funcionamento do respectivo cérebro, detectando actividade quer no cortex pré-frontal quer no "cérebro reptiliano", procurando descobrir em que situações domina uma ou outra das zonas referidas.

    Estas investigações apoiam-se na teoria do "cérebro reptiliano", ou do "cérebro triuno", articulação entre "três cérebros": um cérebro mais primitivo (ou "reptiliano", associado aos comportamentos de auto-preservação e agressão), o sistema límbico (emoções) e o neocortex (tarefas intelectuais, pensamento racional). [ Ver imagem ]. Um texto mais fundamentado sobre o ponto de situação destas investigações pode ser consultado, em português, aqui.

    O suplemento da revista Xis, distribuída com o jornal Público de hoje, inclui um artigo sobre a "inteligência", com um pequeno depoimento do Professor Alexandre Castro-Caldas, onde a certa altura lhe perguntam acerca dos testes de "inteligência emocional" que estão em moda nas empresas, ao que ele responde, com algum cepticismo:
    «Criaram-se baterias de provas e de testes para dizer que uma pessoa é muito inteligente emocionalmente. Isso vende-se enormemente nas empresas. Eu tenho muita dificuldade em entender que se cristalize um conceito desses.»

    sexta-feira, maio 13, 2005

    Lisboa, o Tejo e os seus aviões



    Um Clipper Boeing 314 amara em Lisboa; imagem de Robert Taylor.

    Em 27 de Maio de 1919 um hidro biplano Curtiss NC-4 amara em Lisboa, concluindo o primeiro voo transatlântico; veja outra imagem e ainda outra.

    Em 1922 o Fairey III-D de Gago Coutinho e Sacadura Cabral prepara-se para a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

    Em 1927 o Dornier Do.j Wal "Argos" efectua testes no Tejo - navegando à vela ! - para uma viagem ao Brasil, realizada em Março desse ano por Jorge de Castilho e Manuel Gouveia.

    Em 1933 o Lockheed Sirius vermelho e negro de Charles Lindbergh chega a Lisboa, acostando na Doca do Bom Sucesso, cujo hangar para hidros e grua podem ser vistos nesta imagem. Este avião encontra-se actualmente no museu da Smithsonian Institution.

    Lisboa


    Estou muito de acordo com a denúncia que Miguel Sousa Tavares tem feito do projecto de Aeroporto na Ota, cujos únicos interessados parecem ser apenas o lóbi da construção civil e os autarcas daquela região. Trata-se de uma monstrosidade em termos de investimento público e que se pode vir a revelar um elefante branco.

    Além disso, existe uma alternativa: a ampliação do actual aeroporto e a utilização complementar do aeroporto do Montijo - com a vantagem de termos um aeroporto com ligações à margem norte e sul do Tejo.

    Há uns palermas que, perante a racionalidade das contas, nos tentam assustar com a possibilidade de cair um avião na cidade. Dá vontade de rir: nesse caso, porque não se impedem pura e simplesmente os aviões de voar ?

    A probabilidade disso acontecer é muito baixa - poucos acidentes ocorrem na fase de aterragem, a não ser em condições atmosféricas difíceis ou avaria nos aparelhos, casos em que devem ser desviados para outros aeroportos. Mas a essa probabilidade de acidente em Lisboa eu contraponho a beleza das aproximações sobre o rio e a cidade. Há lá coisa mais bonita ?

    E não se pode castigá-los ?


    O jornal Público de hoje apresenta um dóssiê relativo às decisões de investimento do governo de Santana/Portas - quer o investimento directo quer a viabilização de projectos de particulares através de autorizações excepcionais. Chocou-me particularmente a informação com o título "Paulo Portas alterou traçado [de auto-estrada, em Estarreja] para cumprir promessa de campanha".

    Bem, as promessas são para se cumprir, já se sabe. Mas, neste caso, a obra já em curso foi parada e, segundo o jornal, "o traçado alternativo proposto, além do elevado custo financeiro, levanta também problemas dificilmente ultrapassáveis do ponto de vista ambiental. A obra, a concretizar-se,implica a construção de um troço de quase 15 km em viaduto, ou seja, quase uma nova Ponte Vasco da Gama. Por outro lado, atravessaria uma área classificada como zona de protecção ecológica, o que colocaria em risco o financiamento do Banco Europeu de Investimentos".

    É evidente que, tratando-se de uma notícia de jornal, temos de a tratar com as devidas cautelas. Sempre que um governo cai ocorre esta onda de denúncias de "lixo atirado para debaixo do tapete" - e a história é sempre contada do ponto de vista do vencedor (neste caso, do vencedor das eleições) - embora o Público não seja propriamente um jornal sensacionalista.

    Mas o que aconteceu no caso desta auto-estrada é verosímil e, tanto quanto sei, também poderia ter acontecido com o PS ou um qualquer outro partido. O que me ocorre perguntar é como é que será possível evitar este tipo de coisas ? É claro que, durante uma campanha, não se podem censurar as promessas dos candidatos; mas deveria haver um qualquer mecanismo de censura, ou mesmo de punição, de decisões políticas de alteração de projectos e investimentos, sem fundamentação técnica e que, no mínimo, atrasam os investimentos e acabam por ter consequências financeiras desastrosas.

    Supostamente, as más decisões políticas são "castigadas" nas urnas. Mas, em casos como o noticiado pelo Público - e porque se trata de danos que podem ser quantificados - creio que deveria haver um processo sancionatório adicional e automático.

    quarta-feira, maio 11, 2005

    Cavaco, o "homem da chave"


    Aníbal Cavaco Silva dá início formal à sua candidatura à Presidência da República com um artigo publicado hoje no Público: "A ideia-chave". Aparentemente trata-se de um diagnóstico do nosso atraso relativo face à restante Eurolândia, com a respectiva prescrição, ou "ideia-chave": os nossos problemas económicos só podem ser ultrapassados através do aumento da capacidade competitiva das empresas portuguesas no plano internacional.

    Mas o artigo, verdadeiramente, versa sobre uma outra questão: "como conseguir cimentar nos portugueses" esta ideia-chave ? Várias respostas:
  • "colocando o aumento da capacidade competitiva no centro do discurso político";
  • "cabe aqui um papel decisivo ao ministro das finanças":
  • "o discurso político deve dirigir-se também aos autarcas";
  • etç.
  • Portanto, subentende-se que o Professor se apresenta, desta forma, como o homem capaz de difundir a "ideia-chave", ou seja, o homem-da-chave. É claro que, neste momento, é isso precisamente que Jorge Sampaio anda a fazer, com as suas presidências-abertas em torno ds questões da competitividade, os seminários e livros que promove, etç. Cavaco não se pronuncia sobre Sampaio mas, ao definir esta pose para o retrato presidencial, está a confirmar a estratégia de Jorge Sampaio.

    PADRÃO


    Luís Amaral, o investigador referido no post anterior, juntamente com Maribel Yasmina Santos, são autores do paper "Knowledge Discovery in Spatial Databases", onde propõem uma sistema para descoberta de conhecimentos em bases de dados espaciais, a que deram a designação de "PADRÃO". Um outro artigo sobre este tema é "O PADRÃO na descoberta de conhecimento em bases de dados demográficas" (resumo)

    Ambos os investigadores fazem parte do projecto Geira: aplicação das Tecnologias de Informação e Comunicações na promoção do Património Português e desenvolvem a sua actividade de investigação também na Universidade do Minho.

    Outros trabalhos de Luís Amaral: "Functional cartography of complex metbolic networks" e "Complex networks".

    Mecanismos de constituição de equipas


    O jornal Público de hoje destaca um estudo de investigadores das Universidades de Northwest e Stanford, relacionando os mecanismos de constituição de equipas de trabalho com o respectivo desempenho. O trabalho, "Team Assembly Mechanisms Determine Collaboration Network Structure and Team Perfomance", publicado pela revista Science, encontra-se disponível aqui ou aqui. De acordo com o resumo [tradução minha]:
    «Os agentes das empresas criativas encontram-se mergulhados em redes que inspiram, suportam e avaliam o seu trabalho. Investigámos como é que os mecanismos de auto-formação das equipas criativas determinam a estrutura destas redes de colaboração. Propomos um modelo de auto-constituição com base em três parâmetros: tamanho da equipa, percentagem de novatos em novas produções e a tendência dos responsáveis para repetir colaborações anteriores. (...) Detectámos que os mecanismos de constituição das equipas determinam tanto a estrutura da rede de colaboração como o desempenho das equipas, seja no campo artístico seja no campo científico.»
    O estudo parece realçar a importância da heterogeneidade das equipas, nomeadamente a mistura de elementos com grande experiência na área em causa com outros, oriundos de outras áreas e que contribuem com uma visão diferente. Uma das bases de dados com que os investigadores trabalharam e a que foram buscar dados empíricos foi a dos espectáculos musicais de sucesso da Broadway.

    No conjunto dos quatro autores encontra-se o português Luis Amaral, físico estatístico que faz investigação em teoria das redes e é membro da Physyonet [ler post de cima].

    Na entrevista ao Público, conduzida por Clara Barata, Luís Amaral fala sobre a possibilidade de previsão do comportamento humano:
    «Há duas atitudes: uma é dizer que os seres humanos são muito complexos (e são) e não podemos fazer previsões sobre o seu comportamento. Outra é dizer que as pessoas não têm vontade própria. É verdade que somos complexos e temos muitos comportamentos diferentes. Mas, em sociedade, temos de interagir com outros humanos, pelo que, para manter a civilidade, todas as culturas evoluíram de forma a criar normas de comportamento que estabelecem limites. Portanto, há livre arbítrio, mas também há consequências. Normalmente, o que acontece é que as pessoas fazem aquilo que é necessário e só o necessário, para serem bem sucedidas. Isto acaba por originar um comportamento mais ou menos universal - as pessoas repondem a pressões para se conformarem com a norma».
    E exemplifica com um caso nacional:
    «Por exemplo, a investigação científica em Portugal teve uma evolução positiva nos últimos anos, em relação a um tempo em que não se fazia praticamente nada. Mas isto só aconteceu porque começou a haver pressão no país no sentido de se fazer investigação.

    Internet à borla


    A Câmara Municipal de Pedrógão Grande anunciou estar a preparar a instalação de uma rede de banda larga para acesso gratuito à internet para todos os munícipes da vila de Pedrógão Grande. O projecto foi desenvolvido pela Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal , de Pedrógão, em parceria com a autarquia. Parabéns aos jovens técnicos da Escola Profissional que tiveram a ideia.

    Notícia e comentários no blogue Pensar Pedrogao Grande. Fotografia: Clube de Dança da Escola.

    Sob uma boa estrela


    Os meus agradecimentos ao blogue Sob a estrela do norte, que atribuiu ao "pura economia" o destaque da semana, o que só posteriormente detectei (o que mostra como ando distraído). Um abraço, pois, ao amigável Homem das Neves.

    terça-feira, maio 10, 2005

    Berimbau




     Berimbau 


    Quem é homem de bem, não trai
    O amor que lhe quer seu bem
    Quem diz muito que vai, não vai
    Assim como não vai, não vem
    Quem de dentro de si não sai
    Vai morrer sem amar ninguém
    O dinheiro de quem não dá
    é o trabalho de quem não tem
    Capoeira que é bom não cai
    E se um dia ele cai, cai bem!

    Toquinho (guitarra, voz) e Vinicius de Morais (voz) interpretam a eterna canção de Baden Powell (música) e Vinicius (letra). Uma filosofia de vida, amor e liberdade a propósito do berimbau, instrumento musical afro-brasileiro, de origem angolana, associado à Capoeira.

    segunda-feira, maio 09, 2005

    Chicago boys



    Através do Cyberlibris cheguei a esta curiosa - e divertida! - página de Ngan D. Vinh, estudante de economia da Universidade de Chicago.

    Ali encontramos um relato da estadia americana da aluna (de origem asiática) com notas de humor acerca do fanatismo matemático dos economistas de Chicago: a equação que "prova" que as  raparigas são diabólicas  [imagem de cima] ou o cartoon que apresenta Thomas Sargent a tentar explicar as causas da  Revolução Francesa  aos protagonistas - ex-ante, claro !

    Da turma desta aluna fez parte o economista e investigador Vasco Marques de Carvalho.

    A demonstração matemática de que as raparigas são diabólicas acaba por representar uma boa metáfora do formalismo económico dos Chicago Boys: a consistência interna é inatacável, mas os pressupostos de partida são de duvidosa qualidade.

    Lena d'Água



    Benfiquistas (e não só...) - vale a pena ver as fotografias da Lena d'Água, no seu   blogue   e, nomeadamente:

    a capa do  Benfica Ilustrado  de 1958 e

    a treinar com o pai no  Estádio da Luz .

    Mas há lá mais coisas interessantes. Vale a pena a visita.

    Blog financeiro


    Francisco Manuel Banha, da empresa Gesbanha, iniciou a publicação do:

       Weblog de Francisco Banha   

    Do qual retirámos os seguintes parágrafos sobre o empreendedorismo nacional:
    «A generalidade dos casos de potenciais candidatos ao difícil, mas aliciante, mundo da criação de empresas e do empreendedorismo, são jovens com elevados conhecimentos de âmbito científico, fruto da excelente preparação universitária recebida em Portugal, mas com fracas competências ao nível das técnicas empresariais que actualmente contribuem em mais de 95% da solução global para o êxito de um produto ou serviço quando este é lançado no mercado.

    E como actualmente o que os investidores andam à procura é de negócios com receitas e clientes e não apenas tecnologia, i.e., negócios a “sério” e não de 20 engenheiros com uma ideia incrível, fácil será perceber a dificuldade que estes jovens sentem quando decidem tentar angariar capital de risco para os seus projectos, muita das vezes suportadas por ideias interessantíssimas.

    De tal maneira esta constatação é uma realidade que recentemente uma consultora internacional divulgou os resultados de um estudo em que concluía que 2/3 dos Planos de Negócios submetidos à apreciação das Sociedades de Capital de Risco são eliminados em 5 minutos e dos restantes 1/3 somente um 1/5 consegue ter a primeira reunião com os investidores.»

    Teoria das corcovas


    Em entrevista ao Semanário Económico, Miguel Cadilhe defende que «A economia portuguesa precisa de menos impostos e de menos despesa corrente». Reafirmou igualmente a "teoria das corcovas” - que data dos seus tempos de ministro - segundo a qual se deixavam crescer alguns indicadores para depois os fazer baixar.

    Quanto ao balanço da Agência Portuguesa para o Investimento, que dirige, considera-o:
    «Muito positivo, quer na função comercial de acompanhamento e captação de investimento, quer na função “custos de contexto”. As metas comerciais, que foram estabelecidas para o primeiro biénio de existência da API, foram realizadas em 107%. Encomendámos a empresa especializada a medição do grau de satisfação dos clientes (os investidores) e os resultados são muito favoráveis à API. O relatório 2004 da API já está disponível no site e a sua consulta permite retirar conclusões deste tipo que acabo de referir.»
    Cadilhe esclareceu que abandonará a presidência da API em Novembro próximo, no final do mandato de 3 anos.

       Agência Portuguesa para o Investimento    

    Crise auto-alimentada



    «A economia portuguesa debilitou-se a tal ponto que já não tem a capacidade de gerar mecanismos autocorretores da crise. (...) Estamos numa situação das mais intratáveis em macroeconomia, aquilo a que chamo uma crise auto-alimentada. (...) »

    João Ferreira do Amaral in Jornal de Negócios

    Bico calado...


    No Diário de Notícias de hoje: «O ministro da Economia, Manuel Pinho, tem levado a sério as instruções de José Sócrates para o Governo cultivar a distância com os media. "Como este é um Governo que fala pouco", determinou na tomada de posse do coordenador do Plano Tecnológico, "o prof. José Tavares não irá dar entrevistas". O próprio, com os jornalistas à frente, ficou algo embaraçado. E Pinho foi magnânimo "Enfim, pode falar dois minutos."»

    No entanto, o Jornal de Negócios sempre adianta algumas declarações do coordenador: «O financiamento de novas empresas é um aspecto fundamental apontado por José Tavares uma vez que o que existe "não funciona". Mas este é apenas um exemplo, assegura, pois a UCPT também se irá centrar no "acelerar de processos da Administração Pública", criando sinergias com os diferentes ministérios. Durante o seu discurso, José Tavares diz acreditar que "o Governo vai ter tempo e vontade para fazer melhor".»

    Enfim: se foi isto que disse, não disse lá grande coisa - ou seja, mais valia estar calado...

    Por outro lado, faz algum sentido, pois a promessa de Sócrates não foi um "choque tecnológico" (isso foi o que a imprensa escreveu) mas sim um "plano tecnológico". Ora, um plano, é apenas um documento com propostas. É verdade que Sócrates, já eleito, também disse: "já chega de estudos, o que é preciso agora é acção". Mas a acção pode ser, precisamente, essa: accionar planos. A criatividade linguística não tem limites.

    sábado, maio 07, 2005

    Guitarradas e bacalhau no forno




     Guitarradas e bacalhau no forno 


    Marcus Alessi Bittencourt é um compositor e pianista brasileiro, doutorado em composição musical, investigador e professor, radicado nos EUA. A sua música tem um forte cunho experimental, usando uma paleta variada de técnicas e materiais sonoros que reflectem a sua investigação nos domínios da forma, da polirritmia e das simultaneidades, do timbre, da perspectiva espacial sonora, da microtonalidade e da orquestração de objectos sonoros.

    A composição proposta, "Guitarradas e bacalhau no forno", evoca o ambiente musical do fado lisboeta e faz parte do projecto "Lisboa, um caderno de viagens", constituído por 16 peças para piano solo [ouça excertos em mp3 aqui]. Cada uma destas peças é "uma espécie de ilustração, uma 'fotografia' de um dado momento, lugar, pessoa ou acontecimento da semana que passei em Lisboa em 1998".

    Na net encontra-se disponível a sua tese de doutoramento: "Dr. Frankestein, I Presume... or The Art of Vivisection" [127 páginas em pdf]. Nesta tese Bittercourt exemplifica o seu trabalho de composição com temas de "Lisboa, um caderno de viagens", nomeadamente: "Rua Diário de Notícias" [superimposição de três camadas de variáveis independentes, cada uma delas reportando a uma abstracção específica de um conhecido tema do fado [pág. 54/55], La Petite Coreène [pág. 56], Castelo Mouro [pág. 58], Barroquismo para três Antónios [pág. 60; um dos Antónios é Carlos Seixas] e O Eléctrico [pág. 62, "uma viagem de eléctrico com relances disto e daquilo, pessoas e propaganda política nas paredes", uma colagem complexa de objectos musicais onde são reconhecíveis acordes de "A Internacional"].
    Pode acompanhar os excertos com as pautas incluídas na tese.

    Igualmente disponível a ópera radiofónica KA [em Windows Media ou em Real Player].

    |||     Página oficial     |||

    sexta-feira, maio 06, 2005

    Safa!...


    Lembram-se do Professor Cavaco Silva, então "nosso primeiro", ter desabafado no parlamento: "Safa!... Safa!...".

    Pois The Economist resolveu traduzir a expressão e aplicá-la ao "primeiro" inglês, Tony Blair, a propósito da sua terceira reincarnação: "Safa!..." (neste caso, porque os votantes ingleses teriam resolvido dar uma valente bofetada no sr. Blair.)

    O susto


    Para aceder ao site da revista "Economist" escrevo 'economist.com'. Mas, às vezes, influenciado pelo verdadeiro título (The Economist) escrevo 'theeconomist.com' e apanho um susto. Ora experimentem lá vossas excelências:

      theeconomist.com  

    Ministro valentão


    O ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, quer atrair investimento estrangeiro e, entre os paises na mira do ministro, encontra-se o Brasil. Até aqui tudo bem, venha lá o "choque de investimentos", como ele lhe chama. Mas vejam os termos com que o senhor se dirige ao Brasil:
    «Investimos muito no Brasil e agora queremos reciprocidade»

    Estarei a ouvir bem ? Qualquer país interessado em atrair investimento estrangeiro trata de ser muito cuidadoso com os potenciais investidores. Em alguns casos até lhes concede generosas ajudas. E nós, com os brasileiros, é assim ?

    Notícia no Jornal de Negócios.

    quinta-feira, maio 05, 2005

    When the Levee Breaks



    Já tínhamos aqui apresentado a versão original, de 1929, deste blues, cantado por "Kansas" Joe McCoy. Esta canção teve posteriormente, em 1971, uma versão pelos Led Zeppelin, bastante diferente do original. Ficam aqui os dois links em mp3, bem como das respectivas letras.

    Vale também a pena comparar a qualidade dos desempenhos na guitarra, quer de Memphis Minnie (mulher de Joe McCoy) quer de Jimmy Page.

    "Kansas" Joe McCoy

    [ letra ]

    Led Zeppelin

    [ letra ]

    quarta-feira, maio 04, 2005

    Construindo uma biblioteca digital


    Disponível on-line um interessante trabalho de Ednei Procópio: Construindo uma biblioteca digital (ficheiro pdf, 114 páginas; uma edição de 2005). Link alternativo.

    O livro aborda os aspectos tecnológicos, culturais, educacionais e sociais da era digital. Informações sobre como construir uma Biblioteca Digital e também sobre os seguintes temas:
  • Planeamento de Centros Inteligentes de Documentação
  • Desenvolvimento de Centros Informacionais Temáticos
  • Portabilidade de Bibliotecas Digitais Comunitárias
  • A Sociedade do Conhecimento
  • As Comunidades do Saber
  • A Gestão da Informação
  • Inclui também um glossário e bibliografia de referência.

    Do mesmo autor, e também disponível on-line: O livro na era digital.

    Ednei Procópio é o director de conteúdos do site eBookCult, onde se disponibilizam muitos livros digitais em português.

    Biblioteca digital europeia


    A União Europeia está a estudar a hipótese de criar um projecto de "biblioteca digital europeia", uma espécie de projecto equivalente à iniciativa do Google de colocar on-line as bases bibliográficas americanas. Notícia no Cibéria e no Libertad Digital.

    Ainda no Cibéria a iniciativa da Biblioteca francesa para fazer frente aos planos do "Google Library":
    "A Biblioteca Nacional de França (BNF) está apostada em fazer "frente" ao projecto Google Library para digitalizar e indexar milhões de livros das cinco maiores bibliotecas das Universidades norte-americanas de Harvard, Oxford, Michigan, Stanford e da Biblioteca Pública de Nova Iorque. Jean-Noel Jeanneney, presidente da BNF e historiador de renome, lançou a polémica num artigo de opinião publicado no Le Monde. Neste jornal, Jeanneney insurgiu-se contra a ideia do Google, apontando-a como uma tentativa de dar uma "visão unilateral do mundo, dominada pela língua inglesa e pela cultura americana" .

    Modelo para a economia portuguesa


    As discussões sobre a necessidade de um "novo modelo" para a economia portuguesa continuam na ordem do dia, com a novidade do governo ter abandonado a teoria das "reformas estruturais" em favor dos "pequenos passos". Embora datado de 2000, vale a pena ler o texto de Abel Mateus sobre "Um novo modelo para a economia portuguesa" publicado na revista Economia Pura:
    «Hoje a discussão do esgotamento do modelo volta a girar em torno do contexto internacional. Como membros do euro, temos que ser capazes de aumentar a produtividade e capacidade produtiva do país, e passar do "boom consumista" para a "batalha do capital humano, rigor e eficiência".»
    Disponível em PDF, Word e PowerPoint (figuras).

    terça-feira, maio 03, 2005

    A nacionalização da PAC


    A Política Agrícola Comum (PAC) foi um dos pilares que mais contribuiu para o sucesso da CEE, actual União Europeia mas, com o tempo, foi-se transformando num pesadelo, dado o seu peso no orçamento comunitário - absorve cerca de metade dos recursos orçamentais. Várias tentativas têm sido feitas para aligeirar a PAC, mas sem êxito. Também neste domínio a liberalização dos mercados mundiais tem colocado a Europa sob pressão da OMC. A PAC encontra-se pois entre a espada e a parede: dum lado o "povo agrícola" e os governos cuja sobrevivência depende do respectivo voto, do outro as restrições orçamentais e a OMC.

    Agora encontra-se em discussão a "nacionalização" de uma fatia da PAC: os orçamentos nacionais dos estados membros suportariam parte das respectivas despesas, com a contrapartida de uma redução das contribuições para o orçamento comunitário. O governo português está contra a iniciativa, pois Portugal pode vir a perder muitos milhões de euros com a brincadeira.

    A proposta de "nacionalização" da PAC decorre de um relatório elaborado pelo economista Kurt Wickman - disponível aqui - que propõe a abolição da actual PAC num período de cinco anos.

    Kurt Wickman é também autor deste outro estudo sobre a PAC: "Whither the European Agricultural Policy ?", com ênfase nos problemas da Agenda de Doha. Um outro documento de Wickman versa a "harmonização das políticas fiscais na UE".

    Gadgets


    Docupen: um scanner com a forma de caneta, com capacidade para leitura óptica, armazenamento (2 MB de memória flash, 100 páginas) e transmissão para um computador. 224,95 €.

    FAQs e informações em português.