sábado, dezembro 18, 2004

Grande penalidade


O ministro das Finanças deu "luz verde" para que o Fisco notifique a Liga, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e os clubes para liquidarem as dívidas fiscais relacionadas com a aplicação, até 2004, do acordo firmado em 1999, conhecido por "totonegócio". A quantia a liquidar deverá rondar entre os 21 e os 35 milhões de euros.

O jornal Público diz que tentou obter um comentário da Liga, mas não obteve resposta. Pudera: deve estar em estado de choque - as dívidas estão, em grande parte, "em nome" da Liga e da própria Federação, não podendo o Estado exigir aos clubes senão uma parte.

A FPF reagiu fazendo-se de ingénua. "Nunca mais fomos informados de nada (...) seria incompreensível que, depois de todo este tempo sem prestar informações sobre o evoluir da situação, o Governo viesse agora notificar os clubes". Não, sonso: o governo vai notificar é a FPF!

Aviso à navegação


Sucedem-se as denúncias sobre a ineficiência induzida na economia
pela actuação do Estado.

Miguel Cadilhe, Presidente da Agência Portuguesa para o Investimento denunciou a falta de capacidade do Estado em criar um ambiente amigo do investidor, reduzindo os «custos de contexto», a burocracia, os excessos de regulamentação ou de zelo, a rigidez dos mercados ou as taxas, comissões e impostos excessivos, a inexistência de um sistema de tratamento de resíduos industriais perigosos e os atrasos dos pagamentos correntes do sector público.

Cavaco Silva, numa conferência no Instituto Nacional de Administração, afirmou que a imagens das nossas instituições não é muito boa - sendo que a respectiva credibilidade é decisiva para o crescimento económico. Mas o recado de Cavaco Silva, chamando a atenção para a necessidade de aumento da competitividade das exportações, também pode ser entendido como dirigido às empresas.

O "Publico" plagiou


A jornalista Catarina Serra Lopes, no Público, escreveu este artigo que plagia uma reportagem e notícia do blog Substrato. Trata-se da notícia sobre os cartazes artesanais que foram colocados sobre um suporte da cartazes da CML. A reportagem e notícia original foi dada pelo Substracto, mas a jornalista despudoradamente escreve: «partimos à descoberta e desvendámos o mistério».

Posteriormente o jornal Público, num espaço minúsculo, admite o erro, apresenta desculpas e reconhece a autoria da investigação ao blog Substracto.

Porém,o que mais me impressiona - e choca - é a reacção da jornalista, relatada pelo próprio blog: contactada pelos autores dos cartazes proferiu um "Qual blog?! Não sei do que está a falar!" e a um mail de indignação do Substrato respondeu com um arrogante "O jornal Público não é um veículo publicitário de blogs".

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Parabéns a Mário Cláudio


O escritor Mário Cláudio é o vencedor do Prémio Pessoa 2004, «pela mestria da língua, a preocupação historiográfica, a tentação biográfica e a extraordinária invenção narrativa».
FELES

Por todo um Inverno,
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.

E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.

Senta-se agora,
Junto à lareira do Outono,
E é um bule de porcelana.

Mário Cláudio, Dois Equinócios, 1996

"Arranja-me um emprego..."


Notícias como esta dão razão aos críticos do Estado Providência. Assim, mais vale estar quieto:
«Os incentivos à criação de empregos custaram ao Orçamento do Estado cerca de 527 milhões de euros no triénio 2001/2003, concluiu uma auditoria do Tribunal de Contas às políticas activas de empregos em 2002. Mas o tribunal não conseguiu aferir o grau de eficácia desta política, designadamente pela ausência de controlo no terreno e por não ter sido possível isolar o resultado desta política de emprego.»
"Os objectivos da política nacional de emprego estão a ser desvirtuados em vez de criarem emprego, estão a servir como apoio social, considera o Tribunal de Contas."
«Quanto à empregabilidade, os resultados são pouco satisfatórios, na grande maioria dos casos os programas ocupacionais não proporcionam um emprego»

Notícias no Público e no no DN


Ingovernabilidade


[post corrigido]

Rui Rio falou a sério e Pinto da Costa reagiu à bruta. Pois qual dos dois acham que a comunicação destacou ? Claro: o homem que mordeu o cão. E a blogosfera idem.

Mas vale a pena destacar as declarações do autarca:
"O Porto não conquistará credibilidade dentro do país criticando Lisboa, sendo bairrista e centrando a sua afirmação no futebol".
(...)
"São misturas [futebol-política] que não se devem fazer. Tem que haver um esforço de racionalidade na política. E o futebol é tudo menos isso, porque aí só governam as emoções. E não é ao sabor delas que nós, políticos, vamos tomar decisões".

Notícia do Público

Em resposta a isto a reacção de Pinto da Costa tem o ar arruaceiro de quem promete "ir à cara" de Rui Rio. Veja-se o nível de ambas as intervenções e escolha-se. O PS Porto, por exemplo, já escolheu: "O presidente da concelhia PS da cidade, Nuno Cardoso, recusa comentar cenários, mas congratula-se com a vontade de luta do presidente dos dragões."

Eu prefiro Rui Rio, que declarou, noutro contexto:
«Vivemos numa situação de ingovernabilidade», disse, referindo a dificuldade em desenvolver as reformas estruturais da sociedade. Perante este cenário, atribuiu essa fragilidade a «poderes fácticos que têm hoje tanto poder como o poder político». Referia-se, explicou, à comunicação social, ao poder judicial e ao económico.

Grande indústria apanha choque


Diário Económico: «Empresários querem electricidade subsidiada»
«A grande indústria nacional quer que o Governo garanta tarifas eléctricas iguais às praticadas em Espanha, que são subsidiadas. A APIGCEE, associação que agrega a Cimpor, Secil, Siderurgia Nacional - Produtos Longos, Quimigal, Autoeuropa, Borealis, Solvay e a Somincor, acusa o Executivo de nada ter feito para defender a competitividade das empresas portuguesas face às suas congéneres do outro lado da fronteira.»
Oh "senhora dona grande indústria": não seria mais saudável exigir o fim dos subsídios e o estabelecimento duma concorrência leal ?

Longa vida


Regime desvendado pelos cientistas para viver mais e melhor: vinho, peixe, chocolate preto, fruta e vegetais, amêndoas e alho, tudo numa base diária com excepção do peixe, que é aconselhável ingerir apenas quatro vezes por semana.

Os seguidores masculinos deste tipo de alimentação poderão viver mais nove anos sem sofrer de problemas de coração; os que mesmo assim tiverem problemas, sofrerão menos anos em relação aos que não praticam esta alimentação. As mulheres terão terão de se contentar apenas com mais cinco anos de vida e adiamento do risco de doenças cardiovasculares por mais oito.

Notícia no Público



Opinião críptica


Correia de Campos no Público:
«É por isso que a pele se me engalinha ao ouvir os profetas do imobilismo, os defensores do povo, contra as reformas que o visam tirar da pasmaceira; os bem-pensantes da cidadania, agora, a clamarem pela viragem do avesso.»

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Fora de contexto



«Alguém acreditaria, por exemplo, em sondagens feitas por uma empresa cujos responsáveis fossem o meu amigo Rui Gomes da Silva, o meu amigo Pedro Pinto e a minha querida amiga Conceição Monteiro?»

Santana Lopes
Diário de Notícias
25 de Outubro de 2001

Opinião



«A utilização mais racional dos activos imóveis do Estado foi posta de lado, trocada por um objectivo meramente financeiro e apenas para 2004. Isto se o Eurostat aprovar a operação, o que está longe de ser um dado adquirido. A factura, essa, chegará nos anos seguintes, quando for necessário garantir o pagamento das rendas desses edifícios.»

António Costa
in Diário Económico



Opinião



«O mundo já não é o que era. Tão entretidos andamos com as nossas pequenas grandes crises domésticas que não vemos a realidade. Pelo ruidoso debate nacional não passa nenhum grande tema estratégico. A sensação que dá é que estamos cada vez mais à margem. E o pior é que nem damos por isso.»

Luísa Bessa
Jornal de negócios



Jipes, não.


Sofia Galvão, secretária de Estado, anunciou logo após o Conselho de Ministros de ontem que os jipes passavam a ser beneficiados com uma redução de portagem (passando da classe 2 para a classe 1). Logo de seguida veio o desmentido: Jipes, não - tinha sido lapso. Só monovolumes, mas não todos: apenas "os veículos de classe 2 com altura igual ou superior a 1,1 m e inferior a 1,3 m, desde que tais veículos beneficiem (...) de uma redução de 40 por cento das taxas do Imposto Automóvel". Ou seja: os monovolumes da Auto-Europa.

Depois da lei das incompatibilidades nas empresas de sondagens, feita para um só político, temos a lei das portagens, para um só carro, (ou uma só empresa).

Quanto ao lapso da senhora secretária - é coerente com a imagem de marca do governo.

"Afasta de mim esse microfone..."


O inefável Secretário de Estado adjunto do MAI, P.P. Coelho, foi almoçar com os bombeiros, entusiasmou-se e desatou um discurso inflamado, tipo-Primeira-República, onde se declarou "envergonhado" com o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.

Cabe perguntar: então este governo só descobriu isso ao fim de 4 meses? E de quem é a culpa? Do governo anterior ? Ou foi apenas a destrambelhada reacção do governante à acusação que lhe fora feita pelo anterior responsável do SNBPC, que se demitiu porque, entre outras coisas, o inefável Secretário não reunia com ele ? É que se tivesse reunido podia ter "descoberto" a vergonha mais cedo...

Acontece que uma rádio local - a Rádio Portalegre - divulgou o "discurso almoçado" do inefável Secretário e este reagiu dizendo que não autorizou a gravação das suas palavras, que são excertos retirados do contexto, e que a gravação foi recolhida clandestinamente numa reunião de trabalho (e afinal era um almoço e o repórter estava devidamente identificado, segundo revelou a Rádio Portalegre).

Eu penso que todas as declarações de políticos em funções, em reunião ou não, podem e devem ser divulgadas. Só quem tem discursos diversos para diferentes contextos é que pode recear a divulgação pública das suas palavras.

Notícias sobre este assunto no Diário de Notícias e na Rádio Portalegre.

A ver navios...


Notícia: "Navios vão passar mais longe da costa portuguesa".

Neste caso, trata-se apenas da relocalização das rotas oceânicas estabelecidas para a navegação mercante. Mas a continuar o modelo de gestão pública dos nossos portos (com as administrações portuárias disfarçadas de "SAs") a notícia pode vir a assumir uma dimensão premonitória.

'No comments'


José Eduardo Moniz sobre Marcelo Rebelo de Sousa: "Gostaria de o ver noutro papel que não aquele que apenas tem desempenhado em Portugal".

Compreendo: a última coisa que Moniz gostaria de ver seria o professor como comentador... numa estação de televisão da concorrência. 'No more comments'.

Ameaça ou oportunidade ?


Notícia do Público: "Cimenteira Secil Ameaça Passar a Comprar Electricidade a Fornecedores Espanhóis".

Apesar do título bombástico, a verdadeira natureza da notícia é bem mais benigna: "a cimenteira Secil está a negociar com fornecedores de energia espanhóis e a ponderar a saída do sistema eléctrico vinculado, onde se encontra contratualmente ligado à EDP Distribuição."

Isto significa apenas que existem condições para um princípio de concorrência neste sector. Seria bom que os consumidores domésticos tivessem a mesma possibilidade. Claro que pode acontecer que a empresa esteja apenas a fazer bluff - como já aconteceu no passado. Já ameaçou inclusivamente mudar a fábrica para outro sítio. Mas, em última análise, não se trata de uma ameaça mas sim de uma oportunidade.


quarta-feira, dezembro 15, 2004

Google Académico


Google Scholar, novo serviço de pesquisa do Google:

http://scholar.google.com/

vocacionado para cientistas e académicos, disponibilizando revistas, livros, teses, notícias de suporte técnico, citações, etç. Veja as respectivas FAQs.

Entretanto a SciFinder Scholar anunciou que vai processar o Google por entender que o Google Scholar infringe os seus direitos de propriedade intelectual. Por outro lado, alguns problemas no acesso ao material prometido foram revelados por esta notícia do SearchEngineWatch.

O Público de hoje dá conta de que "os livros de cinco grandes bibliotecas norte-americanas vão ser colocados na íntegra no motor de busca do Google. A versão digitalizada de um milhão de obras cujos direitos de autor já tenham caído no domínio público vai estar disponível par leitura "on-line", anunciou o Google."

Maus a matemática


No Público de hoje (suplemento "Forum Empresarial"): "para um aluno português médio, resolver um problema matemático é uma grande dificuldade".

Veja-se como ficaram os nossos alunos classificados a matemática no recente estudo da OCDE, PISA 2003 (valor médio = índice 500):

Finlândia544 Irlanda503 
Holanda538 Eslováquia498
Bélgica529 Noruega495
Suíça527 Luxemburgo493
Islândia515 Polónia490
Dinamarca514 Hungria490
França511 Espanha485
Suécia509 Portugal466
Áustria506 Itália466
Alemanha503 Grécia445

Zero a matemática ?


São conhecidas as possíveis dinâmicas de uma coligação eleitoral: por um lado provoca perda de votos, devido às resistências de certas franjas de cada um dos partidos coligados; por outro lado garante, para um mesmo número de votos, um maior número de deputados (economias de escala do método de Hondt).

Ora o "acordo para um entendimento pós-eleitoral" finalmente anunciado entre PSD e PP parece aliar duas ineficiências: há-de desencadear algumas das tais resistências e não permite obter qualquer majoração do número de deputados.

Como se explica isto ? Maus a matemática?