Através do
Mahalanobis cheguei ao inquérito feito pelo Wall Street Journal a vários economistas. Uma das questões foi: "Qual o desenvolvimento individual no pensamento económico, nos passados 50 anos, que teve impacto mais significativo no dia-a-dia das pessoas, e porquê?" Eis algumas das respostas:
George A. Akerlof: - "O uso da Teoria dos Jogos: permite aos economistas analisar os problemas com maior detalhe, possibilitando uma melhor correspondência entre as situações e a teoria."
Kenneth J. Arrow: - "Não sei exactamente o que é um "desenvolvimento individual". Diria antes que a ideia de modelizar as implicações de políticas alternativas, tornada possível pelo desenvolvimento teórico, pela revolução informática e pelo acréscimo do volume de dados, teve um efeito salutar nas políticas. O uso de modelos não conduz necessariamente a boas políticas, mas permite evitar as piores possíveis."
Milton Friedman: - "A aceitação da ideia de que a inflação é um fenómeno monetário. E porquê? Porque já produziu até agora mais de duas décadas de inflação relativamente baixa na maior parte dos países desenvolvidos, com produção relativamente estável e um elevado nível de desemprego e bem-estar."
Clive W.J. Granger: - "A capacidade para controlar a inflação."
Lawrence R. Klein: - "Não constituíu surpresa que Jan Tinbergen tenha recebido o primeiro Nobel da Economia (partilhado). O seu trabalho de modelização económica estava muito à frente do seu tempo, com muito menos recursos do que dispomos actualmente. Ele formulou os princípios da definição de políticas económicas e lançou as bases para a sua implementação através da inferência econométrica. Também o seu (segundo) modelo, construído para a Sociedade das Nações, tinha já muitas ideias interessantes sobre a distribuição de rendimentos, o efeito riqueza e a determinação de salários. Modelos tornados possíveis por estas descobertas dos anos 30 são hoje usados continuamente por todo o mundo."
Harry M. Markowitz: "Eu diria que foi a teoria do portfólio, mas sou suspeito."
John F. Nash Jr.: - "Não sei o que hei-de escolher; pode levar mais de 50 anos até que uma boa teoria económica se torne totalmente efectiva."
William F. Sharpe: - "A teoria monetária de Friedman e a teoria macroeconómica de Keynes (companheiros improváveis, para jogar pelo seguro).
Vernon L. Smith: - "O tema de Hayek sobre a utilização do conhecimento, no sentido de que a informação dispersa necessária para organizar uma economia não pode ser concentrada numa única mente; e que por isso os sistemas de comando e controlo têm necessariamente de falhar; e este tema destruiu ou forçou a liberalização das economias de controlo central do Chile, da União Soviética, da China, etç."
Robert M. Solow: - "Não tenho a certeza. Possivelmente foi o conhecimento melhorado do comércio internacional, das taxas de câmbio, e da macroeconomia das economias abertas (grandes números em causa)."
Outra das questões do WSJ, referida agora pelo
Café Hayek, foi: "Em que esfera da vida, se é que em alguma, pensa que é mais importante limitar a influência das forças de mercado?".
Milton Friedman deu uma resposta misteriosa: - "A auto-propriedade dos seres humanos" (querendo talvez significar, segundo o Café Hayek, que não deve ser permitido às pessoas que se vendam ou se ofereçam para escravatura).
Lawrence Klein argumentou que as falhas de mercado e a corrupção são responsáveis por aquilo que ele designa como desvios (
skewness) na distribuição do rendimento e da riqueza, quer no interior das economias nacionais, quer entre elas.
William Sharpe seleccionou "a extrema concentração do poder económico e político".
Joseph Stiglitz: - "A lista usual dos economistas começa com a distribuição dos rendimentos. Não há motivo para pensar que a distribuição do rendimento que emerge dos processos de mercado seja desejável ou aceitável. As forças de mercado descontroladas actuando livremente, sem o controlo do governo podem levar um grande número de pessoas a viver abaixo do nível de subsistência. Trata-se de uma área para intervenção do governo. Sabemos que as forças económicas sem controlo podem conduzir a grandes expansões e a grandes recessões. Temos de fazer algo acerca disso. Sabemos que o mercado pode levar à poluição – e existe aí um importante papel a desempenhar pelo governo. Sabemos que haverá insuficiente investimento em bens públicos. E quando pensamos na economia da inovação, devemos recordar que a maior parte da inovação do sector privado é baseada em investigação financiada pelo governo, como aconteceu com a Internet.
Robert Solow: - "Nas economias avançadas, eu diria: para evitar desemprego em massa, pobreza e desigualdades crescentes."