quinta-feira, julho 07, 2005

"Toma lá cinco"


"O tempo passa, rapaz, o tempo passa..." dizia Alexandre O'Neill no poema "Toma lá cinco". Pois faz hoje, 7 de Julho, um ano que foi publicado aqui o primeiro post, "Mais ou menos Estado". Não que eu seja muito de comemorações, mas esta caminhada bem merecia alguma reflexão, e um ano seria a altura ideal para tal. Mas também para isto, o tempo, na melhor tradição económica, "escasseia". Brindemos então ao tempo que passa.

Uma saudação para os leitores e comentadores, na pessoa do autor do primeiro comentário, Rogério Santos, do Indústrias Culturais, com o seu voto inaugural de "longa e feliz vida". O qual eu retribuo a toda a blogosfera.

Imagens bem humoradas


A fotografia do post anterior é deste site: Cafe de Bok, onde se encontram outras fotos bem humoradas, tais como:
  • pack de escovas de dentes com cabo USB
  • um estádio certamente mais barato que os nossos do Euro
  • um rato "très utile"
  • crise de ar condicionado
  • inovadora projecção geodésica
  • a prova de que os portugueses não detêm o exclusivo do desenrascanso...
  • ...nem da criatividade
  • Mais um record português


    É conhecida a febre portuguesa de bater recordes em coisas fúteis, como foi o recente caso do maior pão com chouriço domundo (1 km !) em que batemos os americanos, detentores do anterior record. É obra!

    Mas eis que, mesmo desaparecido, António Champalimaud entra também para a corrida, pois o quadro de Canaletto da sua coleção ("Il Bucintoro al Molo il Giorno dell'Ascensione") acaba de bater o record do valor de venda de um quadro daquele pintor: 16,8 milhões de euros (Diário de Notícias).

    Angola versus FMI


    Angola anda de candeias às avessas com o Fundo Monetário Internacional, por causa de um relatório desta instituição, que se encontra disponível no site do FMI (ver aqui) onde se afirma que "As autoridades [angolanas] fizeram progressos limitados no sentido de alterar a composição da despesa pública, dominar a corrupção, acelerar as reformas estruturais, desenvolver um enquadramento macroeconómico a médio prazo ou reescalonar os dispendiosos empréstimos em moeda estrangeira". Num outro parágrafo lê-se: "O legado da prodigalidade fiscal e corrupção durante a guerra civil consiste numa considerável dívida externa de curto-prazo, num elevado encargo com o funcionalismo público e em instituições públicas que ainda exercem um poder de mercado exagerado, com pouca prestação de contas".

    Em causa está também este estudo de John McMillan: "The Main Institution in the Country is Corruption: creating transparency in Angola", que chegou a estar disponível no site do FMI (para a conferência de hoje) mas parece ter desaparecido dali.

    quarta-feira, julho 06, 2005

    Bloguista despedido


    O jornal Público de hoje inclui uma notícia sobre o despedimento do jornalista Emanuel Bento, pelo Diário de Notícias da Madeira, por causa do seu blogue Esquina do Mundo.

    O DNM acusa o jornalista de "difamar colegas de trabalho e superiores hierárquicos, bem como de atingir a imagem, o crédito e a reputação da empresa e do seu jornal".

    O Sindicato dos jornalistas afirma, em defesa do jornalista, que este apenas exerceu o "direito de liberdade de expressão e crítica, face à entidde patronal, sem quebra do dever de lealdade", e considera que o despedimento é uma "perseguição".

    domingo, julho 03, 2005

    A fonte de todos os conceitos


    Joseph Schumpeter

    A já referida edição de Março do "Journal of Economic Literature" inclui um texto inédito de Joseph Schumpeter: "Development". Suponho que seja o mesmo texto que se encontra disponível aqui. É um notável artigo, a vários títulos. A certa altura parece desvalorizar o papel do "empreendedor" (veja-se o parágrafo traduzido a seguir), mas isso é feito no contexto da explicação científica: o papel do empreendedor pode ser importante, mas não explica porque ocorre a mudança. Schumpeter salienta a singularidade dessa "mudança", o surgimento da "novidade":
    «Do ponto de vista metodológico de qualquer teoria da adaptação, a novidade é incompreensível, não apenas no sentido já referido, mas em qualquer outro sentido. Uma designação como, "personalidade criadora" [ "creator personality" ], apenas fornece um nome e, no melhor dos casos, uma localização, para a novidade, mas nada foi explicado. A novidade é o verdadeiro centro de tudo o que deve ser aceite como indeterminado no sentido mais profundo, e sempre coexiste com uma ampla área de, em princípio, circunstâncias e processos determinados - uma distinção à qual atribuo uma certa importância porque parece fornecer a solução essencial à oposição entre determinismo e indeterminismo, tanto quanto essa contradição possa fazer sentido em cada ciência particular. Claro que isto nada tem que ver com muitos problemas de determinação com que a técnica de cada ciância tem de se confrontar mesmo nos seus campos "mais determinados", tal como, por exemplo, o caso do monopólio bilateral em Economia (...)».
    Parece tratar-se de um texto de natureza filosófica, apesar de Schumpeter o negar logo nas primeiras linhas. Aqui o economista classifica a escolha do termo "desenvolvimento" aplicado à Economia, como ambíguo e infeliz - tendo embora ele contribuído para essa escolha. A noção corrente de desenvolvimento como variação gradual (incremental) é recusada, por esconder a verdadeira natureza do desenvolvimento económico: o "salto".

    Schumpeter redefine assim o conceito de desenvolvimento: "transição de uma norma do sistema económico para outra norma, de tal modo que esta transição não pode ser decomposta em passos infinitesimais". Esta perspectiva levou Schumpeter, menos de dois meses antes de falecer, a criticar duramente a perspectivca evolucionista da economia, chocando colegas como Samuelson, bem como a seita dos econometristas (Andersen, 1999); o certo é que Schumpeter, tal como acentua neste seu artigo, considera impossível extrapolar o "desenvolvimento" a partir dos dados históricos, por muito sofisticadas que sejam as rotinas econométricas.

    No mesmo texto encontram-se duas afirmações surpreendentes:
    «(...) a nossa visão é mais precisa na esfera económica do que em qualquer outra, porque a Economia é a mais quantitativa de todas as ciências. De todas as ciências, não apenas as ciências sociais, o que seria evidente. Mesmo que os processos descritos pela mecânica possam ser medidos e contados - mas o certo é que têm de ser medidos primeiro - existem fenómenos económicos fundamentais, desde logo o preço, que de acordo com a sua própria natureza são valores numéricos e apenas fazem sentido por serem valores numéricos e estão relacionados com fenómenos similares em relações determinadas numericamente. Um dia, espero poder provar que o número e o valor possuem uma natureza genuinamente económica e tiveram origem na esfera económica, não apenas geneticamente - o que é quase um dado adquirido - mas também logicamente, e que a noção de equilíbrio foi transferida da esfera económica para a imagem da natureza, e claramente não o oposto».
    e também:
    «Mais acima, usei o termo "impossível" [para a previsão do "desenvolvimento"]. Penso que é mais adequado falar de uma nova tarefa. Esta tarefa obviamente envolve a Lógica e a Matemática, mas, pelo menos se existir alguma verdade no que foi dito acima, eventualmente também a Economia, fonte de todos os conceitos.»
    O artigo de Schumpeter é comentado por Markus Becker e outros no artigo: "Schumpeter's Unknown Article Development: a missing link between Schumpeter's theories os economic development, business cycles and democracy".

    Neuroeconomia


    A edição de Março do Journal of Economic Literature inclui um artigo de Colin Camerer (economista já aqui referido) e outros, sobre o modo como a neurociência pode informar a teoria económica: "Neuroeconomics: How Neuroscience Can Inform Economics".
    «A neuroeconomia usa os conhecimento sobre os mecanismos da mente para informar a análise económica. Ela abre a "caixa negra da mente, tal como a economia organizacional acrescenta detalhe à teoria da empresa. Os neurocientistas usam muitas ferramentas - incluindo a imageologia cerebral, comportamente de pacientes com lesões cerebrais localizadas, comportamento animal e registo da actividade dos neurónios. A chave para a economia é que o cérebro é composto de multiplos sistemas em interacção. Os sistemas controlados ("função executiva") interrompem os sistemas automáticos. As emoções e a cognição, ambos orientam as decisões. Tal como os preços e a alocação de recursos emergem da inteacção de dois processos - oferta e procura - as decisões individuais podem ser modelizadas como o resultado de dois (ou mais) processos interagindo. De facto, os modelos de "processo dual" deste tipo estão melhor fundamentados nos factos neurocientíficos, e com maior acuidade empírica, dos que os modelos de "processo-simples" (tais como o da maximização da utilidade)».
    O artigo da revista é de acesso pago, mas encontra-se disponível neste site da New York University.

    O mesmo número do Journal of Economic Literature inclui um artigo de Larry Samuelson sobre "Theory and Experimental Economics".

    Propriedade / liberdade intelectual


    O dilema dos direitos de propriedade intelectual reside em que, existindo, constituem um incentivo à investigação e inovação, o que é positivo; mas permitem a constituição de monopólios temporários, o que pode ser negativo.

    Subjacente a este dilema encontra-se uma das grandes fracturas da teoria económica: entre a defesa da liberdade total de funcionamento dos mercados, como moldura essencial para a maior eficiência económica, e a teoria de que o que caracteriza as empresas eficientes é a procura da criação de monopólios, ainda que temporários (Escola Institucional, dos Recursos, etç).

    Porém, a discussão em torno dos direitos de propriedade intelectual tem outras incidência, nomeadamente políticas e societárias, como acontece quando se discute o acesso livre (ou não) a obras disponíveis on-line, por exemplo.

    Daí a ênfase dada pelo Economist a uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA acerca do crescente movimento de aquisição gratuita de músicas na net. Em causa está também a responsabilidade dos proprietários da tecnologia (no caso, os servidores da net) no uso que os cibernautas fazem da tecnologia disponível.

    O artigo lembra um debate equivalente, ocorrido em 1984, a propósito do gravador vídeo Betamax, da Sony, e das suas potencialidades para a cópia "pirata" de filmes. Na altura o mesmo tribunal entendeu que as empresas de tecnologia não são susceptíveis de condenação no caso dos utilizadores infringirem a lei, desde que os aparelhos sejam proporcionem substanciais "usos não infringidores da lei": uma decisão favorável ao investimento em inovação tecnológica.

    Na sentença desta semana, o Supremo decidiu relativamente a duas empresas P2P [que proporcionam a ligação entre dois computadores de usuários, um que tem ficheiros para descarregar, outro que os pretende copiar], a Grokster e a StreamCast, que poderão ser responsabilizadas legalmente, apenas encorajarem os usuários a infringir a lei. É uma decisão intermédia, que não permite responsabilizar sistematicamente quem quer que forneça meios de cópia on-line, como pretendia a industria de audio-visuais.

    O Economist reconhece que é necessário proteger os direitos autorais, mas considera exagerada a legislação que proporciona protecção em períodos compreendidos entre 28 e 95 anos (EUA) ou entre 50 e 90 anos (como se pretende fazer na Grã Bretanha):
    «Isto não faz sentido. O copyright foi originalmente criado para encorajar a publicação, garantindo aos editores um monopólio temporário sobre as obras, para que pudessem recuperar o investimento realizado. Mas a Internet e as novas tecnologias digitais tornaram a publicação e distribuição das obras muito mais fácil e barata. Por isso os editores devem necessitar de menos direitos de propriedade, e não de mais, para protecção dos seus investimentos A tecnologia alterou o equilíbrio em favor do domínio público.»
    [ Leia a notícia completa ]
    Há quem considere a sentença uma vitória da indústria discográfica e quem vaticine que as empresas fornecedoras de tecnologias passarão a poder ser responsabilizadas, o que pode vir vir a acontecer já com o iPod; mas há quem pense que, pelo contrário, o iPod poderá ser o primeiro beneficiário.

    O conjunto de documentos legais relacionados com este caso foram disponibilizados pela Electronic Frontier Foundation; a sentença encontra-se aqui, da qual a EFF destacou estes parágrafos.

    Entretanto, no passado dia 13 de Junho, uma nova empresa, a Snocap abriu um serviço "legal" P2P - leia notícia no Gartner G2.

    sábado, julho 02, 2005

    Nanociência na China



    «As três palavras high-tech mais usadas actualmente na China são "computador", "gene " e "nanómetro", de acordo com a Associação Chinesa para a Ciência e Tecnologia.
    (...)
    Juntamente com o seu rápido crescimento económico, a China adoptou uma estratégia nacional para rejuvenescimento do país através da educação e da ciência e tecnologia. (...) entre os campos que tiveram um rápido desenvolvimento na China durante a última década está a nanociência e a nanotecnologia. Estes termos reportam-se à crescente base de conhecimentos e moldura técnica para a compreensão e manipulação da matéria em escalas nanométricas, desde o nível atómico até ao celular.
    (,,,)
    Quando o conceito de nanociência e nanotecnologia foi introduzido nos anos 80, foi recebido favoravelmente na China. O interesse inicial foi em parte estimulado pelo desenvolvimento de novos instrumentos e técnicas para a observação de materiais na nanoescala, especialmente os micróscópios de força atómica e efeito de túnel (SPM).
    (...)
    A China também ajudou aqueles que trabalham na nanociência e nanotecnologia a desenvolver o sentimento de pertença a uma nova comunidade I&D. Desde 1990, por exemplo, têm sido promovidas dezenas de conferências nacionais e internacionais, neste campo.»

    Chunli Bai, "Ascent of Nanoscience in China"
    (artigo completo na Science Magazine)

    sexta-feira, julho 01, 2005

    Malditas gralhas (6,83 - 0,11 = 6,72)


    Depois do erro na proposta de orçamento rectificativo, no rácio do peso da despesa pública no PIB, eis que se descobre novo erro na estimativa do défice-Contâncio: também já não é 6,83 %, mas sim 6,72 %. O problema está numa reavaliação da execução de cativações. As cativações são despesas inscritas em Orçamento, mas que só poderão ser excutadas mediante autorização especial, e por isso não contam para as estimativas do défice: parte-se do princípio de que não serão realizadas. Ora acontece que, em geral, parte dessas cativações acaba por ter autorização de execução. É neste cálculo de "execução de cativações" que o relatório de Constâncio apresenta um erro, o qual, corrigido, faz descer a previsão do défice para 6,72 %.

    Fonte do Banco de Portugal, embora admitindo o lapso, desvaloriza o facto com a incerteza quanto ao real valor das "descativações". Pode ser que sim, mas por isso não valia a pena ter dado um ar tão rigoroso à estimativa do défice, com o preciosismo do cálculo às centésimas.

    Notícia no Público.

    quinta-feira, junho 30, 2005

    O blogue dos reitores


     Santiago Iñiguez  Paul Danos BizDeansTalk é um novo blogue, com responsabilidade partilhada por dois reitores de escolas de gestão: Santiago Iñiguez do Instituto de Empresa Business School (de Madrid) e Paul Danos da Tuck School of Business (Hanover, EUA).

    O blogue adopta a mesma fórmula dialogal do Becker-Posner Blog, com os autores a dialogarem sobre o mesmo assunto. Um dos temas debatidos recentemente foi o das diferenças entre os modelos americano e europeu de ensino da gestão de empresas.

    O Cyberlibris, através do qual cheguei a este novo blogue, também dá a sua opinião sobre o referido tema.

    Feminismo


    O Spontaneous Order interroga-se sobre os resultados do movimento feminista:
    «A única coisa que mudou com o movimento feminista foram as regras a seguir. Ainda existe uma longa lista de "a fazer" e "a não fazer" - e o que mudou foi apenas o respectivo conteúdo. Antes, esperava-se que ficassem em casa e a tomar conta da família; e agora espera-se que tenham uma carreira e ultrapassem o homem no seu próprio campo. Elas lutam para ter uma carreira, competem sem descanso com os homens para "provar que são melhores". Estão sempre a querer provar algo - frequentemente desistindo daquilo que verdadeiramente desejam. Sentem-se cumpadas por causa do amor e relacionamentos. Não admitem as suas vulnerabilidades e continuam a empenhar-se em ser super-mulheres.»
    O "Spontaneous Order" cita este artigo (de 1999) de Anne Morse: "A Look at the Surprising Answer", onde se relata a surpreendente decisão da cantora folk/rock Sarah McLachlan - fundadora do "Lilith Fair" - de encerrar o projecto em favor de ter filhos.


     Sarah McLachlan "Lilith Fair tour" - A celebration of women in music", teve a sua origem num incidente de 1966, quando a cantora Sarah McLachlan se revoltou contra os promotores de concertos e programadores de estações de rádio, por se recusarem a colocar em palco (ou no ar) duas cantoras de seguida. Recusando-se submeter a esta forma de descriminação, ela organizou uma tournê na companhia de Paula Cole, com grande sucesso. No ano seguinte McLachlan fundou o "Lilith Fair tour" - retirando a designação de uma lenda segundo a qual Lilith fora a primeira mulher de Adão - como forma de projectar uma imagem de beleza e igualdade. Ouça, desta cantora:


     Gloomy Sunday 

    terça-feira, junho 28, 2005

    Números redondos, contas erradas


    Apesar de todo o racionalismo e do preciosismo das várias casas decimais (como aconteceu com o défice estimado por Vítor Constâncio) o pessoal continua, muito romanticamente, a preferir os números redondos e a encontrar "verdades" cabalísticas, reveladas através de números mágicos. Foi o que aconteceu quando se tomou conhecimento, através da proposta de orçamento rectificativo, de que o peso do Estado tinha, pela primeira vez, ultrapassado a "barreira" dos 50 % do PIB.

    "Maldição!" - gritaram os feiticeiros e os aprendizes. Correia de Campos poderia ter aproveitado para filosofar: "ainda bem, é a parte oculta do icebergue que se torna visível", ou então: "é sinal de que há cada vez mais solidariedade social".

    Contudo, vem agora o ministro das Finanças (que cada vez mais se afigura como um erro de casting) reconhecer que se enganou nas contas (ler notícia):
    «no comunicado emitido ao final da tarde, o Ministério das Finanças explicava que na passagem das contas do critério da "contabilidade pública para a contabilidade nacional" houve a "dupla inscrição de verbas relativas a movimentos de capital entre o subsector Estado e os restantes subsectores".»
    Pois, é tudo muito bonito, mas como é que fica o peso do Estado ? Passa ou não passa a barreira dos cinquenta ?
    «Campos e Cunha admitiu que o montante final não está ainda apurado “mas será certamente acima dos 49 por cento [do PIB] e certamente abaixo dos 50 por cento”.»
    Afinal, quem é que se enganou: o cavalo, ou quem anda a montá-lo ? Que tristeza: lá terão os comentadores que colocar a viola no saco. Os caracóis, envergonhados, recolherão os palitinhos à casca. Os almocreves tirarão, pesarosos, os cavalinhos da chuva. E eu, muito dylanescamente, pensarei por pautas de música:
    But you who philosophize disgrace
    And criticize all fears,
    Take the rag away from your face
    Now ain't the time for your tears.

    sábado, junho 25, 2005

    Ralhete

    Wim Duisenberg deu um remoque a Vitor Constâncio, por causa de ter calculado o défice para o governo (por duas vezes).
    Embora sem se referir directamente ao governador do Banco de Portugal, Duisenberg lembra que recebeu um pedido semelhante da rainha Beatriz da Holanda, mas que recusou.

    O que está em causa é a apregoada independência dos Bancos Centrais relativamente às políticas económicas. Na realidade foi por causa disso que recorreram a Constâncio, mas o certo é que essa independência - ou a imagem dela - pode ficar afectada, tanto mais no caso português em que não se tratou de apurar um défice real, mas sim uma previsão na base de determinados pressupostos.

    Constâncio é que não deve estar nada preocupado com essa independência, pois até já deu concelhos conselhos públicos ao governo sobre como arrecadar receitas.

    sexta-feira, junho 24, 2005




     Tajabone 

    Música do filme "Tudo sobre a minha mãe"
    autor e intérprete: Ismael Lo

    Os berrões de Sampaio


    Segundo o Jornal de Notícias, foi descoberto na aldeia de Picote (Miranda do Douro) um berrão - ou berrasco - elemento megalítico que se supõe ser da Idade do Ferro e que representa um porco. Era usual colocar estas esculturas junto de povoados ou em zonas ricas em água e em pastos, pelo que os arqueológos as associam às actividades económicas, tratando-se de marcas destinadas a assinalar recursos essenciais. Teriam ainda valor simbólico como presenças protectoras do gado e dos castros.

    Fica assim esclarecido o que anda o nosso Presidente da República a fazer pelo país, visitando empresas empreendedoras e ralhando com os sectores avessos ao risco: anda a espalhar berrões pelo território.

    Acordo na General Motors Portugal


    A comissão de trabalhadores da General Motors Portugal e a gerência da empresa assinaram um acordo social, para vigorar até 2007, que estabelece que a inflação é o limite máximo da actualização salarial. O que isto significa é que os trabalhores prescindem de aumentos salariais reais. Como diria Guterres: é a vida! Os trabalhadores aceitaram igualmente a flexibilidade do trabalho e uma diferente programação das férias. O acordo abrange ainda o aumento de benefícios, designadamente os subsídios de transporte, escolar e de assiduidade. Notícia no Público.

    Noutro meridiano, a General Motors anuncia o despedimento de 25 mil trabalhadores nos EUA.

    quarta-feira, junho 22, 2005

    Sampaio põe a mão na anca e desanca na banca


    Segundo o Jornal de Notícias, durante a visita "didática" que está a efectuar a empresas e instituições de sucesso, Jorge Sampaio criticou a banca por considerar que faz "muito pouco" pelo crescimento económico do país e que tem falta de vontade em apoiar empresas que apostam na inovação.
    «Há oposição da banca no que respeita a arriscar alguma coisa para as empresas que querem inovar», disse na altura Jorge Sampaio, que chegou mesmo a classificar como "um embuste" os meios que o sector financeiro utiliza para apelar ao consumo privado.
    Hoje, após visitar a empresa ARSOPI, em Vale de Cambra, e a Ferpinta, em Oliveira de Azeméis, Jorge Sampaio elogiou os "excelentes exemplos" que constituem pela aposta na exportação e defendeu que "as empresas, com incentivos e bancas facilitadoras, devem inovar" para afirmarem a vertente exportadora.

    terça-feira, junho 21, 2005

    Relativismo sociológico


    «Todas as relações sociais e sistemas de relações sociais são relativos, no sentido em que são o resultado de processos relacionais historicamente situados levados a cabo por sujeitos dotados de capacidades de representação e interpretação simbólica»

    in Correcção ao exame de Sociologia, no DN

    Mais cortes


    Segundo o Diário Económico (citado pelo jornal Público aqui), a Comissão Europeia vai exigir a Portugal maiores cortes nas despesas públicas, por entender que "as medidas de contenção da despesa pública são insuficientes para fazer baixar o défice público dos actuais 6,8 por cento do Produto Interno Bruto para níveis inferiores aos três por cento em 2008, conforme prevê o Programa de Estabilidade e Crescimento enviado a Bruxelas há algumas semanas. Segundo apurou Diário Económico, os comissários europeus irão analisar amanhã a situação orçamental portuguesa e a principal mensagem será a de que as previsões de crescimento são demasiado optimistas e que são necessárias mais iniciativas para reduzir a despesa do Estado."