Domingo, Dezembro 13, 2009



Faleceu Paul Samuelson

Paul SamuelsonPossivelmente será mais recordado pelo magnífico manual de Economia de que foi autor, mas foi também um dos mais importantes teóricos da denominada síntese neoclássica, uma fusão das teorias micro e macro-económicas. A sua grande descoberta, o teorema da preferência revelada, criou expectativas de que a Economia, finalmente, atingiria o patamar de Ciência por legítimo direito (e não por aproximação às ciências duras, como a Física); no entanto, essa terá sido mais uma das grandes ilusões do século XX.

Notícia do jornal Público:
     O economista Paul Samuelson, primeiro prémio Nobel da Economia americano, em 1970, morreu hoje aos 94 anos, anunciou o Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde cumpriu o essencial da sua carreira.
     “O economista do MIT Paul A. Samuelson, laureado com o Nobel e autor de análises matemáticas que estabeleceram os alicerces nos quais se construiu a economia moderna e manuais que influenciaram gerações de estudantes, morreu hoje [domingo] na sua casa em Belmont (Massachusetts)”, anunciou o MIT na sua página online.
     Segundo o instituto, Samuelson foi um dos economistas mais importantes do planeta durante mais de meio século”. Um dos seus manuais de economia, “Economics: An Introductory Analysis”, publicado pela primeira vez em 1948, foi traduzido em 40 línguas e reeditado 19 vezes em língua inglesa. É a obra de economia mais vendida de todos os tempos, com mais de 4 milhões de cópias vendidas.
     Nascido em 15 de Maio de 1915, Paul Samuelson, formado em Harvard, passou a integrar os quadros do MIT em 1940. Estava casado com Risha Samuelson há 28 anos e tinha seis filhos.


Segunda-feira, Setembro 07, 2009

     Concordo com esta análise quanto ao argumento de que o crescimento monetário é sustentado por um esquema do tipo "pirâmide"; mas não concordo que seja a mesma coisa que empurra o crescimento económico; nesse caso há uma "tragedy of the commons": genericamente os indivíduos encaram os recursos do planeta como recursos comuns (ou seja, pertencem ao ser humano — não aos animais, nem a Deus, nem a gerações futuras) e gratuitos (excepto quanto a uma pequena taxa para quem detém temporariamente a sua guarda). O que impulsiona o crescimento é a vontade de usufruir de mais coisas boas (sejam elas consumos supérfluos ou mais e melhores cuidados de saúde, mais bens culturais, etc.) O ser humano sempre foi impulsionado por isso, porque haveria de mudar agora? E o paradigma do crescimento não começou na era moderna: ocupar um ecosistema, crescer até esgotar os recursos e passar adiante: isso vem desde a pré-história. O que foi mudando foi a tecnologia, e o facto — subsequente — de nos aproximarmos do limite planetário em termos de exploração de recursos. Mas o sistema reequilibrar-se-á, ainda que de modo trágico.
     Também não concordo que a Economia não seja uma ciência: tem tanto de observação externa, medição rigorosa e método científico como qualquer outra ciência (com excepção das "ciências jurídicas" e "do jornalismo"); tem igualmente muita subjectividade e ideologia, mas disso também as restantes ciências sofrem.
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Segunda-feira, Agosto 24, 2009

notícia do jornal Público     O "bom povo português" dos discursos monoculares de Spínola, tal como o "generoso povo da Madeira", é uma falsificação filosófica que remonta, pelo menos, até ao Iluminismo: são apenas variantes do "bom selvagem" rousseauniano: o homem que nasce todo ele pleno de bons instintos, e que é, depois, "estragado" pela Sociedade (no caso de Rousseau, pela Ciência).
     Embora frases como a do actual primeiro ministro façam sorrir a maior parte de nós, não nos irritam: o que nos irrita são afirmações como a de José Hermano Saraiva, dizendo que em apenas três dias (nos idos de 1506) o "bom povo" de Lisboa e arredores chacinou mais judeus do que a Inquisição portuguesa em todo o tempo da sua lúgubre existência; incluindo bebés: pode lá ser!
     O "povo", por definição, é bom, e só isso é que explica, segundo Sócrates (esse que é afinal o modelo chapado do português suave, que de vez em quando grita e se irrita, mas isso não é ele, foi apenas uma coisa má que lhe passou pela cabeça), que os madeirenses continuem a eleger o sr. Alberto PSD Jardim, apenas para não somar uma humilhação insuportável à chacota que dele faz o País. É muita generosidade, essa, mas compreensível à luz da doce filosofia josé-socrática.
     Não, o voto do generoso povo madeirense não é nenhuma retribuição pela generosidade orçamental cubano-continental. Não, a Matança da Páscoa de 1506 nada tem a ver com o genocídio nazi. O povo é sempre bom. O povo é quase sempre sereno. Leiam as notícias: em Portugal não se lincha ninguém a coberto da noite, só porque esse ninguém é de cor escura e ousou assaltar uma garagem às tantas da manhã. Essa notícia não existe.

Segunda-feira, Julho 27, 2009

Piratas da Somália: modelo de negócio

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     «Os duros pescadores da denominada costa da Somália são criminosos sem remorso, sem dúvida, mas são mais do que isso: são inovadores. Enquanto os piratas de gerações anteriores se contentavam com um bote carregado com o saque, os flibusteiros do Golfo de Aden mantêm navios captivos para trocar por resgates. Esta etsratégia tem sido fabulosamente bem sucedida: o retorno típico é actualmente 100 vezes superior ao que era em 2005 e o número de ataques disparou.
     «Como qualquer outro negócio, a pirataria Somali pode ser explicada em termos puramente económicos. Ela floresce ao explorar os incentivos criados pelo comércio marítimo internacional. As outras partes envolvidas — armadores, seguradoras, segurança privada, e numerosas marinhas de guerra nacionais — ganham mais (ou, pelo menos, perdem menos) a tolerá-la do que a combatê-la seriamente. Quanto aos piratas, as suas crescentes exigências são apenas um método de formação de preços, um modo de medir quanto é que o mercado suporta pagar.»
ler o original (em inglês)   »»

Terça-feira, Julho 07, 2009

Custos de oportunidade

Suponho que devem conhecer o argumento ricardiano a favor do comércio internacional: Portugal a produzir vinho, a Inglaterra panos, e depois toma-lá-dá-cá. Há uma versão moderna que mete uma advogada e a sua secretária: se a causídica for mais rápida a dactilografar e mais eficiente a arquivar processos do que a secretária, deve ela substituir-se à funcionária administrativa? Resposta: não! Porque o ganho/hora da advogada supera a ineficiência relativa da secretária (este exemplo, visto à lupa, revela um outro lado, sinistro, do argumento ricardiano: uns a especializarem-se em sectores com elevada incorporação tecnológica e de conhecimento, outros a marcar passo em sectores pouco qualificados). Toda esta conversa para justificar a publicação deste pequeno desenho. Imaginem quem é a Inglaterra e quem é Portugal.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

 o ex-ministro Manuel Pinho sem maquilhagem nem adereços taurinos Quando o ouvia dizer que mal dormia pensava se não seria daqueles que sabia mais a dormir do que acordado. Agora pode dormir descansado, depois de ter feito passar por cordeiro o pequeno parlamentar que o provocou. Igual a si própria, a Assembleia ofendida escorraçou o ensonado trabalhador, fez suas as profundas dores do pequeno provocador e, como sempre, pesou mais a emoção do momento do que a razão do País. A Casa da Chinfrineira aplicou o velho truque de passar por ter boquinha pequena ao escancarar a bocarra, por ela mesma ampliada, dum bandarilheiro que devia ter estado calado naquela altura, porque o lema ali é: quando um da Casa fala as visitas baixam as orelhas. Já a um parlamentar tudo é permitido e perdoado (como aconteceu recentemente com José Eduardo Martins) incluindo dormir em vez de trabalhar. O Parlamento é apenas isso: a válvula de escape da manha nacional, ela a quem todo o sucesso alheio ofende.

Ah, mas no tempo em que os tordos falavam ainda se podia (ouvir) cantar:
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados          
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
 

ex-ministro Manuel Pinho

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Silogismo



Debate da Nação:
- Louçã diz que a mina não abriu.
- Sócrates diz que estão lá 100 ou 200 trabalhadores.
- Conclusão: os trabalhadores estão fechados na mina fechada.