terça-feira, maio 03, 2005

A nacionalização da PAC


A Política Agrícola Comum (PAC) foi um dos pilares que mais contribuiu para o sucesso da CEE, actual União Europeia mas, com o tempo, foi-se transformando num pesadelo, dado o seu peso no orçamento comunitário - absorve cerca de metade dos recursos orçamentais. Várias tentativas têm sido feitas para aligeirar a PAC, mas sem êxito. Também neste domínio a liberalização dos mercados mundiais tem colocado a Europa sob pressão da OMC. A PAC encontra-se pois entre a espada e a parede: dum lado o "povo agrícola" e os governos cuja sobrevivência depende do respectivo voto, do outro as restrições orçamentais e a OMC.

Agora encontra-se em discussão a "nacionalização" de uma fatia da PAC: os orçamentos nacionais dos estados membros suportariam parte das respectivas despesas, com a contrapartida de uma redução das contribuições para o orçamento comunitário. O governo português está contra a iniciativa, pois Portugal pode vir a perder muitos milhões de euros com a brincadeira.

A proposta de "nacionalização" da PAC decorre de um relatório elaborado pelo economista Kurt Wickman - disponível aqui - que propõe a abolição da actual PAC num período de cinco anos.

Kurt Wickman é também autor deste outro estudo sobre a PAC: "Whither the European Agricultural Policy ?", com ênfase nos problemas da Agenda de Doha. Um outro documento de Wickman versa a "harmonização das políticas fiscais na UE".

Gadgets


Docupen: um scanner com a forma de caneta, com capacidade para leitura óptica, armazenamento (2 MB de memória flash, 100 páginas) e transmissão para um computador. 224,95 €.

FAQs e informações em português.

segunda-feira, maio 02, 2005

Led Zeppelin




 Immigrant Song 

We come from the land of the ice and snow
From the midnight sun where the hot springs blow
The hammer of the gods
Will drive our ships to new lands
To fight the horde, singing and crying:
Valhalla, I am coming!

Uma das mais "pesadas" canções da banda inglesa Led Zeppelin (1969-1080), incluída no álbum Led Zeppelin III, de Outubro de 1970. Os Led Zeppelin são considerados como os fundadores, estética e sonoramente, do hard-rock. "Immigrant Song" é a uma das suas primeiras canções liberta da influência dos blues.

A letra é sobre as incursões dos escandinavos na Grã-Bretanha, entre os séculos VIII e XI. Apesar de se tratar de uma banda inglesa, a letra apresenta o ponto de vista do guerreiro escandinavo. Valhalla era o palácio do deus Odin, morada final dos guerreiros mortos em combate.

||| capa do single editado em Portugal em 1971 |||
||| Led Zeppelin Portugal |||
||| Letra, incluindo tradução em português |||
||| pauta do riff da canção |||

Blogue de Dan Goldstein


Decision Science News: um blogue de Dan Goldstein, investigador da Columbia University (NY).

O seu post mais recente reporta-se ao artigo Time is money - Time pressure, incentives, and the quality of decision-making, um estudo sobre a influência de incentivos baseados na pressão temporal sobre a qualidade das decisões (a pressa, ao que parece, não é boa conselheira).

Outros posts interessantes, quase sempre com links valiosos:
  • economia comportamental
  • o que é a neuroeconomia
  • como melhorar a educação universitária
  • planear ou não planear ?
  • O que será melhor: dois pássaros a voar ou um na mão ? (sobre o funcionamento decisional dos sistemas neurais)
  • etç.
  • Entre outros interesses de Dan encontra-se a improvisação teatral; sobre isto escreveu o texto How to be a better improviser; também fundou a Comedia dell'High School.

    Sala de aula virtual



    A Global Virtual Classroom tem como objectivo proporcionar aos estudantes capacidades para o uso da tecnologia da Internet. Tem igualmente conselhos para docentes, como estas dicas para motivar os estudantes.

    Dependência de drogas


    Artigo de dois investigadores do Departamento de Economia da Universidade de Stanford: Addiction and Cue-Triggered Decision Processes; embora aplicado ao problema da dependência, as conslusões apresentam implicações mais vastas; a hipótese estudada é a de que "o uso de drogas pelos dependentes parte frequentemente de um erro". A questão mais vasta é a de se "escolherem" comportamentos que são reconhecidamente prejudiciais. Citado pelo blogue Neuroeconomics.

    Prédios atrasados


    Noticia A Capital que o Ministério das Finanças adiou por mais oito meses do prazo para que os contribuintes proprietários de prédios possam obter o número de identificação fiscal (NIF) dos seus imóveis (mais de metade dos prédios ainda têm o NIF por registar). O prazo inicial estabelecido para a regularização - pela ministra Ferreira Leite - era 17 de Maio de 2004. A data sofreu duas prorrogações: primeiro até 30 de Setembro de 2004, depois até ontem - e agora mais uma.

    Cenas presidenciais


    O Presidente da República desceu às "estradas do Povo": enfiou-se num carrinho "à civil" da GNR e foi ver a malta a guiar. Parecia que nunca tinha andado de carro, espantando-se com tudo o que via; leiam-se estes deliciosos parágrafos do Jornal de Notícias:
    «O presidente, que foi filmado, durante todo o percurso, por uma câmara de televisão, nem queria acreditar no que ia acontecendo à sua volta "É impressionante. Quando eles se apercebem quem vai dentro deste carro, mudam logo o comportamento. Olhe, aquele viu a vossa farda e reduziu imediatamente a velocidade. Vai mais devagar", comentava Sampaio para os dois militares que o acompanhavam.

    Em resposta, o oficial da GNR que serviu de cicerone retorquiu "Está a ver? Aquela senhora reconheceu o sr. presidente e tirou o pé do acelerador. (...) Isto hoje não é nada. O sr. presidente não imagina as longas filas que se criam, por vezes, atrás de nós quando os automobilistas se apercebem da nossa presença..."»
    A seguir foi a uma aldeola onde antes se situava um "ponto negro", com imensos acidentes fatais; depois construiu-se um muro a dividir a estrada e a sinistralidade caíu, mas a aldeia ficou dividida ao meio e o Povo aproveitou para se queixar ao Presidente. Algo irritado, Sampaio ralhou de alto a baixo: ao Povo disse que era preciso ter calma, "pá", já se tinha resolvido um problema, agora resolver-se-iam os seguintes. Depois virou-se para o membro do governo, que lá foi prometendo que até ao Verão a aldeia teria uma passagem superior e mais não sei o quê. (Sabem quantas semanas faltam para o Verão ?...)

    O que isto me fez lembrar foi uma rábula do Presidente Soares, também em visita ao Povo, num autocarro, a gritar para os batedores da GNR: "Oh sr. Guarda, vá-se embora!"

    Os (muitos) amigos de César


    É conhecida a obcessão dos economistas por metáforas, analogias, etç. É talvez por isso que a Economia é a área do conhecimento que, na fase de apendizagem, faz mais recurso ao famoso sistema de eixos cartesianos e outros grafismos: também são analogias, tal como quando se faz "um boneco" para o pessoal entender melhor a coisa.

    Em bom rigor, trata-se de uma "arte", na acepção "artesanal" da palavra. Veja-se, por exemplo, esta analogia do Professor João César das Neves no Diário de Notícias, para explicar os problemas orçamentais:
    «Quando, por exemplo, convidamos amigos para uma festa ou planeamos um fim-de-semana livre, se não tomarmos cuidado, em breve a dimensão do indispensável ultrapassa em muito os lugares ou o tempo disponíveis. É precisamente o mesmo que se dá no Orçamento de Estado. O País está cheio de justas reinvindicações, gastos imprescindíveis, despesas incompressíveis. Todas estas exigência são boas, mas a sua soma é muito superior às receitas.»
    Pois é, caro Professor: é o que faz ter muitos amigos...

    Sócrates, o Salvador


    Ouvi logo de manhã, na rádio, que Primeiro-ministro afirmou querer salvar todas as empresas que puder. Não me choca que um Governo intervenha na economia para salvar empresas. Mas... todas, sr. Primeiro-Ministro ?

    Energias novas, velhos problemas


    Segundo o Diário Económico, a Associação Portuguesa de Energias Renováveis afirma que o abaixamento de tarifas (entre 4% e 18%, após alteração, pelo Governo, da respectiva metodologia de cálculo) coloca em causa a viabilidade dos projectos de energia solar e de mini-hídricas. O secretário de Estado adjunto da Indústria e Inovação responde que os modelos de negócio já foram feitos com base nos novos valores.

    (Esperemos que não aconteça terem ambos os lados razão...)

    domingo, maio 01, 2005

    Julie Doiron





     Ce Chamant Coeur 


    Seguindo trajecto semelhante ao de muitos músicos com carreira iniciada nos primórdios dos anos 90, a canadiana Julie Doiron afastou-se progressivamente do universo indie movido a electricidade para se aproximar do despojamento da tradição folk para confissão de estados de alma. Depois de integrar como baixista os canadianos Eric's Trip, banda de noise-pop pertencente ao catálogo da Sub Pop, a carreira a solo subsequente vem-se fazendo de guitarras acústicas e uma voz intimista (Mário Lopes in DN).

    Julie Doiron actuou em Lisboa (na Galeria Zé dos Bois) e no Porto (no o meu mercedes é maior que o teu) no passado mês de Março.

    | Página oficial | Mondo Bizarre | Body Space | Epitonic |

    Muniz Sodré


    Entrevista com o sociólogo brasileiro Muniz Sodré - co-autor dos livros "O Império do Grotesco" e "Cidade dos Artistas" - na revista do Público de hoje. Fazendo uma previsão pessimista acerca do efeito que o excesso de informação disponível na actualidade tem sobre os seres humanos, afirma:

    «Quando você está vivendo em tempo real - como na Internet - no qual você não tem teoricamente um intervalo entre um acontecimento e a reprodução dele, há uma abolição do espaço e do tempo. Ficamos com o tempo virtual, onde tudo é passível de acontecer de forma instantânea, global e simultânea. Ora, esse é o tempo zero do prazo, mas também o tempo zero da identidade. Eu não preciso de nada que me demore. É o tempo zero da paciência, da dificuldade e, eu arriscaria também, da Literatura.»
    (...)
    «O acesso à letra, à leitura demorada, fica mais restrito quando todas essas facilitações [internet, computador] dão uma ilusão demagógica de que você está lendo. (...) Você passa a ter a ilusão de que é culto. Como os resumos do Reader's Digest.»

    Sodré fala igualmente sobre o modo como os órgãos de comunicação exploram a nossa necessidade de afecto, de integração, apanhando-nos numa armadilha que nos rebaixa enquanto seres humanos. E não só órgãos de comunicação: também alguma da literatura mais lida, como a de Paulo Coelho.

    O texto do Público não se encontra de acesso livre on-line, mas algumas das ideias de Muniz Sodré podem ser encontradas nesta outra entrevista do Diário de Notícias. Pode também ouvir uma entrevista de Muniz Sodré à rádio da Universidade Estácio de Sá, em Outubro de 2003, aqui (ficheiro m3u).

    Referência à entrevista do Público também por Nuno Miguel Santos no Bom senso.

    Matemática


    O Blogo existo, que achou absurda a frase do sociólogo Rui Pena Pires segundo a qual «As 'raças' são classificações relacionais, não são atributos essenciais e naturais dos seres humanos» [e é de facto assim] tinha, ele próprio, acabado de cair na absurda falácia do "obreirismo" da aprendizagem; no caso, acerca da matemática. Escreveu ele:
    «Só há duas razões para se estudar qualquer coisa: ou porque se gosta, ou porque é preciso. Os meus amigos economistas nunca mais precisaram de saber o que é um diferencial desde que acabaram o curso. Com os engenheiros é um bocadinho diferente, mas não muito (...) Que interesse tem então a matemática neste contexto? Nenhum, ou quase, não fossem as malditas comparações internacionais com que persistem em atazar-nos os miolos.»
    Ora, ocorre que a aprendizagem da matemática tem efeitos profundos e duradouros na capacidade para o raciocínio complexo: mesmo se aplicado a problemas familiares, ou do futebol, ou do que for; mesmo quando, posteriormente, nunca mais se aplicam as fórmulas a problemas específicos.

    Um estudo feito em França (cito de memória, já não consigo dar a referência) concluiu que a "simplificação" da matemática no ensino secundário francês tinha tido como consequência que, ao chegar à universidade, os meninos tinham diminuída a capacidade para a equação de problemas complexos (matemáticos ou outros). Depois admirem-se que as criancinhas, feitas adultas, analisem a realidade com a simplicidade da "lógica da batata"...

    Provavelmente passa-se o mesmo em Portugal. Tanto quanto sei já não é necessário demonstrar teoremas: uma das coisas "mais inúteis" que se aprendia no final do secundário. Também nós, estudantes martirizados, nos perguntávamos: para quê aprender a demonstração daquelas regras, não bastava decorá-las e pronto?

    Pensemos na analogia com o tecido muscular: se não for usado não se desenvolve, e se já foi desenvolvido, atrofia. Isto acontece assim porque o organismo actua inteligentemente na poupança de energia: para quê gastar recursos num órgão que não tem uso? O mesmo acontece com o cérebro, que é de resto o nosso órgão mais dispendioso em termos energéticos.

    Portanto, há mais uma razão (pelos menos) para se estudar: porque é útil.

    Comes with a smile


    Comes with a smile é um fanzine de Matt Dornan, cujo 1º número foi editado no Outono de 1997, encontrando-se actualmente na 17ª edição. Informações sobre edições de música, CD, entrevistas, etç.. Bom material.

    quinta-feira, abril 28, 2005

    Faun Fables





     Beautiful Blade 

    (excerto)

    Projecto original de Dawn McCartney (por vezes também apresentado como sendo um duo, com Nils Frykdahl). A leitura do autor norueguês Erwin Neutzsky-Wulff, que integra a mitologia com a neurologia e a ciência cognitiva, teve uma grande influência em Dawn: “comecei a compreender que um certo número de sensações e experiências que eu tinha tido, e que não tinham qualquer significado no mundo em que vivia, eram compreensíveis sob uma óptica religiosa”. Dawn, no entanto, afasta-se das religiões usuais e procura contactos com uma religiosade mais primitiva, como as correntes religiosas escandinavas pré-cristãs e o xamanismo.

    “As experiências físicas estão associadas a um elevado grau de conceptualização. São as definições que fazem com que os objectos ou entidades sejam considerados “algo” em vez de “nada”. Nem todas as conceptualizações, ou experiências, são comunicáveis porém, no dia-a-dia, a nossa conceptualização é limitada pela necessidade de interacção. É por isto que é razoável dizer que a nossa linguagem é o limite do nosso mundo. O materialismo “duro” (na sua forma mais banal) é apenas um desesperado desejo de consenso conceptual. Isto significa que, como pessoa religiosa, tenho de evitar o consenso no presente, por forma a permitir que o mundo se manifeste de diferentes modos.”

    | Página oficial | Entrevista | upload: Psychedelic Folk |

    Mayana Zatz


    A geneticista e investigadora brasileira Mayana Zatz, directora do Centro de Investigação do Genoma Humano da Universidade de São Paulo e fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular, relata a sua experiência na investigação da doença, nos contactos com as pessoas afectadas pela doença e suas famílias e na luta para que a legislação brasileira possa permitir a investigação em células embrionárias. Artigo aqui.

    Publicidade on-line


    A revista Economist inclui um artigo sobre o crescimento da publicidade na Internet. Citando uma previsão da Advertising Age, durante o corrente ano os rendimentos publicitários do Google e do Yahoo deverão rivalizar com os das três grandes cadeias televisivas americanas: ABC, CBS e NBC. Este crescimento tem sido suportado por uma série de inovações, das quais uma das mais recentes é um novo sistema de leilão para publicidade da Google.

    Outro exemplo desta inovação, criado pela AdMedian, é um anúncio que, em vez de tomar a forma de um irritante pop-up que o cibernauta deve "atravessar" para aceder à página que pretende visitar, apresenta-se como um browser funcional que dá passagem para qualquer das páginas desejadas do anunciante (ver artigo).

    «Período de adaptação [à concorrência dos têxteis chineses] foi coisa que não faltou ao sector têxtil nacional. A modernização e os ganhos de competitividade foram, em termos médios, incipientes. Como vai conseguir fazer em três anos o que não fez em dez é a grande questão. Para que o tempo que venha a ganhar não acabe por ser uma verdadeira perda de tempo.»

    Luisa Bessa in Jornal de Negócios


    «Para reformar a administração pública não são precisos grandes consultores, nem é necessário inventar a pólvora. Os verdadeiros problemas estão há muito identificados. Ao contrário do que é muitas das vezes afirmado, não há Estado a mais. Há Estado a mais nuns sectores e a menos noutros. Não há funcionários públicos a mais. Há funcionários a mais numas áreas e a menos noutras. Temos um Estado excessivamente centralista e uma administração com problemas de qualificação, produtividade e avaliação. Mas nenhum destes problemas se resolve com a campanha negativa sobre a administração pública.»

    Pedro Adão e Silva in Diário Económico

    quarta-feira, abril 27, 2005

    A culpa é do sistema...


    Impressionou-me (muito negativamente) um dirigente sindical que, perante a proposta do governo de aumentar os períodos de estudo da matemática, disse ter "muitas dúvidas" da sua eficácia; tanto quanto ele sabia, acrescentar mais horas até poderia ter o efeito oposto.

    Eu suspeito que o dirigente sindical é capaz de ter razão: no que respeita à fatia de professores incompetentes (ou irresponsáveis) quanto mais horas estes estiverem com os alunos pior para a aprendizagem. Mas se estivermos à espera que os sindicatos admitam que possa haver uma fatia de incompetência no corpo docente, podemos esperar sentados. Mesmo que se prove essa inconpetência, o Sindicato dirá: a culpa é do sistema, tal como Riff, o jovem delinquente do West Side Story...
    O meu pai bate na minha mãe
    A minha mãe bate em mim
    O meu avô é comunista
    A minha avó snifa chá
    A minha irmã usa bigode
    E o meu irmão veste saias
    - Ainda se admiram que eu seja um marginal?
    Ou seja (parafraseando):
    Nós não somos maus alunos,
    Somos é malcompreendidos...

    Exames e preguiça


    O Público de hoje inclui um dossiê sobre os exames, onde encontramos um depoimento da professora Fátima Bonifácio, historiadora e professora universitária, exprimindo a opinião de que «os exames são um antídoto contra a preguiça e o facilitismo». Confrontada com o facto de sistemas como o finlandês e o coreano só aplicarem exames no final do secundário, contrapõe:
    «Os exames nacionais antes do final do secundário podem ser dispensáveis em sistemas de ensino que reunam pelo menos duas ordens de condições: serem altamente responsabilizadores de professores e alunos e dominados por uma cultura de grande rigor e exigência; gozarem de uma estabilidade do corpo docente que permita aos professores de cada escola conhecerem-se uns aos outros e conhecerem os "seus" alunos. Estas condições não estãoreunidas nas escolas portuguesas»
    Avançando mais na sua análise, a professora adianta um exemplo:
    «Num comunicado citado pelo Público de 16 de Abril último, o PCP deplorava que os exames nacionais do 9º ano deixassem "para último plano os aspectos de ordem afectivo-emocional, relacionais, as atitudes e a aplicação prática do saber", e que se limitassem a avaliar conhecimentos! Este tipo de discurso, que combina vacuidade e pieguice, é exemplar da mentalidade dominante segundo a qual a escola serve para para tudo menos para trabalhar e aprender. Não tenho dúvidas de que estas "teorias" pedagógicas são as principais responsáveis pelo clamoroso fracasso do sistema educativo nacional»
    Eu concordo com esta análise. Fui testemunha de que a geração que formatou o actual sistema de ensino fez uma crítica, no período imediatamente anterior à Revolução de Abril, do sistema de avaliação baseado exclusivamente em exames, que fazia identificava aquele sistema com a ideologia da ditadura; segundo eles, era um sistema "destinado a formar os quadros da bueguesia", que formava mentes "acríticas", etç.

    Logicamente, esta geração, quando assumiu as rédeas (não só os altos cargos do poder político formal, mas todas as instâncias onde é possível exercer uma fatia de poder) aplicou o sistema "alternativo" da avaliação contínua. Isto coincidiu com uma entrada massiva, no sistema de ensino, de professores mal preparados para tais funções - muitos nem tinham a formação legal necessária. A mistura desta postura anti-exames com a incompetência formal de grande parte do quadro docente mudou a natureza do ensino, passando a replicar essa ideologia anti-exame. (Sempre suspeitei que, se submetessem os professores aos exames que os meninos têm de fazer, que um número razoável chumbaria.)

    Finalmente o sistema político, muito sensível, eleitoralmente, à satisfação dos paizinhos e mãezinhas dos meninos, foi acolhendo esquemas facilitistas que permitiam a progressão das criancinhas pela escola acima, quer soubessem muito, pouco, ou nada. Por isso acho interessante as propostas hoje divulgadas pelo governo no sentido de restringir o acesso ao ensino da matemática a licenciados em matemática. Mas não se esqueçam da avaliação dos professores e da definição de metas/gestão por objectivos.

    domingo, abril 24, 2005

    A reforma agrária de Sá Carneiro



    A revista do Público de hoje inclui uma reportagem sobre os rendeiros da Herdade dos Machados (em Moura): um grupo de trabalhadores agrícolas com quem o governo de Sá carneiro iniciou, em 1980, uma espécie de reforma agrária "social-democrata".

    Esta entrega de terras a 94 trabalhadores agrícolas coincidia, na época, com a devolução, aos antigos proprietários, de parte das terras que lhes tinham sido ocupadas logo a seguir à revolução de Abril.

    Sá Carneiro procurava assim uma terceira via: nem a grande propriedade latifundiária, nem o colectivismo comunista. A entrega das terras a estas famílias destinava-se declaradamente a inaugurar um novo modelo de reforma agrária; na altura terá sido feita a promessa de que a propriedade lhes viria a ser entregue, mas no papel o que ficou escrito foi um arrendamento por 25 anos: que estão a terminar.

    A revista transcreve estas palavras de Sá Carneiro, incluídas no discurso que fez no dia 26 de Abril de 1980, no acto de entrega das terras:
    "Enquanto formos Governo e maioria, ninguém lhes tirará as terras, cuja exploração lhes é agora garantida em posse útil mas que podem tratar como se fosse vossa."
    Entretanto, a nível governamental, ninguém parece ter dado muita importância ao assunto e o tempo correu a favor dos antigos proprietários; alguns dos arrendatários falecerem, outros desistiram e, nesses casos, as terras foram imediatamente retomadas pela Casa Agrícola Santos Jorge, que gere a Herdade. Um representante da Casa usa mesmo esta metáfora: "Somos como as crianças. Sempre que sabem que há ali um chupa-chupa, vão lá e comem-no". (A "posse" de terras anteriormente expropriadas no âmbito da Reforma Agrária é um dos motivos justificativos da "reversão" da propriedade, ou seja, da passagem do Estado para os expropriados, conforme se pode ler neste Acordão do STA relativo a esta Herdade.)

    Os restantes arrendatários parecem não saber o que fazer. Recusam-se a celebrar contratos com a Casa Agrícola Santos Jorge, na esperança de que a antiga "promessa" de se tornarem proprietários se cumpra, mas aparentemente sem grande convicção; em alternativa sugerem uma indemnização por parte do Estado.

    Emfim, espasmos de um país que tem andado à deriva.

    sexta-feira, abril 22, 2005

    iPod + iPod + mixer (e pode ?)


    Segundo consta aqui, esta maquineta é um protótipo de um DJ mixer da Numark (fabricante de acessórios para DJs) que proporciona misturas a partir de dois iPods. Já foi apresentado na Musikmesse de Frankfurt mas não se sabe quão longe ou perto estará de entrar em produção.

    Clique na imagem para ampliar e veja aqui outra imagem.

    Veja ainda outras novidades da Musikmesse.

    Uma dupla "Unidade"


    O governo acaba de criar uma "Unidade de Coordenação do Plano Tecnológico" (UCPT) cujas funções duplicam as da UMIC - Unidade Missão Inovação e Conhecimento, criada em 2002.

    O Diário de Notícias lembrou-se de questionar os ministérios da Economia e da Ciência sobre este possível problema mas ninguém diz nada. Acresce que a UCPT é de puro financiamento orçamental enquanto que a UMIC tinha comparticipação da União Europeia. Aqui está mais uma embrulhada tipicamente portuguesa. Esperemos que, neste imbróglio de "Unidades" não se verifique:
    1 + 1 = 0
    Não teria sido mais inteligente colocar uma nova direcção na UMIC e modificar-lhe as competências naquilo que o Plano Tecnológico tem de diferente (se é que tem...) ?

    In The Country





     In My Time of Need


    Trio de jazz formado em 2003, na Noruega, pelo pianista Morten Qvenild (26) com o baixista Roger Arntzen (28) e o baterista Pål Hausken (25) [foto]. Este seu primeiro disco, "This Was the Pace of My Heartbeat", foi lançado no mês passado pela Rune Grammofon. A gravação é analógica e para além de "In My Time of Need (original de Ryan Adams) inclui nove originais de Qvenild e ainda uma versão da ária ”Lascia Ch´io Pianga”, de Händel.

    Morten Qvenild colabora ainda na "Susanna and the Magical Orchestra" e é um dos membros da banda norueguesa de pop/rock "The National Bank".

    |página oficial | upload original: The suburbs are killing us | + fotos |

    Canivete suíço da mente


    Um interessante artigo, a começar pelo título: Swiss army knife and Ockham's razor: modeling and facilitating Operator's Comprehenson in Complex Dynamic Tasks.

    A ideia é: a partir de duas metáforas da mente desenvolver um modelo (VAN, Virtual Association Network) que permite explicar o desempenho humano e apoiar os processos de tomada de decisão em tarefas complexas, envolvendo multiplas variáveis e constrangimentos em rápida mutação. Sendo um instrumento multi-funcional, os autores recorrem à metáfora do "canivete suíço". O artigo inclui um perturbante exempo de aplicação: o bombardeamento de alvos móveis por um avião.

    Tomar decisões a partir da simplificação de uma realidade observada altamente complexa, eis o programa da nossa mente - e dos seres vivos em geral, mesmo dos mais primitivos. Este artigo apresenta uma hipótese de trabalho para a compreensão (e replicação) dessa tarefa.

    Nas referências bibliográficas lá estão dois artigos do "nosso" António Damásio:
  • Time-locked multiregional retroactivation: a systems-level proposal for the neural substrates of recall and recognition

  • Cortical Systems for the Recognition of Emotion in Facial Expressions .
  • quarta-feira, abril 20, 2005

    O poder da pirâmide...


    O governo americano colocou on-line uma nova pirâmide alimentar. Encontra-se disponível uma opção de consulta em que o cibernauta indica a idade, sexo e actividade física extra desenvolvida, por forma a receber uma proposta de dieta adequada. Acontece que o acesso a esta modalidade é quase impossível dada a quantidade de solicitações (se alguém conseguir resposta, passe-me a dieta, tá ?)

    Bem me avisou o Adam Gaffin.

    Citação


    Joachim Fels, economista da Morgan Stanley:
    «Políticas fiscais extremamente generosas em alguns dos países membros da União Europeia poderão afectar outros países menos pródigos, por via de custos de crédito mais elevados, especialmente se os mercados acreditarem que os estados membros terão de apoiar os seus pares que se tornem insolventes. Se isso acontecer, os membros pródigos poderão tomar o freio nos dentes, cavalgando os restantes. Não é necessário ter um doutoramento em ciência política para compreender que um tal cenário criaria conflitos sérios na União e ameaçaria as suas próprias fundações»
    [Original aqui; tradução minha]

    Josephine Foster





     Hell's Bells 


    "A passagem de Josephine Foster pela escola de ópera deixou nítidas marcas na sua voz, vagamente associável ao canto lírico. Mas o seu terreno é, definitivamente, o da folk psicadélica. Se quisermos, Josephine Foster está para a folk de Donovan, como a lírica Vírginia Rodrigues está para o tropicalismo de Caetano Veloso. No caso de Josephine, são os Jefferson Airplane, Vasthi Bunyan e Shirley Collins, entre muitos outros, que andam por ali." (in Famalicão - Portal )
    | J.F. no Porto | upload original: 100songsising | outras referências: | Enxoval | Crónicas da Terra | Vidro Azul | Som Activo | DN |

    Internet mais rápida


    Segundo o Diário de Notícias, a PT vai quadriplicar a velocidade de acesso à Internet, sem aumento de preço. Afinal, de vez em quando, sempre há "almoços grátis". Ou não ?

    PME inovadoras


    O jornal Público de hoje inclui um pequeno suplemento (2 folhas) sobre "PME inovadoras", salientando os casos das PME vencedoras do prémio "PME inovação", uma iniciativa da Cotec com o apoio daquele jornal (notícia do DN).

    O caso mais detalhado é o da empresa Chipidea, grande vencedora daquele prémio; são igualmente referenciadas as empresas que obtiveram menções honrosas, a Ydreams e a Critical Software.

    Nesta cerimónia o Ministro da Economia fez esta intervenção.

    sábado, abril 16, 2005

    Economia, confiança e imageologia cerebral


    O campo da neuroeconomia continua a revelar-se uma fonte de descobertas: a Science Magazine do corrente mês inclui o interessante paper "Getting to Know You: Reputation and Trust in a Two-Person Economic Exchange".

    É uma experiência em que se simulam, através do "jogo da confiança", as mútuas reacções de um investidor e de um procurador a quem este confia uma certa quantidade de dinheiro; o procurador, a seguir, retorna ao investidor parte da verba que recebeu e então é a vez deste lhe confiar nova quantia, e assim sucessivamente.

    Através de técnicas de imageologia (observação da activação de zonas do cérebro) conseguiram-se estabelecer relações significativas, modelizando nomeadamente comportamentos "generosos", "neutros" ou "maldosos" por parte do investidor para com o procurador e analisando as reacções deste último. É interessante o modo como o procurador, ao fim de algum tempo, consegue antecipar as decisões do investidor, hipótese consistente com as descobertas de António Damásio, já aqui referidas - e também coerente com os pressupostos da "racionalidade limitada".

    Outra revelação interessante é a da assimetria entre as situações em que o investidor manifesta "mais confiança" ou "mais desconfiança": a primeira situação exerce um efeito maior do que a segunda no comportamento do procurador.

    Os investigadores salientam a importância que as suas conclusões podem ter para a compreensão de patologias como a esquizofrenia ou o autismo. Mas também o comportamento dos agentes económicos pode ser melhor entendido com estas descobertas.

    Quem quizer aceder ao artigo na Science, terá de o pagar; mas o "pura economia" está em condições de facultar o acesso gratuito aqui. (Bem, na realidade, a divulgação do texto e do link devo-o ao blogue de Kevin McCabe, o Neuroeconomics).

    Reconhecimento 'Público'



     
     
     
     
     
    O suplemento do Público, "Mil Folhas", na secção "Ciber-Escritas", onde Isabel Coutinho usualmente divulga a nossa blogosfera, podemos encontrar (e ler...) uma longa reportagem sobre o "pura economia"; tenho a certeza de que não merecíamos tanto.

    O que é que se pode dizer ? Bem, hoje é dia de festa no "pura economia". Como leitor compulsivo do Público (mesmo quando acedia livremente à edição on-line) fico embevecido, a sério.

    sexta-feira, abril 15, 2005

    Eliane Elias





     Ponta de Areia - Canção do Sal - Cravo e Canela 
     (Milton Nascimento medley) 

    Ponta de Areia, ponto final
    Da Bahia-Minas, estrada natural
    Que ligava Minas ao porto, ao mar
    Caminho de ferro mandaram arrancar
    Velho maquinista com seu boné
    Lembra o povo alegre que vinha cortejar
    Maria-fumaça não canta mais
    Para as flores, moças, janelas e quintais
    Na praça vazia, um grito, um ai
    Casas esquecidas, viúvas nos portais


    Natural de São Paulo (1960) Eliane Elias teve formação clássica e, ainda adolescente, fez o circuito de clubes. Foi para Nova Iorque em 1981, onde entrou para o grupo "Steps Ahead" do saxofonista Michael Brecker. Depois tocou com o trompetista Randy Brecker, com quem se casou. Gravaram juntos o disco "Amanda" (nome da filha do casal).

    Nos anos seguintes tocaria com músicos consagrados como Joe Henderson, Toots Thielemans, Jack DeJohnette, Peter Erskine, Eddie Gomez, Marc Johnson e Herbie Hancock; com este último gravou "Solos and Duets", de 1995, disco elogiado pela crítica e nomeado para os Grammy. Eliane compõe continuamente e temas de sua autoria já foram interpretados por diversos músicos, como Pat Metheny, Toots Thielemans e os Brecker Brothers.

    | Página oficial | upload original: Blue Note | Biografia |

    Apenas uma marca...


    A Slate tem dificuldade em definir que "produto" é Pamela Anderson. É certo que tem tido um sucesso duradouro desde o longínquo mês de Outubro de 1989 em que foi capa da Playboy. Entretanto a menina participou em várias séries televisivas (a mais recente é Stacked), escreve colunas de opinião, é autora de dois livros baseados na sua escandalosa vida, lançou uma griffe de roupa e tem um negócio de slot machines; Será ela uma actriz ? Segundo a sua própria e abalizada opinião, nickles:
    «Não sou uma actriz. Não creio que seja uma actriz. Acho que criei uma marca e um negócio."»
    Ainda segundo a Slate, «o exagerado mega-feminismo e a confusa vida pública de Pamela fazem com que o projecto de ser uma mulher pareça maravilhoso, cómico - e difícil. O seu processo de contínua auto-reinvenção, desde pin-up até mulher de negócios e depois escritora e depois actriz, não se parece nada, por exemplo, com o percurso de Madonna, a outra grande empreendedora loura. Madonna sempre se pareceu com um ditador disfarçado, combinação de Evita Perón e Feiticeiro de Oz, controlando tudo dos bastidores. O que atrai em Pamela é que a sua persona manifesta as contradriedades e o ridículo esforço de se tentar manter como "a mulher mais sexy" durante mais de década e meia. O apelo da "Marca Pamela" é, acima de tudo, o quão natural ela parece; pode ser falso, mas é um falso genuíno.»

    Falências douradas



    O Tribunal de Contas descobriu que o gestor liquidatário da empresa Silopor auferiu (será que ainda aufere ?) mensalmente a quantia de 10.500 euros, mais do dobro do mais alto vencimento tabelado para um gestor público (Presidente do Conselho de Administração, que é de 4625 euros). (Diário de Notícias)

    A Silopor é uma sociedade anónima de capitais públicos que resultou, em 1987, do destaque da EPAC (Empresa Pública de Abastecimento de Cereais) dos silos portuários públicos existentes nos portos de Lisboa e Leixões. O organograma da Comissão Liquidatária pode ser consultado aqui. É muita malta para liquidar uma empresa, portanto está garantido que ela irá mesmo ser liquidada...

    Mas será que (estou agora a recordar a Teoria da Agência) os interesses do "principal-Estado" e do "agente-comissão-liquidatária" serão os mesmos ? Depois de liquidada a coisa, para onde irão estes liquidatários? Não serão as remunerações um incentivo ao prolongamento da agonia?

    A decisão de liquidar a Silopor foi tomada em Reunião de Conselho de Ministros de 26 de Abril de 2001, já lá vão 4 anitos.

    Um dia ainda se descobre que as empresas públicas dão mais prejuízo em falência do que vivinhas da costa...

    quinta-feira, abril 14, 2005

    Literatura e Economia


    Na mailing-list Teach-Econ (ensino da Economia) abriu-se um espaço de sugestões sobre romances para uma cadeira com o título: "imagens do negócio na literatura americana" ("Images of Business in American Literature"); entre as sugestões já apresentadas apareceram:

  • The Amazing Adventures of Kavalier & Clay de Michael Chabon (retrato de um empreendedor de sucesso, ainda que pouco usual)
  • The Big Money de John Dos Passos
  • The Octopus de Frank Norris (baseado na confrontação realmente ocorrida, no Vale de San Joaquin (Califórnia), entre os agricultores e a empresa ferroviária Southern Pacific Railroad
  • O Pomar das Cerejeiras de Anton Tchekov (onde a personagem Lopakhin concebe um esquema para que a família possa manter a propriedade das terras: construção de moradias)
  • O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald

    E também, embora não sendo um romance, The Literary Book Of Economics de Michael Watts (editor).

    Pergunto a mim próprio que livros poderíamos indicar para uma cadeira equivalente mas nacional:

  • Volfrâmio, de Aquilino Ribeiro
  • Emigrantes, de Ferreira de Castro
    ...
  • quarta-feira, abril 13, 2005

    Karen Ann





     Que n'ai je ?


    Je pourrais bien brûler les preuves
    Trier les pages de mon passé
    Prendre un bassin ou même un fleuve
    Pour abonder le peu que j’ai
    Je pourrais bien brouiller les pistes
    Changer cent mille fois de visage
    Rayer mon nom de toutes les listes
    Et m’effacer du paysage

    Où vais-je ?
    A présent que n’ai-je ?
    Ma mémoire s’enivre
    Tu cherches tellement à me suivre
    A travers le vent

    | Biographie | upload original: Blue Note |

    Semântica


    Interessante notícia no blogue Notícias de Ovar sobre a designação de uma feira popular em Monção. Mas que linda metáfora...

    Notícias da deslocalização


    Mais uma empresa localizada em portugal que anuncia planos para deslocalização da produção: a Yazaki Saltano, produtora de cablagem para automóveis, o que poderá fazer perder mais 500 postos de trabalho.

    Segundo o Notícias de Ovar, "a empresa reconhece que "os níveis de produtividade da unidade são positivos", mas justifica que "o sector das cablagens, que representa um volume de vendas bastante significativo, tem vindo a diminuir", o que, associado "a uma conjuntura económica desfavorável obrigam a Yazaki a reduzir o número de postos de trabalho". Entretanto a empresa afirma ter solicitado o apoio a instituições do Estado, nomeadamente ao governo e autarquias, "no sentido de encontrarem outras formas que diminuam os efeitos sociais da medida" que pretende tomar.

    Referência também no Diário de Notícias.

    Mulheres trabalhadoras


    Segundo estudo do Eurostat divulgado pelo Diário de Notícias, «a taxa de emprego das mulheres portuguesas com filhos menores de 12 anos é das mais elevadas da União Europeia a 25, somente abaixo da Eslovénia, Dinamarca e Lituânia. Portugal detém ainda a terceira maior proporção de mulheres empregadas com três ou mais filhos, ou seja, a taxa de emprego nesta situação é de 60%.»

    segunda-feira, abril 11, 2005

    Economia e sexo


    Posner e Becker, no seu blogue, escrevem sobre a Revolução Sexual. Posner inicia o diálogo questionando-se porque é que a moralidade sexual sofreu tantas modificações nos últimos 50 anos, proponde-nos uma "abordagem económica": «Uma vez que os benefícios do sexo, no sentido do prazer ou do alívio da tensão que proporciona, tem profundas raizes biológicas, é provável que a resposta deva ser procurada do lado dos custos», os quais, segundo Posner, cairam dramaticamente no último século; depois de desenvolver este raciocínio, Posner conclui que «na medida em que, devido às mudanças económicas e tecnológicas, o sexo deixará de ser considerado quer perigoso quer importante, podemos esperar que se venha a transformar numa actividade moralmente neutra, tal com aconteceu com o acto de comer»

    Becker não concorda com esta última previsão:«Discordo de Posner em que o sexo se virá a tornar, quer moralmente quer em outros domínios, em apenas mais uma actvidade de consumo, como comer. O acto sexual constitui uma relação muito íntima entre duas pessoas, a qual se foi constituindo á medida que os humanos evoluiram ao longo dos últimos 50 mil anos, quando parece que se começaram a organizar em famílias. Esta relação provoca uma grande ligação e bagagem emocional, a qual não vai desaparecer apenas porque os contraceptivos se tornaram eficientes e as taxas de nascimento baixas.»

    Publish or Paris ?


    No meios universitários é muito utilizado o aforismo "Publish or Perish" ("ou publicas ou morres!") para significar a importância, no meio académico, de fazer publicar artigos de investigação em revistas da especialidade. A publicação funciona como uma variável proxy da capacidade do académico para investigar e para se manter actualizado. Um modo de classificar as universidades é mesmo através da avaliação da quantidade de artigos publicados pelos seus "profes". Uma variante mais sofisticada deste indicador recorre ao número de vezes que um artigo é citado por outros artigos, na suposição de que esse endicador representa o interesse e influência das ideias contidas num texto.

    Mas não era sobre isso que eu vinha escrever, mas sim sobre uma paráfrase desse famigerado "Publish or Perish", utilizado num artigo acerca da alocação que os juízes de Direito fazem do seu tempo: "Publish or Paris ?", ou mais conretamente: "Publish or Paris ? Evidence of How Juges Alocate Their Time" [upload aqui]. O artigo é de Ahmed E. Taha, assistente de Direito da Wake Forest University, e é caso para lhe dizer: "com títulos desses, hás-de ir longe..." (na carreira judicial, entenda-se).

    O trabalho desenvolve-se a partir de modelos com funções de utilidade em que juízes federais obtêm utilidade a partir da actividade judicial, do lazer, da reputação, da popularidade, do prestígio e de não ter sentenças suas anuladas.

    O trabalho apoia-se em investigação anterior do conhecido teórico da corrente Direito e Economia, Richar Posner, ele próprio também juíz, e que é frequentemente citado no paper. Das citações retive esta:
    «Para o punhado de juízes que actualmente ainda publicam as suas opiniões, e para alguns que o não fazem, existe uma utilidade adicional [à utilidade específica da natureza judicial, como a criação de precedentes], semelhante à que é obtida por qualquer autor literário ou académico. Existe também o prazer instrínseco da escrita, para aqueles que gostam de escrever, e do exercício e exposição da capacidade analítica ou outros dons intelectuais, para aqueles que os possuem e deles querem fazer uso».
    A metáfora do título é pois: vamos lá ver como é que os juízes escolhem entre trabalho (escrever para publicação) ou lazer (flanar por Paris). Claro que o modelo formal não apura a quantidade de viagens a Paris ou outro destino turístico qualquer.

    Entre os resultados, detecta-se alguma prevalência na tendência (embora sem grande relevância estatística) para a publicação em juízes mais jovens, em anteriores alunos de escolas de Direito de elite, em anteriores acusadores, bem como em anteriores juízes estatais ou locais. Anteriores advogados de defesa são menos inclinados para a coisa.

    Como conclusão geral o investigador confirma a suposição teórica de que "os juízes alocarão o seu tempo de forma que a utilidade marginal derivada de cada actividade, judicial ou não judicial, seja a mesma."

    O paper não é muito inovador, mas só o título vale a citação.

    domingo, abril 10, 2005

    Modas à margem do tempo





     Além daquela janela 


    Além daquela janela
    Dois olhos me estão matando
    Matem-me devagarinho
    Que eu quero morrer cantando

    O projecto Modas à Margem do Tempo é desenvolvido por cinco músicos de gerações diferentes e com formações musicais diversificadas, intervindo musicalmente no Cante Tradicional Alentejano, respeitando a sua essência e introduzindo-lhe as ambiencias clássicas universais.

    Discos publicados: Modas à Margem do Tempo (2001) e
    Cantarolices (2003)
    upload original: Modas à margem do tempo

    sábado, abril 09, 2005


     Julie London 

    Goody Goody

      So you met someone that set you back on your heels - goody, goody
      You met someone and now you know how it feels - goody, goody
      You gave her your heart too, just as I gave mine to you
      And you're broken in little pieces, now how do you do ?
      You lie awake just singing the blues all night - goody, goody
      You think that love's a barrel of dynamite
      Hooray and hallelujah, you had it coming to you
      Goody goody for me, goody goody for her
      And I hope you're satisfied, you rascal you.

    upload original: Umblu.com
    (ficheiro swf; pode levar algum tempo a carregar)

    Belmiro


    Está na moda atribuir todos os males da nossa economia ao peso do Estado e anunciar, como solução para todas essas maleitas, o respectivo corte. É a versão contemporânea da "banha da cobra". Por isso são de salientar as declarações de um dos nossos capitães da indústria (e não só), Belmiro de Azevedo, que coloca antes a tónica na necessidade, na função pública, de bons gestores que invistam uma atitude permanente de competitividade. Claro que isso "implica necessariamente uma preocupação constante com a redução de custos e a inovação".

    A ineficiência da função pública em Portugal é notória e, tal como nas empresas, exige uma mudança; mas acontece o mesmo nas empresas, onde os sectores protegidos e as atitudes de "rent seeking" são dominantes.

    O que se passa nos países com melhor desempenho económico é que possuem uma administração pública mais eficiente, nomeadamente no domínio da regulação e fiscalização económica - o que lhes permite reduzir o respectivo peso na despesa global.

    É confrangedor ler na blogosfera posts como este, propagando uma relação rígida entre o peso do Estado e o crescimento económico ("curva de Rahn"). Coerentemente com estas análises simplistas, o que os nossos liberais propõem é o desmantelamento do Estado, coisa que as empresas que praticam o "rent seeking" muito apreciariam.

    Havia uma boutade keynesiana segundo a qual bastaria empregar funcionários públicos para abrir buracos e depois tapá-los para fazer crescer a economia. Os defensores do neo-liberalismo económico inventaram uma semelhante: bastaria diminuir o número de funcionários públicos para promover o crescimento.

    Que cromos! Aliás, keynesianos e neo-liberais, estão bem uns para os outros: "les beaux esprits se rencontrent ".

    sexta-feira, abril 08, 2005

    Kate Fenner






     Stardust 


    Ainda adolescentes, a canadiana Kate Fenner e o seu namorado, Chris Brown, fundaram a banda The Bourbon Tabernacle Choir, com quem andaram pela estrada durante 10 anos. Fixaram-se depois em Nova Iorque, onde têm actuado e gravado como duo. Kate e Chris compuseram a canção Resist War, que foi adoptada pelo movimento internacional pela paz (ver letra).

    Kate lançou o álbum a solo "Horses and Burning Cars" (2003) e tem participado como artista convidada nos concertos de B. B. King (fotos [a], [b] e [c]). Quando for a Nova Iorque não perca a oportunidade de ouvir Kate Fenner no Living Room.

     imagens: | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |

    Fotos: | 4, 5, 6 e 7 - Bob Anderson | 2 - Jules Bowden | 3 e 8 - Muneeb Kahn | (a) e (b) - Ann Johnson | 9 - Vic Brody | (c) - Dino Perrucci | Upload original: página de Kate Fenner |

    Ridículo



    Já aqui tinhamos feito referência a um artigo do New Scientist que atribuía ao comércio um papel na evolução do homo sapiens. Agora é o Economist que pega na história para tentar provar a excelência do neo-liberalismo económico moderno. Abusivamente, através do uso de expressões como "sound economics" e "free trade", o Economist tenta extrapolar uma hipótese de há 35 mil anos para a realidade actual.

    O certo é que a hipótese agora colocada - que o homo sapiens terá adquirido vantagem com o comércio, o qual, aparentemente, não era praticado pelos neandertais - é apenas mais um elemento a somar a outras possíveis causas. Por exemplo: calcula-se que os neandertais não tivessem pensamento simbólico, ou apenas muito limitado; isso limitaria igualmente as suas capacidades linguísticas e de comunicação.

    É igualmente discutível a hipótese de que o desaparecimento dos neandertais e o florescimento dos sapiens tenha representado um progresso, mas isso éoutra discussão.

    No fim do artigo o Economist emenda um pouco a mão, reconhecendo que "nada disto prova em absoluto que a economia [economics] tenha permitido à humanidade o domínio da Terra, mas levanta a intrigante possibilidade de que a ciência deprimente [dismal science] seja responsável por algo mais do que lhe foi outorgado por Smith e Ricardo".

    Simplesmente ridículo.

    quarta-feira, abril 06, 2005

    Assimetria


    Segundo Le Figaro, a Comissão Europeia fez uma proposta de uma dotação de 11 milhões mil milhões de euros para processos de reestuturação de empresas. Trata-se de uma espécie de "fundo de intervenção a quente", para vigorar no período 2006-2013:
    «Embora sejam economicamente justificadas, as reestruturações de empresas são politicamente incorrectas e socialmente dolorosas; para lutar contra este efeito assimétrico a Comissão propõe-se diminuir os seus efeitos e fazer com que se perca menos tempo, para que o capital humano seja utilizado da melhor maneira evitando que as pessoas passem 5 anos no desemprego
    A proposta será discutida na próxima 6ª feira pelos ministros dos Assuntos Sociais, prevendo-se alguma contestação.

    Onde estás tu Mamã ?...


    Consta que o 2º casamento do herdeiro da Coroa inglesa vai ser do tipo low profile; mas se isso fosse verdade não estava agora o Carlitos a esmolar à mãe uns cobres para pagar o policiamento da boda - notícia do Sky News.

    terça-feira, abril 05, 2005

    Ministra relativista ?


    Ontem o primeiro-ministro e a ministra da Educação visitaram a Escola Básica 2+3 Matilde Rosa Araújo, em São Domingos de Rana; Maria de Lurdes Rodrigues disse que, neste momento, o Governo não está "em condições" de avaliar as virtudes e os defeitos dos exames do 9º ano.

    No entanto o DN dá o seguinte título à notícia, que não aprece reflectir exactamente o conteúdo: "Governo admite extinguir exames do 9.º ano em 2006". O DN cita depois uma "fonte oficial do gabinete da ministra da Educação", que admitiu que "todas as hipóteses estão em aberto", ressalvando que "nenhuma decisão está tomada". Mas segundo o DN, o próprio discurso da ministra demonstra a sua clara intenção de mexer rapidamente neste dossier.

    Este assunto é preocupante, nomeadamente devido a estas declarações da ministra, relativizando a importância dos exames provas na avaliação dos conhecimentos dos alunos:
    «Os exames são uma única peça num sistema de avaliação que tem que ser um pouco mais vasto", considerou. "É preciso ter consciência de que avaliam apenas uma parte das capacidades. Não avaliam coisas como a oralidade e o saber fazer das crianças. Têm um lugar importante, mas limitado.»
    A relavitização do processo de aprendizagem e a ideia de que nele a memorização tem um papel secundário (ou nulo) foi uma invenção pós-25 de Abril, inspirada nas locubrações hippies e "soixante-huitards" da década anterior, que muito contribuiram para a degradação do nosso ensino. A ideia de que a aprendizagem teria de ser mais orgânica e mais "agradável", resultou na famigerada "avaliação contínua" que, apesar das boas intenções, contribuiu para a degradação do nosso sistema de transmissão de conhecimentos.

    A notícia é de Pedro Sousa Tavares no Diário de Notícias.

    segunda-feira, abril 04, 2005

    Blogues


    O provedor do leitor do Diário de Notícias, José Carlos Abrantes, debruça-se sobre o fenómeno dos blogues, colocando a questão: o que podem os jornalistas aprender com os blogues? Apoiando-se numa reflexão de Steve Outing na página do Poynter Institute, José Carlos Abrantes reflecte sobre as seguintes características dos blogues (na opinião de Steve Outing):
  • As fontes e os modos de acesso à informação seriam mais transparentes;
  • O ciclo noticioso tornou-se mais rápido;
  • A notícia começa quando é publicada;
  • Os erros são facilmente admitidos e corrigidos.
  • Duas economias


    No "Diário de Notícias" João César das Neves escreve sobre As duas economias e a competitividade (ou seja, os sectores dos bens transaccionáveis e os restantes):
    «A esmagadora despesa pública, que já atinge metade do produto nacional, está dirigida sobretudo aos sectores protegidos da concorrência, educação, justiça, saúde, etc. Ao propulsionar os seus custos, impostos e salários, a política orçamental contribui maciçamente para agravar os problemas da competitividade nacional»

    domingo, abril 03, 2005

    Bo Carter





    Corrina Corrina


    Corrina, Corrina, where you been so long ?
    Corrina, Corrina, where you been so long ?
    I ain't had no loving since you've been gone.
    Corrina, Corrina, where'd you stay last night ?
    Corrina, Corrina, where'd you stay last night ?
    Come in this morning, sun was shining bright.

    O guitarista e multi-instrumentalista Bo Carter (ou Bo Chatman) nasceu em Chatmon, no Mississippi no início dos anos 1890. Embora na maioria das suas gravações - mais de 100, entre 1928 e 1940 - tivesse actuado como solista, Bo fundou com os irmãos os "Mississippi Sheiks", onde tocava guitarra e violino. "Corrina Corrina" foi composta por Bo Carter, que também a gravou pela primeira vez.

    As numerosas variantes desta composição deram origem ao estudo "Corrine Corrina, Bo Chatmon, and the Excluded Middle", de Christopher A. Waterman, onde se analisam as variantes e o seu contexto social, incluindo as conhecidas versões de Bob Dylan - que a adaptou ao estilo revivalista do urban folk - e Taj Mahal. Sobre esta canção leia também aqui.

    Excertos de "Corrina" por Bob Dylan e Taj Mahal. Outros músicos que gravaram versões desta canção foram Red Nichols, Art Tatum, Muddy Waters, Albert Ammons, Mississippi John Hurt, Big Joe Turner, Bill Haley, Jerry Lee Lewis, Phil Spector, Bobby Vinton, Steppenwolf e George Winston.

    Regiões francesas


    O pura economia já tinha feito um post sobre o programa de francês de pólos de competitividade; o assunto foi objecto de um concurso público, a que se candidataram as diferentes regiões francesas; entre as candidatas foram seleccionadas 6 regiões para a fase seguinte: Sillon Lorrain, Normande, Loire Bretagne, a metrópole que associa Marseille e Aix-en-Provence, Côte d"Azur e a aglomeração transfronteiriça franco-alemã constituída por Estrasburgo e Ortenaukreis. Notícia da Inteli no jornal Público.

    Jornal Público 'on-line'


    O jornal Público anuncia que a partir de amanhã o acesso ao seu conteúdo on-line passará a ser pago.

    sábado, abril 02, 2005

    Mais uma vítima do mercado...


    Segundo um recente artigo da New Scientist, o "livre comércio" pode ter sido a causa da extinção, há 30 mil anos atrás, dos Neandertais.

    A revelação é feita, não por arqueólogos ou antropólogos mas (imaginem...) por economistas holandeses e americanos.

    Entre as "explicações" anteriores para o desaparecimento destes nossos primos atarracados contavam-se as mudanças ambientais (o friozinho glaciar...) ou capacidades mentais limitadas (relativamente aos primos sapiens) que os tornavam piores caçadores. O certo é que tinham tido sucesso durante um longo período de tempo - 260 mil anos - incluindo vários episódios de glaciação.

    A tese económica é a de que o desenvolvimento do comércio entre diferentes comunidades de sapiens permitiu iniciar o processo de especialização. "O comércio terá permitido a divisão de trabalho, libertando indivíduos com capacidades especiais, por exemplo para a caça, para se concentrarem nas tarefas em que eram melhores"

    Esta hipótese baseia-se na evidência arqueológica da existência de quarteirões organizados de modo complexo, com diferentes partes destinadas a funções específicas, enquanto que os Neandertais viviam em espaços indiferenciados. Outra evidência indica que os humanos primitivos importavam diversos materiais e que esta diversidade de recursos terá favorecido a inovação.

    Recorde-se que os últimos dos Neandertais devem ter resistido na Península Ibérica e, nomeadamente, neste nosso cantinho. Isto costuma explicar-se pela progressão dos sapiens pela Europa fora, substituindo gradualmente os primos devido à vantagem competitiva. A famosa "criança de Lapedo" levanta mesmo a hipótese de ter havido aqui contacto genético entre as duas espécies.

    Querem ver que as nossas dificuldades competitivas e de inovação ainda acabam por ser atribuídas à pré-história?


    Criança de Lapedo (clique)

    Blogosfera



    No Mil Folhas / Público, Isabel Coutinho continua a divulgar a blogosfera portuguesa. Desta vez é o Da Literatura, de Eduardo Pitta, João Paulo Sousa, Jorge Melícias e 'valter hugo mãe'.

    Isabel Coutinho destaca os comentários aos posts do blogue e pergunta: "Quem quer blogues sem reacções dos leitores?". Bem, há para aí bué...

    Courrier Internacional



    Com as chuvas florescem as revistas. Hoje é a "Courrier Internacional", cujo número 0 é distribuído com o Expresso.

    Como refere em editorial o seu Director, Fernando Madrinha, a revista está associada à homónima francesa Courrier International, caracterizando-se assim por "reunir e editar trabalhos dos jornais de referência mais influentes e de maior tiragem a nível global, bem como de órgãos que normalmente não aparecem nos grandes circuitos comerciais de informação". A edição portuguesa é referida online aqui.

    Refectindo a influência francófona, o tema de capa e de fundo é a ameaça da vitória do não nos referendos à Constituição Europeia.

    Outros destaques: Dusan Sidjanki, professor em Genebra, fala do seu antigo aluno e assistente, Durão Barroso e do seu titubeante desempenho à frente da Comissão Europeia. Artigo de Mia Couto sobre a pobreza em África, com o tírtulo: "Os sete sapatos sujos" (uma espécie de sete pecados mortais que impedem os africanos de se desenvolverem). Artigo de António Guterres sobre o possível "não" francês. Uma reflexão de José Gil, da qual citamos:
    "Notemos apenas, no campo dos traços pessoais que influenciam a acção política e ajudam à criação do carisma, uma virtude que o primeiro-ministro possui, muito valorizada pelos portugueses (talvez porque a eles, na sua generalidade, ela lhes falte): a obstinação, a persistência, a fidelidade sem concessões ao rumo adoptado. (Por a possuírem num grau superior, Cunhal e Cavaco são admirados pelos portugueses de todos os estratos sociais e políticos). Que a obstinação duradoira e a firmeza do engenheiro José Sócrates o ajude - e nos contamine, se vier por bem."
    Na secção de divulgação científica vem referida uma investigação de um aparelho que permitirá seleccionar os espermatozóidos mais aptos para a fecundação, separando-os dos estéreis (clique na imagem). O artigo refere apenas os aspectos científicos, ignorando as implicações éticas. Esta possibilidade de seleccionar os espermatozóides está longe da determinação exacta das características dos novos seres humanos (pois continuará a haver uma multidão de lombriguinhas a disputar a corrida) mas pode ter efeitos de selecção sobre as características médias das novas gerações.

    Assombrações


    Um muito bom texto no Semiramis: "A maldição da Economia". Concordo com tudo, excepto com esta ideia: «Obviamente que são os políticos que tomam as decisões. Cabe aos economistas elencar os resultados possíveis dessas decisões».

    Toda a gente toma decisões, e todas essas decisões influenciam o percurso da sociedade. A "explicação" de que são os políticos quem toma as decisões é um "modelo" demasiadamente simplista. É claro que nem todas as decisões têm o mesmo peso no curso da festividades, mas as decisões dos economistas, seja no papel de políticos acidentais, seja no de gestores, investigadores, professores, jornalistas, etç, têm mesmo muita influência na nossa sociedade. A "racionalidade" de muitas das decisões tomadas por outros agentes (nomeadamente os políticos profissionais) são muito determinadas pelas "teorias" dos economistas, nomeadamente de alguns defuntos economistas, como referiu Keynes numa conhecida frase:
    «Practical men, who believe themselves to be quite exempt from any intellectual influences, are usually the slaves of some defunct economist.»
    Com esta frase Keynes pretenderia criticar os tais "homens práticos", mas podemos ler a frase ao contrário e ver como as ideias dos economistas, mesmo depois de mortos, continuam a assombrar o mundo dos vivos.