sexta-feira, dezembro 31, 2004

Votos de um bom ano de 2005!

Milagres não há. Haverá pacto?...


Acabei de ouvir na Antena 2 excertos do discurso que o Presidente da República nos vai fazer amanhã. Espero que ele também tenha ouvido para saber o que vai dizer. Entretanto, na TSF, pode aceder-se ao seguinte excerto audio (sublinhados do "pura economia").
«Em economia e finanças não há milagres. Apesar dos esforços realizados e dos custos sofridos nos ultimos anos, nomeadamente na administração pública, a consolidação orçamental está muito longe de estar concluída e, como é praticamente reconhecido por todas as forças políticas e sociais, tem de continuar mas de forma estratégica, equilibrada e justa para poder ser aceite por todos.

«Nos últimos anos empenhei-me em promover algum entendimento quanto a estes grandes desafios entre as principais forças políticas. Tal entendimento, como é óbvio, não visa esbater as suas saudáveis diferenças programáticas nem substituir o combate político democrático entre elas.

«Pretende, nesta matéria, melhorar regras e metodologias de gestão orçamental; despolitizar questões estritamente técnicas; aumentar a transparência das contas públicas e acordar alguns princípios fundamentais em domínios como por exemplo os da evolução da dívida pública, do financiamento das autarquias locais e das regiões autónomas, da gestão do sector da saúde ou da sustentabilidade da Segurança Social. Em tudo isto deve haver uma perspectiva de médio e longo prazos que transcende a duração normal da legislatura.

«Após as eleições legislativas e independentemente dos seus resultados, continuo disponível para ajudar à obtenção do mencionado entendimento, caso haja e se manifeste claramente uma coincidência de vontades nesse sentido claramente por parte dos principais partidos políticos.»
Confirma-se assim a proposta reforçada de um pacto de regime - a qual irá certamente dominar a campanha eleitoral. Mais uma vez Sampaio toma a iniciativa política. A dúvida que agora se levanta é: sendo a questão orçamental o tema central do debate eleitoral, o "grande divisor de fronteiras", poderão os partidos prescindir dessa arma? E, sendo assim, poderá criar-se algum consenso em plena arena eleitoral? Acho difícil, mas vamos aguardar para ver.

Mas atenção: esta proposta só vai aparecer amanhã, portanto, vejam lá, não estraguem a surpresa!

"Pinball Wizard"


Notícia da Lusa: o músico Roger Daltrey, vocalista do grupo The Who, foi nomeado pela Rainha Isabel II comandante da Ordem do Império Britânico pela sua contribuição para "a música, a indústria do espectáculo e as causas humanitárias". O músico conseguiu arrecadar três milhões de euros com os seus concertos anuais a favor da luta contra o cancro no Albert Hall, em Londres.

Formados em 1964, os Who foram uma da principais bandas do pop/rock britânico e a voz de Daltrey tornou-se conhecida em sucessos como "Substitute", "My Generation", "Won't Get Fooled Again" e "Pinball Wizard".

Vídeo de My Generation.

Prepara-te, Sócrates!


Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, em entrevista ao Diário Económico afirma que Sócrates não está preparado para ser primeiro-ministro:
«Ao engenheiro Sócrates faltam um ou dois anos para estar preparado para o que aí vem».
Bom, pelo menos ainda admite que não é um caso perdido. Já quanto a Santana Lopes, critica a sua liderança "errática, descoordenada e com muitos avanços e recuos em áreas muito visíveis".

Se não é, parece.


Glória Rebelo, no Público, escreve sobre a eliminação de barreiras alfandegárias decidida pela UE e alerta para a subsequente ameaça da China e também da Índia, a certos sectores industriais portugueses. O tom é marcadamente proteccionista:
«Para a indústria portuguesa - com uma larga tradição de produção têxtil que tem vindo a sofrer enormes perdas de competitividade e mercado - a eliminação destas barreiras anunciada pela CE é, talvez, uma ameaça fatal a um sector que emprega mais de 150 mil pessoas e representa cerca de 16 por cento das exportações nacionais.»
Glória Rebelo afirma que:
«Não se trata de um "reacender do nacionalismo económico", mas sim de garantir que alguns sectores da produção industrial ou agrícola mantenham a sua competitividade económica, preservando, simultaneamente, no seu território o mercado de trabalho.»
Bem, se não se trata de nacionalismo económico, pelo menos parece.

Entretanto a «Agência Lusa noticia que o coordenador da União de Sindicatos de Castelo Branco defendeu hoje a necessidade de "medidas firmes de protecção do sector têxtil e do vestuário, face à liberalização do comércio mundial" a 1 de Janeiro.»

Ai é só para 1 de Janeiro? Então ainda vamos muito a tempo!...

Ricos e pobres


O Center for Global Development divulgou um estudo sobre o empenhamento de 21 países desenvolvidos na ajuda ao desenvolvimento. A Holanda e a Dinamarca são os países com melhor desempenho neste domínio. Portugal (que em 2003 ficara em 3º lugar) situa-se em 14º lugar, juntamente com a Itália:
1. Holanda
1. Dinamarca
3. Suécia
4. Austrália
4. Reino Unido
6. Canadá
7. EUA
 7. Alemanha
7. Noruega
7. França
11. Finlândia
12. Áustria
13. Bélgica
14. Portugal
 14. Itália
16. Nova Zelândia
17. Grécia
18. Irlanda
18. Suiça
20. Espanha
21. Japão

Este índice global foi obtido a partir de índices sectoriais como a ajuda directa e as políticas comerciais (nível de barreiras colocadas aos produtos importados de países pobres) que revelam aspectos importantes da ajuda. Os EUA, por exemplo, ficam em primeiro lugar na política comercial (especialmente devido ao baixo nível das barreiras à importação de produtos agrícolas) mas apenas em 19º lugar na ajuda directa - resultado coerente com as suas políticas neo-liberais.

Outros indicadores apurados são o investimento (dos países ricos nos países pobres), tecnologia (idem), migração (idem), ambiente (nível de poluição nos países ricos), segurança (missões humanitárias e de paz). O posicionamento de Portugal nos diversos rankings é o seguinte:
  • Política comercial - 7º
  • Investimento - 7º
  • Segurança - 10º
  • Ambiente - 11º
  • Tecnologia - 15º
  • Migração - 16º
  • Ajuda directa - 17º




  • Síntese - clique
         

    Leia ainda: artigo no Foreign Policy e referência no Diário de Notícias. Obrigado ao Nelson pela dica. Uma análise mais técnica pode ser obtida neste artigo: An Index of Donor Perfomance.

    quinta-feira, dezembro 30, 2004

    Faíscas na blogosfera


    O blogue Power Line, dos advogados John H. Hinderaker, Scott W. Johnson e Paul Mirengoff, foi considerado o "blogue do ano" 2004 pelo Time Magazine.

    Nick Coleman, colunista do Minneapolis Star-Tribune, escreveu um artigo (acesso mediante registo gratuito) acusando o Power Line de fazer parte de uma cadeia de blogues de direita dedicados a atacar a imprensa mainstream ao serviço de certos "poderes":
    «These guys pretend to be family watchdogs but they are Rottweilers in sheep's clothing. They attack the Mainstream Media for not being fair while pursuing a right-wing agenda cooked up in conservative think tanks funded by millionaire power brokers.»
    E com isso desencadeou uma forte reacção da blogosfera. Polémica a merecer acompanhamento.

    No artigo do Times Magazine dedicado ao Power Line é salientado um elaborado post de 9.Set.2004, The Sixty-First Minute, duvidando da autenticidade de uns documentos potencialmente comprometedores de Bush, relativamente ao período em que serviu na National Guard.

    Princípios do consumidor responsável

  • Precaução;
  • Prevenção;
  • Elevado nível de protecção;
  • Uso das melhores tecnologias disponíveis;
  • Utilizador/Poluidor - Pagador;
  • Subsidariedade;
  • Cooperação internacional;
  • Equidade inter e intra-regional;
  • Solidariedade e coesão nacional;
  • Transparência.
  • Carlos Cupeto in Semanário Económico

    "Turquia subtrai seis zeros à lira turca"


    Segundo o Semanário Económico. E nós, por cá, não ganharíamos em fazer o mesmo à elite política ? A dificuldade só estaria na escolha...

    Calendário móvel


    Notícia do Correio da Manhã: o ministro das Finanças determinou que as receitas cobradas no dia 3 de Janeiro sejam contabilizadas como receitas de 2004. Bagão Felix justifica o despacho em virtude da tolerância de ponto concedida no dia 31 de Dezembro e nega qualquer violação do Princípio da Anualidade do Orçamento. Fontes contactadas pelo CM consideram que esta "operação escritural" é duvidosa.

    O que vale é que há sempre um culpado...


    Em 2004 o Governo anunciou «o maior investimento de sempre para a ciência em Portugal». No entanto, pouco ou nada chegou às instituições de investigação e aos investigadores. A ministra Graça Carvalho explicou que o problema residia em irregularidades do seu antecessor na aplicação do Programa Operacional para a Ciência Tecnologia e Inovação POCTI. (Notícia do DN)

    Hank Garland (1930-2004)


    Faleceu, com 74 anos, o lendário guitarrista Hank Garland, que abordou diversos estilos: country, rock e jazz, tendo tocado com Elvis Presley, Everly Brothers, Roy Orbison, Patsy Cline, Charlie Parker e muitos outros.

    Garland esteve na linha da frente do rock 'n' roll; teve uma carreira de prestígio como virtuoso do estilo country e foi um dos pioneiros da guitarra eléctrica, inspirando músicos de jazz como George Benson e outros.

    Ouça algumas linhas melódicas (riffs) criadas por Garland:

    (4 riffs separados por intervalos; notação musical em: Riot Chous Riffs)


    Notícias no Publico e no Entertainment News.

    Com ou sem factura ?


    Segundo notícia do Público, o sector informal representa 22,1 por cento do PIB português. Este número é referido num artigo de António Antunes (da Nova e do Banco de Portugal) e Tiago Cavalcanti (da Universidade de Pernambuco, Brasil), divulgado ontem pelo Banco de Portugal. O estudo está disponível (em pdf) aqui.

    Pergunta a um aluno de Economia: qual será a resposta "racional" a dar quando lhe perguntam: "Com ou sem factura?" (sabendo-se que, no segundo caso o bem ou serviço será mais barato por permitir ao fornecedor a fuga ao pagamento de impostos) ?

    Blogues e ensino da Economia


    O MariettaEcon apresenta como lema: "observações, análises e protestos dos estudantes das aulas de Economia do Dr. Delemeester no Marietta College". No post inicial, dirigido aos alunos, diz-se:

    «A blogosfera representa uma oportunidade para se expressarem de modo a que todos possam conhecer o vosso pensamento - e ter a oportunidade de comentar os vossos pontos de vista. Durante o semestre lectivo deverão fazer um post original de interesse para os outros estudantes, e dois comentários a um post de outro estudante, de modo a obter classificação "C". Mais posts e comentários contribuirão para melhorar a nota. Para a classificação dos posts e comentários será levada em conta a sua relevância para as aulas, a gramática, sintaxe e estrutura das frases. Cada post original deve inculir um weblink para a vossa fonte de inspiração ou qualquer website que permita ilustrar o vosso argumento.»

    Já o Teaching and Learning Economics With Technology, de Steven Meyers, tem como objectivo "incluir os meus pensamentos e os de outros acerca do ensino e aprendizagem com apoio da tecnologia. Embora o título do blogue acentue a Economia e eu seja um economista, muito daquilo que penso escrever aqui terá aplicação em diversas disciplinas".

    quarta-feira, dezembro 29, 2004

    Susan Sontag 1933-2004


    Com a sua famosa madeixa de cabelo branco (depois diluída numa farta cabeleira uniformemente grisalha), Susan Sontag foi, durante várias décadas, o símbolo - quase por antonomásia - do intelectual de esquerda americano. Nascida em Nova Iorque, Sontag conseguiu subir a pulso no exigente meio académico dos EUA. Depois de fazer o liceu em Los Angeles, formou-se em Chicago e prosseguiu estudos de filosofia, literatura e teologia em Harvard. Embora tenha experimentado a narrativa (em português pode ler-se O Amante do Vulcão e Na América), foi no ensaio que esta autora mais se destacou, nomeadamente com as obras Contra a Interpretação, Ensaios sobre a Fotografia e A Doença como Metáfora. Empenhada defensora dos Direitos Humanos, Sontag viveu largos períodos em Sarajevo (1993-96), tendo ficado célebre a sua encenação, durante o cerco, da peça À Espera de Godot, de Beckett. Foi-lhe atribuído o Prémio Príncipe de Astúrias para as Letras.

    José Mário Silva, DN

    «Não acho que seja bom para os EUA ou para o mundo que o presidente dos EUA seja o presidente do planeta. Mas não sou uma professora que pode ser demitida. Não trabalho na indústria do entretenimento cujos filmes ou canções podem ser boicotadas. Há muita retaliação. Sou uma pessoa autónoma, não tenho um emprego que possa perder. Mas as pessoas normais têm empregos. É difícil para elas serem valentes quando podem ser demitidas. Para Noam Chomsky ou para mim, sim, podemos dizer o que quisermos. O que é importante é construir um movimento político, não ter apenas vozes isoladas. Bush será reeleito por uma maioria avassaladora. Eu deveria corrigir-me: ele não será reeleito, será eleito. Da outra vez,ele não foi.»

    Susan Sontag em entrevista ao Globo, 1.Jun.2003
    Página sobre S. Sontag

    Finalmente uma boa notícia


    «Colónias de flamingos invadiram os braços do Tejo que banham a Moita e Montijo, sendo também visíveis junto de outras localidades. (...) Há uns anos seria impensável ver os flamingos no esteiro da Moita ou até nos arrozais de Benavente e no Trancão, mas a situação actual resulta especialmente de uma maior protecção em relação à caça furtiva que era feita nas zonas húmidas, pelo que, em vez de se agruparem apenas entre o Samouco e a Ponte da Erva, como acontecia antes, os animais têm mais tranquilidade »

    in DN

    O regresso do Professor Martelo


    «Acabaram-se as dúvidas. O regresso do Professor Martelo ao pequeno ecrã é no próximo dia 31, sexta--feira, no Contra-Informação Especial fim de ano. Na RTP1, a seguir ao Telejornal, vai estar em estúdio com Tristeza Guilherme, numa dupla inédita em televisão. Juntos, ao longo de 25 minutos, vão recordar os melhores sketches do programa e todo um ano do Contra o barco do aborto, a sucessão de Cassete Carvalhas («fenómeno tão raro como o avistamento de um cometa»), a queda do governo de Flopes e Tortas, a fuga de Furão Barroso, o Euro 2004.»

    in DN

    Portugueses eléctricos


    Notícia do DN: «Em apenas um ano Portugal mais que duplicou as suas importações de electricidade espanhola. E tudo porque os consumos estão a crescer a um ritmo que a produção não tem capacidade para responder.»

    Não percebo. A produção estagna e o consumo de energia dispara ? Alguém tem de explicar isto...

    Chorona


    No DN:
    "Em carta dirigida aos militantes do PSD o líder do partido pede-lhes «coragem» e «determinação» na disputa das legislativas antecipadas. (...) «O PPD/PSD tem no dia 20 de Fevereiro de 2005 talvez o mais mobilizador desafio eleitoral da nossa vida democrática», sublinha Santana.
    Já aqui o escrevi: o homem tem a mania que é herói. E ao mesmo tempo, um injustiçado:
    Santana afirma que desde a tomada de posse do seu Governo se assistiu a «inacreditável crispação política» por parte de alguns órgãos de comunicação social . Diz ainda que «interesses corporativos» contribuiram para que a instabilidade governativa fosse, constante e injustamente, posta em causa. «O trabalho reformista e modernizador para o qual estávamos mandatados foi permanentemente dificultado, abruptamente interrompido e colocado a julgamento antes do tempo»
    Não sei porquê, deu-me vontade de ouvir como música de fundo esta belíssima
    Chorona, de António Calvário:

    Saías do templo um dia, Chorona,
    Quando eu te vi ao passar.
    Julguei que eras uma Santa, Chorona,
    Que desceu do seu altar.

    [crédito: Música Anos 60]

    Feijoada




    «O nosso Parlamento acaba por ser uma mega-feijoada. Junta-se tudo nele para fazer um prato delicioso, e quando alguns saem para o Governo, só fica o odor do feijão.»

    Fernando Sobral
    in Jornal de Negócios

    Diário Económico confirma


    O governo apressou-se a desmentir a notícia do Diário Económico, sobre as orientações do Ministério da Segurança Social para adiamento do pagamento dos subsídios de doença e de desemprego para Janeiro. A certa altura um ministro disse mais ou menos isto: não há alteração de datas mas, se há, não tem nada a ver com o défice !

    Hoje o DE reafirma a sua actuação:
    «Os documentos que sustentam a notícia de ontem estavam aqui, na redacção, há cinco dias. Isso mesmo, uma semana, e só foram libertados depois de asseguradas todas as confirmações. Podia, por isso mesmo, esquecer-se o assunto? Não podia.»
    Não podia nem devia.
    «Podemos falhar, todos podem, mas não foi isso que aconteceu ontem, como aliás se prova com o ‘follow-up’ que hoje se publica. Para que conste.»

    Parabéns ao Diário de Notícias


    Parabéns ao Diário de Notícias pelos seus 140 anos. Começou por custar 10 réis, numa altura em que os outros jornais custavam entre 30 e 60 réis. Aqui consultamo-lo de borla. Longa vida!

    Aproximadamente isso


    Numa entrevista ao Público, Álvaro Barreto revela ter feito uma proposta à ENI para adiamento da opção de controlo da Galp Energia, a partir de Fevereiro (ver abaixo O negócio do gás). O diálogo com a entrevistadora (Lurdes Ferreira) revela alguma insegurança, mal disfarçada na linguagem "politicamente correcta":
    P - Que "conversa construtiva" teve com o presidente executivo da ENI, Vittorio Mincato, na quinta-feira passada?

    R - Construtiva. (...) Estamos a conversar com a ENI e com outras entidades envolvidas no processo um adiamento para datas que permitam ao novo Governo fazer um projecto de rearranjo que considerar o melhor para o país. Entendemos que deveríamos deixar tudo aberto para o Governo que vier.

    P - A ENI aceitou o adiamento da opção de compra ?

    R - Não lhe sei dizer. Conversámos sobre isso. Fizemos-lhes uma proposta escrita e eles ficaram de estudar o assunto e voltar a falar connosco.

    P - E o adiamento proposto é até quando?

    R - Se queremos que o novo Governo pense com calma na melhor solução, com certeza que é para um período para além de Junho.

    P - Pode ir até ao fim do ano?

    R - Aproximadamente isso. Isto permite ao novo Governo fazer o rearranjo que entender que deve fazer.

    P - Portanto, não deixa soluções ?

    R -Tinhamos três soluções alternativas. (...)

    terça-feira, dezembro 28, 2004

    Santanismo (uma definição)


    Santanismo - s. m., comportamento errático de membros de um governo ou de uma organização política, caracterizado pela emissão de informações contraditórias, seja quanto a decisões já tomadas, seja quanto a decisões a tomar no futuro; essas contradições podem ocorrer entre declarações de diferentes membros, ou entre as declarações do mesmo membro proferidas em curtos intervalos de tempo e sem solução de continuidade (ou seja, proferidas como se não existisse qualquer contradição);
  • Ausência de coordenação política num governo;
  • Ausência de estratégia política num governo;
  • O mesmo que santana-lopismo.
  • O negócio do gás


    A GrandeLoja do Queijo Limiano revela que a empresa ENI Portugal Investments pode passar ser detentora, se assim o desejar e de forma automática, de 45,34 % do capital social da empresa Galp Energia - uma consequência do chumbo, pela Comissão Europeia, do processo de integração do gás:
    «Fica demonstrado por um lado, o amadorismo profissional ainda que pago a peso de ouro - a consultadoria da operação foi principescamente paga -, e por outro a fina ironia, de o presidente da comissão que chumbou a operação ser a mesma pessoa que à altura era primeiro-ministro do governo que propos a operação.»

    «Nas três operações de reorganização empresarial da Galp Energia, as mais-valias conseguidas pelo grupo Petrocontrol e ENI ascende a 900 milhões de Euros. Todas ficaram isentas por decreto ministerial de imposto de mais-valias.»
    Vale muito a pena ler todo o artigo.


    Gráfico disponível na página da Energy Information Administration

    Acreditam nisto?


    No seu blog "dialético", Gary Becker sugeriu que vale a pena o apoio internacional à luta contra a SIDA por parte de grupos filantrópicos e outros. Richard Posner discorda, porque:
    «Em primeiro lugar, não creio que a ajuda internacional constitua um bom uso de dinheiros públicos ou privados. Todos os problemas que a ajuda internacional procura aliviar podem ser resolvidos pelos recipientes da ajuda se adoptarem políticas sensíveis. Se não adoptarem essas políticas, então a ajuda internacional será provavelmente embolsada pela elite reinante, reforçando o seu poder de controlo, ou então simplesmente esbanjadada. O que podemos fazer pelos países pobres é reduzir as barreiras tarifárias às suas exportações. Com o dinheiro poupado ao eliminar a ajuda internacional poderemos compensar os nossos sectores afectados pela concorrência económica dos países pobres e desse modo reduzir a oposição política às reformas tarifárias. (...)

    «Em segundo lugar, não estou tão optimista como Becker sobre os benefícios duma população acrescida nos países pobres. (...)»
    Acreditam nisto? A mortalidade pela SIDA beneficiando a estrutura populacional dos países pobres?...

    Santanismo


    Teresa Caeiro, a ubíqua Secretária de Estado das Artes e Espectáculos, tinha decidido impugnar, em 15 de Dezembro, os resultados do concurso para os apoios pontuais ao teatro na região de Lisboa e Vale do Tejo, na sequência de uma reclamação de um concorrente preterido. As companhias de teatro, cansadas de tanta espera (trata-se de apoios à actividade de 2004 !) resolveram protestar, porque precisavam das verbas e porque tinham medo que se perdessem na voragem orçamental. Na altura Teresa Caeiro garantiu que isso não aconteceria porque existia cabimento orçamental e ele não desapareceria.

    Agora veio dar o dito por não dito e revogou o seu próprio despacho: a 23 de Dezembro a ministra da Cultura reconhecera à Lusa que, caso a situação dos concursos não fosse desbloqueada até ao final do ano, o Insituto das Artes (IA) deixaria de ter direito aos 700 mil euros já reservados, vendo-se obrigado a resolver o problema com recurso ao orçamento de 2005, que é insuficiente.

    Como se não bastasse, Teresa Caeiro aproveita agora para atirar as culpas para o organismo que ela própria tutela: "O IA é o responsável pelo bom funcionamento dos concursos e se tudo tivesse corrido de forma legal eu não teria que intervir", disse ontem Caeiro à agência Lusa. "Se não tivesse havido uma falta de controlo do IA o processo já estaria concluído." [ Notícia do Público ].

    Já em 22 de Dezembro Teresa Caeiro e o director do IA tinham dado um belo exemplo de santanismo:
    "O director do Instituto das Artes, Paulo Cunha e Silva, afirma que não vai abrir no próximo ano os concursos para os apoios pontuais às artes." [ Notícia do Público ]

    "Ao contrário de Cunha e Silva, Caeiro diz que os concursos «vão ser abertos como é evidente e ponto final, porque é uma obrigação do Estado»." [idem]

    Santana Lopes, o Original


    Segundo o Público, o líder do PSD considera que as pessoas estão fartas das campanhas eleitorais e quer fazer uma campanha diferente, que deverá passar por iniciativas como visitar aldeias recônditas e passar uma noite numa república coimbrã.

    Marcelo Rebelo de Sousa pensou a mesma coisa para as autárquicas de Lisboa mas o mais que conseguiu foi ter de nadar nas pestilentas águas do Tejo.

    Desempenho académico


    Via FísicosLX cheguei a esta notícia do DN sobre uma iniciativa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto:
    «Uma análise estatística da performance dos alunos ao longo dos últimos quatro anos permitiu aos responsáveis perceber que o grande factor de fracasso dos alunos se devia às prestações académicas logo no primeiro ano. As inscrições em anos sucessivos, permitidas pelo sistema de créditos, deixando para trás disciplinas por fazer, é prática comum na faculdade, mas 60 por cento dos alunos que o fazem acabam por piorar a sua situação. Apenas um por cento dos estudantes com cadeiras em atraso consegue efectivamente ultrapassar essa situação.»
    Traçado o diagnóstico, a instituição desenvolveu um programa-piloto para 150 dos 700 novos estudantes que permitiu elaborar uma nova proposta de transição do primeiro para o segundo ano, mais rigorosa, mas acompanhada de uma série de medidas dirigidas às limitações detectadas na formação dos estudantes.

    Creio que todos os docentes conhecem o efeito perverso das "facilidades" de passagem de ano (que poderá ser agravado com o novo sistema de ECTS, âmbito Bolonha) mas aguardam-se agora os resultados reais da experiência da FEUP, cuja iniciativa merece, desde já, elogio e divulgação.

    D. Quixote



    Abre o teu saco de recordações
    E guarda só o essencial
    O mundo nunca deixou de mudar
    Mas lá no fundo é sempre igual
    ...
    Tens um peso enorme nos ombros
    os braços que pareciam voar
    tu continuas a falar de amor
    mas qualquer coisa deixou de vibrar
    os teus sonhos de infância já foram
    velas brancas ao longo do rio
    hoje não passam de farrapos
    feitos de medo, solidão e frio

    Jorge Palma        
    "D. Quixote foi-se embora"        


    «A música escrevi-a há vinte e tal anos na fase de Paris, de rua, de metro. A letra era em inglês, inventada à chuva entre o Petit Palais e o Odeon. Escrevi-a quando cheguei ao hotel. Chamava-se "Ballad of a stranger" (depois, já escrevi "Balada dum estranho", que não tem nada a ver). É evidente que a letra em português não podia ser uma tradução, mas mantém o mesmo espírito.» (in Publico)

    Os doentes e desempregados que paguem a crise?


    Segundo o Diário Económico, «O Ministério da Segurança Social ordenou a suspensão do pagamento dos subsídios de doença e de desemprego que se deviam efectuar nos últimos dias deste mês. As baixas médicas e os desempregados que deveriam receber os respectivos subsídios nos dias 27 e 29 de Dezembro, vão ter de esperar até Janeiro.»

    Tudo indica que o "pequeno atraso" será uma grande ajuda para o desejado défice de 3 %. Contudo, se acreditarmos na Professora Manuela Ferreira Leite (ver em Tribunal de Contas apanha nota negativa) e o que contar para Bruxelas for a perspectiva dos compromissos e não uma óptica de caixa, então o atraso não poderia contar para a redução do défice...

    Contabilidade criativa


    «Um estudo do banco central alemão, o Bundesbank, concluiu que a rigidez das regras orçamentais da zona euro estimulou os governos a recorrerem à contabilidade criativa para cumprirem as metas determinadas.

    «Do conjunto dos países analisados, Portugal não surge como o pior, apesar de ter tido subidas de oito pontos percentuais na sua dívida em meados dos anos 80.»

    in Diário de Notícias

    segunda-feira, dezembro 27, 2004

    «Onde a ordem emerge...»


    O Catallarchy chamou-me a atenção para um artigo de Don Boudreaux no Cafe Hayek, que me deixou verdadeiramente pasmado.

    Na sequência da catástrofe ocorrida na Ásia, é previsível que os governos tenham de intervir mais activamente em vários domínios da vida social. Um desses domínios é o do controlo de preços, para evitar subidas em flecha dado o desequilíbrio entre a oferta e a procura de certos bens. Normal? Segundo Don Boudreaux, nem pensar!

    Ele vê duas vantagens na subida dos preços, mesmo em condições tão excepcionais:
    «(1) encoraja os fornecedores a abastecer maiores quantidades do que normalmente fariam a preços mais baixos;
    (2) encoraja as pessoas que pretendem esses bens, agora mais excassos, a usá-los tão judiciosamente quanto possível»
    Don Boudreaux não ignora a crítica decorrente: «Então e os pobres? Não serão excluídos do acesso a esses bens?» Ora ele não está muito certo disso. Ou, pelos menos, não está certo de que «as pessoas fiquem melhor com o controlo de preços pelo governo, do que sem esse controlo». E porquê?

    Bem, explica-nos ele pacientemente: se não for o mecanismo dos preços a determinar a distribuição dos bens entre os consumidores, terá de haver outro método. E entre os métodos possíveis ele encontra principalmente: filas, mercado-negro, ligações políticas ou comerciais, ou mesmo a violência!

    Vejamos: será que estar na fila é assim tão inaceitável, atendendo às circunstâncias? Pois aprendam com Boudreaux:
    «Embora não decorram custos monetários de esperar numa fila, os pobres podem ter maior dificuldade em ficar afastados das suas famílias após a catástrofe, por exemplo, porque têm crianças pequenas que devem ser vigiadas, ou porque têm de ser eles a reparar pessoalmente os seus telhados e canalizações, por não terem capacidade para contratar operários».
    O artigo apresenta mais argumentos, mas estes chegam para amostra da insanidade do pensamento neo-clássico levado até às últimas consequências.


    Notas:
    - «Onde a ordem emerge» é o subtítulo do Cafe Hayek, se bem traduzi...
    - Donald Boudreaux é docente da George Mason University. Um video do economista a falar sobre "A análise das decisões colectivas" está disponível aqui.

    Love (Arthur Lee)


    Os Love foram uma das mais significativas bandas do rock-folk psicadélico de meados dos anos 60. Apesar das vendas modestas dos seus três álbuns de originais (Love de 1966, Da Capo de 1967 e Forever Changes de 1968) tiveram uma grande influência no som da época. Forever Changes encontra-se ao mesmo nível de Piper at the Gates of Dawn (dos Pink Floyd) e Electric Ladyland (de Jimi Hendrix).

    O seu principal mentor, Arthur Lee, continua a manter um projecto com a designação Love with Arthur Lee - mas a época e o espírito são irrepetíveis. Para os que tiveram a oportunidade de escutar estas inovações no seu tempo - e também para os outros! - eis uma gravação ao vivo da excelente canção: "Alone Again Or".
    Yeah, said it’s all right
    I won’t forget
    All the times I’ve waited patiently for you
    And you’ll do just what you choose to do
    And I will be alone again tonight my dear

    Yeah, I heard a funny thing
    Somebody said to me
    You know that I could be in love with almost everyone
    I think that people are
    The greatest fun
    And I will be alone again tonight my dear

    [Banda desenhada de Mary Fleener sobre a canção Signed D.C., de 1966]

    Sismo/tsunami na Ásia






              Fotografias aqui e aqui.




    Sismo financeiro


    Na sequência do sismo as acções asiáticas desvalorizam; as companhias aéreas e as petrolíferas recuaram, enquanto as empresas de construção valorizaram.
    [ Jornal de Negócios ]

    domingo, dezembro 26, 2004

    Uma dúvida


    A indicação de hiperligações pode ser feita abrindo a nova janela em substituição da que se está a consultar (exemplo), ou abrindo uma nova janela (exemplo). Tenho encontrado os dois sistemas em blogues e gostaria de saber a opinião dos leitores sobre qual consideram o melhor sistema - pois para mim é indiferente. Agradecem-se sugestões (ou "teoria" sobre o assunto).

    Comportamento errado


    O Provedor do leitor do jornal Público, Joaquim Furtado, reconhece o comportamento errado de duas jornalistas que utilizaram, sem citar a origem, material dos blogues Substrato e Arqueoblogo, mas não considera que tenha havido plágio.

    Nunca no dia seguinte


    «Na sequência dos incêndios do passado verão, o Ministério da Agricultura, Pescas e Floresta já entregou às vítimas da catástrofe da Serra do Caldeirão a quantia de 777 275.30 euros. Os pagamentos ocorreram entre o dia 19 de Outubro e o dia 10 de Novembro do corrente ano.
    (...)
    «A cada uma das 1013 candidaturas correspondem papéis, formulários e inevitáveis tempos de espera. Como acontece por exemplo num acidente de automóvel, adianta o Ministério - "o carro nunca é arranjado e fica pronto no dia seguinte". O que não pode passar para a opinião pública é a ideia falsa de que esta questão foi tratada com falta de vontade ou celeridade.»

    in Portal do Governo
    (sublinhado nosso)

    Estado transparente


    «O Ministério da Educação já tem em seu poder o relatório final da auditoria às listas do concurso de docentes 2004/2005 realizada pela Inspecção-Geral de Finanças. (...) O relatório da IGF foi classificado de confidencial, o que, acrescido ao facto de estarem ainda a decorrer os trabalhos da Comissão de Inquérito, impossibilita a divulgação do mesmo.»

    in Portal do Governo

    Crise? Qual crise?


    «Crise orçamental? Qual crise? Pegue-se no folheto que o Governo fez distribuir sobre o Orçamento do Estado para 2005 e folheie-se.Verbas para vários níveis de escolaridade que aumentam entre 9% e 25% de 2004 para 2005. Dotações para a área do ambiente que sobem 30,4% a 200%. Investimento previsto para algumas regiões que dispara entre 29% e 53%. O tom geral do documento é compatível com isto. É só facilidades e coisas positivas.»

    Paulo Ferreira in Jornal de Negócios

    A economia em 2005


    "Em 2005 a economia mundial crescerá mais moderadamente, mas o seu ritmo de expansão continuará elevado. Os principais riscos para este cenário central são o dólar, o petróleo e a China."

    "Se a moeda norte-americana sofrer uma depreciação forte e abrupta, limitará o crescimento das economias cuja retoma está mais dependente do comércio externo, como é o caso da UEM. Em segundo lugar, há o risco de que o petróleo volte a registar uma valorização significativa, limitando o crescimento da economia global, com especial ênfase para as mais dependentes desta matéria-prima, como é o caso dos EUA. Em terceiro lugar, surge o risco de que a China observe um arrefecimento mais pronunciado, com implicações negativas ao nível da procura mundial."

    in Diário Económico

    Os blogues como armas eleitorais


    Via Daily Dish cheguei a este artigo da CBS News: Blogs: New Medium, Old Politics, onde se refere que:
    «Os blogues da Internet proporcionam um meio novo e não regulamentado para ataques com motivação política.»
    E dá como exemplo os dois blogues mais visitados da Dakota do Sul - "cheios de análises informais, opiniões e links" - que foram criados por consultores pagos da campanha de John Thune, político republicano que ganhou a candidatura para o Senado ao democrata Tom Daschle, o primeiro lider de bancada a perder uma eleição em 52 anos. Ambos os blogues favoreceram a eleição de Thune, embora nehum deles tenha referido a ligação financeira dos seus autores à respectiva campanha. No entanto, segundo a notícia, nenhuma lei parece ter sido violada.

    Os blogues referidos são o Daschle v. Thune e o South Dakota Politics; neste último, numa análise das eleições, reconhece-se que "os novos blogues foram um factor crítico na vitória de Thune; não teria vencido sem eles".

    Tudo calmo


    Dia de Natal. O Primeiro-Ministro emite um comunicado garantindo que o presidente da Caixa Geral de Depósitos se mantém «no pleno exercício das suas funções e no cumprimento do mandato».

    Nada de novo, portanto. Santana Lopes continua no seu posto, emitindo mensagens para que o país se mantenha calmo.

    sábado, dezembro 25, 2004

    Um "herói" do nosso tempo


    O Bloguítica chama a atenção para o "ridículo" da coligação do PSD com o PPM e o MPT e questiona-nos: «um PSD em profunda crise coliga-se com partidos que não existem politicamente. Premonição?»

    Ha um traço de personalidade em Santana Lopes, que eu designaria como "feminino", que se manifesta, por exemplo, na grande importância que é dada à coincidência de datas (o que ele considera uma coisa "impressionante", apesar de por vezes a coincidência não ser assim tão exacta). Já na tomada de posse do seu governo, tentou que ela coincidisse com uma efeméride qualquer associada a Sá Carneiro.

    É provável que esta aliança com o PPM - sem negar o "desespero de causa" referido pelo Bloguítica - se imponha ao evanescente político como a inevitável reconstituição de uma época dourada na sua vida, a dos tempos "heróicos" em que trabalhou com Sá Carneiro (que ele evoca recorrentemente), a época do governo do Bloco Central (onde também houve uma aliança com o PPM, que na altura tinha alguma visibilidade).

    Todos estes "sintomas", bem como o episódio do "está escrito nas estrelas", manifestam uma mente alienada a uma certa mitificação precoce da própria vida. Essa alienação explicaria algumas "inconsistências" (para nós...) do discurso de Santana (visível, por exemplo, no seu famoso "discurso de estado", onde misturava assuntos importantes com banalidades) bem como a sua febre de contacto com outros estadistas, como se estivesse já a escrever a sua própria biografia heróica.

    Leituras sobre Jesus Cristo


    Ao longo deste ano tive oportunidade de participar em interessantes debates online sobre "O Código Da Vinci". Considero este livro uma especulação incompetente e oportunista sobre algo que, com fundamento, preocupa e atrai as nossas mentes: quem foi realmente Jesus Cristo?

    Creio que esta inquietação tem duas vertentes: uma mais directamente ligada ao homem que Jesus foi; outra mais relacionada com a natureza da religião: teria sido o Cristianismo actual a religião verdadeiramente propagada por Cristo?

    Eu estou convencido que o Cristianismo actual é muito diferente, em muitos aspectos, daquilo que o próprio Cristo ensinou, mas acho isso normal e positivo. O Cristianismo primitivo era apenas uma variante do Judaismo, uma variante algo exarcebada e nem sequer muito original (outros profetas tinham antes divulgado ideias que Cristo retomou) mas com um aspecto que se viria a revelar revolucionário: a ideia de que todos são iguais perante Deus. Cristo ensinava-o e praticava-o - o que não era muito bem aceite naquela sociedade hierarquizada, onde os judeus nem sequer estavam no nível mais baixo.

    Teriam de passar séculos até que essa ideia conseguisse prevalecer na sociedade como conduta a seguir (embora na prática muitas vezes não o seja). Quanto ao resto da teologia que a Igreja católica foi desenvolvendo, não pode ser considerada como um afastamento da ideias originais de Cristo, mas sim uma adaptação a uma sociedade em mudança e cada vez mais complexa em termos sociais.

    Todas as organizações religiosas são conservadoras, mas a Igreja Católica e as Ingrejas Cristãs em geral são das que melhor souberam responder aos desafios dos tempos de mudança.

    Por isso, essa febre de querer procurar o verdadeiro Cristo para confrontar (e "desmascarar") a Igreja Católica é uma busca vã. O corpus da teologia deve ser aceite como produto histórico; pode e deve ser questionado, com sempre o foi, mas em função das necessidades espirituais do presente e dos fundamentos lançados por Jesus Cristo - não na confrontação com aspectos anedóticos ou chocantes da vida do "filho do Homem", supostamente secretos e mantidos latentes, ao longo dos séculos, por seitas secretas (a tal "tese" do "Código Da Vinci").

    No entanto, acho interessante a busca da verdadeira vida de Jesus, enquanto homem da História, nosso antepassado. Sobre isto recomendo o livo de E. P. Sanders, "A Verdadeira História de Jesus". É um relato diferente da visão adocicada da actual catequese, mas é um relato sério, baseado na própria Biblia e noutras fontes credíveis.

    Sou ateu. Ou melhor: agnóstico. Mas respeito muito a religião católica e a sua Igreja. Foram fundamentais na formação do nosso país e da nossa sociedade e creio que continuam a ser. Por isso fiquei muito satisfeito por encontrar o livro, que ando agora a ler, de outro não-crente, o filósofo Fernando Savater, com o título "Os Dez Mandamentos no Século XXI", dedicado a «tentar explicar como os dez mandamentos afectam as pessoas de hoje».

    No blog Travessias encontrei este extracto:
    «Todavia, nós, os não-crentes, acreditamos nalguma coisa: no valor da vida, da liberdade, e da dignidade, e que o gozo dos homens está nas mãos deles e de mais ninguém. São os homens que devem enfrentar com lucidez e determinação a sua condição de solidão trágica, porque é essa instabilidade que abre caminho à criação e à liberdade.»
    Na página da Professora Lucília Nunes encontrei, também acerca do livro de Savater, estes comentários:
    «Dei de caras com o novo livro de Fernando Savater e não pude evitar um sorriso para o título: «Os Dez Mandamentos no século XXI. Tradição e actualidade do legado de Moisés» (Dom Quixote, Novembro 2004). Folheei-o, e encontrei discussões do autor com Deus e com Moisés, numa perspectiva de releitura das Tábuas da lei, à luz do nosso tempo e da sociedades em que vivemos.»

    «Diálogo do filósofo com o Senhor», a propósito do 1º mandamento.
    «O escritor tem uma troca de opiniões com o Senhor» a propósito do 2º.
    «O autor tem uma discussão laboral com Deus», em torno do 3º.
    «O Senhor, que se considera pai de tudo e de todos, escuta algumas reflexões do autor», acerca do 4º.
    «Iavé escuta em silêncio as acusações do Sr. Savater», por causa do 5º.
    «Iavé e Savater têm uma conversa sobre sexo», em torno do 6º.
    «O autor pede a Deus que o esclareça sobre o que significa roubar», a propósito do 7º.
    «Iavé e o filósofo pedem que não mintamos uns aos outros», em relação ao 8º.
    «O autor diz que não desejar a mulher do próximo é uma antiguidade, e Iavé fica contrariado», em relação ao 9º.
    Finalmente, «O autor e Iavé analisam as dificuldades de fazer cumprir este mandamento», que é o 10º.

    sexta-feira, dezembro 24, 2004

    Natal


    Véspera de Natal. O que se poderá escrever, num dia assim, num blog de economia?

    Penso por vezes se esta azáfama dos últimos dias não será uma antecipação do futuro: todos os dias ocupados em adquirir prendas para familiares e amigos - pelo menos nesta privilegiada parte do mundo.

    Ontem, em Lisboa, esta imagem: um grupo de vendedores da revista Cais descansava à beira da estrada, sobre um pequeno triângulo de relva no meio de um cruzamento; uma miúda afastava-se do grupo, a chorar, amuada, com o braço direito sobre a face; quando chegou à beira da estrada, parou; o pai aproximou-se, elevou-a nos braços carinhosamente e trouxe-a de volta ao grupo; depois o semáforo abriu e o trânsito retomou a vertigem da velocidade.

    Um bom Natal para todos! Votos de felicidades para aqueles que a mão invisível coloca à beira da estrada!

    quinta-feira, dezembro 23, 2004

    O encarte da fralda


    Ocorreu-me que esta seria a designação ideal para a folha de propaganda distribuída pelo governo em alguns jornais diários. A fralda, esse recipiente do que é rejeitado. Símbolo da imaturidade, da incontinência e da... [error 424] ... object required ...

    Instantâneo


    O Blasfémias chamou muito justamente a atenção para o facto de que o governo, ao afirmar que a nova solução para reduzir o défice é ainda melhor do que aquela que foi chumbada por Bruxelas, está a admitir que optou primeiro por uma solução menos satisfatória.

    O problema é que o virus eleitoral provoca uma febre que obscurece as faculdades mentais de qualquer político, chegando a afectar a memória de curto prazo e fazendo-o expelir a primeira ideia que vem à cabeça e que pareça ter impacto eleitoral. Já nem é o longo prazo que é sacrificado: é o curto prazo que é imolado no altar do instantâneo.

    Política de lixo, lixo de política


    O actual governo parece apostado em cumprir todo o catálogo de monstruosidades da política: agora foi o ministro do Ambiente que ameaçou demitir-se, forçando o Primeiro Ministro a declarar publicamente a sua confiança. E tudo isto foi sendo divulgado, em tempo real, para a imprensa.

    Não parece haver dúvida de que é a próxima campanha eleitoral que está por detrás desta coreografia política. O principal candidato da oposição - José Sócrates - tem para apresentar como trunfo a sua passagem pelo Ministério do Ambiente, embora com o "percalço" do forte movimento de rejeição da co-incineração. O tema do tratamento dos lixos está por isso a transformar-se no leit motiv da pré-campanha eleitoral.

    Nobre Guedes tem-se desmultiplicado em acções de confrontação virtual com José Sócrates - aconteceu por exemplo na semana passada no acto de assinatura da Simarsul (empresa pública para as infraestruturas de saneamento da Península de Setúbal). O discurso de Nobre Guedes concentrou-se na comparação daquilo que ele fez no Ministério do Ambiente versus o-que-Sócrates-não-fez. Diversos autarcas da margem sul ponderaram abandonar a cerimónia, tendo sido demovidos pela Governadora Civil, do PSD, que também parece não ter achado graça ao discurso.

    A dinâmica eleitoralista de Nobre Guedes constitui uma ameaça para o próprio Santana Lopes ao tentar posicionar-se como o opositor privilegiado de Sócrates. Percebe-se, por isso, que o PM tente controlar as iniciativas de Guedes. Mas, neste caso e mais uma vez, o CDS roubou pontos ao PSD.

    Facada VII


    A Federação de Setúbal do partido Socialista, por onde Paulo Pedroso é deputado e por onde foi cabeça de lista em 2002, consideraria preferível que o ex-número dois do partido pudesse «integrar as listas num lugar discreto por outro círculo, como Lisboa, Porto» ou mesmo, embora menos provável, por Aveiro, de onde é natural. Ainda de acordo com fonte da distrital, a justificação invocada teve que ver precisamente com o facto de Pedroso já ter sido cabeça de lista por aquele círculo, pelo que «surgir agora em quarto ou quinto lugar seria sempre visto como uma despromoção».

    In Diário de Notícias

    Tribunal de Contas apanha nota negativa


    O Tribunal de Contas arrasou mais uma vez (isto dura há décadas) a Conta Geral do Estado, mas desta vez com o "picante" de se ter aventurado a calcular o défice e, imagine-se, a pôr em dúvida essa grande vitória nacional que foi o cumprimento dos limites para o défice, obtida in extremis (a tal coisa em que os portugueses são exímios: deixar tudo para a última hora safando-se à custa do "desenrascanço").

    Manuela Ferreira Leite não achou graça e resolveu dar uma lição de economia pública ao TC:
    «A avaliação do TC é feita na óptica da contabilidade pública, enquanto o défice apurado e reportado a Bruxelas é calculado em contabilidade nacional. A diferença é que a contabilidade pública corresponde a uma óptica de caixa, enquanto a contabilidade nacional - a que conta para Bruxelas - é na perspectiva dos compromissos.»
    Será que o Tribunal de Contas não sabe a diferença entre conta de gerência e conta de exercício ? Ficamos a aguardar o contraditório...

    PREC no futebol ?


    Lê-se no Diário de Notícias:
    «Se o Governo não conseguir obter os impostos em falta [no Totonegócio], então o Fisco terá que substituir a dívida dos clubes por uma outra, saldando as contas com o banco. Faltando "sentido de responsabilidade", a hipoteca de bens, penhoras de receitas e passes de jogadores pode ser o passo seguinte.»
    Por este andar pode ser que venhamos a ter uma uns Magriços (ou Tugas ?) verdadeiramente "empenhados" ao serviço da causa pública: uma Equipa Nacionalizada de Futebol.

    quarta-feira, dezembro 22, 2004

    Mentiras encartadas


    Entre meias verdades, mentiras e futilidades, o encarte sobre o Orçamento, distribuído hoje com alguns jornais, revela-se como um documento ridículo. Exemplos:

    Página 22:
    "Tempo de viagem em ferrovia entre Lisboa e Setúbal:
            2003 - inexistente
            2006 - 1 hora"
    Acontece que esta ligação já foi iniciada há alguns meses e, portanto, não é um resultado do orçamento para 2005, como se insinua.
    Página 3: promessa de "garantir um investimento por aluno de 4.200 € por ano"

    Página 17: promessa de "garantir um investimento por aluno de mais de 4.200 € por ano".
    Afinal, em que ficamos ?
    Página 15: promessa de "lançar o concurso de 10 hospitais até 2006 para estarem concluídos até 2010"

    Página 16: promessa de "construir 10 hospitais em Loures, Cascais (2005), Braga, Sintra, V.F.Xira, Faro, Guarda, Evora, P.Varzim/V.Conde e V.N.Gaia (2006)".
    Ou seja: a única coisa relativa a 2005 é o lançamento de dois concursos - mas eis como se multiplicam e baralham as promessas!
    Página 23: "Aproximar o interior do litoral (...) construindo 2 hospitais [em distritos do interior]."Os 2 únicos hospitais com concurso previsto para 2005 ficam no litoral - e ambos na Área Metropolitana de Lisboa!
    "Pela primeira vez, este OE ataca de uma forma clara e determinada, o problema da fraude fiscal e a injustiça que permitia a alguns sectores mais favorecidos, escaparem às suas obrigações com o País." (sic, pag.6)Se ao menos o português fosse bom...
    Página 22: medida única para "aumentar a eficácia da gestão: reduzir os prejuízos das empresas públicas de transportes em cerca de 20 € por cidadão."Simplesmente ridículo...
    Página 24:
    "Pressupostos:
            Nº de famílias: 3,9 milhões
            Nº cidadãos: 9,9 milhões"
    Será que os portugueses serão responsabilizados no caso destes "pressupostos" não se verificarem ?
    Página 20: "Reduzir a taxa de IVA de 19% para 5% em produtos como as fraldas."Outra vez a síndrome da incubadora ? (o estilo é o mesmo das promoções de hipermercado)

    21 anos de negociações...


    Lê-se no Portal do Governo:
    «O Secretário de Estado dos Assuntos Europeus assina [hoje, às 10 h] um Acordo sobre Protecção Mútua de Matérias Classificadas com a Alemanha. (...) culminando 21 anos de negociações entre as autoridades portuguesas e alemãs.»

    O défice de cada português


    Na página 5 do encarte do governo sobre o Orçamento revela-se que:
  • cada português paga como contribuinte:
  •  mais de 3.000 €
  • cada português recebe do Estado
  •  mais de 3.500 €

    Está portanto apurado o défice de cada português: 16,7 %.

    Maravilhas do Estado Providência


    Segundo o Público a venda dos activos da Galpenergia no gás natural poderá ser a solução milagrosa prometida ontem pelo PM na conferência de imprensa destinada a "acalmar o país".

    «A eventual solução recupera a ideia principal do "plano B" que Álvaro Barreto tinha para o sector da energia, com a retirada dos activos do gás e o parqueamento das acções detidas pela EDP, mas agora vendendo o terminal de gás de Sines e o armazenamento subterrâneo à Rede Eléctrica Nacional.

    «Para respeitar a lei das privatizações e das finanças públicas, a operação terá de respeitar várias condições, nomeadamente a de não poder ser a privatização de uma participação do Estado - neste momento, o Tesouro é quem detém a maioria da posição do Estado, tendo a Parpública uma posição residual -, mas uma venda de uma parte do negócio da Galpenergia a outra entidade empresarial, o que dá direito à geração de mais-valias extraordinárias, logo a dividendos extraordinários a distribuir pelos accionistas.»
    Não acham uma maravilha, este Estado Providência, gerando milhões de receitas e de mais-valias apenas por decreto? Magia pura! Onde é que o sector privado consegue tal coisa?

    Expliquem lá...


    Diário Económico:
    «O Governo publica hoje em vários jornais um encarte que explica, em 24 páginas, as vantagens do Orçamento de Estado.»
    Faz todo o sentido, pois não se vislumbram quais as vantagens desse Orçamento. Eu não vi sequer vantagem em que tivesse sido aprovado, dada a "diminuída legitimidade" do governo, para usar a catita expressão que ouvi a Bagão Felix.

    Patriotismo bancário


    Segundo o Público:
    «O banco alemão Deutsche Bank, que integra os consórcios bancários que propuseram a venda de imóveis do Estado, foi a única instituição a alterar as condições da operação, após a dissolução do Parlamento. Estas informações contrariam as declarações do ministro Bagão Félix, segundo as quais a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Banco Português de Investimento (BPI), líderes dos consórcios convidados a apresentarem propostas, terão procurado renegociar o contrato de venda dos imóveis».
    Questionado sobre isto, Bagão alegou: «limitei-me a enumerar os bancos líderes dos consórcios.»


    Facada VI


    De Bagão Felix a Manuela Ferreira Leite: a derrapagem nas contas nacionais deve-se «algumas das verbas que estavam cativadas (não entrando no cálculo do défice) no Orçamento inicial para 2004 [de Manuela Ferreira Leite] terem mesmo que ser utilizadas.»

    Então, Bagão, isso faz-se a uma senhora?... (tão amigos que eles eram...)

    terça-feira, dezembro 21, 2004

    Direito e Economia


    Estive a ler com mais atenção os posts do Ordem nos economistas e encontrei uma série de observações sobre o conflito "académico" Economia-versus-Direito.

    Esse conflito tem raízes históricas entre nós. A Economia, em Portugal, começou por ser leccionada nas faculdades de Direito: um monopólio cujo fim foi mal aceite pela "malta de direito" (referência no livro "António Manuel Pinto Barbosa - uma biografia económica"). Os monopólios, porém, não se recomendam e por isso a "malta de economia" não deve cair no mesmo erro.

    A verdade é que a Economia e o Direito têm muito em comum, como prova a promissora escola Law and Economics - a qual se baseia muito no trabalho seminal do economista Ronald Coase.

    Dentro desta linha institucionalista encontra-se o "Law-and-Economics movement", cujo principal mentor é Richard Posner, o mesmo que iniciou recentemente um blog com Gary Becker: o Becker-Posner Blog.

    Sobre o assunto leia-se o texto Law and Economics in Portugal de Miguel Moura e Silva. Para os cibernautas também deve ter interesse este texto sobre Law and Economics in Cyberspace.

    A culpa é dos portugueses


    Como é costume, a discussão sobre um dos mais importantes problemas nacionais - o défice público - ameaça agudizar-se em torno de aspectos superficiais. As operações de maquilhagem contabilística (tais como a última versão de venda do património, que não passaria de um empréstimo com hipoteca disfarçado de outra coisa) podem servir pontualmente para "ficar bem no retrato", mas não iludem os efeitos reais na economia. Toda a gente sabe disso mas aceita-se a maquilhagem, excepcionalmente, num ano; depois aceita-se o mesmo no ano seguinte - e assim sucessivamente.

    Finalmente um qualquer departamento da Eurolândia vem dizer que já chega de batota, e toda a gente começa a discutir sobre quem é a culpa de termos sido "apanhados". É do Governo? É do Presidente? É da Banca? Ridículo!...

    A culpa é dos portugueses, de todos os portugueses, que nas suas escolhas colectivas e individuais - desde as que foram expressas através de votos nas urnas até às decisões que cada um tomou na sua actividade profissional e nas despesas de consumo - optaram, sem dúvida e com conhecimento de causa, por este caminho.

    O negócio dos blogs


    Artigo do Economist sobre o desenvolvimento comercial dos blogs (publicado em Agosto de 2003):
    «Como os blogs se estão a tornar tão populares, já há quem pense nas suas potencialidades comerciais. A sua publicação tem certamente custos, tais como as despesas de hospedagem. Por outro lado, os blogs criam pequenos grupos de leitores fiéis que podem constituir audiências-alvo preferenciais para os anunciantes.» [ ler... ]

    Economia na blogosfera


    Recém iniciado, o blog Ordem nos Economistas promete uma excelente participação da Economia na blogosfera. Felicidades e longa vida!

    A César o que é de César


    Escrito por um aluno num teste:

    «Como disse o Professor João César das Neves, 'não há almoços grátis'»
    No Google, a frase "não há almoços grátis" é reportada 539 vezes; "il n'ya pas de repas gratuit" aparece apenas 61 vezes; porém, "there is no free lunch" surge 41.400 vezes. É muito almoço que não há.

    Facadas I a V


    facada I - A banca (BPI e CGD) inviabilizou a operação de venda do património . Segundo Bagão Felix, os consórcios vencedores, invocando o risco político, tentaram renegociar as condições do contrato de venda depois da entrada do governo em gestão.

    facada II - o Governo resolve notificar os Clubes e suas organizações para pagarem o complemento das verbas do Totonegócio.

    facada III - Santana Lopes decide ir ao Porto medalhar o FCP; Rui Rio só sabe do facto pelos jornais. Afinal Santana acaba por não ir por causa da:

    facada IV - O Eurostat chumba a operação de cessão temporária do direito de exploração dos imóveis do Estado.

    facada V - Governo decide não assumir o passivo da Casa da Música. Rui Rio diz que é "um tiro no pé".

    segunda-feira, dezembro 20, 2004

    Mais uma facada nas costas


    O Eurostat acaba de "chumbar" a "cessão temporária do direito de exploração dos imóveis do Estado" - a tal contabilidade criativa com que Bagão Felix pretendia cumprir o défice orçamental. O valor valor estimado desta receita representaria 0,4 % do PIB.

    Em recente entrevista à SIC Santana Lopes afirmara: "Tenho as costas cheias de cicatrizes das facadas que levei, mas agora acabou".

    Afinal, ainda não acabou.

    Acabar com a pobreza


    «Pela primeira vez na História, temos os cérebros, temos o dinheiro, temos os medicamentos [necessários para acabar com a pobreza]. Mas será que temos a vontade ?»

    Bono in Sunday Times
    The Economist 

    Burocracia


    Diário Económico: «Os funcionários públicos dos serviços que não fizeram a definição de objectivos até ao final de Junho de 2004 só serão avaliados definitivamente em 2006. Assim, as progressões na carreira e as promoções naqueles serviços terão por base a classificação obtida em 2003. Os restantes trabalhadores dos organismos que cumpriram a legislação serão avaliados no início de Janeiro, tal como está previsto no Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho (SIADAP). Esta é a proposta do Governo.»

    Dois aspectos a lamentar:
  • a utilização de um preciosos instrumento de gestão (a gestão por objectivos) numa burocratizada modalidade de promoção de funcionários (com "quotas" para as diferentes classificações possíveis...)

  • e, mesmo assim, os que não cumpriram as novas orientações (e que não fizeram a definição de objectivos!) são premiados com o recurso a uma avaliação obtida no sistema antigo
  • Ricos mortos



    Segundo o DN
    Elvis Presley é, segundo um estudo da Forbes, o morto mais rico do mundo, com rendimentos anuais na casa dos 34 milhões de euros, colectados pela Elvis Presley Enterprises. Outros casos:

    Charles Shultz (criador dos Peanuts) - 26 milhões
    J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis) -17 milhões
    John Lennon- quase 16 milhões
    Marilyn Monroe - 6 milhões
    George Harrison - 5,25 milhões
    Bob Marley - 5,25 milhões
    Jimi Hendrix - 4,5 milhões
    Cole Porter - 4,5 milhões
    James Dean - 3,75 milhões
    Freddie Mercury - 3,75 milhões
    Como se costuma dizer: só depois de mortos e que lhes dão valor...

    Convergência


    Miguel Cadilhe: «Resíduos industriais perigosos são uma vergonha»

    José Socrates: «Sócrates garante co-incineração para resolver o problema dos resíduos industriais perigosos» se o seu partido vencer as eleições de 20 de Fevereiro.

    Empreendedorismo


    «Casal de Cabo-verdianos cultiva bananas às portas de Lisboa
    Pelas encostas da cratera, antiga pedreira ou apenas produto de gigantescas e rodoviárias movimentações de terras, há plantas desconhecidas, bananeiras viçosas, canaviais verdejantes, trepadeiras bravias, feijões a subir pelas canas.»

    domingo, dezembro 19, 2004

    Propostas para a crise




    Dada a crise e desânimo que parecem estar a afectar os cursos de Economia na academia nacional propõe-se, em estilo de benckmarking, a seguinte área académica da Universidade do Estado do Colorado:
    The Economics of Rock and Roll

    Que inclui, entre outros, os seguintes tópicos de interesse:
  • Justifica-se o pessimismo cultural ?
  • Como fazer um disco de rock and roll; Medindo a produtividade
  • Estratégias empreendedoras de sucesso
  • Substituição capital-trabalho: DJs e mudança tecnológica
  • Pirataria e Payola
  • O 'Rock and Roll' veio para ficar ?

  • [Fotografia: Janis Joplin por Art Kane]

    Choque tecnológico


    Ricardo Cruz in Jornal de Negócios:
    «De «choque fiscal» em «choque fiscal», agora em deriva para um «choque tecnológico», lá segue o país, agarrado ao voluntarista palavreado da semântica fácil e sem substância. Um discurso redondo, palaciano, floreado, com que tantos buscam falsos consensos, na expectativa de que ou o tempo, ou o cansaço resolvam os problemas.»

    Expectativas traídas


    Helena Garrido in Diário Económico:
    «Este é um ano de fracassos que feriu ainda mais a esperança de Portugal conseguir prosperar por si. Este foi o ano em que ficamos a saber, na prática, o que quer dizer a falta de elites. Fomos um pouco mais fundo, limitando o caminho do país a um futuro em que parte da crise será resolvida com a venda das empresas portuguesas ao estrangeiro. Um ano das expectativas traídas.»

    Electricidade subsidiada


    Martim Avillez Figueiredo in Diário Económico:
    «Os empresários portugueses querem electricidade subsidiada. Dizem eles que o Governo espanhol apoia sectores estratégicos e que a ausência desses financiamentos públicos prejudica a competitividade da indústria nacional. Em vez de exigirem o fim da situação espanhola, portanto, querem replicar cá dentro a mesma escandalosa violação das leis do mercado. Preocupante.»

    Humor negro


    Luís Filipe Borges em A Capital:

    «Aparentemente, o hipotético envolvimento do presidente do Boavista no caso Apito Dourado foi descoberto pela PJ graças a escutas. Coisa que, ironicamente, João Loureiro até deve ter apreciado: afinal, já ninguém o escutava desde o tempo dos Ban.»

    Planeamento estratégico estudantil


    «Sofia Homem de Melo Marques é uma jovem de 18 anos que se distingue pelo facto de ter obtido uma média excepcional no final do ensino secundário 19,7 valores. Oficialmente, tendo em conta a média dos exames nacionais, com as disciplinas específicas de Biologia e Química, Sofia obteve 19,85, o que lhe teria permitido entrar em qualquer curso. (...) A chave do sucesso, considera Sofia, está no planeamento da matéria que tem para estudar e numa estratégia a longo prazo.»

    In Diário de Notícias

    A expulsão da boa moeda


    Vários, no Público
    «Para nós, como para John Keneth Galbraith - esse grande economista de Harvard que tão profundamente estudou o Poder -, existe uma mais preponderante fonte de poder: a organização. É que ainda nenhum estudo ou inquérito foi feito para que se apurasse o número e a qualidade de todos aqueles que tomam (ou tomariam) a iniciativa individual de se aproximar da política e que são, pura, simples e literalmente, esmagados nas suas mais nobres pretensões por essas gigantescas máquinas que são os aparelhos partidários.»

    A penhora


    Manuel Carvalho, no editorial do Público:
    «Agora, com a imaginativa estratégia do "lease-back", que, como se sabe, surge depois de o Governo ter encontrado forte resistência à venda de determinados imóveis, o caso é mais grave. A terminologia pode ser pomposa, mas se os bens não são vendidos mas apenas cedidos temporariamente, e se o Estado recebe dinheiro pela operação, o que está em causa é uma penhora.»

    Indigestão


    Vicente Jorge Silva no DN:
    «O cheiro a poder faz toda a diferença. Sempre foi assim e assim continuará a ser. No entanto, a facilidade com que alguns «independentes» se prestam a ser exibidos como troféus de caça no banquete do poder é já propícia à indigestão.»

    Ansiedade do fecho de contas


    Paulo Cunha e Silva no DN:
    «A obsessão do défice e a necessidade de esgrimir os ante-3% voltou a surgir com a ansiedade característica do fecho de contas. Os três por cento deixaram de ser uma marca de saúde e rigor financeiro para aparecerem como uma meta de natureza política. O Governo quer despedir-se sem que lhe seja imputável o descalabro das contas públicas.»

    sábado, dezembro 18, 2004

    Boa música


    Escrevi estes últimos posts ao som de grandes músicas do Glam Rock da AllDanzRadio: Cream (Crossroads), Zeppelin (When the levee breaks), Judas Priest (On the run), Zappa (Montana), Jefferson Airplane (My best friend), os Grateful Dead em "Black Muddy River":
    When it seems like the night will last forever,
    And there's nothing left to do but count the years,
    When the strings of my heart begin to sever,
    And stones fall from my eyes instead of tears,
    I will walk alone, by the black muddy river.
    e os em Beatles em "Hapiness is a warm gun":
    She’s not a girl who misses much
    Do do do do do do do do ooh yeah
    She’s well acquainted with the touch of the velvet hand
    Like a lizard on a window pane.

    De fazer inveja



    O Banco de Portugal vendeu, nos últimos dois meses, 20 toneladas de ouro, tendo como objectivo diversificar as suas reservas e os ganhos realizados resultantes serão transferidos para uma reserva especial. Notícia do Jornal de Negócios.

    Imagino a inveja que isto deve provocar ao ministro das Finanças, obrigado a bater à porta dos clubes de futebol para arrecadar uns trocos que sabe serem escassos por lá.

    5,8 %


    Queda da produção industrial em Portugal, em Outubro, face a Setembro, segundo o Eurostat (notícia do Público).

    Grande penalidade


    O ministro das Finanças deu "luz verde" para que o Fisco notifique a Liga, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e os clubes para liquidarem as dívidas fiscais relacionadas com a aplicação, até 2004, do acordo firmado em 1999, conhecido por "totonegócio". A quantia a liquidar deverá rondar entre os 21 e os 35 milhões de euros.

    O jornal Público diz que tentou obter um comentário da Liga, mas não obteve resposta. Pudera: deve estar em estado de choque - as dívidas estão, em grande parte, "em nome" da Liga e da própria Federação, não podendo o Estado exigir aos clubes senão uma parte.

    A FPF reagiu fazendo-se de ingénua. "Nunca mais fomos informados de nada (...) seria incompreensível que, depois de todo este tempo sem prestar informações sobre o evoluir da situação, o Governo viesse agora notificar os clubes". Não, sonso: o governo vai notificar é a FPF!

    Aviso à navegação


    Sucedem-se as denúncias sobre a ineficiência induzida na economia
    pela actuação do Estado.

    Miguel Cadilhe, Presidente da Agência Portuguesa para o Investimento denunciou a falta de capacidade do Estado em criar um ambiente amigo do investidor, reduzindo os «custos de contexto», a burocracia, os excessos de regulamentação ou de zelo, a rigidez dos mercados ou as taxas, comissões e impostos excessivos, a inexistência de um sistema de tratamento de resíduos industriais perigosos e os atrasos dos pagamentos correntes do sector público.

    Cavaco Silva, numa conferência no Instituto Nacional de Administração, afirmou que a imagens das nossas instituições não é muito boa - sendo que a respectiva credibilidade é decisiva para o crescimento económico. Mas o recado de Cavaco Silva, chamando a atenção para a necessidade de aumento da competitividade das exportações, também pode ser entendido como dirigido às empresas.

    O "Publico" plagiou


    A jornalista Catarina Serra Lopes, no Público, escreveu este artigo que plagia uma reportagem e notícia do blog Substrato. Trata-se da notícia sobre os cartazes artesanais que foram colocados sobre um suporte da cartazes da CML. A reportagem e notícia original foi dada pelo Substracto, mas a jornalista despudoradamente escreve: «partimos à descoberta e desvendámos o mistério».

    Posteriormente o jornal Público, num espaço minúsculo, admite o erro, apresenta desculpas e reconhece a autoria da investigação ao blog Substracto.

    Porém,o que mais me impressiona - e choca - é a reacção da jornalista, relatada pelo próprio blog: contactada pelos autores dos cartazes proferiu um "Qual blog?! Não sei do que está a falar!" e a um mail de indignação do Substrato respondeu com um arrogante "O jornal Público não é um veículo publicitário de blogs".

    sexta-feira, dezembro 17, 2004

    Parabéns a Mário Cláudio


    O escritor Mário Cláudio é o vencedor do Prémio Pessoa 2004, «pela mestria da língua, a preocupação historiográfica, a tentação biográfica e a extraordinária invenção narrativa».
    FELES

    Por todo um Inverno,
    O amor lhe dilacerou o ventre,
    Com fundas garras de gelo.

    E a Primavera zumbiu,
    Sobre sua cabeça,
    Numa vertigem de pólen.

    Senta-se agora,
    Junto à lareira do Outono,
    E é um bule de porcelana.

    Mário Cláudio, Dois Equinócios, 1996

    "Arranja-me um emprego..."


    Notícias como esta dão razão aos críticos do Estado Providência. Assim, mais vale estar quieto:
    «Os incentivos à criação de empregos custaram ao Orçamento do Estado cerca de 527 milhões de euros no triénio 2001/2003, concluiu uma auditoria do Tribunal de Contas às políticas activas de empregos em 2002. Mas o tribunal não conseguiu aferir o grau de eficácia desta política, designadamente pela ausência de controlo no terreno e por não ter sido possível isolar o resultado desta política de emprego.»
    "Os objectivos da política nacional de emprego estão a ser desvirtuados em vez de criarem emprego, estão a servir como apoio social, considera o Tribunal de Contas."
    «Quanto à empregabilidade, os resultados são pouco satisfatórios, na grande maioria dos casos os programas ocupacionais não proporcionam um emprego»

    Notícias no Público e no no DN


    Ingovernabilidade


    [post corrigido]

    Rui Rio falou a sério e Pinto da Costa reagiu à bruta. Pois qual dos dois acham que a comunicação destacou ? Claro: o homem que mordeu o cão. E a blogosfera idem.

    Mas vale a pena destacar as declarações do autarca:
    "O Porto não conquistará credibilidade dentro do país criticando Lisboa, sendo bairrista e centrando a sua afirmação no futebol".
    (...)
    "São misturas [futebol-política] que não se devem fazer. Tem que haver um esforço de racionalidade na política. E o futebol é tudo menos isso, porque aí só governam as emoções. E não é ao sabor delas que nós, políticos, vamos tomar decisões".

    Notícia do Público

    Em resposta a isto a reacção de Pinto da Costa tem o ar arruaceiro de quem promete "ir à cara" de Rui Rio. Veja-se o nível de ambas as intervenções e escolha-se. O PS Porto, por exemplo, já escolheu: "O presidente da concelhia PS da cidade, Nuno Cardoso, recusa comentar cenários, mas congratula-se com a vontade de luta do presidente dos dragões."

    Eu prefiro Rui Rio, que declarou, noutro contexto:
    «Vivemos numa situação de ingovernabilidade», disse, referindo a dificuldade em desenvolver as reformas estruturais da sociedade. Perante este cenário, atribuiu essa fragilidade a «poderes fácticos que têm hoje tanto poder como o poder político». Referia-se, explicou, à comunicação social, ao poder judicial e ao económico.

    Grande indústria apanha choque


    Diário Económico: «Empresários querem electricidade subsidiada»
    «A grande indústria nacional quer que o Governo garanta tarifas eléctricas iguais às praticadas em Espanha, que são subsidiadas. A APIGCEE, associação que agrega a Cimpor, Secil, Siderurgia Nacional - Produtos Longos, Quimigal, Autoeuropa, Borealis, Solvay e a Somincor, acusa o Executivo de nada ter feito para defender a competitividade das empresas portuguesas face às suas congéneres do outro lado da fronteira.»
    Oh "senhora dona grande indústria": não seria mais saudável exigir o fim dos subsídios e o estabelecimento duma concorrência leal ?

    Longa vida


    Regime desvendado pelos cientistas para viver mais e melhor: vinho, peixe, chocolate preto, fruta e vegetais, amêndoas e alho, tudo numa base diária com excepção do peixe, que é aconselhável ingerir apenas quatro vezes por semana.

    Os seguidores masculinos deste tipo de alimentação poderão viver mais nove anos sem sofrer de problemas de coração; os que mesmo assim tiverem problemas, sofrerão menos anos em relação aos que não praticam esta alimentação. As mulheres terão terão de se contentar apenas com mais cinco anos de vida e adiamento do risco de doenças cardiovasculares por mais oito.

    Notícia no Público



    Opinião críptica


    Correia de Campos no Público:
    «É por isso que a pele se me engalinha ao ouvir os profetas do imobilismo, os defensores do povo, contra as reformas que o visam tirar da pasmaceira; os bem-pensantes da cidadania, agora, a clamarem pela viragem do avesso.»

    quinta-feira, dezembro 16, 2004

    Fora de contexto



    «Alguém acreditaria, por exemplo, em sondagens feitas por uma empresa cujos responsáveis fossem o meu amigo Rui Gomes da Silva, o meu amigo Pedro Pinto e a minha querida amiga Conceição Monteiro?»

    Santana Lopes
    Diário de Notícias
    25 de Outubro de 2001

    Opinião



    «A utilização mais racional dos activos imóveis do Estado foi posta de lado, trocada por um objectivo meramente financeiro e apenas para 2004. Isto se o Eurostat aprovar a operação, o que está longe de ser um dado adquirido. A factura, essa, chegará nos anos seguintes, quando for necessário garantir o pagamento das rendas desses edifícios.»

    António Costa
    in Diário Económico



    Opinião



    «O mundo já não é o que era. Tão entretidos andamos com as nossas pequenas grandes crises domésticas que não vemos a realidade. Pelo ruidoso debate nacional não passa nenhum grande tema estratégico. A sensação que dá é que estamos cada vez mais à margem. E o pior é que nem damos por isso.»

    Luísa Bessa
    Jornal de negócios



    Jipes, não.


    Sofia Galvão, secretária de Estado, anunciou logo após o Conselho de Ministros de ontem que os jipes passavam a ser beneficiados com uma redução de portagem (passando da classe 2 para a classe 1). Logo de seguida veio o desmentido: Jipes, não - tinha sido lapso. Só monovolumes, mas não todos: apenas "os veículos de classe 2 com altura igual ou superior a 1,1 m e inferior a 1,3 m, desde que tais veículos beneficiem (...) de uma redução de 40 por cento das taxas do Imposto Automóvel". Ou seja: os monovolumes da Auto-Europa.

    Depois da lei das incompatibilidades nas empresas de sondagens, feita para um só político, temos a lei das portagens, para um só carro, (ou uma só empresa).

    Quanto ao lapso da senhora secretária - é coerente com a imagem de marca do governo.

    "Afasta de mim esse microfone..."


    O inefável Secretário de Estado adjunto do MAI, P.P. Coelho, foi almoçar com os bombeiros, entusiasmou-se e desatou um discurso inflamado, tipo-Primeira-República, onde se declarou "envergonhado" com o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.

    Cabe perguntar: então este governo só descobriu isso ao fim de 4 meses? E de quem é a culpa? Do governo anterior ? Ou foi apenas a destrambelhada reacção do governante à acusação que lhe fora feita pelo anterior responsável do SNBPC, que se demitiu porque, entre outras coisas, o inefável Secretário não reunia com ele ? É que se tivesse reunido podia ter "descoberto" a vergonha mais cedo...

    Acontece que uma rádio local - a Rádio Portalegre - divulgou o "discurso almoçado" do inefável Secretário e este reagiu dizendo que não autorizou a gravação das suas palavras, que são excertos retirados do contexto, e que a gravação foi recolhida clandestinamente numa reunião de trabalho (e afinal era um almoço e o repórter estava devidamente identificado, segundo revelou a Rádio Portalegre).

    Eu penso que todas as declarações de políticos em funções, em reunião ou não, podem e devem ser divulgadas. Só quem tem discursos diversos para diferentes contextos é que pode recear a divulgação pública das suas palavras.

    Notícias sobre este assunto no Diário de Notícias e na Rádio Portalegre.

    A ver navios...


    Notícia: "Navios vão passar mais longe da costa portuguesa".

    Neste caso, trata-se apenas da relocalização das rotas oceânicas estabelecidas para a navegação mercante. Mas a continuar o modelo de gestão pública dos nossos portos (com as administrações portuárias disfarçadas de "SAs") a notícia pode vir a assumir uma dimensão premonitória.